fulinaíma

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

EntreDentes 3


quando
pela primeira vez
mergulhei teus mares
Rio das Ostras
gozei de amor e ócio
não havia ainda
vândalos selvagens
não teus primitivos
mas os que vieram depois
para destruir a tua história
sem respeitar ao menos
a arqueologia dos teus ossos

artur gomes
http://juras-secretas.blogspot.com/

Gestão Cultural no Município de Rio das Ostras
Por Leonor Bianchi

Ex-aluna da primeira turma do curso de Produção Cultural do Polo Universitário de Rio das Ostras (PURO), Mariah Guedes concedeu uma entrevista exclusiva para O Polifônico falando sobre seu projeto de conclusão de curso: “Gestão Cultural no Município de Rio das Ostras: Breve análise da atuação da Fundação Rio das Ostras de Cultura”, e sobre perspectivas de mercado de trabalho no setor de cultura na cidade.

Nossa entrevista aconteceu no dia 07 de janeiro, dois dias depois da apresentação de seu Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), no PURO. Pioneira, a pesquisa tem como objeto de estudo as ações da Fundação Rio das Ostras de Cultura entre os anos de 2006 e 2009.

Natural de Macaé, com 23 anos, Mariah comenta porque escolheu a cidade de Rio das Ostras para focar sua pesquisa e como foi, ao longo desses três anos, o desenvolvimento deste trabalho, que certamente abrirá espaço para outros tantos que podem vir a ser realizados por estudantes da UFF de Rio das Ostras, contribuindo de forma contundente para o aprimoramento da gestão cultural em nossa cidade e para a criação de novos mecanismos de atuação da sociedade civil neste setor, ainda tão carente de atenção e investimento em nosso país.
A entrevista:

O Polifônico – A produção cultural é uma área relativamente nova, embora tenhamos gestão de cultura desde a Grécia Antiga com o apogeu da cultura em Atenas. Entretanto, a produção cultural como profissão – profissionalizada – começa a se expandir e a tomar corpo com as novas políticas de gestão cultural e incentivo à cultura na ‘Era Collor’, depois com o presidente Itamar, FHC… O que a motivou a prestar vestibular (escolher) o curso de Produção Cultural?

Mariah Guedes – Eu tinha mais interesse, primeiro, em fazer comunicação social e não tinha condições de ir para outra cidade. Pesquisando o curso dentro do Instituto de Artes e Comunicação Social (IACS), em Niterói, conheci o curso de Produção Cultural e vi que teria um vestibular para o curso aqui em Rio das Ostras. Uni meu interesse pessoal de estudar perto de casa e resolvi fazer o vestibular. Inicialmente a escolha foi por comodidade, eu não escolhi ser produtora cultural, foi algo que foi surgindo durante a graduação. Sei que a produção cultural é uma área nova, o curso na UFF tem pouco mais de uma década e durante o curso, discutimos essas questões da profissionalização, o fato de o produtor cultural não ser reconhecido dentro do Ministério do Trabalho. Se você entrar no site e fizer uma pesquisa verá que a profissão não está lá, ou seja, ela não existe. Existe o produtor de eventos, existe o animador cultural, existe o agente cultural, mas até mesmo essa questão da nomenclatura não está definida ainda.

O Polifônico – Você tinha uma idéia do que seria o curso, do que seria o produtor cultural?

Mariah Guedes – Conheci o fluxograma do curso; acho muito importante para quem está prestando vestibular. Entrei no site do curso, procurei conversar com pessoas que já tinham feito o curso, entrei em grupos de discussão do Yahoo e coisas desse tipo sobre produção cultural, pesquisei informações no site (www.uff.br/procult/), onde temos mais detalhes do curso e do perfil do profissional. Enfim, fui buscando informações gerais e através do fluxograma fui me apaixonando pelo que o curso poderia me oferecer.

O Polifônico – Antes de começarmos a entrevista, informalmente você comentou que havia escolhido o curso pelo fato de ser macaense, morar em Macaé e acreditar que existe área para atuação no setor no interior. Comente um pouco sobre isso…

Mariah Guedes – Acho que Rio das Ostras tem um grande potencial. A cidade acabou se tornando objeto de estudo em todas as pesquisas que fiz dentro da faculdade. Em todos os meus trabalhos, falei ou dos equipamentos culturais de Rio das Ostras, ou do público, ou de demandas para o setor, ou seja, escolhi Rio das Ostras, adotei a cidade como meu objeto de estudo e como estava falando antes, vejo o interior com características muito peculiares, a Região do Lagos, Bacia de Campos, enfim, isso difere essa região dos grandes centros, do Rio de Janeiro, de Niterói, onde muitas vezes a produção cultural fica restrita a produção de eventos. Acho que no interior temos uma preocupação um pouco maior com o publico.

O Polifônico – E por que, sendo você macaense, não optou por ter a sua cidade natal como objeto de estudo e sim Rio das Ostras?

Mariah Guedes – Em Macaé eu tinha até mais contatos, mas tive um problema com a gestão anterior. Cheguei a apresentar o projeto para a gestão que estava na Fundação de Cultura de Macaé, em 2005, mas não houve interesse em receber um trabalho dessa natureza. Na Conferência de Cultura de Macaé, em 2008, apresentei o projeto para a então presidente da Fundação Macaé de Cultura, mas a pesquisa estava quase no final. Ela chegou a comentar que se estivesse no cargo na época em que eu apresentei a proposta à Fundação, certamente a pesquisa seria sobre Macaé. Fui mais bem recebida em Rio das Ostras do que em Macaé, por isso a escolha passou por esse crivo também.

