sexta-feira, 31 de julho de 2009

Mama mama mama áfrica

Eu fui dá mamãe fui dá mamãe um beijo na Mayara aquela arara do rio grande santa clara clara mas não santa diaba de 7 bocas muita mais de 7 coxas muito mais sete mil línguas me devoram mama mama mama áfrica o leite eu mamo nela minha deusa de oxum e Ana das minas ogum que sou xangô que sempre fui Oxossi pagão bem sebes do oculto e dentro inconsciente lato não rasgo de mim o teu retrato não rasgo de ti os teus vestidos Mayara quando posso em minhas mãos estando quero beijos gozos incêndio corpos desastres fora do país onde vivemos estilhaços púrpuras lagos que não fomos aves bichos antas cavalos vacas todos pastam todos fumam nós bebemos do lícor de cada língua lúcifer dando beijos sobre as faces deuses e diabos corpo em transe anjos e demônios sobre as camas mama em mim mamo de ti o que escorre leite líquido leves brumas peles nomes dos oitenta que estivemos desde século aqui estamos famintos de arte de outros corpos de sede amor tais incertezas um dia claro é quase nunca este país que inda não veio a veia quando sangra na usina angra nuclear santa marina la cuba de la Riva El mar Fidel castro que não soy e esta américa tropical explode em mangue na avenida central do desespero

Artur Gomes
http://mamabrega.blogspot.com




fotos: artur gomes















































Tribalion Reggae do Bom
O Sesc continua prestando um grande serviço a diversidade cultural de Campos dos Goytacazes. Ontem a Banda de Reggae Tribalion, fez um show memorável no Espaço Plural dentro do projeto Urbanidades, veja programação de agosto aqui http://culturaurbanacinevdeo.blogspot.com/





quinta-feira, 30 de julho de 2009




O compositor, cantor e violonista
MADAN
participará do show
"Rebelião na Zona Fantasma"
do poeta
ADEMIR ASSUNÇÃO
no
SESC
São José dos Campos
nesta sexta feira
31/07/2009
às 21 horas.
REBELIÃO NA ZONA FANTASMA
ademir assunção
madan (violão e vocais) / marcelo watanabe (guitarra e violão)
31/07 (sexta-feira), às 21h
sesc são josé dos campos
av. dr. adhemar de barros, 999fone: (12) 3904-2000
ingressos: R$ 8 (inteira), R$ 4 (usuários, estudantes e idosos acima de 60 anos e professores da rede pública), R$ 2 (comerciário)

VOZERIO DIA 04 E 05 DE SETEMBRO
SHOW VOZERIO DA GRAVAÇÃO DO DVD COM MARKO ANDRADE ,ANTONIO CARLOS MARIANO E HENRIQUE SILVA DIAS 04 E 05 SETEMBRO ÀS 19:00H.NO CENTRO MUNICIPAL DE REFERÊNCIA DA MÚSICA CARIOCA.RUA CONDE DE BONFIM 824 - TIJUCA - TELEFONE:(21) 3238-3880 VENDAS ANTECIPADAS (R$ 5,00)CONTATOS : VOZERIO@GMAIL.COM - TELEFONE:(21)3286 3035 (MARIANO) /8761 8012 (MARKO)

quarta-feira, 29 de julho de 2009

nas entranhas

com sua língua/pata me alcança em cheio cavala a triturar meus cios macunaína ainda no útero ardia de febre e delirava querendo explodir de luz e gozo não via a hora de descer por entre as pernas da selva e desbravar a mata virgem dos cabelos mestiços de roraima a dentro é que o salto na outra margem do rio terceira vez que li garcia lorca ainda não morava aqui e saramago não sabia nada ainda do evangelho que haveria de escrever assim mesmo quando makondo deu a a luz erÊndira vomitava de prazer e susto mesmo não sendo sádica era prosa e verso cheirnado o mar de mariscos que em seu corpo ruminavam gozos algas a mais de uma véspera desejadas puta que o pariu na santa casa de misericórida de campos não mais dos goytacazes desde o século dezesseis quando asseclas e pentelhos por lá já foram devorados antes mesmo de martim afonso de souza decretar capitanias e outras sacanagens do império traz os montes a sífilis gonorréia e outros cabruncos de doenças que geraram aids e agora gripes que nem oswaldo cruz pudesse imaginar um dia

http://mamabrega.blgospot.com/

como naquela questão da semiótica do método orgânico grâmico de não compor nesta pluma vara pássaro que me arara ave que me declara máscara in/verso cerâmica profunda caça traça neste plenus caso de amor o que de sangue expsto tem em veia corre deposto em mar e mangue exposto onde tudo rasa sem expressão do que fica matas que nos cortaram foice espingarda e medo a sol do céu incomum meu boi de olhos tão tristes meu boi de carnes tão rastas meu boi de patas tão gastas o ciúme é uma espinha na garganta mar em chamas terremoto que desconhece outros estados mais fáceis de compreender que não se deve ser tomado de um desejo lícito como um processo mental organizado este prumo vara que me besta besta este prumo que me vara in/verso que me réstia máscara não delírio de canção passageira Drummond imerso em pedra cal e cuspe itas ocas Cabral em pleno vôo sem risco morte vida Severino sem nos ocultar ossário do seu rito o vento em silêncio gargalha numa fonte sobrepasso no éter da memória evidente que tudo não foi dito grita no banquete a fala que não soube engolir silêncios e vomita monologas análogas ausências do mais perfeito que pretérito assassinato às portas das humanas não futuras radiografias de nossas vidas cidadãos sensatos assassinos vadios cúmplices do desterro comendo no teu corpo tua alma como forma de jejum na penitência da natureza inter/semiótica não por simples atração do exotismo no limiar mais radical da invenção entre o carnal e não matéria ou como facas em fogo nas vestes que correm por teu corpo acima que o mantêm estreitamente ligado no
centro da cena onde nenhuma militância a ele se compara estados de ficção ou de distúrbios começamos a compreender o interG no direito dos instintos ou estados de espelhos nos códigos dos fenômenos simbolistas onde o boi signo da morte auto se condena ao exílio sem soletrar ruídos e decifrar o homem posto sem alarde naquela questão semiótica do método grâmico de não compor

http://braziliricas.blgospot.com/



Manifesto Galego

A nossa língua na Galiza está a passar por sérias dificuldades, já nem sabemos se vamos poder resistir os embates dos etnocidas centralistas espanhois... Mas sempre devemos tentar, né? Quem sabe um dia a verdade vence...Venho pedir que se podes assines o nosso manifesto, pode colocar lá o seu e-mail, http://www.peticao.com.pt/hegemonia-social-do-galego fica guardado e só vemos os que gerimos a página...
Joga no google: 'hegemonia galego' e podes assinar... Eternamente agradecida :) eu e a GalizaBeijos, saúde e língua !!

Concha Rousia

terça-feira, 28 de julho de 2009



OS SEGREDOS DA MONOCULTURA
NO BAIXO PARNAIBA MARANHENSE
Os ativos da Suzano no Maranhão e o projeto de reflorestamento com eucalipto da empresa no Piauí apontam para a ponta de um iceberg financeiro bem maior que se desloca da região de Mata Atlântica para os biomas de pouca expressão midiática como os Pampas, no estado do Rio Grande do Sul, o Cerrado e a Caatinga, na região meio-norte – estados do Maranhão, Piaui e Tocantins.
Os interesses do setor florestal se espraiam por regiões ainda “adormecidas” do ponto de vista econômico na certeza que chegou a hora da ampliação da área plantada. Talvez nas mentes desses interesses já tenha mais que passado da hora como bem se viu no município de Santa
Quitéria, Baixo Parnaíba maranhense, no começo de maio de 2009.
As relações entre o setor florestal, o Estado e a sociedade civil inexistem e isso decorre justamente porque o que o setor florestal busca, à medida que enceta conversações com os governos sobre projetos de reflorestamento, são condições favoráveis a partir do local, do regional, do nacional e do internacional.
As instituições financeiras multilaterais ditaram as condições favoráveis exigidas em várias reuniões com os órgãos do Estado como se estes fossem bonecos de presépio. Nesse caso, a sociedade civil nem encenava os diálogos, pois todas as falas haviam sido distribuídas para uns poucos sabichões.Uma monocultura por natureza requer uma conspiração de sabichões em torno de si porque os segredos a protegem de inquirições de parte da sociedade civil.
A monocultura comparece como uma barreira para qualquer outro atrativo, uma barreira que assusta a agricultura familiar e os extrativistas, porque a monocultura responde uma pergunta ou outra e depois vai embora deixando o espaço vazio. Os sabichões cobrem esse espaço vazio com o manto das ciências econômicas, sociais e biológicas.
Perante a sociedade, o maior segredo guardado seria justamente o que de biodiversidade se perde quando um projeto de reflorestamento com eucalipto ou plantio de grãos se instala em um determinado bioma. Os profissionais contratados pela empresa para figurar os dados da realidade sócio-ambiental e os funcionários do órgão ambiental destacados para analisar esses dados deveriam desvendar esse segredo. O que muitas vezes se preconiza como a norma da figuração e da análise dos dados é a complacência.
Em vez da figuração e da análise se contraporem ao iceberg financeiro, elas acabam cerrando fileiras ao lado dos sabichões; em parte porque acham os caras mais sabidos mesmo e finalmente porque querem ser como eles. Desde o meio do ano passado a Suzano Papel e Celulose planta informações na mídia como quem dá um doce para uma criança, quer dizer, querendo parecer que não quer nada a não ser o bem-estar da sociedade civil do Maranhão e do Piaui. Uma hora planta a noticia que investirá tantos milhões em reflorestamento com eucalipto. Outra hora que pode investir em duas fábricas no Piaui para o processamento da madeira.
O espaço concedido na mídia torna bem desfavorável qualquer debate a respeito da implantação da Suzano no Maranhão há quase vinte anos e como foram feitas as negociações para os projetos de reflorestamento com eucalipto envolvendo a empresa e os governos do Maranhão e do Piaui porque como foi escrito anteriormente corre nas raias vários segredos que fica difícil ver qual primeiro mostra a cara para o fotógrafo.
Em certo dia do mês de junho, um representante da Suzano em São Luis do Maranhão ligou para o Fórum Carajás pedindo para agendar uma conversa com alguém muito importante da empresa que estaria no estado. A conversa giraria em torno das denúncias divulgadas no sítio do Fórum Carajás. Pensou-se em aceitar a proposta, mas primeiro se consultou a Sociedade dos Direitos Humanos. Esta se posicionou rigorosamente contra qualquer conversa com a Suzano pelo fato da empresa ter desrespeitado o acerto feito com as comunidades do Pólo Coceira, em Santa Quitéria.
A Secretaria do Fórum Carajás informou as razões da negativa ao funcionário da Suzano.A conversa que o funcionário importante da Suzano queria ter não era só com o Fórum Carajás. Ele esteve em Santa Quitéria conversando com o prefeito da cidade que se dispôs a ajudar a demover as comunidades do Pólo Coceira da sua postura de resistência com auxilio da policia militar do estado do Maranhão. O mesmo prefeito chantageia moradores que apóiam a luta das comunidades afirmando que vai retirar um agrado que a prefeitura dá todo mês.


