quinta-feira, 4 de janeiro de 2018

Mostra Cinema Ambiental

Mostra Cine Ambiental
exibição de  curtas mostrando a situação
ambiental de diversas cidades brasileiras
27 - janeiro - 2018 - 21:00h
Estação 353 - São Francisco do Itabapoana

sem meias palavras ando descalço
pra pisar a lavra da palavra chão

Studio Fulinaíma Produção Audiovisual



EuGênio Mallarmé

Meu ator preferido desabafava ontem comigo sobre as dificuldades de subir ao palco hoje para interpretar grandes personagens. Para ele não há mais diretores e produtores preocupados em produzir teatro, e sim, entretenimento, besteirol, stand up. Discípulo direto de Antonin Artaud reclama desse vazio monumental fazendo com que grandes atores se exilem dentro do seu próprio corpo.

Cristina Bezerra

“Quem sou eu?
De onde venho?
Sou Antonin Artaud
e basta que eu o diga
Como só eu o sei dizer
e imediatamente
hão de ver meu corpo
atual,
voar em pedaços
e se juntar
sob dez mil aspectos
diversos.

Um novo corpo
no qual nunca mais
poderão esquecer.
Eu, Antonin Artaud, sou meu filho,
meu pai,
minha mãe,
e eu mesmo.
Eu represento Antonin Artaud!
Estou sempre
morto.Mas um vivo morto,
Um morto vivo.
Sou um morto
Sempre vivo.
A tragédia em cena já não me basta.
Quero transportá-la para minha vida.
Eu represento totalmente a minha vida.
Onde as pessoas procuram criar obras
de arte, eu pretendo mostrar o meu
espírito.
Não concebo uma obra de arte
dissociada da vida.
Este Artaud, mas, por falta do que fazer…
Eu, o senhor Antonin Artaud,
nascido em Marseille
no dia 4 de setembro de 1896,
eu sou Satã e eu sou Deus,
e pouco me importa a Virgem Maria.




quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

poética



poética

o gosto de romã na boca
morde  a minha boca
com  tua boca de mulher
o mal-me-quer floriu na cama
ainda agora
chegou a hora
de brotar um outro fruto
gozo absoluto
quando o amor vier

Artur Gomes


terça-feira, 21 de novembro de 2017

poética 47


Poética 47
ou: Mallarmè reVisitado

o sentido oco
da cultura é tanto
que a cada lance
desse jogo quântico
o poder é cínico depravado
quando o cheiro podre
passa a ser semântico
entre os três poderes
deus não joga dados

sábado, 18 de novembro de 2017

tropicalirismo



Tropicalirismo

Girassóis pousando
nu teu corpo: festa
beija-flor seresta
poesia fosse
esse sol que emana
do teu fogo farto
lambuzando a uva de saliva doce

Artur Gomes
in Couro Cru & Carne Viva


Algaravia

eu  sou o vento
que remove teus cabelos
e repousa em sua face
a outra face do que sente
mas não vê
a palavra que um dia
escreverá - algaravia
nas películas da memória
da ficção que entender

come poesia menina
come poesia
pois não há mais metafísica no mundo
do que comer poesia


Federico Baudelaire


voragem

não sou casta
e sei o quanto custa
me jogar as quantas
quando vejo tantas
que não tem coragem
presa a covardia

eu sou voragem
dentro da noite veloz
na vertigem do dia

Federika Lispector

entre o sonho e o sossego
 :
o pesadelo

Federico Baudelaire

domingo, 12 de novembro de 2017

jura secreta 34



jura secreta 34

te amo
e amor não tem nome
pele ou sobrenome
não adianta chamar
que ele não vem quando se quer
porque tem seus próprios códigos
e segredos

mas não tenha medo
pode doer pode sangrar
e ferir fundo
mas é razão de estar no mundo
nem que seja por segundo
por um beijo mesmo breve
porque te amo
na mar no sal no sol na neve

Artur Gomes 



sábado, 11 de novembro de 2017

com os dentes cravados na memória


Com Os Dentes Cravados na Memória
não sou Pablo Neruda mas - Confesso Que Vivi

Nesta última quinta-feira fiz um post abrindo o baú de memórias com foco nos meus tempos de aluno da ETC/ETFC (Escola Técnica de Campos, Escola Técnica Federal de Campos)  lá pelos idos dos anos 60 do século passado. Instituição hoje denominada IFF(Instituto Federal Fluminense). Cheguei a frisar que refletindo sobre aquele tempo poderíamos entender melhor os dias de hoje.

