quarta-feira, 14 de abril de 2010

Jorge Luiz Antonio: a maior referência da tecno-arte-poesia no Brasil






Por Márcio Almeida

Algo conflituoso e negociável, a cada esquina e a cada lance de dados.
Algo que criamos e através do qual criamos – poesia, inclusive.
Antonio Risério, Ensaio sobre o texto poético em contexto digital - 1998

Da pesquisa teórica e da produção realizada com o computador no mundo da Antiguidade Clássica à atualidade, à análise competente das linguagens específicas dos processos digitais, Jorge Luiz Antonio constitui as mais importantes referências da poesia eletrônica em publicação já cotejada no país. Seu trabalho work in progress, como a especificidade da computação, impõe-se épico, porquanto o pós-doutor paulista se exige nele com rara abnegação, erudição e a competência de quem é surpreendido a cada momento como garimpeiro do futuro da poesia, que veio da longínqua e fértil oralidade, fez-se objeto de leitura massiva com o texto impresso, agregou os recursos vanguardistas do espaço físico, fita cassete, CD, vídeo, holografia, videotexto, scanners, câmeras, celulares, e chega ao experimentalismo-síntese com o computador, cuja última geração de tecnologia é sempre o que resulta da diversificação dos meios (re)produtivos, das redes e do intercâmbio planetário entre os avanços agora quase instantâneos da microinformática e os sistemas geradores da cibercultura.
A relevância do trabalho de Jorge Luiz Antonio é também mensurável pelo fato de incluir o Brasil – em nível de qualidade de pesquisa – à produção computacional que se processa no mundo em tempo real, cujo registro historiográfico-tecnológico condensa o que se pensa e faz com o computador em função poética.
Livro como Poesia eletrônica – negociações com os processos digitais (2008), com honesta intenção de ser contribuição referencial didática, além de completa constituição, em 5 capítulos, da poesia e tecnologia (tecnopoesia), poesia, arte, ciência e tecnologia, poesia eletrônica, poesia e computadores, reúne anexos contidos no CD-Rom no qual constam a continuação dos capítulos II e III, antologias de poemas (da Antiguidade à atualidade) e de textos teóricos, cronologia e denominações da poesia eletrônica, glossário e referências. O autor pesquisa em seis idiomas, tem contato permanente com os autores que analisa, busca informações nos mais longínquos países, e dialoga com todas as tendências eletrônicas onde elas se manifestam. E faz tudo com uma qualidade hoje difícil de ser distinguida em meio à autodeificação crítica: humildade.

Poesia para todo o sempre

O desenvolvimento do livro exigiu de Jorge Luiz Antonio comprometer-se de modo ad infinitum com a perenidade de uma poesia cuja evolução é sem retorno e cujo futuro demandará em ainda imprevisíveis avanços e experimentalismos tecno-poéticos. Não se pode – e o autor tem plena e vigorosa consciência deste fato – iniciar um projeto de pesquisa e análise científicas de assunto como a poesia eletrônica e abandoná-lo simplesmente à estagnação, porque essa não existe nem existirá, no caso; tampouco deixá-lo mercê da incompetência ou da conveniência acadêmica ou não de futuros curiosos.
Para distinguir mesmo as mais radicais experiências poéticas do mundo, baseadas nos ismos históricos das vanguardas, daquelas procedentes do uso do computador como ferramenta, motivação e a própria razão de ser do tecnopoema, e para justiticar inclusive sua pesquisa, o autor fez-se um questionamento cujas respostas são dadas com a acuidade de suas leituras e numa bibliografia/cronologia/antologia significativa que trata das relações da literatura com o hipertexto, da poesia com o computador:
Quais as mudanças que vêm ocorrendo na poesia dos séculos XX e XXI, depois do surgimento do computador, da internet e da rede? Quais conceitos científicos, técnicas e tecnologias produzem uma nova leitura da poesia que circula no meio digital? Quais os autores que se dedicam à teoria da poesia digital e quais as suas opiniões sobre o assunto? O número de pessoas que têm se dedicado a esse fazer poético é significativo? Quais as modificações que esses estudos têm mostrado em função do surgimento de novas tecnologias? (p.79).

Múltipla em denominações – poesia eletrônica, hipertexto, poesia permutacional, poesia digital, poesia virtual, infopoesia, videopoesia, holopoesia, multimídia, etc. -, fato é que a primeira conclusão de Jorge Luiz Antonio vem de Erthos Albino de Souza e é também criativa quanto o objeto de sua pesquisa: “o computador permite que o artista experimente a vida inteira.”
As linguagens computacionais geram, pois, o que o poeta e um dos prefaciadores do livro, E. M. de Melo e Castro chama de “sistemas plurissígnicos abertos”, enfatizando com a assertiva que ciência & tecnologia contribuem, desde sempre, para motivar a inventiva poética. Uma outra conclusão a que chega o autor é o que enfeixa todas as experiências plurissígnicas e as torna passíveis de recepção imediata, permanente, planetária e interativa: “O aparecimento da internet traz uma possibilidade de maior divulgação entre as formas poéticas eletrônicas existentes e um enriquecimento tecnológico, especialmente a partir de e-groups, porque permite uma prática poética que se realiza de forma colaborativa, participativa, em grupo e compartilhada” (p. 19).
Ressalte-se, destas primeiras conclusões, algumas reflexões assumidas como norteadoras de uma necessária nova visão crítica em relação à poesia eletrônica, postuladas pelo autor: uma de que experimentações poéticas eletro-eletrônico-digitais foram e podem ser observadas em diferentes épocas; outra de que a inovação científica, tecnológica ou técnica trouxe novo conceito e nova terminologia para definir seus produtos, hoje assimilados e usados por todos internautas, inclusive pelos poetas que experimentam novas linguagens e com elas tentam estabelecer sua comunicação poética. Destarte, como previu Jakobson, a linguagem científica e/ou tecnológica (função referencial) passa a ser poética (função poética). Uma outra refere-se ao fato de que “em muitos casos, é a conceituação poética que determina a denominação de um determinado fenômeno científico” (p. 20), uma vez que “a assimilação de recursos tecnológicos leva o poeta a intervir na própria tecnologia e na máquina para fazê-las produtoras de signos poéticos” (p.21). E ainda uma outra concernente ao fato de que a tecnopoesia poderá em níveis de hardsofware e software, ser modificada, ou seja, aperfeiçoada, ampliada, reduzida em rápidas edições eletrônicas futuras.
O conceito de poesia eletrônica, na concepção do autor, só vai aparecer na página 114, após esmiuçar muitos outros de vários teóricos do mundo e de épocas diferentes: “É composta por uma linguagem tecno-artística-poética; é um tipo de poesia contemporânea, formada de palavras, formas gráficas, imagens, grafismos, sons, elementos animados ou não, na maior parte das vezes interativos, hipertextuais e/ou hipermidiáticos e constituem um texto eletrônico, um hipertexto e/ou uma hipermídia. Ela existe no espaço simbólico do computador (internet e rede), tendo como forma de comunicação poética os meios eletrônico-digitais que se vinculam a esses componentes; de um modo geral, ela só existe nesse meio e só se expressa, em sua plenitude, por meio dele.”
Ao analisar a tecnopoesia, terminologia usada por Chris Funkhouser (1994), adotada também por Davinio (2002), Jorge Luiz Antonio processa negociações semióticas em função da mediação, intervenção e transmutação da poesia eletrônica, mediante leitura das linguagens poética, artística e tecnológica: “Trata-se de uma poesia que se serve dos recursos eletrônico-digitais da informática para ambientar a palavra no contexto potencial da sua verbo-voco-moto-visualidade” (p.25). E para entendê-la, explicita o autor, é utilizado o conceito de operadores da poesia experimental, em níveis semântico, fônico, morfogênico, visual ou icônico, de Clemente Padin (2000), que implica em operações que ensejam “trocas, relações, interrelações, contribuições, conversões, transposições, migrações, mediações, adaptações, configurações, transmutações e intervenções realizadas entre as linguagens poéticas, artísticas e tecnológicas, sob o enfoque predominante da tecnopoesia ou poesia eletrônica” (p.26).
Para o leitor comum, e mesmo para o expert e titulares da academídia, é relevante observar os quatro momentos definidores do contato do poeta com a nova práxis tecnológica: nelas, há um aprendizado e uma operacionalidade poético-cibernética que inclui desde o uso do computador como ferramenta ofertante de negociação semiótica, ao conhecimento da tecnologia como tema para o poeta, quando “os signos da tecnologia passam a ser apropriados pelos signos da poesia” (p.31); da utilização pelo poeta do procedimento tecnológico e do computador como poesia-objeto, o que Marcel Duchamp chamou de ready made em arte, à fase em que o computador é usado em função de sua “capacidade para processar e produzir signos para as mais diferentes finalidades pragmáticas, referenciais e objetivas” (p.33).
Uma vez serem os momentos definidores reais em tempo real, ou seja, serem registrados pelo pesquisador ao longo do tempo e do espaço na produção interssígnica-eletrônica mundial, tem-se a comprovação mais que óbvia do poeta com a máquina informatizada, donde surge a relação de escolhas que levam ao seguinte questionamento: por que o poeta usa a tecnologia? Enquete empreendida pelo autor resultou em respostas diferentes dadas por poetas: a mais importante, talvez, a de que, com ou sem a tecnologia, o poeta é poeta; a tecnologia se apresenta como recurso para potencializar novas linguagens poéticas mediante a possibilidade de inclusive pensar e de fazer poesia; a interatividade instantânea e a atualização diária dos recursos tecnológicos ampliam muito a recepção por leitores; a tecnologia torna a poesia um produto multimídia e possibilita a interdisciplinaridade imediata entre linguagens antes demandantes de aprendizados específicos. Poesia eletrônica – negociações com os processos digitais é, portanto, a leitura mais competente de que se dispõe no país para entender o processo de negociação com as linguagens tecnopoéticas.
Para esclarecer ainda mais esse processo, o autor estabelece as relações da linguagem tecnológica com a linguagem poética, cujos aspectos passam pelo “uso lúdico da linguagem, experimentalismo, projeto e criação, meios eletrônicos, do rádio à hipermídia, do ciberespaço e pelas interfaces, pela interatividade e o uso de programas computacionais, softwares, lexias, links, estrutura de página da web, ressignificação dos códigos da tecnologia” (p.60), entre outros recursos. E conclui:
As negociações semióticas da poesia e da tecnologia se realizam através do uso lúdico dos elementos da cultura que a sociedade constrói para fins específicos (sobrevivência, educação, adaptação ao meio ambiente, invenções, utensílios, máquinas, medicamentos etc), para produzir o que poderia ser denominado de um brincar com palavras no contexto da tecnologia escolhida:
O poeta, titular etimológico da criatividade lingüística, já não escreve poemas no sentido tradicional – salvo por equívoco – mas exprime melhor do que nunca uma sociedade que redescobre a arte como jogo (MOLES, 1990,p.144). Negociação, jogo, poesia e tecnologia produzem regras próprias e determinam os diferentes rumos da arte verbal ao longo dos tempos. Ocorre uma mediação sígnica entre o experimentalismo, o projeto e a criação da linguagem tecnológica e a linguagem poética: a experimentação científica é a apropriada pela linguagem poética, o conceito de projeto se torna uma maneira de fazer poesia, e a criação tecnológica se transforma em criação poética” (p.61-2).

