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quarta-feira, 25 de novembro de 2009

FestCampos de POesia Falada - Verdades e Equívocos



Primeiro, é bom lembrar que instituição alguma cria projeto. Projetos são criados e executados por pessoas que em determinados momentos ocupam função para tal, dentro de uma instituição pública ou privada. E no caso de uma Institução Cultural, age de acordo com a política cultural que os Dirigente das determinada instituição pretende implantar ou seguir executando o que foi pensado por gestões anteriores.

Segundo, alguns comentários que li, na imprensa e nos blogs locais, citam outros Festivais de Poesia acontecidos anteriormente como se fossem o FestCampos de Poesia Falada, é também como forma de desfazer este equívoco que segue o relato, ao mesmo tempo me assusto, e entendo os porquês, que nessa polêmica toda que se trava com relação ao FestCampos de Poesia Falada, pela forma com que ele foi lançado para ser realizado este ano, a toque de caixa, depois de sabermos que ele estava morto e enterrado, segundo o presidente da Fundação Cultural Oswaldo Lima, Avelino Ferreira, por ordem do Secretário de Cultura, Orávio de Campos, e até entendemos a resolução tomada no inicio de suas gestões, por saber d0esvaziamento e descaracterização que o mesmo começou a ter a partir de 2005.

Por quê deixei a sua coordenação em 2005?

A partir da mudança do governo Municipal e mudança na direção da FCJOL, o FestCampos de Poesia Falada, passou a não ter mais a infra estrutura e condições orçamentárias necessária para realizar as Oficinas de Poesia Falada, que faziam parte do Projeto Original, não ter o reajuste na premiação, como vinha acontecendo até 2004, e nem os recursos para pagamento do trabalho de coordenação do mesmo, bem como para o pagamento das perfomances com música, poesia e teatro, que aconteciam durante os 3 dias em que era executado, nos intervalos de julgamento. Quem viu sabe do que estou falando, e Orávio e Avelino, também sabem, porque o primeiro várias vezes fez parte da Comissão Julgadora, e o segundo era o Fotógrafo da Fundação, no período em que Fernando Leite foi o seu Presidente de 2000 a 2003, período emq eu o FestCampos de Poesia Falada, ganhou a projeção Nacional.

Por conhecer esta cidade como poucos, não estranho os comentários totalmente equivocados e as desinformações sobre a sua criação e a forma
como o FestCampos de Poesia Falada, era executado. Isso é claro que se dá devido a falta de memória e o analfabetismo cultural da Aldeia dos Goytacazes, o que é uma constante ao longo da sua existência. Na minha opinião como o seu criador (em 1999), e coordenador até 2004, o FestCampos de Poesia Falada, foi morto e enterrado desde 2005, quando começou a ser totalmente esvaziado e não seguir a risca o projeto para o qual foi concebido. E portanto se a atual gestão da FCJOL quisesse mesmo ressuscitá-lo, deveria pelo menos ter conhecimento da sua proposta original.

O FestCampos de Poesia Falada originalmente, era realizado em 3 fases: 2 semi-finais e uma final. Eram selecionadas 60 poesias, e em cada semi-final apresentadas 30 poesias, e na grande final eram apresentadas as 30 finalistas.
Por se tratar de um concurso destinado a poetas de todo o território nacional, e também por ter a sua fase de realização apresentada ao vivo, nem sempre poetas de cidades mais distantes poderiam comparecer, e para isso eram realizadas Oficinas de Poesia Falada para selecionarmos intérpretes para as poesias selecionadas cujos autores não pudessem estar presentes.

Por isso o FestCampos de Poesia Falada era um incentivo a criação e interpretação poética. A partir de 2005 quando deixei a coordenação do mesmo, o Festival deixou de seguir essas normas da sua concepção.
Vale lembrar que em 1999 quando o FestCampos de Poesia Falada foi criado, a Fundação Cultural Jornalista Oswaldo Lima, era presidida por Lenilson Chaves, e o prefeito era Arnaldo Vianna, e não Garotinho, como chegou a ser publicado em um dos comentários que li. E é bom também frisar, que, anteriormente o evento de Poesia Falada, que a Fundação Cultural Jornalista Oswaldo Lima, realizou de 1989 a 1992 chamava-se Encontro Nacional de Poesia em Voz Alta, criado pelo Professor João Vicente Alvarenga, no primeiro Governo Garotinho, quando a FCJOL era presidida por Cristina Lima. Fui também seu coordenador em 1989 e 1990. Posteriormente passou a ser coordenado pelo jornalista e poeta Prata Tavares, que entre 1977 até meados dos anos 80 realizou pelo Departamento Municipal de Cultura um outro Festival de Poesia.

