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quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Leonardo Boff: Consolidar a ruptura histórica operada pelo PT

Leonardo Boff *, no Adital

Para mim o significado maior desta eleição é consolidar a ruptura que Lula e o PT instauraram na história política brasileira. Derrotaram as elites econômico-financeiras e seu braço ideológico, a grande imprensa comercial. Notoriamente, elas sempre mantiveram o povo à margem da cidadania, feito, na dura linguagem de nosso maior historiador mulato, Capistrano de Abreu, “capado e recapado, sangrado e ressangrado”. Elas estiveram montadas no poder por quase 500 anos. Organizaram o Estado de tal forma que seus privilégios ficassem sempre salvaguradados.

Por isso, segundo dados do Banco Mundial, são aquelas que, proporcionalmente, mais acumulam no mundo e se contam, política e socialmente, entre as mais atrasadas e insensíveis. São vinte mil famílias que, mais ou menos, controlam 46% de toda a riqueza nacional, sendo que 1% delas possui 44% de todas as terras. Não admira que estejamos entre os países mais desiguais do mundo, o que equivale dizer, um dos mais injustos e perversos do planeta.

Até a vitória de um filho da pobreza, Lula, a casa grande e a senzala constituíam os gonzos que sustentavam o mundo social das elites. A casa grande não permitia que a senzala descobrisse que a riqueza das elites fora construída com seu trabalho superexplorado, com seu sangue e suas vidas, feitas carvão no processo produtivo. Com alianças espertas, embaralhavam diferentemente as cartas para manter sempre o mesmo jogo e, gozadores, repetiam: “façamos nós a revolução antes que o povo a faça”.

E a revolução consistia em mudar um pouco para ficar tudo como antes. Destarte, abortavam a emergência de outro sujeito histórico de poder, capaz de ocupar a cena e inaugurar um tempo moderno e menos excludente. Entretanto, contra sua vontade, irromperam redes de movimentos sociais de resistência e de autonomia. Esse poder social se canalizou em poder político até conquistar o poder de Estado.

Escândalo dos escândalos para as mentes súcubas e alinhadas aos poderes mundiais: um operário, sobrevivente da grande tribulação, representante da cultura popular, um não educado academicamente na escola dos faraós, chegar ao poder central e devolver ao povo o sentimento de dignidade, de força histórica e de ser sujeito de uma democracia republicana, onde “a coisa pública”, o social, a vida lascada do povo ganhasse centralidade.

Na linha de Gandhi, Lula anunciou: “não vim para administrar, vim para cuidar; empresa eu administro, um povo vivo e sofrido eu cuido”. Linguagem inaudita e instauradora de um novo tempo na política brasileira. O “Fome Zero”, depois o “Bolsa Família”, o “Crédito Consignado”, o “Luz para Todos”, o “Minha Casa, minha Vida", o “Agricultura familiar, o “Prouni”, as “Escolas Profissionais”, entre outras iniciativas sociais permitiram que a sociedade dos lascados conhecesse o que nunca as elites econômico-financeiras lhes permitiram: um salto de qualidade. Milhões passaram da miséria sofrida à pobreza digna e laboriosa e da pobreza para a classe média. Toda sociedade se mobilizou para melhor.

Mas essa derrota infligida às elites excludentes e anti-povo, deve ser consolidada nesta eleição por uma vitória convincente para que se configure um “não retorno definitivo” e elas percam a vergonha de se sentirem povo brasileiro assim como é e não como gostariam que fosse. Terminou o longo amanhecer.

Houve três olhares sobre o Brasil. Primeiro, foi visto a partir da praia: os índios assistindo a invasão de suas terras. Segundo, foi visto a partir das caravelas: os portugueses “descobrindo/encobrindo” o Brasil. O terceiro, o Brasil ousou ver-se a si mesmo e aí começou a invenção de uma república mestiça étnica e culturalmente que hoje somos. O Brasil enfrentou ainda quatro duras invasões: a colonização que dizimou os indígenas e introduziu a escravidão; a vinda dos povos novos, os emigrantes europeus que substituíram índios e escravos; a industrialização conservadora de substituição dos anos 30 do século passado mas que criou um vigoroso mercado interno e, por fim, a globalização econômico-financeira, inserindo-nos como sócios menores.

