segunda-feira, 26 de abril de 2010

Estreia Nacional no Festival de Teatro Aberto







O Tablado é uma companhia tipicamente de rua. Seus processos criativos, seu laboratório, sua temática, seus ensaios, tudo feito na rua e a partir da rua. A vivência dos atores nas praças e ruas de São Paulo lhes dota de um discurso contundente, mas ao mesmo tempo informal, inusitado, bem humorado, assim como o nosso povo.

Helena pede perdão e é esbofeteada é a mais nova peça do grupo e sua estréia nacional será no I Festival de Teatro Aberto de Campos. Um privilégio para nós! Vamos ver juntos a última criação do grupo.

Sinopse:
"Helena pede perdão e é esbofeteada" conta a história de Helena e seu marido recém demitido, Augusto, cuja casa é invadida por um outro casal, Mary e Jack. A invasão do casal, mistura de anarquistas com bandidos ou terroristas, funciona como o dispositivo que termina de desestruturar a vida de Augusto e Helena, que, percebendo a sua situação, decidem acompanhar os outros dois em suas propostas de ação. Durante essas ações (pseudo-)terroristas Helena é deixada para trás e expulsa do grupo algumas vezes, mas sempre consegue retornar.

As ditas ações, no entanto, acabam por fracassar completamente, e o grupo se desune novamente, porém com os casais trocados. Helena acaba por se aproximar de Jack, a quem dá um filho, e Mary vai embora junto com Augusto, em busca do ex-chefe dele.

A peça procura misturar os recursos do melodrama e da telenovela aos da peça didática de Brecht, tendo como influências principais alguns filmes de Pedro Almodóvar, alguns de Rainer Werner Fassbinder, assim como as peças didáticas de Bertold Brecht, em especial Aquele que diz sim e aquele que diz não."

Ficha Técnica:
Dramaturgia: Alexandre Dal Farra
Direção Geral: João Otávio
Elenco: Alexandra Tavares
Clayton Mariano
Ligia Oliveira
Vitor Vieira
Cantora: Joana Flor
Vídeomaker: Leila Bana
Direção de Arte: Eduardo Climachauska
Maquiagem: Carolina Costa
Direção Musical: Alexandre Dal Farra

Serviço:
quinta-feira (29/4)
11h - na Praça São Salvador
sexta-feira (30/4)
16h - na Praça São Salvador
Acesse: http://www.centrodepreservacaodocentro.blogspot.com/

sábado, 24 de abril de 2010

O lugar dos sem lugar na poesia

Por Márcio Almeida

(1)Já se escreveu(2) que na quase totalidade de vezes em que se lêem balanços da produção e das tendências da literatura brasileira, mormente da poesia, é comum observar-se desde uma série de (l)imitações ou excessos teóricos e informacionais a um reducionismo compulsivo pressionado pela mídia; ora uma omissão de valores periféricos gravitando no quase anonimato, ora a política tautológica de se impor, pela via acadêmica ou não, autores já consagrados no meio preferencial de leitura, ou emergentes, contextualizados conforme conveniências culturais.

Todas essas clivagens são válidas na medida em que se impõem ao expurgo da poesia do cenário neoliberal capitalista, enriquecem a dialógica, subsidiam a interdisciplinaridade, reconhecem diferenças e fazem resistência no confronto com outras linguagens, que, modismos ou não, mostram-se mais sedutoras ou mesmo didatizáveis. A primeira constatação é de hoje haver mais espaço para a veiculação sobre poesia do que propriamente para o poema, confinado este, quase sem exceção, a jornais do interior e em um nível pouco palatável dada a uma qualidade cujo questionamento é óbvio, cuja tendência é mesmo a de mudar, com a pulverização de faculdades de Ciências Humanas.

Mostrou-se, então, naquele ensaio, serem muitos os riscos decorrentes do rastreamento poético sobretudo se considerada a premissa receptiva: informar o quê e a quem sobre uma dada poesia, de modo a torná-la mais visível e consumida com prazer sem incorrer na pecha de transformá-la em mais uma mercadoria, numa commodity cultural pós-moderna.

