fulinaíma

domingo, 28 de fevereiro de 2010

Carta aberta ao Companheiro Presidente.






Excelentíssimo Companheiro Presidente,
Aqui em nosso Estado do Rio de Janeiro, especificamente na cidade de Campos dos Goytacazes, muito tem se falado sobre uma nova forma de distribuição das riquezas do petróleo.
Uma riqueza que é de todo povo brasileiro, sabemos, mas que provoca profundos impactos sócio-ambientais nas cidades onde é extraído, pois um monte de gente vem atrás de empregos e uma vida melhor, assim como a Dona Lindu fez, quando trouxe o companheiro presidente e seus irmãos para morar em São Paulo.Imagine se, naquela época, a gente redividisse os repasses de São Paulo, por causa do Maluf?

Possivelmente, o Companheiro teria voltado para Garanhus, e o Brasil ficaria sem o maior presidente de toda História.

Nós sabemos que não temos feito as melhores escolhas para eleger aqueles que devem tomar conta dessa dinheirama toda, isso lá verdade.Mas veja que se com todo esse dinheiro nossa situação é ruim, imagine sem ele. Se faltar esse dinheiro, Excelentíssimo Companheiro Presidente, vai ter que aumentar o Bolsa-Família daqui.

Nós entendemos o "susto" que o Companheiro Presidente quis nos pregar, quando incentivou esse debate sobre a repartição, mas principalmente, sobre o controle sobre esses gastos. Nós entendemos a mensagem, e creio que a comunidade aqui de nossa cidade já entendeu que não basta ter o dinheiro, é preciso garantir que as gerações futuras também herdem os benefícios, e não só o ônus de termos um orçamento milionário.

Companheiro Presidente, os mesmos que desperdiçaram esse montanha de recursos, agora querem se fazer de heróis da resistência, e novamente, enganar o povo, quando sabem que não são eles que sensibilizarão o companheiro a tomar sua decisão, que inclusive, imaginamos já ter sido tomada.Um estadista como o Companheiro nunca tomará de uns para dar a outros, ainda mais quando o pré-sal aponta para a possibilidade de espalhar pelo país os benefícios do petróleo, através de fundos e do controle social.

Nós sabemos que o Companheiro é o Presidente da inclusão, NUNCA da exclusão. Nós sabemos que com sua inteligência e "traquejo sindical", que o consolidaram como hábil negociador, o Companheiro Presidente colocou a discussão no ar, justamente, para que entendamos a importância dos recursos que já dispomos, e da necessidade de dividir os royalties futuros.

Ou seja, como não se pode ganhar tudo, ficamos com o que temos, e abrimos mão do pré-sal. É justo, ainda mais se considerarmos que, até hoje, nossa gestão foi uma vergonha.

Mas com sua ajuda, com a ajuda da controladoria geral da União, e de outros órgãos fiscalizadores, temos certeza que acordaremos desse berço esplêndido, e construiremos uma alternativa de poder que varra de uma vez, do nosso mapa, os que colocaram nosso futuro em risco.

Esse é nosso compromisso, do PT, seu partido, dos partidos aliados, e de todos os homens e mulheres de bem dessa cidade.

Tomamos a liberdade de disponibilizar seu e-mail de contato, para que mais gente lhe envie esse texto. https://sistema.planalto.gov.br/falepr2/index.php
Um abraço cordial do Núcleo Lenilson Chaves do PT/Campos dos Goytacazes.

sábado, 27 de fevereiro de 2010

Roberto Piva

Foto: Juvenal Pereira

Sábado, dia 6 de março, vai rolar evento no b_arco galeria para arrecadar grana para Roberto Piva, lenda viva da poesia brasileira. Uma turma porreta lendo poemas dele, tocando e cantando para desanuviar o ambiente: Claudio Willer, João Silvério Trevisan, Mário Bortolotto, Lourenço Mutarelli, Celso de Alencar, Antonio Fernando de Franceschi, Roberto Bicelli, Rodrigo de Haro, Gustavo Benini, Joca Reiners Terron, Marcelino Freire, Xico Sá, Frederico Barbosa, Nelson de Oliveira, Claudio Daniel, Marsicano, Edvaldo Santana, Oswaldo Rodrigues, Fabio Weintraub e este espeluqueiro. Não vai ser cobrado ingresso. Serão recolhidas doações em dinheiro. Livros serão vendidos com a renda toda revertida pra ele. Piva fez uma angioplastia recentemente, ficou internado algumas semanas no HC. Agora está bem, mas precisa de grana pro tratamento. Bora dar uma força.

Pontal - Projeto

muda

a memória sai da toca
sobe pela palafita
ainda escorrendo lama
e me fita
com olhos de caranguejo
entre as tábuas do piso
do bar do espanhol
quando o pontal era ponta
tinha fé de igreja
e luz de farol

na boca do mangue
passei minha rede de arrasto
mas só peguei filhotes de bagre
que me ferraram o pé
ao chutá-los de volta à água
até que pedro me ensinou
a pegar pitu de mão
entre raízes do mato
na beira do alagadiço

hoje passo no mangue
e não piso na lama
mas na asfixia lenta
dos aterros do homem
e do avanço do mar
perto das ilhas da convivência e pessanha
siamesas da mesma terra
onde ficou minha casca da muda
de caranguejo a espera-maré

atafona, 06/2000
aluisio abreu barbosa

INTRODUÇÃO

Desde tempos remotos o Pontal de Atafona sensibiliza e afeiçoa aqueles que o conhecem. Oriundo da confluência do rio com o mar é na realidade um resquício do que foi um dia a foz deltaica do rio Paraíba do Sul. Em constante movimento este delta, com suas ilhas da Convivência e Pessanha; com seus pescadores loiros e de olhos azuis, supostamente de origem holandesa, possibilita uma paisagem única a cada momento que se a observa. Há muito, sanjoanenses e turistas, em especial os campistas, que fizeram de Atafona e Grussaí parte de sua terra natal, nutrem por esta ponta de areia um carinho todo especial, assim como pela lua cheia nas noites claras de verão.

