fulinaíma

quinta-feira, 9 de julho de 2009

foto arte: wellington cordeiro







Música Solidária
Dia Internacional do Rock
será lembrado em Campos
Com Virada Cultural

A música sempre esteve nas veias do cantor, compositor e guitarrista campista Luizz Ribeiro, que chegou até a cursar faculdade de medicina, mas no segundo ano percebeu que não tinha o menor jeito para as ciências. Não por acaso, o artista, que é considerado o precursor do rock em Campos, receberá uma homenagem mais que justa neste domingo e também na segunda dia 13, quando é comemorado o Dia Internacional do Rock.
Ontem pela manhã, os organizadores do evento e alguns artistas participantes concederam uma entrevista coletiva, na Praça São Salvador. Intitulado Virada Cultural Solidária, o evento reunirá nada mais, nada menos que 28 atrações, numa área atrás do Shopping Estrada, a partir das 15h de domingo e das 20h de segunda-feira – tudo com entrada franca. Na produção, Artur Gomes, Romualdo Braga e Wellington Cordeiro.
Por problemas de saúde, Luizz – que é fundador, guitarrista, vocalista e compositor da Banda Avyadores do Brazyl – não poderá comparecer à homenagem.

Blog In Rock, Blues, Reggae,
MPB, Poesia & Baratos Afins

O evento reunirá bandas dos mais avariados estilos, incluindo rock, blues, jazz. Também terão apresentação de poesia e algumas modalidade de esportes. Os organizadores aproveitaram o Dia Internacional do Rock para prestar a homenagem (que está sendo organizada desde o mês de maio) a um dos roqueiros mais antigos da cidade e que comemora este ano 37 anos de carreira.
Durante a virada será sorteados CD´s da Avyadores do Brazyl.
O poeta, ator, produtor e integrante da associação de Arte, Cultura, Esporte e Lazer Nação Goytacá, Artur Gomes, disse que Luizz também é um dos mentores da criação desta associação, que tem sede provisória na Rua Carlos de Lacerda Esq. com Silva Tavares, no centro de Campos. Segundo ele a associação ainda não está funcionando plenamente porque se encontra em processo de registro cartorial de legalização enquanto ONG (organização não governamental).
Artur falou ainda que o roqueiro homenageado também criou o Blog Rock Blues Poesia & Baratos Afins, evento que foi realizado no dia 26 de maio no Bar Fórmula 1, mas na véspera Luizz passou mal, foi internado e não pode participar do evento, que tece como atração a Banda Evolução da Espécie.
“Inauguramos o Blog sem a presença dele, mas desde esta data, começamos a buscar uma forma de homenageá-lo” – relatou o poeta.
Ele disse ainda que se surpreendeu com a solidariedade dos artistas que se uniram e atenderam prontamente o pedido dos organizadores para tocarem no evento. “Tenho vários poemas que foram musicados e gravados por ele. Fiquei feliz porque músicos de várias gerações e estilos se uniram para prestarmos esta homenagem”.
Outro organizador da Virada, Romualdo Braga, lembrou que o homenageado lançou seu primeiro LP em 1994 com o título: “Qualquer Prazer” . Apesar dos 15 anos , os seguidores do veterano, exibem com orgulho o disco de vinil. Em 2002 ele lançou o primeiro CD “Alguma Coisa Vai acontecer no 401” e em 2007 quem estourou nas paradas foi “ O MC Encontra A Mulher Bomba” falou Romualdo, acrescentando que há algum tempo, ele organizou um evento com o nome “Dinossauros do Rock”, de estilo metal e de ritmo mais agressivo. Ele achou que Luizz não aceitaria o convite, mas aceitou. “O que mais eu admiro é que ele toca em todos os lugares e com estilos
os variados”
Luizz Ribeiro iniciou a carreira em 1972, mas tem seguidores de todas as idades. A Banda Instinto R será a primeira a se apresentar no próximo domingo. O vocalista da banda Rafael Áreas de Almeida, 26 anos, disse que sempre acompanhou os shows do camposta. “Como gostamos das mesmas coisas, os roqueiros acabam andando sempre juntos. Sempre ouvi as música do Luizz”, comentou.
O guitarrista Felipe Nareba 20, disse que o homenageado é o representante do rock em Campos. “Ele é o dinossauro do rock na cidade. Não podíamos deixar de prestigiar o evento”, obversa Felipe.
Kleison Crespo, da banda Blues Band Vidro disse que tanto o evento como as homenagens prestadas têm importância máxima porque “ele sempre terá grande influência no meio’.

