fulinaíma

sexta-feira, 14 de agosto de 2009


fotos: artur gomes























































































































Projeto MultiArte
1. Descrição

Tendo com ponto de partida a poesia(Mãe das Arte Manhas), como disse o poeta tropicalista Torquato Neto, e com o olhar atento para a globalidade do universo terrestre que habitamos, onde a tecnologia cada vez mais nos oferece possibilidades infinitas para brincarmos com a palavra poética e transformá-la em som , em imagem, em corpo gráfico ou plástico, tendo assim uma obra de arte inserida no mundo moderno que vivemos,

Toda Arte para quem produz, é um exercício de Experimentação, experimentar o experimental: como bem disse o poeta baiano Waly Salomão.
Hoje filmes produzidos com câmeras fotográficas digitais invadem o universo on-line do Planeta se transformando em uma potente ferramenta, sendo ao mesmo tempo um objeto de Arte mas também um importante veículo de informação, denúncia, crítica e alerta constante para a situação de flagelo em que se encontra o planeta Terra,.

Sendo a Internet um veículo de alcance incalculável a veiculação de vídeos/arte por esta via vem se tornando uma excelente vitrine para quem ainda não conseguiu o seu espaço no Mercado de Trabalho convencional, ou até mesmo para aqueles que querem experimentar a possibilidade de produzir com o seu trabalho uma linguagem que só estas ferramentas possibilitam.

O objetivo de uma Oficina de Vídeo.Teatro é além de produzir fomentar a produção de vídeos tendo como foco o exercício cênico em si, poder também oferecer a seus integrantes as informações básicas de como lidar com uma câmera digital e extrair dela todas as possibilidades áudio/visuais que ela nos ofereça, contribuindo de forma definitiva para a inclusão desses alunos nesse novo Mercado de Trabalho que se abre sem limites ou fronteiras.

Hoje vivemos o Tempo da reciclagem, e a Arte no Brasil e no Mundo vem se reciclando desde os anos 60 do século passado. Aqui o Tropicalismo na música, nas Artes Plásticas ou no Cinema é um bom exemplo da collagem que podemos fazer com a palavra/escrita/sonora/imagética. Oswald de Andrade com a sua poesia fragmentada, os seus Retalhos, já fazia cinema com poesia. A música tropicalista de Caetano e Gil e a poesia também Tropicalista de Torquato Neto, já profetizavam esse tempo multimidiático do agora.

O objetivo da Oficina de Vídeo.Arte possibilitar a qualquer possível aluno, o aproveitamento dessa ferramenta disponível, chamada câmera fotográfica digital, bem como orientá-lo na utilização positiva desse potente veículo de comunicação universal chamado Internet, possibilitando a sua inclusão no mundo moderno, oferecendo-lhe condições para a sua inclusão nos movimentos sócio-culturais ampliando os seus conhecimentos e a sua própria Educação, Cidadania e Civilidade.

2. Plano de ação
Público Alvo:
Jovens e Adultos interessados em Arte de uma forma geral

Primeiros Passos:
Oferecer noções gerais aos integrantes da Oficina sobre Vídeo. Teatro Poesia. Com o objetivo de montar com eles um Trabalho de Teatro, onde eles possam não só atuar, bem como criar roteiros, filmar, fotografar e divulgar todo o processo de criação, tendo a cidade de Cardoso Moreira, com suas características geográficas, turísticas e históricas, como cenário para os produtos de Vídeo.Teatro.Poesia que surgirão da Oficina.

Mostrar ao aluno noções de postura, concentração e sensibilização, expressão corporal, e elementos fundamentais para a fala, e a encenação, para o seu exercício experimental de ator oferecendo-lhe exercícios, jogos dramáticos, possibilitando-os o aprendizado do fazer teatral, e ao mesmo tempo oferecendo-lhes noções de como se portar diante de uma câmera.

Exercícios para criação de roteiros a partir de textos escolhidos, contos, crônicas, poesia.
Aguçar no aluno as suas curiosidades no sentido de pesquisar ou criar ambientes para locações.
Orientar o aluno para a execução do que foi proposto no roteiro, edição corte, finalização postagem do vídeo nos espaços disponíveis na Internet.

