fulinaíma

segunda-feira, 22 de junho de 2009










Um Goytacá em Curitiba

atravesso
esta cidade
transversais e paralelas
bicho travesso
sigo em frente
quero uma cerveja
em qualquer bar
daqui a pouco
no butiquim um Bife Sujo
pode ser Boca Maldita
na rua 24 horas
cumer um quibe
um grão de bico
eu sei que fico zôo
eu sei que fico zen
eu sei que nada fico
mesmo ao lado tudo down
não me desespero
só fico quando quero

Escrito a Sangue
Ademir Assunção/Madan

ruas escuras
atravessado
eu atravesso
reviro o avesso
nele me meço
olho de lince
encaro a face da fera
espelhos se estilhaçam
rasgam minha cara
cai a neblina no vazio
frio na barriga
pago o preço
erva bola cogumelo
volto ao começo
escapo com vida
desconverso
verso escrito a sangue
desapareço
quanto mais
menos
me pareço
eco de bicho homem
ego sem endereço
gravada no CD Rebelião na Zona Fantasma

poética

tudo quântico fosse mar
kalu seria iemanjá
oxumaré
oxum dedé

água de beber
alimento de comer
coisa santa
orixá.
coisa rara amaralina
essa coisa uma menina
essa menina fosse quântica
kalu seria carolina
me olhando da janela
eu aqui pensando nela
e ela ali em alto mar.

eu sou drummundo
deus e o diabo
na mesma intensidade
não sou desta cidade
não sou deste lugar
mas sou de onde estiver
de onde tem que estar

Baby é Cadelinha

devemos não ter pressa
a lâmina acesa sob o esterco de vênus
onde me perco mais me encontro menos
de tudo o que não sei
só fere mais quem menos sabe
sabre de mim baioneta estética
cortando os versos do teu descalabro
visto uma vaca triste como a tua cara
estrela cão gatilho morro:
a poesia é o salto de uma vara

disse-me uma vez só quem não me disse
ferve o olho do tigre enquanto plasma
letal a veia no líquido do além
cavalo máquina meu coração quando engatilho

devemos não ter pressa
a lâmina acesa sob os demônios de eros
onde minto mais porque não verus
fisto uma festa a mais que tua vera
cadela pão meu filho forro:
a poesia é o auto de uma fera

devemos não ter pressa
a lâmina acesa sob os panos
quem incesta?
perfume o odor final do melodrama
sobras de mim papel e resma
impressão letal dos meus dedos imprensados
misto uma merda a mais que tua garra
panela estrada grão socorro:
a poesia é os fausto de uma farra

pátriAmada

nos meus lírios e delírios
o leite dos teus seios
a seiva dos teus cios
os pêlos do teus cílios
estão agora em minhas mãos
estão agora em minha boca
sugo toco sugo
a tua língua entre os meus dentes
grita xinga desacata os dependentes
se desata das amarras
dos grilhões e das correntes
manda a covardia a puta que o pariu
e depois de um primeiro de abril
sonha uma mulher feliz
no território livre do seu ventre.

Curitiba Blues
p/ Hélio Leites, Kátia Horn, Marcelo Miguel,
Carlos Careqa e Engels Espírito

do alto da XV
este poema tem o cheiro
das polacas
porque toda palavra
é efêmera
e aprendi com leminski
que esta cidade é fria
mas quem sabe
não se aqueça
com o fogo dos meus dias
aqui tem mulher que me ama
e acendo com esta chama
as fogueiras da alegria

PoemAvesso

Aqui
nesta casa de madeira
velha
por onde 20 dias
me serviu de teto
agora me transformo
em arquiteto
porque toda palavra é feto
que precisa ser parida
porque senão aborta
e como nunca quis
palavra morta
e não sou médico carniceiro
deixo nascer a palavra
na carne viva e em brasa
como pode escrever
um brasileiro

manhatan city e/ou mediocridade mídia

esta cidade cheira a bosta nas calçadas nas marquises e as meninas são felizes nas capas de revistas as meninas dos jardins são expressões su-realistas as meninas dos jardins gostam de funk as meninas dos jardins rastam de rap as me ninas dos jardins só ferem punk as meninas dos jardins já mascam coca as meninas dos jardins só fumam clac as meninas dos jardins não são do rock as meninas dos jardins só festam ploc como sabem ou como queiram mas as meninas dos jardins não fedem nem cheiram

