sábado, 14 de agosto de 2010

Mino Carta: a análise do papel político da "grande imprensa" brasileira



O Blog Diversas Palavras, se engaja em um esforço comum da atualidade: a disseminação de informações relevantes, muitas vezes escondidas nos rodapés da "grande imprensa" brasileira, assim mesmo, com aspas, pelo entendimento de que sua grandeza está apenas representada em seu faturamento e poder de alcance.
A estréia não poderia ser de outra maneira, com a apresentação de uma análise tão oportuna ao momento que todos testemunhamos. Sejam bem vindos e, por favor, apresentem suas críticas, sugestões e colaborações. Em entrevista ao jornal A Tarde, de Salvador, Mino Carta faz sua análise a respeito do papel da "grande imprensa" brasileira no tabuleiro político do país, aponta suas escolhas, conveniências políticas, tudo aquilo que signifique não modificar as relações de poder e controle, que historicamente os privilegia e aos seus consortes políticos, confira abaixo:

Qual o partido político da mídia brasileira ?

O partido do status quo-o partido do reacionarismo, do conservadorismo. Do “que tudo fique como está”.

Incomoda estar à frente de uma revista que, para alguns segmentos da população brasileira, é declaradamente petista?

A mim não incomoda, porque tudo diz respeito à minha consciência. Eu sei que ela não é petista. Aliás, nunca fui filiado ao PT. Agora, as pessoas falam porque não lêem. Quem fala isso evidentemente não acompanha a revista. A Carta Capital critica o governo também. A única diferença é que a revista é a favor do desenvolvimento, do progresso, da democracia e de certos valores que o resto da mídia não cultiva.

Este ano, a Carta Capital vai declarar – como fez nas eleições passadas – apoio ao PT ?

Certamente. Eu acho que, em primeiro lugar, a importância disso é moral. Aos jornalistas é preciso pedir honestidade. Até hoje, a mídia brasileira alegou uma imparcialidade absolutamente falsa, que não tem nada a ver com a verdade dos fatos – com aquilo que eu chamo de a verdade factual. A revista diz: “Olha, é sim. Nós somos a favor, porque achamos este candidato melhor”. Mas, nem por isso sonegaremos informações ou – pior ainda – mentiremos em relação à campanha do outro candidato. A nossa revista é aberta para ouví-lo, lutaremos até a morte para que ele possa dizer o que pensa. Mas, preferimos o outro porque no nosso entendimento é melhor. Isso é uma prática comum no jornalismo dos países civilizados. Nos Estados Unidos os grandes veículos fazem isso.

O que falta à imprensa brasileira para alcançar essa “maturidade” ?

Falta o progresso, que leva efetivamente a uma democracia autêntica, falta o desatrelamento dessas organizações midiáticas, mais ou menos monopolistas, que têm ligação umbilical com o poder e os donos do poder. O que não se conquista de um dia para o outro.

Em entrevista recente ao jornal A TARDE, o antropólogo Roberto DaMatta afirmou que o intelectual brasileiro teve de se virar do avesso, pois sempre “acusou a direita de ser a dona do poder e viu a esquerda subir ao poder e fazer a mesma coisa que a direita fez”. O senhor concorda?

É uma simplificação hipócrita. Eu acho que o PT no poder mostrou lados que realmente o aparentam com outros partidos que comandaram no passado. Isso, ao meu ver, é algo absolutamente inegável. Mas, resta saber o que é a “esquerda” brasileira. Acho que esquerda, no Brasil, não existe, é obra de ficção. Ou ele (Roberto DaMatta) é burro ou é hipócrita, não há muita alternativa. Cadê a esquerda brasileira ? Onde está ? Arnaldo Jabor é esquerda ? Ele diz que é. Posso enumerar uma quantidade grande de pessoas que não são é de nada.

O próprio DaMatta atribui à crítica cultural brasileira uma certa mediocridade. O que o senhor acha dos suplementos de cultura e revistas especializadas em crítica cultural do País?

Revistas de cultura eu não conheço. Eu folheio os suplementos de cultura brasileiros e acho medíocres, assim como todo o jornalismo brasileiro. Se você se der ao trabalho de pegar meia dúzia de jornais diários importantes publicados mundo afora e os confrontar com os nossos jornais, você vai botar a mão no cabelo. São ridículos. Além de serem mal impressos, sujam as mãos, são jactanciosos. Além de tudo, existe o assalto diário à Língua Portuguesa.

O que falta a estas publicações? Profissionais qualificados ou é um problema editorial ?

Conhecimento de mundo. A nossa, vamos chamar assim, burguesia-aristocracia, que é bem representada nos nossos jornais, é de uma mediocridade absoluta e aterradora. É muito ignorante. Sem falar o que são as nossas universidades.Você entra numa universidade e ouve meia dúzia de perguntas mais ou menos óbvias. Veja, por exemplo, as meninas (estudantes de comunicação da UFBA que participaram da entrevista coletiva) há pouco me perguntaram a respeito da censura. O Brasil ainda acredita que houve censura contra a imprensa. Mas não houve! Houve para alguns, que eram os corajosos, e só.

Como vê futuro do mercado editorial de revistas diante da popularização da internet ?

A internet pode, se bem usada – e essa é outra questão –conviver com outras publicações. Mas eu não acho que a internet está sendo bem usada. Está afastando as pessoas do convívio humano. Eu não chego perto do computador, porque sei que se eu me descuidar ele me engole. Tem uma bocarra dentuça que vai me mastigar inexoravelmente.

E por que a internet não está sendo bem usada?