Poéticas Fulinaímicas
Tecidos sobre a pele
Terra,
antes que alguém morra
escrevo prevendo a morte
arriscando a vida
antes que seja tarde
e que a língua
da minha boca
não cubra mais tua ferida

entre/aberto
em teus ofícios
é que meu peito de poeta
sangra ao corte das navalhas
e minha veia mais aberta
é mais um rio que se espalha

amada de muitos sonhos
e pouco sexo
deposito a minha boca no teu cio
e uma semente fértil
nos teus seios como um rio
o que me dói é ter-te
devorada por estranhos olhos
e deter impulsos por fidelidade

ó terra incestuosa
de prazer e gestos
não me prendo ao laço
dos teus comandantes
só me enterro à fundo
nos teus vagabundos
com um prazer de fera
e um punhal de amante

minha terra
é de senzalas tantas
enterra em ti
milhões de outras esperanças
soterra em teus grilhões
a voz que tenta – avança
plantada em ti
como canavial que a foice corta
mas cravado em ti
me ponho a luta
mesmo sabendo - o vão
estreito em cada porta
usina
mói a cana
o caldo e o bagaço
usina
mói o braço
a carne o osso
usina
mói o sangue
a fruta e o caroço
tritura suga torce
dos pés até o pescoço
e do alto da casa grande
os donos do engenho controlam:
o saldo e o lucro

Goitacá Boy
ando por são paulo meio araraquara
a pele índia do meu corpo
concha de sol da minha veia
em sua carne clara
juntei meu goitacá seu guarani
tupy or not tupy
não foi a língua que ouvi
na sua boca caiçara
para falar para lamber para lembrar
de sua língua arco íris litoral como colar de uiara
é que eu choro como a chuva curuminha
mineral da mais profunda lágrima que mãe chorara
para roçar para cumer para tocar
na sua pele urucun de carne osso
minha língua tara
sonha lamber do seu almoço
e ainda como um doido curuminha
a lamber o chão que restou da Guanabara

Alguma Poesia

não.
não bastaria a poesia de algum bonde
que despenca lua nos meus cílios
num trapézio de pingentes onde a lapa
carregada de pivetes nos teus arcos
ferindo a fria noite como um tapa
vai fazendo amor por entre os trilhos

não bastaria a poesia cristalina
se rasgando o corpo estão muitas meninas
tentando a sorte em cada porta de metrô
e nós poetas desvendando palavrinhas
vamos dançando uma vertigem
no tal circo voador

não bastaria todo riso pelas praças
nem o amor que os pombos tecem pelos milhos
com os pardais despedaçando nas vidraças
e as mulheres cuidando dos seus filhos

não.
não bastaria delirar copacabana
e esta coisa de sal que não me engana
a lua na carne navalhando um charme gay
e um cheiro de fêmea no ar devorador
num corpo de anjo que não foi meu deus quem fez
esse gosto de coisa do inferno
como provar do amor no posto seis
numa mistura de feitiço e fantasia
entre as pedras e o mar do arpoador
em altas ondas de mistérios que são vossos

não.
não bastaria toda poesia que eu trago
em minha alma um tanto porca
este postal com uma imagem meio lorca
um bondinho aterrisando lá na urca
e esta cidade deitando água em meus destroços
pois se o cristo redentor deixasse a pedra
na certa nunca mais rezaria padre nossos
e na certa só faria poesia com os meus ossos
Artur Gomes
poeta.ator.vídeomaker.produtor cultural


Jazz Free Som Balaio
Para Moacy Cirne
gravada no CD fulinaíma sax blues poesia
ouvidos negros Miles trumpete nos tímpanos
era uma criança forte como uma bola de gude
era uma criança mole como uma gosma de grude
tanto faz quem tanto não me fez
era uma ant/Versão de blues
nalguma nigth noite uma só vez
ouvidos black rumo premeditando o breque
sampa midinigth ou aversão de Brooklin
não pense aliterações em doses múltiplas
pense sinfonia em rimas raras
assim quando desperta do massificado
ouvidos vais ficando dançarina cara
ao Ter-te Arte nobre minha musa Odara
ao toque dos tambores ecos sub/urbanos
elétricos negróides urbanóides gente
galáxias relances luzes sumos prato
delícias de iguarias que algum Deus consente
aos gênios dos infernos que ardem gemem Arte
misturas de comboios das tribos mais distantes
de múltiplas metades juntas numa parte
Terra de Santa Cruz

ao batizarem-te
deram-te o nome: puta
posto que a tua profissão
é abrir-te em camas
dar-te em
ferro
ouro
prata
rios
peixes
minas
mata
deixar que os abutres
devorem-te na carne
o derradeiro verme

salve-lindo pendão que balança
entre as pernas abertas da paz
tua nobre sifilítica herança dos rendevouz
de impérios atrás

meu coração é tão hipócrita
que não janta
e mais imbecil que ainda canta:
ou
viram no Ipiranga
às margens plácidas
uma bandeira arriada
num país que não levanta.