Embora mantenha a mesma energia, o Pontal não tem mais a magia de outrora. Com o desvio de suas águas para alimentar o sistema Guandu, o Paraíba perdeu dois ter-ços de sua vazão e consequentemente sua força no embate com o mar, que mais avança, a retomar o que um dia lhe pertenceu. Nostálgicos, ficamos a reviver os momentos vividos num pontal em sua plenitude.

Muitos causos e conversas de pescadores são rememorados por todos aqueles que têm o Pontal na memória. Muitos fatos, ficcionais ou não, são eternizados em linguagem poética por aqueles que têm o dom da palavra ou da estética visual. O certo é que o pontal grita por socorro em nossos corações e mentes.

Traduzir nosso amor pelo pontal através da poesia de Aluysio Abreu Barbosa, Artur Gomes e Adriana Medeiros é a forma que encontramos de clamar pela busca de uma alternativa para preservá-lo. Sabemos que a questão possui uma ordem de grandeza que está muito além de nossa possibilidade de resolvê-la. Mas entendemos que nós, atafonenses de nascimento ou de coração temos por obrigação lançar este grito de alerta na busca da preservação de nosso habitat. Muitos são os exemplos das lutas que foram vencidas com o uso da palavra. Acreditamos que também assim devemos proceder: sensibilizando a comunidade, os turistas e o poder público em todas as suas instâncias.

O projeto em tela, mais que um manifesto é uma declaração de amor ao pontal, com a qual pretendemos resgatar na memória de todos a importância do Pontal não somente em nossas vidas, mas também nas de nossos ancestrais e quiçá nas de nossos descendentes, pois

“aqui onde rio e mar se beijam.
Aqui no fim do mundo
onde terra e céu se abraçam
num ato sexual,

aqui no fim do dia
um barco preso na corda
um peixe preso no anjol
a terra varrida ao vento
casas varridas ao temporal

aqui no mesmo teto
pássaros sobre os calcanhares
homens sobre os girassóis
onde rio e mar se beijão
re-nascem nossos filhos
quando terra e céu se abraçam
sem ter nem mães nem pais

onde o teu refúgio
é nu / meu peito aflito
e a minha solidão
no teu corpo é paz

artur gomes
In Ato 5 - Grupo Universo 1979

PROJETO DE MONTAGEM

O ORÁCULO - Centro de Educação Continuada e de Qualificação Profissional , afeita ao seu mister precípuo, tendo produzido através do Oráculo Produções diversas atividades teatrais, entre as quais a montagem dos espetáculos “MEDÉIA”, de Eurípedes e “CONSELHO DE CLASSE”, de Adriano Moura, propõe a montagem do espetáculo “PONTAL”, coletânea poética de Aluysio Abreu Barbosa, com co-autoria de Adriana Medeiros, Antonio Roberto Kapi e Artur Gomes, que será apresentada sob a forma de recital teatralizado, pelos atores campistas Yve Carvalho, Sidney Navarro e Artur Gomes. O texto em pauta é composto por quinze poemas de Alusyo Abreu Barbosa, um de Adriana Medeiros, dois de Artur Gomes e dois de Antônio Roberto(Kapi) totalizando vinte poemas que contextualizam o universo atafonense, mais especificamente o Pontal.

ARGUMENTO

Três pescadores dão início à lida adentrando o mar, onde jogam a tarrafa em busca de sustento. Enquanto aguardam os peixes caírem na rede, contam causos, rememoram fatos, distraindo o tempo e refletem sobre as desventuras de suas vidas e de seu habitat.

CONCEPÇÃO CÊNICA

A partir de uma interpretação alegórica do texto, concebemos uma montagem lúdica em que o uso de uma interpretação calcada no simbolismo nos permita uma depuração das sutilezas inerentes ao tema em foco. Entendendo a vida como um norteamento, em que a busca de respostas para a grande pergunta, que o próprio sentido da vida, não encontra bússola, vemos os personagens como sendo a personificação alegórica de Fernando Pessoa ao escrever “Navegar é preciso, viver não é preciso” .

CONCEPÇÃO CENOGRÁFICA

Tendo por espaço cênico o Bar do Bambu, último reduto boêmio do pontal, a concepção cenográfica pretende-se também simbolista na ocupação do espaço, como forma de possibilitar uma interação entre o espetáculo e o público, de forma que este, através da poesia faça uma viagem ao pontal que existe dentro de cada um.

CONCEPÇÃO DE FIGURINO

Pretendendo ressaltar os aspectos lúdicos inerentes ao texto, o figurino será realista. Desta forma possibilitar-se-á o entendimento de que o texto que se apresenta embora traga questiona-mentos existenciais é a tradução dos sentimentos do homem comum. Os personagens são reais, mas suas leituras de mundo beiram ao absurdo para o senso comum.

CONCEPÇÃO DE LUZ

Buscando uma consonância com a concepção cenográfica, para valorizar a concepção cênica, pretendemos uma luz minimalista, usando para tanto técnicas de luz expressionistas, com o que, a partir do uso de lampiões e lamparinas, obter-se-á maior densidade dramática com o uso do jogo claro/escuro na cena.