BIOGRAFIA
Em 19972, Luiz Ribeiro, com a sua banda Lúcia Lúcifer, começava a movimentar o cenário musical do rock em Campos. Nestes 37 anos foi um militante do gênero em nossa cidade.
A música entrou em sua vida na adolescência. Ele começou compondo e logo aprendeu a tocar com os amigos. Depois fez teoria musical com o maestro Anoeli Maciel. “Eu comecei com o violão, mas já de olho na guitarra”, lembra o músico que no início fez algum trabalho solo e por pouco tempo, chegou a tocar em outras bandas.
- Acho que a música define o meu estilo de vida e o contorno.

Carla Rúbia Paixão
In Monitor Campista – http://www.monitorcampista.com.br/
Making off
Acabar com toda gentileza
E concluir minha própria temporada de caça
Parar de me arriscar
Dar o fora da minha natureza
Esganar essa ternura metida a besta
Sabotar a causa
Mutilar a festa
Desistir do que penso
Psicografar meu riso
Sancionar meu egoísmo
Panfletar este silêncio
Cultivar uma plantação de morcegos
E no meu alfabeto maluco de medos
Apagar de uma vez por todas
Todos os aposentos da delicadeza
Estuprar essa leveza
Destituir-me desta maldita mania
De sempre esquecer
Uma luz acesa
Velhas variações sobre a produção contemporânea
Agora mesmo algum maluco
deve estar postando
qualquer treco genial na internet,
alguém deve estar pensando
em como melhorar aquele texto
enquanto lota o especial de vinagrete,
perseguindo obstinadamente
um acorde voltando da padaria.
Agora mesmo alguém pode estar
pensando que guardamos só pra gente
o lado ruim das coisas lindas -
assim, trancafiado a sete chaves de carinho -
alguém pode estar sentindo tudo
ao mesmo tempo sozinho,
assim brutalmente sentimental,
feito coubesse toda a dignidade
humana num abraço tímido.
Agora mesmo alguém deve estar limpando
cuidadosamente o cd com a camisa,
pulando a ponta do pão pullman,
sentindo o baque da privada gelada,
perguntando quanto está o metro
daquela corda de nylon,
trepando no carro,
empurrando o filho no balanço
com uma mão e na outra equilibrando
a lata e o cigarro, agora mesmo
alguém deve estar voltando,
alguém deve estar indo,
alguém deve estar gritando
feito um louco para um outro
alguém que não deve estar ouvindo.
Agora mesmo alguém pode estar
encontrando sem querer
o que há muito já nem era procurado,
alguém no quinto sono deve estar
virando pro outro lado, alguém,
agora mesmo, no café da manhã
deve estar pensando em outras coisas
enquanto a vista displicentemente
lê os ingredientes do Toddy.

