quinta-feira, 4 de junho de 2009

jéssica uma grata revelação do XXI FECAM




Para Uma Menina Com Uma Flor Na Boca



cada palavra
ou nome
sendo de gente
ou coisa
traz em si
suas nuances
léxicas
sendo Luana
ou Jéssica
sendo paixão
ou fome
sendo cidade
ou surto
ou condição estética
cada palavra
ou nome
traz em si
sua porção poética
dentro da arte
ou fora
na pele
que tens agora
no olho
nas pernas
nas coxas
estando ainda mais dentro
umbigo
intestino útero
mar de desejos
tantos
que a boca
sorrindo implora
ou mesmo
calado o pranto
atormente
teu corpo
e chora
cada palavra
ou nome
é signo
verbo cilada
se queres silêncio
não grito
se queres mistério
não mito
na carne
no sangue
no osso
está a palavra amada
quando queres flor
não espada.

Artur Gomes
para Jéssica Campello Castro
NAÇÃO GOYTACÁ
http://braziliricas.blogspot.com/
http://youtube.com/fulinaima

Mamãe é Brega mas é Xique
Decididamente mamãe não ouve e nem gosta do Rei Roberto Carlos porque não tem medo de lobisomem e desde os tempos em que lia José Cândido de Carvalho sabe muito bem quem são os Coronéis mamãe tem 78 Anos mas não perde tempo diante da TV com o Encravo e a Rosa, prefere assistir no TNT O Nome da Rosa, filme, e fuma um baseado quando lê Umberto Eco e passa a contar o que sobrou. Mamãe é foda cultiva no jardim flores e trombetas e as vezes sai pelos campos catando cogumelos e ervas cidreiras dizendo que o chá é bom para o fígado, pois tem comido muitas flores que lhe dão indigestão. Mamãe ouve Raul Seixas e sabe décor toda letra de Ouro de Tolo, e acha que não está com “a boca escancarada cheia de dentes esperando a morte chegar”. Ela vai pra rua e solta os bichos: 4 gatos recém paridos que amamenta com carinho como se outros filhos fossem, mamãe usa um crucifixo de madeira no pescoço põe alho no bolso e diz que é para espantar as cobras e lagartos que vez em quando aparecem no seu quintal pedindo votos. Assim que a noite chega ela reza pra são Jorge Ogum Oxossi e todos os caboclos da mata e da cidade porque acha que na cidade é que estão todos os bandidos de colarinho branco mamãe não dá sopa nem merenda muito menos bolsa escola cheque cidadão e outros baratos e diz não acreditar em esmola já leu até Bertold Brecht e tem pena dos analfabetos políticos pois acredita que é aí que se encontra a grande miséria humana com que os aproveitadores continuam a se alimentar nos períodos eleitorais para enriquecer suas contas bancárias cada qual com seus laranjas. Esperta que só ela mamãe aperta contra o peito uma estampa de Jesus Cristo e fala: “esse é o cara” não enganou o povo com passagem a 1 real taxa de iluminação pública bolsa família bolsa emprego ou bolsa escola, deu passagem de graça, e não precisou se disfarçar com outros nomes deu a cara a forca e não nasceu pra ser otário como jogador de futebol.

Federico Baudelaire
Viagens InSanas
http://fulinaima.blogspot.com/

Um comentário:

Flávia disse...

Simplesmente, espetacular!!!!

CAMPOS DOS GOYTACAZES

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meu coração marçal tupã sangra tupi e rock and roll meu sangue tupiniquim em corpo tupinambá samba jongo maculelê maracatu boi bumbá a veia de curumim é coca cola e guaraná