fulinaíma

terça-feira, 14 de setembro de 2010

O voto é um direito ou dever?


A cada tanto tempo, cansada de ser derrotada pelo voto popular, a elite retoma a tese contra o voto obrigatório. Se todo mundo vota, aumentam sempre as possibilidades dela ser derrotada. O candidato tucano retoma a tese. Nós republicamos um artigo sobre o tema.VOTO: DIREITO OU DEVER?

A cada tanto tempo, o tema reaparece: como o voto, de um direito se transformou em um dever? Reaparecem as vozes favoráveis ao voto facultativo. A revista inglesa The Economist chegou, em artigo recente, a atribuir à obrigatoriedade do voto, as desgraças do liberalismo. Partindo do suposto – equivocado – de que os dois principais candidatos à presidência do Brasil seriam estatistas e antiliberais, a revista diz que ao ser obrigado a votar, o povo vota a favor de mais Estado, porque é quem lhe garante direitos.

Para tomar logo um caso concreto de referência, nos Estados Unidos as eleições se realizam na primeira terça-feira de novembro, dia de trabalho – dia “útil”, se costuma dizer, como se o lazer, o descanso, foram inúteis, denominação dada pelos empregadores, está claro -, sem que sequer exista licença para ira votar, dado que o voto é facultativo. O resultado é que votam os de sempre, que costumam dar maioria aos republicanos, aos grupos mais informados, mais organizados, elegendo-se o presidente do pais que mais tem influência no mundo, por uma minoria de norteamericanos.

Costumam não votar, justamente os que mais precisam lutar por seus direitos, os mais marginalizados: os negros, os de origem latinoamericana, os idosos, os pobres, facilitando o caráter elitista do sistema político norteamericano e do poder nos EUA.

O voto obrigatório faz com que, pelo menos uma vez a cada dois anos, todos sejam obrigados a interessar-se pelos destinos do país, do estado, da cidade, e sejam convocados a participar da decisão sobre quem deve dirigir a sociedade e com que orientação. Isso é odiado pelas elites tradicionais, acostumadas a se apropriar do poder de forma monopolista, a quem o voto popular “incomoda”, os obriga a ser referendados pelo povo, a quem nunca tomam como referência ao longo de todos os seus mandatos.

Desesperados por serem sempre derrotados por Getúlio, que era depositário da grande maioria do voto popular, a direita da época – a UDN – chegou a propugnar o voto qualitativo, com o argumento de que o voto de um médico ou em engenheiro – na época, sinônimos da classe média branca do centro-sul do país – tivesse uma ponderação maior do que o voto de um operário – referência de alguém do povo na época.

O voto obrigatório é uma garantia da participação popular mínima no sistema político brasileiro, para se contrapor aos mecanismos elitistas das outras instâncias do poder no Brasil.

Do Blg de Emir Sader http://www.cartamaior.com.br/


Eles não rasgam dinheiro
Direto do Blog da Cidadania http://www.blogcidadania.com.br/

É provável que eu não esteja sozinho em minha perplexidade diante da insistência de José Serra e dos meios de comunicação que o apóiam nessa propagação incessante de denúncias contra Dilma Rousseff e o PT – e, por tabela, contra Lula.

Os editorialistas, articulistas, editores, blogueiros, enfim, todos esses homens e mulheres que movem a máquina de propaganda tucano-pefelê parecem estar sempre animadíssimos com os efeitos que causarão as suas opiniões previsíveis, invariavelmente a favor de um lado e contra o outro. E que, em boa parte das vezes, nem se apresentam como opiniões, mas como fatos.

Quanto mais batem, porém, mais despertam rejeição a Serra. O bombardeio já incomoda a maioria das pessoas, pois não se consegue mais ir a um meio de comunicação de massas sem encontrar alguma denúncia já vista incontáveis vezes. A despeito disso, a imprensa e seu candidato parecem cada vez mais decididos a fustigar a adversária de forma repetitiva e ininterrupta.

As pesquisas refletem o desagrado da maioria esmagadora da sociedade com esse assédio tucano-midiático. Quanto mais são bombardeadas, mais as pessoas se predispõem a não ceder. E as que não tinham opinião vão tendo que reconhecer que esse denuncismo incessante já passou da conta. Novamente, é o que as pesquisas sugerem.

Os movimentos de intenção de voto favoráveis a Serra que ocorreram na classe média por ação desse bombardeio midiático, foram tímidos. A parcela desse estrato social que se mostrou suscetível à velha tática pré-eleitoral do denuncismo, tática que a maioria está careca de conhecer, revela-se uma anomalia.

Ora, como não dizer anômala uma parcela da sociedade à qual não falta instrução e meios de se informar e que, ainda assim, consegue a façanha de não fazer a conexão escandalosamente óbvia que há entre a força eleitoral de Dilma e a transformação dela em alvo por adversários em desvantagem?