Face a esta história tortuosa, o Brasil se mostrou resiliente, quer dizer, enfrentou estas visões e intromissões, conseguindo dar a volta por cima e aprender de suas desgraças. Agora está colhendo os frutos.

Urge derrotar aquelas forças reacionárias que se escondem atrás do candidato da oposição. Não julgo a pessoa, coisa de Deus, mas o que representa como ator social. Celso Furtado, nosso melhor pensador em economia, morreu deixando uma advertência, título de seu livro A construção interrompida (1993): “Trata-se de saber se temos um futuro como nação que conta no devir humano. Ou se prevalecerão as forças que se empenham em interromper o nosso processo histórico de formação de um Estado-Nação” (p.35). Estas não podem prevalecer.

Temos condições de completar a construção do Brasil, derrotando-as com Lula e as forças que realizarão o sonho de Celso Furtado e o nosso.

Leonardo Boff Autor de Depois de 500 anos: que Brasil queremos, Vozes (2000).
* Teólogo, filósofo e escritor
fonte: http://www.viomundo.com.br/


UM MARTELO AGALOPADO PARA SERRA

terça-feira (31), aspas para José Serra: "... Não há nada a ser inaugurado [por Lula] em Paraisópolis [...]O investimento federal em Paraisópolis foi insignificante. O grosso de tudo que foi feito lá vem do Estado e do município"

terça-feira (31), aspas para o Estadão: "... durante a entrega de apartamentos populares para moradores da favela de Paraisópolis, na capital paulista, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez nesta terça-feira elogios à qualidade das unidades habitacionais .... Lula foi ovacionado pelas pessoas que aguardavam sua chegada, com uma hora de atraso. Ele foi recebido com gritos de "Lula, guerreiro, do povo brasileiro", "Lula, cadê você? eu vim aqui só para te ver" e "olê, olê, olê, olá, Lula, Lula". Já o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), e o governador do Estado, Alberto Goldman (PSDB), foram recebidos por vaias [...] ao fim de seu discurso, Lula passou o microfone para moradores da região, que fizeram um poema e uma canção para o presidente[ ...]A canção, na cadência de um repente, foi cantada assim:
"... Tu és muito competente/ Dilma vai ser lá na frente/ E você vem novamente."

(Carta Maior; 01-09) http://www.cartamaior.com.br/


Serra testa "vacina-dossiê" contra livro sobre privataria tucana

Nesta terça-feira (31), o candidato tucano à presidência da República, José Serra, cometeu um ato falho e deixou escapar o que está por trás de toda esta onda que a oposição e a mídia tentam criar em torno da suposta quebra de sigilo fiscal de lideranças tucanas. Ao mencionar o nome do jornalista Amauri Ribeiro Jr, que escreveu um livro com informações bombásticas que provam a relação dos tucanos com corrupção, Serra deu a senha da estratégia oposicionista.

Ficou patente que todo o trololó sobre dossiês é, na verdade, uma forma desesperada do tucanato de vacinar a opinião pública contra as informações estarrecedoras que serão reveladas pelo livro de Amauri.

Segundo informação publicada pelo blog Conversa Afiada, do jornalista Paulo Henrique Amorim, o jornalista Amauri Ribeiro Jr. já acertou com a Editora Record a publicação do livro para o ano que vem, bem depois das eleições. A idéia inicial do jornalista era lançar o livro em capítulos, pela internet, logo após a Copa do Mundo. Mas a Record decidiu bancar a publicação impressa e pediu ao jornalista que adiasse o lançamento para que não houvesse acusações de uso eleitoral.

A obra, intitulada "Os Porões da Privataria", é nitroglicerina pura prestes a explodir no colo do tucanato. Segundo o próprio autor, o livro vai provocar um terremoto "em metade da Antiga República".

"É o resultado de dez anos de trabalho de Amauri. Vai lá atrás, à privatização do Fernando Henrique. Conta como o Ministro da Saúde José Serra contratou um serviço de inteligência sob a responsabilidade de Marcelo Lunus Itagiba para pegar adversários políticos (inclusive do partido dele). Conta como se mandava para o exterior dinheiro recebido com a privatização", revela Amorim.

