fulinaíma

terça-feira, 6 de outubro de 2009

LOUCOS SOMOS NÓS

No sábado retrasado foi lançada pela ong Nação Goytacá a campanha LOUCO SOMOS NÓS, que objetiva tentar amenizar as dificuldades por que passa o Hospital Abrigo Dr. João Viana, mantido pela Liga Espírita de Campos. Sendo a primeira ação prática da Nação, a campanha está mobilizando a classe artística para que faça doações de roupas usadas, material de higiene e de limpeza. Um diferen-cial marca a empreitada: cada um, artista ou não, deve entregar a sua doação no próprio hospital e com isto conhecer um pouco da realidade deste e, sensibilizados, desdobrarem as ações de forma a conquistar o campista para uma atitude cidadã diante às mazelas que nos cercam.

À época da criação da ong, escrevi neste mesmo espaço um artigo intitulado TRIBO GOYTACÁ E OUTRAS TRIBOS, em que me colocava um tanto apático, naquela de ver pra crer, já que diversos movimentos similares não deram em nada. Com o lançamento da campanha, percebo que a galera capitaneada por Artur Gomes estrategicamente não iniciou suas ações olhando para o próprio umbigo. Ao deslanchar um movimento com este perfil, a Nação busca sensibilizar os artistas sobre a importância do papel social da arte e ganha visibilidade por tentar cumprir o que aparentemente caberia a outras instâncias da sociedade, mas que cabe a todos nós.

Aqueles que buscam comprar um lugar no céu com suas contribuições para o Criança Esperança, com mais uma enchente em Santa Catarina e outras tantas mais desgraças que os assolam e afligem, precisam, seguindo o exemplo da NAÇÃO GOYTACÁ, atentar para a realidade que nos cerca. Todos sabemos das dificuldades por que passam não só o hospital João Viana, mas todas as instituições assistenciais do município. Digo assistenciais de verdade, não aquelas criadas com fundo eleitoreiro. Desculpas e justificativas não faltam para tentar explicar a situação, mas o fato é que todas estão passan-do por dificuldades.

Graças à boca no trombone colocada pela guerreira Fátima Castro, a situação das instituições assistenciais e filantrópicas do município veio à tona. Na realidade, a questão que se revela financeira é de ordem política, pois na cascata que é o repasse de verbas feito pelo governo federal, cabe ao município o repasse final. Só que de acordo com as afinidades eles demoram mais ou menos a chegar aos seus destinos finais. É esse atrelamento que emperra a saúde financeira destas instituições. Afora a incoerência de as notas das prestações de contas terem obrigatoriamente datas de emissão posterior ao repasse e não quando a compra fora efetuada.

A Liga Espírita de Campos agrega algo em torno de oitenta instituições, todas em situação idêntica. Se cada organismo de classe, se cada associação patronal “adotasse” uma dessas instituições, com certeza amenizaria em muito as condições em que estão vivendo os assistidos por elas. Uma coisa é certa: não dá para nos isolarmos em nossas redomas de vidro eternamente. Não dá para fingirmos que essas idiossincrasias não acontecem em nosso quintal. Se não assumirmos urgentemente as nossas responsabilidades sociais, num futuro breve pagaremos um preço muito alto pela nossa omissão. E não será preciso passar dessa pra melhor para acertarmos as nossas contas.

A campanha foi lançada numa noite memorável, em que Cristina Lima discursou em nome da Liga e logo após muito rock rolou, culminando com o retorno de Luizz Ribeiro e os Avyadores do Brazil à cena. Luizz mostrou que está em forma, tocando como nunca, levando os presentes ao delírio. Artur Gomes, com sua verve poética, por diversas vezes recitou e conclamou a todos a aderirem. E todos os presentes, numa atitude entusiástica, louvavam a iniciativa. Agora é hora de cumprirmos a nossa parte, pois a NAÇÃO GOYTACÁ deu o seu primeiro passo com pé direito e promete sacudir as estruturas encasteladas da planície.

De forma alternativa, sem grandes produções, a diretoria da ong conseguiu sensibilizar uma parte significativa da classe em torno do evento, que se deu num bar. Escolha acertada, já que embora a questão seja séria, se trata de artistas e estes adoram encarar seus desafios descontraidamente, ou seja: relaxando e gozando. Este é o ideário do grupo: lutar por uma Campos melhor, sem cair nos labirintos burocráticos engessadores das ações. Sugiro que este matutino abrace a campanha, assim com fez em diversas ocasiões por outras causas nobres. Com certeza com o respaldo da Folha o movimento irá deslanchar e atingir seu intuito.

Antônio Roberto Góis Cavalcanti(Kapi)

Um comentário:

Leo Lobos disse...

Mis saludos desde Santiago de Chile, un abrazo afectuoso y calido de su amigo el poeta chileno

Leo Lobos

CAMPOS DOS GOYTACAZES

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