fulinaíma

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Morre o acadêmico Antonio Olinto
(P/ Paulo Alonso)

E lá se vão anos... muitos ou vários, nem sei mais quantos... Suficientes, por certo, para cada vez mais admirá-lo, apreciá-lo, amá-lo e com ele ter aprendido verdadeiras lições de amor, de vida... lições de bem servir ao próximo.... Lições nem sempre escritas, mas transmitidas oralmente, em poesias, em trovas e/ou em prosas. Apreendidas e assimiladas em nossos permanentes diálogos, em nossas intermináveis conversas sobre a gente brasileira, sobre a cultura da nossa gente, sobre os destinos do nosso país... E todo esse convívio foi encerrado na madrugada do último sábado, quando sua assessora Beth Almeida, que com ele trabalhou por mais de vinte anos, me comunicou sua morte. Olinto morreu em seu apartamento-biblioteca-museu de Copacabana, de onde se podia avistar um pedaço do Atlântico e onde, juntos, refletíamos e buscávamos, de alguma forma, encontrar saídas para tantas mazelas que afligem o Rio, o Brasil e o Mundo. Sua morte, no dia em que completava 12 anos do seu ingresso na Academia Brasileira de Letras, deixou os seus incontáveis amigos muito tristes e o mundo literário, mais pobre.
Olinto era um homem especialíssimo; uma figura notável; um patrimônio cultural do Brasil; um escritor de rara inteligência e dono de uma lucidez magnífica. E, sublinhemos, viveu longos e saudáveis 90 anos. Quase um século de atividades intensas e permanentes em defesa da língua portuguesa, da literatura brasileira, da propagação, por meio de textos jornalísticos ou dos seus incontáveis livros publicados, e traduzidos em mais de 45 idiomas, das suas idéias e pensamentos, da sua criatividade intelectual, da sua vontade em fazer construir um mundo mais digno e mais saudável.
Nascido em Ubá, batizado em Piau, lá nas Minas Gerais, esse Antonio, de olhar meigo, terno, com o colorido da cor do céu, conquistou o mundo, com suas andanças pelos cinco continentes, ora proferindo palestras e conferências, ora organizando seminários internacionais, ora lançando livros e muitas vezes recebendo prêmios e láureas importantes, que traduziam o reconhecimento da sua devoção à arte de bem escrever.
Dono de uma formação sólida estudou Filosofia e Teologia e quase se ordenou sacerdote. Desistiu dos seminários e resolveu ser Mestre de Latim, Português, História da Literatura, Francês, Inglês e História da Civilização, em colégios do Rio de Janeiro e em instituições universitárias nacionais, como o Centro Universitário da Cidade, que lhe concedeu o título de Doutor Honoris Causa, e na Faculdade de Letras do Centro Universitário de Ubá, que também lhe agraciou com idêntica honraria ou nas mais importantes e tradicionais instituições estrangeiras, como as Universidades de Columbia, Yale, Harvard, Indiana, UCLA ou Essex.
Fez conferências sobre Cultura Brasileira em universidades e em centros de pesquisas de Tóquio, Seul, Sidney, Maputo, Dacar, Lagos, Abidjan, Tanger, Buenos Aires, Lisboa, Coimbra, Porto, Madri, Santiago do Chile, Barcelona, Paris, Milão, Pádua, Veneza, Roma, Zagreb, Bucareste, Sofia, Varsóvia, Cracóvia, Moscou, Estocolmo, Copenhagen, Londres, Oxford, Cambridge e Dublin, dentre outras. O Diploma de Excelência da Universidade de Vasile Goldis, de Arad, lhe foi ofertado em razão da difusão da cultura brasileira na Romênia. Nessa mesma ocasião, a Embaixada do Brasil nesse país inaugurou, em Bucareste, a Biblioteca Antonio Olinto. Um verdadeiro homem do mundo!
Nomeado Adido Cultural em Lagos, Nigéria, pelo governo parlamentarista de 1962, em três anos de atividade, fez cerca de 200 conferências na África Ocidental. Como resultado, escreveu uma trilogia de romances, "A Casa da Água", uma das obras-primas da literatura do Brasil, "O Rei de Keto" e "Trono de Vidro".
Em 1968 foi nomeado Adido Cultural em Londres e passou a participar também das atividades do PEN Internacional. Morou no Reino Unido por quase 37 anos, onde juntamente com sua mulher a escritora e jornalista Zora Seljan, falecida em 2006, fundaram o jornal "The Brazilian Gazette".
Recebeu em 1994 o "Prêmio Machado de Assis", por conjunto de obras, da Academia Brasileira de Letras, a mais alta láurea literária do Brasil. Três anos mais tarde, foi eleito para Academia Brasileira de Letras, cadeira nº 8, sucedendo ao escritor Antonio Callado.
Além de poeta, romancista, ensaísta, crítico literário, Olinto era também artista plástico, pintava e fazia esculturas. Nas paredes de seu apartamento, cobertas por belas máscaras africanas, selecionadas em suas muitas e fantásticas viagens, respirávamos arte, literatura e nos abastecíamos da boa prosa, dos causos que contava com simplicidade, eloqüência, elegância e empolgação. Sabia e discutia qualquer assunto e sempre com uma argumentação viva, rica e verdadeiramente encantadora.
Olinto, neste momento de partida, merece todos os nossos mais vivos aplausos e todas as nossas maiores e mais sinceras homenagens. Como imortal, será lembrado e festejado pela eternidade. Seu nome está gravado, e definitivamente, na História da Literatura do Brasil. E não por ser um imortal, pertencente a tantas academias, mas pela sua própria natureza e, sobretudo, pela sua capacidade invulgar de conquistar, de agregar e de ser.

