terça-feira, 30 de junho de 2009







Virada Cultural Solidária

Dia 12 julho domingo das 15:00h
Dia 13 julho 20:00h
Dia Internacional do RockLocal
Local : Shooping Estrada
Ao Avyador do Rock Luizz Ribeiro
http://www.youtube.com/watch?v=SG1cG5HvyTM&feature=channel_page

Blog IN Rock, Blues, MPB, Reggae,
Teatro, Poesia & Baratos Afins

participações: Lolô, Cris Dalana, França, Álvaro Manhães, Ângelo Nani, Bia Reis, Nelsinho Meméia(Blues Band Vidro), Reubes Pess Band, Evolução das Espécie, Adriana Medeiros, Grupo de teatro Nós na Rua(São João da Barra, Lene Moraes, Renato Arpoador, Leo Navarro, Dalton Freire, Artur Gomes, Fernando Guru, Harlem Pinheiro, Matheus Nicolau, Betinho Assad, Tribalion, Wellington Cordeiro e Adriano Lopes.

Na produção: Romualdo Braga, Wellington Cordeiro, Gustavo Rangel, Nick Ferreira, Leo Navarro, Nelsinho Meméia, Alexandro Florentino, Harlem Pinheiro e Artur Gomes

O CAMPO DE BATALHA É VOCÊ

Muitas pessoas vivenciam a Arte como se fossem uma espécie de cientista crazy que dispensasse as cobaias e inoculasse tudo nelas próprias. Digo isto porque há uns dias estava trabalhando em uma nova música com uns amigos e compreendi q não pode haver exagero no rock ‘n’ roll ou coisa q o valha; excesso é confissão da perda do poder da mensagem, fica só a forma, mas a conceito é também sem dúvida baixar o bambu! Fazer o que então? Procurar o lirismo ácido, o ceticismo crédulo, as contradições unitárias, como uma convocação ao incêndio das idéias, partindo para cima do princípio da indignação que anda quase totalmente perdido por aí. E eu achando que só era a representação de bons ou maus momentos, ou qualquer expectativa e a constatação de que padecemos por nossa própria responsabilidade.

SÓ PRA (A)VARIAR: A GRANA OU A UTOPIA

Nem todas as pessoas se rendem à correnteza comercial da música, ou da arte em geral, e sei que isso é benéfico pela manutenção da diversidade. Se a unanimidade é burra, deve haver vida inteligente no alternativo. Respiro no ambiente musical da planície goytacá pelo menos há duas décadas, em meio ao embate “daqueles que vendem e trazem o público" e o seu contrário, traduzida por cantores e bandas cuja preocupação maior é instigar a sensibilidade do ouvinte, muitas vezes dopado pelo ideário oriundo da mídia gorda e por essa lógica, temos que arremedar ou sucumbir. O critério mercadológico para se escolher o que se deve tocar ou não é primo-irmão da censura mais ascórbica, pois sutilmente quem dança é a liberdade de expressão e a inventividade. Mas nem tudo está perdido, baby: pergunte aos poetas blogueiros, bandas que gravam em estúdios caseiros usando o democrático poder da moderna tecnologia, mantendo assim um canal direto de duas vias com seu público. Como Raulzito já dizia, "tem que acontecer alguma coisa neném, parado é que não dá pra ficar...”.

Luizz Ribeiro
http://paralapahtones.blogspot.com/

...rubro desmazelo entre-quebrando a asa da palavra...

é tinto o astro que cansa de vagar
sobre o penhasco enroscado do verso
carrasco da palavra torta que corta a folha
da melhor estória
cabaça rebentada no talo do momento
as loucuras traquinando entre os gemidos
até a mordida mais rouca das estrelas no céu da boca
despencando todo certeza esfarelada
ofuscamentos enforcamentos
que não alcançam os pedidos ebulidos
pretéritos bulidos de delírios
de lírios que foram colhidos com os mesmos dedos
suaves, contando os apagamentos do sol engolido
que vai rasgando a garganta das frágeis memórias
estremecendo os vazios assombrados
pela chuva que não se vai
todo o firmamento se curva aos silêncios brilhantes do tempo
que mora na insensatez dolorida
como um delicado sangramento
grudam-se as peles eriçadas
e todos os eles são longas lambidas
laterais medidas de encaixe
que vão gastando as salivas e os peitos
doces recortes quase mosaico decote de eus
tão nus, entornando os desejos
nos meneios, nos seios do instante que se enrugam
esvaziando os sentidos róseos de todos os nós
dentro da sala de espelhos

Beatriz Bajo
http://lindagraal.blogspot.com/

EntriDentes 3
olhei a cara do tempo
ela estava fechada
não falava nada
pensei as sagaranagens
que o tempo fazia comigo
peguei do tempo o umbigo
rasguei na ponta da faca
a tua cara de vaca
sangrei
sem nenhum remorso
porque isso o tempo não tem
agora o tempo sorri
me mostra os dentes da boca
e a tua cara de louca
é a minha cara também
Artur Gomes


PONTAL.FOTO.GRAFIA

Aqui,
redes em pânico
pescam esqueletos no mar
esquadras - descobrimento
espinhas de peixe convento
cabrálias esperas
relento
escamas secas no prato
e
um cheiro podre no
AR

caranguejos explodem mangues em pólvora
ovo de colombo quebrado
areia branca inferno livre
rimbaud - áfrica virgem
carne na cruz dos escombros
trapos balançam varais
telhados bóiam nas ondas
tijolos afundando náufragos
último suspiro da bomba
na boca incerta da barra
esgoto fétido do mundo
grafando lentes na marra
imagens daqui saqueadas
jerusalém pagã visitada
atafona.pontal.grussaí
as crianças são testemunhas:
jesus cristo não passou por aqui

miles davis fisgou na agulha
oscar no foco de palha
cobra de vidro sangue na fagulha
carne de peixe maracangalha
que mar eu bebo na telha
que a minha língua não tralha?
penúltima dose de pólvora
palmeira subindo a maralha
punhal trincheira na trilha
cortando o pano a navalha
fatal daqui pernambuco
atafona.pontal.grussaí
as crianças são testemunhas:

mallarmé passou por aqui.
bebo teu fato em fogo
punhal na ova do bar
palhoças ao sol fevereiro
aluga-se teu brejo no mar
o preço nem Deus nem sabre
sementes de bagre no porto
a porca no sujo quintal
plástico de lixo nos mangues
que mar eu bebo afinal?

artur gomes










sexta-feira, 26 de junho de 2009





Dia 12 julho domingo das 15:00h
Até a madrugada do dia 13 de julho
Dia 13 julho horário a definir
Dia Internacional do Rock
Local: Shooping Estrada
Uma homenagem Ao Avyador do Rock Luizz Ribeiro
Luz Sombras Rock And Roll e Poesia
vídeo com múscia de luizz ribeiro e poeia de artur gomes
filmado no Sesc Campos, 2007 - com trilha sonora extraída do CD fulinaíma sax blues poesia
Blog IN Rock, Blues, MPB, Reggae,
Teatro, Poesia & Baratos Afins
já confirmada as participações de:
Lolô, Cris Dalana, França, Álvaro Manhães, Ângelo Nani, Bia Reis, Harlem Pinheiro, Nelsinho Meméia(Blues Band Vidro), Reubes Pess Band, Evolução das Espécie, Adriana Medeiros, Grupo de teatro Nós na Rua(São João da Barra, Lene Moraes, Renato Arpoador, Leo Navarro, Dalton Freire, Artur Gomes e Fernando Guru.
Na produção: Romualdo Braga, Wellington Cordeiro, Harlem Pinheiro, Gustavo Rangel, Nick Ferreira, Leo Navarro, Nelsinho Meméia, Alexandro Florentino e Artur Gomes