Porque as pessoas estão atrás de besteiras. É claro que é um instrumento extraordinário nas mãos de uma pessoa culta, que vai visitar os museus, as bibliotecas, se interessar por coisas significantes. Mas é um instrumento na mão de covardes, que ofendem na internet se escondendo por trás de codinomes.

Entre os grandes veículos de comunicação do País, só Folha de S.Paulo tem ombudsman. A imprensa brasileira ainda não aprendeu a exercer autocrítica ?

Isso é ridículo. A Folha é um jornal partidário. Ombudsman, se existisse lá, deveria meter o pau todo dia no jornal. Ele trai os conceitos tradicionais que regem o jornalismo. Ombudsman não existe. Eu não conheço ombudsman do Guardian, do La Reppublica. Não tem (risos). É uma mania de grandeza de quem não chegou lá em hipótese alguma, nem chegará em cem anos.

Que impactos a não obrigatoriedade do diploma de jornalismo deve ter na qualidade do que é produzido?

Eu não acho que vá mudar nada, infelizmente. A esta altura eu até gostaria que o diploma tivesse algum significado. Mas não tem. Não se aprende nada numa escola de jornalismo. As boas escolas de jornalismo que existem nos Estados Unidos não existem na Europa, onde há cursos de pós-graduação. São faculdades muito ricas onde o que se ensina é a prática. O curso de jornalismo de Cornell edita uma revista semanal em papel fantástico, um jornal diário. Quem estuda lá, aprende a fazer como se estivesse numa redação, que é o que interessa. Jornalistas de qualidade têm que ter lido muito e bem a grande literatura de língua inglesa, por exemplo. Precisa ler muito para aprender a escrever.

O que o fato de a Veja ser a revista mais lida e a Globo ser a emissora de TV mais assistida dizem sobre a sociedade brasileira ?

Que ela é muito atrasada, vulgar e primária. Pensa o que é a Veja ? A Globo? São duas coisas lamentáveis. Acho que a imprensa brasileira dá medo. A esses colunistas que insistem em publicar o seu besteirol eu imagino o que diria Stanislaw Ponte Preta no seu FEBEAPA (Festival de Besteiras que Assola o País). A Argentina tem uma imprensa melhor, até porque é diversificada, tem posturas diferentes. Aqui ela é uma só.

E o que mudou na Veja na sua época e nos dias de hoje?

Quando eu saí de lá, fui substituído por uma equipe disposta a “fechar” com o governo, com posturas, a meu ver, lamentáveis. Mas era uma equipe competente. Hoje é um desastre total. É um bando de facínoras. A Abril está nas mãos de um grupo sul-africano que era a favor do Apartheid. Na Carta Capital, a gente sabe escrever, lida bem com o vernáculo. A gente não omite, não mente.


Menino Maluquinho faz 30 anos com 100ª edição
DIOGO BERCITO http://www.uol.com.br/

Ao decidir que a série "O Menino da Lua" terá dez volumes, Ziraldo, 77, garantiu mais alguns anos de trabalho e, diz ele, outros tantos de vida. "Vou escrever um por ano", afirma à Folha. "Foi o jeito que eu inventei para enganar a morte."
O projeto começou em 2006. Hoje, amanhã e nos dias 21 e 22, às 15h, o autor lança e autografa o terceiro volume, "O Menino da Terra", durante a Bienal Internacional do Livro de São Paulo.

Enquanto Ziraldo segue com a criação desse garoto lunar, outro de seus rapazes comemora 30 anos de idade: "O Menino Maluquinho" chega à centésima edição.

A história do personagem começou durante a feira literária. Em 1980, foi durante o evento que publicou o livro, com 5.000 exemplares.

O garoto já nasceu espevitado. Antes de a Bienal chegar ao fim, outras duas tiragens já haviam rodado, somando mais 10 mil exemplares. A soma, hoje, é de 2,8 milhões de livros vendidos.
Agora, a editora Melhoramentos na qual Ziraldo já publicou mais de cem obras o homenageia com uma edição de colecionador de 2.000 exemplares.

O formato de luxo traz depoimentos de ícones como Ruth Rocha, Fernanda Montenegro e Zuenir Ventura e não será vendido. Uma versão mais simples deve chegar às livrarias.

"Não é todo dia que você chega a cem edições e ainda produzindo", comemora Ziraldo. "Vão ter de me abater com um tiro", brinca.

Da Bienal de 1980 para a deste ano, o autor se tornou visitante assíduo do evento. "Não mudou nada, só aumentou a fila", compara.

"Assim como o Calvin [personagem de Bill Watterson] é o típico garoto americano, o Menino Maluquinho é o brasileiro. Ele tem piedade e abraça, é o menininho que todo o pai quer ter."

ENVELHECER O MENINO

Talvez com exceção dos politicamente corretos, já que, segundo o livro, a linha da pipa do rapaz "cortava mais que o afiado cerol". Além disso, nas noites de São João, o balão dele era "o mais luminoso" do céu.

"Ele não é um exemplo de obediência", concorda. Mas faz troça das sugestões de revisar o texto. "O livro é uma instituição, não mexo nele."

O mesmo vale para fazer uma versão adolescente, a exemplo dos recentes "Turma da Mônica Jovem" e "Luluzinha Teen". "Não se envelhece um personagem!"

Apesar de ter ido de Minas ao Rio, em 1948, com o intuito de se tornar autor de HQs, foi nas charges cômicas e nos livros infanto/juvenis que Ziraldo se consagrou.

"Entrei para o humor e abandonei os quadrinhos! É outra raça", brinca. Elogia a geração atual: "Há os geniozinhos, como Ivan Reis, que desenham como deuses".

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