domingo, 26 de julho de 2009



Depois de Entortada com o poema Profanalha NU Rio, nossa querida professora Arlete Sendra, é questionada pelo Xacal no blog http://atrolha.blogspot.com/ ao ser homenageada pelos coronéis do açúcar, os trituradores de gente.
Será que serão publicados poemas e odes aos usineiros pela acadêmica Arlete Sendra, recém homenageada pelo neocoronelato campista...?

Moenda

Usina
mói a cana
o caldo & o bagaço

Usina
mói o braço
a carne o osso

Usina
mói a fruta
o sangue & o caroço

tritura suga torce
dos pés até o pescoço

e do alto da casa grande
os donos do engenho controlam:
o saldo & o lucro

Artur Gomes
In Suor & Cio – 1985

Vejam programação de Agosto projeto Urbanidades – Sesc Campos aqui: http://culturaurbanacinevdeo.blogspot.com/

Um bom domingo e um grande abraço a todos
Artur Gomes
Nação Goytacá
http://tropicanalice.blogspot.com/


Mensalmente a Casa das Rosas e a Escrituras Editora promovem a “Quinta Poética”, evento que reúne amantes do gênero com a presença de poetas convidados e de um jovem escritor, que tem a oportunidade de apresentar seu trabalho.

QUINTA POÉTICA

com os poetas convidados

José Geraldo Neres (anfitrião), Edson Bueno de Camargo, Marcelo Ariel, João de Jesus Paes Loureiro e o jovem poeta Jorge de Barros.

Participação especial do músico Henrique Crispim, do grupo Percutindo Mundos, Kiusam de Oliveira e Marcello Santos.

Quinta-feira, 30 de julho de 2009

a partir das 19h

Casa das Rosas - Espaço Haroldo de Campos de Poesia e Literatura Av. Paulista, 37 - Bela Vista CEP: 01311-902 São Paulo - SP Fones: (11) 3285-6986 / 3288-9447

Próximo ao metrô Brigadeiro.

Convênio com o estacionamento Patropi - Alameda Santos, 74

Informações: (11) 5904-

Festa SiriGaitas

O cantor e gaitista Engels Espíritos lança o projeto “Festa SiriGaitas” um novo show apresentando composições e um repertório com clássicos dos principais ritmos da música brasileira. Apresentando sua performance, extraindo de suas gaitas sons de sanfona, pífano e rabeca, Engels promete um show que fará o público se divertir e dançar com muito Samba-Funk, Samba-Rock, Maracatu, Forró e Baião.

A festa conta com a participação das bandas As Juvelinas, tocando música regional nordestina e do Trio Chinelada, aquecendo as zabumbas com o mellhor do Forró e do Baião. Para animar ainda mais a festa, o DJ Ravi tocará algumas brasilidades acompanhado do VJaing Soma, projetando vídeos manipulados ao vivo. A festa ainda reserva um momento poético com a intervenção Consuma Poesia, da poeta Marina Mara.

No BlackOut Bar- Clube da CEB 904 sul (Atrás da UNI-DF)Dia: 8 de Agosto - sábado!

Horário: 21h30

Investimento: R$ 10,00

Informações: 9978-7788

Vejam o video ( Sanfona na gaita)

http://www.youtube.com/watch?v=dr8jbxZ-NRwhttp://www.engelsespiritos.com.br/



Momento Manguaça Cultural

Antigamente, no Brasil, para se ter melado, os escravos colocavam o caldo da cana-de-açúcar em um tacho e levavam ao fogo. Não podiam parar de mexer até que uma consistência cremosa surgisse. Porém um dia, cansados de tanto mexer e com serviços ainda por terminar, os escravos simplesmente pararam e o melado desandou. O que fazer agora? A saída que encontraram foi guardar o melado longe das vistas do feitor. No dia seguinte, encontraram o melado azedo fermentado. Não pensaram duas vezes e misturaram o tal melado azedo com o novo e levaram os dois ao fogo. Resultado: o 'azedo' do melado antigo era álcool que aos poucos foi evaporando e formou no teto do engenho umas goteiras que pingavam constantemente. Era a cachaça já formada que pingava. Daí o nome 'PINGA'. Quando a pinga batia nas suas costas marcadas com as chibatadas dos feitores ardia muito, por isso deram o nome de 'ÁGUA-ARDENTE' . Caindo em seus rostos escorrendo até a boca, os escravos perceberam que, com a tal goteira, ficavam alegres e com vontade de dançar.. E sempre que queriam ficar alegres repetiam o processo.