Fulinaimagem

o que trago embaixo as solas dos sapatos
é fato
bagana acesa sobra do cigarro
é sarro
dentro do carro ainda ouço Jimmi Hendrix
quando quero
dancei bolero
sampleAndo rock and roll
pra colher lírios há que se por o pé na lama
a seda pura é foto síntese do papel
tem flor de lótus nos bordéis Copacabana
procuro um mix da guitarra de Santanna
com os espinhos da Rosa de Noel
Artur Gomes
CarNAvalha Gumes
Marca Registrada
não tem problemas
te encontrar na cama
do teu governante
eu sempre soube tua fome
era de poder
e esse teu amante babay
esse teu amante
sempre foi um grande ditador
não entro nessa de pensar que a vida
é marca registrada
numa dissonante o meu rock and roll
pode ser que eu ganhe um chifre em minha cara
mas o prazer que eu tenho
é estar debaixo do teu cobertor
arturgomes/luizz ribeiro
gravada no vinil Muito Prazer - 1992
e no CD fulinaíma sax blues poesia - 2002
A Cor da Pele
áfrica soul raíz & raça
orgia pagá na pele do poema
couro em chagas que me sangra
alma satã na carne de ipanema
o negro na pele é só pirraça
de branco na cara do sistema
no fundo é amor que doud e graça
dou mais do que moça no cinema
arturgomes/luizz ribeiro
gravada no CD fulinaíma sax blues poesia - 2002
Boca do Inferno
por mais que te amar seja uma zorra
eu te confesso amor pagão
não tem de ter perdão pra nós
eu quero mais é teu pudor de dama
despetalando em meus lençóis
e se tiver que me matar que seja
e se eu tiver que te matar que morra
em cada beijo que te der amando
só vale o gozo quando for eterno
infernizando os céus
e santificando a boca do inferno
arturgomes/luizz ribeiro
gravada no CD fulinaíma sax blues poesia - 2002
IndGesta
uma caneta pelo amor de deus
uma máquina de escrever
uma câmera por favor
um computador
nem que seja pós-moderno
vamos fazer um filme
vamos criar um filho
deixa eu amar a lidia
que a mediocridade desta idade mídia
não coca cola mais nem aqui nem no inferno
arturgomes/luizz ribeiro
registrada neste vídeo gravado no lion groove studi0






quarta-feira, 24 de junho de 2009






Devido a problemas técnicos, o programa TROPOFONIA da segunda feira foi o especial de Alejandra Pizarnik. O especial de Wiltod Gombrowicz será veiculado na quarta-feira, dia 24 de junho de 2009, às 23h (sua reprise continua marcada para a próxima segunda-feira, dia 29 de junho de 2009 às 04h).
NÃO PERCA!
LAIASEBASTIANWILMAR
Tropofonia BH

Quarta-feira, 24 de junho às 23 horas pela UFMG Educativa 104,5 e http://www.ufmg.br/online/radio/arquivos/002140.shtml
Wiltod Gombrowicz + Entrevista com Artur Gomes

INTERNAÇÃO

(Ferreira Gullar, pai de dois filhos esquizofrênicos)

Ele entrava em surto
E o pai o levava de
carro para
a clínica
ali no Humaitá numa
tarde atravessada
de brisas e falou
(depois de meses
trancado no
fundo escuro de
sua alma)
pai,
o vento no rosto
é sonho, sabia?

Infelizmente, não temos o “sonho”, mas temos uma profunda noção de responsabilidade e um inquestionável respeito pelas dores do próximo, em especial aquele em momentâneo desequilíbrio psíquico, a quem tem-se oferecido não apenas o medicamento prescrito, mas o resgate da sua dignidade, enquanto criatura feita à imagem e semelhança do Pai e, por isso mesmo, predestinadamente fadada à luz e ao progresso. Talvez, muitos deles, sejam almas que caminham à nossa frente, buscando, na dificuldade transitória, o resgate de suas falhas do passado para, então, empreenderem o grande vôo que lhes garantirá a colheita da vida e a alegria do reencontro.

Não tem sido fácil, mas, num esforço cotidiano para driblar nossas ainda insistentes imperfeições e limitações, temos buscado, no aprendizado do amor incondicional, a nossa melhor arma contra o desânimo, o pessimismo e a desesperança. Tem sido a noção do dever e do compromisso inadiável com as leis divinas, inscritas na consciência de cada um dos Seus Filhos, a nossa fonte permanente de renovação, de compromisso com a verdade e com a perfeita e transparente aplicação das verbas que nos são enviadas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e pela Prefeitura Municipal de Campos dos Goytacazes.

Tem sido desta forma, intransigente e rigorosa, a conduta da Liga Espírita de Campos, nos seus quase 79 anos, no cumprimento de uma das suas cinco missões, que é “manter em funcionamento o Hospital Abrigo Dr. João Viana para tratamento de doentes psiquiátricos”.
Assim, para que não pairem dúvidas ou outro qualquer tipo de justificativa/desculpa para não nos pagar o Convênio, relativo aos meses de abril e maio, pedimos que esclareça toda a comunidade campista através do seu respeitável blog, sobre o abaixo relatado:

Recebida verba no valor de R$ 300.000,00 referente a três meses (janeiro, fevereiro e março) na data de 28/04;
Prestação de contas entregue em 29/05;
Solicitação de pendências recebida em 22/05 e entregue em 05/06;
Solicitação de pendências recebida em 16/06 e entregue em 23/06;

Nota: estas pendências referem-se ao recebimento do convênio do mês de dezembro/2008;
Recebido em 07/04 o valor de R$ 100.000.00;
Prestação de contas em 15/05/09.
Permita-me lembrá-los que o Convênio foi assinado para vigência até junho e que todos os membros da Diretoria da Liga Espírita de Campos não são remunerados, nem recebem qualquer tipo de benefício ou vantagem, mantenho a minha indignação e estranheza pela forma como temos sido tratados pelos responsáveis pela Saúde em nosso Município, fazendo-me as seguintes indagações:

Até quando a burocracia vai se sobrepor ao tratamento do doente?
O doente pode esperar, as contas não?(se fosse o caso de estarmos atrasados no cumprimento das exigências);
Por que não pagar em dia como amplamente anunciado, deixando para promover a redução dos repasses caso as exigências não fossem cumpridas, nas parcelas posteriores?
O que faz os Gestores do Município pensarem que estão isentos de necessitarem, um dia, direta ou indiretamente, desse tipo ou de outro serviço prestado pela rede municipal de hospitais, ou seja, de estarem no meio do furacão , vítimas do descaso e do caos que eles mesmos ajudaram a implantar, pois desconstruíram e não estão sabendo reconstruir...

Tenho vergonha de olhar no olho dos internos, dos corpos médico e técnico, dos inúmeros funcionários, muitos deles pais e mães de família, pois eles já adivinham o que vou falar! E, aí, opto por pensar, pois talvez eles não consigam “adivinhar meu pensamento”!... Tristemente, penso em Bertold Brecht, quando diz:

“Na primeira noite, eles se aproximam
e roubam uma flor do nosso jardim:
não dizemos nada. Na segunda,
já não se escondem. Pisam as flores,
matam o nosso cão e não dizemos nada.
Até que um dia o mais frágil deles
entra sozinho em nossa casa, rouba-nos a luz e,
conhecendo o nosso medo,
arranca-nos a voz da garganta.
E já não podemos dizer nada.”

Que me desculpem, mas hoje ventou sul no meu rosto!
Atenciosamente,
Maria Cristina Torres Lima,
pela Diretoria da LIGA ESPÍRITA DE CAMPOS, em 23 de junho de 2009.

terça-feira, 23 de junho de 2009










Riverdies Hoje No Teatro Odisséia
Dia 23 junho 20:00h
Rua Mem de Sá – Lapa – Rio de Janeiro

Alex Melch – vocal
Fil Buc – guitarra
Leo Graterol – guitarra
Gui Farizelli – baixo
Vítor - batera

Riverdies – Still Remans
http://www.youtube.com/watch?v=3k0FRyoPoKo&feature=channel_page

PátriA(r)mada

só me queira assim caçado
mestiço vadio latino
leão feroz cão danado
perturbando o teu destino

só me queira enfeitiçado
veloz macio felino
em pêlo nu depravado
em tua cama sol a pino

só me queira encapetado
profanando àqueles hinos
malandro moleque safado
depravando os teus meninos

só me queira desalmado
cão algoz e assassino
duplamente descarado
quando escrevo e não assino

Artur Gomes
http://carnavalhagumes.blogspot.com/
Mamãe é Brega Mas é Xique
http://mamabrega.blogspot.com/




segunda-feira, 22 de junho de 2009










Um Goytacá em Curitiba

atravesso
esta cidade
transversais e paralelas
bicho travesso
sigo em frente
quero uma cerveja
em qualquer bar
daqui a pouco
no butiquim um Bife Sujo
pode ser Boca Maldita
na rua 24 horas
cumer um quibe
um grão de bico
eu sei que fico zôo
eu sei que fico zen
eu sei que nada fico
mesmo ao lado tudo down
não me desespero
só fico quando quero

Escrito a Sangue
Ademir Assunção/Madan

ruas escuras
atravessado
eu atravesso
reviro o avesso
nele me meço
olho de lince
encaro a face da fera
espelhos se estilhaçam
rasgam minha cara
cai a neblina no vazio
frio na barriga
pago o preço
erva bola cogumelo
volto ao começo
escapo com vida
desconverso
verso escrito a sangue
desapareço
quanto mais
menos
me pareço
eco de bicho homem
ego sem endereço
gravada no CD Rebelião na Zona Fantasma

poética

tudo quântico fosse mar
kalu seria iemanjá
oxumaré
oxum dedé

água de beber
alimento de comer
coisa santa
orixá.
coisa rara amaralina
essa coisa uma menina
essa menina fosse quântica
kalu seria carolina
me olhando da janela
eu aqui pensando nela
e ela ali em alto mar.

