segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

WIKILEAKS REVELA BASTIDORES DO PRÉ-SAL:

Direto do portal http://www.cartamaior.com.br/

"Deixa esses caras (do PT) fazerem o que eles quiserem. As rodadas de licitações não vão acontecer, e aí nós vamos mostrar a todos que o modelo antigo funcionava...E nós mudaremos de volta...Voces vão e voltam..." (José Serra à representante da multinacional Chevron, Patricia Pradal, também dirigente do Instituto Brasileiro de Petróleo (IBP), o sindicato das petroleiras internacionais no país, a quem o tucano dá sua garantia de que, vitorioso nas eleições presidenciais de 2010, reverteria a regulação soberana do pré-sal para entregar as jazidas aos mercados: ' voces vão e volta...' (Telegrama diplomático de dezembro de 2009, divulgado pelo WikiLeaks que teve o diálogo de Serra omitido pelo jornal O Globo, na edição desta 2º feira; foi divulgado pela Folha que, todavia, não providenciou a investigação óbvia: quanto as petroleiras multinacionais doaram à campanha demotucana? A 'barriga' certamente não ocorreria em trama equivalente que tivesse como personagem um político de esquerda.

GANHOS SALARIAIS, SERRA TAMBÉM DEVOLVERIA?
salário médio na indústria brasileira tem aumento real de 5,5% em outubro. Desde 2004, o salário real na indústria de transformação acumula uma alta de 28%; chega a 68% no setor extrativo, que inclui petróleo (IBGE/Valor; 13-12)

MORALES VAI AO PONTO

"O tema é estrutural, é o capitalismo, estamos debatendo só os efeitos, não as causas ... porque ou morre o capitalismo ou morre a Mãe Terra. Frente ao capitalismo, ao colonialismo, ao imperialismo, queremos propor o Neosocialismo. Uma nova doutrina pela vida, para viver bem, não viver melhor. Para compartilhar, não para competir...Antes a luta terminava na luta de classes, que é importante. Agora temos a responsabilidade não só de salvar o operário, o originário submetido à escravidão, senão todo o planeta". (Presidente Evo Morales, na COP 16; Brasil de Fato; 13-12) (Carta Maior; Segunda-feira; 13/12/2010)


A democracia cultural

por Emir Sader Blog do Emir

O modelo econômico social - com as adequações que já começaram a ser colocadas em prática –, que claramente deu certo, deverá continuar a ser a referência fundamental para o próximo governo. Questões fundamentais passarão as vinculadas aos valores que devem predominar em uma sociedade que tem se transformado aceleradamente em toda a década que termina.

Uma expressão da importância dessa esfera foi dada pela campanha eleitoral, em que a comparação entre os governos FHC e Lula era avassaladoramente favorável a este, o que levou a oposição a buscar um atalho de deslocamento para explorar preconceitos no plano dos valores de setores da classe média, mas também se setores populares. Daí a diferença entre o índice de popularidade do governo Lula e a votação que a Dilma conseguiu.

Os valores predominantes na sociedade brasileira, produto das transformações que o neoliberalismo impôs, foram provenientes do “modo de vida norteamericano”, assentado na competição individual no mercado de todos contra todos. Uma visão segunda a qual “tudo tem preço”, “tudo se vende, tudo se compra”, tudo é mercadoria. Uma visão que incentiva o consumidor em detrimento do cidadão, o mercado às custas dos direitos , a esfera mercantil contra a esfera pública.

Os avanços econômicos e sociais geram a base para que os valores predominantes na sociedade brasileira possam mudar nos seus fundamentos. O apoio do povo brasileiro ao governo Lula é resultado do papel essencial que o governo passou a dar aos direitos de todos, independentemente do nível de renda, governando para todos e não apenas para aqueles que têm poder de renda, aqueles que conseguem ter acesso ao consumo por meio do mercado.

