quarta-feira, 3 de junho de 2009







Mataram a
Poesia :
Artur Gumes jura que não foi ele
um tiro na cabeça
duas facadas
na bocado estômago
dois tiros no pé
quatro tiros no peito
e sete nos braços
mataram
com um balaço
esquartejaram o esqueleto
no verso
do obscuro
como se ainda vivêssemos
terríveis anos de chumbo
e levaram
o bumbo pra praça
tambores chocalhos cornetas
os bobos da corte
coitados
inocentes palhaços
sem graça
apenas sorriso amarelo
diante a foice o martelo
pra obediênciada rainha
do império do faz de conta
nos jardins do mal me quer
que não sabem quem foi paulo leminski
nem nunca leram charles baudelaire

As flores do mal
Charles Baudelaire

A QUE ESTÁ SEMPRE ALEGRE
Teu ar, teu gesto, tua fronte
São belos qual bela paisagem;
O riso brinca em tua imagem
Qual vento fresco no horizonte.
A mágoa que te roça os passos
Sucumbe à tua mocidade,
À tua flama, à claridade
Dos teus ombros e dos teus braços.
As fulgurantes, vivas cores
De tua vestes indiscretas
Lançam no espírito dos poetas
A imagem de um balé de flores.
Tais vestes loucas são o emblema
De teu espírito travesso;
Ó louca por quem enlouqueço,
Te odeio e te amo, eis meu dilema!
Certa vez, num belo jardim,
Ao arrastar minha atonia,
Senti, como cruel ironia,
O sol erguer-se contra mim;
E humilhado pela beleza
Da primavera ébria de cor,
Ali castiguei numa flor
A insolência da Natureza.
Assim eu quisera uma noite,
Quando a hora da volúpia soa,
Às frondes de tua pessoa
Subir, tendo à mão um açoite,
Punir-te a carne embevecida,
Magoar o teu peito perdoado
E abrir em teu flanco assustado
Uma larga e funda ferida,
E, como êxtase supremo,
Por entre esses lábios frementes,
Mais deslumbrantes, mais ridentes,
Infundir-te, irmã, meu veneno!
EMBRIAGUEM-SE

É preciso estar sempre embriagado.
Aí está: eis a única questão.
Para não sentirem o fardo horrível do Tempo
que verga e inclina para a terra,
é preciso que se embriaguem sem descanso.
Com quê? Com vinho, poesia ou virtude, a escolher.
Mas embriaguem-se.
E se, porventura, nos degraus de um palácio,
sobre a relva verde de um fosso,
na solidão morna do quarto,
a embriaguez diminuir ou desaparecer
quando você acordar,
pergunte ao vento, à vaga, à estrela,
ao pássaro, ao relógio, a tudo que flui,
a tudo que geme, a tudo que gira,
a tudo que canta, a tudo que fala,
pergunte que horas são;
e o vento, a vaga, a estrela, o pássaro, o relógio responderão:
"É hora de embriagar-se!
Para não serem os escravos martirizados do Tempo,
embriaguem-se; embriaguem-se sem descanso".
Com vinho, poesia ou virtude, a escolher.

O CONVITE À VIAGEM
Minha doce irmã, Pensa na manhã
Em que iremos, numa viagem, Amar a valer, Amar e morrer
No país que é a tua imagem! Os sóis orvalhados
Desses céus nublados
Para mim guardam o encanto Misterioso e cruel
Desse olhar infiel
Brilhando através do pranto.
Lá, tudo é paz e rigor,
Luxo, beleza e langor.
Os móveis polidos, Pelos tempos idos,
Decorariam o ambiente; As mais raras flores
Misturando odores
A um âmbar fluido e envolvente,
Tetos inauditos, Cristais infinitos,
Toda uma pompa oriental, Tudo aí à alma
Falaria em calma
Seu doce idioma natal.
Lá, tudo é paz e rigor,
Luxo, beleza e langor.
Vê sobre os canais Dormir junto aos cais
Barcos de humor vagabundo;
É para atender Teu menor prazer
Que eles vêm do fim do mundo. —
Os sangüíneos poentes Banham as vertentes,
Os canis, toda a cidade, E em seu ouro os tece;
O mundo adormece
Na tépida luz que o invade.
Lá, tudo é paz e rigor,
Luxo, beleza e langor.
Festival Artimanhas Poéticas 2009
discute literatura e poesia no Rio
O festival literário Artimanhas Poéticas será realizado nos dias 12 e 13 de junho, no Real Gabinete Português de Leitura, no Rio de Janeiro (RJ), com curadoria do poeta Claudio Daniel. O evento contará com a participação de críticos literários, como Luiz Costa Lima, poetas jovens e consagrados, como Paulo Henriques Britto, Virna Teixeira, Sérgio Cohn, o inglês Richard Price e o português Luís Serguilha entre outros, e editores de revistas. O festival incluirá palestras, debates, recitais, lançamentos, performances musicais e de poesia sonora. Confiram a programação completa: Dia 12 de junho, sexta-feira:14hPalestra: A crítica literária reflete a criação poética contemporânea? Com Luiz Costa Lima16hDebate: As revistas definem o momento literário? Com Claudio Daniel, André Vallias, Márcio-André, Sérgio CohnLançamento: revistas Confraria, Errática e Zunái.18hRecital: Camila Vardarac, Virna Teixeira, Leonardo Gandolfi, Lígia Dabul, Luiz Roberto Guedes, Luís Serguilha, Rodrigo de Souza Leão, Izabela Leal
Dia 13 de junho, sábado:14h
Debate: Como está a poesia brasileira hoje?
Com Claudio Daniel e Paulo Henriques Britto15hLançamentos de livros de poesia de diversas casas editoriais.
16h Recital:
Claudio Daniel, Diana de Hollanda, Thiago Ponce de Moraes, Gabriela Marcondes, Ismar Tirelli, Pablo Araújo, Victor Paes, Ronaldo Ferrito
17h Show de Tavinho Paes e Arnaldo Brandão.
17h30 Performance poético-polifônica para voz, violino e processamento eletrônico, com Márcio-André.
Mostra de video.poesia de Gabriela Marcondes.
19h Apresentação do livro Cartas de ontem, de Richard Price (Lumme Editor) e recital bilíngue com o autor e a tradutora, Virna Teixeira.

Serviço
Local: Real Gabinete Português de Leitura, rua Luís de Camões, 30 - Centro - Rio de Janeiro - RJ.
Apoio: Laboratório de Criação Poética e Real Gabinete Português de Leitura.
Mais informações:

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