"A segunda parte do livro será para contar como o livro de Amauri entrou para o centro de um suposto dossiê que o PT armava contra o Serra", diz o titular do Conversa Afiada.
Ao contrário do que Serra e seus aliados da mídia tentam espalhar, o livro não é um "falso dossiê", é reportagem do melhor tipo: baseada em fatos comprovados e em documentos documentos oficiais e de fé pública.

Alguns personagens abordados no livro são os mesmos que supostamente tiveram o sigilo quebrado por funcionário da Receita Federal. Como Ricardo Sergio, Mendonça de Barros e Gregório Marin Preciado. Por isso, a tentativa da campanha tucano-midiática de ligar a quebra de sigilo fiscal das lideranças do PSDB a uma suposta "fábrica" de dossiês comandada por petistas. Mas, segundo interlocutores de Amauri, não há qualquer relação entre o episódio da Receita e o conteúdo do livro.

Amauri mostra, pela primeira vez, a prova concreta de como, quanto e onde Ricardo Sergio recebeu pela privatização. Num outro documento, aparece o ex-sócio de Serra e primo de Serra, Gregório Marin Preciado no ato de pagar mais de US$ 10 milhões a uma empresa de Ricardo Sergio.

As relações entre o genro de Serra e o banqueiro Daniel Dantas estão esmiuçadas de forma exaustiva nos documentos a que Amauri teve acesso. O escritório de lavagem de dinheiro Citco Building, nas Ilhas Virgens britânicas, um paraíso fiscal, abrigava a conta de todo o alto tucanato que participou da privataria.

Cláudio Gonzalez By: Esquerdopata


Factóide tucanalha morre no ninho

Receita diz que acesso a dados de Verônica Serra se deu através de procuração registrada em cartório
Terra GILBERTO NASCIMENTO

A Receita Federal afirmou na noite desta terça-feira (31) que o acesso aos dados do imposto de renda de Veronica Serra, filha do candidato do PSDB à presidência, teria sido acessado a pedido da própria contribuinte. De acordo com a Receita, o acesso aos dados de Veronica foi motivado por uma procuração assinada por Veronica, com firma reconhecida em cartório de São Paulo.

Para a Receita, a apresentação da procuração descaracteriza a quebra de sigilo. Para a Receita, a analista tributária Lúcia de Fátima Gonçalves Milan, que atendeu ao pedido, não teria cometido qualquer irregularidade. Quem procurou a Receita no posto de Santo André, na região do ABC paulista, foi um homem.

A Receita diz que ele não pode ser identificado, em razão do sigilo. Ele solicitou os dados fiscais de Veronica, com a procuração assinada e reconhecida em cartório, no dia 29 de setembro de 2009. Essa pessoa recolheu as cópias das declarações de renda da filha do tucano entre os anos de 2007 e 2009.

Se a assinatura, eventualmente, for falsa, nesse caso terá havido um crime e a investigação caberá à Polícia Federal.

Direto do Esquerdopa


O homem burguês
Por Ari de Oliveira Zenha

Ao tratarmos da questão do homem burguês, temos diante de nós uma complexa interação entre o que o filósofo Leandro Konder coloca como tipo de homem no sentido genérico e também específico.

O homem, ou melhor, o ser humano no seu aspecto genérico lhe confere uma amplitude que açambarca inúmeras características e propriedades que estão interligadas dialeticamente e de forma abrangente à história da humanidade.

Com o objetivo específico de lidarmos com esse assunto – o homem burguês – o tipo humano burguês, temos necessariamente de contextualizá-lo histórica e concretamente, ou seja, ele é representante e personificação da estrutura produtiva, ideológica, moral, ética, social e política do modo capitalista de produção.

O homem burguês é a expressão e revelação dos interesses hegemônicos da sociedade capitalista. Podemos nos referir a que o burguês esta condicionado pelo conjunto da sociedade burguesa, apresentando um todo de diversidades e de contradições que lhe confere valores e interesses de sua classe, a burguesia.