Não só a experiência de participar como poeta e como coordenador desses Festivais anteriores, mas também o trabalho com a Mostra Visual de Poesia Brasileira, que criei em 1983, e executei até 1993, quando comecei a mapear a criação poética brasileira contemporânea, e dessa forma ir travando contato com poetas de todos os cantos do pais, foi o que me deu condições de pensar o FestCampos de Poesia Falada, da forma que pensei, quando em 1999 fui convidado pelo professor Luciano D´Angelo para integrar a equipe de Lenilson que iria assumir a presidência da FJCOL.

Em 1999 e 2000 o FestCampos de Poesia Falada, foi realizado no Auditório do Cefet. E em sua primeira edição o vencedor foi o poeta e jornalista Fernando Leite. Em sua segunda edição em 2000 o grande vencedor foi o poeta paraibano Sérgio de Castro Pinto, com o poema Camões/Lampião, que posteriormente foi publicado na Antologia dos 100 Melhores Poemas do Século, organizada pelo jornalista José Nêumane Pinto. Um outro poeta ilustre premiado na primeira edição do FestCampos de Poesia Falada foi Gilberto Mendonça Teles.
A partir de 2001 o Festival passou a ser realizado no Palácio da Cultura, e nesse ano foi vencido pelo jornalista e poeta Martinho Santafé, com o poema Manual Para Assassinar Frangos, um longo e belíssimo relato sobre as enchentes do rio Paraíba. Nesta fase o FestCampos de Poesia Falada já era considerado um dos maiores eventos de Poesia Falada do país, pois nunca deixara de receber mais de 500 inscrições, com a participação de grandes vozes da poesia brasileira contemporânea, o que serviu para ir alicerçando ainda mais as suas edições.
Em 2002 realizado junto a programação da Bienal do Livro o FestCampos de Poesia Falada, foi vencido pela filósofa e poeta Viviane Mosé, com o poema Receita Para Lavar Palavra Suja. A filósofa Viviane Mosé que até então não era um nome ainda muito conhecido na poesia, veio se popularizar posteriormente quando passou a dirigir o quadro Ser Ou Não Ser? No Fantástico.
Em 2003 foi a edição mais concorrida do FestCampos de Poesia Falada, não só em termos de inscrições como em termos da presença da quase totalidade os poetas classificados, de vários Estados do Brasil. O Vencedor deste ano foi Antônio Roberto Góis Cavalcanti(Kapi), com o poema Canção Amiga, que possibilitou ainda o prêmio de Melhor Intérprete a Felipe Manhães. Vale lembrar ainda a presença de Eliakin Rufino (autor), e Gean Queiroz, (intérprete) dois grandes poetas de Roraima, que foram também premiados com o poema Cavalo Selvagem.

Em 2004, último ano que coordenei o FestCampos de Poesia Falada, ele foi vencido pelo poeta paulista Luciano Carvalho, com o poema Bebe Toró. Em todas as edições do Festival, foi sempre maciça o número de inscrições de poetas de Campos e da região, e se nas fases de apresentação a presença desses poetas não se dava dessa forma, era exatamente devido a grande concorrência que ele atraia e a gualidade dos concorrentes. Mas vale ressaltar, que bons poetas como Antônio Roberto Góis Cavalcanti, Aluysio Abreu Barbosa, Adriano Moura, e gratas revelações como Manuela Cordeiro e Fernanda Hughenin, tiveram várias vezes suas poesias não só cla ssificadas para a Fase Final, bem como muitas vezes também premiadas, não justificando a tentativa muitas vezes depois que saí da sua coordenação, de torná-lo apenas regionalista para prestigiar os poetas de Campos. Veja bem, se nas 6 edições que coordenei, 3 poetas de outras cidades foram os vencedores, Sérgio de Castro Pinto(João Pessoa), Viviane Mosé(Vitória), Luciano Carvalho(São Paulo), e 3 poetas de Campos também venceram, Fernando Leite, Antônio Roberto Góis Cavalcanti(Kapi) e Martinho Santafé, sem falar naqueles que foram premiados com outras colocações.

Vale lembrar também alguns nomes que passaram pelas Comissões Julgadoras das 6 Edições que coordenei, entre 1999 e 2004, como Arlete Sendra, Orávio de Campos Soares, Cristiane Grando, Leonardo Lobos(poeta chileno), Pedro Lira, Sady Bianchi(professor de Teatro na Faculdade Hélio Alonso), Deneval Siqueira, Amélia Alves, Ednalda Almeida e tantos outros nome com as mesmas condições de julgamento desses acima citados.

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