Aí para vergonha de todos nós, acontece dentro do IFF Campos Campus Centos, acontece esse episódio deplorável de racismo, xenofobia e tantos outros preconceitos ali embutidos praticado por alunos e um professor da  centenária instituição, contra estudantes do IFMaranhão que vieram a Campos para apresentação de um projeto cultural.

Para refrescar a memória de quem se esquece com facilidade, o IIF foi criado em 1909, com o nome de Aprendizes Artífices, por Nilo Peçanha, um campista que na época ocupou a presidência da República. Na certa esses alunos e o professor envolvidos no lamentável episódio não conhecem  nada da História da instituição, que de forma alguma merecem estar ali como alunos e muito menos como professor.

Nos anos 60/70 como não tínhamos a facilidade tecnológica nem a rede de comunicação que temos hoje, muitos acontecimentos dessa época dentro da ETC/ETFC não tinham repercussão fora dos muros da Escola. A cidade não tomava conhecimento. Hoje felizmente, graças as redes sociais, a informação se dá num piscar de olhos.

Com os Dentes Cravados na Memória é um projeto de livro, que pretendo me debruçar sobre ele. Minha vida dentro do IFF se estende de 1961, (quando na ETC me ingressei com aluno do Ginásio Industrial e onde aprendi a ser Linotipista na Oficina de Artes Gráficas), a 2012, depois de ter passado o período de 1986 a 2003 como professor de Teatro. E de 2011 a 2012 ( período em que fui coordenador da Oficina de Criação e Produção de Vídeo, Oficina esta que foi extinta após a minha saída)

Muita água rolou pelo leito do rio Paraíba do Sul de 1961 até os dias atuais. Muita história tenho pra contar vividas nos corredores, nas salas de aula, nos pavilhões de Oficinas, por todo esse período, como aluno e depois como servidor público federal. Alguns filósofos gostam de afirmar que História não ensina nada, mas acho que pelo menos nos faz refletir e compreender melhor o Agora.

cacomanga
ali nasci
minha infância
era só canaviais
ali mesmo aprendi
a conhecer os donos de fazendas
e odiar os generais

Artur Gomes
do livro: Suor & Cio - 1985

www.fulinaimicas2.blogspot.com 

sexta-feira, 10 de novembro de 2017

juras secretas



Jura secreta 104
para Celso Borges e Lilia Diniz

faz escuro mas eu canto
Thiago de Mello

eu sou quem morre e não deita
Salgado Maranhão

pros meus afins está difícil
por isso esse novo canto
se o  dia  não amanhecer

Querubins e Serafins
o que será de Parintins
Bumba-Meu-Boi
o que será ?

Maranhão meu São Luiz
o que será de Imperatriz
do povo/boi o que será
do povo/boi o que vai ser?




Jura secreta 75

é abissal
o cheiro de esperma e susto
não fosse o ópio
nem cem anos de solidão
provocaria tal efeito
o peito estraçalhado
por dentes enigmáticos

Monalisa
sangra na Elegia do agora
cada deusa tem seu templo
cada mulher tem sua hora

Artur Gomes

CAMPOS DOS GOYTACAZES

Quem sou eu

Minha foto
meu coração marçal tupã sangra tupi e rock and roll meu sangue tupiniquim em corpo tupinambá samba jongo maculelê maracatu boi bumbá a veia de curumim é coca cola e guaraná