O Polifônico – Em que ano e período você começou sua jornada acadêmica no PURO?

Mariah Guedes – Entrei na UFF no primeiro vestibular para Produção Cultural, em 2005. Passei em segundo lugar para o primeiro semestre.

O Polifônico – Nesse vestibular, quantos alunos entraram para o curso de Produção Cultural, você se recorda?

Mariah Guedes – Eram 30 alunos. Dessa turma já se formaram dois alunos sendo eu a terceira. A turma tem ainda talvez quatro ou cinco alunos, ou seja, menos de dez estudantes dessa leva.

O Polifônico – O que aconteceu com essa turma, com os outros alunos?

Mariah Guedes – Houve a paralisação de julho de 2005 a maio de 2006, ou seja, quase dois períodos letivos e muitos desses alunos muitos pediram transferência para o curso em Niterói. Posso dizer que de 20 alunos, 15 pediram transferência para Niterói e cinco desistiram de cursar na UFF. Alguns foram para UFRJ, outros para a UENF, escolherem outros vestibulares e saíram do PURO.

O Polifônico – Isso é desencadeado em função da paralisação, ou seja, quando retornam as aulas, esses alunos já não estão mais na UFF?

Mariah Guedes – Isso aí, em maio de 2006 a minha turma de segundo período tinha seis ou sete alunos apenas.

O Polifônico – Quantos períodos têm o curso de Produção Cultural da UFF e em quantos você concluiu?

Mariah Guedes – O curso tem oito períodos e o aluno pode concluir com o mínimo de sete e o máximo de 12. Devido à paralisação, que durou dois períodos (10 meses sem aulas), eu me formei em nove. Entrei em 01 de 2005 e estou me formando 02 de 2009. Dez semestres dos quais, na verdade, cursei oito.

O Polifônico – Como essa paralisação feita pelo PURO em função da necessidade de uma repactuação do convênio entre a UFF, a Prefeitura de Rio das Ostras e o Ministério da Educação vai interferir na sua performance acadêmica?

Mariah Guedes – Quando ocorreu essa paralisação eu tinha quase certeza de que as aulas aqui em Rio das Ostras não iriam voltar e eu não tinha condições de me transferir para Niterói. Não tinha interesse nenhum em interromper minha formação acadêmica e nesse período, sem saber o que aconteceria com o PURO, acabei prestando outro vestibular para uma faculdade particular para o curso de Publicidade, o que tinha a ver com minha vontade de fazer comunicação social. Foi um vestibular de meio de ano e fiz exclusivamente pelo fato de não querer ficar parada, sem estudar. Tinha gostado muito do ambiente universitário e não queria me desligar disso apesar de saber que a universidade particular era bem diferente de uma instituição pública.

O Polifônico – Chegou a fazer quantos períodos nessa universidade?

Mariah Guedes – Fiz seis períodos e tranquei do sexto para o sétimo para me dedicar ao trabalho de conclusão de curso aqui da UFF.

O Polifônico – Você conseguiu cursar os dois cursos paralelamente?
Mariah Guedes – Sim, cursei quatro períodos nas duas universidades. Estudava todos os dias de nove da manhã ás nove da noite.

O Polifônico – E como ficou sua situação nessa outra universidade? O curso está trancado e você pretende concluí-lo?

Mariah Guedes – Faltam 12 matérias apenas. Vou fazer sim e se tudo der certo, me formo no final deste ano.

O Polifônico – Com relação ao curso de Produção Cultural do PURO, como você avalia o corpo docente do mesmo, a grade curricular – sabemos que a grade mudou recentemente – a estrutura da universidade em Rio das Ostras no que diz respeito aos equipamentos, laboratórios, salas de aula…

Mariah Guedes – A grade curricular de 2005, quando ingressei, era mais teoria. A grade apresentada em 2008, mais prática. O que aconteceu: foram incluídas nessa grade as disciplinas de Estágio em Produção Cultural 1 e 2 somando 240 horas de atividade profissional para os alunos e mais 210 horas de atividades complementares, ou seja, os alunos eram obrigados a participar de seminários, visitas técnicas, ir ao teatro, cinema, exposições de artes, fazer resenhas… gostei muito disso. Essa nova grade foi apresentada em maio de 2008, eu estava no sexto período na época e aderi passando a ter dispensa de disciplinas teóricas para fazer disciplinas práticas. Achava que isso seria mais interessante, aderi à nova grade, mas por questões administrativas, foi informada a mudança quando eu estava no 9º período, mas eu era a única aluna deste período nessa situação. Os outros alunos estavam do 8º para trás.

O Polifônico – Por que aconteceu isso?

Mariah Guedes – Porque houve problemas entre a validação dos fluxogramas entre as coordenações de Niterói e de Rio das Ostras. Isso inclusive fez com que um coordenador daqui do PURO fosse afastado, e a questão ainda está gerando alguns problemas para os alunos. Estão refazendo minha contagem de créditos porque eu cumpri todas as disciplinas, mas cumpri parte da carga horária na grade antiga e parte na grade nova.

O Polifônico – Qual a origem dessa ‘confusão’, o que diz o MEC neste sentido?