No afã de cartografar a poesia os deméritos mais comuns tornam-se crônicos e entre eles são perceptíveis:- a mesmice referencial que se faz canônica;- a constituição de um corpus que omite não apenas nomes, mas valores;- a adoção de metodologia restritiva: academia versus recepção popular;- a mídia como espaço de negociação de preferências em detrimento da negociação como “espectro plural”, “negociação na escolha” de uma “gramática de se afirmar e dizer alguma coisa”;- o “demônio da teoria”, “polícia das letras” (A. Compagnon), que estrangula e limita a recepção, põe o experimentalismo de quarentena, elege, por conveniência acadêmico-didática, e que, simultaneamente, impõe-se como “combate feroz e vivificante que empreende contra as idéias preconcebidas dos estudos literários”;- a queda no argumento da posteridade “restauradora de erros” (Baudelaire), aliando-se teoria ao senso comum;- a suposta denegação da fórmula crítica do “círculo filológico”, por si vicioso, que implica na insistência supostamente massificadora daquilo que já se conhece e que não consegue “devolver o outro à sua alteridade, restituir valores alienados pelo tempo ou pela distância, projeto que corresponda à crítica da razão identificatória [que] não resiste à abordagem descontinuísta que isola as comunidades e os indivíduos em sua identidade” (A. Compagnon);- a evidência de que “as dificuldades da leitura continuam a ser apresentadas como se elas devessem ser resolvidas, e não somente experimentadas pelo leitor, mantido à distância como um empecilho à teoria literária, em nome das ilusões afetiva, referencial e textual” (A. Compagnon);- a crítica produtora de elogios, comprometedores, ainda que consciente do seu “jogo de palavras”: preferir criticar a falácia com inteligência;- a falta de repertório – conjunto de normas sociais, históricas, culturais trazidas pelo leitor como bagagem necessária à sua leitura (W. Iser) em razão da falta de uma pedagogia poético-literária de caráter mais abrangente e mesmo popular, que permita ao leitor assimilar, degustar e optar por textos das vanguardas históricas e da desconstrução das linguagens na contemporaneidade, e a ter acesso à “produção de sentido”, ou seja, à palavra, ao discurso, ao próprio texto;- outros.

Uma vez considerados os riscos, pode-se apontar indicadores na algibeira do saber poético, desde que se tenha por relevante o fato de que mesmo este rastreamento é passível de muitas (l)imitações, além do corpus garantido pela academídia – são obras, autores e direções de leituras escriptíveis, conforme acepção de Barthes: desfamiliarizantes (descontínuas), subversivas, legíveis para gerações coetâneas e futuras, capazes de ampliar os “horizontes de expectativa” (Compagnon) e de constituir, com critérios de valor, um sensus comunis para seu objeto de prazer e reflexão dialógica.

O desejável, nesse sentido, o que, infelizmente, não é feito pela quase totalidade da mídia literária, é contribuir para que o leitor comum se familiarize com novas referências poéticas, amorfas ou latentes, hoje, no espaço extremamente restrito de divulgação da própria poesia. A essa intenção precípua, acrescente-se a ênfase em oferecer ao leitor mais poesia de boa e ignorada qualidade (identificação do estranhamento), que propriamente teoria.

Esta, como leitura a posteriori à experiência poética, contrapondo-se ao princípio absolutista do estilo padrão, modelar, canônico, contribuiria, como sói a este artigo, para informar e formar o hábito de leitura com uma função de “benevolência severa”. A propósito: “Há maneiras bem diversas de dizer coisas muito semelhantes e inversamente, maneiras muito semelhantes de se dizer coisas muito diversas” (Compagnon).Alongamento de “pés quebrados”. Narrativização, autocrítica: um poema muito prosa.

Flora Sussekind faz em “Escalas e ventríloquos”(3) um balanço literário da produção da última década sob “a perspectiva tripla de uma crise de escala, de uma tensão enunciativa e de uma geminação entre econômico e cultural”, o que, segundo a crítica, “se converteriam em premissas dominantes da experiência literária contemporânea”. Na sua leitura, a “variação sistemática de escala”, concomitantemente de expansão e compressão, conduz à identificação de “movimentos de narrativização da lírica de um lado, e de miniturização narrativa do outro”, com a retomada do “poema em prosa e seqüência poética.” No contexto aeróbico em que se alonga o mínimo, tornando-o mais falante, coralizado, diegético, interpõe-se o exercício crítico de correspondências genéricas, mormente com redução da prosa.