(História contada no Museu do Homem do Nordeste - Recife).


INSTITUTO DE PESQUISA DAS CULTURAS NEGRAS
Para visualizar fotos da comemoração dos 34 anos do IPCN, ocorrida em 24.07.2009, clique nesta imagem ou no link abaixo.
http://www.flickr.com/photos/adagoberto/sets/72157621823001296/

GENERAL MANDÍBULA AFOGADO NO OÁSIS

Na revista Coyote, nós, editores, procuramos não publicar textos nossos. A idéia é abrir espaço para os outros. Porém, tanto eu quanto Rodrigo Garcia Lopes e Marcos Losnak continuamos criando nossos poemas, contos, etc e tal. E aí surge a vontade de publicar uma safra nova. Foi o que aconteceu nessa edição (19): saíram 7 poemas meus, do novo livro que estou organizando. E os poemas, claro, passaram pelo crivo do Rodrigo e do Losnak, como qualquer outro material que chega. Eis dois deles:

O TRIUNFO DO GENERAL MANDÍBULA

faca entre os dentes, trinados
de gralhas nos ouvidos, mergulho
no rio dos sonhos, desço ao mundo
dos mortos, pirata na proa
do navio fantasma, golfinhos
saltando no mar revolto, demônio
vestido com roupas de fada, buraco
esculpido na cama de ozônio, ninguém
responde ao chamado, vozes
estranhas na secretária eletrônica,
a agência do unibanco arde
em chamas, punks desfilam nas ruas
de copacabana, o caos ecoa nas ruínas,
escuras esquinas do inferno, pompéia,
são paulo, istambul, atenas, a moda
do outono é a decadência do inverno,
dizem que os profetas só predizem
desatinos, pássaros tenebrosos nublam
presságios, o cacto rubro desconhece
a flor do destino, é no silêncio
que os banqueiros multiplicam seus
ágios, quebram-se dentes, racham
mandíbulas, ossos estralam nas tumbas,
o vento varre os edifícios da cidade,
baleias destroçam submarinos, bruxos
eslavos rasuram signos mágicos, otários
neochics imitam macacos, cadelas
burguesas tomam no rabo, hackers
detonam a musa da TV a cabo, nada faz
sentido nessa névoa de bosta, lama
espessa subindo dos pés ao pescoço,
caronte enlouquecido brandindo
seus remos, vermes homicidas à espera
do almoço

COMO SE CHAMA?

a tarde aspira o aroma do incenso
a vida dura um tempo
mínima moldura onde flora e transfigura
o que se fez fundo, beijo, iluminura

e como se chama mesmo aquilo que se faz
em nós, nômades em paz na borda de um oásis
a brisa breve valsa sem nenhum alarde
névoa espessa, uma vez desfeita, nunca mais

Ademir Assunção

http://zonabranca.blog.uol.com.br/

a palavra é ambidestra
com a esquerda canta
com a direita fala
com a esquerda zumbe
com a direita diz

a palavra chuta com as duas
com a esquerda dribla
com a direita passa
com a esquerda finta
com a direita é gol

a palavra são
chacal 18/07/09

http://chacalog.zip.net/

Poema(s) da Cabra
João Cabral de Melo Neto

Nas margens do Mediterrâneo

não se vê um palmo de terra

que a terra tivesse esquecido

de fazer converter em pedra.

Nas margens do Mediterrâneo

Não se vê um palmo de pedra

que a pedra tivesse esquecido

de ocupar com sua fera.