Mariah Guedes – Para o MEC um curso só é aprovado depois que se passa um percentual de disciplinas já cursadas naquele período, não sei exatamente o percentual agora para lhe falar. Um aluno do sexto período como eu já teria passado muito desse percentual na grade antiga, então eu teria menos da grade nova para cursar. Isso me foi informado apenas depois da adesão, pela atual coordenação.

O Polifônico – E como os coordenadores já sabendo disso implantaram essa nova grade curricular?

Mariah Guedes – Os coordenadores informaram aos alunos que não sabiam disso. O PURO recebeu um secretário, uma pessoa de função administrativa, que está sendo instrumentalizada para fazer a comparação entre uma grade e outra e refazer essa contagem de créditos e disciplinas. Eu sei de pelo menos um aluno que migrou de grade e está no mesmo caso que eu. O que está faltando para os alunos é a atuação desses ‘secretários’ no curso.

O Polifônico – A resolução dessa definição está na mão de quem?

Mariah Guedes – Da secretaria acadêmica do PURO, da coordenação do curso de Produção Cultural e da PROAC (Pró-Reitoria de Assuntos Acadêmicos), até onde me foi informado pela UFF.

O Polifônico – E isso vai acabar interferindo de alguma maneira na sua conclusão do curso e consequentemente na entrega do seu diploma, uma vez que, se for definido que você deverá cursar mais alguma disciplina, ao invés de seu diploma ‘sair’ daqui a dois meses, sairá depois…

Mariah Guedes – Se eu ainda tiver que fazer alguma disciplina, isso atrasa o recebimento do meu diploma. Minha colação de grau está agendada para março ou abril, ou seja, três meses após a apresentação do projeto final de curso, o que é praxe nas instituições de ensino superior. Mas acho que isso não vai ser o meu caso em função de eu ter cursado outra graduação podem pegar essas disciplinas da outra faculdade e eliminar. Mas isso é um caso particular, com relação a outros alunos, não sei como isso aconteceria.

O Polifônico – Voltando um pouco, comente sobre o corpo docente do curso…

Mariah Guedes – Em 2009 entram no curso sete novos professores concursados, todos eles doutores; acho isso muito importante. Antes disso, tínhamos outros três professores: um doutor, um doutorando e uma mestre, e tínhamos um professor dourando cedido pelo Ministério da Educação e uma vaga ociosa ainda por questões do convênio; 10 professores. Acho que pelo MEC o curso precisa de mais 60% desse número para o curso ter seu quadro de professores completo. Os professores são muito competentes, fizemos linhas de pesquisa e eu mesma fui bolsista em três projetos: Monitoria, Iniciação Científica e em Bolsa Acadêmica.

O Polifônico – E a estrutura do PURO, do curso?

Mariah Guedes - A universidade aqui em Rio das Ostras, pelo fato do convênio com a prefeitura e o MEC, em termos de estrutura, é muito melhor do que IACS. Hoje, verão, janeiro, a gente passa por problemas de falta de água em todo o município de Rio das Ostras, falta de energia elétrica, mas em geral, temos ar condicionado em algumas salas, temos data show funcionando em todas as salas de aula. Senti-me muito melhor aqui no PURO do que quando fui visitar o IACS.

O Polifônico – E com relação ao espaço físico do PURO, salas de aula, auditório, como você vê a estrutura do PURO hoje, uma vez que há um crescente aumento de alunos e falta espaço na unidade de ensino para absorvê-los? Uma turma nova do curso entra com cerca de 30, 40 alunos. Imagina uma turma dessas numa sala com divisórias onde soe cabem confortavelmente 15 alunos…

Mariah Guedes – Essas salas que têm divisórias são para comportar essas turmas que têm até 10 alunos como a minha, por exemplo. Em 2009, os professores tiveram os equipamentos em sala de aula, mas em geral as salas 11 e 12 e o auditório são muito demandadas para apresentação de trabalho. Por essa questão do convênio, como você mesma falou, a construção dos prédios anexos ainda não aconteceu, por isso há sim essa grande demanda por espaço dentro do Polo.

O Polifônico – Como você vê a presença do curso de produção Cultural dentro do PURO, um Polo que congrega cursos de diferentes áreas do saber. Existem seis cursos díspares nessa unidade de ensino, como é a expressão do curso de Produção Cultural no PURO?

Mariah Guedes – A produção Cultural, até por ter essa característica de produzir, de ‘pegar para fazer’ os eventos, acaba se destacando. Houve iniciativa de criarmos um núcleo de produção executiva aqui no Polo para que tivesse oportunidade de estágio interno para os alunos do curso de Produção Cultural na organização dos eventos da própria universidade e dos outros cursos, caso houvesse necessidade e se isso fosse demandado. O curso de Produção Cultural briga muito para ser valorizado. Os próprios alunos, eu mesma, adotamos uma postura meio ‘mãe-coruja’ em relação ao curso, tentando brigar pelo curso, lamber a cria, coisas desse tipo, mas não sei como os outros cursos podem avaliar isso, se de maneira negativa, positiva, realmente não sei.

O Polifônico – Percebemos a Produção Cultural como um curso de maior expressão na unidade, que tenta se mostrar…

Mariah Guedes – É um curso que por ter essa característica de produzir tem naturalmente a iniciativa de tomar a frente, mas os outros cursos também têm iniciativas muito interessantes. Vi diversas apresentações de projetos da Engenharia de Produção, da Enfermagem, muito boas.

