quinta-feira, 28 de maio de 2009



Artur Gomes Entrevista :: Concedida a Everi Carrara
telescópio negro

Pergunta: Hilda Hilst "reclamava" de não ter leitores, obviamente ela não fez uma literatura fácil. Lendo seus poemas me deparei com uma questão semelhante ao da Hilda. Você não escreve um poema "fácil" então eu te pergunto, você escreve para ter leitores?

Artur Gomes: Claro que escrevo para ter leitores, e a Hilda também queria tê-los. A dificuldade, acredito, está na própria questão das linguagens poéticas. Não acredito que a minha seja difícil. Talvez a falta de leitura de poesia seja o fator que dificulte a maioria dos leitores a captar em sua essência a mensagem do poeta

É praticamente uma unanimidade no Brasil a opinião de diversos poetas e pessoas do público sobre a forma como você diz seus poemas que é considerada uma das melhores atualmente. Falar poemas é também um oficio?

Falar poesia, é um exercício que pratico cotidianamente desde o instante em que me descobri poeta. Se ser poeta é um ofício, falar, pra mim também é. Sei que com esta comunicação direta, o poema se torna mais acessível ao outro, que neste momento deixar de ser leitor, para ser ouvinte, e o sentido audição lhe permite uma emoção que a leitura silenciosa muitas vezes não lhe proporciona.

Tenho curiosidade em saber se o Artur Gomes que escreve os poemas é o mesmo que os fala. Há "auras" diferentes em cada momento da tua atividade artística?

O ato da criação, é um instante solitário, em que o poeta se depara com os conflitos inerentes a todo ser humano, é quando o homem está em comunhão com ele mesmo, e ao mesmo tempo em comunhão com todos os problemas da humanidade, em sintonia com a dor do mundo, que é também a dele. Neste instante não há muito o que pensar, a não ser, deixar o imaginário fluir e a escrita ir brotando no papel, ou na tela do computador. Agora o ato de falar o poema já requer outras práticas. No meu caso tento não teatralizar o texto, e sim dotar a fala de uma sonoridade compatível com o drama ou o humor pertinente que está contido na palavra escrita. Neste momento o poeta deixa de ser poeta, para se tornar ator, ou quem sabe personagem de si mesmo.

Além de poeta você é também um articulador/produtor, fazendo pontes para outros artistas e ajudando eventos de grande importância nacional como a Bienal de Campos, o Fest Campos - de Poesia Falada, o concurso de contos José Cândido de Carvalho e o Congresso Brasileiro de Poesia de Bento Gonçalves - RS, onde você ajuda Ademir Bacca na articulação do evento junto ao sudeste brasileiro. Sobra tempo para jogar pipoca aos macacos?

Você me faz lembrar de uma bela canção do Carlos Careqa: Não Dê Pipoca Aos Macacos, presente no seu disco Os Homens São Todos Iguais. Todas estas atividades são desenvolvidas com intenso prazer, se assim não fosse não valeria a pena. O que mais importa no caso é a possibilidade de colocar poesia em evidência, o que para mim é uma tarefa diária. E os Macacos que esperem pela Pipoca...

Fulinaíma e Sagaranagens são conceitos inspirados em Guimarães Rosa e Mário de Andrade? Ou é uma espécie de diálogo filosófico-poético com a juventude brasileira tão carente de contato com artistas viscerais?

Por instinto natural, sempre gostei de brincar com as palavras, re-Inventar umas e outras. Não é simplesmente fazer uma reLeitura desse ou daquele autor, ou de determinada obra . Mas sim, tentar criar através delas algumas outras. Aí tenho clareza que o meu leque de parceiros na música e no teatro contribuíram decididamente para aguçar ainda mais essa prática. Tanto Fulinaíma como Sagaranagens são frutos que brotaram de projetos desenvolvidos com o objetivo da uma re-Criação voltada para esses pilares da cultura brasileira contemporânea. A criação de Fulinaíma, devo ao meu parceiro Naiman, ela nasce quando ainda estava em cena em São Paulo, com o projeto Retalhos Imortais do SerAfim, que apesar do seu foco está centrado em Oswald de Andrade, é com a mistura macunaímica de Mário que pensamos temperar o nosso caldeirão. Já o Sagaranagens, nasce com a criação do poema Saragaranagens, que é um pedido de bênção aos mestres, Guimarães Rosa, Drummond e João Cabral. E é claro qeu nisso tudo entra a antropofagia do Oswald, que arté hoje causa rebuliço nos meios culturais paulistanos, por não ser um prato de fácil digestão.