Os valores implícitos no modelo econômico e social do governo Lula são os da preponderância do direito sobre a competição, são os direitos de todos e não apenas dos que possuem poder de renda adquirida no mercado. São os dos direitos para todos, do governo para todos, da cidadania estendida a todos. O da reestruturação do Estado em torno dos interesses públicos e sua desmercantilização, sua desfinanceirização.

Os valores que deveriam nortear os novos contornos da sociedade brasileira, de uma sociedade mais justa, deveriam ser os de solidariedade, justiça social, desenvolvimento econômico e social, soberania política, cidadania, direitos para todos. O neoliberalismo buscou mercantilizar tudo, concentrando aceleradamente as riquezas, atentando gravemente contra a democracia, contra o acesso aos direitos para todos.

A construção dos valores de uma nova solidariedade é decisiva para consolidar os avanços econômicos e sociais dos últimos anos, porque é no plano da consciência, dos valores, das ideias, dos costumes e hábitos que regem as vidas das pessoas, que se constroem as formas de sociabilidade. Desmercantilizar é democratizar, é superar o filtro do mercado, que seleciona os que têm poder de acesso a bens, para estender esse direito a todos. É privilegiar a esfera dos direitos em oposição à esfera mercantil.

Na esfera mercantil triunfa quem tem maior poder aquisitivo, uma esfera centrada no consumidor. Na esfera pública todos têm direitos, uma esfera centrada no cidadão. Essa a grande transformação que o Brasil precisa viver nos próximos anos, para se tornar uma democracia não apenas nos planos econômico e social, mas também no plano cultural.



Um drama que não entendemos

Por Diana Cariboni, Terramérica*

Apesar das evidências científicas e da sucessão de desastres meteorológicos em todo o planeta, a mudança climática permanece afastada das prioridades nacionais e internacionais

Cancún, México 13 de dezembro (Terramérica).- “Somos o país mais frio do mundo…, por isso o aquecimento global é bom para nós. Quanto mais quente, mais colheitas… Fala-se em deter o desmatamento das florestas tropicais para combater a mudança climática, mas não temos florestas tropicais. A franqueza do legislador russo Viktor Shudegov expôs uma verdade “incômoda”: a ainda escassa consciência sobre o aquecimento global, em uma reunião paralela à conferência sobre mudança climática que teve o México como anfitrião, entre 29 de novembro e 10 de dezembro.

Viktor sintetizou como é difícil para a opinião pública de um país como a Rússia assumir o desafio da mudança climática, apesar de, segundo os cientistas, tratar-se do mais sério problema mundial enfrentado pela humanidade neste século. Esta dinâmica, na qual predominam os problemas domésticos “urgentes”, como a crise econômica que afeta quase todo o mundo rico, faz patinar uma e outra vez as tentativas de adotar uma norma mundial e obrigatória para reduzir a contaminação que causa o aquecimento global.

A 16ª Conferência das Partes (COP 16) da Convenção Marco das Nações Unidas sobre Mudança Climática, que aconteceu no balneário mexicano de Cancún, não foi exceção. Uma das forças motoras da negociação conduzida pela Organização das Nações Unidas busca atrair, há anos, o setor privado, oferecendo cada vez mais oportunidades de negócios na ainda débil “economia verde”. A inclusão dos sistemas de captura e armazenamento de carbono entre os mecanismos financiáveis para reduzir a emissão de gases causadores do efeito estufa é uma mostra desta tendência.

Trata-se de capturar o dióxido de carbono, um gás-estufa, e depositá-lo em “sumidouros”, que podem ser oceanos, florestas ou o subsolo. Os que investirem nestes negócios estariam em condições de comercializar direitos de emissão no mercado de carbono. Para ambientalistas e cientistas, impulsionar este mercado de carbono é uma fuga para a frente.