Igualmente notável a leitura do autor das negociações da linguagem tecnopoética resultadas da intratextualidade (“fragmentos, unidades que se desprendem de outros conjuntos a partir de um jogo de analogias sintáticas”), da intertextualidade (“produção e recepção de dado texto [dependente] do conhecimento de outros textos por parte dos interlocutores”), e da hipertextualidade (“composta por leitura não linear e não seqüencial de um texto eletrônico, [através] de lexias ou bloco de informações – textos, imagens, sons, animações – ligados entre si por links” (p.70-1).
Dentre os conceitos precursores da poesia eletrônica, Jorge Luiz Antonio identifica em Viagens de Gulliver, de Jonathan Swift (1667-1745), publicado em 1726, o primeiro livro onde se faz referência a uma máquina de produzir textos, seqüenciado, entre outros, por Oswald de Andrade (1890-1954), no Manifesto da Poesia Pau-Brasil, de 1924, que estabelece relações da poesia com a arte e a tecnologia; George Orwell (1903-1950), no romance 1984, publicado em 1949, onde se lê sobre uma novilíngua, teletela, a máquina falascreve, semelhante aos atuais softwares de transcrição.
O mapeamento das negociações poéticas com as linguagens computacionais, por sua vez, cronologicamente gravadas no CD-rom, na Antologia de Poesias, reúne desde os Textos estocásticos, de Theo Lutz, 1959, o primeiro teórico-poeta da poesia artificial cibernética, conforme conceito de Max Bense, ao uso dos conceitos matemáticos (comutação, permutação, linguagem de programação) na poesia e na literatura de François Le Lionnais em La Lipo, de 1962; do manifesto da poesia semiótica Novas linguagens, nova poesia, 1964, de Décio Pignatari e Luiz Angelo Pinto, ao Cassiano Ricardo de Algumas reflexões sobre poética de vanguarda, também de 1964; do comentário de Wilson Martins intitulado Desgaste das vanguardas, 1964, comentando – não sem preconceito e visão reducionista1, a obra vanguardista do poeta de S. José dos Campos, ao exemplo teórico/poético dado por E.M. de Melo e Castro a partir de A proposição 2.01 Poesia Experimental, de 1965, a O caminho do leve, 2006; de Roger Caillois a Fernando Namora, de Wlademir Dias-Pino e Álvaro de Sá (Manifesto do Poema-Processo, 1967), a Ítalo Calvino (1923-1985) por Cybernétique et fantasmes ou de la littérature comme processus combinatoire (1967)2, Décio Pignatari, pela entrevista concedida ao Jornal do Escritor, em 1969, a Dick Higgins (1938-1998), pela reflexão em Computer for the arts, 1970; Abraham Moles, pela leitura que faz da Teoria da Informção e Percepção Estética, 1969, Arte e computador, 1971, Rumos de uma cultura tecnológica, 1973; de Richard Bailey, em Computer Poems, 1973, a Haroldo de Campos, em Do texto macarrônico ao permutacional, 1976.
O computador poeta não faz do poeta uma máquina

O capítulo IV, “Poesia e computador(es)”, é um minicompêndio sobre a Era Digital, quando ocorre a transformação de “máquinas apolíneas em máquinas dionisíacas, potencializando o lúdico, a efervescência comunitária e a apropriação artística” (p. 11, apud Lemos, 2002), e a reunião de computadores pessoais, produzindo uma rede de computadores e criando o ciberespaço e a cibercultura. Nele são abordados especificamente poesia e computador, desde o surgimento deste nos anos 1940, do período cibernético à terceira fase da informática, do PC ou computador pessoal. Barbosa (1996) sintetiza:
O mito do computador-poeta, a-máquina-de-fabricar-obras-de-arte, a tradução automática, a compreensão da linguagem natural, o computador inteligente e o homem artificial, eis alguns desses anseios, nascidos nas margens do que então se denominava Cibernética e hoje se conhece correntemente por Inteligência Artificial (Barbosa, 1996, p.39).