É possível que impérios econômicos como uma Globo, com todas as suas consultorias e tudo o mais que o dinheiro pode comprar, estejam mergulhados em uma forma de loucura que os estaria levando a aumentarem dessa forma aparentemente suicida a dose de uma tática que vem se revelando mortal para eles e para os políticos a que servem?

Ou será que essa criminalização de Dilma, do partido dela e até do presidente da República por Globos, Folhas, Vejas, Estadões e pelo próprio Serra obedece a uma necessidade futura de justificar alguma ação mais heterodoxa, digamos, contra os seus adversários políticos?





Escândalos: sai o da Receita, entra o de Erenice
Celso Marcondes www.cartacapital.com.br

O escândalo da Receita Federal praticamente sumiu das páginas dos grandes jornais desta terça-feira 14. Pequenas, bem pequenas, matérias no Globo, na Folha e no Estado. Ao lê-las, somos informados que prestaram depoimentos na Polícia Federal o office-boy Ademir Estevam Cabral – que foi acusado pelo contador Antônio Carlos Ferreira Atella como o solicitante dos dados de Verônica Serra – e o jornalista Amaury Ribeiro Jr., que elabora um livro sobre o governo FHC.

Na Delegacia Seccional de Santo André também prestaram depoimentos o genro de José Serra, Alexandre Bourgeois, o tabelião Fábio Tadeu Bizognin e o aposentado Edson Pedro dos Santos. Este denunciou a auxiliar de informática Ana Maria Caroto Cano, da agência da Receita de Mauá, e seu marido, o contador José Carlos Cano Larios. Ambos estariam a exercer pressão sobre o aposentado para que este assinasse documento no qual declararia que tinha solicitado os seus dados fiscais na agência.

Por fim, a última informação relevante obtida pelos grandes jornais do dia: a servidora Ana Maria foi “devolvida” pela Receita Federal ao Serpro, seu órgão de origem.

E ponto, mais nada sobre “o maior escândalo de todos os tempos”. Nem uma linha sobre o que disseram os depoentes do dia. Nenhum novo parente de José Serra surgiu a denunciar seu sigilo quebrado. Os repórteres destacados para cobrir o caso têm nova pauta.

Para compensar, páginas e mais páginas sobre o escândalo da vez, que tem nome e sobrenome: Erenice Guerra. A denúncia, capa da revista Veja de sábado, como que por encanto, imediatamente tomou conta de toda a grande mídia e na noite desta segunda-feira ocupou generosíssimo espaço do Jornal Nacional.

O “núcleo de inteligência” da campanha tucana mudou de alvo, ao constatar, após três semanas de bombardeios, que a única oscilação verificada nas pesquisas do período dá conta de que nos setores mais escolarizados da população é Marina Silva quem tira proveito da situação. No cômputo final, confirmado pela pesquisa Sensus de hoje, a diferença entre Dilma e Serra continua a mesma (50,5% a 20,4%, contra 8,9% de Marina, informou esse instituto).

Neste caso, novamente o governo federal (e a campanha de Dilma) é colocado contra a parede. Precisa explicar as andanças do filho da ministra pelos corredores da República e o que faziam seus outros familiares em cargos públicos. De novo, é obrigação do governo dar as respostas. Erenice Guerra sempre foi pessoa de confiança de Dilma, por isso é a bola da vez. Ela disse que vai processar a revista Veja, colocou seus sigilos e dos seus familiares à disposição, pediu investigação da Comissão de Ética.

Também foi exonerado o assessor da Casa Civil Vinícius de Oliveira Castro, acusado de ser sócio de Israel, filho de Erenice, no esquema de tráfico de influências. Ele afirmou que saiu do cargo para se defender e negou as denúncias.

Lula, por sua vez, chamou a ministra para conversar e pediu para que esclarecesse logo os fatos, o que gerou as medidas enunciadas acima.

Os tucanos agora discutem como usar o episódio na campanha. Querem que Serra se dirija pessoalmente à Procuradoria-Geral da República para pedir a investigação. Ao mesmo tempo, escalam sua tropa de choque no Parlamento para entrar em ação.

No horário reservado pelo TRE para a campanha presidencial que vai ao ar hoje, o tom do programa tucano também deve aumentar. Agora, “é tudo ou nada”, disseram aliados ao Estadão.
Erenice foi para o picadeiro. Mas, a 20 dias das eleições, não deve ser o único alvo do “tudo ou nada”, novos casos seguramente surgirão.

Enquanto o governo e a campanha de Dilma vão para a defensiva, o comando da campanha de Marina Silva começa a esfregar as mãos, ainda crente de que pode crescer junto às camadas mais pobres, até aqui alheias aos seus apelos.

Já para Serra, a tarefa é mais dura: precisa fazer sangrar a campanha de Dilma e beber deste sangue, não pode deixar o líquido entornar para o cantil verde.

Celso Marcondes
Celso Marcondes é jornalista, editor do site e diretor de Planejamento de http://cartacapital.com.br

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