fulinaíma

domingo, 31 de maio de 2009


Cadinho: cantor de Itaperuna, uma das atrações musicais do XXI FECAM
Ailton Guimarães: Secretário de Cultura de Cardoso Moreira, e criador do FECAM - Ely Correa e Artur Gomes, dois membros da Comissão Julgadora do XXI FECAM - Sandrelene, Cardosense da Gota.












Cardoso Moreira
Algumas considerações sobre o XXI FECAM
A Secretaria de Cultura Turismo Esporte e Lazer, de Cardoso Moreira, realizou nestes últimos
dias 29 e 30, o seu XXI FECAM – Festival da Canção de Cardoso Moreira. Desde 2006, a convite do seu Secretário e guerrilheiro cultural Ailton Nunes Guimarães, que com prazer integro a Comissão Julgadora do respectivo Festival, que aos poucos tem ultrapassado os limites da região, e do Estado, para ir se tornando um evento Nacional. Se nas últimas duas edições, o evento contou com concorrentes de todas as cidades da região norte noroeste do RJ, além de concorrentes da capital fluminense, este ano o FECAM teve entre os seus finalistas, um maravilhoso compositor paulista, Carlos Gomes, que além de músico é também um sério pesquisador de Multiculturalismo, com projeto apoiado pelo Minc, um pequeno exemplo do seu projeto pode ser testemunhado na letra da canção Galanga Rei, uma das 10 finalistas do XXI FECAM, magistralmente interpretada pela mineira Ivânia Catarina, eleita e melhor intérprte do Festival.

Além dos compositores, o FECAM tem sido também um palco para excelentes intérpretes, e de Campos já desfilaram por lá, Nya Maia(melhor intérprete em 2007), América Rocha(vencedora de 2008), além de compositores intérpretes do quilate de Paulo Ciranda, Cris Dalana e do forrozeiro Gualter Torres(que todas as semanas são as atrações musicais do Bar e Restaurante Capixaba), entre tantos outros. O Gualter é de Itaperuna, e o Cris Dalana é gaúcho de Passo Fundo, há algum tempo radicado em Campos.

Este ano o FECAM elegeu como intérprete a mineira extraordinária Ivânia Catarina, que interpretou as maravilhosas canções Galanga Rei e Mar de Purpurina, de autoria do paulista Carlos Gomes. O XXI Festival da Canção de Cardoso Moreira, distribuiu uma premiação total de R$ 8.00,00(oito mil reais), e segundo o Secretário de Cultura Ailton Nunes Tavares, o gasto total com o Festival foi de R$ 17.000,00 (quinze mil reais). Com isso Cardoso Moreira, dá um grande exemplo de como é possível se fomentar e incentivar a criação e interpretação musical, mantendo uma chama acesa que se iniciou quando Cardoso Moreira ainda era um Distrito de Campos dos Goytacazes. Fica aí o exemplo para os atuais comandantes da cultura em Campos, que quando se quer faz-se, e os objetivos alcança-se quando se luta por eles, não tem cabimento algum uma cidade como Campos não ter um Festival de Música, um Festival de Teatro, um Festival de Cinema, e um Festival de Poesia.

A Ailton Guimarães e toda sua equipe da Secretaria, a Gilson Siqueira, prefeito de Cardoso Moreira, o nosso abraço, e parabéns por este exemplo de incentivo a Cultura, mesmo com todas as adversidades que a cidade enfrentou com as enchentes de dezembro de 2008 e janeiro de 2009.


