fulinaíma

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Futebol e Arte

O SESC Campos durante os meses de junho e julho estará desenvolvendo o Projeto Futebol e Arte. A idéia surgiu em conseqüência da Copa do Mundo de Futebol da África do Sul. A seleção brasileira mais uma vez estará presente como uma das favoritas à conquista do mundial. A proposta do projeto Futebol & Arte é manter o futebol para o centro das atenções, através de exibição de documentários seguidos de debates, palestra e oficina de Futebol de Mesa. O intuito é reunir as diversas gerações em torno da arte do futebol brasileiro.

Hoje Quinta-feira, dia 24 de junho o SESC receberá para uma palestra às 19h, o ex jogador da seleção brasileira Paulo Henrique, natural da cidade de Quissamã, foi lateral-esquerdo do Flamengo durante os anos 60, com passagens pelo Botafogo, Bahia, Avaí e Bonsucesso. Como jogador foi campeão estadual do Rio de Janeiro em 1963, 1965 e 1972 pelo Flamengo e Catarinense de 1973 pelo Avaí. Disputou a Copa do Mundo de 1966, na Inglaterra. Ele foi um dos 47 jogadores convocados pelo técnico Vicente Feola. Como técnico teve passagens pelos Emirados Árabes Unidos e atualmente é técnico do Quissamã Futebol Clube que disputa a segunda divisão do Campeonato Carioca.

Sexta-feira, dia 25 às 15h30min acontece o Cine Futebol Clube com a exibição do Documentário “Zico na Rede” que mostra a história de um dos maiores jogadores de futebol do Brasil. Com o Maracanã como palco principal, o filme narra a história do ídolo através de depoimentos e dos inúmeros gols que o Galo de Quintino marcou em sua carreira, seja no Flamengo ou na Seleção.

Dentre os ex-companheiros, jornalistas e artistas em geral, que prestam seus depoimentos, estão nomes como Carlos Alberto Santos, Edinho, Junior, além de Celso Garcia, que faleceu no fim de 2008. Nas telas, serão apresentados os 150 mais bonitos gols da carreira do jogador.

A partir deste sábado das 10h às 12h acontecerá uma Oficina de Futebol de Botão aberta ao público interessado em conhecer as técnicas deste esporte que tem conquistado cada vez mais adeptos em Campos. (wellington cordeiro)

Após denúncia da Mercearia, Prefeitura complica ainda mais as informações sobre o Canal

"O investimento é de R$ 18,6 milhões e a área de intervenção está compreendida entre a rua Tenente Coronel Cardoso a Avenida Nilo Peçanha". Esta é a última frase de um release da Prefeitura de Campos divulgado no final da tarde de hoje (aqui), a pretexto de registrar uma visita da prefeita Rosinha Garotinho às obras do Canal Campos-Macaé (foto da Secom acima).
Este trecho, para este valor, não foi o mesmo que me foi informado pelo secretário de Obras, César Romero, por meio do assessor Eduardo Ribeiro, em e-mail no último dia 15. A reprodução das duas perguntas, com suas respostas, é a seguinte:

"RESPOSTAS do Secretário César Romero

1 – O valor de R$ 18 milhões para as obras no Canal Campos-Macaé corresponde exatamente a qual trecho?
R- Rua Ten.Cel. Cardoso à Rua Conselheiro Otaviano

2 – Qual será o custo e qual o trecho abrangido por novas etapas da obra do Canal Campos-Macaé?

R - Está em orçamento".
Também não foi o mesmo o que disse release da assessoria da Secretaria de Obras em 3 de maio (aqui) passado:

"O investimento é de R$ 18.730.816,24 e a área de intervenção está compreendida entre a avenida Pelinca e a Avenida Tenente Coronel Cardoso, num trecho total de 760m lineares, até o seu trecho já coberto, em frente ao Mercado Municipal".

E, igualmente, não foi o mesmo do que outro release, de 14 de abril (aqui), disse:
"O novo Canal Campos-Macaé vai receber um investimento de R$ 18.730.816,24, com as obras compreendendo a Avenida Pelinca e a Avenida Tenente Coronel Cardoso (antiga rua Formosa), em um total de 760 metros lineares."