O Polifônico – A criação desse núcleo de Produção Executiva não tiraria dos alunos dos outros cursos a capacidade deles de se organizarem para produzirem seus próprios eventos, deixando essa tarefa centralizada nas mãos dos estudantes da Produção Cultural? Até que ponto isso seria produtivo para os estudantes do PURO?

Mariah Guedes – Não, de forma alguma. Esse projeto da ‘Sala de Produção Executiva’ tinha como fundamento o estágio dos alunos da Produção Cultural, mas estes só se envolveriam nos projetos dos outros cursos caso fosse solicitado via coordenação. Durante o ano em que esse projeto aconteceu (2009) isso ocorreu em pouquíssimas ocasiões.

O Polifônico – Vamos falar então sobre a questão da gestão cultural no município. Não sei se você chegou a estagiar em alguma secretaria de governo ou mesmo na própria Fundação Rio das Ostras de Cultura e coloco na nossa pauta algumas questões relacionadas a sua inserção na ‘máquina’ municipal, mas deixo em aberto para que você possa me atualizar neste sentido. A primeira pergunta neste contexto seria: Como foi sua entrada da Fundação para estagiar? Podemos eliminar essa pergunta por que você já disse anteriormente – em off – que não fez estágio na FROC. De qualquer maneira, creio que conheça a estrutura dessa autarquia com relação aos estágios oferecidos para os alunos do curso de Produção Cultural. Na medida em que tanto o PURO quanto o curso de Produção Cultural se consolidam no município, começam paulatinamente os diálogos entre a instituição UFF e a FROC no sentido da criação de um convênio de estágio para a absorção dos estudantes do curso. Quando isso começa a acontecer, como funcionou esse convênio, até onde você conhece essa ‘articulação’ entre as partes?

Mariah Guedes – Como você falou, eu não fiz estágio na FROC. Até prestei concurso para a Fundação, para um cargo administrativo, fui aprovada, ainda tem três pessoas na minha frente, mas existe a possibilidade de eu ser chamada. Como relação à questão do estágio na FROC, o curso teve um aluno – em 2005/ 2006 – que foi o primeiro a estagiar na FROC. Estagiou na parte de recursos e finanças da Fundação, mas a experiência não foi positiva e até hoje esse episódio é lembrado.

O Polifônico – O que houve?

Mariah Guedes – Sinceramente, não sei; não tenho nenhuma relação com a pessoa que estagiou nem com pessoas da FROC para que pudesse te dar essa informação.

O Polifônico – Ok, prossiga…

Mariah Guedes – Em 2008, quando houve essa mudança na grade curricular do curso, o estágio passou a ser obrigatório e a coordenação passou a ter de correr atrás de campos de estágio. Até onde eu sei, não houve interesse da FROC em reestruturar esse pólo de estágio. Hoje sei que existem alunos da Produção Cultural, que em 2009 estagiaram na Secretaria de Turismo, na Secretaria de Educação e na Secretaria de Comunicação Social, mas não estagiaram na Cultura. Esses eram alunos da grade nova. Ano passado houve duas alunas da Produção Cultural vinculadas à Fundação Mudes – e isso foi paralelo à atuação da UFF – estagiando na Casa de Cultura. Eu sei que no caso do estágio articulado pela UFF, ele não era remunerado, já o estágio pela Fundação Mudes oferecia uma bolsa de R$ 300,00. No meu caso, o estágio foi interno, dentro mesmo da UFF, vinculado à Sala de Produção Executiva. Foi um estágio remunerado também, com uma bolsa de R$ 300.

O Polifônico – Podemos concluir, então, que na FROC não há e não houve nenhum aluno até o momento estagiando através de alguma articulação entre o PURO e a Fundação?

Mariah Guedes – Não, houve uma aluna que estagiou na Fundação Rio das Ostras de Cultura de 2006 a 2007 e o trabalho dela foi muito elogiado. Hoje ela é coordenadora do Centro de Formação Artística. Até onde sei, foi quem mais se destacou neste sentido do ‘aluno estagiário’ em algum órgão do governo municipal.

O Polifônico – Esses alunos que estagiaram nessas secretarias que você mencionou continuam estagiando?

Mariah Guedes – Até onde sei o convênio de estágio que foi firmado era por um período de mais de um ano, então é possível que ainda continuem no estágio em 2010 nesses campos.

O Polifônico – Fale um pouco desse estágio interno que você fez na UFF. O que você aprendeu durante essa experiência?

Mariah Guedes – O estágio foi dentro da 4ª Mostra de Arte Contemporânea do PURO, então foi muito específico. O estágio era vinculado ao projeto da Sala de Produção Executiva e as tarefas eram basicamente produção executiva, tarefas gerais de organização de eventos, tarefas de secretaria, tudo com foco específico para uma mostra de arte contemporânea. Eu fiz esse estágio no oitavo período e já tinha bastante experiência porque já havia passado por uma bolsa de iniciação científica, por uma bolsa de monitoria e já tinha uma visão de mais de três anos dentro da universidade.

O Polifônico – Passando da administração pública para a iniciativa privada, há empresas em Rio das Ostras que possam absorver os alunos do curso de Produção Cultural para estágio e os já formados?

