terça-feira, 1 de setembro de 2009


Festival de Curtas de Cabo Frio
3° Edição - 3 a 13 de Setembro

Sessão dupla Cine Mosquito, dia 10 de setembro - 15 hrs.
Contação de Filmes e 17 hrs. Estréia do média metragem
"No Caminho Com Ivan Cruz"! Imperdível
Local - Teatro Muncipal de Cabo Frio!

CONFIRA A PROGRAMAÇÃO:
Contação de Filmes com Jiddu Saldanha
Usando recursos de contador de histórias, por onde perpassa a linguagem oral, a mímica e o jogo de cena com o público, Jiddu contará alguns dos mais importantes filmes da cinematografia mundial e Brasileira.
Jiddu Saldanha contará grandes clássicos do Cinema, como Dr. Jivago, Deus e o Diabo na Terra do Sol entre outros. Será um momento de diversão, memória e interatividade com a platéia presente.
Duração – 60 minutos
Contação de filmes, dia 10 de agosto, 15 horas, no festival Curta-Cabo Frio, 2009 - Cine Mosquito especial.

RELAÇÃO DE FILMES QUE SERÃO CONTADOS ÀS 15.H
Deus e o Diabo na Terra do Sol
Glauber Rocha - 1964 / Brasil
Fanny e Alexander
Igmar Bergaman – Suécia/França/Alemanha – 1982
Os Girassóis da Rússia
Vittorio de Sica – 1970 / Itália
O Boulevar do Crime
Marcel Carné – 1945 / França
Dr. Jivago
David Lean – 1965 / USA
O Quatrilho
Fabio Barreto – 1994 / Brasil
Atenção:
O Tempo de duração de cada história-filme, será de aproximadamente 10 minutos.
FILMES QUE SERÃO EXIBIDOS ÀS 17H.
Seleção Cine Mosquito 2009
(Festival Curta- Cabo Frio)

Bolinha de Papel - 4 min.
Débora Aranha – Rio de Janeiro
Pela Passagem de uma Grande Dor 12 min.
De Paulo Mainhard – Cabo Frio
Polifonia - 00:06:30
De Artur Gomes . Campos dos Goytacazes

Dos Verbos Somar e Sumir . Som . 3 min.
de Bárbara Morais – Cabo Frio
Cadê o meu Ônibus - 11 min.
Vicentini Gomez / São Paulo
Estréia, primeiro média metragem do projeto Cinema Possível
No Caminho com Ivan Cruz (Título Provisório)
Jiddu Saldanha – Cabo Frio – Documentário – 40 min.
http://www.festivalcurtacabofrio.com.br/
Poemas de Mil Compassos - O Livro
mais divulgação aqui: http://poemasdemilcompassos.blogspot.com/


Controvérsias
Ronaldo Werneck
E traço e teço meu texto
Brincadeira boboca, mas irresistível: Cataguases é uma cidade de primeira. Passou a segunda, não tem mais graça: ela também passa. Para quem gosta de dirigir, é um desatino. Mal começa, ela acaba. Nem bem engrena, ela termina. Não importa se o carro é mecânico ou automático, se a gente passa ou não passa marcha, ou se as marchas é que nos passam: na primeira acelerada, ela termina. Ou determina marchas-lentas: surgem do nada um trem que é um trem de transtorno, motociclistas avoados, bicicleteiros que parecem esquecidos da vida, (di)vagando nas vias onde o trânsito deveria escoar.

Mas nem sempre escoa, eis que a cidade já exibe, orgulhosa, seus engarrafamentos na hora do rush. Coisas de metrópole: Cataguases tem mais auto(i)móveis que Nova York. Há controvérsias? Resolve-se num só instante: basta checar (por logaritmo, é claro) a proporção carro-habitante. É uma cidade que não pede prise. Talvez por isso não entre em crise. E sejam poucos os acidentes. Que assim seja.

Meia-volta-e-meia saio dela pelaí – assim ao vai-da-valsa, ao suingar-do-samba, ao roquear do rock, ao tarantantan-do-tango, ao bolero-pra-quê-te-quero. Quer dizer: som na caixa (de marcha). Para Astolfo Dutra, quando bate uma vontade já agora impossível de rever meu caro Luiz Linhares. Para Itamarati, porque me agrada a súbita assonância dessa “pedra-ita” que “amara a ti”. Para o Glória, distrito que torna masculina a vila-fazenda do Major Vieira, primeva e primorosa. Para Mirai, quando – mira aí, minha menina – batem saudades de laranjas maduras à beira da estrada, aquela fruta que não vai dar no “avarandado do amanhecer”, que isso é coisa do baiano Caetano, mas no pequenino manancial de mineiras reinações de Mestre Ataulfo Alves.