Marcelo Montenegro nasceu em São Caetano do Sul (SP), em 1971. É autor do livro de poemas Orfanato Portátil (Atrito Art Editorial, 2003). Seu blogue na Internet pode ser acessado no endereço http://www.marcelomontenegro.blog.uol.com.br/.
O Supremo errou, cabe consertar
Os ministros que votaram contra a exigência do diploma, sob a alegação de cerceamento da liberdade, erraram. Seguiram um relator subserviente à grande mídia, certo de que esta retribuiria o favor, o que aliás já vem acontecendo. Mostraram em seus votos desconhecer a matéria em julgamento.
Laurindo Lalo Leal Filho
O Supremo Tribunal Federal cometeu um grave erro ao acabar com a exigência do diploma para o exercício profissional do jornalismo. Como guardião da Constituição brasileira, o STF entendeu que uma de suas cláusulas – a que garante a livre manifestação de pensamento – estaria sendo violada pela lei que regulamentou a profissão de jornalista.
Os ministros que votaram contra a exigência do diploma, sob a alegação de cerceamento da liberdade, erraram. Seguiram um relator subserviente à grande mídia, certo de que esta retribuiria o seu favor, o que aliás já vem acontecendo. Mostraram em seus votos desconhecer a matéria em julgamento. Nunca houve, nos mais de quarenta anos de vigência da lei, qualquer violação da liberdade que tivesse sido decorrente de sua aplicação. Houve sim censura prévia durante a ditadura e censura empresarial depois dela, fatos sem nenhuma relação com a exigência do diploma. Os nobres julgadores parecem não ler jornais, ouvir rádio ou ver televisão. Neles, todos os dias opinam profissionais de todas as áreas sem nenhum obstáculo. Portanto, a exigência do diploma não fere a Constituição e esta deveria ser a singela resposta do Supremo aos autores da ação, não por acaso entidades patronais do setor.
O que a lei derrubada garantia era a o exercício legalizado de uma profissão cujo conhecimento acumulado ao longo dos anos não pode ser transmitido senão de forma sistematizada, como se faz na academia. Foi-se o tempo em que jornalismo se aprendia nas redações. Hoje esse ensinamento é fruto da pesquisa científica desenvolvida numa área específica do conhecimento e que se transmite nas salas de aulas e nos laboratórios. Gostaria de saber se alguns dos juizes que votaram contra o diploma – e que escrevem nos jornais com absoluta liberdade – sabem como se define e se produz uma pauta jornalística, como se apuram as informações e como se faz a edição de uma reportagem, por exemplo? Ou ainda quais são as diferenças entre um texto escrito para ser lido nos jornais, na internet ou para ser ouvido através do rádio. E como escrever para a TV combinando com precisão texto e imagem? Isso não tem nada a ver com liberdade de informação. É conhecimento especializado que sociólogos, advogados e médicos não aprendem em suas faculdades. Só os jornalistas.
E o mais importante: gostaria de saber se esses doutos juizes se debruçaram sobre o currículo teórico dos cursos de comunicação, base fundamental para o trabalho prático acima descrito. Não há hoje jornalista formado que não tenha tido contato com as diferentes correntes teóricas da comunicação, estudadas e discutidas nas faculdades. São essas leituras que permitem aos futuros jornalistas compreender melhor o funcionamento da mídia, as suas relações com os diferentes poderes, os seus interesses muitas vezes subalternos. É nas faculdades que se formam jornalistas críticos, não apenas da sociedade, mas principalmente da mídia, capazes de saber com clareza onde estarão pisando quando se formarem. É tudo que os donos dos meios não querem. A luta deles pelo fim do diploma resume-se a dois objetivos: destruir a regulamentação da categoria aviltando ainda mais os salários e as condições de trabalho e, ao mesmo tempo, evitar a presença em suas redações de jornalistas que possam, ainda que minimamente, contestar – com conhecimento de causa - o poder por eles exercido sem controle. Querem escolher a dedo pessoas dóceis e subservientes e transformá-las nos “seus” jornalistas.
Transfere-se dessa forma da esfera pública para o setor privado a decisão de definir quem pode ou não ser jornalista. As universidades públicas quando outorgam um diploma de um dos seus cursos ou quando reconhecem a legitimidade do diploma fornecido por instituição privada exercem a prerrogativa de possuírem fé pública. O diploma de jornalismo era, portanto, referendado pelo Estado em nome da sociedade, dando a ele a sustentação necessária para o exercício de uma profissão regulamentada desde 1938. Agora é o mercado que decide.