CONCEPÇÃO SONORA

Da mesma forma que a concepção de luz, a sonora, no intuito de emprestar uma certa ludicidade à montagem e ao mesmo infundir no público uma dimensão intimista do espetáculo, optamos por usar músicas compostas a partir dos textos que compõe o espetáculo e fragmentos de interferências sonoras que sublinhem a densidade dramática de cada poema cada.

FICHA TÉCNICA

Autores: Aluysio Abreu Barbosa
Antonio Roberto Kapi
Artur Gomes
Adriana Medeiros

Intérpretes: Yve Carvalho
Sideney Navarro
Artur Gomes

Trilha Sonora: Saullo Oliveira
Marcelo Crispim

Ambientação: Neivaldo Bambu

Produção: O Grupo

Direção e Iluminação: Antonio Roberto Kapi

pontal.foto.grafia

Aqui,
redes em pânico
pescam esqueletos no mar
esquadras - descobrimento
espinhas de peixe convento
cabrálias esperas
relento
escamas secas no prato
e um cheiro podre no AR

caranguejos explodem
mangues em pólvora
Ovo de Colombo quebrado
areia branca inferno livre
Rimbaud - África virgem
carne na cruz dos escombros
trapos balançam varais
telhados bóiam nas ondas
tijolos afundando náufragos
último suspiro da bomba
na boca incerta da barra
esgoto fétido do mundo
grafando lentes na marra
imagens daqui saqueadas
Jerusalém pagã visitada
Atafona.Pontal.Grussaí
as crianças são testemunhas:
Jesus Cristo não passou por aqui

Miles Davis fisgou na agulha
Oscar no foco de palha
cobra de vidro sangue na fagulha
carne de peixe maracangalha
que mar eu bebo na telha
que a minha língua não tralha?
penúltima dose de pólvora
palmeira subindo a maralha
punhal trincheira na trilha
cortando o pano a navalha
fatal daqui Pernambuco
Atafona.Pontal.Grussaí
as crianças são testemunhas:
Mallarmè passou por aqui.

bebo teu fato em fogo
punhal na ova do bar
palhoças ao sol fevereiro
aluga-se teu brejo no mar
o preço nem Deus nem sabre
sementes de bagre no porto
a porca no sujo quintal
plástico de lixo nos mangues
que mar eu bebo afinal?

Artur Gomes
http://juras-secretas.blogspot.com/

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Intervenção federal no DF é cercada de polêmica

Maria Carolina Marcello
Em Brasília - fonte: www.uol.com.br

A crise política que atinge o Distrito Federal, cujo comando passou pela mão de três governadores em 12 dias, abre caminho para uma intervenção federal no DF.
Leia também

Comissão especial aprova abertura de processo de impeachment de Arruda na Câmara do DF
Deputados envolvidos no mensalão do DEM já podem ser notificados
Quatro advogados de Arruda deixam o caso
Corrupção é um problema endêmico no país, diz advogado-geral da União

O tema é cercado de discussões jurídicas que provocam um clima de indefinição. Encaminhado pelo procurador-geral da República, Roberto Gurgel, o pedido de intervenção será julgado pelo Supremo Tribunal Federal. Não há, no entanto, data para que a STF analise o caso.

A demanda de Gurgel é extensiva aos poderes Executivo e Legislativo. A intervenção se justificaria, de acordo com a Constituição, para "por termo a grave comprometimento da ordem pública", "garantir o exercício de qualquer dos poderes nas Unidades da Federação" e "reorganizar as finanças da unidade da Federação", entre outros.

O relator do processo e presidente do STF, ministro Gilmar Mendes, aguarda que a Câmara Legislativa envie informações para dar seguimento ao processo. A Casa tem até a próxima segunda-feira para encaminhar os dados.

Para o presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Ophir Cavalcante, a situação de "desequilíbrio institucional" exige agilidade no julgamento do pedido de intervenção pelo STF.

"Há uma urgência em que se faça essa análise. É preciso tirar essa espada do pescoço de Brasília. Não há certeza sobre quem vai governar o DF", afirmou.

Enquanto a OAB nacional prega urgência, a OAB-DF defende que a crise no DF não é suficiente para preencher os requisitos necessários a uma intervenção. Tanto é que, na última quarta-feira, o presidente da Ordem no DF, Francisco Caputo, anunciou movimento "suprapartidário" contra a medida.

O cientista político David Fleischer, da Universidade de Brasília (UnB), se posiciona a favor da medida.

Se o Supremo autorizar, será a primeira vez, desde 1956, que um Estado sofre intervenção federal. Na década de 1950, a medida foi motivada por um tiroteio na Assembléia Legislativa de Alagoas, onde tramitava um pedido de impeachment contra o então governador, Muniz Falcão, do Partido Social Progressista (PSP).

"A intervenção se justifica quando há total quebra do Estado de Direito, ou em termos de corrupção generalizada. Esse é o caso de Brasília. É muito provável uma intervenção no DF na primeira quinzena de março", avaliou.

Também o presidente da Associação Nacional dos Procuradores da República, Antônio Carlos Bigonha, acredita na necessidade do mecanismo.
"Nós consideramos que a intervenção é o único remédio capaz de sanar os males da corrupção na cidade. É muito forte, porém necessário para a doença que atacou o DF", afirmou Bigonha.
Intervenção não atrapalha Congresso

Durante sua vigência, o mecanismo impede a votação pelo Congresso de propostas de emendas à Constituição. Hoje, estão em discussão PECs como a que prevê reduzir a jornada de trabalho para 40 horas, a que efetiva titulares de cartório não concursados e a que estabelece piso nacional para policiais e bombeiros militares.

