terça-feira, 29 de setembro de 2009









DIÁRIO DE UM LOUCO
Nicolai Gogol

INTERPRETAÇÃO
ADEILTON LIMA
DIREÇÃO
CESÁRIO AUGUSTO
ADAPTAÇÃO
RUBEM ROCHA FILHO
BRASÍLIA – DF
2009
Projeto

(61) 3037 9384 / 9239 9644
adeiltonator@hotmail.com

1 Texto

Publicado originalmente na coletânea Arabescos (1835), o conto Diário de Um Louco de Nicolai Gógol (1809-1852) relata em forma de diário a vida de Popristchin, um funcionário público subalterno que vê seus sonhos de ascensão social esbarrarem no sistema corrupto e paternalista da burocracia russa czarista. À medida que registra suas impressões da atmosfera opressora da repartição pública, caracterizada pelo desprezo do chefe e a zombaria dos colegas, o personagem acaba por documentar aos poucos o próprio processo de enlouquecimento, que atinge seu paroxismo quando, julgando resolver o conflito em torno da sucessão da coroa espanhola do qual tomara conhecimento pelos jornais, Popristchin declara-se rei e é internado em um hospício. Denunciando a ilusão dos valores de uma sociedade agonizante, o conto projeta-se cruelmente até nossos dias, dando exemplo da modernidade de Gógol, considerado por muitos críticos como o pai da literatura realista russa, cuja obra causou profunda influência na formação de grandes escritores como Dostoiévski, Tolstói, Tchekhov e Górki.

Devido ao seu potencial dramático, caracterizado pela maneira dialógica com que mostra a alienação do homem moderno em sua busca de identidade nas convenções sociais, no olhar do outro, o conto foi adaptado para o teatro francês por Silvie Luneau e Roger Coggio e encenado no Brasil por Ivan Albuquerque, em 1964, tendo Rubens Corrêa no papel de Popristchin. Recentemente, foi montado por Diogo Vilela e apresentado em diversas capitais do Brasil. Na versão que ora propomos, valemo-nos do texto adaptado pelo ator e diretor pernambucano Rubem Rocha Filho, que traz para a realidade brasileira o delírio tragicômico da personagem russa, personificada por Akaki Akakiévitch “Poprichin”, numa junção e referência a outro personagem fundamental de Gogol do conto O Capote.

2. A encenação

No espetáculo, procurou-se dar continuidade a um trabalho de investigação sobre linguagem teatral iniciado há cinco anos com os espetáculos Para Acabar com o Julgamento de Deus, de Antonin Artaud e O Poeta Vivo – Quintanares, a partir de textos de Mário Quintana. A proposta básica consiste em explorar a interpretação a partir dos recursos elementares sugeridos por gestos, movimentos, sons e ritmos oriundos das potencialidades orgânicas do ator. Posteriormente, a formalização destes recursos configurou um conjunto de ações físicas cujo discurso em cena presta-se a uma leitura da obra matizada exclusivamente no elemento mais básico da teatralidade: o organismo do performer.

A montagem procurou romper com uma linha naturalista de encenação, buscando resgatar e explorar o imaginário humano. O espetáculo é composto de cenas no quarto, na repartição pública onde trabalha o personagem, na rua e finalmente no hospício, onde acaba confinado. Faz-se assim a junção das unidades de tempo, espaço e ação, presentificando todo o delírio das situações narradas por Antonino. É a exploração em detalhes de todos os elementos de dramaticidade do texto. A idéia é poder passar, constantemente, porém não de forma gratuita para o espectador, elementos que caracterizam o calabouço social e existencial em que vive o personagem.

A música do espetáculo é composta por um trecho continuamente repetido de A Sagração da Primavera, do compositor russo Igor Stravinski. O trecho utilizado objetiva marcar o clímax do espetáculo, quando o personagem, em seu processo de enlouquecimento, reclama para si o título de herdeiro legítimo da coroa espanhola, pondo fim às discussões em torno da conturbada sucessão. Quanto ao figurino, este será composto por um velho paletó.

4. Cenografia

A linha radicalmente anti-naturalista da presente montagem, calcada em uma concepção dramática centrada no potencial orgânico do ator, dispensa qualquer elemento cenográfico, valendo-se mais da imaginação do espectador. O ator compõe um repertório de gestos, movimentos e sons que busca desenvolver tanto a ação narrativa textual quanto o processo psicológico de enlouquecimento do personagem.

5. Palco

As características da presente pesquisa permitem que o espetáculo possa ser apresentado em um palco simples, arena ou italiano. Não há cenário.

6. O Diretor

Possui graduação em Artes Cênicas/habilitação em Interpretação Teatral pela Universidade de Brasília (1995), mestrado em Práticas Teatrais - Leeds Metropolitan University (1997) e doutorado em Práticas Performáticas - University of Exeter (2003). Tanto o mestrado quanto o doutorado foram cursados com bolsa de estudos integral da CAPES/MEC, mediante seleção nacional. Lecionou como professor assistente na Universidade de Brasília-UnB, efetivado por concurso na área de expresão corporal e linguagem do movimento, entre 1997 e 2000 e, na mesma instituição, como pesquisador visitante nível adjunto 1, na área de interpretação teatral, entre agosto de 2003 e março de 2004. Trabalhou como professor concursado na área de interpretação teatral, nível ajunto 1, na Universidade Federal de Santa Maria-UFSM, entre março de 2004 a maio de 2006. Atualmente é professor efetivo, nível adjunto 1, da Universidade Federal do Pará-UFPA, onde leciona e prossegue sua pesquisa sobre o treinamento do ator baseado nas artes marciais asiáticas. Tem experiência na área de teatro, dança, cinema, televisão e dublagem, com ênfase em Interpretação Teatral. Atua assiduamente nos seguintes tópicos: atuação, pesquisa de linguagem, dança, treinamento do ator e adaptação literária.

7. O Ator

Adeilton Lima é graduado em letras pela Universidade de Brasília (1998), onde também concluiu o mestrado em teoria literária (2007), com bolsa da CAPES/MEC. Atualmente, como professor substituto, ministra o curso Oficina de Interpretação, na Faculdade de Comunicação desta mesma universidade. O Ator tem vários trabalhos em teatro, com destaque para A Conferência, de sua autoria, dirigido por Cláudio Chinaski, que também recebeu o prêmio Myriam Muniz de Teatro (FUNARTE/2006); Para Acabar com o Julgamento de Deus, de Antonin Artaud e Diário de um Louco, de Nicolai Gogol, Raízes da Voz, poesia brasileira e universal, recital registrado em CD com o mesmo nome.

Diário de Um Louco – Ficha Técnica
Texto Original: Nicolai Gogol
Adaptação: Rubem Rocha Filho
Interpretação: Adeilton Lima
Música: Igor Stravinski (Trecho de A Sagração da Primavera)
Mixagem: Glauco Maciel
Figurino, iluminação: Adeilton Lima e Cesário Augusto
Operação de luz: Eduardo Fernandes
Duração: 1h
Tempo para montagem: 2h
Tempo para desmontagem: 1h
Faixa Etária: 14 anos

Um comentário:

Ari Meneghini disse...

olá,
já li diário de um louco.
o texto é excelente, e bem profundo!
dou os parabéns ao ator que o representa, pois é um mergulho de alma no texto e na vida do personagem do monólgo.
.....

abração

CAMPOS DOS GOYTACAZES

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