Por interessar aqui a poética tem-se, no recorte lírico, como alude Sussekind, tanto o alongamento do que até então prevalecia por influência do concretismo e do minimalismo experimental, como refigurações de formas características da poesia popular – a peleja, o recitativo, o abc, a notação autoreflexiva e um “memoralismo a meia distância”. Sussekind intercala ao cenário poético brasileiro a tensão entre o emprego de uma estrutura sintática linear, compacta, e de formas particulares de supressão. Na conditio pendular da (des)construção, o duplo movimento de autoengendramento e destruição da forma vai caracterizar-se “pela desconfiança de leis formais prévias e por um formato ditado por sua própria lógica interna.” Inseridos nesta tendência estão, segundo a crítica, João Paulo Paes, Wally Salomão, Sebastião Uchoa Leite, Carlito Azevedo, Bernardo de Mendonça, Ângela Melim. Duda Machado, Augusto Massi, João Moura Jr, Rubens Rodrigues Torres Filho, Regis Bonvicino, Júlio Castañon Guimarães, Josely Viana Baptista e um texto como “não”, de Augusto de Campos.

Com base na “passagem de uma moeda de difícil conversão”, cujo câmbio passaria a se apoiar artificialmente numa perda acelerada de reservas, Sussekind justifica “uma espécie de nostalgia” (...) manifesta na vida literária recente pela reafirmação dos cânones, do valor oculto dos grandes nomes e obras, expressa exemplarmente no nome de publicações como Cult ou Bravo e, acrescentaríamos, Orobó, editada por Anelito de Oliveira, Dimensão, editada por Guido Bilharinho, agora fora de circulação, e Ato, editada por Rogério Silva, Wagner Moreira e Camilo Lara, esta, responsável pela sinapse mais inteligente com a produção contemporânea, com a particularidade de absorver, além de poetas “normais”, a inventiva de docentes universitários do país.

Em meio às poucas publicações recomendáveis – e existentes! – Sussekind vai apontar, também, as de caráter comemorativo – de eventos, centenários e mortes, dos suplementos de cultura dos jornais de maior circulação do país, pelo retorno estratégico a uma poética baseada em valores artesanais cultos (vide Bruno Tolentino), ou populares-arcaizantes (vide Ariano Suassuna), supostamente meta-históricos, a um exercício crítico pautado numa espécie de liberdade individual sem outras fronteiras (éticas, acadêmicas, ideológicas.

Sussekind acrescenta a esse rol “o exercício de escuta, o dar voz ao outro, que caracteriza a proliferação de vozes heterogêneas, antagônicas, em que se converte a escrita poética de Francisco Alvim. Ou a tensão entre expressão lírica e enredo policialesco, entre soneto e contrabando, em Paulo Henriques Britto, ou entre forma convencional e dicção antilírica nos sonetos recentes de Glauco Mattoso.”

É oportuno registrar, da leitura de Sussekind, as “composições em eco, de Lu Menezes, as “cisões numa só voz”, em que envolvem o livro enviado num caixão, caso de “Decálogo da classe média”. De Sebastião Nunes, e da dissecação da máquina de escrever em “Cortejo de abril”, de Zulmira Ribeiro Tavares, além do “frasismo que tomou conta desde os jornais aos livros de poemas, como os mais recentes de Manuel de Barros.”

Tudo isso, segundo a crítica, constitui, em nível poético, o “enquadramento histórico e redução ao sentencioso que funcionam como tentativas de reorientação estabilizadora para os dimensionamentos problemáticos, instabilizações, expansões, compressões, e para certa ‘desmedida’ metódica, convertidos, via variações recorrentes de escala, distância e processos de mensuração, em fator constitutivo de uma intensificação autocrítica da prática cultural no panorama brasileiro contemporâneo.”

O lugar dos sem-lugar

No final da década de 90, Heloísa Buarque de Holanda coordenou a seleção de autores enfeixados na antologia Esses poetas, cuja publicação, conforme Ítalo Moriconi(4), determinou intervenções que sempre desarrumam os esquemas estabelecidos pelos escaninhos dos podres literários vigentes, provocando uma reação crítica imediata: “poetastros verborrágicos, porta-vozes de uma pseudo-cultura extra-universitária, ousaram lançar invectivas contra a antologista e tentaram minimizar o valor dos poetas por ela selecionados.”