Além do pedido de intervenção federal no DF, há outros 128 processos da mesma natureza em tramitação no STF, mas ao contrário da situação do DF, a maioria deles se refere à execução de pagamentos de precatórios, medidas judiciais de obrigatoriedade de pagamento de dívida pelos Estados.

Outro ponto discutível no âmbito jurídico, segundo Cavalcante, da OAB nacional, é a composição da linha sucessória determinada pela Lei Orgânica do DF. Ao contrário da Constituição Federal, a legislação distrital inclui o vice-presidente na Câmara Legislativa na sequência.

A Constituição também prevê eleições indiretas em 30 dias se os cargos de governador e vice estiverem vagos. Mas, em teoria, o posto de governador não está vago, José Roberto Arruda está apenas licenciado.

A crise no DF começou em novembro com as denúncias de corrupção que atingiram Arruda (sem partido), preso na Polícia Federal desde 11 de fevereiro por obstrução da Justiça.

Em seu lugar assumiu o vice, Paulo Octávio, também envolvido no escândalo e que, por falta de apoio político, inclusive de seu partido, renunciou na terça-feira, deixando também o
Democratas. Assumiu o presidente da Câmara Legislativo, Wilson Lima (PR), aliado de Arruda.

Comissão do Legislativo aprovou nesta sexta-feira abertura de processo de impeachment contra Arruda, que deve percorrer agora várias etapas. Outros três pedidos que pesavam sobre Paulo Octávio foram arquivados depois da renúncia.

Octávio, Arruda e pelo menos oito deputados distritais estão envolvidos em investigação da Polícia Federal sobre suposto esquema de distribuição de propina a parlamentares e integrantes do governo do DF.

III Semana da Poesia - Rio de Janeiro
14 a 21 de março de 2010
Os Poetas estão Vivos

O poeta é a antena da raça
Ezra Pound

Acreditamos que seja o momento de se fazer um novo registro histórico da poesia que se faz hoje. A Poesia do século XXI está em pé, experimenta novas aderências e se liberta das prateleiras. O poema ganha voz, corpo e movimento.

O Rio de Janeiro inspira e respira poesia o ano inteiro. Cerca de 40 saraus acontecem todo mês no Estado. Além disso, é crescente o número de atividades culturais: lançamentos de livros, concursos literários, cursos, workshops e oficinas, e até shows musicais com intervenções poéticas.

Nenhuma fórmula para a contemporânea expressão do mundo.
Ver com olhos livres. (Manifesto Poesia Pau-Brasil)
Oswald de Andrade em 18 de março de 1924

Em março se comemoram duas datas da Poesia: o Dia Nacional (14/03) e o Dia Mundial da Poesia, proclamado pela UNESCO (21/03).

Diante deste cenário, a Semana da Poesia – Rio de Janeiro vem pelo terceiro ano consecutivo celebrar a palavra escrita, falada, cantada e performatizada. Uma semana de atrações, com os principais agitadores da poesia, mostrando as tendências e vertentes que já vigoram na cena cultural carioca, com apresentações de poemas na voz dos poetas vivos e dos amantes da poesia.

O evento propõe valorizar a diversidade artística brasileira, mesclar sotaques e culturas, abrir espaço para a fusão das artes tendo a poesia como fio condutor.

A idéia é rechear a semana, de 14 a 21 de março, com atividades integradas que visem promover e incentivar o hábito da leitura, democratizar a arte, divulgar nossos poetas atuais e manter presente na memória os grandes nomes da literatura brasileira.

É preciso mostrar que a poesia pode estar no dia-a dia das pessoas. Propomos que o Movimento Poético ocupe os espaços culturais, que os livros dos poetas contemporâneos ocupem as vitrines das livrarias, que seus poemas sejam incluídos nos livros didáticos e estudados nas escolas. E que as grandes editoras os publiquem.

Em 2009, homenageamos Vinicius de Moraes. A III Semana da Poesia irá celebrar o encontro da poesia com a música, fazendo uma homenagem a dois artistas de personalidade marcante e atuação múltipla, cuja obra é referência e atrai seguidores até hoje: o poeta da contra-cultura Paulo Leminski e o cantor Ícone que atravessa gerações, Cazuza, por ocasião dos 20 anos da sua partida.

Além dos saraus em espaços culturais, bares e livrarias, teremos um Luarau (luau + sarau) no Arpoador com café-da-manhã poético, uma Feijoada da Poesia, eventos ao ar livre, lançamentos de livros e apresentações em escolas.

O Rio é uma Festa!
Reveillon, Carnaval, e já é a Semana da Poesia.
http://www.semanadapoesiario.blogspot.com/

Realização:
Elllas & Monstros
http://www.elllaseosmonstros.blogspot.com/

Biodanza e Poesia
http://www.poesiaebiodanza.blogspot.com/
Oficina de Literatura Cairo Trindade
http://www.cairotrindade.com/

Produção:
Clauky Boom
clauky@gmail.com
21 9878-6622
Sheyla de Castilho
sheyladecastilho@hotmail.com