Paulo Alonso é Titular das Academias Carioca de Letras, Internacional de Educação, de Letras do Estado do Rio de Janeiro e de Semiologia e Direito de São Paulo


“Inquisição midiática” na América Latina
(P/Carlos R.S. Moreira “Beto”)

O intelectual argentino Claudio Katz é reconhecido mundialmente por suas análises penetrantes e polêmicas sobre a atual fase destrutiva e regressiva do sistema capitalista. Autor de vários livros, ele integra o coletivo “Economistas de Esquerda” (EDI) e hoje dá assessoria ao presidente Hugo Chávez. Em recente entrevista ao sítio Resistir, ele rejeita a idéia de que o pior já passou na recessão mundial. “A situação econômica é muito grave e teremos ainda de bater no fundo, pois estamos no primeiro momento da crise”. Mas, otimista, ele acredita que “o projeto socialista pode maturar nesta turbulência” e fala das mutações recentes na América Latina.

Num dos trechos desta instigante entrevista, Claudio Katz analisa o papel da mídia hegemônica. Indica que as esquerdas, dos mais variados matizes, devem dar mais atenção aos meios privados de comunicação, que hoje exercem uma “grande inquisição midiática” no planeta. Ao tratar da retomada da ofensiva da direita latino-americana, através de golpes, bases militares e conquistas eleitorais, ele destaca esta “novidade”. Reproduzo abaixo os trechos sobre este tema estratégico:“

Ainfluência despótica da mídia”“
A direita cultural, neoconservadora, latino-americana, governou a região durante décadas, e alimenta os governos militares, mantendo um pensamento elitista, liberal e eurocêntrico. Hoje, ela tem grande capacidade de manipulação midiática. Essa é a novidade. Porque governaram historicamente através da igreja, dos seus recursos, das suas escolas, e agora como têm os meios de comunicação sob o seu domínio, elas exercem uma influência despótica através dos mesmos.Os meios de comunicação são agora o que foi a Igreja Católica?

Eles são a grande inquisição e exercem uma influência nefasta. Por isso me parece tão salutar e transformadora a decisão de Chávez de não renovar a licença da RCTV. Creio que essa medida é muito mais transcendente que qualquer nacionalização de uma empresa siderúrgica.

Com essa resposta, vão dizer que Claudio Katz é um tipo totalitário. Como você responde?

Dizem isso porque para eles manipular monopolisticamente um grupo de meios de comunicação é um exemplo de democracia. Há uma hipocrisia absoluta. Os donos dos meios de comunicação são um punhado de pessoas, um grupo minúsculo que não é eleito. É algo paradoxal, pois se todos os congressistas têm de ser votados e qualquer presidente e governador também, por sua vez os meios de comunicação, que têm um poder muito mais sólido e estável que todas as autoridades eleitas de qualquer país, e esses ninguém elege, são puro poder do divino. Dizem que competem entre si através da mudança dos canais, mas a oferta é minúscula. Ou seja, o telespectador pode optar entre a CNN e a Globovisión, mas isso nada muda, vêem o mesmo.

