fulinaíma

segunda-feira, 24 de maio de 2010

clara brito hoje na flor do horto
















bela mais que bela
qual será o nome dela?

coloco em tuas mãos
quatro rosas de vento
skol vodka ice
e um desejo abstrato
nesse poema concreto

deixo em tuas mãos
a flor e o objeto
além meus olhos sedentos
nestes teus dedos de louça




bela mais que bela
ninguém sabe o nome dela

1

bebo em teus olhos serenos
o líquido que ele olha

minha língua molha
onde a tua bebe
música
que chove lá fora

2

este piercing
em teu nariz

me dói
não ser meus dedos

poemas em tua boca
pronomes em tua fala

por entre cores e nomes
um disco de Cássia Eller
tocando na tua sala

3

dama da noite
bela
onde será teu endereço?

cão vadio que sou
vou latir em tua porta
proteger tua morada

catar estrelas cadentes
brincar de são Jorge na lua
onde mordo o dragão da maldade
e te beijo vestida de nua





clara joplin
para clara brito

clara tem a voz
que rasga
arara rara
dessa selva clara

tua voz
entorta
abre portas
de qualquer corpo
humano

estica nervos
estala
ossos
atiça línguas
pra rasgar
os panos

herdou de janis
a garganta santa
a voz pagã
voz de arrepio
quando clara
canta
é fogo no pavio
ínsita os deuses
diabos
dos navios
e faz meninas
desabrochar os cios

artur gomes
http://courocrucarneviva.blogspot.com

Hoje (terça 25) tem Clara Brito com sua personalíssima e seu esplêndido repertório no bar Flor do Horto, ali na Alberto Lamego, a partir das 21:00h, para sacudir a pasmaceira dessa canibália city.

Mundaneidade
para waly Salomão, em memória

abro o corpo ao que lhe é próprio
ao mundo e seus resíduos tóxicos
ao ópio perfurando pregos no cérebro
aos vícios que reviram o branco dos olhos
às fumaças que pintam de vermelho o teto das ruas
às ficções que rompem o casulo larvar da imaginação
reergo as dobras, os ossos, os canais circulatórios
as glândulas, as fibras musculares que sustentam o eu mínimo

já não há nada entre alheio e próprio
e as certezas foram varridas para fora do mundo
sou amigo do caos
penetro nos horizontes pelas janelas fechadas
pulo parapeitos para que venenos mordam meu corpo
que a tudo se acopla
sou amigo do caos e bebo fogo na taça do mundo

cansanção, arruda, guiné, daime, comigo-ninguém-pode
me protejam da antivontade do olho gordo, da urucubaca,
da inveja

que mói e cola as entranhas ao ego
delirante, meu corpo se rende
ao afeto despedaçado das casas e ruas
e rejeita o bom-mocismo da escrita com “missão a cumprir”
de “missão” só a demissão dos papéis prontos

e que o poema continue metonímia da pele
que raspo com gilete toda manhã (à maneira de Horário poetar)
e coço forte quando sinto cheiro de repetição

Sandro Ornellas
Do livro: Trabalhos do Corpo e Outros Poemas Físicos
Letra Capital – 2007
Contato: e-mail ssornellas@gmail.com

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