No nosso modo de pensar não existe uma separação, a não ser informal, entre o burguês enquanto proprietário dos meios de produção – o industrial, o banqueiro, o grande comerciante, o latifundiário – do tipo humano burguês (aquele que expressa valores, ideais, idéias e ideologia) que a sociedade burguesa difunde para o mundo estruturando dessa forma as características sociais elaboradas enquanto classe hegemônica de dominação.

O burguês não pode existir separadamente – a não ser de forma aparente – enquanto proprietário dos meios de produção, como dito anteriormente, do tipo humano burguês (aquele que pratica valores da burguesia), eles são partes de uma mesma “moeda”, se completam, se integram através de uma conexão estreita e constitutiva, formando um único “ser” que age interativamente no sentido de impor de forma estruturada o seu domínio sobre todas as dimensões e sentidos que compõem a sociedade mundial.

O sistema de produção capitalista é permeado de contradições que são de sua gênese, não é diferente para a classe que o representa, a burguesia.

O homem burguês enquanto representante de um sistema produtivo na sua concretude, ele como componente da espécie humana, subjetiva e objetivamente, tem seus sofrimentos, seus conflitos, que fazem dele um tipo, um modelo de individuo que cultiva inúmeras relações humanas com objetivos, metas, do tipo: “vencer na vida”, “levar vantagem em tudo”, entre tantas.

As ambigüidades do homem burguês o fazem não só ter uma concepção de mundo como da existência humana uma forma mercantilista, fatalista, a- histórica, utilitarista, onde ele como “ser” burguês é para si um consumidor sedento de consumo, de acumulação e dinheiro.

O dinheiro para ele é um complemento/objetivo que alimenta o seu cínico viver multifacetado, num encadeamento em que a função sujeito/sujeito cede lugar a uma vinculação reificada, ligada a uma relação sujeito/objeto e objeto/sujeito, onde o culto ao mercado, a idolatria pela propriedade, pela acumulação, pelo lucro é que se funda a sua forma coisificada das relações sociais e afetivas, que se entrelaçam com uma forma existencial medíocre, conflituosa, procurando tornar a estrutura capitalista como permanente, a-histórica, espraiando este tipo de existência para todo o nosso planeta como o único possível em termos de existência para o ser humano.

Ari de Oliveira Zenha é economista http://www.carosamigos.terra.com.br/


TSE barra candidatura de Roriz no DF por ter "ficha suja"

Por 6 votos a 1, os ministros do Tribunal Superior Eleitoral consideram o candidato ao governo do Distrito Federal Joaquim Roriz (PSC) como “ficha suja”, o que o incapacita de participar das eleições deste ano. O ex-governador do DF irá recorrer da decisão no Supremo Tribunal Federal.

A decisão dos demais magistrados seguiu o parecer do relator, ministro Arnaldo Versiani, que negou o recurso do candidato contra decisão do Tribunal Regional Eleitoral do DF (TRE-DF) que rejeitou seu registro de candidatura no último dia 4 de agosto. O TRE-DF o considerou "ficha suja" por ter renunciado ao cargo de senador em 2007 para fugir da cassação por meio de um processo por quebra de decoro parlamentar no Conselho de Ética do Senado.

"Não se trata de retroatividade de norma eleitoral a causa de inelegibilidade incide sobre a situação do candidato no momento da candidatura", resumiu em sua justificativa o relator do caso.

A única opinião divergente da Corte foi a do ministro Marco Aurélio Mello que voltou a defender que a Lei da Ficha Limpa não deveria ser aplicar nesta eleição e que também deveria valer apenas para irregularidades cometidas pelos candidatos depois da sanção da lei, em junho deste ano. A defesa de Roriz vai recorrer.

"Respeito a decisão, mas vamos recorrer ao STF [Supremo Tribunal Federal] que vai se manifestar o mais brevemente possível para garantir o respeito aos princípios constitucionais. Joaquim Roriz continua candidato e agora com o apelo popular porque vejam que querem retirar do povo a decisão de quem será o governo do Distrito Federal", afimou o advogado da coligação "Esperança Renovada”, Eládio Carneiro.