Antes mesmo de se destacar como um mestre da palavra você já era conhecido como artista visual. Fale um pouco do teu trabalho nesta área.

Em 1983, ainda em Campos dos Goytacazes minha terra natal, , criei o projeto Mostra Visual de Poesia Brasileira, que é uma exposição gráfico.visual com as linguagens experimentais que podemos detectar a partir do modernismo. A partir daí comecei a estreitar contato com grandes poetas do país e do exterior que já há algum tempo trabalhavam com o poema visual e outras linguagens experimentais onde a visualidade estava presente. Esse projeto teve vários desdobramentos e a cada exposição de acordo com o objetivo que tentávamos alcançar definia as características da poesia que iríamos expor. Considero esse trabalho bem singular em minha produção poética. Pois a criação se dava estritamente no campo experimental, com collagens, instalações, interferências, onde a utilização de material plástico, papel, retalhos de tecidos, e todo e qualquer outro tipo de retalho permeava a peça que acabava sendo composta. Acho que o momento áureo desse trabalho se dá com os Retalhos Imortais do SerAfim, onde através de várias linguagens o projeto reCriava o livro Serafim Ponte Grande, de Oswald de Andrade. Mas é com a palavra escrita que procuro definir a minha condição de poeta no planeta terra, estando sempre levando essa palavra a todas as fronteiras possíveis, como a sonoridade por exemplo, ou ao áudio visual, que está também sempre presente na minha criação.

Quem você lê?

Em poesia leio uma infinidade de poetas já conhecidos ou não, por conta do FestCampos de Poesia Falada, e os nossos mestres, Drummond, João Cabral, Oswald e Mário de Andrade, Paulo Leminski, Mário Faustino, Torquato Neto, Murilo Mendes, Baudelaire, Augusto e Haroldo de Campos, Mallarmé, Manuel Bandeira, Mário Quintana, Manoel de Barros, Ferreira Gullar, Hilda Hilst e Ana Cristina César. Acabei de ler recentemente também o livro Plano de Vôo, de Ademir Bacca.

Quem você considera hoje o primeiro time da poesia no Brasil? E no mundo?

É muito difícil definir esse primeiro time. Esse time aí de cima é de primeira. Mas temos também ainda de uma forma submersa, uma dezena de grandes poetas em franca produtividade como Chacal, Ricardo Aleixo, Celso Borges, Rodrigo Garcia Lopes, Marcelo Montenegro,Tanussi Cardoso, Marcus Vinicius Quiroga, Helena Ortiz, Antônio Cícero, Alyse de Mattos, Aricy Curvello, Dalila Teles Veras, Ademir Assunção, Fabiano Calixto, Diana de Hollanda, Zhô Bertholini, Lau Siqueira, e por aí vai...

Quem é Artur Gomes por Artur Gomes?
Um ser, social, erótico, religioso, sagarânico e fulinaímico, preocupado com as questões humanas dos seres que habitam este nosso conturbado planeta.
neste link : http://www.gargantadaserpente.com/entrevista/arturgomes.shtml uma entrevista concedida a Rodrigo de Souza Leão para o Balacobaco

UM basta na Oligarquia Serney no Maranhão
Recebemos por e-mail da querida amiga Lilia Diniz, lá de Impedatriz do Maranhão, esta nota de desagravo que por conhecer a sua luta político-cultural, e ter tido a orpotunidade de conhecer em Imperatriz no ano passado, no período da Feira do Livro, o Secretário Estadual de Cultura, Joãozinho Ribeiro, em nome da Nação Goytacá, deixamos aqui também o nosso voto de desagravo.

