quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

'Pontal' volta nesta quinta ao palco da foz do Paraíba

Marcos Curvello
http://www.fmanha.com.br/

Após uma estréia agraciada pela natureza — que providenciou, além do vento nordeste característico de Atafona, um espetáculo de raios, nuvens e mar —, a peça “Pontal” entra nesta quinta-feira em sua segunda semana de exibição e, mais uma vez, é abençoada; este fim de semana traz a lua cheia. Encenada nas noites de quintas, sextas e sábados, às 21h, no Bar do Bambu, a montagem deixa para trás o nervosismo dos primeiros dias e passa a cumprir aquilo que o ator Yve Carvalho preconizou na edição da última quinta-feira (21) do programa Folha no Ar: “fazer história”.

“Pontal”, cuja dramaturgia foi composta a partir de 16 poemas do jornalista Aluysio Abreu Barbosa, dois do teatrólogo Antonio Roberto Kapi, que assume ainda a direção e a cenografia, um do multiartista Artur Gomes e um da atriz Adriana Medeiros, gira em torno de uma conversa entre pescadores, personagens tão comuns ao dia-a-dia atafonense.


Vividos pelos atores Yve Carvalho, Sidney Navarro e o estreante gaúcho Mairus Stanislawski, esses homens do mar transformam as emoções e talentos dos autores em uma contação de causos muito familiares aos moradores e veranistas do balneário.
— Tivemos cerca de 90 espectadores na estréia, 50 no segundo dia de encenação e 60 no terceiro. É mais que a média de público de boa parte das peças de Campos e São João da Barra. Acredito que o segredo de “Pontal” resida no diálogo entre o texto e as memórias do pú-blico, que, embora possa não ser, em parte, frequentador de teatro ou amante de poesia, encontra, ali, um reflexo de sua própria paixão por Atafona, espelhada no sentimento dos autores e atores — afirma Aluysio, finalizando: — Se fosse definir a encenação em uma única palavra, esta seria “comunhão”.
Yve, que divide a mesma empolgação, aponta a variedade do público e ressalta o contínuo processo de composição por que passa um ator.
— Falei para o grupo que vamos levar mais 10 anos para ter uma estréia como essa. Foi mágica. Os diversos segmentos da sociedade estavam lá, da prefeita de São João da Barra aos pescadores, passando por dentistas, médicos, estudantes e comerciantes. Isso é importante, pois algumas pessoas nunca haviam estado no local. Agora, passados os primeiros dias, voltamos aos poucos à vida normal, em Campos. Porém, no teatro, não existe trabalho pronto e agente se aprimora cada dia mais — pondera.


pontal.foto.grafia

Aqui,
redes em pânico
pescam esqueletos no mar
esquadras - descobrimento
espinhas de peixe convento
cabrálias esperas
relento
escamas secas no prato
e um cheiro podre no
AR


caranguejos explodem mangues em pólvora
Ovo de Colombo quebrado
areia branca inferno livre
Rimbaud - África virgem
carne na cruz dos escombros
trapos balançam varais
telhados bóiam nas ondas
tijolos afundando náufragos
último suspiro da bomba
na boca incerta da barra
esgoto fétido do mundo
grafando lentes na marra
imagens daqui saqueadas
Jerusalém pagã visitada
Atafona.Pontal.Grussaí
as crianças são testemunhas:
Jesus Cristo não passou por aqui


Miles Davis fisgou na agulha
Oscar no foco de palha
cobra de vidro sangue na fagulha
carne de peixe maracangalha
que mar eu bebo na telha
que a minha língua não tralha?
penúltima dose de pólvora
palmeira subindo a maralha
punhal trincheira na trilha
cortando o pano a navalha
fatal daqui Pernambuco
Atafona.Pontal.Grussaí
as crianças são testemunhas:
Mallarmè passou por aqui.

bebo teu fato em fogo
punhal na ova do bar
palhoças ao sol fevereiro
aluga-se teu brejo no mar
o preço nem Deus nem sabre
sementes de bagre no porto
a porca no sujo quintal
plástico de lixo nos mangues
que mar eu bebo afinal?

arturgomes
http://juras-secretas.blogspot.com

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