eu sou drummundo
deus e o diabo
na mesma intensidade
não sou desta cidade
não sou deste lugar
mas sou de onde estiver
de onde tem que estar

Baby é Cadelinha

devemos não ter pressa
a lâmina acesa sob o esterco de vênus
onde me perco mais me encontro menos
de tudo o que não sei
só fere mais quem menos sabe
sabre de mim baioneta estética
cortando os versos do teu descalabro
visto uma vaca triste como a tua cara
estrela cão gatilho morro:
a poesia é o salto de uma vara

disse-me uma vez só quem não me disse
ferve o olho do tigre enquanto plasma
letal a veia no líquido do além
cavalo máquina meu coração quando engatilho

devemos não ter pressa
a lâmina acesa sob os demônios de eros
onde minto mais porque não verus
fisto uma festa a mais que tua vera
cadela pão meu filho forro:
a poesia é o auto de uma fera

devemos não ter pressa
a lâmina acesa sob os panos
quem incesta?
perfume o odor final do melodrama
sobras de mim papel e resma
impressão letal dos meus dedos imprensados
misto uma merda a mais que tua garra
panela estrada grão socorro:
a poesia é os fausto de uma farra

pátriAmada

nos meus lírios e delírios
o leite dos teus seios
a seiva dos teus cios
os pêlos do teus cílios
estão agora em minhas mãos
estão agora em minha boca
sugo toco sugo
a tua língua entre os meus dentes
grita xinga desacata os dependentes
se desata das amarras
dos grilhões e das correntes
manda a covardia a puta que o pariu
e depois de um primeiro de abril
sonha uma mulher feliz
no território livre do seu ventre.

Curitiba Blues
p/ Hélio Leites, Kátia Horn, Marcelo Miguel,
Carlos Careqa e Engels Espírito

do alto da XV
este poema tem o cheiro
das polacas
porque toda palavra
é efêmera
e aprendi com leminski
que esta cidade é fria
mas quem sabe
não se aqueça
com o fogo dos meus dias
aqui tem mulher que me ama
e acendo com esta chama
as fogueiras da alegria

PoemAvesso

Aqui
nesta casa de madeira
velha
por onde 20 dias
me serviu de teto
agora me transformo
em arquiteto
porque toda palavra é feto
que precisa ser parida
porque senão aborta
e como nunca quis
palavra morta
e não sou médico carniceiro
deixo nascer a palavra
na carne viva e em brasa
como pode escrever
um brasileiro

manhatan city e/ou mediocridade mídia

esta cidade cheira a bosta nas calçadas nas marquises e as meninas são felizes nas capas de revistas as meninas dos jardins são expressões su-realistas as meninas dos jardins gostam de funk as meninas dos jardins rastam de rap as me ninas dos jardins só ferem punk as meninas dos jardins já mascam coca as meninas dos jardins só fumam clac as meninas dos jardins não são do rock as meninas dos jardins só festam ploc como sabem ou como queiram mas as meninas dos jardins não fedem nem cheiram

SubVersiva

patrícia
um dia meu país
noutro dia minha amada
mesmo não sendo pátria
akifala minha língua
como antiga namorada
e amante do kifalo
nas consoantes do teu nome
nas vogais do sobrenome
atiçam amores cívicos
em rebeldes madrugadas
e quando o sol for primaVera
pai e mãe do nascimento
sendo amantes invadiremos
o Palácio da Alvorada

mamãe coragem

numa canção do lenine o peixe está na rede o mar está com sede o rio agora chora onde esta cidade pedra veracidade medra eu te esfinjo drama onde a ferocidade fedra eu te desejo deda eu te devoro dama pensando a trama do torquato eu disse mamãe coragem a vida é sagaranagem fulinaíma é viagem te levo em minha bagagem não chora mamãe não chora

Travessia

de almada
vou atravessar o tejo
barco a vela
portugal afora
em lisboa
vou compor
um fado
e cantar no porto
feito
um blues rasgado
de amor
pela senhora
que me espera
em paz
e todo vinho
que eu beber
agora
será como beijo
que eu guardei
inteiro
como um marinheiro
que retorna ao cais

Foto.Grafia Urbana

entre a lâmina e o perfume
as garras do tigre nos teus dentes entre a língua do lagarto
e o olho das serpentes
entre o amor e o ciúme
à flor da pele
no tecido que seduz
ou na foto que revele

Retalhos Imortais do SerAfim
atiro contra o tédio infame
pedaços do meu corpo em prumo
poemas refazendo em transe
retalhos de um tecido em partes
seguindo por segundo a trilha
na etérea construção da arte

sem greve de fome

persigo a caça
como quem brinca
com a palavra perigo
sem temer o risco
de expor a alma a venda
pro diabo ou pro bandido
no roll dos mocinhos de cinema
meu nome a muito tempo
foi banido
froydiana

silvinha. azul são os teus olhos
a cor dos pêlos não conheço
teus seios ainda não troquei

dracena é uma cidade roxa
nave extra/terrana que humanos
não decifraram

pequena vagina virgem
onde os dedos
ainda não entraram

e os cachos de uvas
apodrecem nos teus dentes
com um cheiro de lei ardente
esguinchando na distância
esta mulher por toda noite
me inflama
toma do meu corpo e me devora
tem os frutos do pomar
entre os teus cios
e as algas do mar
quando as amoras
brotam como seixos
nos teus rios
quero dizer apenas
que não vale a pena
só te ver de longe
na fotografia
e pensar teu nome
para poesia
quero tocar teus poros
conhecer a pele
radiografar teus pêlos
ser teu dia a dia
fosse o que eu quisesse
apenas um beijo
roubado em tua boca
dentro do poema
nada cabe
Jura Não secreta
p/ paulo leminski

quando a ciranda de roda
atravessou minha rua
com teus fogos de artifícios
pelos céus da tua boca

foi então que eu quis a lua
e disse então sem sabê-la
antes que ela me visse

e neste dia eu vi Alice
quando então ela me disse:
- foi neste chão que eu fiz Estrela
nem o que sei
nem o que não se sabe
e o que não soubesse
do que foi escrito
está cravado em nós
como cicatriz
do corte
entre uma palavra e outra
do que não dissesse
bolero blue

beber desse conhac
em tua boca
para matar a febre
nas entranhas entre dentes
indecente
é a forma que te como
bebo ou calo
e se não falo quando quero
na balada ou no bolero
não é por falta de desejo
é que a fome desse beijo
furta qualquer outra
palavra presa
como caça indefesa
dentro da carne
que não sai

domingo, 21 de junho de 2009





recebemos estes 3 belíssimos textos enviados pala amiga Cristina Lima, ótimos para aquecer este domingo cinza de frio.


NÃO QUERO
Mário Quintana
Não quero alguém que morra de amor por mim...
Só preciso de alguém que viva por mim, que queira estar junto de mim, me abraçando.
Não exijo que esse alguém me ame como eu o amo, quero apenas que me ame, não me importando com que intensidade.
Não tenho a pretensão de que todas as pessoas que gosto, gostem de mim... Nem que eu faça a falta que elas me fazem, o importante pra mim é saber que eu, em algum momento, fui insubstituível... E que esse momento será inesquecível...Só quero que meu sentimento seja valorizado.
Quero sempre poder ter um sorriso estampando em meu rosto, mesmo quando a situação não for muito alegre... E que esse meu sorriso consiga transmitir paz para os que estiverem ao meu redor.
Quero poder fechar meus olhosE imaginar alguém... E poder ter a absoluta certeza de que esse alguém também pensa em mim quando fecha os olhos, que faço falta quando não estou por perto.Queria ter a certeza de que apesar de minhas renúncias e loucuras, alguém me valoriza pelo que sou, não pelo que tenho...
Que me veja como um ser humano completo, que abusa demais dos bons sentimentos que a vida lhe proporciona, que dê valor ao que realmente importa, que é meu sentimento... E não brinque com ele. E que esse alguém me peça para que eu nunca mude, para que eu nunca cresça, para que eu seja sempre eu mesmo.Não quero brigar com o mundo, mas se um dia isso acontecer, quero ter forças suficientes para mostrar a ele que o amor existe...
Que ele é superior ao ódio e ao rancor, e que não existe vitória sem humildade e paz.Quero poder acreditar que mesmo se hoje eu fracassar, amanhã será outro dia, e se eu não desistir dos meus sonhos e propósitos, talvez obterei êxito e serei plenamente feliz.