Jorge Luiz Antonio leciona sobre saída/entrada do computador (output/input), registra o primeiro poema eletrônico de que se tem notícia, do matemático e programador Theo Lutz, de 1959, a passagem do computador-ferramenta para o computador-criativo, o poeta-programador e a poesia-computador (computer poetry), a linguagem de programação e sua incorporação pelo fazer poético (code poetry), os dispositivos computacionais de entrada (teclado, mouse, joystick) e de saída (impressora, monitor de vídeo), de entra e saída (disco flexível, floppy ou drive, disco rígido ou HD, monitor de vídeo com tecnologia touch screen ou tela sensível a toque, criada em 1985, as diversas inovações (teclado, monitor, desktop, janelas, interfaces que facilitam o contato entre o poeta e o micro), derivando daí a chamada Teoria do Homem Sentado, postulada por Barbosa e Cavalheiro (1998): “O homem pós-moderno assiste sentado ao mundo envolto numa névoa de signos.” Além de analisar questões relevantes sobre poesia e arquivos eletrônicos, poesia e programas, poesia e internet, poesia e rede, poesia e texto eletrônico, hipertexto e hipermídia.
As denominações da poesia eletrônica são mapeadas pelo autor de acordo com os procedimentos de cada tipo de poesia eletrônica, reunidas no CD-rom, acrescidas de opiniões de estudiosos. As negociações da poesia com a tecnologia computacional são definidas em dois momentos: a que é produzida no espaço simbólico do computador isoladamente e a que é feita na rede de computadores, ou seja, no seu espaço simbólico.
Para justificar as várias tipologias da poesia eletrônica, Jorge Luiz Antonio se vale de pelo menos 8 enfoques, sem a intenção de esgotar o universo da produção poético-computacional, cujas fases ou categorias são analisadas em 9 aspectos: poesia-programa, cuja negociação faz uso predominante da programação e de diferentes tipos de geradores de textos, destacando-se Theo Lutz, Brion Gysin, Jean Baudot, Nanni Balestrini, Angel Carmona, Erthos Albino de Souza, entre outros; infopoesia, que migra a poesia visual para os meios computacionais: a arte literária digital de Joel Weishaus, a cibervisual e infopoesia de E.M. de Melo e Castro, os clip-poemas digitais de Augusto de Campos, gif poem de Élson Froes, Tombeau de Mallarmé, de Erthos Albino de Souza, Timesharing, de Archie Donald, Jim Andrews, Jim Rosenberg, David Daniels, Ladislao Pablo Gyori, Stefano Coluccini, Hugo Pontes/Vitor Manata Pontes, entre outros. A poesia-computador indica, a partir dos anos 1970, o início das experiências com o personal computer, envolvendo a produção de Silvestre Pestana, Eduardo Kac, Erthos Albino de Souza, Pedro Barbosa, M. Vincent van Mechelen, João Coelho, entre outros –“poemas concretos espacializados e coloridos por programa de computador” (p.172).
A poesia hipertextual e hipermídia representam negociações do poeta a partir dos anos 1980, quando são criados, diz o autor, os primeiros sistemas de hipertexto (1983) e a WWW (World Wide Web) (1989), que passam a existir no ciberespaço dos computadores interligados em rede e não em computador isolado. A essas denominações são atribuídas as experiências click poetry, de David Knoebel, computer-generated poetry, de Deena Larsen, computer-generated random poetry, de Florian Cramer, derivative computer poetry, dice model, digital literary art, de Joel Weishaus, formulary computer poetry, a interpoesia de Philadelpho Menezes e Wilton Azevedo, motion põem, de M. Vincent van Mecheln, network hypermedia, de Chris Funkhouser, entre muitas outras. Poesia-internet: também denominada internet poetry, net poetry, poema internet interpessoal (Philadelpho Menezes), refere-se à poesia eletrônica que utiliza o modo de comunicação muitos-muitos (interativo entre poetas-internautas e consumidores de poesia eletrônica em rede), da qual constam Larsen, Aléxis Kirke, Chris Funkhouser, Philadelpho Menezes, Randy Adams, Jaka Zelesnikar, Clemente Padin e outros.
A poesia interativa, colaborativa e performática, por sua vez, reúne uma série de propostas poéticas que exigem a participação do leitor-operador como co-autor, cuja interatividade passa a integrar o mundo tridimensional: Ana Hatherly, Komninos Zervos, David Knoebels Jim Andrews, Martha Carrer Cruz Gabriel, são alguns pioneiros nessa categoria. A poesia-código enfeixa não só o código lingüístico, como as linguagens de marcação de hipertexto (HTML), símbolos matemáticos, a exploração do espaço em branco, e suas denominações mais comuns são anipoema e tipoema, de Ana Maria Uribe, ASCII poetry, code poetry, codework, de Alan Sondheim, diagram poem, de Jim Rosenberg, poegram, de Aspen Aarseth, August Highland, Ted Warnell.
Poesia migrante reúne releituras e intertextos resultados da poesia eletrônica, da poesia visual, bi e tridimensional, da poesia concreta e grande parte dos poemas das vanguardas, tendo por autores, entre outros, Neil Hennessy, Dennis Garvin, George Aguilar, Dick Higgins, Philadelpho Menezes, Wilton Azevedo, Ana Maria Uribe, Omar Khouri, Fábio Oliveira Nunes, André Vallias, Arnaldo Antunes, Augusto de Campos, Décio Pignatari, Edgard Braga, Diniz Júnior, Erthos Albino de Souza, Haroldo de Campos, Julio Plaza, Regina Célia Pinto, Roland de Azevedo, Tiago Lafer, José Lino Grunewald, Pedro Xisto, Vanderlei Lopes, Villari Hermann, Walter Silveira, Zeluiz Valero, Lenora de Barros, João Bandeira, Rui Torres, Célia Catunda, Kiko Mistrorigo, Zaba Moreau.
Finalmente, a poesia performática cíbrida, termo adotado pelo autor que o usou no evento Simpósio Cibercultura: Nomadismos Cíbridos, realizado em S. Paulo, que tratou de “novas formas de mobilidade e deslocamentos que permeiam situações do cotidiano contemporâneo”, envolvidas/vivenciadas a partir de aparatos como telefones celulares, notebooks, PDAs e GPSs, que mesclam e hibridizam o real e o ciberespaço. O termo cíbrido tem o prefixo “ci” derivado de cibercultura, e significa “o hibridismo da cibercultura com outros tipos de cultura” (p.186).
O design em ciberespaço, de Anders, a polipoesia, de Enzo Minarelli, as performances de Silvestre Pestana e Lúcio Agra, os trabalhos de Loss Pequeño Glazier, Kellie James, Sadie Reid e Carrie Sykelmoore, entre outros, representam o que o autor, com base no conceito de E. M. de Melo e Castro, denominará poesia total3.
Todos estes exemplos foram exaustivamente referenciados com o objetivo de enfatizar a riqueza da antologia contida no CD-Rom, onde se encontram os poemas eletrônicos e autores citados.
Poesia eletrônica – negociações com os processos digitais impõe-se como referência máxima por méritos próprios, encimando bibliografia brasileira, protuguesa e angolana alusiva ao assunto ainda restrita, da qual constam, com excelência de qualidade, também os livros Teoria da poesia concreta, de Augusto de Campos et alii (1965), Informação, linguagem, comunicação, de Décio Pignatari 1969), A arte no horizonte do provável, de Haroldo de Campos (1975), Escritema e figuralidade, de Uilcon Pereira (1976), Vanguarda, produto de comunicação, de Álvaro de Sá (1977), Projeto de semiótica, de Emílio Carroni (1982), Intersignos, de Philadelpho Menezes (1985), Uma nova ordem audiovisual – novas tecnologias de comunicação, de Cândido José Mendes de Almeida (1988), Poética dos meios e arte high tech (1988), de E. M. de Melo e Castro, O poema visual – leitura do imaginário esotérico da Antiguidade ao século XX, de José Fernandes (1996), Ensaio sobre o texto poético em contexto digital, de Antonio Risério (1998), Processos criativos com os meios eletrônicos: poéticas digitais, de Julio Plaza e Mônica Tavares (1998), Literatura e comunicação na era da eletrônica, de Fábio Lucas (2001), Cores, forma, luz, movimento – a poesia de Cesário Verde, de Jorge Luiz Antonio (2002), Luz e letras: ensaios de arte, literatura e comunicação, de Eduardo Kac (2004), Arteciência: afluência de signos co-moventes, de Roland de Azeredo Campos (2003), Novo manual de teoria literária, de Rogel Samuel (2007, 4ª. edição), Teoria da literatura: criatividade e estrutura (2007), de Francisco Soares, Comunicação tecnoestética nas mídias audiovisuais, de Denise Azevedo Duarte Guimarães (2007), Livro de releituras e poiética contemporânea (2008), de E. M. de Melo e Castro.
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1 O que Wilson Martins (1921-2010) critica, a respeito das relações de poesia e computador, é correto, pois Cassiano Ricardo se refere à poesia digital como utopia, e se coloca como visionário, mas ela já existe desde 1959. O Wilson Martins faz um elogio à poesia digital norte-americana da época. Independentemente dessa crítica, Cassiano Ricardo é um grande inovador, até na temática que traz elementos da cibercultura, mesmo não estando tão atualizado, como demonstra Wilson Martins.
2 Já está traduzido para o português no livro Assunto encerrado - Discursos sobre literatura e sociedade (Cia das Letras, tradução de Roberta Barni, 2009).
3 O conceito de poesia total, de E. M. de Melo e Castro, pode se tornar o poesia hipermídia ou até poesia cíbrida, estendendo-se para a compreensão de poesia performática cíbrida. Pela simulação que o computador realiza, a poesia passa a existir no ciberespaço. Em Livro de releituras e poiética contemporânea, de E. M. de Melo e Castro, há o conceito de tecnopoiesis, bastante fundamentado.

ENTRE/VISTA
Foco: Jorge Luiz Antonio - pós-doutorando no Instituto de Estudos da Linguagem da Unicamp, sob orientação de Paulo Franchetti. Mestre e doutor em Comunicação e Semiótica (PUC SP), especialização (lato sensu) em Literatura (PUC SP, Cogeae), graduação em Biologia e Letras. Autor também de Ciência, arte e metáfora na poesia de Augusto dos Anjos (2004), Um ser humano chamado David Daniels / A Human Being Called David Daniels, em parceria com Regina Célia Pinto (2004), Cores, forma, luz, movimento: a poesia de Cesário Verde (2002), Lago mar algo barco chuva, em parceria com Regina Célia Pinto (2001), E-m[ag]inero, em parceria com Fátima Lasay (2001), Brazilian Digital Art and Poetry on the Web (2000), Almeida Júnior através dos tempos (1983), e lança em 2010 Poesia digital: teoria, história, antologias. Também está sendo elaborado Poesia eletrônica no Brasil, que deverá sair ainda este ano.