Mayron Régis, jornalista Fórum Carajás

Esse texto faz parte do programa Territórios Livres do Baixo Parnaíba, apoiado pela ICCO e realizado de forma conjunta com a SMDH, CCN e Fórum em Defesa do Baixo Parnaíba




segunda-feira, 27 de julho de 2009



Cineclube Sesc: Programadora Brasil
Cronicamente Inviável
dia 28/07, às 19h no sesc Campos.
Percorrendo diversas regiões do país, um escritor vivencia a crueldade e a hipocrisia das relações sociais, econômicas e sexuais no Brasil contemporâneo.
Ficha de Informações do Filme
Título: Cronicamente Inviável
Duração: 102 min e 0 seg. Ano: 2000
Ficha Técnica
Direção: Sergio Bianchi
Roteiro: Sergio Bianchi e Gustavo Steinberg
Elenco: Cecil Thiré, Betty Goffman, Umberto Magnani, Daniel Dantas, Dira Paes, Dan Stulbach, Leonardo Vieira.
Produção Executiva: Sergio Bianchi, Gustavo Steinberg e Alvarina Souza Silva
Direção de Produção: Carmem Schenini e Rossine A. Freitas
Direção Fotografia: Marcelo Coutinho e Antonio Penido
Montagem/Edição: Paulo Sacramento
Direção de Arte: Beatriz Bianco, Pablo Vilar e Jean-Louis Leblanc
Figurino: Beatriz Bianco e Luiza Marcier
Técnico de Som Direto: Heron Allencar
Sound Designer: Miriam Biderman



Couro Cru & Carne Viva

Terra de santa cruz,
ao batizarem-te deram-te o nome
posto que a tua profissão
é abrir-te em camas
dar-te em ferro ouro prata
rios peixes minas mata
deixar que os abutres
devorem-te na carne
o derradeiro verme

salve-lindo pendão que balança
entre as pernas abertas da paz
tua nobre sifilítica herança
dos rendevouzde impérios atrás

meu coração
é tão hipócrita que não janta
e mais imbecil que ainda canta:
ouviram no Ipiranga
às margens plácidas
uma bandeira arriada
num país que não levanta.

só desfraldando a bandeira tropicalha
é que a gente avacalha
com as chaves dos mistérios
desta terra tão servil:
tirania sacanagem safadeza
tudo rima uma beleza
com a pátria mãe que nos pariu

bem no centro do universo
te mando um beijo ó amada
enquanto arranco uma espada
do meu peito varonil
espanto todas as estrelas
dos berços do eternamente
pra que acorde toda esta gente
deste vasto céu de anil
pois enquanto dorme o gigante
esplêndido sono profundo
não vê que do outro mundo
robôs te enrrabam ó mãe gentil

o poeta estraçalha a bandeira
raia o sol marginal Quinta feira
na geléia geral brazileira
o céu de abril não é de anil
nem general é my brazil

minha ver/amarela esperança
portugal já vendeu para a frança
e o coração latino balança
entre o mar de dólar do norte
e o chão dos cruzeiros do sul

o poeta esfrangalha a bandeira
raia o sol marginal Sexta feira
nesta zorra estrangeira e azul
que a muito índio dizia:

meu coração marçal tupã
sangra tupi & rock in roll
meu sangue tupiniquim
em corpo tupinambá
samba jongo maculelê
maracatu boi bumbá
a veia de curumim
é coca cola e guaraná

o sonho rola no parque
o sangue ralo no tanque
nada a ver com tipo dark
muito menos com punk
meu vício letal é baiafro
com ódio mortal de yank

ó baby
a coisa por aqui não mudou nada
embora sejam outras siglas no emblema
espada continua a ser espada
poema continua a ser poema

artur gomes
in couro cru & carne viva
http://carnavalhagumes.blogspot.com/

MPF-TO denuncia dez ex-prefeitos ligados à máfia dos sanguessugas

O Ministério Público Federal do Tocantins apresentou à Justiça dez denúncias criminais contra ex-prefeitos acusados de participar da máfia dos sanguessugas no Estado. O esquema foi descoberto em 2004 pela Controladoria Geral da União e contava com a participação de parlamentares, prefeitos e empresários para superfaturar a compra de ambulâncias e equipamentos médicos pelos municípios. A Polícia Federal deflagrou uma operação em 2006 para desarticular a quadrilha.Os acusados eram prefeitos dos municípios de Caseara, Colmeia, Itaporã, Porto Alegre do Tocantins, Bernardo Sayão, Ponte Alta do Bom Jesus, Recursolândia, São Valério da Natividade e Aparecida do Rio Negro. Segundo nota do MPF, eles podem responder por dispensa indevida de licitação e por crime contra a responsabilidade na administração municipal. Se condenados, podem pegar até cinco anos de prisão. Eles já estão sendo processados por formação de quadrilha e improbidade administrativa.As dez denúncias citam os empresários Darci José Vedoin e Luiz Antônio Trevisan Vedoin, apontados como os líderes do esquema. Com as novas denúncias, eles poderão ter de responder também por dispensa indevida de licitação, e corrupção ativa e crime contra a responsabilidade na administração municipal, estando sujeitos a até 17 anos de prisão. Darci e Luiz Vedoin eram os responsáveis por negociar a aprovação de emendas individuais com os parlamentares para superfaturar a compra dos equipamentos por licitações fraudadas, acertando qual seria a "comissão" dada aos congressistas. De acordo com o MPF, grande parte das emendas do Tocantins foi assinada pelo então deputado federal Amarildo Martins da Silva, o Pastor Amarildo (PSC-TO), também citado nas novas denúncias. Entre 2000 e 2006, foram fornecidas mais de mil unidades móveis de saúde em licitações fraudadas, que movimentaram mais de R$ 110 milhões.

Brasil tem 45 mortes por gripe suína

As cidades de Mogi-Guaçu (164 km de São Paulo), Osasco (Grande São Paulo), São Carlos (a 232 km de São Paulo) e a Secretaria da Saúde do Paraná confirmaram nesta segunda-feira novas mortes por gripe suína --como é chamada a gripe A (H1N1). Com isso, o número de mortes devido à doença sobe para 45 no Brasil. Saiba mais sobre a gripe suínaSaiba quais são os sintomas da gripe suína Em São Paulo, foram confirmadas um morte em Mogi-Guaçu, duas em Osasco, e a primeira morte em São Carlos. São Paulo é o Estado com maior número de mortos (20).No Paraná, foram confirmadas três mortes na região de Curitiba. Com isso, sobe para quatro o número de mortos no Estado.

O Livro das Sombras
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Por Márcio Almeida

O LIVRO DAS SOMBRAS é, sem sombra de dúvida, referencial na produção poética contemporânea

O livro de Leo Mackellene tem referenciais qualitativos que o distingue na produção da poesia atual. Ao escrever pretextualmente sobre sombras, torna o tema incluso à emblemática de o mesmo ser objeto de reflexão de centenas de autores hodiernos, em todas as artes e partes do mundo, com raízes desde mitologemas cosmológicos e cosmogônicos, a uma fenomenologia bachelardiana, à intertexualidade sob a (des)construção de um hipertexto às linguagens renovadoras dos topoi poesia/poeta/poética/vida.
O tema sombras está presente em pelo menos 2 milhões e 700 mil páginas da internet. Do mito bíblico sob a imagem da alegoria à pós-modernidade, o tema intitula obras em profusão. Há o documentário escatológico “À sombra das torres ausentes”, de Art Spiegelman (Companhia das Letras), os romances “Sombra severa”, do premiadíssimo Raimundo Carrero, e “A sombra de Heidegger”, de Jose Pablo Feinmann (Editora Planeta). Há o filme “Noturno indiano”, de Tabucchi, influenciado por “El otro”, de J. L. Borges; o livro cada vez mais descoberto “Páginas de sombra: contos fantásticos brasileiros”, coordenado por Bráulio Tavares (Editora Casa da Palavra); a série “Sombra”, da Editora Childrens Circle, com ênfase na desconstrução do medo de bruxa na literatura infantil; o vídeo de A. R. Rosa “As minhas sombras inquietas incendeiam-se nas vertigens das palavras”; o texto zen “Gato azul”, de Hagiwara Sakutaro, poeta japonês recém-descoberto pela revista eletrônica Confraria, sobre a sombra de um felino que narra a louca história dos homens. Há um saite com o nome “Um buraco na sombra.” Como há livros como “Diálogo com a sombra”, de Kalil Worshiper, “Luz e sombra”, da capixaba Maria Antonieta Tatagiba, “O umbral da sombra”, de Nuccio Ondine, “A sombra sobre Lisboa”, vários autores (Editora Saída de Emergência), “Alusões para a sombra”, de Fernando Monteiro (Editora Recente), “A sombra do vento”, de Carlos Ruiz Zafón, vencedor do prêmio Correntes Editora, em 2006.
Entre revival editorial e releituras constam: “A sombra das raparigas em flor”, de Marcel Proust, com tradução de Mário Quintana, “O corvo”, de E. A. Poe, que “urdia sombras desiguais”, “Mito e sombra”, de Rosalía de Castro, que trata da sombra como valor cultural de um povo que se nega a abandonar a terra quando morre; “Monólogo de uma sombra”, de Augusto dos Anjos, “A sombra da outra: a amante na literatura dos séculos XIX e XX”, como “Encarnação”, de José de Alencar e “A intrusa”, de Júlia Lopes de Almeida; “Arpa y la sombra”, de Alejo Carpentier, o trabalho com a palavra num arco hermenêutico; “A sombra”, conto de Hans Christian Andersen, em tradução de Guttorm Hanssen, com a história do homem que nasceu sem sombra; “Sombra de D. Juan”, de Álvares de Azevedo, “Elogio da sombra”, fotos e divagações de Mário Venda Nova, além dos lançamentos recentes de “O homem e sua sombra”, de Affonso Romano de Sant´anna, “Não feche seus olhos esta noite” (Rocco), de Maira Parula, “Sombra”, de Lídia Jorge (Editora D.Quixote) e “A sombra dos homens”, de Roberto de Sousa Causo.
Mackellene, por sua vez, pensa a poesia constituindo um corpus de elementos axiais, notadamente composto por aforismas sobre a palavra, o poeta, a árvore, o silêncio, a beleza, todos envolvidos numa tessitura analógica. E esse trabalho reflete a dicção de Jorge de Lima e Gaston Bachelard.
O livro das sombras permite uma taxionomia desses focos conceituais, cujo conjunto materializa o pensar poético e a conditio humana como metáfora de si mesma. O poeta insere no prólogo o cenário epistêmico de sua poesofia e, de modo liricamente provocativo, anuncia: E depois de um longo silêncio – em que nos vasculha – [a poesia] diz - veremos do que você é capaz.´E o “ser capaz”, no caso, subentende revitalizar o sentido da vida e da poesia mesma, após a releitura dos desafios da palavra em estado de linguagem: O poeta não foi designado para vivificar a palavra de novo?, rememora Jorge de Lima, para corroborar a tese bachelardiana e mítica de que toda metáfora é uma alquimia – toda metáfora é um mito renascendo em um mundo inteiro reinventado no qual a palavra é o limite – as coisas são idéias – a verdade é apenas a verdade das palavras – uma vez que a reinvenção do mundo – e da própria poesia – é ressignificar as palavras (8,9).
Há algo de epifânico, da cosmogonia de Vico, da física relativista, do referencialismo agônico de Blake, da idéia de arkhé e de princípios inaugurais constitutivos da experiência da palavra poética, como na “Teogonia”, de Hesíodo, entre a revelação (alethéa) e o esquecimento (lesmosyne).
Note-se, a propósito, a analogia permeável entre o sentido da sombra em Mackellene (o presente é a eterna repetição do que somos, 48) e a metáfora sombra no “Primeiro livro de Urizen”, de Blake: “Ditai-me, palavras aladas e velozes, sem temor de revelar vossas visões sombrias de agonia” – “sombra que em si mesma contempla – em trabalhos ingentes ocupada” (7,11).