Para Leopoldina, às vezes & quase sempre, que isso aqui é um festival de controvérsias – e não é? Logo que pra cá voltei, final do século passado, costumava ir pra lá de madrugada, tomar café. Ninguém acreditava que eu pegasse estrada noite adentro pra tomar café. “Tem mulher no meio”, diziam. Pra quem quiser, rimam café & mulher. Mas, não aqui: era café mesmo. Num velho bar perto da Rodoviária, há uma parada dos ônibus que trafegam pela Rio-Bahia. Ali, no Centenário – não falei que o bar era antigo? –, há (ou havia?) café expresso a noite inteira. Então, Leopoldina by night era/é café no Centenário e gostar de dirigir, guiar pra desanuviar, guiar quando o trabalho trava, botar o carro na estrada pra ver se a noite vem socorrer meu texto. Sim, eu dirijo escrevendo.

Ou escrevo dirigindo. Sempre que o texto entala, pego o carro e saio por aí a pensar na morte da cachorra ou na do Ulysses Guimarães. Sim, no insondável mistério da morte direta e já. No súbito desaparecimento do Doutor Ulysses. E na pergunta sem resposta que me fez Tia Dalila, lá se vão mais de quinze anos. Internada no Pronto-Cordis, segurando-se no alto de seus quase noventa anos, Lilila vira-se pra mim no meio da noite, assim como quem não quer nada: “Meu filho, o mar devolve tudo que nele jogamos, não é? Então por que até hoje não devolveu o Ulysses Guimarães?”.

Ó mar, ó mar, porque até agora nada do velho Ulysses voltar? Nada o Doutor Ulysses? Nada? Sigo eu me perguntando estrada afora, enquanto me anoiteço e me aconteço de encontro ao acaso, e torço e traço e teço meu texto. Som ligado, a voz de Cartola me inunda de poesia, e à estrada, e à noite perto da Aurora: “Deixe-me ir preciso andar/ Vou por aí a procurar/ Quero assistir ao sol nascer/ Ver as águas dos rios a correr/ Se alguém por mim perguntar/ Diga que eu só vou voltar/ Depois que eu me encontrar” .

Então, Cataguases está logo ali, no clarão da antemanhã E não há mais controvérsias: ela é um só entrecruzar de fronteiras eruditas e automobilisticamente semoventes, com ou sem marchas. De tudo um trem, um traste, um apito, um muito alto grito. Tudo fora dos trilhos: drama, geografia, manhã, etimologia, música, poesia. Como este texto, essas palavras que escapam ao meu domínio. Um cicio, um sussurro em fuga, quase algaravia. Uma reta, uma canção que se segreda. Uma curva, uma história que surge e some.

Saramago diz adeus aos leitores de seu blog
Madri, 1 set (EFE).-
José Saramago despediu-se dos leitores de seu "Caderno", o blog no qual o escritor português expressava quase que diariamente, desde o dia 15 de setembro de 2008, artigos com suas opiniões e reflexões pessoais."É conveniente que as despedidas sempre sejam breves", afirma Saramago em um pequeno post em que dá sinais de que abandona sua atividade como blogueiro: "Adeus, portanto. Até outro dia? Sinceramente, não acho".Mas, com uma post scriptum, o escritor matiza: "Pensando melhor, não se deve ser tão radical. Se alguma vez sentir necessidade de comentar ou opinar sobre algo, chamarei à porta do 'Caderno', que é o lugar onde mais à vontade poderei expressar-me".
Segundo escreveu ontem Saramago em "Despedida", sua última publicação, a razão de seu adeus está ligada à preparação de um novo livro, ao qual quer dedicar todo seu tempo."Enquanto isso, aí tem 'Caim'", acrescenta, convidando à leitura de seu novo romance, que estará à venda em outubro.
Compilados recentemente, os artigos de "O Caderno" traçam uma crônica pessoal do escritor em um lugar que o próprio Saramago qualificou como "um espaço pessoal na página infinita da internet", quando apresentou seu blog.
"O Caderno" refletiu durante quase um ano o espírito crítico de seu autor, algo que não agradou, por exemplo, a Silvio Berlusconi, que se negou a publicar a versão italiana do livro em sua editora, a Einaudi, devido às críticas que Saramago fez em seus artigos ao primeiro-ministro da Itália.

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