Que eu nunca deixe minha esperança ser abalada por palavras pessimistas... Que a esperança nunca me pareça um "não" que a gente teima em maquiá-lo de verde e entendê-lo como "sim".Quero poder ter a liberdade de dizer o que sinto a uma pessoa, de poder dizer a alguém o quanto ele é especial e importante pra mim, sem ter de me preocupar com terceiros... Sem correr o risco de ferir uma ou mais pessoas com esse sentimento.
Quero, um dia, poder dizer às pessoas que nada foi em vão... Que o amor existe, que vale a pena se doar às amizades a às pessoas, que a vida é bela sim, e que eu sempre dei o melhor de mim...e que valeu a pena!!!

AVESSO

Atravessaria um rio grosso
no meio da noite
para decifrar tuas pegadas,
o rastro luminoso dos teus olhos.
Atravessaria a superfície
silenciosa dos espelhos
para ver o teu avesso.
Caminharia sobre água
e fogo
para soletrar teu corpo.
QUE PRESENTE TE DAR
Affonso Romano de Sant'Anna

Que presente te darei, eu que tanto quero e pouco dou, porque mesquinho, egoísta e distraído não te cumulo daquilo que deveria cumular?

Deveria desatar inúmeros presentes ao pé da árvore, entreabrindo jóias, tecidos, requintados e pessoais objetos, ou deveria dar-te o que não posso buscar lá fora, mas o que em mim está fechado e mal sei desembrulhar?
Gostaria de dar-te coisas naturais, feitas com a mão, como fazem os camponeses, os artesãos, como faz a mulher que ama e prepara o Natal com seus dedos e receitas, adornos e atenção.

Te dar, talvez, um pedaço de praia primitiva como aquelas do Nordeste, ou de antigamente - Búzios e Cabo Frio; um pedaço de mar das Ilhas do Caribe, onde a água e o amor são transparentes e onde a areia é fina e brilhante e, sozinhos, habitam a eternidade, os amantes.

Te dar aquele verso de canção um dia ouvida não sei mais aonde, se numa tarde de chuva, se entre os lençóis cansados; um verso; ou talvez o puro som de um saxofone ao fim do dia, som que tem qualquer coisa de promessa e melancolia.

Fugir uma tarde contigo para os motéis, quando todos os homens se perdem nos papéis e escritórios, números e tensões: fugir contigo para uma tarde assim, um espaço de amor entreaberto na peça que nos prega a burocracia dos gestos.

Gravar numa fita as canções que me fazem lembrar de ti e ouvi-las, ou tocar de algum modo, em algum cassete as frases que disseste, que em mim gravaste: frases líricas, precisas, que quando estou cinza, relembro e me iluminam.

Te enviar todos os cartões que colecionas, de todos os lugares que conheço ou que tu nem imaginas, ir a essas paisagens e ilhas e habitá-las com os selos e palavras de intermitente paixão.

Dar-te aquela casa de campo entre montanhas, aquele amor entre a neblina, aquele espaço fora do mundo, fora de outros espaços, sem telefone, sem estranhas ligações, para ali nos ligarmos um no outro em una e dupla solidão.

Se queres jóias, te darei. Aqueles corais que vendem na Ponte Vecchia, em Florença; o âmbar ou as pérolas que expõem nas lojas do Havaí; aquelas pedras de vidro para iridescentes colares, que vendem em Atenas, ao pé da Plaka, ao pé da Acrópole, que amorosa nos contempla.

Te dar numa viagem os castelos do Loire, e sair comendo e rindo juntos no roteiro gastronômico franco-italiano; ali comendo e aqueles vinhos bebendo, de tudo nos esquecendo, sobretudo dos remorsos tropicais de quem tem sempre ao lado um faminto desamparado de culpa nos ferindo.

Te darei flores. Sempre planejei fazer isto. Tão simples: de manhã acordar displicente e começar a colher flores sob a cama. Ir tirando buquês de rosas, margaridas, vasos de íris, orquídeas que estão desabrochando e, uma a uma, de flores ir te cumulando. E amanhecendo dirás: o amado hoje está doce, seu amor aflorou e está me perfumando.

Escrever bilhetes pela casa inteira, metê-los entre as roupas armários, prateleiras, pra que na minha ausência comeces a desdobrar recados daquele que nunca se ausentou, embora esse ar de quem vive partindo, mas, se alguma vez partiu foi para reunido regressar.
Te dar um gesto simples. Passar a mão de repente sobre tua mão, como se apalpa a vida ou fruto que pede para ser colhido.
Te dar um olhar, não aquele olhar distraído, alienado de quem está nas coisas prosaicas perdido, mas um olhar de quem chegou inteiro e que se entrega enternecido e desamparado dizendo: olha, sou teu, agora veja lá o que vai fazer comigo!

O SORRISO
Creio que foi o sorriso,
0 sorriso foi quem abriu a porta.
Era um sorriso com muita luz
lá dentro, apetecia entrar nele,
tirar a roupa, ficar nu dentro daquele sorriso.
Correr, navegar, morrer naquele sorriso.

quinta-feira, 18 de junho de 2009




Hoje, 19 de junho, sexta, 22h30, você tem um encontro marcado no Cemitério. E vai ser um encontro daqueles!Muita música e poesia com os show dos "Benditos Energúmenos" e "Radicais Livres" e ainda um discotecagem de primeira do Matheus Pacheco (pra gente dançar muito). Como se não bastasse hoje é Ponto de Encontro do FILO no Cemitério que fica à Rua João Pessoa, 103 (entre a Quintino e J.K). R$10,00. Esperamos você!
Um pouco sobre os trabalhos da noite: BENDITOS ENERGÚMENOS No início de 2002 éramos os Malditos Energúmenos. Alguns shows depois, adotamos o nome de Benditos Energúmenos. Lembramos sempre que Benditos são os poetas e nós somos amigos com vontade de levar uma poesia de qualidade ao público. Pra quem não conhece, o trabalho é simples: muita poesia com muita música. A música fica por conta do competente Júlio e Vitor Delallo (guitarra e violancelo)as poesias ganham voz de Christine Vianna. O resultado é um trabalho de responsa que a banda tem o maior orgulho de apresentar. Resumindo, o show é um diálogo entre a linguagem poética e a linguagem musical, resgatando as origens da poesia e projetando os textos para um contexto contemporâneo e urbano. O repertório é composto principalmente por poesia londrinense. O nome de alguns Benditos: Augusto Silva, Bernardo Pellegrini, Célia Musili, Karen Debértolis, Marcelo Montenegro, Márcio Américo, Maurício Arruda Mendonça, Marcos Losnak, Mário Bortolotto, Rogério Ivano, Rodrigo Garcia Lopes, Torquato Neto, Leminski. Os Benditos Energúmenos já se apresentaram em Curitiba (Perhapiness), Rio de Janeiro, em vários Sescs de São Paulo e outras paragens londrinenses. Já a banda RADICAIS LIVRES existe desde 2006, tendo se apresentado em diversos festivais e mostras literárias da cidade. É formada por Herman Schmitz, no vocal; Júlio Delallo na guitarra; Renato Alves no baixo e André Bartalo na bateria. Contou com a participação do artista plástico Fernando Martinez que influenciou esteticamente o trabalho. "Quando você vê a Cor Do Dinheiro" é o nome do show baseado em poema do escritor Herman Schmitz. O autor trabalha a linguagem poética com música e propõe transes oraculares em cena, com temas atuais. A idéia é fazer com que a música intervenha na palavra falada e escrita, em mini-contos, que são mini-fábulas urbanas do cotidiano.
a virtude
Torquato Neto
a) A virtude
é a mãe do vício
conforme se sabe;
acabe logo comigo
ou se acabe.

b) A virtude
e o próprio vício - conforme
se sabe - estão no fim,
no início da chave.
c) Chuvas da virtude, o vício,
conforme se sabe;
é nela própriamente que eu me ligo,
nem disco nem filme:
nada, amizade.
Chuvas de virtude: chaves.

d) (amar-te/ a morte/ morrer:
há urubus no telhado
e carne seca é servida:
um escorpião encravado
na sua própria ferida,
não escapa:
só escapo pela porta de saída).

e) A virtude, a mãe do vício
como eu tenho vinte dedos,
ainda, e ainda é cedo:
você olha nos meus olhos
mas não vê nada, se lembra?

f) A virtude mais o vício:
início da minha
transa, início, fácil, termino:
"como dois mais dois são cinco"
como Deus é precipício, durma,
e nem com Deus no hospício (durma)
nem o hospício é refúgio. Fuja.