Antes do release do final da tarde de hoje, enviei e-mail com novas perguntas, buscando esclarecer o caso. Não obtive resposta. Agora, a história fica ainda mais sinuosa. O que terá motivado o recuo da Prefeitura no fatiamento da obra? Ou será que não houve, na verdade, recuo algum e, mais uma vez, a administração informa incorretamente à população? Ou, ainda, estaria equivocada a Secretaria de Obras, fazendo novos orçamentos sem necessidade, quando, na verdade, tudo já está resolvido, com a contratação da Imbeg para a construção de toda a obra do Canal, da Formosa até a Nilo Peçanha?

Como se diz popularmente, nesse angu tem caroço.
leia mais aqui: http://merceariacampista.blogspot.com/

História e expectativa de jogo bonito atraem foco para Brasil e Portugal
Do UOL Esporte http://www.uol.com.br/

Uma das primeiras partidas a terem os ingressos completamente esgotados, na qual estarão frente a frente o 1º e o 3º lugar do ranking da Fifa. Todos falando a mesma língua, ex-colônia e metrópole em campo. Um carrega consigo a tradição de beleza futebolística em seu DNA e o passado recente de glórias. O outro fuzilou seu adversário com nada menos do que sete gols em sua última partida. Além, é claro, de ter o craque-galã Cristiano Ronaldo.

MINADO
O Moses Mabhida tem só seis meses de atividade, é um dos principais estádios da Copa e já sofre com buracos. Pior para o time de Dunga, que pela segunda vez não poderá fazer um treino de reconhecimento no local do jogo com os lusos

DUELO COM COMPATRIOTAS NÃO SERÁ PROBLEMA
BAIRRO POBRE DE DURBAN JÁ LAMENTA CLAUSURA
PIVÔ DOS LAKERS TORCE POR BRASIL NA COPA
GLOBO CONFIRMA QUE DUNGA VETOU ENTREVISTAS
CONFIRA FOTOS DA SELEÇÃO DESTA QUARTA-FEIRA

Brasil e Portugal é um dos jogos mais esperados de toda a primeira fase do Mundial. Não só pela torcida, que espera ver, enfim, uma partida do nível que merece uma Copa do Mundo, que na atual edição está parca em beleza futebolística. Mas também pelos protagonistas, que aguardam ansiosos o jogo entre duas seleções que lutarão pela primeira posição do grupo. Com o Brasil classificado e Portugal dependendo de uma catástrofe para ficar de fora (está com nove gols de saldo à frente da Costa do Marfim, que pode no máximo empatar com os lusos em número de pontos), a possibilidade de um jogo aberto, sem retrancas e com muitas chances de gols e lances de efeito, parece iminente.

“Será uma partida muito especial, sem dúvida. Vamos jogar contra uma grande equipe. São nossos irmãos do outro lado do oceano”, comenta o volante português Tiago, apoiado por seu treinador, Carlos Queiroz.

“Acredito que Portugal e Brasil têm aquilo que é preciso para mostrar um grande futebol para o mundo” diz o comandante dos lusitanos, que complementa: “Vamos ver se nós e o Brasil podemos colocar o foco da torcida no futebol, e menos na Jabulani [a bola] ou nas vuvuzelas”.

Algo com o quê o zagueiro brasileiro Luisão, que joga em Portugal pelo Benfica, concorda. “O futebol português chega perto do brasileiro tecnicamente. Você vê jogadores de habilidade e criatividade”, disse o defensor em coletiva nesta quarta-feira.

Após a goleada por 7 a 0 em cima da Coreia do Norte, a seleção portuguesa foi considerada por alguns como “o Brasil da Europa”, pelos toques e chegadas rápidas ao ataque, que arrancaram elogios de Carlos Queiroz. “Belo futebol, belos gols”, disse após a prolífica partida contra os asiáticos.

“Nunca jogamos na defensiva. Gostamos das partidas abertas. Obviamente que o Brasil não é a Coreia do Norte. Tentaremos ganhar, mas com um jogo mais equilibrado”, antecipou Tiago.

CRAQUE? MELHOR DO MUNDO? E DAÍ?

SEM MEDO

Ter do lado contrário um jogador eleito recentemente o melhor do mundo não mudará a forma de jogar. É isso que assegura Lúcio ao refutar uma marcação especial ao craque Cristiano Ronaldo, no duelo que definirá o líder do grupo G

Outro ingrediente que deve apimentar a disputa é o histórico recente de confrontos entre as duas seleções. Em 6 de fevereiro de 2007, os portugueses infringiram uma das poucas derrotas do técnico Dunga no comando da seleção, em amistoso vencido por 2 a 0. Mas o troco veio, e devastador: no último confronto, os brasileiros enfiaram 6 a 2 goela abaixo dos lusitanos em Brasília, no fim de 2008.