Pensar o criado para vitalizar poesia

Mackellene compõe seu pensar poético refletindo na vertical sobre os componentes desse desafio:
Palavra
A palavra. Ela é o limite. É a pele, a película que nos separa das coisas (8). Reinventar o mundo, meu caro poeta, é ressignificar as palavras (9).
É a palavra que nos salvará – É o verbo que nos há de curar – por dentro, minha querida, por dentro – por isso penetra pelos sentidos – e fecunda minha boca, meu punho – se perpetua no que eu imagino – (...) – A palavra é o mundo em miniatura (13).
A palavra é uma punição dos deuses – O verbo deve ser sacrificado – (...) – a palavra é sempre uma condensação de silêncios (31).
As palavras são árvores de sentido- a palavra é a semente de todas as coisas (32).
A palavra é uma flor negra que se abre – raiz de uma árvore secular – que não pára de pulsar, – a se expandi e a se curvar (36).
A palavra é a morada dos espíritos – (...) – É aqui – primeiro no papel, depois em ti – onde a palavra semeia seu universo (38).
A palavra é a morada dos espíritos (38).
Dancemos – que a palavra é um passo de dança! (39).
Entre uma palavra e outra, - abismos. – Quando o poema termina, - precipícios (40).
A palavra é um navio que se perde (42).
Cada palavra é uma pegada (48).

Poesia
Nos curamos com poesia – nos construímos, nos conectamos pela poesia (12).
O que eu procuro com a minha poesia, disse eu, - não é o belo. – Nem é ela o próprio belo. – O que eu procuro – é a cura(36, 7).
Minha poesia é para encontrar a saída (37).
A poesia ainda é um destino (39).
A poesia é um caminho que se desfaz (42).
A poesia é inevitável (39).
A poesia é absolvida (47).
Poema
Motim é fazer poemas (apud Mardônio França, poeta de Fortaleza, (22).
Todos os poemas são profecias (23).
O poema é o abrigo do poeta – São os poemas que ocultam – a vida subterrânea de todos os segredos (38).
Não se pode escrever o último poema – o último poema – é morrer (42).
Guardo em mim – o último poema. – Enigma jamais revelado (47).
Cada poema, um rastro” (48).
Poeta
Nós, os poetas – é que somos os alquimistas; - verdadeiros alquimistas – das possibilidades. – Filósofos da incerteza, - cultivadores da dúvida (10).
Somos nós, os poetas, - que manipulamos as idéias, - convergimos as palavras, - submetemos os significados, - modificamos a eterna esfera do medo. – Somos também os únicos culpados de tudo (...) – Somos aqueles que regressaram à fonte – ao templo original, o corpo (...) (10, 11).
O poeta é pra encontrar outra forma de existir. – O poeta é pra fazer justiça com as próprias mãos (14);
Um poeta é para ver o que virá – (...) – O velho poeta anda cansado (26).
O poeta junta-se ao Rei, - durante a noite (27).
O poeta de pés descalços – lê, em cada palma de folha, - a História (...) – (30).
Ele aprende que a palavra é uma maldição. – Um poeta é guia de todos os destinos (31).
O poeta é o abrigo da poesia – O poeta sonha em Anagrama, - a única língua que ele fala e escuta. – O poeta entra pelo caminho – e a senhora destino segue a debochar de si (32).
Com destino, - o poeta senta-se à mesa – e devora-se (35).
Silêncio
O subtítulo: O livro dos mais pequenos silêncios (capa).
As coisas não são mudas, - tudo apenas silencia – e nós – traduzimos esses silêncios – o tempo todo. – Somos todos um porta-voz – do amor que as coisas têm (13).
Ouve a respiração ofegante das folhas – donde soa – em ebulição – o silêncio (16).
As árvores guardam o mundo – e testemunham a História – em penitente silêncio, - em paciente entrega (20).
O silêncio é uma árvore que cresce sorrateiramente (25).
O poeta junta-se ao Rei, - durante a noite, - em silêncio profundo, absoluto, - um silêncio fecundo (27).
A folha do silêncio é branca. E cada palavra é uma ilha cercada de silêncio por todos os lados (apud Carlos Emílio Corrêa Lima, 28).
Silenciemos. – Só o silêncio tem o poder de dizer a verdade (31).
Espera! – Que o silêncio pede licença. – O silêncio é um anjo que não se pode tocar – velho mensageiro do impossível... (33).
Os poetas vivem em nós – como fantasmas – numa casa abandonada (38).
É o poeta quem rompe o silêncio (39).
Beleza
A beleza do mundo – é continuar e continuar e continuar... (12).
... porque toda beleza é triste e só (14).
Beleza que não cabe – se rebela – trêmula enfurecida (subterrânea marés) (16).
Mas a beleza é desconcertante – A verdade – o estágio mais alto de toda beleza (19).
A beleza ainda é um destino. – A beleza ainda é um poder (20).
A miséria que criamos é um insulto à beleza das coisas (24).
...a beleza é um segredo íntimo da natureza das coisas (38,9).
Árvore
Todas essas espécies de árvores que existem – a leucina, - a palmeira, - a mangueira, - a perfeita, - não são outras árvores – são as mesmas – a mesma espécie arbórea. – É sempre a mesma árvore – que respira e observa – a caminhar – como um único organismo (17).
As árvores guardam o mundo – e testemunham a História – em penitente silêncio, – em paciente entrega (20).
As árvores são eternas – (...) – caminhando, vem e vão. – Vão tramando a insurreição (22).
As árvores gritam através de seus pássaros (23).
As árvores se reúnem à noite, - e decidem o destino dos homens (25).
E em nós que as árvores se enraízam, - em silêncio, - enquanto lemos. – Ler – é ser fecundado pelas árvores. – Há um sono de floresta dentro dos homens (26).
Uma árvore é um corpo que dança (27).
...as árvores recomeçam o mundo (30).
Árvores dormem na palavra escrita (32).
A folha caída, - arrancada da velha árvore da poesia mal dita (47).
A árvore – é um sábio pensando. – A Terra está prenhe de Cantos (50).
E a síntese: Eu sou o último galho – o que sobrou... – e aqui estou – sob a sombra dessas árvores e dessas plantas – entre as dobras dessas páginas brancas, - vivendo secretamente em ti (46).

Culpa da árvore?