Mariah Guedes – Com relação à iniciativa privada houve dois alunos do curso estagiando na Azul Produções, que se eu não me engano é do Rio de Janeiro (produtora do Stênio Mattos, produtor do Festival de Jazz e Blues de Rio das Ostras). Eu sei que esse convênio de estágio foi firmado via iniciativa privada e creio que tenha sido da mesma maneira que os realizados com os órgãos públicos, ou seja, com possibilidade de renovação para mais um ano. Os alunos que trabalharam no festival de jazz e blues (2009) gostaram muito e também foram bastante elogiados.

O Polifônico – Como você avalia a atuação da Fundação Rio das Ostras de Cultura no município e a utilização dos aparelhos culturais da cidade?

Mariah Guedes – Falo dessa atuação no meu projeto de TCC intitulado “Gestão Cultural no Município de Rio das Ostras: Breve análise da atuação da Fundação Rio das Ostras de Cultura”, onde há um capítulo específico sobre a Fundação com destaque para a Casa de Cultura. Nessa pesquisa eu falo da política cultural no município, dos equipamentos mantidos pela FROC, das pesquisas de público, das pesquisas de identidade do riostrense, que a FROC realizou, e faço alguns apontamentos sobre o posicionamento da FROC em relação aos outros órgãos públicos de gestão da cultura da região, como secretarias, coordenações e demais fundações.

O Polifônico – Sabemos que um projeto de conclusão de curso não está buscando encontrar conclusões definitivas, mas deve essencialmente apontar, indicar determinados pontos, aspectos que a pesquisa observou, sobre os quais tentou discorrer. O que você encontrou durante o processo de desenvolvimento dessa pesquisa? Para quais direções o trabalho aponta?

Mariah Guedes – Uso dados da CONFEDERAÇÃO Nacional dos Municípios (http://www.cnm.org.br/), mas são dados que não são atualizados desde 2001 e falo dos instrumentos de gestão utilizados pelas secretarias, fundações e coordenadorias de Cultura da região. Nesses dados são informados que Rio das Ostras possui uma política cultural, mas quando isso é questionado no projeto nem todos os gestores dos equipamentos mantidos pela FROC sabem explicar o que é uma política cultural, ou articular uma visão sobre a produção de cultura na cidade.

O Plano Diretor de Rio das Ostras e a Lei Orgânica do município são abordados no trabalho. Essas legislações falam sobre a efetivação dos Conselhos de Cultura no município. Seriam dois conselhos, que já teriam sido criados desde a época da promulgação da lei (Lei Orgânica).

O Polifônico – Mas Rio das Ostras ainda não tem um Conselho Municipal de Cultural…

Mariah Guedes – Exatamente, mas de acordo com essas leis ele já deveria ter sido efetivado automaticamente. No entanto ainda de acordo com a legislação, esse conselho tem ainda dois anos para ser criado, pois está relacionado à data promulgação da Lei Orgânica.

Só para ilustrar, já que estamos falando da criação do Conselho Municipal de Cultura da cidade, Rio das Ostras foi o único município da região que não realizou Conferência Municipal de Cultura.
O Polifônico – Por que isso aconteceu, você investigou este fato no decorrer da pesquisa?

Mariah Guedes – Investiguei, mas não tive resposta oficial.

O Polifônico – Você teve contato com os gestores da Cultura do município… Mara Fróes, Selma Rocha, Carlos Henrique, Padre João… chegou a dialogar com algum deles durante a pesquisa, teve acesso a eles?

Mariah Guedes – Entrevistei algumas dessas pessoas, mas pelo fato de ter utilizado uma metodologia antropológica na pesquisa, não cito as fontes. Mas entrevistei todas as pessoas que de alguma forma estavam ligadas à Cultura, inclusive pessoas externas à FROC que poderiam dar uma visão complementar. Como a pesquisa começou no segundo semestre de 2006, peguei uma mudança de gestão, da presidência e em parte, há no trabalho uma comparação dessa visão de 2006 com a de 2009.

Com a mudança de gestão em 2009, a pesquisa foi mais bem recebida dentro da FROC. Foi mais fácil ter acesso a algumas informações na Casa da Cultura. Houve mais funcionários sabendo falar sobre o que estava acontecendo no âmbito da própria Fundação, mas em 2006 a dificuldade foi muito grande.

Fui recebida pela Mara, pela Selma, Carlos Henrique… conversei com os funcionários de pessoal também. A única abordagem que eu não fiz no trabalho foi com relação à questão pedagógica da FROC.

O Polifônico – Fale sobre isso…

Mariah Guedes - Dentro da FROC, principalmente na Casa de Cultura, existe um Centro de Memória Documental e está vinculado a ele o Projeto Memória, Coleção Rio das Ostras de Cultura, que são as publicações da FROC. Ainda que eu tenha usado dois ou três livros de referência bibliográfica na pesquisa, como ‘O caso da musealização do Sambaqui da Tarioba’, e ‘Pérola entre o Rio e o Mar’, eu não analiso esse conteúdo, ainda que nessa legislação que eu citei, exista a indicação de que a história local deva ser ensinada na sala de aula das escolas municipais. Um dos desdobramentos que apresento no trabalho, é fazer essa análise pedagógica e juntá-la a um trabalho de arte-educação que fiz quando bolsista da minha orientadora do TCC, a professora Adriana Russi. O trabalho sobre arte-educação foi uma pesquisa de 2006 e 2007 e foi publicado nos anais do CONFAEB (Confederação de Arte Educadores do Brasil), em 2007. Esse projeto teve continuidade e em 2009 organizamos o ENREFAEB (Encontro Regional de Arte Educadores SUDESTE/FAEB), mas tivemos uma presença muito pequena dos arte educadores da cidade com a exceção de uma oficina, para a qual fizemos uma parceria com a Secretaria de Educação e a mesma indicou alguns professores para participar. Era uma oficina sobre museus, para os professores auxiliarem quando de visitas guiadas, neste caso, com foco para o museu Sambaqui da Tarioba.