Ali, onde nenhuma linha pode lembrar,

porque mais doce,

o que até chega a parecer

suave serra de uma foice,

não se vê um palmo de terra

por mais pedra ou fera que seja,

que a cabra não tenha ocupado

com sua planta fibrosa e negra.

1
A cabra é negra. Mas seu negro

não é o negro do ébano douto

(que é quase azul) ou o negro rico

do jacarandá (mais bem roxo).

O negro da cabra é o negrodo preto,

do pobre, do pouco.

Negro da poeira, que é cinzento.

Negro da ferrugem, que é fosco.

Negro do feio, às vezes branco.

Ou o negro do pardo, que é pardo.

disso que não chega a ter cor

ou perdeu toda cor no gasto.

É o negro da segunda classe.

Do inferior (que é sempre opaco).

Disso que não pode ter cor

porque em negro sai mais barato.

2
Se o negro quer dizer noturno

o negro da cabra é solar.

Não é o da cabra o negro noite.

É o negro de sol. Luminar.

Será o negro do queimado

mais que o negro da escuridão.

Negra é do sol que acumulou.

É o negro mais bem do carvão.

Não é o negro do macabro.

Negro funeral. Nem do luto.

Tampouco é o negro do mistério,

de braços cruzados, eunuco.

É mesmo o negro do carvão.

O negro da hulha. Do coque.

Negro que pode haver na pólvora:

negro de vida, não de morte.

3
O negro da cabra é o negro

da natureza dela cabra.

Mesmo dessa que não é negra,

como a do Moxotó, que é clara.

O negro é o duro que há no fundo

da cabra. De seu natural.

Tal no fundo da terra há pedra,

no fundo da pedra, metal.

O negro é o duro que há no fundo

da natureza sem orvalho

que é a da cabra, esse animal

sem folhas, só raiz e talo,

que é a da cabra, esse animal

de alma-caroço, de alma córnea,

sem moelas, úmidos, lábios,

pão sem miolo, apenas côdea.

4
Quem já encontrou uma cabra

que tivesse ritmos domésticos?

O grosso derrame do porco,

da vaca, do sono e de tédio?

Quem encontrou cabra

que fosse animal de sociedade?

Tal o cão, o gato, o cavalo,

diletos do homem e da arte?

A cabra guarda todo o arisco,

rebelde, do animal selvagem,

viva demais que é para ser

animal dos de luxo ou pajem.

Viva demais para não ser,

quando colaboracionista,

o reduzido irredutível,

o inconformado conformista.

5
A cabra é o melhor instrumento

de verrumar a terra magra.

Por dentro da serra e da seca

não chega onde chega a cabra.

Se a serra é terra, a cabra é pedra.

Se a serra é pedra, é pedernal.

Sua boca é sempre mais dura

que a serra, não importa qual.

A cabra tem o dente frio,

a insolência do que mastiga.

Por isso o homem vive da cabra

mas sempre a vê como inimiga.

Por isso quem vive da cabra

e não é capaz do seu braço

desconfia sempre da cabra:

diz que tem parte com o Diabo.

6
Não é pelo vício da pedra,

por preferir a pedra à folha.

É que a cabra é expulsa do verde,

trancada do lado de fora.

A cabra é trancada por dentro.

Condenada à caatinga seca.

Liberta, no vasto sem nada,

proibida, na verdura estreita.

Leva no pescoço uma canga

que a impede de furar as cercas.

Leva os muros do próprio cárcere:

prisioneira e carcereira.

Liberdade de fome e sede

da ambulante prisioneira.

Não é que ela busque o difícil:

é que a sabem capaz de pedra.

7
A vida da cabra não deixa

lazer para ser fina ou lírica

(tal o urubu, que em doces linhas

voa à procura da carniça).

Vive a cabra contra a pendente,

sem os êxtases das decidas.

Viver para a cabra não é

re-ruminar-se introspectiva.

É, literalmente, cavar

a vida sob a superfície,

que a cabra, proibida de folhas,

tem de desentranhar raízes.

Eis porque é a cabra grosseira,

de mãos ásperas, realista.

Eis porque, mesmo ruminando,

não é jamais contemplativa.