A leitura de O livro das sombras estrutura-se com esses focos e dois deles são particularmente interessantes no posicionamento da diferencialidade do autor. O primeiro concerne à assertiva, já no prólogo: Somos também os únicos culpados de tudo. O mundo inteiro é culpa de quem imagina, não de quem vive (11).
Quem são, de fato, os culpados? Por que existe uma culpa? Por que imaginar, e não viver, conduz à culpa? Seria o casal adâmico (Desde o princípio foi Adão e a erva!, 34), de vez que o livro é, no fundo, um elogio lírico à insurreição/ressurreição da vida, da poesia, de um caso amoroso? Seria Mackellene um Goethe pós-moderno?
Nesse contexto culposo há uma cosmovisão barroca: a culpa pela imaginação, pretexto para o exercício poético com desenvolvimento de jogos de imagens e conceitos, como em Gregório de Matos.
Culpa: o poeta tem consciência de que a poesia tem culpa pelo imaginário (ir)real da vida; pelo que a palavra se obriga fragmentar do “todo reconstruído”; pelo que a palavra arrasta quando arresta e quando arreta em busca de vigência no futuro, ainda que seja o silêncio fecundo. Isto porque, diz Maria Tereza Selitre, “a poesia é dom de espanto, de perpétua descoberta; liga-se a todas as experiências da vida, ilumina e metamorfoseia as mais habituais, destacando dessa experiência o que ela tem de essencial.”
Pode-se, portanto, corroborar o axioma de um filósofo, que diz: “A poesia nos vinga, por não sermos Deus.” Há um pouco da culpa apocalíptica de Murilo Mendes em Mackellene. Como, também, um pouco de Nietzsche.
Há uma culpa em função ou em razão da responsabilidade pelo que o texto desautoriza; a impotência pelo que a palavra/o texto/o poema é capaz de “sobrevalorizar as alusões e tomar como valor estético, filosófico ou de outra ordem, o que é mero adorno ou impostura”; “o risco fatal de construir um texto que não existe” (Júlio César B. Gomes).
O que O livro das sombras evoca é uma culpa sem expiação, contra o coitadismo infundido pela religiosidade monoteísta e dogmática; não a culpa que pede absolvição, mas imaginação para recriar a beleza, porque, diz o poeta, só germina a semente apodrecida (46).
Culpa: a consciência da realidade profunda do universo entre duas forças antagônicas: aqui que temos e amamos – entre o amor e o medo – intersecção do que temos e do que perdemos (11).
Culpa pelo fato de o poeta ser um mal intravenoso, visceral como um coágulo no mundo, um tumor maligno dentro das veias do tempo (11), mas, também, por ser um óbulo, que pelo étimo grego significa “ que aconselha sabiamente.” E o poeta o faz: Um poeta é guia de todos os destinos. – Acima de ti, nenhum profeta. – Só confie nos deuses e nos poetas (31) – Presta atenção, - que as palavras são árvores de sentido – que a palavra é a semente de todas as coisas. – Deixa que a palavra te leve, - que ela é um barco que navega sem leme (32) – Para ver as estrelas mais sutis – é preciso confiar no escuro. – Te mostro minhas mãos, meu amor! – as mãos é que dizem quem somos (37) – Aprende que a beleza é um segredo íntimo da natureza das coisas (38,9) – Ler é caminhar (41) – Só há um destino possível: o lugar onde nascemos, a fonte (49).
O sentimento de culpa apregoado pelo poeta pode se dar também em razão da insuficiência do eu entregue a si mesmo, o que leva o vate “a querer completar-se pela adesão do próximo, substituindo os problemas pessoais pelos problemas do mundo”, como Antonio Cândido leu em CDA.
Este foco enseja reflexão alusiva ao que Dany Dufour chama de “os extravios do indivíduo-sujeito”, onde analisa a nova condição humana com base em “a essência do neoliberalismo”, de Pierre Bourdieu. Nessa vertente filosófica, o sentimento de culpa se justifica pela fratura da modernidade, com o esgotamento e o desaparecimento das sagas de legitimação, a transmutação das estruturas coletivas e à transferência para o sujeito falante de uma definição auto-referencial em meio às democracias de mercado.
A culpa pelo fracasso desafia a sobrevivência. O eu derruído, antes locus da auto-identidade estável, analisa Vladimir Safatle, agora está exposto à retórica do consumo, à “imagem de um corpo reconfigurável” que faça parte do imaginário contra a “forma vazia da reconfiguração contínua de si”, de modo a imaginar a possibilidade de se resgatar o “agradável gozo da vida” proposto por Kant.
A culpabilidade por certo que inclui, no viés psicológico, o “transtorno do pânico” gerador do freudiano mal-estar da civilização, a partir da condição de desamparo do sujeito no mundo. Donde o sujeito poético, ôntico, primordial e contextualizado num eterno retorno forjar “uma identidade imaginária que parte de si para si, o que causa o impacto de uma falsa realidade, sem poupá-lo, e, por extensão, o poeta, da dúvida e da incerteza, cujo extremo leva ao congelamento dos afetos e da reflexão. A poesia opõe-se a esse estado de morbidez compulsória.
É o vazio captado por Mackellene e por ele enfrentado com a força do imaginário para vencer a idéia de o poeta ser “figura de servidão.” O poeta, por isso, defende o paradoxo de a culpa localizar-se em quem imagina, não em quem vive, como se por vivência todo ser humano já estivesse condicionado às dores do mundo (13), esse mundo que é inteiro uma insinuação (19) e no qual a natureza das coisas se levantará contra nós, – que somos a morte suprema de todas as coisas (24).
Contra a culpa, propõe o poeta, é preciso uma aprendizagem de desaprender tudo de onde nasce horrenda memória (30,1), e, para tal, o verbo deve ser sacrificado (31). Contudo, o poeta é consciente disso, se o presente é a eterna repetição do que somos, a culpa é latente, e, por igual, onipotente, porque pode superar-se, como a árvore, genealogia humana, cujo fruto é uma revolução silenciosa (50).
O segundo foco diz respeito ao poema “O caminho das árvores”. Mackellene faz da árvore o principal símbolo do livro. Sob a forma orgânica do rizoma, a árvore é motivo edênico: Todas essas espécies de árvores que existem, - a leucina, - a palmeira, - a mangueira, - a perfeita, - não são outras árvores – são as mesmas – a mesma espécie arbórea (17). Sob a forma arrizotônica é a mesma árvore – que respira e observa – a caminhar – com um único organismo – pela terra inteira (17,8).
O poeta confere à árvore uma bachelardiana “imaginação moral”: O caminho dos homens – é o destino das árvores. – O caminho das árvores – é o destino dos homens (18). A árvore é assim o significado do enraizamento humano, a identidade do lócus, da fertilidade, da doação de alimentos e sombra. A mulher, objeto de seu livro-homenagem (Eu fiz um poema pra ti. – Verdade, - fiz um poema pra ti. – Quer ouvir?, 44) é comparada a uma árvore que renasce (19). Como as árvores dos filmes de Harry Porter, mas antes, dos contos infanto-juvenis clássicos, as de Mackellene também são sábias – as árvores se reúnem à noite – e decidem o destino dos homens (25) – as árvores dormem na palavra escrita (32) – ler – é uma árvore que desperta (32); andam – Alta noite – as árvores caminham – como grandes almas, - como grandes arcas, - repletas de seres noturnos e fantásticos (21); participam – as árvores guardam o mundo – e testemunham a História (20) – as árvores recomeçam o mundo (30) – vão tramando a insurreição (22); contextualizam o cenário ecológico: Quando a flor rompeu o asfalto – poucos perceberam que ali – era o primeiro sinal – de que as coisas vivas – (que não somos nós) – se rebelariam (23) – Todos os poemas são profecias: - a natureza das coisas se levantará contra nós, - que somos a morte suprema de todas as coisas (24)
Toda essa alegoria parece apontar para a advertência de S. Bernardo: “Há mais nas árvores do que nos livros.”
Mackellene, admirador confesso de Bachelard, adota a postura imaginária da “psicologia ascensional” proposta por Robert Desoille, apreciada pelo fenomenólogo de “O ar e os sonhos”, em cujo livro dedica capítulo especial à ”árvore aérea.” Pelo devaneio ascensional, diz Bachelard, Desoille procura oferecer uma saída a psiquismos bloqueados, proporcionar um destino feliz a sentimentos confusos e ineficazes (Trago a alma maculada de amores instantâneos, - perdidos, efêmeros – que trago o corpo manchado por mundos estranhos, - desmedidos, intensos – que trago a feiúra dos indecisos ,20).
A árvore simboliza, com a essência desse método, o “hábito do onirismo de ascensão”, a qual é assumida “para fortificar o eixo de uma sublimação à qual pouco a pouco se dá consciência de si mesma”, uma vez que, acrescenta Bachelard, por ela se descobre “uma linha de vida” através da imaginação. “Sabe querer quem sabe imaginar. À imaginação que ilumina a vontade se une uma vontade de imaginar, de viver o que se imagina.” Dessa força, assinala ainda o mestre francês, advém “a transformação de uma energia onírica em energia moral, nos próprios termos em que um calor confuso é transformado em movimento.” Por isso as árvores andam, pensam, decidem, interferem, arborizam a vida e a poesia, que é, em primeira instância, vida. O poeta sabe, a priori, como parte do aprendizado bachelardiano, que “não se pode ser feliz com uma imaginação dividida.”
Donde poder-se concluir, como o fez Bachelard: “A árvore é um ser que o sonho profundo não mutila.” E, com base no “energetismo nietzschiano”, se justifica, o que, por empatia intencional, justifica, também, o símbolo arbóreo em O livro das sombras: “A árvore ereta é uma força evidente que conduz uma vida terrestre ao céu azul. Dessa vida vertical, as mais diversas imaginações, sejam elas ígneas, aquáticas, terrestres ou aéreas, poderão reviver seus temas favoritos. (...) A árvore é a mãe do fogo. Um mesmo objeto do mundo pode dar “o espectro completo” das imaginações materiais. (...) Deixemo-la proliferar, deixemo-la viver, e pouco a pouco sentiremos em nós mesmos que a árvore, ser estático por excelência, recebe de nossa imaginação uma vida dinâmica maravilhosa. (...) Como a imaginação dinâmica adora esse ser sempre ereto, esse ser que não se deita jamais! “Só a árvore, na natureza, por uma razão típica, é vertical como o homem”, diz Paul Claudel.”
Além de Bachelard, a árvore mackelleniana encontra robusta analogia, por exemplo, também no “simbolismo do centro”, analisado por Mircea Eliade em “Imagens e símbolos” (Martins Fontes), propagando a Árvore Cósmica, cujas denominações estendem-se a Árvore do Mundo e Árvore Universal; e à Árvore-Coluna, estudada em seu devir dramático por Gilbert Durand em “As estruturas antropológicas do imaginário” (Martins Fontes).

Márcio Almeida é professor universitário, poeta, jornalista e crítico literário, autor de 39 publicações, algumas no exterior, detentor de dezenas de prêmios nacionais de Literatura. marcioalmeidas@hotmail.com



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Estimados amigos y amigas:
El propósito de este mensaje es informarles que hemos comenzado a trabajar en el II Festival Internacional de Vídeo Arte Camagüey, 2009. El Festival se celebrará en la ciudad de Camagüey (Cuba) del 27 de noviembre al 1 de diciembre del 2009. Nuestro Festival permite la oportunidad de presentar nuevas obras de vídeo-arte, de artistas emergentes o consagrados. La participación es abierta a todos los artistas nacionales e internacionales, sin distinción de edad ni sexo.

Si el Festival es de su interés, si es artista independiente, galerista, institución, curador o teórico del arte, para nosotros sería un placer poder contar con su participación. Le estamos invitando a realizar una propuesta para esta segunda edición.

El plazo para recibir proyectos y obras finaliza el 29 de agosto del presente año.
Cualquier consulta se puede hacer vía e-mail a:

Diana Rosa Pérez
Coordinadora y Productora General
FESTIVAL INTERNACIONAL DE VIDEOARTE DE CAMAGUEY 2009
CP: 70 100. Telef. (53) 032 256253
Camaguey – Cuba
sandia@pprincipe.cult.cu

videocamfestival@yahoo.es
Gracias por su interés.
COMITE ORGANIZADOR

Chers amís:
Le but de ce message C’est vous faire savoir que nous avons commencé à travailler pour le “II Festival International de Videoart Camaguey 2009” . Le festival aura lieu dans la ville de Camaguey (Cuba) du 27 novembre au 1° décembre X-AntiVirus: checked by AntiVir MailGuard (Version: 8.0.0.18; AVE: 8.2.0.156; VDF: 7.1.3.110) 2009.
Notre Festival offre l’ opportunité de présenter de nouvelles œuvres de videoart d’ artistes débutants ou consacrés. La participation est ouverte à tours les artistes nationaux et internationaux de n’ importe quel âge ou sexe.