A goleada ainda está entalada na garganta dos portugueses. “Nunca esqueceremos dessa derrota. Agora temos uma grande oportunidade. Não é uma vingança, já que isso não existe no futebol, pois todas as partidas são diferentes. Mas sem dúvida queremos ganhar para deixar pra trás essa derrota dolorosa”, conta Tiago.

Na história do confronto, o Brasil tem 12 vitórias contra quatro portuguesas, além de dois empates. Mas na única oportunidade em que se enfrentaram em Copas do Mundo, os portugueses levaram vantagem: com Eusébio no auge de sua forma, os lusos venceram por 3 a 1 no Mundial de 1966 e mandaram a equipe de Pelé de volta pra casa ainda na primeira fase.

Brasil e Portugal se enfrentam nesta sexta-feira, às 11h (Brasília), em Durban, ao mesmo tempo que a Costa do Marfim tenta em Nelspruit, contra a Coreia do Norte, o milagre de tirar nove gols de diferença de saldo para os lusitanos.


Pesquisa CNI/Ibope: Dilma tem 40%, contra 35% de Serra
Camila Campanerut
Do UOL Eleições Em Brasília

Pesquisa Ibope encomendada pela CNI (Confederação Nacional da Indústria) para a eleição presidencial, divulgada nesta quarta-feira (23) em Brasília, mostra a candidata Dilma Rousseff (PT) com 40% das intenções de voto, contra 35% do candidato José Serra (PSDB) e 9% da candidata Marina Silva (PV). Votos brancos e nulos somam 6%. Não responderam 10% dos entrevistados. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos.
Blog do Fernando Rodrigues

Pesquisa é péssima notícia para os tucanos
Confira todas as pesquisas para a eleição presidencial

Esta é a primeira vez em que a candidata petista aparece à frente do tucano em uma pesquisa com uma diferença que ultrapassa a margem de erro. Na última pesquisa CNI/Ibope, divulgada em 17 de março, Serra aparecia com 38%, contra 33% de Dilma e 8% de Marina. Brancos e nulos somavam 12%; 8% não responderam.

Dilma aparece na frente também na simulação de 2º turno. A petista tem 45%, contra 38% de Serra. Brancos e nulos somam 8%, enquanto 9% não sabem ou não responderam.

Na simulação de 2º turno da pesquisa anterior, o tucano aparecia com 44%, contra 39% da petista. Brancos e nulos somavam 10%, e 7% não responderam.
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Quando a simulação é feita entre Dilma e Marina, a petista aparece com 53%, contra 19% da presidenciável do PV. Brancos ou nulos representam 15%; 13% não sabem ou não responderam. Em 17 de março, a simulação de 2º turno entre Dilma e Marina dava 48% para a petista, 11% para a ex-ministra do Meio Ambiente, 22% de brancos e nulos e 12% que não responderam.Já entre Serra e Marina, o tucano fica com 49%, contra 22% da candidata verde. Brancos ou nulos somam 16% e não sabem ou não responderam, 13%. A pesquisa anterior dava 55% para o candidato do PSDB, contra 17% da candidata do PV, 18% entre brancos e nulos e 9% que não responderam.

Na espontânea, Dilma tem 22%, Serra tem 16%, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva aparece com 9%, Marina tem 3% e o ex-governador mineiro Aécio Neves (PSDB) tem 1%. Brancos e nulos somam 7%, e 40% não sabem.

A última pesquisa que mediu a intenção de votos para os presidenciáveis, contratada pela Rede Globo e pelo jornal 'O Estado de São Paulo' e divulgada em 5 de junho, apontava Serra e Dilma empatados com 37%.

Conhecimento de Dilma
O levantamento CNI/Ibope identificou um aumento no conhecimento da candidata petista pelo eleitorado. Hoje, 73% sabem que Dilma Rousseff é apoiada pelo presidente Lula. Em março, o índice era de 58%.

Foram entrevistadas 2.002 pessoas entre os dias 19 e 21 de junho, em 140 municípios do país. O número de registro da pesquisa no TSE é 16292/2010.

Indecisos
O diretor de operações da CNI, Rafael Lucchesi, afirma que o elevado grau de indecisos demonstra que a disputa pelo eleitorado “ainda está em suas etapas iniciais, se aquecendo”, uma vez que, em março, 42 % dos entrevistados não sabiam em quem votar. No último levantamento, o índice teve uma leve redução e está em 40%.