Mar de Purpurina
Autor: Carlos Gomes
Intérprete – Ivânia Catarina

o sol já vai nascendo
e a minha estrela ainda está lá
entre claras nuvens, tensa, se movendo
num frenesi de uma doidivanas dançarina

o sol que te ilumina
faz das penugens tuas, mar de purpurina
tens boca de boneca, o frescor das manhãs
teu hálito é hortelã

ninfa curiosa
no baticum deste teu coração
descobre, ansiosa, prazer, dor e paixão
com o teu rosto borrado inteiro de rímel e baton

o sol, enfim, se impõe
e rouba, sem pudor nenhum, a minha estrela
que nunca aprendeu a domesticar o tempo
prefere ir ao sabor do vento

não quer saber do que é bem ou mal
vem sem culpa, vai com alegria
vem brilhante, intensa
o teu cio é fantasia

e fica uma saudade, um ciúme
qualquer canção no rádio é nosso tema
são Lolitas, são Ângelas, Helenas
os meus poemas

Primeiro Lugar – XXI FECAM
Ivânia Catarina – melhor intérprete


Nó do Tempo
Autor: Cris Dalana
Intérprete: Cris Dalana

Natal cansou de dezembro
e foi pra fevereiro pular carnaval
mas carnaval cansado do enredo
foi descansar no quintal
florido de primavera que foi pra janeiro
encontrar o verão
verão tomado de tédio
mudou-se pro inverno pra esfriar solidão

então o vento sorriu e só
só nesse momento
o vento que desatou o nó
o nó que amarra o tempo

então o vento sorriu e só
soprou nesse momento
porque foi vento
que desatou o nó
o nó que amarra o tempo

domingo foi pra segunda-feira
que foi pra domingo pra não trabalhar
e o hoje não satisfeito com tudo
foi pro passado consertar
passado triste com o mundo
foi reclamar pro futuro e chorou no divã...
futuro ouviu o presente e pensou...
mas deixou pra amanhã

então o vento sorriu e só
só nesse momento
o vento desatou o nó
o nó que amarra o tempo

então o vento sorriu e só
soprou nesse momento
porque foi o vento
que desatou o nó
o nó que amarra o tempo

Segundo Lugar – XXI FECAM

Galanga Rei
Autor: Carlos Gomes
Intérpretes: Calos Gomes e Ivânia Catarina

Refrão: ô de dentro, ô de fora
louvemos a Nossa Senhora

Sikelel’i Afrika

conta a lenda que por força do batismo cristão
Galanga virou Chico Rei pra desadorar Zambi, o Deus pagão
No Kalunga, no Madalena, nas ondas que vão e vem
Malungos trazendo no peito tambores e a força que o negro tem

Os bantu presos nos tumbeiros cantavam pra Nossa senhora
Pra são Benedito e pro sete-estrelo: cuidai de nós nessa hora
Galanga Ganga, nKosi ê, enricou-se no além mar
Juntou sua tribo num terreiro e fez a festa pra Zumbarandá

Foi com o ouro da Eucardideira
Que salvou o seu filho Muzinga, foi aos nobres
E comprou, pra seus iguais de sangue e ideais, a alforria
A folia de reis começou

Refrão: ô de dentro, ô de fora
louvemos a Nossa Senhora

Sikelel’i Afrika

celebram os seus ancestrais os negros bantos brasileiros
com reis-meninos e rainhas, candombe, tamborzeiros
a Bandeira, a Coroa e todo o relicário
maio, outubro: meses de Nossa Senhora do Rosário

foi com o ouro da pia de água-benta
que comprou os colares de contas, os trajes bonitos
e enfeitou toda nação de reza e cantoria, som no tambor
a folia de reis começou

Refrão: ô de dentro, ô de fora
louvemos a Nossa Senhora

Sikelel’i Afrika

Quarto Lugar – XXI FECAM

Glossário:
Sikelel’i Afrika = abençoe a África
Galanga = nome do Rei do Congo
Kalunga = mar
Madalena = nome do navio que Galanga(Chico Rei) foi trazido para o Brasil
Encardideira = mina de ouro comprada por Chico Rei
Bantus = nome para definir a diversificação étnica existente na época
Tumbeiros = nome dado pelos escravos aos navios que os transportavam
Sete-estrelo = constelação Ursa-Maior, símbolo de divindade
Ganga = guerreiro de Zambi; sumo-sacerdote
nKosi ê = unificador, guerreiro, Senhor, Divindade
Zubarandá = a mãe mais velha, representa o início de tudo
Bantos brasileiros = procuram manter no Brasil um pouco da sua cultura na África
Candombe = um dos ritmos da congada

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