Há limitação bibliográfica relativa à poesia eletrônica no Brasil...
Jorge Luiz Antonio – A limitação bibliográfica depende de alguns parâmetros e critérios. Há muitos textos sobre o assunto: na rede digital, como capítulos de livros, referências pequenas com um ou mais parágrafos. Pode ser que não haja uma qualidade significativa, se comparada com a quantidade. Ainda há poucas monografias, dissertações e teses nas instituições brasileiras de ensino superior, especialmente nos cursos de Letras. Há poucos livros brasileiros que tratam somente desse tema. Se procurarmos uma bibliografia sobre a literatura eletrônica também há pouca coisa. E mesmo sobre arte eletrônica, nas suas mais variadas tipologias, encontramos poucos livros. Essa situação também se repete nos outros países e minha afirmação se baseia nas pesquisas que realizei nos países cujas línguas eu posso ler – português, inglês, espanhol, francês, italiano, alemão e catalão. Com elas, pude encontrar uma boa quantidade de publicações em Portugal, Angola, Estados Unidos, Reino Unido, Alemanha, Espanha, Argentina, Chile, México, Porto Rico, Cuba, Bélgica, França, Filipinas, Neerlândia. Sei que há pouca coisa na Romênia, porque conversei com dois pesquisadores desse país. Os estudos da Neerlândia (que a gente costuma chamar de Holanda) estão em inglês e em neerlandês. Há alguns estudos na Bélgica que foram publicados em inglês. O mesmo acontece na Eslovênia. Coletei tudo o que foi possível para alguém que vive no Brasil, dentro das limitações pessoais, financeiras e acadêmicas. Minha vocação para a pesquisa me ajudou muito. O resultado vem se apresentando satisfatório, pois o acervo está aumentando gradativamente.

Você se depara com preconceitos acadêmicos existentes desde docentes doutores a um alunado alienado, não é verdade?
Jorge Luiz Antonio – Vamos esquecer o significado de preconceito, que o Dicionário Houaiss on line traz como qualquer opinião ou sentimento, quer favorável, quer desfavorável, concebido sem exame crítico, ideia, opinião ou sentimento desfavorável formado a priori sem maior conhecimento, ponderação ou razão; atitude, sentimento ou parecer insensato, especialmente de natureza hostil, assumido em conseqüência da generalização apressada de uma experiência pessoal ou imposta pelo meio; intolerância.

Para minha felicidade, no lato sensu, mestrado e doutorado (PUC SP), convivi com professores que valorizaram a poesia contemporânea, dentre as quais a poesia concreta, visual e digital. Todos eles procuraram fundamentar seus pontos de vista e eu, em constante diálogo com eles, adotei procedimentos semelhantes.

Durante as apresentações de minhas pesquisas, ouvi as críticas e procurei corrigir aquilo que compreendi como um novo enfoque ou uma ajuda de quem apontou aspectos que me passaram despercebidos. Se alguns comentários, silêncios ou atitudes foram de cunho preconceituoso, procurei cuidadosamente filtrá-los.

A bolsa FAPESP de pós-doutorado, no Instituto de Estudos da Linguagem da Unicamp, me trouxe a oportunidade de conhecer um professor universitário e pesquisador, o Paulo Franchetti, que vem demonstrando, a todo o momento, a paixão pela pesquisa, pelo ensino e pela criação poética. Ele sabe incentivar, orientar e apoiar no momento oportuno.

Parti sempre do ponto de vista de que preciso respeitar a formação e a escolha de outros estudiosos, mesmo que elas não representem meu ponto de vista. Essa atitude conciliadora me deixou numa situação em que pude apresentar, da melhor maneira possível, o resultado de minhas pesquisas, não gerando nenhum tipo de conflito que pudesse gerar recusas ou críticas sem fundamentos.

Durante o tempo que lecionei num curso de Letras, procurei mostrar os novos caminhos da poesia, sempre valorizando todo tipo de poesia, que me fascina e desafia a compreendê-la e apreciá-la, seja ela de que época for. Procurei deixar bem claro que meu objetivo foi o de apresentar o que considero como válido, e que é resultado de minha pesquisa, e, com isso, fui sendo aceito como quem apresenta uma pesquisa séria, mas sempre respeita a escolha dos alunos.
Devagar e sempre, com muita paciência, com todas as facilidades e difuculdades que a vida me apresenta, acho que, aos poucos, com a força e a limitação pessoais, venho realizando alguns sonhos.

Um pouco sobre sua luta ousada, consciente, competente, quase única no Brasil, de pesquisar, estudar e produzir livros alusivos à poesia eletrônica.
Jorge Luiz Antonio – O que move é uma paixão pela pesquisa e pela crítica literária. Também gosto muito de ser professor. Alguns professores foram responsáveis pela minha escolha dessa abordagem interdisciplinar da poesia, que começou com o conhecimento da poesia concreta, da poesia experimental portuguesa e chegou à poesia digital. Vários artigos, que funcionaram como estudos preparatórios, me levaram a produzir Ciência, arte e metáfora na poesia de Augusto dos Anjos, e, tempos depois, veio Cores, forma, luz, movimento: a poesia de Cesário Verde.
É um desafio escrever a história enquanto ela acontece. Até o tempo verbal dificulta. Parece notícia jornalística. A angústia e a insegurança dificultam bastante. O que escrevo agora precisa ser modificado com o material que virá ao meu conhecimento a qualquer momento (e isso costuma acontecer assim que o texto fica pronto e o entregamos ao editor). A rede digital e a internet se encarregam de tornar tudo instantâneo e, de certa forma, angustiante, pois, ao tomar conhecimento de um assunto novo, nos esquecemos que ele também levou um bom tempo (a gente nem imagina quanto) para ser preparado. Um aspecto que me incomoda bastante é o esquecimento deste ou daquele evento, periódico ou poeta, mesmo tendo a convicção de que falho por desconhecimento, em algumas vezes, ou por esquecimento, em outras, ou por necessidade de síntese. Mesmo assim, estou consciente do que foi apresentado, pois sempre é resultado de muitas reflexões e ponderações, e não hesito em reformular, quando sou lembrado de algum lapso ou verifico, depois, que alguma coisa foi esquecida.
O procedimento mais difícil de aprender, desde as pesquisas para o doutorado (2000-2005), foi decidir quando deveria parar a pesquisa e iniciar os preparativos para publicação. Foi assim para a tese, especialmente tendo uma data a ser cumprida. Com inquietação um pouco menor, semelhança dificuldade foi a publicação do livro em 2008. A nova edição sofreu processo semelhante: uma certa insegurança, a necessidade muito forte de revisar o maior número possível de capítulos, a estruturação em três grandes partes e o estabelecimento de oito capítulos e poucos anexos.