SubVersiva

patrícia
um dia meu país
noutro dia minha amada
mesmo não sendo pátria
akifala minha língua
como antiga namorada
e amante do kifalo
nas consoantes do teu nome
nas vogais do sobrenome
atiçam amores cívicos
em rebeldes madrugadas
e quando o sol for primaVera
pai e mãe do nascimento
sendo amantes invadiremos
o Palácio da Alvorada

mamãe coragem

numa canção do lenine o peixe está na rede o mar está com sede o rio agora chora onde esta cidade pedra veracidade medra eu te esfinjo drama onde a ferocidade fedra eu te desejo deda eu te devoro dama pensando a trama do torquato eu disse mamãe coragem a vida é sagaranagem fulinaíma é viagem te levo em minha bagagem não chora mamãe não chora

Travessia

de almada
vou atravessar o tejo
barco a vela
portugal afora
em lisboa
vou compor
um fado
e cantar no porto
feito
um blues rasgado
de amor
pela senhora
que me espera
em paz
e todo vinho
que eu beber
agora
será como beijo
que eu guardei
inteiro
como um marinheiro
que retorna ao cais

Foto.Grafia Urbana

entre a lâmina e o perfume
as garras do tigre nos teus dentes entre a língua do lagarto
e o olho das serpentes
entre o amor e o ciúme
à flor da pele
no tecido que seduz
ou na foto que revele

Retalhos Imortais do SerAfim
atiro contra o tédio infame
pedaços do meu corpo em prumo
poemas refazendo em transe
retalhos de um tecido em partes
seguindo por segundo a trilha
na etérea construção da arte

sem greve de fome

persigo a caça
como quem brinca
com a palavra perigo
sem temer o risco
de expor a alma a venda
pro diabo ou pro bandido
no roll dos mocinhos de cinema
meu nome a muito tempo
foi banido
froydiana

silvinha. azul são os teus olhos
a cor dos pêlos não conheço
teus seios ainda não troquei

dracena é uma cidade roxa
nave extra/terrana que humanos
não decifraram

pequena vagina virgem
onde os dedos
ainda não entraram

e os cachos de uvas
apodrecem nos teus dentes
com um cheiro de lei ardente
esguinchando na distância
esta mulher por toda noite
me inflama
toma do meu corpo e me devora
tem os frutos do pomar
entre os teus cios
e as algas do mar
quando as amoras
brotam como seixos
nos teus rios
quero dizer apenas
que não vale a pena
só te ver de longe
na fotografia
e pensar teu nome
para poesia
quero tocar teus poros
conhecer a pele
radiografar teus pêlos
ser teu dia a dia
fosse o que eu quisesse
apenas um beijo
roubado em tua boca
dentro do poema
nada cabe
Jura Não secreta
p/ paulo leminski

quando a ciranda de roda
atravessou minha rua
com teus fogos de artifícios
pelos céus da tua boca

foi então que eu quis a lua
e disse então sem sabê-la
antes que ela me visse

e neste dia eu vi Alice
quando então ela me disse:
- foi neste chão que eu fiz Estrela
nem o que sei
nem o que não se sabe
e o que não soubesse
do que foi escrito
está cravado em nós
como cicatriz
do corte
entre uma palavra e outra
do que não dissesse
bolero blue

beber desse conhac
em tua boca
para matar a febre
nas entranhas entre dentes
indecente
é a forma que te como
bebo ou calo
e se não falo quando quero
na balada ou no bolero
não é por falta de desejo
é que a fome desse beijo
furta qualquer outra
palavra presa
como caça indefesa
dentro da carne
que não sai

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CAMPOS DOS GOYTACAZES

Quem sou eu

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meu coração marçal tupã sangra tupi e rock and roll meu sangue tupiniquim em corpo tupinambá samba jongo maculelê maracatu boi bumbá a veia de curumim é coca cola e guaraná