fulinaíma

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

DEDUÇÃO

Não acabarão com o amor,

nem as rusgas,
nem a distância.
Está provado,
pensado,verificado.
Aqui levanto solene
minha estrofe de mil dedos
e faço o juramento:
Amo firme,
fiel
e verdadeiramente.

Vladmir Maiakóvski

a pêra em cima da mesa
eu vejo
um quadro do Scliar
viagem
cabo frio ouro preto
dois poetas comigo
vicente humberto ubirajara gali
uidobro outro lá fora
agora marrie louise
boneca de louça bailarina
e seu vestido estampado
a pêra
a luz do palco
dois olhos diamantes
meu corpo queimando: chamas

arturgomes
http://multiartecultura.blogspot.com/

Era setembro. De um tempo que foge por entre os dedos. Lá fora, o galo teima em cantar um dia que nunca amanhece. Um nome é um código de decifração. Ela decidira alterar o de batismo. Rita é graça de mulher que carrega tormenta. Apenas a de Chico leva sorriso e um bom disco de Noel. Tinha a mãe que escolher logo esse nome de santa. Ter nascido no dia 23 de maio poderia ter resultado em salvação. Um nome leva um tempo para ser inscrito. Precisava tatear um tanto da sombra, daquele outro nome que permanece nas entrelinhas da certidão. Sofia. Um chamamento que susurra. Deve existir um véu capaz de encobrir o nome da mulher. Foi dessa forma que ela vestiu, pela primeira vez, aquele tubinho cor de carmin. Havia três anos que ele esperava no armário. Vermelho é uma cor que não combina com vergonha. Rita compunha sua personalidade discreta com um cinza sobre bege, algumas vezes tendendo para o grafiti. Sexo é uma conversa que demanda arco-íris, aquarela pronta para se derramar. Foi Sofia quem percebeu a eterna indecisão de Rita. Uma mulher acompanha bem as rasuras da outra. Se não fosse ela, jamais teria sido marcado o encontro com o desconhecido. Ele parecia uma graçinha na web cam. Uma barba rala, um olhar de gente malina, de boa mira. Na tela, ela tinha os lábios pintados de vermelho e o lápis deleineando os inexatos verdes de seus olhos. Obviamente, desde o início, ela se apresentou com o nome de Sofia. Imagina se o clima teria subido tanto a temperatura se falasse: meu nome é Rita, quase como quem pede perdão! Sofia desceu as escadas em disparada. Se faltasse luz, ela não ficaria retida no elevador. Além disso, os vizinhos não sabem que o limiar é o lugar do desejo e ele não tem nome. Chegou antes da hora no Café Damasco. Sentou na mesa ao lado de uma tela de Frida Kahlo. E contemplou. Duas mulheres plantadas e nuas. Entrelaçadas à condição de fêmea, de relva, de mata selvagem. Ganhou, repentinamente, uma imprecisa convicção. Foi quando um homem atravessou a porta do café e indagou: é você Sofia. Ela, sem titubear, respondeu: não, meu nome é Rita. Um rasgo do sorriso de sofia, lhe tangia o canto dos lábios. Um homem , que pulsa, sabe que pouco importa como se chama uma mulher. Ele tateia e encontra nomes próprios e impróprios. Deitados, nessa tela primaveral de setembro.

glória diógenes
http://linhasaovento.blogspot.com/

5 comentários:

Mónica Angelino disse...

El amor por sobre todas las cosas y el tiempo!!

Besos.

Mónica

(kereme kerosene)

glória disse...

pode postar o conto do meu blog arthur. E Maiakóviski disse certo: Não acabarão com o amor! bjs

Amando Carabias María disse...

Buenas noches, agradezco el seguimiento de Pavesas y Cenizas y coincido plenamente con Mónica Angelino: El amor sobre todas las coas.

bia martins disse...

conhecendo aqui.
e adorando!!! ^^

um bjo!

Sônia Brandão disse...

Olá, Artur
Obrigada pela visita e gentil comentário. Seus blogs me agradaram bastante.

Um grande abraço.

CAMPOS DOS GOYTACAZES

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