Quem, além de Edgar Roberto Kirchof, por exemplo, do Brasil, você incluiria como importante para uma recepção consciente da poesia eletrônica?
Jorge Luiz Antonio – Tudo o que estou dizendo é relativo e está baseado no que pude ler até o presente momento. Há muitos livros impressos e eletrônicos que estão em minha estante, mas não puderam ser lidos ainda. Fiz curso de leitura dinâmica, mas a velocidade que consegui não é suficiente para acompanhar tudo o que vem sendo publicado e eu fico sabendo. A maior parte dos estudiosos é também poeta digital e professor universitário. Vou procurar responder sem restringir a recepção a autores brasileiros ou publicados no Brasil. Dos autores alemães, ainda não pude apreciar devidamente aqueles que escrevem em alemão, pois meu conhecimento da língua exige uma leitura muito demorada, como é o caso de Computer Poesie Studien zur Modifikation poetischer Texte durch den Computer, de Saskia Reither (2003), o Literatur.digital Formen und Wege einer neuen Literatur, editado por Roberto Simanowski, e os artigos da revista Text + Kritik, tendo como editor convidado Roberto Simanowski, com textos de vários autores.
Na França, há estudos de Jean-Pierre Balpe, Alain Vuillemin e Philippe Bootz. Em Portugal, temos estudos pioneiros em artigos de 1967 de E.M. de Melo e Castro, artigos e livros de Pedro Barbosa e José Augusto Mourão e muitos bons artigos de Pedro Reis, Manuel Portela e Rui Torres. A Ciberliteratura criação literária e computador, de Pedro Barbosa, de 1996, já é um clássico dos estudos da ciberliteratura. Seu livro pioneiro A literatura cibernética 1 autopoemas gerados por computador é de 1977 e traz reflexões muito importantes. Também tenho especial apreço por Teoria do homem sentado, que ele fez em parceria com Abílio Cavalheiro, de 1996. Um novo livro sobre o assunto em Portugal é Textualidade electronica, literatura e hiperficção, de José Augusto Mourão. Em Angola, há um estudo muito importante que vem sendo desenvolvido há algum tempo: Teoria da literatura – criatividade e estrutura, de Francisco Soares. Na Argentina temos bons textos de Fabio Doctorovich, Ladislao Pablo Györi e Claudia Kozak.
No Uruguai, Clemente Padin, Luís Bravo e Santiago Tavella trazem boas contribuições ao tema, com abordagens muito interessantes, além de criações de poemas digitais. Até o presente momento, encontrei poucos poetas digitais no México. E nenhum estudo teórico em livros ou artigos, mas apenas algumas referências, como é o caso dos ensaios e entrevista de César Horácio Espinosa Vera e Araceli Zúñiga.
No Brasil, há muitos artigos, referências curtas, dissertações e teses e poucos livros especialmente sobre poesia eletrônica. As referências mais antigas que encontrei é de 1964, ambas de Cassiano Ricardo. Até agora, o primeiro livro sobre o assunto é de Antonio Risério, de 1998, o Ensaio sobre o texto poético em contexto digital. As antologias brasileiras que conheço tratam de ciberliteratura e cibercultura e às vezes abordam a poesia digital: é o caso de Criação e poéticas Digitais (org. Diana Domingues e Suzete Venturelli, 2005), Literatura e informática (org. José Luís Jobim, 2005), Caminhos cruzados, literatura e informática (org. Adair de Aguiar Neitzel e Alckmar Luiz dos Santos, 2005), Ciberespaço: mistificação e paranóia (org. Alamir Aquino Corrêa, 2008).
Outras referências se encontram na entrevista ao Jornal da Unicamp de 7 a 13 de setembro de 2009, p. 5-7.
A Antologia de textos teóricos, que está no cd-rom de Poesia eletrônica (2008), contém uma quantidade significativa de contribuições ao tema sob os mais variados ângulos. Antes de meu livro, vale destacar uma publicação de 2004, bilíngüe (alemão / ingles): Poesis Aesthetik digitaler Poesie / The Aesthetics of Digital Poetry, editado por Friedrich Block, Christiane Heilbach e Karin Wenz.

Que eventos atuais você destacaria como referenciais da poesia eletrônica no Brasil?
Jorge Luiz Antonio – Houve, há e haverá uma série de eventos individuais e coletivos – seminários, congressos, colóquios, mostras, exposições etc. – que trouxeram, trazem e trarão alguma contribuição ao tema, além de títulos como “poesia e novas tecnologias”, “poesia na internet”, “poesia digital”, “poesia contemporânea”, “do livro ao computador” etc.

Tive o cuidado de coletar o maior número possível deles e os coloquei na Cronologia do livro. Salvei os arquivos em meu computador, para que eles não se perdessem na voragem dos "broken links" da cibercultura.

Sempre que possível, procuro resgatar os catálogos e conto com a ajuda das pessoas que participaram dos eventos no Brasil e no exterior. Por exemplo, E. M. de Melo e Castro disponibilizou seu videopoema "Roda Lume Fogo", de 1968, Richard W. Bailey (EUA) me presenteou com Computer Poems, de 1973, Pedro Barbosa me ofertou uma fita perfurada do seu "Poema de Computador" de 1975, Daniel Lima Santiago me enviou uma cópia original do seu "Soneto Só Pra Vê", de 1982, o João Coelho me enviou seu poemas digitais de 1983, e Augusto de Campos me ofertou Arte Suporte Computador (nov. 1997). Hugo Pontes, Clemente Padin, Cesar Horacio Espionosa Vera e John M. Bennett, poetas experimentais, têm sido amigos incansáveis na oferta de livros, revistas, arquivos, contatos, informações preciosas. A parte Agradecimentos / Acknowledgements do meu livro apresenta uma lista de nomes que continua aumentando, para a minha satisfação.

Você me presenteou com o Suplemento Literário de Minas Gerais de 17 de junho de 1989, o seu didEYEtica em várias versões, com informações preciosas, além de outras contribuições muito importantes, e eu lhe agradeço muito pela ajuda. Alvaro Andrade Garcia enviou-me O Risco do Oficio, uma publicação da Oficina Literária Informatizada, de agosto de 1989.
Minha recente visita a Belo Horizonte, para apreciar a exposição de poesia digital de Eduardo Kac, me trouxe a oportunidade de conhecer um museu audiovisual e interativo, que é o Museu das Telecomunicações, ao lado da Oi Futuro.

Um encontro com o Marcelo Dolabela foi muito significativo para conhecer mais coisas sobre a contemporaneidade da poesia mineira. Obras como Letrolatria (2000), Carimbós (2007), a Antologia DezFaces (2008) e o jornal DezFaces trazem contribuições muito válidos para o entendimento de outras facetas do percurso do poema-processo à poesia digital.
Na Antologia DezFaces, por exemplo, gostei muito do "à moda de manifesto: as poéticas experimetnais e outros que tais", de Vera Casa Nova e Marcelo Kraiser.
Uma troca de ideias com o Pipol, editor do portal Cronópios, me ajudou a entender procedimentos digitais e artísticos que trazem novas contribuições a um campo híbrido: enquanto o portal é construído como um meio de comunicação digital para a divulgação da poesia contemporânea brasileira e hispano-americana, há um uso criativo do webdesigner para a produção de narrativas e poesias digitais, que podem ser apreciadas na poesia digital do Pipol e no H2Horas, dentre outros exemplos, que é uma criação hipermidiática a partir de textos sobre um tema.

Todos esses eventos pretendem ser o primeiro de muitos, mas infelizmente poucos deles apresentam uma segunda edição. Há poucas exceções, como o trabalho contínuo e crescente de Jim Andrews (Canadá) em seu sítio ; os estudos de Chris Funkhouser (EUA); o E-Poetry – Festival Internacional de Poesia Eletrônica, organizado pela Universidade de Buffalo (EUA) em vários países, que está sendo realizado desde 2001, ininterruptamente; a página Brazilian Digital Art and Poetry on the Web, iniciada em 2000; o NUPILL, coordenado por Alckmar Luiz dos Santos, que é de 1995; as mostras e seminários organizados por Philadelpho Menezes (1960-2000), envolvendo poesia visual, poesia sonora, poesia intersignos, videopoesia; os eventos de arte, poesia e tecnologia organizados por Julio Plaza e Augusto de Campos; dentre outros.
Vale mencionar também a Bolsa Funarte de Produção Crítica de Conteúdos Artísticos em Mídias Digitais/Internet, de 2009, destinado ao fomento de atividades de reflexão sobre as manifestações artísticas contemporâneas realizadas no ambiente digital, com vistas a produção de estudos qualificados que venham a ampliar a compreensão e o debate no campo das artes.

Gostei, especialmente, da conceituação: "entende-se como conteúdos artísticos em mídias digitais /internet toda a produção relacionada a artes visuais, dança, circo, teatro, performance, fotografia, música, audiovisual e literatura, baseada em computadores e suas possíveis extensões, cujo armazenamento, difusão e/ou exposição também se baseiam nessas tecnologias. Entre os suportes conhecidos estão os websites (páginas na internet), CDRom, DVD, DVD-Rom, computadores intermediados por monitores ou projetores (datashow), reprodutores de conteúdo audiovisual (mp3, mp4 e outros formatos), computadores de mão (palm tops) e telefones celulares". Há uma intenção interdisciplinar, pois a literatura nos meios digitais não é descartada.
Foi uma atitude semelhante ao do programa Rumos Itaú Cultural Pesquisa 2003, que incentivou projetos de pesquisa acadêmica sobre artemídia, ou seja, estudos capazes de explorar as várias interseções entre tecnologia, arte, ciência e mídia; compreendendo-se por mídia não apenas a eletrônica, mas também outras modalidades como o livro, o cartaz, a fotografia ou o cinema.

