sábado, 2 de outubro de 2010

porque hoje é sábado


Frei Tito Texto de Frei Beto magnificamente musicado e cantado por Mada.

Frei Tito de Alencar Lima foi preso em novembro de 1969, acusado de oferecer infra-estrutura a Carlos Marighela, Tito é submetido a palmatória e choques elétricos, no Deops, em companhia de seus confrades.

Em fevereiro do ano seguinte, quando já se encontra em mãos da Justiça Militar, é retirado do presídio Tiradentes e levado para a Operação Bandeirantes, mas tarde conhecida como DOI-Codi, à rua Tutóia.

Durante três dias, batem sua cabeça na parede, queimam sua pele com brasa de cigarros e dão-lhe choques por todo o corpo, em espeical na boca "para receber a hóstia" , gritam os algozes.

Fernando Gabeira preso ao lado tudo percebe. Querem que Tito denuncie quem o ajudou a conseguir o sítio de Ibiúna para o Congresso da UNE (União Nacional dos Estudantes) em 1968, e assine depoimento atestando que dominicanos participaram de assaltos a bancos.

No limite da sua resistência, Tito corta com gilete que lhe emprestaram para fazer a barba, a artéria interna do cotovelo esquerdo. É socorrido a tempo no hospital militar, do Cambuci.

As incessantes torturas não abrem a boca do frade de 28 anos, mas lhe cindem a alma. Cumpre-se a profecia do capitão Albernaz, da Oban: "Se não falar, será quebrado por dentro , pois sabemos fazer as coisas sem deixar marcas vísiveis. Se sobreviver, jamais esquecerá o preço da valentia" .

Em dezembro de 1970, incluído na lista de presos políticos trocados pelo embaixador suíço Giovane Bucher, sequestrado pela VPR de Lamarca, Tito é banido do Brasil pelo governo Médici.

De Santiago do Chile ruma para Paris, sem jamais recuperar sua harmonia interior. Nas ruas da capital francesa ele "vê" o espectro de seus toruradores. ... contorce-se em calafrios sob o fantasma o delegado Fleury. Sua mente naufraga em delírios.

No dia 10 de agosto de 1974, um estranho silêncio paira sob o céu azul do verão francês, envolvendo folhas, ventos, flores e pássaros. Nada se move.

Entre o Céu e a Terra, sob a copa de um álamo, balança o corpo de Frei Tito dependurado numa corda.

Do outro lado da vida ele encontrara a unidade perdida. Deixa registrado em seus papéis que

"é melhor morrer do que perder a vida".

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