Como é possível democratizar os meios de comunicação na América Latina?

Do mesmo modo como se democratiza qualquer instituição. Os meios de comunicação não podem ser privilegiados em relação a outras instituições. Temos que democratizar a vida política, as escolas, as instituições, as forças armadas, a sociedade, tudo. Tem de haver uma preocupação quotidiana de acabar com as discriminações de gênero, de raça, de etnia. Na América Latina estamos mudando as constituições de muitos países para incorporar novos direitos, para incorporar os direitos esquecidos dos indígenas, da juventude, das crianças. Ou seja, o desenvolvimento da sociedade é a ampliação dos direitos. O único direito de que não se pode falar é o direito à comunicação. Esse quer ser intocável.

O sociólogo brasileiro Emir Sader, atual secretário executivo do Conselho Latino-Americano de Ciências Sociais (Clacso), dizia que os meios de comunicação, para serem democratizados, necessariamente teriam que passar ao controle do Estado. Concorda?

Creio que têm de ser propriedade pública. Mas, atenção, eles não podem ser manuseados por um governo, porque isso levaria a formas totalitárias. Há muitas experiências nos últimos 50 ou 60 anos de instituições públicas que não dependem do governo. O caso da BBC de Londres é muito comentado. Não o estudei, mas conheço muitas experiências onde o importante é que estejam sujeitos a um regime legal que impeça a sua manipulação pelo governo, por exemplo. Não podemos passar de meios manipulados por grupos capitalistas a meios manipulados por governos. Tem que haver liberdade informativa, mas também propriedade pública. Creio que há que discutir os mecanismos de propriedade democrática dos meios de comunicação.

Fonte: http://territoriojpps.ning.com/profiles/blogs/inquisicao-midiatica-na?xgs=1

A FESTA DA POESIA E CULTURA BAIANA NA CIDADE MAGIA DO RECÔNCAVO

No dia 26 de setembro de 2009 (sábado), a partir das 20h, no Largo d’Ajuda em Cachoeira - Recôncavo Baiano acontecerá a 6ª edição do Caruru dos Sete Poetas – Recital com gostinho de dendê. Dentre os sete poetas convidados: Antônio Carlos Barreto, Crispim Quirino, Juraci Tavares, Nelson Santana, Sérgio Bahialista, Urânia Rodrigues Munzanzu e Vânia Melo. Haverá a apresentação do espetáculo cênico-poético do CRIA Poesia e do grupo musical afro-barroco Gêge Nagô. Será publicado um Poemário (antologia dos 7 poetas) durante o evento.

O Caruru dos Sete Poetas – Recital com gostinho de dendê é um evento que une à literatura um momento da tradição cultural e religiosa baiana, caruru dos sete meninos, de reverência aos Ibejis, da tradição afro-brasileira, e aos santos católicos São Cosme e Damião. Numa analogia aos sete meninos das manifestações religiosas, este projeto promove o encontro de sete poetas para recitar seus versos e celebrar nossa cultura e arte literária. É a miscelânea da poesia, comida baiana, lançamento de livros e performances artísticas com o propósito de integração e fruição de uma tradição cultural baiana. Marcado pela diversidade de linguagens, tendências, correntes literárias e de público, o que se busca no processo de realização do evento é dar movimento e magia à literatura. É agregar pessoas para ouvir poesia na voz do/a poeta. É evidenciar a poesia do corpo e da dança, do teatro, do palhaço, da música. É unir sete escritores, com alma de criança e poeta, para celebrar a literatura e nossas tradições culturais.

Realização: Casa de Barro : :
Cultura Arte EducaçãoPatrocínio:
Fundo de Cultura - Secretaria de Cultura
Secretaria da Fazenda do Estado da Bahia
O acesso é gratuito.

Maiores informações: casadebarro@gmail.com
João de Moraes Filho escrevista@gmail.com / (71) 9942-3682 / 8165-7615
Luísa Mahin luisamahin@gmail.com / (75) 9931-2424 / (71) 9915-3478

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