Também houve a conceituação do vocábulo artemídia: "forma aportuguesada do inglês media arts, tem se generalizado nos últimos anos como a expressão mais universal e mais abrangente para designar todas as formas de expressão artística que se apropriam de recursos tecnológicos recentemente desenvolvidos sobretudo pelas indústrias da eletrônica e da informática e que disponibilizam interfaces áudio-tátil-moto-visuais propícias para a realização de trabalhos artísticos, seja nos campos mais consolidados das artes visuais e audiovisuais, literatura, música e artes performáticas, seja em campos ainda não inteiramente mapeados e conceitualizados, como arte colaborativa baseada em redes, intervenções em ambientes físicos ou virtuais, aplicação de recursos de hardware e software para a geração de obras interativas, probabilísticas, potenciais, acessáveis remotamente etc. O termo abrange, portanto, todos aqueles trabalhos criativos que, pelas suas qualidades no plano da conceitualização, da realização e da exploração das possibilidades de linguagem abertas pelos novos meios, possam ser fruídos como formas de expressão artísticas de nosso tempo. Abrange também experiências de diálogo, colaboração e intervenção crítica nos meios de comunicação de massa. Nesse sentido, artemídia abrange e extrapola expressões anteriores, como arte & tecnologia, artes eletrônicas, arte-comunicação, poéticas tecnológicas etc.". Tempos depois, Arlindo Machado publicou Arte e mídia (2007), conceituando e exemplificando o tema de forma muito apropriada.
De janeiro a março deste ano, está ocorrendo a exposição “Poesia digital 1982/1998”, do Eduardo Kac, promoção da Oi, em Belo Horizonte. É um evento importante para a revisão da poesia digital no Brasil, pois as criações do Kac são muito significativas.

Você acredita que a saturação da produção com o uso em massa do computador, no Brasil, será bom ou ruim para a qualidade poético-eletrônica?
Jorge Luiz Antonio – Estou partindo do pressuposto de que não estamos tratando de toda e qualquer publicação de poesia no meio digital, quer seja pela internet (e-mails, principalmente) ou pela rede digital (WWW ou web). Essa literatura ainda pertence ao meio impresso e apenas utiliza o meio digital como forma mais barata de divulgar a poesia. Ela tem a sua importância, mas não é o foco da nossa conversa.
Ainda não há saturação de produções de poemas digitais no Brasil, embora a quantidade seja significativa, ou seja, é tão significativa que já escrevi vários artigos sobre ela e estou colecionando material para publicar um livro de muitas páginas sobre o tema. Há poucas experiências na rede (1995-atualidade) e houve poucas experiências antes da rede (1959-1975) no Brasil, se a compararmos com a avalanche de poemas publicados nos meios digitais (disquetes, cd-rom, DVD, rede digital etc).
A proporção é maior em países como os Estados Unidos. O livro Prehistoric Digital Poetry: An Archaeology of Forms, 1959-1995, de Chris Funkhouser, de 2007, traz um estudo histórico detalhado sobre o assunto. A obra A cibercultura, criação literária e computador, de Pedro Barbosa, de 1996, traz um significativo estudo pioneiro também. Não há como evitar a saturação, nem como excluir as produções de pequena qualidade, pois há uma grande liberdade de divulgação no meio digital. A quantidade vai superar a qualidade nos estudos que estão sendo feitos sobre o tema. Também haverá uma seleção dos ciberleitores, à medida que eles forem compreendendo a poesia digital. De certa forma, o meio digital repete o meio impresso. Há uma saturação de publicações de poesia a partir do surgimento das editoras alternativas e das publicações sob demanda. Há muitos livros que circulam em pequenos círculos. Quando trato deste assunto, sempre me vem à mente o texto Carta a um crítico, que está no livro Elogio da mediocridade, de Amadeu Amaral, de 1976:
A turba imensa dos medíocres constitui uma como que nebulosa informe sementeira protoplásmica de estrelas. A maioria dos grandes de lá saiu, e felizes daqueles que saíram de vez para não mais tornar ao rebanho depois de um esforço máximo e prodigioso. Em regra a obra total de um escritor de fama é uma série de livros que vai da mediocridade ao esplendor de um pináculo de ouro, e esse pináculo como o de uma pirâmide, é justamente a porção que ocupa o menor lugar no espaço (p.5).
No caso da poesia digital, a própria tecnologia se encarrega de tornar obsoleta, rapidamente, algumas experiências. Há necessidade de uma aprendizagem constante da parte do poeta e da parte do ciberleitor.

Em resumo bem desidratado, quais são as principais vertentes, hoje, no Brasil, da poesia eletrônica?
Jorge Luiz Antonio – A poesia hipermídia continua sua trajetória. Outros tipos de poesia digital também. A máquina fotográfica digital que filma e a filmadora digital permitiram o retorno da videopoesia, que parecia ter parado nos anos de 1990, principalmente a partir de programas com o Youtube, que surgiu em 2005. A poesia hipermídia (palavra, grafismos, imagem, som, animação) continua se desenvolvendo nas redes digitais, principalmente em função de programas de boa qualidade e sofisticação para os mais experientes, e programas de fácil manuseio para aqueles que se iniciam. Os estudos acadêmicos estão voltando a sua atenção para o assunto e muitas criações estão surgindo desses estudos.

O que avançou em suas pesquisas, após a publicação de Poesia eletrônica – negociações com os processos digitais?
Jorge Luiz Antonio – A publicação Poesia eletrônica em 2008/2009 representou a finalização de uma segunda etapa, pois a primeira foi a redação da tese de doutorado em 2005. Meu projeto foi fazer um livro impresso que transitasse também pelo meio digital (cd-rom e rede). A realização trouxe pouca satisfação por diversas razões, sobre as quais prefiro nada comentar. O cd-rom foi feito aos pedaços por diversos profissionais, que começaram e pararam. Somente a competência pacienciosa de Liliana Bellio permitiu um resultado muito positivo, um cd-rom com uma navegação muito agradável e simples, apesar do excesso de subdivisões causadas por uma série de fatores sobre os quais prefiro não relatar.
As pesquisas avançaram significativamente desde quando enviei os originais na editora. Encontrei livros, revistas e jornais impressos e digitais, além de uma série de troca de ideias por e-mails que permitiram revisar cuidadosamente todos os capítulos. Isso me trouxe material muito variado para produzir um outro livro sobre a poesia eletrônica no Brasil. A conceituação, antes centrada na poesia eletrônica, passou a ser a da tecno-arte-poesia como uma estrutura geral que mais facilmente abrange os mais diferentes tipos de relações entre poesia, arte e tecnologia computacional.

Quais são, hoje, as principais negociações da poesia eletrônica?
Jorge Luiz Antonio – Essa pergunta exigiria uma resposta que demandaria a publicação de um livro, pois as negociações semióticas da poesia com as tecnologias computacionais abrangem muitos aspectos. Somos surpreendidos a todo momento com novas negociações da poesia com as artes, as ciências e as tecnologias. Muitas delas nos passaram despercebidas e somente pudemos notá-las agora. Outras estão nos livros de nossa biblioteca e são “descobertas” a uma nova leitura ou a uma revisão mais atenta. Isso sempre me faz lembrar o texto Kafka y sus precursores, de Jorge Luiz Borges.
E há as novidades que surgem por intermédio de um e-mail, do anúncio de um sítio, ou da conversa com um amigo, que, por acaso, conheceu fulano, que faz uma poesia diferente e muito interessante. Aqui vão alguns exemplos: há as criações denominadas de biopoesia (Eduardo Kac), nanopoesia (Giuliano Tosin), trabalhos sonoros e visuais simultâneos no YouTube (Márcio-André), linha de texto poético no genoma de uma bactéria (Christian Bok), uma criação bastante singular de Marcelo Sahea, a poesia digital de Pipol, que também trabalha criativamente o portal Cronópios, entre outras.

Esta resposta é incompleta, pois estou citando alguns eventos, sítios e poetas de que me recordo. É claro que há mais coisas, mas o espaço e o tempo de que disponho não me permite alongar mais.