8
O núcleo de cabra é visível

por debaixo de muitas coisas.

Com a natureza da cabra

outras aprendem sua crosta.

Um núcleo de cabra é visível

em certos atributos roucos

que têm as coisas obrigadas

a fazer de seu corpo couro.

A fazer de seu couro sola,

a armar-se em couraças, escamas:

como se dá com certas coisas

e muitas condições humanas.

Os jumentos são animais

que muito aprenderam com a cabra.

O nordestino, convivendo-a,

fez-se de sua mesma casta.

9
O núcleo de cabra é visível

debaixo do homem do Nordeste.

Da cabra lhe vem o escarpado

e o estofo nervudo que o enche.

Se adivinha o núcleo de cabra

no jeito de existir, Cardozo,

que reponta sob seu gesto

como esqueleto sob o corpo.

E é outra ossatura mais forte

que o esqueleto comum, de todos;

debaixo do próprio esqueleto,

no fundo centro de seus ossos.

A cabra deu ao nordestino

esse esqueleto mais de dentro:

o aço do osso, que resiste

quando o osso perde seu cimento.
*
O Mediterrâneo é mar clássico,

com águas de mármore azul.

Em nada me lembra das águas

sem marca do rio Pajeú.

As ondas do Mediterrâneo

estão no mármore traçadas.

Nos rios do Sertão, se existe,

a água corre despenteada.

As margens do Mediterrâneo

parecem deserto balcão.

Deserto, mas de terras nobres

não da piçarra do Sertão.

Mas não minto o Mediterrâneo

nem sua atmosfera maior

descrevendo-lhe as cabras negras

em termos da do Moxotó.

Texto extraído do livro "João Cabral de Melo Neto - Obra completa", Editora Nova Aguilar - Rio de Janeiro, 1994, pág. 254.

Saiba mais sobre João Cabral de Melo Neto e sua obra em "Biografias"

A Bomba Suja

ferreira gullar

Introduzo na poesia A palavra diarréia. Não pela palavra fria Mas pelo que ela semeia. Quem fala em flor não diz tudo. Quem me fala em dor diz demais. O poeta se torna mudo sem as palavras reais. No dicionário a palavra é mera idéia abstrata. Mais que palavra, diarréia é arma que fere e mata. Que mata mais do que faca, mais que bala de fuzil, homem, mulher e criança no interior do Brasil. Por exemplo, a diarréia, no Rio Grande do Norte, de cem crianças que nascem, setenta e seis leva á morte. É como uma bomba D que explode dentro do homem quando se dispara, lenta, a espoleta da fome. É uma bomba-relógio (o relógio é o coração) que enquanto o homem trabalha vai preparando a explosão. Bomba colocada nele muito antes dele nascer; que quando a vida desperta nele, começa a bater. Bomba colocada nele Pelos séculos de fome e que explode em diarréia no corpo de quem não come. Não é uma bomba limpa: é uma bomba suja e mansa que elimina sem barulho vários milhões de crianças. Sobretudo no nordeste mas não apenas ali que a fome do Piauí se espalha de leste a oeste. Cabe agora perguntar quem é que faz essa fome, quem foi que ligou a bomba ao coração desse homem. Quem é que rouba a esse homem o cereal que ele planta, quem come o arroz que ele colhe se ele o colhe e não janta. Quem faz café virar dólar e faz arroz virar fome é o mesmo que põe a bomba suja no corpo do homem. Mas precisamos agora desarmar com nossas mãos a espoleta da fome que mata nossos irmãos. Mas precisamos agora deter o sabotador que instala a bomba da fome dentro do trabalhador. E sobretudo é preciso trabalhar com segurança pra dentro de cada homem trocar a arma de fome pela arma da esperança. (Rio, 1962)

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CAMPOS DOS GOYTACAZES

Quem sou eu

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meu coração marçal tupã sangra tupi e rock and roll meu sangue tupiniquim em corpo tupinambá samba jongo maculelê maracatu boi bumbá a veia de curumim é coca cola e guaraná