Si le Festival est de votre intêret, si vous êter un artiste indépendant, représentant d’ une galérie (institution), curateur ou théoricien d’ art pour nous serait un grand plaisir de pouvoir compter sur votre participation. On vous invite à réaliser une proposition pour cette deuxième édition.
Le délaìs d’ accueil des projets et des œuvres finira le 29 août 2009.

Vous pouvez nous consulter par E-mail:

Diana Rosa Pérez
Coordinatrice et Productrice Générale
FESTIVAL INTERNACIONAL DE VIDEOARTE
CAMAGUEY 2009
CP: 70 100. Telef. (53) 032 256253
Camaguey – Cuba
http://mail.uol.com.br/compose?to=sandia@pprincipe.cult.cu - http://mail.uol.com.br/compose?to=videocamfestival@yahoo.es

Merci de votre intêret.
COMITE ORGANIZATEUR
Dear friends:
The purpose of this message is that of informing you we have started working aiming at the II INTERNATIONAL FESTIVAL OF VIDEO-ART
OF CAMAGUEY, 2009. The Festival will take place in Camaguey City, Cuba from November 27th to December 1st, 2009.Our Festival allows a chance to present the recient video-art works, the same of young or already consolidated artists. All artists, local or foreign, can participate with no age or sex distinction whatsoever.

If you are interested and you are an indpendent artist, art gallery or art institution representative, a curator, an art critics or anyone close to these areas, it will be a pleasure to count on your participation. We encourage you to prepare a proposal for this Festival Second Edition.

The deadline for the participating works and projects will be August 29th of the current year.
For further information, please contact:

Diana Rosa Pérez
Coordinator and general producer
FESTIVAL INTERNACIONAL DE VIDEOARTE
CAMAGUEY 2009
CP: 70 100. Telef. (53) 032 256253
Camaguey – Cuba
sandia@pprincipe.cult.cu


Produtores Culturais Cariocas

Questionam MV Bill e AfroReggae

Olá caros amigos periféricos, tem também uma outra grande caixa preta que é o Afroregae do Júnior, que conheci vendendo um jornal do movimento regae na Cinelândia junto com Teko e com o fotógrafo Clori que está sumido hoje Júnior tem uma vida de classe alta movimenta uma verdadeira fortuna vinda tanto do poder público quanto do mundo privado, ele tem programa de tv, viaja o mundo inteiro, mas Vigário Geral continua a mesma coisa de a 15 anos, um local muito violento abandonado onde os jovens morrem numa escala incrível . Épreciso fazer uma investigação para saber para onde foi todo este volume de dinheiro aplicado no Afro reegae durante estes anos e quais são os resultados diretos para a comuidade.
Se é para abrir as caixas pretas das Ongs da cultura, vamos abrir todas, inclusive as branca as vermelhas e as verdes.
Tem muita gente supostamente boa da cultura que está com a mão grande nesta cumbuca
abraço
Marko Andrade

É verdade. Vigário Geral apresenta alto índice de vulnerabilidade social. Agora eu te pergunto, o Junior entende disso? O Poder Público tem demonstrado incompetência para enfrentar esta questão. A Secretaria Municipal de Assistência é uma fraude, uma farsa ou uma comédia? Marque a resposta certa. Se você questionar o Júnior ela vai dizer que montou duas bandas e tirou uma dúzia de adolescente do caminho do crime. Este moço parece mais um pop-star. Está bem com a polícia, com os bandidos, com o poder público, com os artistas alienados e com a Globo.
Um abraço.
Aljor

Caro mano Aljor, É preciso uma resposta contundente a tudo isso, o que podemos fazer além de trocar e-mails entre os manos. Eu penso e já me expressei nesse sentido que temos que criar um grande movimento político-artístico-comunitário e cultural que dê uma porrada nisto tudo que você e o mano Marko estão denunciando!!!!!!!!!!!!!

Abs, Bebeto Baía

http://www.abaiavive.combr/

Comando do PT negocia trégua da bancada no Senado sobre situação de Sarney
fonte: http://www.uol.com.br/

A direção do PT vai tentar negociar uma trégua com a bancada do partido no Senado em torno da permanência do presidente da Casa, José Sarney (PMDB-AP), no cargo. O presidente do PT, deputado Ricardo Berzoini (SP), deve convocar uma reunião com os senadores petistas na semana que vem e defender que não é papel da bancada discutir a saída ou afastamento de Sarney.
Segundo interlocutores, a avaliação de Berzoini é que, como o PT não apoiou a candidatura do peemedebista ao comando do Senado, não tem responsabilidade pelas ações dele no cargo.
O presidente do PT teria dito que foi surpreendido com a nota divulgada pelo líder do PT, Aloizio Mercadante (SP), por acreditar que não existem novos motivos para pressionar o peemedebista. No documento, Mercadante afirmou que a divulgação das gravações da Polícia Federal que indicariam envolvimento de Sarney na negociação da contratação do namorado da neta era "grave, porque há indícios concretos da associação do peemedebista com atos secretos".
Para a direção do PT, a nota foi precipitada. Alguns senadores petistas disseram à Folha Online que a iniciativa de Mercadante foi isolada, apesar de representar o posicionamento defendido pela bancada no início do mês. O líder do PT não foi localizado pela reportagem.
O senador Eduardo Suplicy (PT-SP) afirmou, no entanto, que se houvesse a consulta, pelo menos seis ou sete senadores apoiariam o texto. "Temos defendido essa questão publicamente. Não podemos negar que é preciso que o presidente do Senado se afaste para dar credibilidade às investigações e até para oxigenar os trabalhos da Casa", disse.
Suplicy conversou na sexta-feira com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre o afastamento de Sarney, mas não conseguiu reverter o apoio do governo a manutenção de Sarney na presidência do Senado. O governo está preocupado com a governabilidade, com a CPI da Petrobras e com o apoio do PMDB nas eleições de 2010.
O senador petista chegou a comentar com o presidente Lula que uma conversa que teve semanas atrás com o vice-presidente do Senado, Marconi Perillo (PSDB-GO), na qual o tucano se comprometeu, no caso de um afastamento de Sarney, comandar o Senado sem prejuízos para o governo. "O presidente ficou de refletir sobre o assunto", disse.
A nota de Mercadante gerou mal-estar no governo. O ministro José Múcio Monteiro (Relações Institucionais) disse hoje que o governo manteria o apoio a Sarney e afirmou que o governo avaliaria a nota de Mercadante para saber se tinha o aval da bancada. "O que nós avaliamos é que isso não é um movimento do PT. Nós imaginamos que seja o posicionamento de um ou dois senadores", afirmou.

PROJETO LITERÁRIO PALAVRA VIVA

O Instituto Imersão Latina fechou uma parceria com a editora All Print para a publicação de livros e participação na Bienal Internacional do Livro do Rio de Janeiro que será realizada de 10 a 20 de setembro. Publicaremos a antologia: "Nós da Poesia" (nome sugerido pelo poeta Cláudio Márcio do Alô Vida em reunião com poetas realizadores do evento anual Paz e Poesia). Mais que uma coletânea de poemas o livro será uma reunião de poetas que trabalham pelo fazer poético em organizações e> movim entos culturais. Cada autor deve enviar foto, mini-currículo e> logomarca da entidade cultural/literária que representa para sercolocada na página de abertura do poeta. O Projeto Literário Palavra Viva é um pacote promocional onde a Editora All Print oferece para Grupos Literários ou Academia de Letras benefícios> para editar livros de seus membros com as seguintes vantagens: Selo Editorial em Co-edição (uma junção do selo da All Print Editora e do Grupo que sairá impresso> no livro). Página no Portal All Print Editora. (O grupo terá uma página em nosso portal, onde terão os livros dos membros, matéria do grupo, e informações para outros escritores se> associar ao grupo.)

mais informação aqui: http://imersaolatina.blogspot.com/

João Boa MorteCabra Marcado para Morrer

Essa guerra do Nordeste não mata quem é doutor. Não mata dono de engenho, só mata cabra da peste, só mata o trabalhador. O dono de engenho engorda, vira logo senador. Não faz um ano que os homens que trabalham na fazenda do Coronel Benedito tiveram com ele atrito devido ao preço da venda. O preço do ano passado já era baixo e no entanto o coronel não quis dar o novo preço ajustado. João e seus companheiros não gostaram da proeza: se o novo preço não dava para garantir a mesa, aceitar preço mais baixo já era muita fraqueza. "Não vamos voltar atrás. Precisamos de dinheiro. Se o coronel não quer dar mais, vendemos nosso produto para outro fazendeiro. "Com o coronel foram ter. Mas quando comunicaram que a outro iam vender o cereal que plantaram, o coronel respondeu: "Ainda está pra nascer um cabra pra fazer isso. Aquele que se atrever pode rezar, vai morrer, vai tomar chá de sumiço".

ferreira gullar

domingo, 26 de julho de 2009



Depois de Entortada com o poema Profanalha NU Rio, nossa querida professora Arlete Sendra, é questionada pelo Xacal no blog http://atrolha.blogspot.com/ ao ser homenageada pelos coronéis do açúcar, os trituradores de gente.
Será que serão publicados poemas e odes aos usineiros pela acadêmica Arlete Sendra, recém homenageada pelo neocoronelato campista...?

Moenda

Usina
mói a cana
o caldo & o bagaço

Usina
mói o braço
a carne o osso

Usina
mói a fruta
o sangue & o caroço

tritura suga torce
dos pés até o pescoço

e do alto da casa grande
os donos do engenho controlam:
o saldo & o lucro

Artur Gomes
In Suor & Cio – 1985

Vejam programação de Agosto projeto Urbanidades – Sesc Campos aqui: http://culturaurbanacinevdeo.blogspot.com/

Um bom domingo e um grande abraço a todos
Artur Gomes
Nação Goytacá
http://tropicanalice.blogspot.com/


Mensalmente a Casa das Rosas e a Escrituras Editora promovem a “Quinta Poética”, evento que reúne amantes do gênero com a presença de poetas convidados e de um jovem escritor, que tem a oportunidade de apresentar seu trabalho.