O Polifônico – Bem, vamos voltar a falar de sua pesquisa. Dos projetos que são feitos pela Fundação Rio das Ostras de Cultura, como o festival de teatro, o de dança… tínhamos uma mostra de cinema feita por um grupo de pessoas totalmente descompromissadas com a rotina social da cidade e que – ao meu ver – ainda bem que não existe mais e sobretudo, nos modelos que era proposta… temos o projeto da Rádio Móvel, um projeto itinerante que visita várias localidades da cidade, o Baú dos Meus Sonhos, que contempla a ‘contação’ de histórias. Além disso, sabemos que Rio das Ostras é um município extremamente rico pela compensação de royalties de petróleo e que o orçamento destinado à Cultura é um dos mais ‘gordos’ do estado do Rio de Janeiro, ou seja, temos dinheiro para executar projetos de referência. Enfim, quais projetos da FROC não se encerram em si mesmos, ou seja, para além da realização mesma desses projetos, como a população se insere na produção dessas artes, o que pode ser identificado como um ‘resultado’ da realização dessas iniciativas culturais? De que maneira eles agregam valor à cultura da população local e até certo ponto, de que forma eles atuam como mecanismos de atração de turistas para Rio das Ostras, se é que podemos falar na possibilidade do desenvolvimento de um turismo cultural em Rio das Ostras?

Mariah Guedes – Na pesquisa, além do Projeto Memória e do Rádio Móvel, falo um pouco do Baú dos Meus sonhos, que visita Rocha Leão, principalmente, e falo também do projeto de geração de trabalho e renda da FROC, que é o projeto da Fabrica de Bonecas. Você mencionou a questão dos recursos da Fundação e, em geral, o orçamento da FROC é de 1% do orçamento municipal, o que em 2006 era um montante de aproximadamente 3 milhões de reais. Não tive acesso à aplicação desse recurso com relação à execução dos projetos que você mencionou.

Rio das Ostras é um município muito novo. A Fundação Rio das Ostras de Cultura tem apenas 12 anos e existe pouca especialização na área. Percebo que o município ainda está muito vinculado ao desenvolvimento através do turismo. Ainda que existam iniciativas da Fundação em tentar articular a comunidade local com seus projetos e de realizar projetos que atendam as necessidades dessa comunidade, não abordei no meu trabalho – por uma questão de tempo, embora indique a intenção de fazer esse acompanhamento posteriormente – o diálogo da FROC com as associações de bairro, associações culturais para verificar quais as demandas da sociedade civil para o setor cultural.

Utilizei uma pesquisa realizada em 2005 pelos alunos de Produção Cultural do PURO, cujo foco era tentar traçar um perfil sociocultural do morador da cidade ou do visitante, porque quando a gente abordava as pessoas para fazer a pesquisa, não sabíamos se elas residiam na cidade ou estavam aqui a passeio. Esse questionário foi realizado durante o Festival de Jazz e Blues, com isso pegamos um público voltado para o evento. Esse questionário foi realizado inicialmente para uma pesquisa feita em Niterói e depois foi adaptado para Rio das Ostras e os alunos da turma de primeiro período de Produção Cultural, da disciplina de Tópicos Especiais em Produção Cultural aplicaram cerca de 400 questionários. De acordo com esses dados, pudemos ver, principalmente no quesito ‘Propostas’, algumas discrepâncias com relação ao que é entendido pela FROC. A Fundação tem hoje o Centro de Formação Artística com os cursos de Dança, Música e Teatro, mas de acordo com a pesquisa, o audiovisual foi a expressão artística mais demandada.

Inicialmente meu objeto de estudo era bastante ambicioso. Eu queria pegar de um lado a sociedade civil, de outro a Fundação Rio das Ostras de Cultura e numa outra ponta, a iniciativa privada. Mas acabei falando exclusivamente da Fundação e da necessidade de articulação dela com as outras secretarias de governo, não deixando com que o Turismo apenas leva todos os louros pelos eventos culturais da cidade. O Plano Diretor e a Lei Orgânica prevêem essa articulação, mas não vemos isso acontecer. Basicamente, o projeto fala da importância da articulação e gestão cultural participativa em Rio das Ostras.

O Polifônico – Como funciona essa gestão cultural participativa em Rio das Ostras e ao que você atribui o fato de a cidade ainda não ter um Conselho Municipal de Cultura, já que ele seria a expressão máxima dessa gestão participativa?