“Esta tecnologia não foi testada, não está pronta para ser colocada em prática. É outra forma de afastar-se das energias renováveis e das ações de mitigação”, disse ao Terramérica o nigeriano Nnimmo Bassey, presidente da rede ecologista Amigos da Terra Internacional. “O que é enfrentar o aquecimento? Reduzir a emissão de dióxido de carbono na atmosfera. Então, por que não deixamos o carbono aonde ele pertence…, no solo?”, questionou Nnimmo, que acaba de receber o Right Livelihood Award.

Os gases-estufa são liberados pela queima de petróleo, gás e carvão, pelo desmatamento, pela agropecuária, a conversão de solos silvestres em agrícolas e pela produção industrial. Os grandes poluidores, liderados por China e Estados Unidos, não conseguem chegar a um acordo sobre uma meta mundial de redução de gases que permita manter o aumento da temperatura média em menos de dois graus. Se esse limite for ultrapassado – dizem os cientistas – o clima do planeta chegará a um “ponto de inflexão” que desataria mudanças catastróficas.

Adotar uma economia verde, ou baixa em carbono, implica principalmente modificar a forma como boa parte da humanidade concebe a atividade econômica. À primeira vista, é mais fácil começar por deter o corte de florestas, responsável por 18% das emissões mundiais de gases-estufa. A iniciativa REDD+ (Redução de Emissões de Carbono Causadas pelo Desmatamento e pela Degradação das Florestas), que despertou enorme atenção na COP 16, prevê que os países ricos financiem estas ações efetuadas em nações em desenvolvimento, beneficiando os atores locais, sobretudo as comunidades camponesas e indígenas.

A REDD+ atrai “tanto países ricos como nações com florestas” para um tipo de “intercâmbio de carbono” que permite aos ricos “continuar contaminando” e aos países com florestas “conseguir algum dinheiro”, disse Nnimmo. Não é conservação verdadeira, mas uma forma de “reduzir emissões”. Quando uma floresta for incluída neste mecanismo, as comunidades locais serão impedidas de usá-la como faziam antes para sua subsistência, “pois, seja quem for que esteja nela, deverá garantir a retenção do carbono, que será medido e avaliado”, acrescentou.

A chave é estabelecer um sistema de controles claros, afirma a advogada Adrianna Quintero, do Conselho para a Defesa de Recursos Naturais (NRDC), uma organização ecologista norte-americana. Para cumprir a “meta de conservação é crítica a supervisão e a transparência, o mesmo valendo para assegurar o respeito dos direitos de indígenas e camponeses”, disse Adrianna ao Terramérica.

Apesar de tudo, o sistema de negociações das Nações Unidas continua sendo o único possível. “O processo diplomático é um pouco lento”, mas de que outra maneira podem ser levados em conta os interesses e as posições dos 192 países da Convenção?, perguntou Adrianna. Para ela, as posições aproximaram-se muito para chegarem a um terreno comum que sirva de base para um tratado amplo. E boa parte do avanço se deve ao fato de o governo anfitrião, o México, ter conduzido as negociações não apenas em Cancún, mas durante todo o ano.

Um pilar deste terreno comum é a entrega de fundos aos países pobres para enfrentarem as novas realidades meteorológicas, adotarem novas tecnologias e resolverem as enormes perdas causadas por desastres naturais. Nisto, novamente enfrentam-se interesses. Na COP 15, realizada há um ano em Copenhague, foi prometida a entrega de, pelo menos, US$ 30 bilhões por ano, e “nem mesmo essa quantia foi cumprida”, recordou Nnimmo.

“Os países ricos fizeram todo o possível para mobilizar dinheiro, já comprometido como ajuda, para empréstimos como forma de lucrar com a miséria das nações pobres golpeadas pelo aquecimento global”, acrescentou o ecologista. Não se trata de buscar dinheiro, mas de os ricos “pagarem sua dívida climática”, afirmou. As nações europeias “colonizaram durante anos a atmosfera com suas emissões de carbono”, ressaltou.

Entre a justiça climática pedida por Nnimmo e o caminho do “possível”, que seguem as negociações oficiais, há uma enorme distância. E a questão central – como frear a contaminação – continua sendo inabordável e deverá esperar mais um ano, pela COP 17. “As nações mais poderosas não dão atenção à física nem à química”, disse em um pronunciamento o fundador da campanha 350.org, Bill McKibben.