Clauky Boom: Poeta sobretudo. Multiartista: atriz, cantora, produtora cultural e publicitária. Nasceu em Londres, no ano de 1971, sob o signo de leão. Militante do Movimento de Poesia Contemporânea do Rio de Janeiro, desde 2000, atua no universo da poesia, da música e do teatro. Coordenou por dois anos o sarau Movimento inVerso, em Ipanema. Atualmente, produz e se apresenta com o grupo performático Elllas & Os Monstros. Mantém o blog de poemas, Arte em Toda a Parte, e o blog de divulgação de eventos culturais, inDicas do inVerso, além do blog poético do grupo. Tem poemas publicados na antologia HIPER da Oficina Literário Cairo Trindade e está com seu livro de poemas pronto para publicar.
http://www.arteemtodaparte.blogspot.com/
http://www.movimentoinverso.blogspot.com/
http://www.elllaseosmonstros.blogspot.com/

Sheyla de Castilho: Mineira, mas radicada no Rio de Janeiro desde 1995, é produtora de eventos culturais e agenciadora de artistas, cenógrafa de palcos e shows é também escritora, atua no movimento poético do Rio de Janeiro desde 2001. Participa dos grupos poéticos e performáticos Orkestra Mega(bit)Fônica (poesia em megafones), do Coletivo Novos Uivos, dos performáticos e musicais Ele, Ella e uma dElllas e do Elllas & os Monstros. É autora do blog de poemas e prosas poéticas Aliciamentos e Alucinações e co-autora dos blogs Psi-lên-cio, Falópios e Elllas & Os Monstros. Prepara a publicação de seu primeiro livro de poemas, prosas poéticas e pequenos contos.
http://www.aliciamentosealucinacoes.blogspot.com/
http://www.psil-en-cio.blogspot.com/
http://www.falopios.blogspot.com/

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010







I Fórum Vale Poético
13 a 28 março no Vale do Paraíba
Maiores informações: valepoetico@gmail.com

jura secreta 104

cachorro doido por ser de agosto
e ter o gosto de morder o ventre/lua
quando nua te desejo praia

lanço a rede em teu olhar
te engravido arraia
e te mergulho mar

Artur Gomes
http://juras-secretas.blogspot.com/
SampleAndo
o poema pode ser um beijo em tua boca carne de maçã em maio um tiro oculto sob o céu aberto estrelas de neon em vênus refletindo pregos no meu peito em cruz na paulista consolação da na água branca barra funda metal de prata desta lua que me inunda num beijo sujo como a estação da luz
nos vídeos/filmes de TV eu quero um clipe nos teus seios quentes uma cilada em tuas coxas japa como uma flecha em tuas costas índia ninja gueixa eu quero a rota teu país ou mapa teu território devastar inteiro como uma vela ao mar de fevereiro molhar teu cio e me esquecer na lapa

Lady Gumes African's Baby
meto meus dedos cínicosno teu corpo em fossa proclamando o que ainda possa vir a ser surpresa porque amor não tem essade cumer na mesa é caçador e caça mastigando na floresta todo tesão que resta desta pátria indefesa ponho meus dedos cínicos sobre tuas costas vou lambendo bostas destas botas NeoBurguesas porque meu amor não tem essa de vir a ser surpresa é língua suja grossa visceral ilesa pra lamber tudo que possa vomitar na mesa e me livrar da míngua dessa língua portuguesa.

antLírica
eu não sou zen muito menos zhô nem tão pouco zapa nem ando na contra capa do teu disquinho digital não alinho pela esquerda nem à direita do fonema vôo no centro/viagem olho rasante/miragem veia pulsante/poema

PÁTRIA(R)MADA
só me queira assim caçado mestiço vadio latino leão feroz cão danado perturbando o seu destino
e só me queira encapetado profanando àqueles hinos malandro, moleque, safado depravando os seus meninos
só me queira enfeitiçado veloz, macio, felino em pêlo nu depravado em sua cama sol a pino
e só me queira desalmado cão algoz e assassino duplamente descarado quando escrevo e não assino

Gomes&Gumes

todo poema tem dois gomes toda faca tem dois gumes de um eu não digo os nomes da outra não mostro os lumes se um corta com palavras a outra com corte mesmo se um é produto da fala a outra do ódio a esmo
todo poema tem dois gomes toda faca tem dois gumes e um amor cego nas asas brilhante de vagalumes se em um a linguagem é sacana na outra o corte é estrume todo poema tem dois gomes toda faca tem dois gumes
se em um peixe é palavra na outra o brilho é cardume é fio estrela na lavra mal cheiro vício costume de um eu não digo os nomes da outra não mostro os lumes
se em um a coisa é sagrada ofício provindo das vísceras na outra a fé é lacrada hóstia servida nas missas se em um é cebola cortada aroma palavra carniça na outra o ferro, é tempero fé cega - fome amolada– poema é só desespero

Poema dois
a tarde morre quando estou de frente ao cais
quando estou de frente ao cais a tarde não morre a noite faz
arturgomes
In carNavalha Gumes, Brazilîrica Pereira: A Traição das Metárforas, Couro Cru & Carne Viva e 20 Poemas com Gosto de JardiNÓpolis & Uma Canção com Sabor de Campos

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Artur: faca de vários gumes

arturgomes: - http://collagensfulinaimicas.blogspot.com/


Por Adriano Moura , em 23-11-2009
http://www.fmanha.com.br/


ALGUMA POESIA

não. não bastaria a poesia deste bonde que despenca lua nos meus cílios
num trapézio de pingentes onde a lapa carregada de pivetes nos seus arcos
ferindo a fria noite como um tapa
vai fazendo amor por entre os trilhos.

não. não bastaria a poesia cristalina
se rasgando o corpo estão muitas meninas
tentando a sorte em cada porta de metrô.
e nós poetas desvendando palavrinhas
vamos dançando uma vertigem
no tal circo voador.

não. não bastaria todo riso pelas praças
nem o amor que os pombos tecem pelos milhos
com os pardais despedaçando nas vidraças
e as mulheres cuidando dos seus filhos.