(em "Os Últimos Dias de Paupéria" Org. Wally Salomão
e Ana Maria S. de Araújo Duarte Ed. Max Limonad, 1982)

* site de Torquato Neto.

terça-feira, 16 de junho de 2009



Dear friends,

venho por meio deste avisar-lhes que as gravações do disco terminaram e já estamos disponibilizando algumas músicas no www.myspace.com/riverdies dentro de alguns dias estará no nosso site http://www.riverdies.com/ também.Além disso, dia 23 de junho, na próxima terça feira, estaremos fazendo uma apresentação no Teatro Odisséia - Lapa, o evento começa às 20h, tocaremos às 22h.Trata-se inclusive de uma noite comemorativa à conclusão do meu curso de Produção Fonográfica, eu e minha turma que estamos organizando tudo.O evento é beneficente e estamos pedindo apenas uma lata de leite em pó como ingresso.Então é o seguinte, show no Odisséia praticamente de graça, pra curtir o Riverdies em sua melhor fase e ainda comemorarem com seu amigo aqui a minha formatura. Espero cada um de vocês lá!!!

Fil Buc




A Resistência Tapuia na
Capitania do Espírito Santo
Viviane Mosé
A história do Espírito Santo ganhará um nova análise com o lançamento da obra "A Resistência Tapuia na Capitania do Espírito Santo", escrita pela filósofa Viviane Mosé, capixaba que vive no Rio de Janeiro desde 1992. O livro será lançado em dois momentos: em solenidade na sede do Instituto Histórico e Geográfico do Espírito Santo (IHGES), Centro de Vitória, na quarta-feira (17), às 17 horas. E também em palestra aberta ao público no auditório da Rede Gazeta, na Ilha de Monte Belo, em Vitória, na quinta-feira (18), às 19h30.

O livro é resultado de uma monografia do curso de Especialização em Políticas Públicas, feita na Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), em 1991, sob orientação do professor Nelson Lucero, do Departamento de Psicologia. A obra é uma publicação do IHGES, com apoio da Secretaria de Estado de Cultura (Secult), da empresa Saneamento e Montagens (Samom), e Rede Gazeta.
História obscura
Uma questão incomodou Viviane Mosé quando, 25 anos atrás, começou a construir seu destino. Ela diz no livro que o Espírito Santo sempre ocupou uma posição obscura no cenário nacional e se pergunta: o que fez nossa cultura ser marcada por este desconhecimento, por este isolamento? Por que, apesar de estarmos próximos dos grandes centros urbanos e industriais, numa privilegiada posição geográfica litorânea, permanecemos por tanto tempo afastados do grande fluxo econômico que marcou a costa sul e sudeste do Brasil?

Mosé percebe hoje que, ao contrário do que viveu em sua juventude, o Espírito Santo começa a aparecer como uma alternativa para o país. "Nascida da lama como a flor de lótus, nossa cultura de violência e desmandos políticos ressurge como um exemplo de cidadania, gestão pública. Estamos mudando a direção de um barco centenário que insistia em encalhar na lama, mas ainda é cedo. Estamos em plena luta contra forças retrógradas e excludentes, forças desagregadoras, destruidoras que dominaram nosso estado desde os primeiros tempos", diz a filósofa.

Mergulho histórico
Para construir a obra Viviane Mosé optou por um mergulho histórico, tentando apreender o nascimento e os primeiros anos de colonização do solo Espírito-santense. Um ponto parecia se destacar: em 1710 foi proibida a construção de estradas para o interior do Estado, com objetivo de preservar a mata atlântica, e também proteger o ouro de Minas Gerais dos corsários e contrabandistas. Com a medida Dom João V relegou a Capitania do Espírito Santo a um século de esquecimento.

E estudando mais profundamente o fato, a filósofa viu que na época dessa proibição a Capitania possuía território praticamente desocupado, exceto em pontos isolados do litoral. A inexistência de vilas no interior era outro fator que justificava a não construção de estradas, pois não haveria um dispositivo econômico que sustentasse as obras. Ao constatar isso, a filósofa seguiu para outro caminho: tentar compreender a razão da não ocupação do solo. A trilha levou a escritora para uma guerra longa e sangrenta entre colonos e indígenas. Ela estudou as tribos indígenas do Brasil, e viu que o estabelecimento dos Tupi ao longo da Costa Atlântica, aconteceu pouco antes da chegada dos portugueses.

Uma migração de Tupi invadiu o domínio Tapuia ( no século XVIII, tapuia significava qualquer indígena de um grupo que não se integrava nas comunidades portuguesas, nem adotava o modo de vida tupi-guarani. Eles não falavam a mesma língua e continuavam avessos à civilização), expulsando-os para o interior e estabelecendo o domínio unificado pela língua Tupi-Guarani. Tapuias habitavam a maior parte do território capixaba

A tupinização dessas tribos permitiu a unificação do Brasil, na medida em que facilitou o acesso português. Os que não eram Tupi, ao contrário, eram considerados Tapuias, e a respeito deles circulavam os relatos mais assombrosos e imaginários: seriam os Tapuias os mais ferozes, antropófagos e de organização mais primitiva. Acontece que eram os tapuias que habitavam a maior parte do território capixaba. Eram falantes de línguas Macro-Gê: Goitacaz, Aimoré, Botocudo e Puri. Existiam também os Tupiniquim que eram Tupi e que viviam em constante guerra com os Tapuias.

É somente com a vinda dos jesuítas, trazendo o processo de catequese, que se torna possível a continuidade do processo de colonização. Até o início do século XIX, os colonizadores ainda lutavam para ocupar o território da Capitania, resistindo ainda em vilas litorâneas. É somente com a chegada dos imigrantes europeus, no final do século XIX, que nosso solo será efetivamente ocupado.

Na contra-capa do livro de Mosé há um trecho da obra "Raízes de Brasil" (1963), de Sergio Buarque de Holanda, onde ele chega a afirmar que esse hiato tapuia no litoral predominantemente tupi, provocou o desprezo da Coroa Portuguesa que não tinha interesse em investir em território de língua desconhecida. O Espírito Santo, assim como o Sul da Bahia, compunham as terras que configuravam esse hiato. Uma das coisas que mais impressionou a filósofa "foi a dificuldade que o domínio branco teve de se estabelecer aqui. Somente com a chegada dos imigrantes europeus, na segunda metade do século XIX, a população branca suplantou a indígena e a negra.

A colonização do solo Espirito-santense foi lenta e tardia. Estivemos, desde o início, isolados do resto do país, fator que se reflete até hoje na subjetividade capixaba". A escritora completa: "este isolamento quase nunca é discutido, analisado, e, quando é, parte de uma hipótese que nos coloca como passivos desprivilegiados pela coroa portuguesa; falo da interpretação corrente de que estivemos afastados do fluxo econômico e cultural do resto do país para servir de barreira de proteção às Minas Gerais. Mas esta proibição, de construir estradas para o interior, que de fato aconteceu, não pode, por si só, responder pelo vazio a que ficamos relegados. Quando a proibição aconteceu já estávamos isolados, despovoados, sem uma atividade econômica que justificasse a construção de uma estrada. Talvez a Capitania do Espírito Santo seja a representante da maior resistência indígena em solo brasileiro".

Viviane Mosé
Viviane Mosé é psicóloga e psicanalista, especialista em "Elaboração e Implementação de Políticas Públicas" pela Ufes. Mestra e doutora em filosofia pelo Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

É autora do livro "Stela do Patrocínio - Reino dos bichos e dos animais é o meu nome", indicado ao prêmio Jabuti, o mais tradicional e importante prêmio literário do Brasil, na categoria psicologia e educação. Organizou, junto a Chaim Katz e Daniel Kupermam o livro "Beleza, feiúra e psicanálise". Participou da coletânea de artigos filosóficos "Assim falou Nietzsche". Escreveu e apresentou, em 2005 e 2006, o quadro "Ser ou não Ser", no Fantástico, onde trazia temas de filosofia para uma linguagem cotidiana.