QUINTA POÉTICA

com os poetas convidados

José Geraldo Neres (anfitrião), Edson Bueno de Camargo, Marcelo Ariel, João de Jesus Paes Loureiro e o jovem poeta Jorge de Barros.

Participação especial do músico Henrique Crispim, do grupo Percutindo Mundos, Kiusam de Oliveira e Marcello Santos.

Quinta-feira, 30 de julho de 2009

a partir das 19h

Casa das Rosas - Espaço Haroldo de Campos de Poesia e Literatura Av. Paulista, 37 - Bela Vista CEP: 01311-902 São Paulo - SP Fones: (11) 3285-6986 / 3288-9447

Próximo ao metrô Brigadeiro.

Convênio com o estacionamento Patropi - Alameda Santos, 74

Informações: (11) 5904-

Festa SiriGaitas

O cantor e gaitista Engels Espíritos lança o projeto “Festa SiriGaitas” um novo show apresentando composições e um repertório com clássicos dos principais ritmos da música brasileira. Apresentando sua performance, extraindo de suas gaitas sons de sanfona, pífano e rabeca, Engels promete um show que fará o público se divertir e dançar com muito Samba-Funk, Samba-Rock, Maracatu, Forró e Baião.

A festa conta com a participação das bandas As Juvelinas, tocando música regional nordestina e do Trio Chinelada, aquecendo as zabumbas com o mellhor do Forró e do Baião. Para animar ainda mais a festa, o DJ Ravi tocará algumas brasilidades acompanhado do VJaing Soma, projetando vídeos manipulados ao vivo. A festa ainda reserva um momento poético com a intervenção Consuma Poesia, da poeta Marina Mara.

No BlackOut Bar- Clube da CEB 904 sul (Atrás da UNI-DF)Dia: 8 de Agosto - sábado!

Horário: 21h30

Investimento: R$ 10,00

Informações: 9978-7788

Vejam o video ( Sanfona na gaita)

http://www.youtube.com/watch?v=dr8jbxZ-NRwhttp://www.engelsespiritos.com.br/



Momento Manguaça Cultural

Antigamente, no Brasil, para se ter melado, os escravos colocavam o caldo da cana-de-açúcar em um tacho e levavam ao fogo. Não podiam parar de mexer até que uma consistência cremosa surgisse. Porém um dia, cansados de tanto mexer e com serviços ainda por terminar, os escravos simplesmente pararam e o melado desandou. O que fazer agora? A saída que encontraram foi guardar o melado longe das vistas do feitor. No dia seguinte, encontraram o melado azedo fermentado. Não pensaram duas vezes e misturaram o tal melado azedo com o novo e levaram os dois ao fogo. Resultado: o 'azedo' do melado antigo era álcool que aos poucos foi evaporando e formou no teto do engenho umas goteiras que pingavam constantemente. Era a cachaça já formada que pingava. Daí o nome 'PINGA'. Quando a pinga batia nas suas costas marcadas com as chibatadas dos feitores ardia muito, por isso deram o nome de 'ÁGUA-ARDENTE' . Caindo em seus rostos escorrendo até a boca, os escravos perceberam que, com a tal goteira, ficavam alegres e com vontade de dançar.. E sempre que queriam ficar alegres repetiam o processo.

(História contada no Museu do Homem do Nordeste - Recife).


INSTITUTO DE PESQUISA DAS CULTURAS NEGRAS
Para visualizar fotos da comemoração dos 34 anos do IPCN, ocorrida em 24.07.2009, clique nesta imagem ou no link abaixo.
http://www.flickr.com/photos/adagoberto/sets/72157621823001296/

GENERAL MANDÍBULA AFOGADO NO OÁSIS

Na revista Coyote, nós, editores, procuramos não publicar textos nossos. A idéia é abrir espaço para os outros. Porém, tanto eu quanto Rodrigo Garcia Lopes e Marcos Losnak continuamos criando nossos poemas, contos, etc e tal. E aí surge a vontade de publicar uma safra nova. Foi o que aconteceu nessa edição (19): saíram 7 poemas meus, do novo livro que estou organizando. E os poemas, claro, passaram pelo crivo do Rodrigo e do Losnak, como qualquer outro material que chega. Eis dois deles:

O TRIUNFO DO GENERAL MANDÍBULA

faca entre os dentes, trinados
de gralhas nos ouvidos, mergulho
no rio dos sonhos, desço ao mundo
dos mortos, pirata na proa
do navio fantasma, golfinhos
saltando no mar revolto, demônio
vestido com roupas de fada, buraco
esculpido na cama de ozônio, ninguém
responde ao chamado, vozes
estranhas na secretária eletrônica,
a agência do unibanco arde
em chamas, punks desfilam nas ruas
de copacabana, o caos ecoa nas ruínas,
escuras esquinas do inferno, pompéia,
são paulo, istambul, atenas, a moda
do outono é a decadência do inverno,
dizem que os profetas só predizem
desatinos, pássaros tenebrosos nublam
presságios, o cacto rubro desconhece
a flor do destino, é no silêncio
que os banqueiros multiplicam seus
ágios, quebram-se dentes, racham
mandíbulas, ossos estralam nas tumbas,
o vento varre os edifícios da cidade,
baleias destroçam submarinos, bruxos
eslavos rasuram signos mágicos, otários
neochics imitam macacos, cadelas
burguesas tomam no rabo, hackers
detonam a musa da TV a cabo, nada faz
sentido nessa névoa de bosta, lama
espessa subindo dos pés ao pescoço,
caronte enlouquecido brandindo
seus remos, vermes homicidas à espera
do almoço

COMO SE CHAMA?

a tarde aspira o aroma do incenso
a vida dura um tempo
mínima moldura onde flora e transfigura
o que se fez fundo, beijo, iluminura

e como se chama mesmo aquilo que se faz
em nós, nômades em paz na borda de um oásis
a brisa breve valsa sem nenhum alarde
névoa espessa, uma vez desfeita, nunca mais

Ademir Assunção

http://zonabranca.blog.uol.com.br/

a palavra é ambidestra
com a esquerda canta
com a direita fala
com a esquerda zumbe
com a direita diz

a palavra chuta com as duas
com a esquerda dribla
com a direita passa
com a esquerda finta
com a direita é gol

a palavra são
chacal 18/07/09

http://chacalog.zip.net/

Poema(s) da Cabra
João Cabral de Melo Neto

Nas margens do Mediterrâneo

não se vê um palmo de terra

que a terra tivesse esquecido

de fazer converter em pedra.

Nas margens do Mediterrâneo

Não se vê um palmo de pedra

que a pedra tivesse esquecido

de ocupar com sua fera.

Ali, onde nenhuma linha pode lembrar,

porque mais doce,

o que até chega a parecer

suave serra de uma foice,

não se vê um palmo de terra

por mais pedra ou fera que seja,

que a cabra não tenha ocupado

com sua planta fibrosa e negra.

1
A cabra é negra. Mas seu negro

não é o negro do ébano douto

(que é quase azul) ou o negro rico

do jacarandá (mais bem roxo).

O negro da cabra é o negrodo preto,

do pobre, do pouco.

Negro da poeira, que é cinzento.

Negro da ferrugem, que é fosco.

Negro do feio, às vezes branco.

Ou o negro do pardo, que é pardo.

disso que não chega a ter cor

ou perdeu toda cor no gasto.

É o negro da segunda classe.

Do inferior (que é sempre opaco).

Disso que não pode ter cor

porque em negro sai mais barato.

2
Se o negro quer dizer noturno

o negro da cabra é solar.

Não é o da cabra o negro noite.

É o negro de sol. Luminar.

Será o negro do queimado

mais que o negro da escuridão.

Negra é do sol que acumulou.

É o negro mais bem do carvão.

Não é o negro do macabro.

Negro funeral. Nem do luto.

Tampouco é o negro do mistério,

de braços cruzados, eunuco.

É mesmo o negro do carvão.

O negro da hulha. Do coque.

Negro que pode haver na pólvora:

negro de vida, não de morte.

3
O negro da cabra é o negro

da natureza dela cabra.

Mesmo dessa que não é negra,

como a do Moxotó, que é clara.

O negro é o duro que há no fundo

da cabra. De seu natural.

Tal no fundo da terra há pedra,

no fundo da pedra, metal.

O negro é o duro que há no fundo

da natureza sem orvalho

que é a da cabra, esse animal

sem folhas, só raiz e talo,

que é a da cabra, esse animal

de alma-caroço, de alma córnea,

sem moelas, úmidos, lábios,

pão sem miolo, apenas côdea.

4
Quem já encontrou uma cabra

que tivesse ritmos domésticos?

O grosso derrame do porco,

da vaca, do sono e de tédio?

Quem encontrou cabra

que fosse animal de sociedade?

Tal o cão, o gato, o cavalo,

diletos do homem e da arte?

A cabra guarda todo o arisco,

rebelde, do animal selvagem,

viva demais que é para ser

animal dos de luxo ou pajem.

Viva demais para não ser,

quando colaboracionista,

o reduzido irredutível,

o inconformado conformista.

5
A cabra é o melhor instrumento

de verrumar a terra magra.

Por dentro da serra e da seca

não chega onde chega a cabra.

Se a serra é terra, a cabra é pedra.

Se a serra é pedra, é pedernal.

Sua boca é sempre mais dura

que a serra, não importa qual.

A cabra tem o dente frio,

a insolência do que mastiga.

Por isso o homem vive da cabra

mas sempre a vê como inimiga.

Por isso quem vive da cabra

e não é capaz do seu braço

desconfia sempre da cabra:

diz que tem parte com o Diabo.

6
Não é pelo vício da pedra,

por preferir a pedra à folha.

É que a cabra é expulsa do verde,

trancada do lado de fora.

A cabra é trancada por dentro.

Condenada à caatinga seca.

Liberta, no vasto sem nada,

proibida, na verdura estreita.

Leva no pescoço uma canga

que a impede de furar as cercas.

Leva os muros do próprio cárcere:

prisioneira e carcereira.

Liberdade de fome e sede

da ambulante prisioneira.

Não é que ela busque o difícil:

é que a sabem capaz de pedra.

7
A vida da cabra não deixa

lazer para ser fina ou lírica

(tal o urubu, que em doces linhas

voa à procura da carniça).

Vive a cabra contra a pendente,

sem os êxtases das decidas.

Viver para a cabra não é

re-ruminar-se introspectiva.