Mariah Guedes – Como eu estava dizendo, na Lei Orgânica do município está citado no Artigo 268, que ficam criados os seguintes Conselhos Municipais: o de Cultura e o de Cultura Afro-Brasileira. Existem diversos outros e eu não pude aferir qual a necessidade de termos um Conselho Municipal de Cultura e outro para a Cultura Afro-Brasileira, por que houve essa segregação. Não consigo compreender o que está acontecendo para que não haja articulação e diálogo com a sociedade civil, já que na fala institucional da FROC há uma necessidade de buscar essa gestão participativa, dar instrumentos de troca, de conversa com o morador da cidade. Foi neste ponto que comecei a analisar o Orçamento Participativo da Secretaria de Planejamento para ver como está a Cultura. Em 2008, dos 15 setores municipais – cada um podendo citar cinco prioridades – a Cultura só é citada apenas duas vezes. Além disso, nesse relatório a Cultura não é vista de maneira plena, está inserida em ‘Divulgação e Comunicação’. Ela não é tratada separadamente, com o peso que deveria ter. Acho de suma importância a criação dos instrumentos de gestão que já citei, de um Fundo Municipal de Cultura, entre outros. Venho acompanhando as reuniões setoriais de Cultura na região e estive em Quissamã, que já se articulou para isso, ou seja, para a criação de seu Fundo Municipal de Cultura e de seu Conselho. Em Búzios, sei do andamento das discussões no setor e em Cabo Frio também. Búzios, inclusive, acabou fazendo sua Conferência Municipal de Cultura às pressas para poder entrar nas novas regras para o orçamento deste ano destinado ao setor. Vários municípios se organizaram e eu não vi em nenhuma dessas conferências, reuniões nenhum representante da Fundação Rio das Ostras de Cultura. O que fica muito claro é que não há interesse dos gestores da FROC fazer articulação. Cabo Frio, Búzios e outros vários municípios dessa região estão conversando sobre a possibilidade de criação de um consórcio intermunicipal de cultura. Existem várias iniciativas interessantes no sentido de integrar a região e aqui em Rio das Ostras não vemos nada acontecendo tampouco a integração dos nossos gestores nessas ações promovidas pelos municípios vizinhos. Em resumo, percebo nesses outros municípios a indicação da necessidade de mudanças para poder avançar, já em Rio das Ostras, não posso dizer o mesmo.

O Polifônico – Não sei se o grande desafio para a consolidação de uma identidade cultural do município seria criar um busto de bronze no meio da praça como existe em Casimiro de Abreu com o busto do poeta e como existe em tantas outras cidades. A ausência desse ‘maldito’ busto em Rio das Ostras faz com que não possamos associar o município ao nome de um artista, de uma personalidade de renome e consequentemente amagalmar uma cadeia turística e de valores identitários em torno desse rosto, dessa história. Sabemos que por Rio das Ostras passaram figuras de peso como o cantor Dorival Caymmi, que tinha uma casa na cidade, o ator e cineasta Joel Barcelos, que mesmo com toda a sua empáfia que lhe é peculiar, fez muito pela cidade e mora em Rio das Ostras há mais de 30 anos… sabemos ainda que Casimiro de Abreu, segundo defende o historiador Mário de Oliveira, de Barra de São João, não nasceu na Fazenda Indaiaçu, em Casimiro, e sim aqui em Rio das Ostras num secos e molhados onde hoje funciona, na praça José Pereira Câmara, a padaria Laticínios Rio das Ostras… sabemos ainda, que temos uma história riquíssima com relação ao período da escravidão e que o arco da praia do Centro, que vai do Iate Clube até a praia das Tartarugas era um porto de escravos pertencente ao pai do poeta Casemiro de Abreu… temos um sambaqui na cidade revelando a existência de uma civilização pré-histórica na cidade. Será que tudo isso não sugere a necessidade ou a possibilidade de investimentos no sentido de desenvolver na cidade uma cadeia de cultura que envolva o turismo científico e cultural? Já que o argumento mais defendido pelos gestores da cultura é o de que pescador não simboliza a cidade, por que não investir numa ação conjunta congregando todos esses elementos, uma ação de fomento a um turismo que foge de praias sujas e micaretas e investe no desenvolvimento social através do conhecimento? Comente essas observações…

Mariah Guedes – Na pesquisa, cito o fato de a Casa de Cultura Dr. Bento da Costa Jr. ser tombada e não haver no local uma identificação desse tombamento. O Poço de Pedra está em processo de tombamento estadual, assim como o Sambaqui; foram duas leis do Sabino agora em 2009. Defendo que a história da cidade não tem como ser separada da história dos municípios do entrorno. Acho que não há a necessidade de criar uma unidade separatista tão forte como tentam fazer aqui. Creio que um consórcio intermunicipal pode ser muito interessante. E com relação a essa identidade cultural que você comentou, falo da questão simbólica e do uso desses símbolos nos prédios e placas da prefeitura, como foi o caso da mudança da logomarca do barquinho para a da ponte. Cito os quatro estágios de público mapeados pela FROC, que vão desde o nativo, o veranista, o público com foco no setor petrolífero e o quarto estágio, que a Fundação entende como ‘estágio de fuga da violência’ e que é uma designação que eu critico muito, pois Rio das Ostras é um dos 100 municípios mais violentos do Brasil.

Creio que é preciso estudar mais a história da cidade para definirmos ações que geram resultados, e neste sentido, obviamente cabe ressaltar esses pontos mencionados por você. Mas infelizmente o que fica claro é o quão perdidos os gestores da Cultura de Rio das Ostras estão e por isso essa dificuldade de a cidade ter uma afirmação cultural e identitária.