Dezenas de manifestantes a favor de Roriz acompanharam a votação do lado de fora, em frente à Corte. Com camisetas e bandeiras com o nome de Roriz, eles permaneceram no local por mais de quatro horas, gritando palavras de ordem em apoio ao ex-governador.

Histórico e pesquisas

Em 2007, Roriz foi flagrado pela Polícia Federal em conversas telefônicas negociando a partilha de R$ 2,2 milhões, de um cheque do empresário Nenê Constantino, fundador da companhia aérea Gol. Sobre as gravações, Roriz afirma que pedira um empréstimo de cerca de R$ 300 mil a Nenê, descontado de um cheque de R$ 2,2 milhões para a compra de uma bezerra e para ajuda a um primo.

Foi a primeira vez que o TSE barrou a candidatura de um governador com base no Ficha Limpa e é a primeira análise do tribunal sobre alguém que renunciou para evitar cassação. A Lei do Ficha Limpa estabelece que o político que toma tal atitude fica inelegível por oito anos após o fim do mandato que ele cumpriria. Mesmo com as decisões, Roriz continua em campanha, mas as perdas sucessivas nos tribunais têm repercutido na avaliação dele frente à população.

Segundo diferentes institutos de pesquisas, as intenções de voto para Roriz estão em declínio, enquanto seu principal adversário, o ex-ministro do Esporte Agnelo Queiroz (PT), registra aumento. A pesquisa do Ibope, divulgada no último sábado (28), aponta que Roriz e Agnelo estão empatados com 36% das intenções de voto, após um avanço de 9 pontos percentuais do petista.

Defesa x TSE e PGR

A defesa de Roriz alega, no recurso, que os princípios da anualidade e da irretroatividade não estão sendo considerados, ou seja, a argumentação é que a Lei da Ficha Limpa só poderia entrar em vigor em 2011, por ter sido aprovada neste ano, e também não poderia ser aplicada a casos ocorridos antes da lei.

Para o procurador-geral eleitoral, Roberto Gurgel, a defesa de Roriz quer confundir aplicação retroativa da lei com eficácia imediata. "A inelegibilidade, aqui, cinge-se a uma mera restrição temporária de o recorrente candidatar-se a cargo eletivo. A restrição não tem como propósito a exclusão do candidato, mas a proteção da coletividade, a preservação dos valores democráticos e republicanos", disse em seu parecer.

Fonte: http://www.vermelho.org.br/


Atualizado: Ibope contradiz, desmente e rebaixa as previsões-panfleto de seu próprio presidente falastrão em 2009

Dissecando as palavras mortas de Montenegro na Veja, 2009

Há um ano atrás, Carlos Augusto Montenegro, presidente do maior instituto de pesquisas de opinião pública do Brasil e um dos mais tradicionais, tanto que, ao longo do tempo virou sinônimo de popularidade, afirmava, categoricamente: "LULA NÃO FARÁ SEU SUCESSOR". Enumerava uma série de razões para justificar seu vaticínio, nenhuma delas baseadas em observações científicas, todas especulativas e de viés político-partidário, ou seja: torcida descarada e tentativa de influência favorável para um dos lados, o seu lado escolhido.

Montenegro, arriscando-se a destruir a credibilidade e prestígio de seu bem maior, aventurou-se a ir muito mais longe, profetizou a extinção do PT, segundo os termos que escolheu para ajuizar seus desejos.

Um ano após fazemos aqui a dissecação das palavras mortas de Montenegro, destacando alguns trechos dessa entrevista panfletária e do jogo combinado entre "compadres":

Veja: O que os acontecimentos da semana passada revelaram sobre o PT?

Montenegro: Que o partido deu um passo a mais na direção de seu fim. O PT passou vinte anos dizendo que era sério, que era ético, que trabalhava pelo Brasil de uma maneira diferente dos outros partidos. O mensalão minou todo o apelo que o PT havia acumulado em sua história. Ali acabou o diferencial. Ali acabou o charme. Todas as suas lideranças foram destruí-das(sic). Estrelas como José Dirceu, Luiz Gushiken e Antonio Palocci se apagaram. Eu não diria que o partido está extinto, mas está caminhando para isso.