É, literalmente, cavar

a vida sob a superfície,

que a cabra, proibida de folhas,

tem de desentranhar raízes.

Eis porque é a cabra grosseira,

de mãos ásperas, realista.

Eis porque, mesmo ruminando,

não é jamais contemplativa.

8
O núcleo de cabra é visível

por debaixo de muitas coisas.

Com a natureza da cabra

outras aprendem sua crosta.

Um núcleo de cabra é visível

em certos atributos roucos

que têm as coisas obrigadas

a fazer de seu corpo couro.

A fazer de seu couro sola,

a armar-se em couraças, escamas:

como se dá com certas coisas

e muitas condições humanas.

Os jumentos são animais

que muito aprenderam com a cabra.

O nordestino, convivendo-a,

fez-se de sua mesma casta.

9
O núcleo de cabra é visível

debaixo do homem do Nordeste.

Da cabra lhe vem o escarpado

e o estofo nervudo que o enche.

Se adivinha o núcleo de cabra

no jeito de existir, Cardozo,

que reponta sob seu gesto

como esqueleto sob o corpo.

E é outra ossatura mais forte

que o esqueleto comum, de todos;

debaixo do próprio esqueleto,

no fundo centro de seus ossos.

A cabra deu ao nordestino

esse esqueleto mais de dentro:

o aço do osso, que resiste

quando o osso perde seu cimento.
*
O Mediterrâneo é mar clássico,

com águas de mármore azul.

Em nada me lembra das águas

sem marca do rio Pajeú.

As ondas do Mediterrâneo

estão no mármore traçadas.

Nos rios do Sertão, se existe,

a água corre despenteada.

As margens do Mediterrâneo

parecem deserto balcão.

Deserto, mas de terras nobres

não da piçarra do Sertão.

Mas não minto o Mediterrâneo

nem sua atmosfera maior

descrevendo-lhe as cabras negras

em termos da do Moxotó.

Texto extraído do livro "João Cabral de Melo Neto - Obra completa", Editora Nova Aguilar - Rio de Janeiro, 1994, pág. 254.

Saiba mais sobre João Cabral de Melo Neto e sua obra em "Biografias"

A Bomba Suja

ferreira gullar

Introduzo na poesia A palavra diarréia. Não pela palavra fria Mas pelo que ela semeia. Quem fala em flor não diz tudo. Quem me fala em dor diz demais. O poeta se torna mudo sem as palavras reais. No dicionário a palavra é mera idéia abstrata. Mais que palavra, diarréia é arma que fere e mata. Que mata mais do que faca, mais que bala de fuzil, homem, mulher e criança no interior do Brasil. Por exemplo, a diarréia, no Rio Grande do Norte, de cem crianças que nascem, setenta e seis leva á morte. É como uma bomba D que explode dentro do homem quando se dispara, lenta, a espoleta da fome. É uma bomba-relógio (o relógio é o coração) que enquanto o homem trabalha vai preparando a explosão. Bomba colocada nele muito antes dele nascer; que quando a vida desperta nele, começa a bater. Bomba colocada nele Pelos séculos de fome e que explode em diarréia no corpo de quem não come. Não é uma bomba limpa: é uma bomba suja e mansa que elimina sem barulho vários milhões de crianças. Sobretudo no nordeste mas não apenas ali que a fome do Piauí se espalha de leste a oeste. Cabe agora perguntar quem é que faz essa fome, quem foi que ligou a bomba ao coração desse homem. Quem é que rouba a esse homem o cereal que ele planta, quem come o arroz que ele colhe se ele o colhe e não janta. Quem faz café virar dólar e faz arroz virar fome é o mesmo que põe a bomba suja no corpo do homem. Mas precisamos agora desarmar com nossas mãos a espoleta da fome que mata nossos irmãos. Mas precisamos agora deter o sabotador que instala a bomba da fome dentro do trabalhador. E sobretudo é preciso trabalhar com segurança pra dentro de cada homem trocar a arma de fome pela arma da esperança. (Rio, 1962)

sábado, 25 de julho de 2009










Artur,
Olha aí!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! CONSEGUIMOS !
E vc agora vai ser o cara da CULTURA DO PRO BEACH! Nossa ONG precisa de você.

Rio de Janeiro - Coordenação de Diversidade Cultural pontosdecultura.rj@gmail.com

Convite para a Solenidade de Apresentação dos Novos 150 Pontos de Cultura do Estado do Rio de Janeiro

Caro Ponto de Cultura,
É com muita alegria que lhe convido para a Solenidade de Apresentação dos Novos 150 Pontos de Cultura do Estado do Rio de Janeiro.
O evento contará com as presenças do Governador Sérgio Cabral e do Ministro da Cultura Juca Ferreira e acontecerá no dia 29 de julho, quarta-feira,
às 10 horas, no Palácio Guanabara, Rua Pinheiro Machado s/n, Laranjeiras.
O edital para seleção dos Pontos de Cultura contemplou projetos culturais de 69 municípios do Estado do Rio de Janeiro.
Adoraria contar com a sua presença para celebrarmos juntos a criação desta rede de cultura.

Um abraço,
Adriana Rattes

Secretaria de Estado de Cultura do Rio de Janeiro

Jura Não Secreta
quero dizer que ainda arde tua manhã em minha tarde tua noite no meu dia tudo em nós que já foi feito com prazer inda faria quero dizer que ainda é cedo ainda tenho um samba/enredo tudo em nós é carnaval é só vestir a fantasia quero ser seu mestre/sala e você porta/bandeira quando chegar na quarta-feira a gente inventa outra fulia

artur gomes http://carnavalhagumes.blogspot.com/


sexta-feira, 24 de julho de 2009

fotos: artur gomes











































































Campos e A Sua Pós Modernidade

será isso
ou será que chouriço
não é feito
de sangue de porco?
eu não me chamo Antônio
por isso
nasci um anjo torto
e ando por aí
chutando lixo das calçadas
videografando buracos da cidade
escombros rombos ladroagem
cinismo hipocrisia
e tudo mais que a sacanagem
me provoque desconforto
é o que é modernidade
é caos é mals é nada
e o que tem esta cidade
de modeerna ou pós
a não ser pouca vergonha
oficial e descarada?

porque sendo um anjo torto
espírito santo
e de porco
aprendi desde pequeno
a não fazer mais ou menos
em nenhum dos meus ofícios
do princípio ao meio e fim
não me perco no absurdo
de não saber discernir
o que é cais o que é porto
palavra é manto sagrado
mentir pra mim é pecado
por isso ando grudado
ao meu anjo torto SerAfim
Artur Gomes
http://tropicanalice.blogspot.com/

Mocidade Independente de Padre Olivácio
A Escola de Samba Oculta no Inconsciente Coletivo, Mocidade Independente de Padre Olivácio, volta a se reunir todas as quartas-feiras, com objetivo segundo informou o presidente da Associação de Blogueiros Desocupados, de planejar o Carnaval de 2010 e botar o Blog na Rua. Informou a ainda o presidente que o Estandarte da Agremiação já está pronto, uma linda Boneca de Pano, e que em breve será lançado o concurso para escolha do Samba-Enredo, com o tema: O Encravo e A Rosa, uma sugestão dos desanimadores culturais da cidade.

quinta-feira, 23 de julho de 2009



TEM UM BICHO
EMBAIXO DA CAMA

Dia 26 (domingo) às 17h no Teatro Municipal De Cabo Frio
Todo mundo tem medo. Essa é uma realidade incontestável. E você tem medo de que? Quando era criança, qual era o motivo que assombrava suas noites escuras quando o quarto ficava maior que o mundo todo e você só tinha sua cama pra se proteger?

Texto e Direção: Mariana Pimenta
Elenco: André Jotha, Bruno Silva e Louise Marrie
Ingressos: R$ 16,00 (inteira) R$ 10,00 (antec.) e R$ 5,00 (meia)

quarta-feira, 22 de julho de 2009



nota s nota 22 07 2009

IRMÃOS E IRMÃS EM ARMAS

Se não viesse aqui agora me referir ao evento Virada Cultural Solidária acontecido em 12 e 13 do corrente mês, algumas impressões passariam por mim, e se eu não me voltasse e não me questionasse e às outras pessoas que me cercam, certas impressões se perderiam para sempre. Eu não queria uma resposta emocional, mesmo quando me senti acolhido pela corrente vibratória positiva mais extraordinária em que já estive envolvido, e direcionada a minha pessoa. Indaguei desconcertado à Mary, minha mulher, o que havia gerado aquilo tudo, e ela me respondeu simplesmente “a gente colhe o que planta”. Fiquei por aqui. Essa agricultura limpa e auto-sustentável, nas mãos de outros semeadores de ilusões-a-serem-realidade como Romualdo Braga, Cássio Peixoto, el brujo Artur Gomes, Wellington Cordeiro, Nick Ferreira, uma safra de bandas novas que não estão nem aí, junto a pilotos veteranos como Pimentel, França, Reubes, Meméia e sua BBV. Enquanto isso, este aqui vai encarando um tratamento quimioterápico na base da valentia e obediência extrema as indicações médicas, e posso adiantar que Javé Todo Poderoso está me aliviando na medida em que só Ele sabe. Agradeço às lembranças e demonstrações de afeto.