NOTA DE DESAGRAVO

O Fórum Permanente de Cultura de Imperatriz-MA torna pública sua indignação e repúdio à postura do senhor Luis Bulcão, atual secretário de Cultura do Estado Maranhão, quando, por meio de entrevistas, demonstrou sua truculência contra o artista Cesar Teixeira e todas as tentativas de desqualificação do trabalho desenvolvido sob a coordenação do poeta e compositor, ex-Secretário de Cultura deste estado e, acima de tudo, homem honrado e de estimado valor cultural para o país, Joãozinho Ribeiro.
Acompanhamos e fizemos parte da mudança cultural que hoje temos no cenário do estado, possibilitada pela visão democrática e descentralizadora desse bravo artista, que se fez um dos gestores mais respeitados na pasta da cultura, em todo o país, e não aceitamos - especialmente desse senhor que, tamanho está sendo seu desrespeito com nossa história, representa o que há de mais atrasado no conceito de gestão pública no campo da cultura. Sim, nossa história, pois somos co-realizadores das inovações na área da cultura em nosso estado, dos editais e do plano estadual de cultura, capitaneadas por Joãozinho Ribeiro.
Conclamamos artistas, produtores culturais e pessoas que lutam “contra a escuridão da cidadania cultural” a se manifestarem em defesa das nossas conquistas. Nenhum passo atrás!
Imperatriz – MA, 26 de maio de 2009. Fórum Permanente de Cultura de Imperatriz
UM TIRO NO PÉ E NO PEITO
Joãozinho Ribeiro
Ao ser investido num cargo público, mesmo nas circunstâncias mais discutíveis e contestáveis, o mínimo que se espera de decoro de um gestor é uma postura equilibrada e o respeito aos princípios da Administração Pública, que são normas constitucionais, dentre eles, a impessoalidade, a isonomia e a transparência. Não pertence a este elenco, mas incluo por minha conta e risco – a cordialidade.
Por isso, está causando bastante apreensão e desconforto, dentro e até fora do território maranhense, as declarações do atual Secretário de Estado de Cultura, Luís Bulcão, que já circulam por todo o país, dadas a um blogueiro do Sistema Mirante de Comunicações na última semana. Confirmados os termos e intenções divulgados, temos um caso tipificado de agressão notória e pública de uma gama de princípios administrativos, aos quais todo e qualquer gestor brasileiro deve obediência, e mais: vinculam os seus atos, gestos e manifestações, pois, antes de qualquer outra coisa, são normas emanadas da Constituição Federal, a quem devemos obediência, independentemente do exercício de cargo público.
Além da deselegância e da truculência verbal causadas pelo ato, ao vociferar de forma discriminatória contra dois respeitados artistas do nosso estado, no caso os compositores César Teixeira e Tutuca, afirmando da sua disposição em deixá-los fora das programações culturais da SECMA por motivações exclusivamente políticas, o atual titular da pasta da cultura dá um tiro no próprio pé, no peito e na cabeça, pois ele também é um artista, e sabe que vivemos numa republica federativa, onde o tratamento isonômico, sem discriminações, é regra fundamental neste tipo de regime político, e não exceção.
Justamente na semana passada, promovido pelo Ministério da Cultura, foi realizado em Recife-PE, nos dias 21 e 22 de maio, o 1º Seminário de Editais de Cultura – Fortalecimento das Políticas de Seleção Pública de Projetos Culturais. A seleção pública é um instrumento de política pública para destinação de recursos, prêmios e apoios a projetos de organizações, grupos, produtores culturais e artistas, que tem como características: ampla comunicação, inscrição aberta a todos, presença de uma comissão de seleção para escolha dos projetos a serem financiados, divulgação prévia dos critérios de avaliação e foco em áreas culturais, regiões ou segmentos sociais específicos.
A seleção pública se justifica por ter como requisitos principais: a democracia, o republicanismo, a transparência, o atendimento qualificado às especificidades dos segmentos culturais e dos públicos, grande alcance, repercussão e a desconcentração dos investimentos. Suas maiores potencialidades são: aumento da difusão e do alcance das políticas públicas, capacitação de agentes culturais, estímulo à inovação, experimentação e a áreas com menor inserção no mercado, construção de um banco de dados de instituições e atividades culturais e a consolidação da elaboração de um calendário anual de editais.
Exatamente neste momento de consolidação de uma das políticas mais elogiadas do Ministério da Cultura, o Maranhão contribui com este péssimo exemplo, anunciando um retrocesso sem precedentes na história da sua gestão cultural. Ainda não tinha me pronunciado sobre o assunto, até porque utilizei de toda civilidade no processo de transição de governo, passando para o atual Secretário todas as informações sobre ações, projetos e programas desenvolvidos e em desenvolvimento, e me colocando inteiramente à disposição para todas os esclarecimentos que se fizessem necessários, entendendo que por mais inconciliáveis que sejam as nossas divergências no plano político e ideológico, o interesse público deve prevalecer, acima de todas estas questões. Até porque, no nível pessoal, sempre mantivemos uma relação respeitável e amistosa.
Também são surpreendentes as reiteradas afirmações de que “a gestão passada foi irresponsável e causadora de um enorme rombo no orçamento da cultura”. Sorte do dirigente cultural que encontra um legado como o que está sendo deixado pela gestão “Maranhão Cultural: A Imaginação a Serviço da Cidadania e do Desenvolvimento”: a casa arrumada administrativamente, informatizada, equipada, com vários projetos estratégicos em andamento, cuja relação foi passada com toda transparência, coisa rara quando se trata de processos políticos conflituosos como o que aconteceu recentemente no Maranhão.
Em artigo anterior nesta coluna fiz uma avaliação crítica sobre como é formatado o orçamento da cultura, não só no Maranhão, mas em várias unidades da Federação, em que a suplementação orçamentária virou regra, ao invés de exceção, resultando no esgotamento das rubricas geralmente no primeiro semestre de cada exercício financeiro. Afirmei ainda que o dilema permeou os governos Roseana Sarney, Zé Reinaldo e Jackson Lago. E para provar com transparência esta afirmação nada melhor do que os números oficiais, divulgados na tabela abaixo:

ANO PROGRAMADO EXECUTADO SUPLEMENTADO
2000 8.322.939,86 12.491.839,27 4.168.899,41
2001 8.685.630,00 17.238.785,00 8.553.155,00
2002 8.743.628,00 28.283.583,55 19.539.955,55
2003 14.170.280,00 27.058.957,09 12.888.677,09
2004 15.088.387,00 24.500.232,64 9.411.845,64
2005 21.838.550,00 26.010.616,60 4.172.066,60
2006 23.937.500,00 35.581.197,15 11.643.697,15
2007 31.088.258,00 38.559.754,43 7.471.496,43
2008 32.131.677,60 45.629.350,03 13.497.672,43

Como podemos constatar, o período que vai de 2000 a 2002 são da gestão Roseana Sarney, que tinha a frente da pasta da cultura o atual secretário, Luís Bulcão, e todos tiveram suplementação orçamentária, com destaque para o ano de 2002 (eleitoral), onde esta rubrica chegou a ser quase o triplo do orçamento que estava programado. Nunca se falou de rombo ou de irresponsabilidade, apesar de ter sido a maior cifra de todos os tempos.
Sei perfeitamente que devo ter cometido erros e desagradado muita gente durante o período em que estava secretário, principalmente considerável parcela da famosa “base aliada” que exigia com todas as letras que eu desse tratamento discriminatório aos “do outro lado”. Nunca fiz isso e jamais o farei em qualquer cargo público que tive ou que venha a ocupar. Quem conhece a minha história de vida sabe de onde eu vim e as situações difíceis de todas as espécies que tive de superar. Quanto a ter acontecido suplementação já neste ano no orçamento da cultura, qualquer auditor menos esclarecido pode constatar que não é verdade, o que houve na verdade foi remanejamento de rubricas para cobrir os investimentos no Carnaval da Maranhensidade 2009, pois o orçamento passou a ser regionalizado a partir deste exercício, o que iria ocasionar a exclusão de vários municípios na participação do referido evento. Fato que só não aconteceu justamente por termos adotado este procedimento. E observem que este ano foram contemplados 196 (cento e noventa e seis) municípios, fato inédito em termos de descentralização de recursos e ações culturais em nosso Estado.
Para finalizar, acho que estas atitudes e procedimentos não farão bem a ninguém, somente a cultura será penalizada, dividindo artistas e produtores culturais, acirrando o rancor e o ódio entre pessoas e grupos, com a utilização de métodos abomináveis do ponto de vista das relações humanas e condenáveis do ponto de vista político e administrativo.

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