A sociedade civil não é “suficientemente grande para derrotar a indústria dos combustíveis fósseis e seus aliados, mas estamos crescendo”, disse Bill. “Qual é o sentido destas reuniões de duas semanas? Não vamos a parte alguma, e isto mostra a falta de reconhecimento da gravidade da crise”, disse Nnimmo. “Quando os impactos se multiplicarem além do ponto de inflexão, nem mesmo os ricos escaparão do desastre”, alertou.

* A autora é correspondente da IPS.

Em busca das virtudes climáticas do bambu
http://www.tierramerica.info/nota.php?lang=port&idnews=3672


O PLANO B DO PR

poe Fernando Leite em http://blogfernandoleite.blogspot.com/

O estreitamento das chances de Nelson Nahim ser o candidato do PR, nas eleições suplementares é fato. A possibilidade de lançamento da candidatura de Wladimir, numa dobrada com Edson Batista, é concreta, sobretudo, porque, em caso de vitória, ele, inexperiente, teria necessidade de um tutor político. Mas a verdadeira ambição de Garotinho é outra.

O que move o líder máximo dos republicanos goitacás é boicotar o processo eleitoral e liderar uma mobilização popular, em Campos, capaz de atingir mais de 50 por cento de votos nulos e, dessa forma, inviabilizar as eleições extemporâneas.

Na sua conta, o índice histórico de abstenção é próximo de 20 por cento e há outras condições favoráveis ao seu projeto, tais como a data das eleições, no meio do alto verão, com a classe média nos balneários e ainda o desânimo popular com a situação política do Município.

Entende Garotinho que esta hipótese seria a mais rentável politicamente para ele próprio e para prefeita afastada.



Governo Dilma terá linha oficial de pobreza para medir combate à miséria

Por: Gilberto Costa, da Agência Brasil

Brasília – A presidente eleita Dilma Rousseff deverá estabelecer linhas oficiais de pobreza e de indigência no país para monitorar as políticas sociais do governo e medir a melhoria das condições de vida da população. O valor ainda não foi estabelecido, mas existe a tendência de o novo governo fixar em R$ 108 a renda familiar por pessoa como linha de pobreza.

A sugestão desse valor é do economista e coordenador do Centro de Políticas Sociais da Fundação Getulio Vargas (FGV), Marcelo Neri, que apresentou um seminário sobre políticas sociais para a equipe de transição do futuro governo em meados de novembro, com a ministra do Desenvolvimento Social, Márcia Lopes, e o economista do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Ricardo Paes e Barros.

De acordo com Neri, a presidente Dilma - que prometeu em seu discurso de vitória erradicar a miséria e criar “oportunidades para todos os brasileiros e brasileiras” - quer “sofisticar a tecnologia social” e suplantar os ganhos do governo Lula, que considera uma “herança bendita”, porque diminuiu a pobreza em 45%.

A ideia, segundo o economista, é que a meta de erradicar a miséria seja tratada como a meta de inflação. “Se tem uma meta de erradicar a pobreza é preciso saber qual o critério. Do mesmo modo que há uma meta de inflação, que escolheu o IPCA [Índice de Preços ao Consumidor Amplo] como medida”, comparou.

Para Marcio Pochmann, presidente do Ipea, o Brasil está na direção correta, mas é preciso uma sofisticação nas políticas. “Por isso, se pensa ser necessário estabelecer uma linha administrativa da pobreza extrema”, disse.

O Ipea está fornecendo dados e análises para a definição dessas políticas e para fixar as linhas de miséria e de pobreza. Pochmann não quis adiantar os valores, mas assinalou que não é apenas uma “decisão monetária” ou “administrativa e política”, mas também uma escolha “técnica com base na realidade”.