Marcelino e Lirina no Parcerias: A Voz da Poesia

No projeto Parcerias: a Voz da Poesia, este ano em sua segunda-edição, poetas e compositores parceiros se encontram para um bate-papo de meia hora sobre poesia e música. Em seguida, o compositor ou compositora apresenta seu show dando ênfase em poemas musicados. Sete encontros quinzenais, de abril a julho, sempre aos sábados, às 18h30.
Idealização e curadoria: Ademir Assunção

José Paes de Lira (Lirinha) é poeta, compositor e ator. Com o grupo Cordel do Fogo Encantado lançou os cds Cordel do Fogo Encantado (2000), O Palhaço do Circo sem Futuro (2002) e Transfiguração (2006). Concebeu o espetáculo solo Mercadorias e Futuro (2008).

Marcelino Freire é escritor. Publicou Angu de Sangue e Contos Negreiros (vencedor do Prêmio Jabuti 2006), entre outros livros. Vários de seus contos foram adaptados para teatro. É criador e curador da Balada Literária.

3 de julho (18h30) – Alzira E e arrudA
17 de julho (18h30) – Tom Canhoto e Celso de Alencar
31 de julho (18h30) – Reynaldo Bessa e Edson Cruz

Local:
BIBLIOTECA ALCEU AMOROSO LIMA
Avenida Henrique Schaumann, 777 – Fone 3082-5023
Entrada franca


Julgamento moral e cívico
Por Wilmar Marçal

A frieza das letras manifestadas por alguns defensores na instância jurídica, data vênia, muitas vezes frustra a população que aguarda um judiciário firme e comprometido com o bem público. Mas é preciso obedecer e acatar, pois, segundo se sabe, é uma análise realizada com a arte e a ciência da razão e não da emoção. Esse viés argumentativo tem tirado muito ladrão da cadeia, absolvido muitos traficantes e amparado pedófilos que são liberados e continuam machucando crianças e famílias.

Essas possibilidades de contar com defensores deve e precisa continuar, pois a todos é permitido a ampla defesa e o contraditório. Lamentavelmente não se pode julgar com a emoção, razão pela qual, talvez, ainda existam muitos problemas sociais no país, pois os atos malditos coadunam com a perpetuação da impunidade. Em outros países, quem comete um erro, morre duas vezes: primeiro de humilhação, depois retirando a própria vida pela falta de dignidade em continuar convivendo com pessoas de bem.

Mas no nosso querido Brasil... muitos fazem e acreditam que “não vai dar em nada”. Todavia, como diz a própria Constituição Brasileira, “todo poder emana do povo e em seu nome deve ser exercido”, está na hora de uma reação popular para o exercício prático do bem: sem armas, sem violência e sem lágrimas. Com a mesma frieza que o judiciário é peculiar em suas análises, a população, bem organizada, tem muito mais poder do que qualquer Juiz, data vênia. Basta querer e se organizar. Sem vaidades, sem trampolins, mas com ordenamento e inteligência.

Especificamente sobre os parlamentares “escolhidos” pelo povo, é possível sim avançar e execrar esses bandidos que sempre são reeleitos e se dizem representantes do povo nas respectivas Assembléias. O povo pode legislar com muito mais sapiência, no momento em que mantiver viva a memória de todos, nutrindo a lembrança com a boa informação em jornais e mídia comprometidos, verdadeiramente, com a causa coletiva.

Chega dessa conversa fiada de “segredo de justiça” e “blindagem privativa”. Bandido é bandido. É preciso destacar, em grande escala, os nomes daqueles que usurpam o dinheiro público, roubam a esperança de muitos e perpetuam a falsa bondade de atender os munícipes, prometendo mirabolantes projetos e recursos. Quem viaja pelo interior do Paraná pode constatar que as cidades estão empobrecidas, com poucos investimentos em infra-estrutura, muita gente desocupada e doente. Cabe-nos como cidadãos e cidadãs uma reação natural e pacífica. Analise, pense, estude a vida dos candidatos a qualquer cargo público e vote. Vote de acordo com sua inteligência e coerência.

Não se pode mais admitir que a população ainda se renda aos hipócritas, mentirosos e mentirosas. Só assim será possível um julgamento moral e cívico que, certamente, não encontrará habeas corpus em qualquer jurisprudência para liberar os pérfidos e os enganadores. Façamos cada um de nós a nossa parte. Vamos ensinar a pescar e parar de assistir algumas pessoas recebendo o peixe de graça.

* Wilmar Marçal é professor universitário e ex-reitor da UEL./Pr.