Uma das críticas que faço à FROC por meio da pesquisa é o fato de a Fundação não ter um produtor cultural em seu quadro, uma pessoa que busque mais informações sobre o setor da cultura em todo o Brasil. Não pude ter acesso ao banco de dados da FROC, mas conversando com alguns funcionários, eles mesmos falaram sobre a dificuldade que têm na análise de editais de cultura, na dificuldade em inscrever os projetos da Fundação nesses editais. Em 2009, a Fundação mandou um projeto para o edital de teatro da Secretaria de Estado de Cultura do Rio de Janeiro e o mesmo não foi contemplado. Acredito que faltem na FROC profissionais capacitados para lidar com a cultura como um todo, e isso me foi falado por funcionários também, conforme eu cito no meu trabalho. De qualquer forma, a partir deste ano, Rio das Ostras passa a ser um dos municípios do Estado do Rio, que a cada seis meses receberá R$ 75 mil da Secretaria de Estado de Cultura para aplicação em projetos no setor. Esse recurso foi criado a partir da política cultural estadual e está contemplando 91 municípios do Estado, exceto o Rio de Janeiro, onde entende-se, já existam recursos suficientes para o setor. Esse valor de R$ 75 mil está relacionado com o número de habitantes das cidades contempladas.

Você citou o festival de Dança, esse festival acabou de entrar agora em dezembro para o Calendário Oficial de Eventos do Estado e isso indica que Rio das Ostras passa a ter em nível estadual um reconhecimento do seu evento. Neste sentido, voltamos à questão que estávamos falando no início da entrevista com relação aos eventos culturais. O calendário dá muita visibilidade, os festivais são muito reconhecidos, o Jazz e Blues é do Turismo, mas também dá muita visibilidade para o município e isso faz com que, na minha pesquisa eu analise a importância da FROC se valer do seu espaço de Fundação, de ser uma autarquia e ir para além dos eventos. Por isso eu insisto na questão de existir dentro da Fundação um produtor cultural para poder auxiliar na redação de um projeto, na colaboração para conclamar um Conselho Municipal de Cultura, na organização de conferências de Cultura, por exemplo.

Fizemos dois Fóruns de Cultua do Interior em 2007 e 2008, organizados pelo curso de Produção Cultural do PURO, e em ambas as edições, não tivemos a presença da presidência da Fundação Rio das Ostras de Cultura. Vieram representantes, mas a presidência não apareceu. O que também aconteceu agora no dia da apresentação do meu TCC. Por educação e agradecimento aos funcionários que me ajudaram prestando esclarecimentos sobre a gestão cultural da FROC, fiz um convite à presidente da FROC e aos funcionários, mas assim como nos Fóruns, ninguém apareceu.

O Polifônico – Você vê alguma falta de interesse em atender o convite (refiro-me especificamente ao convite para que fossem assistir a apresentação do seu TCC), falta de sensibilidade, descaso mesmo dos gestores da FROC para com o seu trabalho? Digo isso pelo seguinte: Vocês (sua turma e colegas de classe, de curso), que estão se formando agora, estão desenvolvendo pesquisas de suma importância para quem está gerindo a máquina. ‘Eles’ não são acadêmicos, são gestores, são pessoas de cargos em comissão, que nem saber fazer gestão cultural sabiam quando chegaram ali. Vocês estão mapeando a Cultura na região e no município para dar dados de mão beijada para essas pessoas e elas sequer comparecem para prestigiar, saber mais sobre a pesquisa que você desenvolveu, aprender com vocês… Não estou dizendo que a ida desses gestores a sua apresentação passaria por um ‘carinho’ que você gostaria de receber, mas sim do respeito que deve ser dispensado a um trabalho pioneiro como o que você realizou na cidade. Como você interpreta esa ausência, esse silêncio dos gestores?

Mariah Guedes – Falta de sensibilidade creio que não. Tive inúmeras dificuldades para escrever este trabalho, muitas das vezes não havia a documentação necessária nos locais em que eu ia procurar. Por exemplo, eu não falo no trabalho sobre o fato de ter sido extinto no município o cargo de produtor cultural um pouco antes de ter sido lançado o edital para esse último concurso da prefeitura, sendo que em 2008 seria o ano em que se formariam os primeiros alunos do curso de produção Cultural. Não pude retirar nem xerocar da Secretaria de Comunicação Social o Diário Oficial da prefeitura, no qual foi publicada a extinção do cargo. Cito o fato de não haver disponibilidade do conteúdo dos Diários Oficiais da cidade na internet e de o site da Câmara de Vereadores não existir. Parece que não querem dar transparência aos atos oficiais.

O Polifônico – Em suma, o que falta para uma melhor gestão cultural em Rio das Ostras?

Mariah Guedes – Além de pessoal capacitado, diria que articulação.

http://www.opolifonico.wordpress.com/

2 comentários:

Elenilson Nascimento disse...

U-R-G-E-N-T-E
Bom dia irmão Gomes, por favor, noticia esse fato, veja até q ponto o descaso com a sáude desse País chegou: um dos melhores poetas brasileiros, Roberto Piva, está em São Paulo precisando de um internamento em um hospital público e não consegue.
Confira a nota: http://literaturaclandestina.blogspot.com/
Muito grato. E viva a poesia, mesmo vivendo nesse o céu preto da “necrópole”.
Um abração

Mariah Guedes disse...

Olá, boa tarde! Vi agora a entrevista que eu dei para o Jornal o Polifônico aqui. Segue meu principal contato para trocarmos informações sobre a região: www.twitter.com/mariahguedes

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