Marcelo Neri sugere que a verificação da renda das famílias seja mais criteriosa e não se baseie apenas na informação da renda reportada, mas também em dados sobre todos os “ativos” das pessoas do domicílio (tipo de trabalho, condições de moradia, acesso a serviços públicos, como saúde e educação) e “carências” (crianças lactantes, pessoas com deficiência e idosos na família). “Assim vai se olhar para quem é pobre e não apenas para quem está pobre ou diz que é pobre”, ponderou.

De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mais de três brasileiros a cada grupo de dez não vivem em situação de segurança alimentar (refeições necessárias e ingestão suficiente de nutrientes) e 11,2 milhões de pessoas ainda passam fome.



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Texto de Julian Assange escrito horas antes de sua prisão

Em 1958 um jovem Rupert Murdoch, então proprietário e editor do “The News” de Adelaide(Austrália), escreveu: “Na corrida entre o segredo e a verdade, parece inevitável que a verdade sempre vença.”

Sua observação talvez tenha sido um reflexo da revelação de seu pai, Keith Murdoch, sobre o sacrifício desnecessário de tropas australianas nas costas de Gallipoli, por parte de comandantes britânicos incompetentes. Os britânicos tentaram calá-lo, mas Keith Murdoch não seria silenciado e seus esforços levaram ao termino da desastrosa campanha de Gallipoli.

Quase um século depois, o Wikileaks também publica sem medo fatos que precisam ser tornados públicos.

Eu cresci numa cidade do interior do estado de Queensland, onde as pessoas falavam de maneira curta e grossa aquilo que pensavam. Eles desconfiavam do governo (‘big government’) como algo que poderia ser corrompido caso não fosse vigiados cuidadosamente. Os dias sombrios de corrupção no governo de Queensland, que antecederam a investigação Fitzgerald, são testemunhos do que acontece quando políticos impedem a mídia de reportar a verdade.

Essas coisas ficaram comigo. O Wikileaks foi criado em torno desses valores centrais. A ideia concebida na Austrália era usar as tecnologias da internet de maneira a reportar a verdade. O Wikileaks cunhou um novo tipo de jornalismo: o jornalismo científico. Nós trabalhamos com outros suportes de mídia para trazer as notícias para as pessoas, mas também para provar que essas notícias são verdadeiras. O jornalismo científico permite que você leia as notícias, e então clique num link para ver o documento original no qual a notícia foi baseada. Desta maneira você mesmo pode julgar: Esta notícia é verdadeira? Os jornalistas a reportaram de maneira precisa?

Sociedades democráticas precisam de uma mídia forte e o Wikileaks faz parte dessa mídia. A mídia ajuda a manter um governo honesto. Wikileaks revelou algumas duras verdades sobre as guerras do Iraque e do Afeganistão, e notícias defeituosas (‘broken stories’) sobre corrupção corporativa.

As pessoas afirmaram que sou anti-guerra: que fique registrado, eu não sou. Algumas vezes, nações precisam ir à guerra, e simplesmente há guerras. Mas não há nada mais errado do que um governo mentir à sua população sobre estas guerras, e então pedir a estes mesmos cidadãos que coloquem suas vidas e o dinheiro de seus impostos a serviço destas mentiras. Se uma guerra é justificável, então diga a verdade e a população dirá se deve apoiá-la ou não.

Se você leu qualquer um dos relatórios de guerra sobre o Afeganistão e o Iraque, qualquer um dos telegramas das embaixadas estadunidense ou qualquer uma das notícias sobre as coisas que o Wikileaks tem reportado, considere quão importante é que toda a mídia possa reportar tais fatos livremente.