Serviço
A Resistência Tapuia na Capitania do Espírito Santo", de Viviane Mosé-
Solenidade de lançamento
Local: sede do Instituto Histórico e Geográfico do Espírito Santo (IHGES),
Endereço: Avenida República, 374 - Edifício Domingos Martins - 1º andar,
Parque Moscoso
Data: quarta-feira (17)
Horário: 17 horas- Palestra com Viviane Mosé
Local: auditório da Rede Gazeta, na Ilha de Monte Belo, em Vitória
Data: quinta-feira (18)
Horário:19h30. Entrada franca
Informações à Imprensa:
Assessoria de Comunicação da Secult
Larissa Ventorim
3345 9273 / 9902 1627
Usina Pensamento
Ana Barreto
(21) 9733 9396

terça-feira, 9 de junho de 2009


Abaixo Assinado

As organizações da sociedade civil abaixo assinadas vêm a público manifestar, durante a semana do meio ambiente, sua extrema preocupação com os rumos da política socioambiental brasileira e afirmar, com pesar, que esta não é uma ocasião para se comemorar. É sim momento de repúdio à tentativa de desmonte do arcabouço legal e administrativo de proteção ao meio ambiente arduamente construído pela sociedade nas últimas décadas. Recentes medidas dos poderes Executivo e Legislativo, já aprovadas ou em processo de aprovação, demonstram claramente que a lógica do crescimento econômico a qualquer custo vem solapando o compromisso político de se construir um modelo de desenvolvimento socialmente justo, ambientalmente adequado e economicamente sustentável. (...)

Nota pública contra o desmonte da política ambiental brasileira
As organizações da sociedade civil abaixo assinadas vêm a público manifestar, durante a semana do meio ambiente, sua extrema preocupação com os rumos da política socioambiental brasileira e afirmar, com pesar, que esta não é uma ocasião para se comemorar. É sim momento de repúdio à tentativa de desmonte do arcabouço legal e administrativo de proteção ao meio ambiente arduamente construído pela sociedade nas últimas décadas. Recentes medidas dos poderes Executivo e Legislativo, já aprovadas ou em processo de aprovação, demonstram claramente que a lógica do crescimento econômico a qualquer custo vem solapando o compromisso político de se construir um modelo de desenvolvimento socialmente justo, ambientalmente adequado e economicamente sustentável.
1. Já em novembro de 2008 o Governo Federal cedeu pela primeira vez à pressão do lobby da insustentabilidade ao modificar o decreto que exigia o cumprimento da legislação florestal (Decreto 6514/08) menos de cinco meses após sua edição.
2. Pouco mais de um mês depois, revogou uma legislação da década de 1990 que protegia as cavernas brasileiras para colocar em seu lugar um decreto que põe em risco a maior parte de nosso patrimônio espeleológico. A justificativa foi que a proteção das cavernas, que são bens públicos, vinha impedindo o desenvolvimento de atividades econômicas como mineração e hidrelétricas.
3. Com a chegada da crise econômica mundial, ao mesmo tempo em que contingenciava grande parte do já decadente orçamento do Ministério do Meio Ambiente (hoje menor do que 1% do orçamento federal), o governo baixava impostos para a produção de veículos automotores. Fazia isso sem qualquer exigência de melhora nos padrões de consumo de combustível ou apoio equivalente ao desenvolvimento do transporte público, indo na contramão da história e contradizendo o anúncio feito meses antes de que nosso País adotaria um plano nacional de redução de emissões de gases de efeito estufa.
4. Em fevereiro deste ano uma das medidas mais graves veio à tona: a MP 458 que, a título de regularizar as posses de pequenos agricultores ocupantes de terras públicas federais na Amazônia, abriu a possibilidade de se legalizar a situação de uma grande quantidade de grileiros, incentivando, assim, o assalto ao patrimônio público, a concentração fundiária e o avanço do desmatamento ilegal. Ontem (03/06) a MP 458 foi aprovada pelo Senado Federal.
5. Enquanto essa medida era discutida - e piorada - na Câmara dos Deputados, uma outra MP (452) trouxe, de contrabando, uma regra que acaba com o licenciamento ambiental para ampliação ou revitalização de rodovias, destruindo um dos principais instrumentos da política ambiental brasileira e feita sob medida para se possibilitar abrir a BR 319 no coração da floresta amazônica, com motivos por motivos político-eleitorais. Essa MP caiu por decurso de prazo, mas a intenção por trás dela é a mesma que guia a crescente politização dos licenciamentos ambientais de grandes obras a cargo do Ibama, cuja diretoria reiteradamente vem desconhecendo os pareceres técnicos que recomendam a não concessão de licenças para determinados empreendimentos.
6. Diante desse clima de desmonte da legislação ambiental, a bancada ruralista do Congresso Nacional, com o apoio explícito do Ministro da Agricultura, se animou a propor a revogação tácita do Código Florestal, pressionando pela diminuição da reserva legal na Amazônia e pela anistia a todas as ocupações ilegais em áreas de preservação permanente. Essa movimentação já gerou o seu primeiro produto: a aprovação do chamado Código Ambiental de Santa Catarina, que diminui a proteção às florestas que preservam os rios e encostas, justamente as que, se estivessem conservadas, poderiam ter evitado parte significativa da catástrofe ocorrida no Vale do Itajaí no final do ano passado.
7. A última medida aprovada nesse sentido foi o Decreto 6848, que, ao estipular um teto para a compensação ambiental de grandes empreendimentos, contraria decisão do Supremo Tribunal Federal, que vincula o pagamento ao grau dos impactos ambientais, e rasga um dos pontos principais da Declaração do Rio sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, assinada pelo País em 1992, e que determina que aquele que causa a degradação deve ser responsável, integralmente, pelos custos sociais dela derivados (princípio do poluidor-pagador). Agora, independentemente do prejuízo imposto à sociedade, o empreendedor não terá que desembolsar mais do que 0,5% do valor da obra, o que desincentiva a adoção de tecnologias mais limpas, porém mais caras.
8. Não fosse pouco, há um ano não são criadas unidades de conservação, e várias propostas de criação, apesar de prontas e justificadas na sua importância ecológica e social, se encontram paralisadas na Casa Civil por supostamente interferirem em futuras obras de infra-estrutura, como é o caso das RESEX Renascer (PA), Montanha-Mangabal (PA), do Baixo Rio Branco-Jauaperi (RR/AM), do Refúgio de Vida Silvestre do Rio Tibagi (PR) e do Refúgio de Vida Silvestre do Rio Pelotas (SC/RS).
Diante de tudo isso, e de outras propostas em gestação, não podemos ficar calados, e muito menos comemorar. Esse conjunto de medidas, se não for revertido, jogará por terra os tênues esforços dos últimos anos para tirar o País do caminho da insustentabilidade e da dilapidação dos recursos naturais em prol de um crescimento econômico ilusório e imediatista, que não considera a necessidade de se manter as bases para que ele possa efetivamente gerar bem-estar e se perpetuar no tempo.
Queremos andar para frente, e não para trás. Há um conjunto de iniciativas importantes, que poderiam efetivamente introduzir a variável ambiental em nosso modelo de desenvolvimento, mas que não recebem a devida prioridade política, seja por parte do Executivo ou do Legislativo federal. Há anos aguarda votação pela Câmara dos Deputados o projeto do Fundo de Participação dos Estados e do Distrito Federal (FPE) Verde, que premia financeiramente os estados que possuam unidades de conservação ou terras indígenas. Nessa mesma fila estão dezenas de outros projetos, como o que institui a possibilidade de incentivo fiscal a projetos ambientais, o que cria o marco legal para as fontes de energia alternativa, o que cria um sistema de pagamento por serviços ambientais, dentre tantos que poderiam fazer a diferença, mas que ficam obscurecidos entre uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) e outra. E enquanto o BNDES ainda tem em sua carteira preferencial os tradicionais projetos de grande impacto ambiental, os pequenos projetos sustentáveis não têm a mesma facilidade e os bancos públicos não conseguem implementar sequer uma linha de crédito facilitada para recuperação ambiental em imóveis rurais.
Nesse dia 5 de junho, dia do meio ambiente, convocamos todos os cidadãos brasileiros a refletirem sobre as opções que estão sendo tomadas por nossas autoridades nesse momento, e para se manifestarem veementemente contra o retrocesso na política ambiental e a favor de um desenvolvimento justo e responsável.