Meu caro Wilmar não é só no interior do Paraná que isso acontece, aqui em nossa "canibália city" as mazelas são as mesmas e só nos resta cumprirmos o nosso papel de cidadão, denunciar toda essa cretinice que assola este país que já fou do futuro, e agora é dos corruptos.

para uma puta em taguatinga

ela me conta
que seu ex
não quer pagar pensão
e de como a vida
tem sido dura
com ela
ouço sua cantilena
de puta triste
enquanto o ar condicionado
ronrona um soneto desesperado
e sob seus cabelos
um reino de abandono
seduz-me os dedos
neste quarto de hotel barato
numa noite barata
de rimas escassas
vislumbro o corpo
que há pouco
acolheu
minha solidão
salve pequena puta triste
salve doce menina
do alto dos prédios
escárnioe indiferença
te cobiçam
e nos outdoors
a realidade sorri para a puta
e para o poeta
e todos na cidade
esperam encontrar
um amor
e todos na cidade
buscam alguém
e nesta hora
todos estão voltando
para suas casinhas de boneca
para suas vidas de plástico

Fernando Freire
Gama, 25/06/2010


LUTO EM VERMELHO

A amiga me liga pela manhã para me contar. Foi assim que eu soube, por telefone, como se recebe a notícia da morte de um parente. Estamos viúvas, ela disse, e chorava. Mas eu sou forte, ainda consegui dizer à doutora que não tomo remédios, não tenho deficiência física e a pressão é boa. E daí, o que importava isso? José Saramago estava morto, e eu pensava primeiro no mundo, depois em Pilar del Rio, porque a ela sim foi dada a sorte de ter se tornado a amada do escritor. Foi para ela que ele escreveu a mais linda dedicatória que já vi: "A Pilar, como se dissesse água". E será ela, certamente, quem mais sentirá a falta dele.

Temos os livros, e a eles voltaremos quantas vezes quisermos. Ela não. Não mais a convivência em Lanzarote, não lerá os originais em primeira mão, não trocará com ele as carícias possíveis, não recolherá os silêncios em que trabalhava.

Para nós foi-se o grande escritor, um humanista que se teimava comunista, o anti-clerical por natureza (e acho que se divertia com isso). Um homem de talento, mas de igual coragem, que se aprendeu e se fez homem em condições difíceis, sem nunca esquecer. Mas para ela foi-se não só o grande escritor, o homo politicus que apontava os vícios neoliberais, o desvario belicista, a intolerância, foi-se o homem que amava, deixando mudos os espaços do entendimento, a casa, a sala, a cama, a intimidade.

Escrevo isso porque uma das coisas que mais me chamava atenção na obra de Saramago era sua consideração pelas mulheres, pelo sentimento feminino que tão bem apreendeu, pela importância que reconhecia e conferia à mulher. Daí porque imagino com que delicadeza devia tratar sua Pilar.

Depois pensei em mim, na minha própria tristeza, na certeza de saber que perdi aquele que era meu deleite, fonte de compreensão, orgulho da espécie, que eu sempre achei que o artista deve ter um papel político, deve dizer o que pensa, deve assumir o que sente. Ele era assim. E quem mais? Me diga por favor que eu quero saber.

Em casa, não pude fazer mais nada que pensar, pensar em que talvez o poema de Idea Vilariño postado há dois dias, Pobre Mundo, tenha vindo ao encontro desse acontecimento tão temido, tão indesejado e tão previsível. Que ao morrer o escritor, o poeta, o incansável lutador, nossa voz ficou ainda mais fraca porque era ele, com sua coragem e lucidez, que nos abria os olhos para os equívocos dos caminhos obscuros que aceitamos percorrer.

E então fui à cozinha, e chorando sobre pimentões vermelhos e berinjelas pensei no luto vermelho daqueles que não podiam nem chorar, que precisavam se esconder para prosseguir, calar a respiração a bem de se manterem vivos, retrair-se para avançar, e sempre engolir o choro. Agora podemos chorar alto, falar palavrão, reacender as dúvidas. Mas porque aprendemos (ou ainda não?) a lição de Saramago: "Já estamos a viver neste planeta como sobreviventes. A cada dia que amanhece temos que fazer o possível para sobreviver. E devemos fazê-lo como insurgentes sistemáticos". Talvez assim descubramos, cada um de nós, o segredo da ilha desconhecida.

Helena Ortiz
http://integradaemarginal.blogspot.com

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CAMPOS DOS GOYTACAZES

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