fulinaíma

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

ela tinha um jetio gal fatal vapor barato



Uilcon Pereira não conheceu Flávio Mutambo, nem nunca foi a Cabo Frio, mas a mulher do arco íris dizia ter nascido em Nova Granada quase na divisa com são José do Rio Preto. Vivia entre o Ibilce o coração dos boatos, certa noit a encontrou numa churrascaria já estrela decadente fazendo show para estrangeiros que vinham ao Brasil fazer pós graduação em línguas.

Uilcon era bem cético quando ao talento da atriz, mas confessava não ter a mesma opinião em relação as outra artes que a bela praticava. Certa vez disse que a encontrara em Jardinópolis em cia de Ricardo Pereira Lima e Gabriel de La Puente, quando reunidos no seminário da cidade praticavam tiro ao aolco contra as andorinhas que costumavam sobrevoar o chafariz da praça.

Salgado Maranhão desconfia de tê-la encontrado escavando signos de comunicação indecifráves lá pelas bandas de São Raimundo de São Luis do Maranhão, quando com Celso Borges ela frequentava as noites quentes de Bumba-Meu-Boi e costumava infernizar a família Sarney com suas facas no ventre. Rita Ribeiro em seu romance sobre ana Jansey, em determinado capítulo descreve as aventuras dois ancestrais de Raian, possivelmente ela teria herdado deles o seu temperamento intempestivo e revoluciário na maeira de far arte e política erótica.

Estando mais uma vez em Bento Gonçalves semana que passou para o XVIII Congresso Brasileiro de Poesia, Federico Baudelaire, que em sua volta de Ouro Preto confessa ter desconfiado de um caso incestuoso entre a mulher dos lábios rubros e uma professora do IFF, quando ainda Escola Técnica Federal de Campos.

Na livraria do Maneco, onde Airton Ortiz, lançava mais uma de suas expedições urbanas desta vez com aventuras vividas em Havana, Federico pode colher do escritor algo que nos deixa ainda mais aguçados pelo descobrimento das cartas de pero vaz não caminha. Fala Ortiz, que em determinada madrugada acredita ter quase feito amor com a dançarina, e que não sabe precisamente afirmar a sua nacionalidade, só sabe que, cubana não era, apesar de sabeer tudo de Orixás, o que de certa forma o enfeitiçou, além dos dotes carnais, claro.

Sobre o Malecon, ela debruçava aparentemente nua somente a lua te espelha, nesta cidade vermelha. Era uma visão estonteante, confessa Airton, que por várias vezes gozou apenas admirando a silhueta que a beira mar despejava toda sua sensualidade de mulher e deusa afro americana, não sabe como voltava do transe compulsivo a que se entregara toda vez que avistava aquela Oxum de carne osso, e quase dois metros de tentação explícita em tua boca de engulidora fogo e espadas.

Em Ribeirão Preto voltamos a re-ver Uilcon em seu café predileto no Pinguim. Estava de passagem para Araraquara, acabara de autografar os últimos exemplares da sua antologia Nonada que levara para uma palestra que não aconteceu devido a greve de estudantes na faculdade de comunicação da california tupiniquim. Uilcon sempre acreditou que ela fosse amante de Guimarães Rosa, e Federico afirma numaestrofe do seu samba-enredo: assim vamos cantar em verso e prosa/a saga dessa deus Yansã/que em busca da mordida na massão/sonhara encontrar Guimarães Rosa.

Pois bem, na Mocidade Independente de Padre Olivácio, certa vez, Pastor de Andrade, tentou seduzí-la para o culto evangélico, a diaba imediatamente retirou entre os seios o seu amuleto sagrado jogou na cara do Pastor, e este rodopiou 3 vezes até cair estatelado feito poste na pedra mármore, e a porta bandeira seguiu seus passos ao lado do mestre sala dos mares, assim como se fossem Chiquinho e Maria Helena, em noites de gala da Estação Primeira