O Wikileaks não é o único que publicou os telegramas das embaixadas dos Estados Unidos. Outros suportes de mídia, incluindo o britânico The Guardian, o The New York Times, o El País e o Der Spiegel na Alemanha publicaram os mesmos telegramas. Porém é o Wikileaks como coordenador destes outros grupos, que tem sido alvo dos mais virulentos ataques e acusações por parte do governo estadunidense e seus acólitos. Eu tenho sido acusado de traição, mesmo sendo cidadão australiano e não estadunidense. Tem havido inúmeros sérios clamores nos EUA para que eu seja capturado por forças especiais estadunidenses. Sarah Palin diz que eu deveria ser “caçado como Osama Bin Laden”. Uma lei republicana tramita no senado norte-americano buscando declarar-me uma “ameaça transnacional” e tratar-me correspondentemente. Um assessor do gabinete do primeiro-ministro canadense clamou em rede nacional de televisão que eu fosse assassinado. Um blogueiro americano clamou para que o meu filho de 20 anos de idade aqui na Austrália fosse sequestrado e ferido por nenhum outro motivo além de um meio de chegar até mim.

E os australianos devem observar sem orgulho a desgraçada anuência a estes sentimentos por parte da Primeira ministra australiana Guillard e a secretária do Estado dos EUA Hillary Clinton, as quais não emitiram sequer uma palavra de crítica às demais organizações midiáticas. Isto por que o The Guardian, The New York Times e Der Spiegel são velhos e grandes, enquanto o Wikileaks é ainda jovem e pequeno.

Nós somos os vira-latas. O governo Guillard está tentanto atirar no mensageiro porque não quer que a verdade seja revelada, incluindo informações sobre as suas próprias negociações diplomáticas e políticas.

Houve alguma resposta por parte do governo australiano às inúmeras ameaças públicas de violência contra mim e outros colaboradores do Wikileaks? Não me parece absurdo supor que a primeira ministra australiana deveria estar defendendo os seus cidadãos de ações dessa natureza, porém, de sua parte, tem havido apenas alegações infundadas de ilegalidade. A Primeira ministra e especialmente o Procurador-Geral deveriam levar a cabo suas obrigações com dignidade e acima das disputas. Que fique claro que esses dois pretendem salvar a própria pele. Eles não conseguirão.

Toda vez que o Wikileaks publica a verdade sobre abusos cometidos pelas agências dos EUA, políticos australianos entoam o coro provavelmente falso com o Departamento de Estado: “Você colocará vidas em risco! Segurança nacional! Você colocará em perigo as nossas tropas!” E então eles dizem que não há nada de importante no que o Wikileaks publica.

Mas as nossas publicações estão longe de serem desimportantes. Os telegramas diplomáticos dos EUA revelam alguns fatos inquietantes:

Os EUA pediram a sua diplomacia para que roubassem material humano (“personal human material”) e informações de oficiais da ONU e grupos de direitos humanos, incluindo DNA, impressões digital, scans de íris, números de cartão de crédito, senhas da internet e fotos de identificação, em violação a tratados internacionais. É provável que diplomatas australianos da ONU também sejam alvos.

O Rei Abdullah da Arabia Saudita pediu aos oficiais dos EUA na Jordânia e Bahrein que interrompam o programa nuclear iraniano a qualquer custo.

A investigação britânica sobre o Iraque foi adulterada para proteger “interesses dos EUA”
A Suécia é um membro secreto da OTAN e a Inteligência dos EUA não divulga suas informações ao parlamento.

Os EUA está forçando a barra para tentar fazer com que outros países recebam detentos libertados de Guantanamo. Barack Obama concordou em encontrar o presidente esloveno apenas se a Eslovênia recebesse um prisioneiro. A nosso vizinho do Pacífico, Kiribati, foi oferecido milhões de dólares para receber detentos.

Em sua decisão histórica no caso dos Documentos do Pentágono, a Suprema Corte Americana disse: “ apenas uma impresa livre e sem amarras pode eficientemente expor fraudes no governo”. A tempestade turbulenta em torno do Wikileaks hoje reforça a necessidade de defender o direito de toda a mídia de revelar a verdade.

Julian Assange é o editor-chefe do Wikileaks
http://blogs.theaustralian.news.com.au/mediadiary/index.php

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CAMPOS DOS GOYTACAZES

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