Outro argumento ridículo usados pelos juízes do Supremo é que o diploma era um entulho autoritário produzido pela ditadura militar. Bastava uma breve consulta aos anais de todos os encontros e congressos de jornalistas para perceber que tal afirmação é insustentável. Em 1918, quarenta e seis anos antes de se instalar a ditadura de 64, os jornalistas reunidos em Congresso no Rio de Janeiro já defendiam a formação específica em jornalismo para o exercício da profissão.
E seguiram lutando por essa bandeira e pela regulamentação profissional.
Em 1961, o presidente Jânio Quadros publicou decreto regulamentando a profissão. A partir dai o seu exercício ficou restrito aos portadores de diploma específico de nível superior. Como agora, as empresas jornalísticas se mobilizaram e conseguiram, um ano depois, a revogação do decreto pelo presidente João Goulart. Mas em compensação foi criada uma comissão para dar nova forma à legislação. O resultado foi a volta da exigência da formação superior, embora admitindo o autodidata e o reconhecimento de jornalistas sem diploma nas cidades onde não haviam faculdades de jornalismo. O decreto-lei de 1969 apenas acabou com o autodidatismo, mas permitiu a existência do jornalista provisionado, aquele que já exercia a profissão antes da promulgação da lei.
Foi graças à mobilização e à pressão da categoria que, depois de mais de 50 anos de luta conquistou-se a exigência do diploma, nos termos previstos desde de o final da primeira década do século 20. E os juízes de 2009 ainda tiveram a coragem de aceitar a tese de que foi a ditadura que exigiu o diploma para impedir contestações nos jornais. Como se os jornalistas pudessem escrever o que quisessem sem a anuência dos patrões, como se na época não houvesse censura policial e como se todos os possíveis contestadores do regime não estivessem aquela altura mortos, exilados, sendo torturados ou simplesmente calados pela força da intimidação.Voltamos agora à pré-história do jornalismo brasileiro quando os donos de jornais davam “carteiras de jornalistas” para os empregados e diziam: “agora você já é jornalista, pode ir buscar o salário lá fora”.
Se o “jornalista” tivesse algum pudor iria ganhar seu dinheiro em outra profissão trabalhando no jornal por diletantismo. Se não tivesse iria usar do seu espaço para ameaçar pessoas, em troca de remuneração. Era o chamado achaque que, obviamente não era generalizado mas que constrangia os jornalistas idôneos. A obrigatoriedade do diploma foi responsável pela moralização da profissão. Além disso, estimulou os diplomados a refletirem sistematicamente sobre o seu trabalho. Será que os nobres juizes do Supremo ouviram falar alguma vez na riquíssima experiência de pesquisa, necessária ao trabalho de conclusão de curso, condição para se obter o grau superior de jornalismo? Acredito que não. E não sabem também como, ao ingressar na profissão com o diploma, o jornalista tem olhos mais atentos para recolher na prática profissional os elementos necessários para a realização de novas pesquisas acadêmicas.
São inúmeros os jornalistas que depois de alguns anos de vida profissional voltam à academia ingressando em programas de mestrado ou doutorado. Carreiras acadêmicas serão destruídas. E com isso vai se iniciar um processo de destruição de uma área do conhecimento que vinha se consolidando nos últimos anos graças ao investimento dos órgãos de fomento à pesquisa e das universidades. A exigência do diploma é vital para manter viva a relação entre o trabalho e a pesquisa. Como se vê, além de errarem, os juizes do Supremo foram irresponsáveis por não mediram as conseqüências da decisão tomada.
Mas há conserto. Tramitam no Congresso duas propostas de emenda constitucional determinando a volta da exigência do diploma de nível superior para o exercício da profissão. Não é fácil aprová-las dadas as exigências regimentais. Na Câmara, por exemplo, precisam do voto favorável de três quintos dos deputados (308 entre 513) e no Senado de 49 dos 81 senadores. Votos que só serão conseguidos com a mobilização ampla da categoria e dos estudantes, o que aliás já vem ocorrendo em todo o Brasil. Resta agora intensificar essa luta que já se mostrou vitoriosa em outros momentos de nossa história.
Laurindo Lalo Leal Filho, sociólogo e jornalista, é professor de Jornalismo da ECA-USP. É autor, entre outros, de “A TV sob controle – A resposta da sociedade ao poder da televisão” (Summus Editorial).

Nenhum comentário:

CAMPOS DOS GOYTACAZES

Quem sou eu

Minha foto
meu coração marçal tupã sangra tupi e rock and roll meu sangue tupiniquim em corpo tupinambá samba jongo maculelê maracatu boi bumbá a veia de curumim é coca cola e guaraná