É possível, viável, produtivo, se fazer crítica da poesia eletrônica com critérios e/ou cânones da crítica utilizada para abordar, p. ex., a poesia concreta, o poema-processo, a poesia visual? Que parâmetros você apontaria como indicadores de desvelamento da poesia eletrônica?
Jorge Luiz Antonio – Esse é um dos aspectos de minha pesquisa de pós-doutorado: Tecno-arte-poesia – mapeamentos e leituras. Os movimentos poéticos, principalmente os contemporâneos, quer apresentem manifestos ou não, apresentam teorias e indicam caminhos para a crítica. Obras como Poesia em situação (1960), de Pedro Xisto, Teoria da poesia concreta (1965), de Augusto de Campos, Haroldo de Campos e Décio Pignatari, A proposição 2.0 Poesia experimental (1965), de E.M. de Melo e Castro, Processo linguagem e comunicação (1971), de Wlademir Dias-Pino, Vanguarda produto de comunicação (1977), de Álvaro de Sá, Poesia de vanguarda no Brasil de Oswald de Andrade ao poema visual (1983), de Antonio Sérgio de Mendonça e Álvaro de Sá, dentre outras, trazem claramente expressas as linhas de análise possíveis para essas novas criações.
Todos os textos introdutórios e explicativos que acompanham os poemas digitais trazem, em sua essência, uma proposta de leitura. Isso me parece uma constante, como os prefácios ou introduções de determinadas obras literárias (lembro-me em especial das obras de José de Alencar), que indicam os percursos criativos realizados e apontam caminhos possíveis de leituras. Não precisamos seguir tudo à risca, mas podemos experimentar essas orientações.
Obras como Computers for the arts (1970), de Dick Higgins, Computer poems (1973), editado por Richard W. Bailey, A literatura cibernética 1 autopoemas gerados por computador (1977), de Pedro Barbosa, entre outras, se apresentam como manifestos, teorias e indicam leituras possíveis para a compreensão da poesia digital.
Um experimento na crítica literária (2009), de C.S. Lewis, livro de 1961 em língua inglesa, propõe uma distinção entre leitores os modos de leitura e a distinção entre livros, estabelecendo dois tipos de leitores: os literariamente letrados e os literariamente iletrados. Isso é um caminho possível para um estudo da poesia digital.
Literatura e comunicação na Era da Eletrônica (2001) de Fábio Lucas, Teoria da literatura – criatividade e estrutura (2007), de Francisco Soares, Comunicação tecnoestética nas mídias audiovisuais (2007), de Denise Azevedo Duarte Guimarães, Livro de releituras e poiética contemporânea (2008), de E. M. de Melo e Castro, por exemplo, são obras que tratam de caminhos muito válidos para a compreensão da poesia eletrônica.
Há muitos parâmetros para a leitura da poesia eletrônica: livros, capítulos e artigos mostram inúmeros caminhos críticos. Fiz questão de registrar o maior número possível de enfoques na Antologia de Textos Teóricos, sem me preocupar se eles se contradizem ou não. Para meus estudos, adotei o conceito de negociação semiótica, estabeleci um percurso cronológico para procurar entender cada uma das tecnologias computacionais e fiz um estudo dos precursores.
Hoje, optei por usar uma denominação geral – tecno-arte-poesia -, pois esse conceito pode abranger as experiências antes e depois das tecnologias computacionais. É possível pensar numas leituras das dimensões da tecno-arte-poesia tecnológicas, envolvendo tratamento de imagens, animações, sons, hipermídia e interatividade; artísticas, analisando os recursos artísticos que fazem parte da criação: cores, forma, luz, movimento, bidimensionalidade, tridimensionalidade; poéticas: analisando a relação da palavra e sua plurissignificação com os grafismos e ilegibilidades.
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Por sugestão do autor deste trabalho, Jorge Luiz Antonio incluiu em seu novo livro Poesia digital: negociações com os processos digitais: teoria, história, antologias, no livro em andamento Poesia eletrônica no Brasil, e na sua pesquisa de pós-doutorado, Tecno-arte-poesia – mapeamentos e leituras, indicações autorais e algumas publicações que por razões diversas não foram incluídas em Poesia eletrônica de 2008: Escritema e figuralidade (1976), de Uilcon Pereira; a edição especial do Suplemento Literário do Minas Gerais intitulada Poesia visual na década de 80, de 17/6/89, BH/MG, 16 páginas, em que como editor registro, pela primeira vez, o trabalho da Oficina Literária Informatizada (OLI), constituída pelos poetas digitais Álvaro Garcia, Roberto de Carvalho e Delfim Afonso Jr.; o projeto didEYEtica: uma gramática do olho (1980) e o ensEYEo "Qualidade versus quantidade na poética do ciberespaço", de Márcio Almeida; as experiências computacionais de Augusto Dutra / Márcio Almeida realizadas também naquela década; as produções atuais de Karol Penido, de Divinópolis, MG, e de João Gilberto Lara Versiani / Adriana Versiani, de Belo Horizonte.

Uma miniantologia
A antologia, em seu sentido etimológico, vem do grego Anthos (flor) + legein (colher), na botânica significa tratado das flores, e, na literatura, é uma coleção de trechos em prosa ou em verso de um ou mais autores, e já foi chamada de florilégio, crestomatia, coletanea, compilação, miscelanea e seleta.
Trata-se da coleção de textos (com ou sem comentário) selecionados segundo determinados critérios e representativos de uma literatura ou do conjunto da obra de um autor, conforme Dicionário de Termos Literários, editado por Carlos Ceia, disponível em: .
Até o presente momento, uma miniantologia de textos teóricos foi apresentada aos leitores e ciberleitores, como uma especie de minibibliografia. Faz-se necessario apresentar e comentar exemplos de poesias digitais. Não adianta dizer que a rede digital é a maior antologia do mundo, porque procurar alguma coisa na web implicar em ter um roteiro e um conhecimento prévio. A não linearidade implica numa atividade responsável de alguém que procurar construir significados.
Podemos estender o sentido de antologia a diversas publicações e até a determinados acervos particulares ou institucionais: os periódicos impressos e digitais, dada a sua variedade de colaboradores; eventos científicos e artísticos, quando há uma preocupação em preservar suas contribuições; etc.
Já existem algumas antologias on line que merecem ser citadas como exemplos:
1986 - Eduardo Kac - The Brazilian Art and Technology Experience: A Chronological List of Artistic Experiments with Technosciences in Brazil http://mitpress2.mit.edu/e-journals/Leonardo/isast/spec.projects/brazilchron.html
1995 - Poetry – New Media – Links of Imagination - Jim Andrews http://vispo.com/misc/links.htm
1998 - PopBox - Elson Fróes - http://paginas.terra.com.br/arte/PopBox/home.htm
2000 - Brazilian Digital Art and Poetry on the Web - Jorge Luiz Antonio
www.vispo.com/misc/BrazilianDigitalPoetry.htm
2001/2002 - Web Arte no Brasil - Fábio Oliveira Nunes http://www.fabiofon.com/webartenobrasil/
2002 - Museu do Essencial e do Além Disso - Regina Célia Pinto www.arteonline.arq.br
2002 - Poesia e tecnologia, capítulo de Panorama de arte e tecnologia no Brasil - Instituto Itaú Cultural - Arlindo Machado, Silvia Laurentiz e Fernando Iazzetta http://www.itaucultural.org.br/aplicexternas/enciclopedia/arttec/
2002 - Biblioteca Virtual de Literatura, seção de Criação on Line, organizado pela PACC / UFRJ (Programa Avançado de Cultura Contemporânea da Universidade Federal do Rio de Janeiro http://www.bibvirtuais.ufrj.br/literatura/asp/SaidaCat.asp?cod=71&id=port
2002 - Antología de Literatura Digital - Hermeneia Estudis Literaris i Tecnologias Digitals
http://www.hermeneia.net/cat/espais/literatura.html
2005 - Ócio Poesia Digital - Jorge Luiz Antonio http://www.ociocriativo.com.br/poesiadigital/index.htm
2005 - Mostra Internacional de Poesia Visual e Eletrônica - Jorge Luiz Antonio, Hugo Pontes, Roberto Keppler http://arteonline.arq.br/museu/library_pdf/interface.html
2005/2006 - Portal de Ciberliteratura - Rui Torres
http://www.po-ex.net/ciberliteratura/
2006 - E-Poemas Inéditos - Folha On Line
http://www1.folha.uol.com.br/folha/treinamento/novoemfolha41/
te21062006033.shtml
Sem incluir as antologias individuais de poetas com significativa produção, há coletâneas em disquetes, cd-rom e DVD publicadas separadamente e como anexos de livros, cujos exemplos são: International Anthology of Digital Poetry (ed. Eduardo Kac, EUA, 1996/1997), Árbol Veloz (ed. Luis Bravo e Silvina Rusinek, Uruguai, 1998), Elektronische literatuur (ed. Eric Vos e Jan Baetens, Neerlandia, 1999), Literatur.digital (ed. Roberto Simanowski, Alemanha, 2002), 6X (ed. Juliana Teodoro e aLe, Brasil, 2006), Antologia de Poesias (ed. Jorge Luiz Antonio, Brasil, 20081).
Um conjunto significativo de revistas impressas e on line vem produzindo excelentes antologias: alire (ed. Philippe Bootz, França, desde 1989), The Little Magazine Volume 21 (ed. Chris Funkhouser, EUA, 1995), Gravitational Intrigue: An Anthology of Emergent Hypermedia (ed. Dimitri Anastasopoulos, Emmanuel Savopoulos e Christina Miletti, EUA, 1999), Cortex Revista de Poesia Digital (ed. Lucio Agra e Thiago Rodrigues, Brasil, 2003), Arteria 8 (ed. Omar Khouri e Fábio Oliveira Nunes, 2003), dentre outras.
Também se faz necessária a citação dos eventos culturais, artísticos, poéticos (exposições coletivas) e científicos (congressos, colóquios, encontros): Cibernetic Serendipity (Londres, 1968), Symposium on the Computer in the Arts (EUA, 1973), Exposição Transcriar (Brasil, 1985), Arte e Tecnologia (Brasil, 1985), p0es1s internationale digitale Poesie (Alemanha, desde 1992), Arte Suporte Computador (Brasil, 1997), Mostra Interpoesia (2000 e 2001), E Poetry (EUA, desde 2001), dentre outros.
Não enquadrada totalmente nas categorias acima, temos sítios, revistas impressas e eletrônicas, jornais impressos e eletrônicos, portais, por exemplo, que não tratam especificamente de poesia digital, mas são, elas mesmas, um produto hipermidiático criativo. E há trabalhos de designers digitais, que apresentam uma produção criativa que vai além dos elementos estéticos de sua profissão, e os tornam, por isso, poetas digitais. A preocupação com produto final artístico resulta numa obra de arte, mesmo num veículo de comunicação cultural e artística. Na abrangência do conceito de negociações semióticas, não poderia de deixar de mencioná-las.
Por exemplo, obras como Rigor e paixão: poética visual de uma arte gráfica (1999), de Emilie Chamie, ultrapassam a qualidade de uma antologia e do registro de atividades marcantes da categoria de designer gráfica da autora, para se tornarem obras de poesia visual.
De igual maneira, o portal Cronopios Literatura e Artes no Meio Digital, atualmente editado por Pipol, além de ser uma antologia da poesia contemporânea brasileira e hispano-americana impressa e digital, explora artisticamente a hipermídia, de forma que o portal se configure como uma obra de arte digital.
Os quatro números da revista Mnemozine, editada por Pipol, Marcelo Tapia e Edson Cruz, são monografias hipertextuais de poetas como Paulo Leminski (2004), Pedro Xisto (2005), Alice Ruiz (2006) e Augusto de Campos (2008).
A Antologia de Poesias, em cd-rom que acompanha Poesia eletrônica: negociações com os processos digitais (2008), tem o objetivo de apresentar todos os exemplos comentados ao longo dos capítulos.
Pensando nos diferentes tipos de tecnologias computacionais, foi possível pensar numa tipologia que abrangesse um conjunto significativo de poesias digitais e, a princípio, foi possível estabelecer nove grandes grupos, que ajudam a compreender um percurso cronológico, sem, contudo, ser considerados como classificações estanques e imutáveis.