Veja: Mas por trás do apoio ao PMDB e ao senador Sarney não está exatamente um projeto de poder do PT?

Montenegro: É um projeto de poder do presidente Lula. O desempenho eleitoral do PT depois do mensalão foi um vexame. Em 2006, com exceção da Bahia, o partido só venceu em estados inexpressivos. Nas eleições municipais de 2008, entre as 100 maiores cidades, perdeu em quase todas. Lula sempre foi contra a reeleição e só resolveu disputá-la para tentar salvar o PT. Sua reeleição foi um plebiscito para decidir se deveria continuar governando mais quatro anos ou não. Mas tudo indica que agora ele não fará o sucessor justamente por causa da mesmice na qual o PT mergulhou.

Notas dissecadas: Nestas duas questões sobre o PT, Montenegro mostra claramente seu papel político nessa entrevista e a Veja empresta seu púlpito para que fale qualquer bobagem para atingir o partido, desmoralizá-lo, para confeccionar a certidão de óbito.Veja não confronta a opinião de Montenegro, não questiona a possibilidade dessas opiniões se tratarem apenas de opiniões. A má de fé de Montenegro e da Veja escondem que o PT, ao contrário do que afirmou o profeta do Ibope, elegeu a maior número de prefeitos de sua história em 2008 e que em 2006, mesmo sob fogo cruzado da mídia, especialmente da Veja e do JN da Globo, conseguiu eleger a segunda maior bancada do Congresso, fato não ventilado pela reportagem da revista...

Hoje, um ano após a previsão de sua "extinção", existem várias análises político-eleitorais apontando que o PT poderá fazer a maior bancada de deputados federais e senadores de sua história.

Veja: Ao contrário do que muita gente acredita, o senhor aposta que Lula, mesmo com toda a popularidade, não conseguirá eleger o sucessor.

Montenegro: Uma coisa é ele participar diretamente de uma eleição. Outra, bem diferente, é tentar transferir popularidade a alguém. Sem o surgimento de novas lideranças no PT e com a derrocada de seus principais quadros, o presidente se empenhou em criar um candidato, que é a Dilma Rousseff. Mas isso ocorreu de maneira muito artificial. Ela nunca disputou uma eleição, não tem carisma, jogo de cintura nem simpatia. Aliás, carisma não se ensina. É intransferível. "Mãe do PAC", convenhamos, não é sequer uma boa sacada. As pessoas não entendem o que isso significa. Era melhor ter chamado a Dilma de "filha do Lula".

Veja: Porém já existem pesquisas que colocam Dilma Rousseff na casa dos 20% das intenções de voto.

Montenegro: A Dilma, em qualquer situação, teria 1% dos votos. Com o apoio de Lula, seu índice sobe para esse patamar já demonstrado pelas pesquisas, entre 15% e 20%. Esse talvez seja o teto dela. A transferência de votos ocorre apenas no eleitorado mais humilde. Mas isso não vai decidir a eleição. Foi-se o tempo em que um líder muito popular elegia um poste. Isso acontecia quando não havia reeleição. Os eleitores achavam que quatro anos era pouco e queriam mais. Aí votavam em quem o governante bem avaliado indicava, esperando mais quatro anos de sucesso.

Notas dissecadas: Montenegro despreza o capital político do presidente mais popular da história do país, crê, ou melhor, torce para que Dilma já tenha alcançado o seu teto eleitoral, ainda cutuca o mote político do governo para sua candidata... É deselegante e trata Dilma como uma invenção de Lula, a qualifica como "poste".

Hoje Dilma tem mais que o dobro que o futurólogo do Ibope acreditava ser possível para ela alcançar e todos os institutos de pesquisas, inclusive o Ibope, apontam vitória em primeiro turno neste momento. Lula apesar de não ser candidato em 2010, se tornou o maior cabo eleitoral da história recente das eleições brasileiras, qualificação desdenhada por muitos "especialistas" em política, que escrevem nos jornais ou falam nas rádios ou TV's.