Blues, lagoa...
Muito feliz a possível retomada de um projeto que integre turismo, cultura e lazer utilizando as vocações e material humano que temos por aqui, e além de tudo trazendo o bom e velho blues e R&R. Digo em outras palavras que a Lagoa de Cima merece mais uma chance ou duas. Ouvir música e contemplar as belezas que o meio-ambiente pode nos proporcionar, criando um anti-meio onde podemos até repensar o abandono de uma Região. que por outros motivos ou caminhos não é todo dia que nos enche de orgulho. Compas de Campos, voltei pra briga!

luizz R.

terça-feira, 21 de julho de 2009



Tudo índio
(Eliakin Rufino)

Eu conheço Wapixana que mora no treze
E ele sabe de outros cem
Que também moram lá
Muita gente índia, muita gente

No conselho indigenista
Macuxi de São Vicente
Tudo índio, tudo parente

Em cada bairro da cidade
Cada tribo tem o seu representante
Os Tuxáuas se reúnem
Toda semana
Na associação do Asa Branca
Tudo índio, tudo parente

Eu conheço Yanomame que vende sorvete
E um predreiro Taurepang que vive de biscate
As mulheres índias
Longe da maloca e da floresta
Sobrevivem como desempregadas domésticas
E os milhares de meninos e meninas
Fazem papel de índio no Boi
Durante as festas juninas
Tudo índio, tudo parente

Pobreza e renda dos indígenas
urbanos em Boa Vista-Roraima
Ana Hilda Carvalho de Souza*

A presença de população indígena nas cidades brasileiras constitui um fenômeno crescente, sempre caracterizado por uma inserção marcadamente periférica, situados entre os mais pobres entre os pobres. Mesmo ainda não dispondo de um critério censitário adequado para a população indígena urbana na capital Boa Vista, estima-se que esta cresceu muito ultimamente. Segundo a Organização dos Indígenas na Cidade (ODIC) e Centro de Atendimento aos Migrantes na Cidade (CAMIC) da Diocese de Roraima, usando o critério da auto-identificação em um Censo levantado em 2006, pode estar cerca de 30.000 ameríndios, embora o número certo seja desconhecido.
O contexto motivacional para a inserção do indígena na cidade está mediado por valores e normas peculiares da situação de contato interétnico destes com a sociedade envolvente. Embora, havendo alguns indígenas de países fronteiriços como República Cooperativa da Guyana e República Bolivariana da Venezuela, que também se fixaram em Boa Vista (NAMEM et al,1999), este deslocamento tem um aspecto interno, haja vista que para esses povos autóctones que habitam esta região não existe a imposição de uma fronteira internacional (BAINES, 2007).
Ademais, existem redes de parentesco que se ramificam entre as aldeias nos três lados da fronteira destes Estados nacionais e por toda a região do lavrado roraimense, em processo de constante nomadismo “buscando oportunidades que já não conseguem vislumbrar em seus lugares de origem” (SOUZA e SILVA, 2006, p. 17).
Assim, o fator econômico configura o principal motivo, como oportunidade de obtenção de emprego e renda como perspectiva de melhoria da qualidade de vida. Destarte, Golgher (2004, p. 37) observa que “pensar em migrantes no Brasil é ter em mente pessoas de baixa renda fugindo de precárias condições de vida em sua terra natal”. Neste sentido, Boa Vista, tornou-se o principal centro urbano do estado a concentrar migrantes, por se apresentar como o centro urbano mais dinâmico e ofertar uma maior quantidade de bens e serviços públicos e privados.
Em Boa Vista, é possível constatar as difíceis condições sócio-econômicas da população indígena sendo veiculadas pelos meios de comunicação local. Levantamentos diagnósticos através de estudos antropológicos e históricos confirmam que a situação sócio-econômica dos indígenas que moram nos bairros periféricos é muito mais grave do que o imaginado (FERRI, 1990; NAMEM et al, 1999; BRAZ, 2003; SOUZA e REPETTO, 2007).
Para o desenvolvimento deste estudo foi utilizado o método de pesquisa tipo descritiva junto a um espaço amostral de 384 pessoas que se auto-identificam como indígenas, e que moram em Boa Vista, para uma margem de erro de 5% nos resultados. A aplicação dos questionários foi feita por indígenas treinados e supervisionados pela pesquisadora, que aplicaram o formulário em bairros de Boa Vista com boa representatividade de indígenas, referendados pela coordenação da ODIC em outubro de 2008.
Cabe ressaltar que padrões culturais e sociais relativizam a situação de pobreza. Assim, essa variável, em se tratando de povos indígenas, deve ser analisada com ressalva. Todavia o escritor indígena Daniel Munduruku (apud GOIS, 2005), diretor-presidente do Instituto Indígena Brasileiro para a Propriedade Intelectual (INBRAPI), ao avaliar o conceito de pobreza e desenvolvimento urbano em comunidades tradicionais, adverte que pode ser empregado a populações indígenas urbanas, entretanto não pode ser aplicado sem tratamento crítico aos indígenas que vivem em aldeias.
De acordo com o relatório sobre pobreza rural elaborado pelo Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA) (2000), a condição de pobreza pode ser definida, de uma forma mais abrangente, como um fenômeno multidimensional, com aspectos culturais, sociais e econômicos que se caracterizam pela: exclusão e discriminação devido a origem étnica ou ao gênero; carência ou acesso limitado a serviços destinados a satisfazer as necessidades básicas das famílias; e níveis de renda inferiores à quantidade mínima necessária para obter um conjunto básico de bens e serviços para a família, incluindo os alimentos.
Embora havendo dificuldades a serem consideradas no aspecto metodológico, para se definir quem é pobre, as medidas de pobreza podem ser divididas em medidas monetárias e não-monetárias (LOPES et al, 2003). A abordagem monetária, que foi preferida nesta pesquisa, inclui a Linha de Indigência que é caracterizada pelo valor monetário necessário para a aquisição de uma cesta de alimentos que detenha a quantidade calórica mínima à sobrevivência, enquanto que Linha de Pobreza é o valor da Linha de Indigência acrescido do montante monetário capaz de arcar com despesas básicas de transporte, vestuário e moradia. Considera-se como Linha de Pobreza per capita o valor de ½ salário mínimo e como Linha de Indigência o valor de ¼ do salário mínimo vigente. Neste sentido, a renda familiar foi a variável utilizada para definir a situação de pobreza que a população indígena urbana se encontra.
A pesquisa, mostrou que 55,2% das famílias dos entrevistados vivem com no máximo 1 SM, seguido de 16,1% com renda de 1 até 1 e 0,5 SM. Considerando a média da composição familiar por habitação que é 4,59 pessoas (desvio-padrão 2,19), constata-se que 79,1% destas famílias estão vivendo abaixo da Linha de Pobreza, ou seja, tem renda per capita familiar inferior a ½ salário mínimo.
Este ainda não é o problema mais grave, quando se trata desta questão, pois dados da presente pesquisa mostram que aquelas famílias que recebem até 1 SM, vivem abaixo da Linha de Indigência, ou seja, tem renda per capita familiar inferior a ¼ salário mínimo, que neste caso corresponde a 63,0% da amostra. Dado que caracteriza uma situação de extrema pobreza para esta população, haja vista, que essas pessoas não dispõem do valor monetário necessário para a aquisição de uma cesta de alimentos que detenha a quantidade calórica mínima, estritamente indispensável à sobrevivência física. Dado que se torna mais agravante dentre as famílias que hospedam parentes, onde verifica-se uma situação sócio-econômica gravíssima, pois os rendimentos da família se tornam muito reduzido, dificultando à aquisição de cestas mínimas de alimentos necessários à sobrevivência.
A pesquisa, também, buscou identificar entre os indígenas urbanos se algum membro da família participava de algum programa social constatando, assim que 56,0% dos indígenas urbanos participam de algum tipo de programa assistencial. Entretanto, 44,0%, não recebem nenhum benefício social do governo. Entre os programas sociais se destaca o Bolsa Família, como complementação do orçamento familiar de 67,5 % dos indígenas residentes na cidade, seguido de 19,3% que recebem o Vale Alimentação. Estes dados refletem a necessidade de novas estratégias de implementação de políticas geradoras de trabalho e renda para esta população.
Como já conhecido pela literatura, as formas de inserção das populações indígenas em território urbano estão fortemente relacionadas ao fator de obtenção de emprego e renda. Destarte a pesquisa buscou saber dos entrevistados qual a sua situação com relação ao mercado de trabalho em Boa Vista. Assim, constatou que apenas 24,7% dos entrevistados admitiram ter um trabalho. O trabalho aqui entende-se aquele em que há uma relação de contrato, muitas vezes verbal, entre empregado e empregador, ou seja um emprego fixo.
Com relação á renda individual dos indígenas que trabalham, temos que a maior incidência (46,3%) está na faixa daqueles que recebem acima de 0,5 até 1 SM, seguido daqueles com rendimento mensal acima de 1 até 1 e 0,5 SM, percentual que atinge 21,1% dos entrevistados. Merece destaque, nesta análise, àqueles que, embora trabalhem em regime de tempo integral, admitem receber somente até 0,5 SM que corresponde a 5,3% da amostra. Esse dado demonstra que “a antiga exploração do trabalho indígena continua hoje na cidade, em forma menos violenta, mas igualmente discriminatória” (Ferri, 1990, p. 58) Ao que se refere aos 75,3% dos desempregados, averigua-se que para sobreviverem recorrem as mais diversas alternativas econômicas viáveis. Assim, destacam-se aquelas atividades autônomas e informais, já abordadas pela literatura, como capina de quintal, vendedor ambulante, faxinas, trabalhos de diárias (relacionados à construção civil), artesanato, serviços gerais, garçonete, catador de lata, entre outros.
Ao verificar a renda obtida com o desenvolvimento desta atividade, constata-se que 43,9% dos indígenas recebem até 0,5 SM, seguido de 42,2% que recebem de 0,5 até 1 SM. Adicionando os dois valores tem-se que cerca de 86,0% dos entrevistados que não têm um trabalho fixo, recebem no máximo até 1 SM com atividades informais.
Face à pesquisa realizada, pode-se concluir que os principais fatores que dificultam e até impedem os indígenas de conseguir estabilidade econômica através do vínculo empregatício, está relacionado à baixa escolaridade, falta de capacitação profissional associada ao preconceito e discriminação ao indígena que vive no meio urbano. Esses dados mostra-se de grande importância, considerando que é incumbência do Estado programar e implementar políticas econômicas que atrele condições ótimas para o crescimento econômico às metas para elevação do bem estar social. Assim, o combate á miséria passa pela redistribuição das riquezas, da mesma forma que a política deve prevalecer sobre a economia mediante fundamentos étnicos.
A população indígena urbana merece atenção especial frente a sua vulnerabilidade nas relações sociais e econômicas com segmentos da sociedade urbana. Principalmente, destes que saíram de suas terras, romperam suas fronteiras culturais e encontram-se inseridos em situações de contato interétnico em relações sociais desmedidamente desiguais com segmentos da sociedade nacional/global.
O contexto deste estudo conduz ao dado intencional de que em tais circunstâncias a elaboração, implementação e manutenção de políticas públicas direcionadas à resolução do problema hora pesquisado é extensivo às demais cidades dos Brasil onde o contingente de indígenas urbanos está se tornando um fenômeno cada vez mais freqüente nas favelas ou regiões mais pobres do meio urbano.
* Licenciada em Matemática (UFRR) e Mestre em Economia (UFRGS).
Email anahildarr@hotmail.com

CAMPOS DOS GOYTACAZES

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meu coração marçal tupã sangra tupi e rock and roll meu sangue tupiniquim em corpo tupinambá samba jongo maculelê maracatu boi bumbá a veia de curumim é coca cola e guaraná