1 - Poesia-programa - representa as primeiras experiências do computador como produtor de linguagem. Existem resultados significativos até o presente momento.
Dentre as iniciativas isoladas de vários poetas desse período, temos:

Théo Lutz, Alemanha, 1959:
www.reinhard-doehl.de/poetscorner/lutz2.htm

Nanni Balestrini, Itália, 1962
http://gammm.org/index.php/2006/09/03/tape-mark-i-algoritmo-nanni-balestrini-1962/
http://gammm.org/index.php/2006/09/03/tape-mark-i-nanni-balestrini-1962/

2 - Infopoesia - os editores de imagem, criados a partir do final dos anos 1970, permitem a criação de poesia visual nos meios digitais.
E. M. de Melo e Castro, 1979:
www.ociocriativo.com.br/meloecastro
David Daniels (1933-2008), 1988
www.thegatesofparadise.com

Elson Fróes, 1995:
http://www.elsonfroes.com.br/visual.htm
Jim Andrews, 1995
http://www.vispo.com

3 - Poesia-computador - tem início com o surgimento dos computadores pessoais, que possuíam programas de fácil manuseio e incentivavam produções criativas.
João Coelho - 1983
http://epoems.blogspot.com/2005_07_01_archive.html
M. Vincent van Mechelen (1992)
http://www.trinp.org/Poet/ComP/MPoems.htm

4 - Poesia hipertextual e poesia hipermídia - esse tipo de poesia digital surge quando são criados primeiros sistemas de hipertexto2 (1983) e a WWW (1989). Ela se distinguem dos outros tipos de poesia comentados anteriormente porque passam a existir no ciberespaço dos computadores interligados em rede, e não apenas em computadores isolados e nos seus monitores, ou em uma versão parcial impressa.

Joel Weishaus, 1992-1995
www.cddc.vt.edu/host/weishaus/cont-r.htm
Jim Andrews, 1996-1998
http://vispo.com/popups/popups.htm

David Knoebels, 1996
http://home.ptd.net/~clkpoet/

André Vallias, 1997
www.refazenda.com/aleer/


5 - Poesia-internet - trata-se de um tipo de poesia digital que utiliza o modo de comunicação muitos-muitos e faz da Internet seu principal meio de comunicação, mesmo quando precisa ser acessada via rede.

Alexis Kirke, s.d.
www.wings.buffalo.edu/epc/ezines/brink/brink02/medical.html

Rodrigo de Almeida Siqueira, 1999
www.insite.com.br/rodrigo/poet/infinito/

Jaka Želesnikar , 2001
http://www.jaka.org/2001/echelon/

6 - Poesia interativa, colaborativa e performática - propostas poéticas que devem ser realizadas com a participação do leitor-operador, exigindo dele mais do que interatividade, pois, em muitos casos, ele é convidado a ser co-autor da obra em potencial.

Ana Hatherly, 1994
www.interact.com.pt/interact1/flash/laboratorio/lab_1.html

Komninos Zervos, 1995
www.griffith.edu.au/ppages/k_zervos/5wpclear.html

7 - Poesia-código - À semelhança das experimentações com letras e palavras das vanguardas européias e de outros movimentos poéticos do século XX, o meio informacional oferece suas linguagens de programação que, para alguns poetas, passam a ser assumidas como linguagens poéticas. Nesses códigos é o código lingüístico, as linguagens de marcação de hipertexto (HTML) e os símbolos matemáticos, dentre outros, que se tornam a parte material do poema eletrônico, na maioria das vezes, também explorando o espaço em branco da página da web ou do e-mail.

Mez (Mary-Anne Breeze), 1995-2005
http://www.hotkey.net.au/~netwurker/

Ted Warnell, 1997
http://warnell.com/real/four04.htm

August Highland, 2002
http://www.muse-apprentice-guild.com/august_2002/


8 - Poesia migrante - releituras e intertextos também fazem parte de muitos bons resultados na poesia eletrônica. São procedimentos que têm por objetivo fazer uma releitura, no meio digital, da poesia visual (bi e tridimensional), da poesia concreta e grande parte das poesias modernistas (vanguardas), principalmente, aproveitando uma certa “vocação” digital, ou seja, aqueles fazeres poéticos que já prenunciavam o uso das tecnologias.

Juliana Teodoro e aLe, 2001-2006
http://www.youtube.com/opioptico#p/c/20A03EA3F4190950

Artéria 8, 2003
www.arteria8.net/

Regina Célia Pinto, 2003
http://arteonline.arq.br/virtualidade/
9 - Poesia performática cíbrida - poesia digital em que ocorre performance com as tecnologia digitais.

Loss Pequeño Glazier, Kellie James, Sadie Reid e Carrie Syckelmoore, 2005
http://epc.buffalo.edu/authors/glazier/e-poetry/london

A presente miniantologia não tem a intenção de esgotar o assunto e os exemplos. Há muitos materiais que não estão na rede.
1 Essa Antologia está no cd-rom que acompanha o livro Poesia eletrônica: negociações com os processos digitais, de 2008.
2 O conceito de sistema de hipertexto é o Projeto Xanadu (1960) e, nos anos 60 e 70, há muitos sistemas hipertexto que foram surgindo, mas o uso do hipertexto em poesia começa em meados nos anos 80.

Contato do pesquisador:
Jorge Luiz Antonio
jlantonio@uol.com.br
Brazilian Digital Art and Poetry on the Web
www.vispo.com/misc/BrazilianDigitalPoetry.htm
Poesia eletrônica / Electronic Poetry
http://jlantonio.blog.uol.com.br

Márcio Almeida é mestre em Literatura, professor universitário, jornalista, autor e crítico de raridades. E-mail: marcioalmeidas@hotmail.com
extraído do site: http://www.cronopios.com.br/

Ócio preguiçoso
Ocioso tempo [
Movi] Mente anti-
a inércia dos antropo
-ilógicos
ou dos astro-
relógicos
na ir-regularidade
Karol Penido

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