Sobre eleições, nordestinos e afins.
Por Ricardo Moraleida
Este texto foi escrito para uma amiga querida, que eu não vejo há tempos.Eleitora da Marina no primeiro turno e de Serra no segundo, fez algunscomentários irritados sobre os nordestinos hoje, ao que eu respondi perguntandose ela acreditava mesmo que a crítica era justa e indicando o eterno artigo daMaria Rita Kehl. Infelizmente ela me disse que não queria continuar adiscussão, então não tive como responder à sua crítica e ao seudesapontamento por eu usar um discurso de intelectual de esquerda e a mentalidade de encher os pobres de benefícios.
Aqui vai, amiga, espero que você me entenda melhor depois disso:
É muito ruim ver gente que eu gosto muito entrando nessa onda de desqualificaro voto dos pobres, dos nordestinos, dos beneficiados por programas sociais queefetivamente melhoraram as condições de vida deles. É muito triste vocêachar que o nosso voto deveria valer mais que o deles porque nós estudamos,tivemos acesso ao conforto e à vida digna. Me desculpe a comparação, maspropor separar o nordeste à força é mais ou menos como propor criar uma novaAngola lá, pelo bem de criar uma nova Suíça aqui, é realmente isso que vocêquer? É esse o conceito de justiça social que você defende?
Eu fiz campanha, nesses últimos meses, com convicção de qual era o futuro queeu quero pro meu país. E vou continuar fazendo política de agora em diante, nomeu papel intransferível de cobrar do novo governo tudo que ele prometeu, comtodos os problemas que ele tem e que ele com certeza terá. Não foram osnordestinos que elegeram a Dilma. Fui eu, foram 60% dos habitantes do Rio deJaneiro, foram 45% dos habitantes de São Paulo, foram os meus amigos da classemédia, foram os novos universitários do país inteiro, 55 milhões de pessoas.
Aliás, se o Nordeste inteiro não tivesse votado, ainda assim Dilma teria 1,8milhões de votos a mais.
Mas eu gosto muito de você, e gostaria muito, muito, de pensar que os seusúltimos comentários foram só a força emotiva de o seu candidato não terganhado, gostaria muito de saber que você não pensa exatamente assim. Egostaria muito que você me acompanhasse na fiscalização séria e respeitosaao governo que foi democraticamente eleito.
Não sou intelectual, nem mesmo um acadêmico. Sou um micro-empresário, um caraque preza o capitalismo e a possibilidade de trabalhar duro e melhorar de vidaque ele me dá. Sou um cara extremamente grato à minha família por ter me dadotodas as condições pra que eu pudesse estudar, trabalhar e viver por meuspróprios esforços. E sou um cara correto, que pago os meus impostos em dia eregistro minhas notas fiscais com a mesma diligência que leio as notícias ecobro soluções dos candidatos eleitos. Que faço campanha com a mesma militância que, ao perceber que minha escolha nessas eleições foi errada, irei às urnas em 4 anos exigir a mudança necessária, ou, se o improvável apocalipse acontecer, irei às ruas exigir a deposição da mandatária.
Mas nós somos privilegiados. Somos os frutos de uma sociedade extremamente desigual que se valeu e ainda se vale dos seus oprimidos para garantir os nossos privilégios. A prova máxima do nosso privilégio é que tem muita gente que trabalha tão duro quanto nós, e mais duro ainda, e ainda assim não consegue nosso padrão de vida. É esse o problema que a política atual tenta solucionar.
Eu e você não precisamos do governo simplesmente porque a carga tributária pode continuar subindo e ainda assim vamos conseguir manter o nosso padrão devida ou vamos tranquilamente tirar nossos vistos e nos mandar pra um país desenvolvido qualquer. Os mais pobres não, e enquanto nós não tivermos uma sociedade igualitária, o governo não pode deixar que o capitalismo de mercado seja livre pra engolir a quem bem entender nem depois, os EUA estão sofrendo as consequências disso até hoje. Mas fique feliz, BH e algumas outras capitais caminham para atingir esse ano o nível de emprego pleno, ou menos de 6% de desemprego estamos no caminho certo.
Eu acho que você é uma pessoa bem informada, você sabe os valores pagos pelos programas que você chama de assistencialistas e as condições que são colocadas pra que as pessoas se tornem beneficiadas tão bem quanto sabe o valor da bolsa da Capes que recebeu durante o seu mestrado em uma Universidade Pública de conceito 7, paga com impostos de pobres e ricos desigualmente.
Você sabe que é impossível uma família viver só de Bolsa-família ou de Pronasci assim como sabe como é difícil para nós viver só de bolsa. Você sabe que 4,8% da nossa população ainda vive com menos de 2 dólares por dia e queeles eram 12% até 2003 e ainda são 9,6 milhões de pessoas. E eu não acreditoque você quer competir em igualdade de condições com alguém cuja renda é de R$ 306 por mês.