Veja: Diante do quadro político que se desenha, quais são então as possibilidades dos candidatos anunciados até o momento?

Montenegro: Faltando um ano para as eleições, o governador de São Paulo, José Serra, lidera as pesquisas. Ele tem cerca de 40% das intenções de voto. Em 1998, também faltando um ano para a eleição, o líder de então, Fernando Henrique Cardoso, ganhou. Em 2002, também um ano antes, Lula liderava – e venceu. O mesmo aconteceu em 2006. Isso, claro, não é uma regra, mas certamente uma tendência. Um candidato que foi deputado constituinte, senador, ministro duas vezes, prefeito da maior cidade do país e governador do maior colégio eleitoral é naturalmente favorito. Ele pode cair? Pode. Mas pode subir também.

Notas dissecadas: o advinhador de eleições tentar criar uma justificativa científica para apontar Serra, seu preferido, o vencedor por antecipação do pleito. Se escora nas eleições de 1998, 2002 e 2006 e elenca o currículo do candidato do PSDB para consolidar suas previsões...

As últimas linhas dessa resposta são de uma parcialidade constrangedora, são frases que desmascaram, para um olhar mais crítico, o sentido da entrevista combinada Veja/Montenegro, criar a percepção de que nada adiantaria Lula ser popular que: Dilma perderia e o PT seria "decomposto" em 2010.

A idéia ali presente não era a de informar, mas de criar um fato, fundado nas previsões (infundadas) do presidente do maior instituto de pesquisas de opinião pública do Brasil, sem nenhum amparo científico, nem confrmada por qualquer análise política e social de especialistas, que Serra, inevitavelmente, seria eleito em outubro de 2010, o novo presidente do Brasil e toda a popularidade de Lula serviria apenas ao prórpio Lula e para alimentar os verbetes dos compêndios de história.

Quanto custa criar e sustentar uma reputação de credibilidade e solidez ao longo dos anos?Quanto custa para demolí-la, em aventuras irresponsáveis e arriscadas?

O Ibope é uma marca que vai além das vontades e idéias de seu presidente, possuía uma imagem de sucesso e respeito, de agora em diante poderá não mais ser vista desse modo: a troco de que?

Leia a entrevista-mico na íntegra aqui.

Em tempo, há menos de um mês atrás, Montenegro soltou uma nova análise: Dilma poderia vencer já no primeiro turno... Agora uma afirmação óbvia, ululante, de carona nas tendências sólidas e de vanguarda construídas pelas pesquisas de Vox populi e Sensus.

Atualizando em 28 de agosto de 2010, o Ibope contradiz, desmente e rebaixa qualquer opinião de seu próprio presidente falastrão: Dilma 51%, Serra 27%

fonte: http://palavras-diversas.blogspot.com/


Tracking do Vox Populi indica Dilma 51% x Serra 25%

Tradicionalmente usado pelos partidos políticos, levantamento será publicado diariamente pelo iG
iG São Paulo 01/09/2010 17:03

Na primeira medição do tracking encomendado pelo iG e pela Band ao Instituto Vox Populi, a candidata do PT ao Palácio do Planalto, Dilma Rousseff, aparece na liderança, com 51% das intenções de voto. O cenário, que daria à petista a vitória no primeiro turno, mostra o adversário tucano José Serra com 25%. A candidata do PV, Marina Silva, aparece em seguida, com 9%. Outros candidatos obtiveram, juntos, 1% das intenções de voto. Brancos e nulos somaram 4%, enquanto os indecisos ficaram em 11%.

O tracking, modalidade de pesquisa tradicionalmente utilizada pelas campanhas eleitorais para identificar tendências na definição do voto, será divulgado diariamente pelo iG. Apesar de o sistema ser utilizado há mais de uma década pelos partidos políticos e campanhas eleitorais, os dados tradicionalmente não entravam no rol de divulgação dos veículos de comunicação.

O tracking Vox/Band/iG conta com 2.000 entrevistas, sendo que um quarto dessa amostra é renovada diariamente. Essa renovação permite identificar rapidamente as tendências de evolução das intenções de voto. A margem de erro do tracking é de 2,2 pontos porcentuais para mais ou para menos.