não bastaria delirar Copacabana
e esta coisa de sal que não me engana
a lua na carne navalhando um charme gay
e uma cheiro de fêmea no ar devorador

aparentando realismo hiper-moderno,
num corpo de anjo que não foi meu deus quem fez
esse gosto de coisa do inferno
como provar do amor no posto seis
numa cósmica e profana poesia
entre as pedras e o mar do Arpoador
uma mistura de feitiço e fantasia
em altas ondas de mistérios que são vossos

não. não bastaria toda poesia
que eu trago em minha alma um tanto porca,
este postal com uma imagem meio Lorca:
um bondinho aterrizando lá na Urca
e esta cidade deitando água em meus destroços
pois se o cristo redentor deixasse a pedra
na certa nunca mais rezaria padre-nossos
e na certa só faria poesia com os meus ossos.

Artur Gomes

In Couro Cru & Carne Viva


Prêmio Internacional de Poesia – Quebec – Canadá 1987
Poeta, ator, produtor, compositor, agente cultural, inquieto “cachorro doido”. É impossível falar da poesia de Campos dos Goytacazes sem mencionar um de seus principais militantes. Artur é um tipo de poeta sem “papas”, mas com “farpas” na língua. Seu texto é cortante da vertente política à amorosa. Artur é musical, intertextual.


Seus poemas pertencem a uma classe específica: a dos que precisam também ser falados em voz alta. Não é um poeta apenas para estantes, mas para o palco, bares, ruas, etc. E assim faz o poeta, que freqüenta várias cidades do Brasil declamando seus textos, participando de mostras e festivais.


Em Campos, foram muitos os eventos e as performances produzidos por ele. Desde mostras visuais de poesia brasileira a happening em ônibus e bares.


O poema acima apresenta um eu-poético deslizando pelos prazeres e paisagens da urbana Rio de Janeiro dos anos 80. O verso conciso é também carregado de imagens sonoras seqüenciadas em rimas com aliterações e assonâncias como “porca” “Lorca” “Urca”. Esse recurso aparece com freqüência em outros textos do poeta. Será uma das razões de tantas parcerias de Artur Gomes com músicos como Paulo Ciranda e Luiz Ribeiro?


Collagem Fulinaímica
para Camilla Maria Lontra Costa

uma lâmina d´água do rio
atravessa o rio que atravesso
avesso aos escombros na areia
fosse essa vida - algum deserto
o amor estando longe estando perto
beberia fundo o que em teus olhos passeia

enquanto foto grafo esta paisagem
deste mar de caos que agora bebo
com a língua explodindo aqui na boca
e tua pele quando flor à flor da pele
pelo pouco sendo o muito que revele
o amor é esta febre insana e louca

Artur Gomes
http://collagensfulinaimicas.blogspot.com/

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Pontal Multimídia volta a Tela da TV

Por Aluisio Abreu Barbosa
http://www.fmanha.com.br

Sucesso superior às previsões mais otimistas de diretor, autores e atores, o espetáculo “Pontal” continua a desaguar sua confluência de águas entre teatro e poesia. Encerrada a temporada no Bar do Bambu, em Atafona, a gravação da apresentação do dia 5, talvez a melhor entre as nove encenações e certamente a que contou com maior público, reforçada pela interpretação de Artur Gomes (aqui), será exibida pela Plena TV, canal 21 da Via Cabo.

Amanhã, sábado, dia 20, a exibição ocorre às 17h, 20h e 23h; no domingo, dia 21, às 10h, 17h, e 23h. Na semana seguinte, vai ao ar na sexta-feira, dia 26, às 13h, 20h e 23h; além do sábado, dia 27, às 17h, 20h e 23h; e do domingo, dia 28, às 10h, 17h e 23h.

Além disso, na próxima quinta-feira, dia 25, a gravação será apresentada, a partir das 21h, no Bar-bearia (ou Bar do Nico), na av. Alair Ferreira, prolongamento da av. 28 de Março, nº 304, no lançamento do projeto Cine de Quinta. Antes de “Pontal”, serão exibidos também os curtas “Efígie”, de Carlos Alberto Bisogno, e “Consumatum”, de Luiza Magalhães. Ambos têm o ator Yve Carvalho no elenco, que organiza o projeto e interpretou “Pontal”, ao lado de Sidney Carvalho e Artur, todos sob direção de Antonio Roberto Kapi (aqui).

Outro dado relevante é que com a entrada do Artur, na última semana, também como ator, outro poema seu acabou integrando o espetáculo, em substituição a “órbita de hal”, de minha autoria. A “Pontal”, poema escrito por Gomes nos anos 70, se somou “pontal.foto.grafia”, visão do poeta da mesma faixa de areia entre o rio Paraíba do Sul e o oceano Atlântico, mas após o avanço deste, duas décadas depois.