Assinam:
Amigos da Terra / Amazônia Brasileira
Associação Movimento Ecológico Carijós – AMECA
Associação de Preservação do Meio Ambiente e da Vida – APREMAVI
Conservação Internacional Brasil
Fundação de Órgãos para a Assistência Social e Educacional – FASE
Fórum Brasileiro de ONGs e Movimentos Sociais para o Meio Ambiente e o
Desenvolvimento – FBOMS
Fórum das ONGs Ambientalistas do Distrito Federal e Entorno
Greenpeace
Grupo Ambiental da Bahia – GAMBA
Grupo Pau Campeche /SC
Grupo de Trabalho Amazônico – GTA
Instituto Centro de Vida – ICV
I.E.S/SP
Instituto das Águas da Serra da Bodoquena - IASB/MS
Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia – IMAZON
Instituto de Estudos Socioeconômicos – INESC
Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia – IPAM
Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social
Instituto Socioambiental – ISA
Instituto Terra Azul
Mater Natura /PR
Mira-Serra/RS
Movimento de Olho na Justiça – MOJUS
Rede de ONGs da Mata Atlântica - RMA
Sociedade Brasileira de Espeleologia
Via Campesina Brasil
WWF Brasil
Nação Goytacá
Contatos:
Amigos da Terra / Amazônia Brasileira
Bruno Calixto, assessor de comunicação - (11) 38879369
e-mail: bruno.calixto@amazonia.org.br
O Reggae eu como por mim
o chá eu bebo por flora
Desde fevereiro de 1996 por indicação médium/espiritual frequento o santo daime para tentar acrescentar alguns mistérios na vida que anda tão careta e sem nenhum mstério. tudo muito previsível nos planos do planalto na planície dentro e fora dos panos tudo é o mesmo de antes nem o bispo o padre o político o abrantes até mesmo quem sempre quem nunca foi marido e sempre foi amante eu rogo ao daime de hoje e rego o daime de ontem o reggae eu como por mim e o chá eu bebo por flora. não sei ainda quantos chás eu já tomei mas isto também não me interessa contar as contas ou os contos de clarice de machado se macabéa nem cresceu problema dela se lady gumes agora manda no pedaço agora faz um tempo que não ouço bob dylan e nem voto tal a pobreza que se escuta quando perto as eleições minha vaca fez o parto na esquina do meu pasto e pt saudações
federico baudelaire

segunda-feira, 8 de junho de 2009



Noite Romântica terá Charles Aznavour - maior ícone da música romântica francesa
A NOITE DO VINIL desta quarta-feira, dia 10/06 será em
homenagem ao Dia dos Namorados e terá o tema “O AMOR ESTÁ NO AR”. A noite promete muito romantismo reunido nos antigos bolachões. Para esta edição foram selecionados discos preterivelmente de coletâneas de músicas românticas nacionais e internacionais, mas também terá espaço para as famosas trilhas francesas e italianas. Clássicos de Charles Aznavour terão presença garantida, como “She”.
Como disse a colaboradora Aucilene Freitas, “A música é uma das melhores maneiras de recordar! Cada uma se torna trilha sonora de um momento da sua vida. Tem aquela que é a marca do seu relacionamento, outra que te lembra o primeiro beijo, uma viagem... e também têm aquelas de momento de fossa, que te acompanham quando está triste, perdeu seu amor, está refletindo na vida. Por todos esses motivos, selecionamos algumas músicas românticas, que falam de amor para vocês”.
Então, tenha você encontrado ou não sua alma gêmea, esteja ou não em companhia dela, não importa... Vá a Taberna Dom Tutti, a partir das 22h, antevéspera do Dia dos Namorados. Leve seu vinil de preferência para ouvir.
Taberna Dom TuttiRua das Palmeiras, 13Atrás do Churrasquinho do Luiz na 28 de março (Pq. Alzira Vargas).

Wellington Cordeiro

domingo, 7 de junho de 2009


Retalhos Imortais do SerAfim - Orávio de Campos Nada Sabia de Mim







Mataram a Poesia Hugo Pontes Jura que Não foi ele

Quer Dizer que Estrela Pode? Eu não sou Estrela, mas também quero legítimo direito é bom que se diga. Não sou Peixe, mas também caí na Rede.
http://federicobaudelaire.blogspot.com/
Mataram a Poesia Ave Lino Jura que Não Foi Ele
No blog http://associaodosblogueirosdesocupados.blogspot.com/

NÃO HÁ VAGAS

O preço do feijão
não cabe no poema.

O preço
do arroz
não cabe no poema.

Não cabem no poema o gás
a luz o telefone
a sonegaçãodo leite
da carne
do açúcar
do pão

O funcionário público
não cabe no poema
com seu salário de fome
sua vida fechada
em arquivos.

Como não cabe no poema
o operário
que esmerila seu dia de aço
e carvão
nas oficinas escuras

- porque o poema, senhores,
está fechado: "não há vagas"

Só cabe no poema
o homem sem estômago
a mulher de nuvens
a fruta sem preço

O poema, senhores,
não fede nem cheira


TRADUZIR-SE

Uma parte de mim
é todo mundo:
outra parte é ninguém:
fundo sem fundo.

Uma parte de mim
é multidão:
outra parte estranheza
e solidão.

Uma parte de mim
pesa, pondera:
outra parte
delira.
Uma parte de mim
almoça e janta
:outra parte
se espanta.


Uma parte de mim
é permanente:
outra parte

se sabe de repente.

Uma parte de mim
é só vertigem:
outra parte,
linguagem.

Traduzir-se uma parte
na outra parte
- que é uma questão
de vida ou morte
-será arte?

NO CORPO
De que vale tentar reconstruir com palavras
O que o verão levou
Entre nuvens e risos
Junto com o jornal velho pelos ares
O sonho na boca, o incêndio na cama,
o apelo da noite

Agora são apenas esta
contração (este clarão)
do maxilar dentro do rosto.
A poesia é o presente.

MADRUGADA

Do fundo de meu quarto, do fundo
de meu corpo
clandestino
ouço (não vejo) ouço
crescer no osso e no músculo da noite
a noite a noite ocidental obscenamente acesa
sobre meu país dividido em classes

SUBVERSIVA

A poesia
Quando chega
Não respeita nada.

Nem pai nem mãe.
Quando ela chega
De qualquer de seus abismos
Desconhece o Estado e a Sociedade Civil
Infringe o Código de Águas
Relincha Como puta Nova
Em frente ao Palácio da Alvorada.

E só depois
Reconsidera: beija
Nos olhos os que ganham mal
Embala no colo
Os que têm sede de felicidade
E de justiça.

E promete incendiar o país.

Ferreira Gullar


Obs.: estes poemas do mestre Ferreira não o Avelino mas o Gullar, nos dão a medida exata do qeu é para que serve Poesia. É só um pequemo alerta, uma peque dose omeopática, para reforma o visual do Hugo Pontes: Rendição em Massa situação bem semelhante a vivida em Gothan City a nossa cidade fictícia, ou Não? E um pouco antes do Gullar escrever este poema, eu já havia colocado Fogo no Palácio da Cultura. Onde fui proibido por 4 anod de entrar lá. Os anos passam mas quando a gente quer a Memória não se apaga.


20 ANOS SEM LEMINSKI
Como deixar passar esta data triste em branco? Há 20 anos exatamente falecia, em Curitiba, o grande Paulo Leminski. É impressionante como o tempo passa. Todas as cenas de 20 anos atrás estão muito, muito vivas. E imaginar que ele tinha apenas 44 anos quando morreu, e com uma obra que o coloca entre os grandes da literatura do século 20, sem qualquer exagero.Insubstituível.Um abraço para você, Leminski, esteja aonde estiver. Você faz uma falta danada nestes tempos de caretice e poesia chata para caralho.
Rodrigo Garcia Lopes



ICEBERG

Uma poesia ártica,
claro, é isso que eu desejo.

Uma prática pálida,
três versos de gelo.

Uma frase-superfície
onde vida-frase alguma
não seja mais possível.

Frase, não, nenhuma.

Uma lira nula,
reduzida ao puro mínimo,
um piscar do espírito,
a única coisa única.

Mas falo.
E, ao falar, provoco
nuvens de equívocos
(ou enxame de monólogos?)
Sim, inverno, estamos vivos.

Paulo Leminski

quinta-feira, 4 de junho de 2009

jéssica uma grata revelação do XXI FECAM




Para Uma Menina Com Uma Flor Na Boca



cada palavra
ou nome
sendo de gente
ou coisa
traz em si
suas nuances
léxicas
sendo Luana
ou Jéssica
sendo paixão
ou fome
sendo cidade
ou surto
ou condição estética
cada palavra
ou nome
traz em si
sua porção poética
dentro da arte
ou fora
na pele
que tens agora
no olho
nas pernas
nas coxas
estando ainda mais dentro
umbigo
intestino útero
mar de desejos
tantos
que a boca
sorrindo implora
ou mesmo
calado o pranto
atormente
teu corpo
e chora
cada palavra
ou nome
é signo
verbo cilada
se queres silêncio
não grito
se queres mistério
não mito
na carne
no sangue
no osso
está a palavra amada
quando queres flor
não espada.

