fulinaíma

quinta-feira, 24 de setembro de 2009


A campanha Loucos Somos Nós, além do recolhimento de doações(material de limpeza, higiene pessoal e roupas usadas), prevê ações com arte cultura e lazer voltadas para os pacientes do referido hospital, constituindo assim um projeto Social permanente da Associação de Arte e Cultura Esporte e Lazer Nação Goytacá.
As doações serão entregues diretamente ao Hospital em horários e dias que divulgaremos brevemente.
Overcoming Skate Vídeo

Família do Skate se junta a Nação Goytacá
e a ProBeach Vôllei na campanha Loucos Somos Nós
em prol do Hospital João Vianna. –

Dia 26 setembro setembro 2009
19:00 – Furdunço Etílico – Semana da Imprensa
20:00h – Lançamento da Campanha Loucos Somos Nós
22:00h - volta da banda Avyadores doBrazyl
+ Reubes Pess + Humor + Eixo Nacional + Rock
Blues Poesia + Graffiti & Outros Baratos Afins

Taberna D Tutty – Rua das Palmeiras, 13


“AO MESTRE, COM CARINHO”

Minha primeira experiência teatral foi em 1963, como muitos, na escola. Estudava no Instituto Santa Inês, colégio de elite à época, graças a uma bolsa conseguida por minha mãe com D. Carmelita, a diretora. O Santa Inês era um colégio de vanguarda, já naquele tempo possuía uma professora de teatro contribuindo para a formação humanista de seus alunos. Ruth Ribeiro do Rosário, com seu colar de pérolas gigantes e seus alvos dentes manchados de batom vermelho era uma figura impar. Aliás, este era o nome do grupo teatral que ela dirigia. Por suas mãos fui apresentado ao mundo mágico do teatro. Fiz o “Atchim” em “Branca de Neve e os Sete Anões”, cuja estréia foi no saudoso Cine Teatro Trianon.
O velho Trianon marcaria a minha vida para sempre. O meu maior amigo na infância foi um colega de escola cuja família era sua dona, Mair Esperança. Sempre passava os domingos em sua casa. Brincava no seu autorama importado, comia comida de rico e o melhor: passava as tardes assistindo às sessões de Tom e Jarry, Zorro, Bat Materson de camarote. Depois tinha um Trianon inteiro para brincar de pique esconde, jogar bala na cabeça de quem estava na platéia e outras estripulias. Graças ao Santa Inês eu tive acesso a um universo que jamais imaginava conhecer. Através da tela do cine-teatro viajei mundo afora e aprendi a sonhar. O Trianon foi o meu Cinema Paradiso.
Do Santa Inês fui para o Bittencourt, onde cursei o ginasial. Se o “Bitanca” não era um colégio de vanguarda, pelo menos era essencialmente humanista. Latim, francês, inglês faziam parte do currículo. Canto orfeônico e desenho artístico também. Professores como Marcos Wagner Coutinho, Hélio Coelho, Roney Brandão, Áurea, Sonja contribuíam em muito para que pudéssemos ser “alguma coisa na vida”, como dizia mamãe complementado o bordão “Estuda que esta é a única herança que eu posso deixar”. Foi lá que fui despertado para a poesia, para as artes plásticas e para a vida de um modo geral. Meus mestres cultivavam em mim o artista que eu viria a ser.
Então fui para a Escola Técnica, cursar edificações, pois desde pequeno brincava de “construir” casa com barro que as saúvas processavam no meu quintal ao cavar seus túneis. Embora fosse uma esco-la técnica, lá também se praticava um ensino humanista. Militância estudantil, eventos culturais, clube de xadrez eram associados ao ensino técnico formal. Lembro-me que José Márcio Mercante regozijava ao ensinar matemática. Tanto que me fez até gostar. Com ele e suas derivadas entendi que a matemática está presente em tudo na vida e que é pura poesia. Foi lá que fui mordido, definitivamente pela mosca azul, o que me fez procurar pelo Teatro Escola de Cultura Dramática.
Já não queria mais arquitetura. O teatro definitivamente tomara conta do meu ser. E depois de dois anos no Curso Savart, em que se entrava para se preparar pro vestibular e saia “comunista”, fui cursar teatro na UNIRIO. No Savart pude conviver com professores do quilate de Luiz Magalhães, Aristides Sofiatti, Marilda Vieira, Magdala França Vianna e todos aqueles que sedimentaram em mim o Kapi que hoje sou. Graças a todos esses mestres e outros que, embora não citados, contribuíram para a minha formação é que, ao encerrar a temporada de “Meu Querido Diário”, é que me pergunto: O que fizeram da educação nesse país?
Saudosismos à parte, é triste constatar que o prazer de ensinar virou coisa do passado. Que as condições para o exercício deste mister são as mais adversas possíveis. Que cada vez mais o professor faz uso de todos os meios para não ir para a sala de aula. E os congressos, seminários, conferências estão servindo pra quê, se não se encontra uma alternativa para este quadro? Pode não ser fácil apontar culpa-dos, mas se não se buscar verdadeiramente a solução todos serão e as conseqüências, catastróficas. Pois o que se vê nas escolas beira à barbárie, seja na escola pública ou particular. O que se vê é o exercício pleno da deseducação.
Ser um ponto de partida para discutir verdadeiramente a crise educacional no Brasil foi o objetivo primeiro de Yve ao produzir a peça de Adriano. Durante a temporada, após os espetáculos realizamos debates sobre a questão. Infelizmente, em geral, foram pouco profícuos, mas a questão está lançada. A sociedade precisa prioritariamente colocar o assunto em pauta se não quiser chegar ao fundo do poço. Ao contrário do que diz o personagem Paulo, neste caso, chegando-se ao fundo do poço não se encontrará um ralo.

Antônio Roberto Gois Cavalcanti(Kapi)


2 comentários:

Mariana Botelho disse...

Artur,

bela iniciativa.

abraço

Henrique ANTUNES FERREIRA disse...

Olá Nação

De médico e louco todos temos um pouco. Bom blogue, este. E a iniciativa é excelente. Eu próprio, quando era Chefe da Redacção do maior jornal português, o Diário de Notícias, colaborei em iniciativas semelhantes.

O DN até organizava O Natal nos Hospitais (que também abarcava prisões, lares de idosos e assim).

Obrigado pela visita. Volta sempre; serás bem vindo!

Abs

CAMPOS DOS GOYTACAZES

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