domingo, 7 de junho de 2009


Retalhos Imortais do SerAfim - Orávio de Campos Nada Sabia de Mim







Mataram a Poesia Hugo Pontes Jura que Não foi ele

Quer Dizer que Estrela Pode? Eu não sou Estrela, mas também quero legítimo direito é bom que se diga. Não sou Peixe, mas também caí na Rede.
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Mataram a Poesia Ave Lino Jura que Não Foi Ele
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NÃO HÁ VAGAS

O preço do feijão
não cabe no poema.

O preço
do arroz
não cabe no poema.

Não cabem no poema o gás
a luz o telefone
a sonegaçãodo leite
da carne
do açúcar
do pão

O funcionário público
não cabe no poema
com seu salário de fome
sua vida fechada
em arquivos.

Como não cabe no poema
o operário
que esmerila seu dia de aço
e carvão
nas oficinas escuras

- porque o poema, senhores,
está fechado: "não há vagas"

Só cabe no poema
o homem sem estômago
a mulher de nuvens
a fruta sem preço

O poema, senhores,
não fede nem cheira


TRADUZIR-SE

Uma parte de mim
é todo mundo:
outra parte é ninguém:
fundo sem fundo.

Uma parte de mim
é multidão:
outra parte estranheza
e solidão.

Uma parte de mim
pesa, pondera:
outra parte
delira.
Uma parte de mim
almoça e janta
:outra parte
se espanta.


Uma parte de mim
é permanente:
outra parte

se sabe de repente.

Uma parte de mim
é só vertigem:
outra parte,
linguagem.

Traduzir-se uma parte
na outra parte
- que é uma questão
de vida ou morte
-será arte?

NO CORPO
De que vale tentar reconstruir com palavras
O que o verão levou
Entre nuvens e risos
Junto com o jornal velho pelos ares
O sonho na boca, o incêndio na cama,
o apelo da noite

Agora são apenas esta
contração (este clarão)
do maxilar dentro do rosto.
A poesia é o presente.

MADRUGADA

Do fundo de meu quarto, do fundo
de meu corpo
clandestino
ouço (não vejo) ouço
crescer no osso e no músculo da noite
a noite a noite ocidental obscenamente acesa
sobre meu país dividido em classes

SUBVERSIVA

A poesia
Quando chega
Não respeita nada.

Nem pai nem mãe.
Quando ela chega
De qualquer de seus abismos
Desconhece o Estado e a Sociedade Civil
Infringe o Código de Águas
Relincha Como puta Nova
Em frente ao Palácio da Alvorada.

E só depois
Reconsidera: beija
Nos olhos os que ganham mal
Embala no colo
Os que têm sede de felicidade
E de justiça.

E promete incendiar o país.

Ferreira Gullar


Obs.: estes poemas do mestre Ferreira não o Avelino mas o Gullar, nos dão a medida exata do qeu é para que serve Poesia. É só um pequemo alerta, uma peque dose omeopática, para reforma o visual do Hugo Pontes: Rendição em Massa situação bem semelhante a vivida em Gothan City a nossa cidade fictícia, ou Não? E um pouco antes do Gullar escrever este poema, eu já havia colocado Fogo no Palácio da Cultura. Onde fui proibido por 4 anod de entrar lá. Os anos passam mas quando a gente quer a Memória não se apaga.


20 ANOS SEM LEMINSKI
Como deixar passar esta data triste em branco? Há 20 anos exatamente falecia, em Curitiba, o grande Paulo Leminski. É impressionante como o tempo passa. Todas as cenas de 20 anos atrás estão muito, muito vivas. E imaginar que ele tinha apenas 44 anos quando morreu, e com uma obra que o coloca entre os grandes da literatura do século 20, sem qualquer exagero.Insubstituível.Um abraço para você, Leminski, esteja aonde estiver. Você faz uma falta danada nestes tempos de caretice e poesia chata para caralho.
Rodrigo Garcia Lopes



ICEBERG

Uma poesia ártica,
claro, é isso que eu desejo.

Uma prática pálida,
três versos de gelo.

Uma frase-superfície
onde vida-frase alguma
não seja mais possível.

Frase, não, nenhuma.

Uma lira nula,
reduzida ao puro mínimo,
um piscar do espírito,
a única coisa única.

Mas falo.
E, ao falar, provoco
nuvens de equívocos
(ou enxame de monólogos?)
Sim, inverno, estamos vivos.

Paulo Leminski

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CAMPOS DOS GOYTACAZES

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