Artur Gomes
para Jéssica Campello Castro
NAÇÃO GOYTACÁ
http://braziliricas.blogspot.com/
http://youtube.com/fulinaima

Mamãe é Brega mas é Xique
Decididamente mamãe não ouve e nem gosta do Rei Roberto Carlos porque não tem medo de lobisomem e desde os tempos em que lia José Cândido de Carvalho sabe muito bem quem são os Coronéis mamãe tem 78 Anos mas não perde tempo diante da TV com o Encravo e a Rosa, prefere assistir no TNT O Nome da Rosa, filme, e fuma um baseado quando lê Umberto Eco e passa a contar o que sobrou. Mamãe é foda cultiva no jardim flores e trombetas e as vezes sai pelos campos catando cogumelos e ervas cidreiras dizendo que o chá é bom para o fígado, pois tem comido muitas flores que lhe dão indigestão. Mamãe ouve Raul Seixas e sabe décor toda letra de Ouro de Tolo, e acha que não está com “a boca escancarada cheia de dentes esperando a morte chegar”. Ela vai pra rua e solta os bichos: 4 gatos recém paridos que amamenta com carinho como se outros filhos fossem, mamãe usa um crucifixo de madeira no pescoço põe alho no bolso e diz que é para espantar as cobras e lagartos que vez em quando aparecem no seu quintal pedindo votos. Assim que a noite chega ela reza pra são Jorge Ogum Oxossi e todos os caboclos da mata e da cidade porque acha que na cidade é que estão todos os bandidos de colarinho branco mamãe não dá sopa nem merenda muito menos bolsa escola cheque cidadão e outros baratos e diz não acreditar em esmola já leu até Bertold Brecht e tem pena dos analfabetos políticos pois acredita que é aí que se encontra a grande miséria humana com que os aproveitadores continuam a se alimentar nos períodos eleitorais para enriquecer suas contas bancárias cada qual com seus laranjas. Esperta que só ela mamãe aperta contra o peito uma estampa de Jesus Cristo e fala: “esse é o cara” não enganou o povo com passagem a 1 real taxa de iluminação pública bolsa família bolsa emprego ou bolsa escola, deu passagem de graça, e não precisou se disfarçar com outros nomes deu a cara a forca e não nasceu pra ser otário como jogador de futebol.

Federico Baudelaire
Viagens InSanas
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quarta-feira, 3 de junho de 2009







Mataram a
Poesia :
Artur Gumes jura que não foi ele
um tiro na cabeça
duas facadas
na bocado estômago
dois tiros no pé
quatro tiros no peito
e sete nos braços
mataram
com um balaço
esquartejaram o esqueleto
no verso
do obscuro
como se ainda vivêssemos
terríveis anos de chumbo
e levaram
o bumbo pra praça
tambores chocalhos cornetas
os bobos da corte
coitados
inocentes palhaços
sem graça
apenas sorriso amarelo
diante a foice o martelo
pra obediênciada rainha
do império do faz de conta
nos jardins do mal me quer
que não sabem quem foi paulo leminski
nem nunca leram charles baudelaire

As flores do mal
Charles Baudelaire

A QUE ESTÁ SEMPRE ALEGRE
Teu ar, teu gesto, tua fronte
São belos qual bela paisagem;
O riso brinca em tua imagem
Qual vento fresco no horizonte.
A mágoa que te roça os passos
Sucumbe à tua mocidade,
À tua flama, à claridade
Dos teus ombros e dos teus braços.
As fulgurantes, vivas cores
De tua vestes indiscretas
Lançam no espírito dos poetas
A imagem de um balé de flores.
Tais vestes loucas são o emblema
De teu espírito travesso;
Ó louca por quem enlouqueço,
Te odeio e te amo, eis meu dilema!
Certa vez, num belo jardim,
Ao arrastar minha atonia,
Senti, como cruel ironia,
O sol erguer-se contra mim;
E humilhado pela beleza
Da primavera ébria de cor,
Ali castiguei numa flor
A insolência da Natureza.
Assim eu quisera uma noite,
Quando a hora da volúpia soa,
Às frondes de tua pessoa
Subir, tendo à mão um açoite,
Punir-te a carne embevecida,
Magoar o teu peito perdoado
E abrir em teu flanco assustado
Uma larga e funda ferida,
E, como êxtase supremo,
Por entre esses lábios frementes,
Mais deslumbrantes, mais ridentes,
Infundir-te, irmã, meu veneno!
EMBRIAGUEM-SE

É preciso estar sempre embriagado.
Aí está: eis a única questão.
Para não sentirem o fardo horrível do Tempo
que verga e inclina para a terra,
é preciso que se embriaguem sem descanso.
Com quê? Com vinho, poesia ou virtude, a escolher.
Mas embriaguem-se.
E se, porventura, nos degraus de um palácio,
sobre a relva verde de um fosso,
na solidão morna do quarto,
a embriaguez diminuir ou desaparecer
quando você acordar,
pergunte ao vento, à vaga, à estrela,
ao pássaro, ao relógio, a tudo que flui,
a tudo que geme, a tudo que gira,
a tudo que canta, a tudo que fala,
pergunte que horas são;
e o vento, a vaga, a estrela, o pássaro, o relógio responderão:
"É hora de embriagar-se!
Para não serem os escravos martirizados do Tempo,
embriaguem-se; embriaguem-se sem descanso".
Com vinho, poesia ou virtude, a escolher.

O CONVITE À VIAGEM
Minha doce irmã, Pensa na manhã
Em que iremos, numa viagem, Amar a valer, Amar e morrer
No país que é a tua imagem! Os sóis orvalhados
Desses céus nublados
Para mim guardam o encanto Misterioso e cruel
Desse olhar infiel
Brilhando através do pranto.
Lá, tudo é paz e rigor,
Luxo, beleza e langor.
Os móveis polidos, Pelos tempos idos,
Decorariam o ambiente; As mais raras flores
Misturando odores
A um âmbar fluido e envolvente,
Tetos inauditos, Cristais infinitos,
Toda uma pompa oriental, Tudo aí à alma
Falaria em calma
Seu doce idioma natal.
Lá, tudo é paz e rigor,
Luxo, beleza e langor.
Vê sobre os canais Dormir junto aos cais
Barcos de humor vagabundo;
É para atender Teu menor prazer
Que eles vêm do fim do mundo. —
Os sangüíneos poentes Banham as vertentes,
Os canis, toda a cidade, E em seu ouro os tece;
O mundo adormece
Na tépida luz que o invade.
Lá, tudo é paz e rigor,
Luxo, beleza e langor.
Festival Artimanhas Poéticas 2009
discute literatura e poesia no Rio
O festival literário Artimanhas Poéticas será realizado nos dias 12 e 13 de junho, no Real Gabinete Português de Leitura, no Rio de Janeiro (RJ), com curadoria do poeta Claudio Daniel. O evento contará com a participação de críticos literários, como Luiz Costa Lima, poetas jovens e consagrados, como Paulo Henriques Britto, Virna Teixeira, Sérgio Cohn, o inglês Richard Price e o português Luís Serguilha entre outros, e editores de revistas. O festival incluirá palestras, debates, recitais, lançamentos, performances musicais e de poesia sonora. Confiram a programação completa: Dia 12 de junho, sexta-feira:14hPalestra: A crítica literária reflete a criação poética contemporânea? Com Luiz Costa Lima16hDebate: As revistas definem o momento literário? Com Claudio Daniel, André Vallias, Márcio-André, Sérgio CohnLançamento: revistas Confraria, Errática e Zunái.18hRecital: Camila Vardarac, Virna Teixeira, Leonardo Gandolfi, Lígia Dabul, Luiz Roberto Guedes, Luís Serguilha, Rodrigo de Souza Leão, Izabela Leal
Dia 13 de junho, sábado:14h
Debate: Como está a poesia brasileira hoje?
Com Claudio Daniel e Paulo Henriques Britto15hLançamentos de livros de poesia de diversas casas editoriais.
16h Recital:
Claudio Daniel, Diana de Hollanda, Thiago Ponce de Moraes, Gabriela Marcondes, Ismar Tirelli, Pablo Araújo, Victor Paes, Ronaldo Ferrito
17h Show de Tavinho Paes e Arnaldo Brandão.
17h30 Performance poético-polifônica para voz, violino e processamento eletrônico, com Márcio-André.
Mostra de video.poesia de Gabriela Marcondes.
19h Apresentação do livro Cartas de ontem, de Richard Price (Lumme Editor) e recital bilíngue com o autor e a tradutora, Virna Teixeira.

Serviço
Local: Real Gabinete Português de Leitura, rua Luís de Camões, 30 - Centro - Rio de Janeiro - RJ.
Apoio: Laboratório de Criação Poética e Real Gabinete Português de Leitura.
Mais informações:

CAMPOS DOS GOYTACAZES

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meu coração marçal tupã sangra tupi e rock and roll meu sangue tupiniquim em corpo tupinambá samba jongo maculelê maracatu boi bumbá a veia de curumim é coca cola e guaraná