fosse o brazil mulher das amazonas
caminhasse passo a passo
disputasse mano a mano
guardasse a fauna e a flora
da fome dos tropicanos
ouvisse o lamentos dos peixes
jandaias araras e tucanos
não estaríamos assim
condicionados
aos restos do sub-humano

só desfraldando a bandeira tropicalha
é que a gente avacalha
com as chaves dos mistérios
desta terra tão servil:
tirania sacanagem safadeza
tudo rima uma beleza
com a pátria mãe que nos pariu
bem no centro do universo
te mando um beijo ó amada
enquanto arranco uma espada
do meu peito varonil
espanto todas as estrelas
dos berços do eternamente
pra que acorde toda esta gente
deste vasto céu de anil
pois enquanto dorme o gigante
esplêndido sono profundo
não vê que do outro mundo
robôs te enrrabam ó mãe gentil!

telefonaram-me
avisando-me que vinhas
na noite uma estrela
ainda brigava contra
a escuridão
na rua sob patas
tombavam homens indefesos
esperei-te 20 anos
até hoje não vieste à minha porta
- foi u m puta golpe

o poeta estraçalha a bandeira
raia o sol marginal Quinta feira
na geléia geral brazileira
o céu de abril não é de anil
nem general é my brazil

minha verde/amarela esperança
portugal já vendeu para a frança
é o coração latino balança
entre o mar de dólar do norte
e o chão dos cruzeiros do sul

o poeta esfrangalha a bandeira
raia o sol marginal Sexta feira
nesta porra estrangeira e azul
que a muito índio dizia:

meu coração marçal tupã
sangra tupi & rock in roll
meu sangue tupiniquim
em corpo tupinambá
samba jongo maculelê
maracatu boi bumbá
a veia de curumim
é coca cola e guaraná

o sonho rola no parque
o sangue ralo no tanque
nada a ver com tipo dark
muito menos com punk
meu vício letal é baiafro
com ódio mortal de yank

ó baby a coisa por aqui não mudou nada
embora sejam outras siglas no emblema
espada continua a ser espada
poema continua a ser poema
Jura secreta 81

ainda a tarde
onde tudo no teu corpo arde
e entro
porta entre mar de pêlos
e dentro
a sílaba da palavra
grita
o canto
explode como gozo intenso
e suspenso o grito
que sustenta a fala
vaza
pelos teus cabelos
pelas tuas coxas
pelas tuas costas
e nas encostas
litoral que estamos
salvador
não fica mais ali
defronte o farol
é barra
o mar já engole os peixes
e peixes
não moram mais no mar
eu grito
porque tenho fome
e canto porque tenho sede
de amor de fogo e sexo
escrevo porque não me calo
e falo que calar não posso
só dia em que este mar for nosso
descanso
minha profana escridura
na carne crua do teu colo
Artur Gomes
Dia D
,
furai
a pele das partículas dos poemas
viemos das gerações neoabstratas
assistindo a belos filmes de Godart
inertes em películas de Truffaut
bebendo apocalipse de Fellini
em tropicâncer genocidas de terror
,
sangrai
a tela realista dos cinemas
na pele experimental do caos urbano
,
tragai
Dali pele entre/ossos
Glauber rugindo entriDentes
na língua do veneno
o gozo da serpente
nos frascos insensíveis de isopor
,
caímos no poder do vil orgânico
entramos no curral os artefatos
na porta de entrada os artifícios
na jaula sem saída os mesmos pratos

Lunática

um gato noturno
atira pedra nas estrelas
palavra e mais palavras
na carne da princesa

onde o pincel não bate
onde o papel não toca
o gato noturno lambe a barriga
bem perto da virilha
e
trepa no muro mais próximo
tentando alcançar o outro lado da lua
em seu instante letal
de desespero e solidão


Funk Dance Funk

a noite inteira inVento Joplin na fagulha
jorrando Cocker na fornalha
funkrEreção fel fala
Fábio
Parada de Lucas é logo ali
trilhando os trilhos centrais do BraZil

rajadas de sons cortando os ínfimos
poemas sonoros foram feitos para os íntimos
conkretude versus konkrEreção
relâmpagos no coice do coração

quando ela canta Eleonora de Lennon
Lilibay seqüestra a banda no castelo de areia
quando ela toca o esqueleto de Lorca]
salta do som enquanto houver
e Federika ensaia o passo
que aprendeu com Mallarmé

PunkrEreção punkada
onde estão nossos negrumes
nunkrEreção negróide nada
descubro o irado Tião Nunes
para o banquete desta zorra
e vou buscar em Madureira
a fina flor do pau pereira

antes que barro vire borra
antes que festa vire forra
antes que marte vire morra
antes que esperma vire porra

ó baby a vida é lume
ó mather a vida é gume
ó lady a vida é life

Artur Gomes
fulinaíma produções:
http://carnavalhagumes.blogspot.com

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CAMPOS DOS GOYTACAZES

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meu coração marçal tupã sangra tupi e rock and roll meu sangue tupiniquim em corpo tupinambá samba jongo maculelê maracatu boi bumbá a veia de curumim é coca cola e guaraná