Como todos os poemas que compuseram as seis primeiras encenações já foram devidamente transcritos neste blog (aqui), seguem abaixo os novos versos que passaram a fazer parte da peça junto com a interpretação de Artur…

pontal.foto.grafia

Aqui,
redes em pânico
pescam esqueletos no mar
esquadras – descobrimento
espinhas de peixe convento
cabrálias esperas
relento
escamas secas no prato
e um cheiro podre no
AR

caranguejos explodem mangues em pólvora
Ovo de Colombo quebrado
areia branca inferno livre
Rimbaud — África virgem
carne na cruz dos escombros
trapos balançam varais
telhados bóiam nas ondas
tijolos afundando náufragos
último suspiro da bomba
na boca incerta da barra
esgoto fétido do mundo
grafando lentes na marra
imagens daqui saqueadas
Jerusalém pagã visitada
Atafona.Pontal.Grussaí
as crianças são testemunhas:
Jesus Cristo não passou por aqui

Miles Davis fisgou na agulha
Oscar no foco de palha
cobra de vidro sangue na fagulha
carne de peixe maracangalha
que mar eu bebo na telha
que a minha língua não tralha?
penúltima dose de pólvora
palmeira subindo a maralha
punhal trincheira na trilha
cortando o pano a navalha
fatal daqui Pernambuco
Atafona.Pontal.Grussaí
as crianças são testemunhas:
Mallarmè passou por aqui.

bebo teu fato em fogo
punhal na ova do bar
palhoças ao sol fevereiro
aluga-se teu brejo no mar
o preço nem Deus nem sabre
sementes de bagre no porto
a porca no sujo quintal
plástico de lixo nos mangues
que mar eu bebo afinal?

Pontal ´Flashes de Leonardo Berenger

Por Aluyisio Abreu Barbosa
http://www.fmanha.com.br

Pelo olhar do repórter-fotográfico Leonardo Berenger, seguem abaixo mais alguns flashes de “Pontal”, numa noite de lua minguante de sexta-feira, no dia 5 deste mês. Penúltimo dia de exibição da peça, foi também a que contou com maior número de público, reunindo cerca de 120 pessoas à foz do rio Paraíba do Sul, onde puderam comprovar como entrada em cena de Artur Gomes (aqui), ao lado de Yve Carvalho e Sidney Navarro, contribuiu para elevar ainda mais o nível do espetáculo.








































































































































sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Edvaldo Santana ao Vivo


Vale Poético – Março 2010 - aguardem mais informações
http://multiartecultura.blogspot.com/

Pontal Atafona


EDVALDO SANTANA AO VIVO O cantor, compositor e violonista paulistano Edvaldo Santana, com sua voz e seu suingue inconfundíveis, está na estrada com seu primeiro álbum gravado ao vivo, EDVALDO SANTANA AO VIVO, lançado em dezembro de 2009. A Sala Adoniran Barbosa do Centro Cultural São Paulo recebe o músico e sua banda em 21 de fevereiro. Baseado nas músicas de seus discos anteriores registrados em estúdio, o CD contém, por exemplo, “Lobo Solitário” (do álbum “Lobo Solitário”, 1993), “Cara Carol” (de “Tá Assustado?”, 1995), “Samba de Trem” (de “Edvaldo Santana”, 1999), “O Jogador” (de “Amor de Periferia”, 2004) e “Quem é que não Quer Ser Feliz” (de “Reserva de Alegria”, 2006).

Uma produção independente, EDVALDO SANTANA AO VIVO passeia pelos vários gêneros que sua obra comporta – blues, choro, rock, salsa, samba, sempre dosados de um modo autoral, particular – e apresenta uma síntese do trabalho que ele desenvolve há anos. As músicas ganharam novos arranjos e adquiriram a alegria e a espontaneidade que só uma gravação ao vivo é capaz de oferecer. “Sentia necessidade de gravar esse álbum por ainda não ter um registro ao vivo”, diz Santana. A discografia do artista remonta a 1976, com a banda Matéria Prima – o primeiro trabalho solo é “Lobo Solitário”, de 1993. As captações sonoras foram realizadas em 19, 20 e 21 de junho de 2009 no Teatro Fecap, em São Paulo. Santana não esconde que uma certa tensão o acompanhou durante os três dias de gravação. “Não podíamos errar. E é claro que se não ficasse com um áudio legal não lançaríamos o disco. Os anjos da arte foram bastante generosos.” Além disso, os músicos – o guitarrista Luiz Waack, o percussionista Ricardo Garcia e o baixista Reinaldo Chulapa – lidaram com uma plateia diferente daquela a que estão acostumados. “Tivemos de cativar o público. E a energia que rolou foi muito forte. Tocamos muito bem, apesar de poucos ensaios. Acredito que esse formato semiacústico trouxe uma sonoridade original para o trabalho que desenvolvo”, afirma. O violão de Santana surge mais contundente que nas gravações em estúdio. São canções que representam a trajetória e a diversidade estética do artista, avesso a rótulos e acostumado a percorrer tanto o universo da poesia concreta como o da literatura de cordel. “Sou (do bairro) de São Miguel (Paulista), mas também ouço os caras de Liverpool, de Woodstock, da Bahia.”
EDVALDO SANTANA AO VIVO conta com a participação especial da sambista Dona Inah em “Luana de Maio” e traz duas músicas inéditas. Cantada à capela, “Santa Clara (Sacadura Cabral)” é um agradecimento a santa Clara pelo sol no dia em que foi gravado o clipe de “Batelage” (Edvaldo Santana) na comunidade de Sacadura Cabral, em Santo André. A faixa-bônus “O Goleiro”, homenagem a Barbosa, Mão de Onça e Gilson, foi gravada recentemente em estúdio e tem como convidado o sanfoneiro Antonio Bombarda. “Sertão e soul, presença e personalidade, voz marcante de cantar contracultivado, Edvaldo Santana enfrenta trovas e trovadores de todos os tamanhos, dos antigos provençais às galáxias urbanas suburbanas. Já tem toda uma história para contar e cantar. Viva no disco ao vivo”, assinala o poeta Augusto de Campos.
Com os mesmos músicos que tocam no disco, Santana executa no Centro Cultural São Paulo repertório mais amplo que o do CD. Ele promete “Batelage”, “Caximbo”, “Dor Elegante”, “Variante” e “Zensider”, entre outras canções.