Eu sei que você enxerga que para eles, o teto do bolsa-família representa 65%a mais na renda mensal e ainda não é suficiente para chegar ao salário mínimo. Eu espero que você imagine o tanto que é preciso ser pobre pra isso.
Eu sei que você, como uma boa admiradora de coxinhas, sabe que eles precisam estudar e trabalhar, mas que a fome que eles sentem todos os dias e a preocupação em não deixar suas mães, filhos e netos comerem papelão ou aceitarem trabalho análogo à escravidão não é exatamente uma boa companheira de jornada.
É verdade, os programas assistenciais do governo dificultam a vida da classe média. Não é mais possível contratar uma empregada por menos do que um salário mínimo, e fica mais difícil a cada aumento anual acima da inflação.
Não é mais possível pagar menos do que R$ 30 por dia pra uma diarista nas regiões mais ricas, não é mais possível pagar menos de R$ 80! No meu apartamento no Rio, pago R$ 105 por um dia de faxina*. E fico feliz que as filhas da minha faxineira não vão precisar limpar a casa de ninguém pra viver, fico feliz que elas conheçam hoje o computador que eu conheci em 1997.
Elas até poderão escolher viver como diaristas um dia, mas que seja por um salário que lhes garanta uma vida digna.
Fico feliz que os meus filhos tenham que competir com os filhos da minhafaxineira, porque isso vai exigir deles que não fiquem sentados sobre os privilégios que eu herdei e eles herdarão de mim, espero ser capaz de passar para eles a hombridade necessária pra que reconheçam que o dinheiro que nós temos é igual ao que os outros têm, e muitas vezes vem muito mais facilmente para nós do que para eles.
Mas se pra isso for necessário que esses pobres TAMBÉM mamem nas tetas dogoverno por algum tempo, so be it nós, os 10% mais ricos do país, já fazemos isso há muito tempo com o nosso sistema tributário injusto, com nossas bolsas de estudos no exterior, com os descontos no Imposto de Renda porque escolhemos pagar por escolas particulares e com a sonegação recorde, pura esimples.
Enquanto isso, cidades inteiras estão saindo da miséria porque o governo resolveu que era preciso partir o bolo pra que ele crescesse, resolveu entender que a lógica perversa da exclusão precisava ser resolvida de imediato, e resolveu que pra isso bastaria injetar uma parte do que eu pago de impostos na economia deles, resolveu que não ia cobrar dos lavradores do inteiror pra instalar os postes de luz que eu não paguei pra ter na cidade, resolveu que não ia dar vale-quentinha porque pobre tem que comer mas também tem que vestir, tem que ter lazer, tem que ter transporte e tem que ter a dignidade que só o controle sobre o próprio dinheiro nos dá.
Apoiar essa política não é ser intelectual, mas é ser de esquerda. E ser de esquerda é, antes de qualquer coisa, ser partidário da igualdade social.
Ao invés de me indignar com os beneficiários dos R$22 a R$200 mensais que alimentam, vestem e compram materiais escolares para famílias inteiras, com os beneficiários do microcrédito da Caixa, que montam as empresas que vão competir com a minha, prefiro direcionar o meu rancor à parcela dos 10 milhões de concurseiros de classe média e ricos, ávidos por uma boquinha nessas mesmas tetas, caçando vagas com salários de R$ 2 a R$ 15 mil com o objetivo único de garantir os próprios privilégios pagos, estes sim, com a riqueza que eu gero com o meu negócio honesto.
Vivemos num país capitalista, mas isso não significa que precisamos viver num capitalismo individualista, egoísta, em que cada um protege o seu e fecha os vidros com insulfilm pra não ver a miséria na rua. Morar em cidades grandes, como diz o Alex, nos dá uma carcaça grossa e insensível. É por isso que precisamos nos esforçar pra lutar por uma realidade diferente. É o que o Brasil está fazendo em escalas jamais vistas, dando a oportunidade de os seus cidadãos terem o mínimo necessário de dignidade para viver.
Foi por isso que eu e mais 55 milhões de brasileiros somente 18,3 milhões no Nordeste elegemos ontem a nossa 1ª presidenta.* Eu pagava R$100 para a faxineira. Até o dia que ela me contou que se pegasseo trem chegaria 1h mais rápido no trabalho e 1h mais rápido em casa. Com R$ 5 reais ela ganhou duas horas úteis a mais no dia o dinheiro é consumido igual, ela continua ganhando o mesmo, mas o que você daria para ter mais 2 horas por dia?

Um comentário:

Angélica Tiso disse...

Oi Procuro po Gabriel de La Puente professor que no ano de 1980 ministrou um curso de literatura em são joão del rei - Mg, vc sabe me informar ? meu emai: angelicatiso@hotmail.com. ele era prof de literatura e ministrava o curso com uilcon Pereira pela UFMG.abraço

CAMPOS DOS GOYTACAZES

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