No tracking espontâneo, no qual os nomes dos candidatos não são apresentados aos entrevistados, Dilma tem 41% das intenções de voto, enquanto Serra aparece com 19%. Marina, nesse caso, tem 6%. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva ainda é citado por 2% dos entrevistados. Brancos e nulos somaram 4%, não souberam ou não responderam 11%.

Direto do http://www.viomundo.com.br/


Disputa de agendas

A oposição, liderada por seus órgãos de imprensa, parece que se resignou à derrota e agora busca pautar a próxima presidente da República. Sintoma é a obsessão por um ajuste fiscal no começo do governo e por uma reforma da previdência. O elemento comum mal pode esconder o Estado mínimo, promovido por FHC no seu governo e superado pelo governo Lula, que fez com que o Estado passasse a ser indutor do crescimento econômico e garantia dos direitos sociais de todos os brasileiros.

O ajuste fiscal costumava ser o primeiro ato de governos que repudiavam seus antecessores e acreditavam que deviam “pôr a casa em ordem”, começando por colocar as finanças em dia, com ajustes com um caráter claramente antisocial, antipopular. Foi o que aconteceu com Collor diante do governo Sarney, com Itamar-FHC diante do governo Collor, com o próprio Lula, diante da herança maldita recebida de FHC.

A reforma da previdência tinha sido colocada na agenda nacional como tema prioritário desde que, ainda no governo Sarney, nem bem aprovada a nova Constituição, se introduziu no Brasil um tema caro ao neoliberalismo – o da ingovernabilidade. Haveria excessiva (sic) quantidade de direitos, que o Estado não poderia assegurar.

A Comissão Trilateral – de que fez parte Samuel Huntington – havia formulado o tema, nos anos 70, falando de “democracias restringidas”. Entrando no seu ciclo longo recessivo, o capitalismo não poderia mais garantir direitos para todos, haveria que ser seletivo. Havia um desequilíbrio entre chapéus e cabeças, o neoliberalismo optava não por produzir mais chapéus, mas por cortar cabeças.

A generalização da recessão diminuía a arrecadação e, ao mesmo tempo, elevava o numero de pessoas que se acolhiam à proteção estatal, acentuando o déficit publico. O triunfo conservador no mundo fez com que a carga recaísse sobre os trabalhadores, com as reformas da previdência, que aumentavam a idade de aposentadoria e diminuíam o montante recebido pelo aposentado.

Há um fenômeno real: o aumento significativo da expectativa de vida das pessoas e, em países como o Brasil, privilégios como, por exemplo, os das professoras universitárias, que podiam se aposentar aos 25 anos de serviço, enquanto as trabalhadoras rurais, quando conseguiam provar seu tempo de trabalho, tinham que fazê-lo aos 35 anos.

Mas a retomada do crescimento econômico no governo Lula, com o correspondente aumento da arrecadação e a extensão do trabalho formal, recompuseram as finanças da Previdência, terminando com seu déficit. Daí que o tema tivesse sido retirado de pauta pela própria direita.

Volta agora, no marco da ofensiva sobre o novo governo, tentando pautá-lo. Reforma da previdência e ajuste fiscal, acoplados, seriam a plataforma da direita. Como não têm perspectivas de voltar ao governo, a velha mídia recomeça sua cantilena, já suficientemente rebatida pela Dilma, mostrando que não vai se deixar pautar pela direita e suas expressões midiáticas. Que não se deram conta ainda das mudanças que o país sofreu desde 2002 e, especialmente, desde 2006.

Se naquele momento se vangloriaram de ter conseguido levar seu candidato ao segundo turno com operações midiáticas, desta vez, como molharam reiteradamente sua pólvora com atitudes que lhes tiraram a credibilidade que ainda tinham, quando foram disparar, se deram conta que suas armas deram xabú, não funcionaram.

A pauta do governo Dilma será própria, será a continuidade das transformações promovidas pelo governo Lula, sob sua coordenação. A eleição decide que agenda triunfa.

Emir Sader Direto da www.cartamaior.com.br

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CAMPOS DOS GOYTACAZES

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