SERVIÇO – SHOW Dia 21/02/2010 18 horas Centro Cultural São Paulo – Sala Adoniran Barbosa (631 lugares)
Rua Vergueiro, 1.000, São Paulo, SP Fone (11) 3397-4000 R$ 12
(A bilheteria abre duas horas antes do show.)
produção- 29595885- 75897705
imprensa-Mauro Fernando- 96908385- 35012588

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

pontal foto.grafia

foto: artur gomes



Um rio

Era uma vez…
Um rio
Que de tão vazio,
já não era rio
e nem riachão,
tão pouco riacho.

Não era regato,
nem era arroio,
muito menos corgo.

Era uma vez…
um rio
que, de tanta cheia,
já não era rio
e nem ribeirão.

Era mais que Negro,
era mais que Pomba,
era mais que Pedra,
era mais que Pardo,
era mais que Preto,
bem maior ainda
que um rio grande.

Era uma vez…
um rio
que de tão antigo
era temporário,
era obsequente,
era um rio tapado
e antecedente.

Que não tinha foz,
que não tinha leito,
que não tinha margem
e nem afluente,
tão pouco nascente.

Mas que era um rio.

Não era das Velhas,
não era das Almas,
não era das Mortes.

Era um Paraíba,
era um Paraná,
era um rio parado.

Rio de enchentes,
rio de vazantes,
rio de repentes:

Um rio calado:

Sem Pirá-bandeira,
Sem Piracajara,
Sem Piracanjuba.

Em suas águas
não havia Pira
não havia íba,
não havia jica,
não havia juba.

Nem Pirá-andira,
nem Piraiapeva,
nem Pirarucu.

Era um rio assim:
Sem pirá nenhum.
Mas que era um rio.

Era uma vez….
Um rio.

Que, de tão inerte,
Já não era rio.

Não desaguou no mar,
não desaguou num lago,
nem em outro rio.

É um rio antigo,
que de tão contido
não é natureza.

Um dia foi rio,
há muito é represa.

Antônio Roberto( Kapi)

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Pontal no Pontal


Artur Gomes, Yve Carvalho e Sidney Navarro retomam a partir de amanhã o espetáculo “Pontal”, em sua última semana à foz do Paraíba.
Após a estréia em lua crescente, a segunda semana de lua cheia, o espetáculo “Pontal” volta amanhã à cena, no Bar do Bambu, em Atafona, onde fica ainda na sexta e no sábado, sempre com entrada livre e a partir das 21h. Em contraponto à lua minguante, a peça terá o invulgar reforço de Artur Gomes no elenco. Também co-autor, o poeta e ator campista desaguará toda sua conhecida visceralidade na foz do rio Paraíba do Sul, ao lado de Yve Carvalho e Sidney Navarro.
(Aluysio Abreu Barbosa) http://fmanha.com.br/
Uma coletânia contemplando textos de Aluysio Abreu Barbosa, Artur Gomes , Adriana Medeiros e Kapi, sob direção de Kapi e produzido por Aluysio. Espetáculo que veio a termo baseado nas poesias inspiradas no delta do Paraíba, onde o bar do Bambú, um espaço que é a materialização da anarquia, uma espécie de trono da dinastia Neivaldo, que sabe como ninguém permitir o exercício da proatividade, uma ágora a relembrar a Grécia antiga. Nesta arena, os atores Ive Carvalho, Artur Gomes e Sidney Navarro, fingidores de verdade nos conduzem à locomotiva do tempo lógico, onde as poesias servem de trilhos e nos fazem viajar.
Caso queira seguir a dica, quinta, sexta e sábado às 21hs no pontal de Atafona/SJB. (Ricardo Avelino)

Pontal - espetáculo poético.teatral
com poemas de Aluysio Abreu Barbosa, Antônio Roberto
Góis Cavalcanti, Adriana Medeiros e Artur Gomes.

Interpretados por: Artur Gomes, Yve Carvalho e Sidiney Navarro
Direção: Antônio Roberto Góis Cavalcanti(Kapi)
Dias – 4, 5 e 6 fevereiro – 21:00h
Local – Bar do Neivaldo
Pontal – Atafona – São João da Barra-RJ
todos os poemas do espetáculo confira aqui: http://mostravisualdepoesiabrasileira.blogspot.com/

Pontal.Foto.Grafia


(a Ana Augusta Rodrigues)
Aqui
onde rio e mar
se beijam
aqui no fim do mundo
onde terra e céu
se abraçam
num ato sexual.

Aqui
no fim do dia
um barco preso na corda
um peixe preso no anzol
a terra varrida ao vento
casas varridas ao temporal…

Aqui
no mesmo teto
pássaros sobre os calcanhares
homens sobre os girassóis
onde rio e mar se beijam
re-nascem nossos filhos
quando terra e céu se abraçam
sem ter nem mães nem pais
Onde o seu refúgio
é nu / meu peito aflito
e a minha solidão
nu / teu corpo é
paz.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

jura secreta 102


na subida alice
ela me gritou de susto
pedindo a todo custo que ficasse
assim como se fosse amante
do engenho de dentro ainda tenho
um coração que é arte
e nele leio os poemas
que pensei no parque
e agora escrevo o hoje
que ficou no ontem
arturgomes

CAMPOS DOS GOYTACAZES

Quem sou eu

Minha foto
meu coração marçal tupã sangra tupi e rock and roll meu sangue tupiniquim em corpo tupinambá samba jongo maculelê maracatu boi bumbá a veia de curumim é coca cola e guaraná