A antologia tornou-se sucesso de leitura e vendagem, comprovando que o lugar da poesia na contemporaneidade é lugar de atrito e de troca na linguagem, lugar de conflito e negociação entre falas diaspóricas, diz Buarque de Holanda. Em entrevista a Moriconi, a crítica assinalou, em síntese, o seguinte: “Os novos poetas dos 90 eram acusados de reacionários, alienados, consumistas, egocêntricos, xingados. Percebi que havia muitos poetas surgindo e uma dificuldade de se estruturarem projetos. Porque quando começa a aparecer muito poeta, quando aquele campo da cultura começa a vibrar é porque algo está acontecendo.” E questiona: “Qual é a possibilidade de uma participação ainda? Não é verdade que a geração atual seja formada por um bando de consumistas decadentes. Não é verdade que escrevem só para a crítica.” Questionada, em contrapartida, se a geração hodierna é mais negociação e da articulação, Heloísa B. de Holanda posicionou-se: “Negociação é apenas uma gramática mais complicada de se afirmar e de dizer alguma coisa. É imprescindível isso na área política, na área econômica, na área literária, na área sexual.” A definição incorporativa da nova geração numa antologia é por Heloísa Holanda justificada como “uma preocupação violenta com a possibilidade de alguém ainda dizer alguma coisa que participa, que cria um atrito.”

Na antologia Esses poetas, a negociação traz um espectro plural, é uma negociação na escolha. A crítica admitiu a presença antológica mais acentuada de descendentes do concretismo: “A questão do concretismo é interessante porque tem a ver com o fim das polêmicas enquanto estilo da luta pelo poder cultural. Polêmica é uma forma de criar tensão no campo, de estabelecer um espaço no território intelectual. Não é bem um debate de idéias. É uma briga pelo poder.”

Heloísa Buarque de Holanda reconhece ser um traço novo na cena poética brasileira “essa direção híbrida em que se lança mão do acervo sem compromissos históricos ou ideológicos”, uma vez não haver “uma história literária que possa ser feita pela definição de uma genealogia clara do poeta.” Donde a presença intermitente do soneto, em sua forma tradicional, na inversão da prosódia, ou em experiência visual, pois, ela pontua com Lyotard, “a originalidade hoje está na articulação: tudo é acervo branco à espera de ser ressignificado.” A crítica admite não haver, entretanto, na atual poesia brasileira, “um critério de representatividade absoluto”, e que, hoje, “a presença subjetiva mais afirmativa é a gay, porque é nova”, do mesmo modo que é incontestável que metade das pessoas escrevendo e publicando poesia no Brasil é mulher.

Na sua concepção, há três vertentes destacáveis na poesia atual: “Uma, que mostra permanência e vitalidade naquela perspectiva de quebra dos anos 70, como é o caso de Guilherme Zarvos; outra que fica brigando com esse liberalismo, para a qual pode tudo; e tem uma terceira que é uma poesia apenas formal, bem feita, mas que não tem atrito e não interpela nada, aquela que se conforma com a bela literatura.” Acrescenta que a produção contemporânea de poesia situa-se num “pós-modernismo de oposição, na distinção feita por Andrés Huyssen, que inclui o olhar político, mas, também a preocupação básica com o que sobra num momento pós- moderno de sociedade de consumo.” Em relação à crítica, Heloísa detona: “O problema da teoria literária que não anda é que ela passa a vida procurando o específico literário e não percebe a importância da literatura para a cultura. A crítica estritamente literária não pode avançar porque fica voltada para o próprio umbigo.”

A legião dos sem-lugar na poesia de amplo reconhecimento, ao contrário de inibida pelo anonimato fértil e referencial, se expande e cada vez mais é pontuada aqui e ali por leituras críticas ou contextualizantes.

Cláudio Daniel publicou na revista Dimensão nº 30, de 2000, artigo intitulado “A poética dos anos 90uma escritura na zona da sombra”, onde qualifica o ofício poético de “um corpo de delito, um ato de dissidência, jogo de pólo entre centauros (segundo Horácio Costa); exercício entre a razão e o duende.”

Para o crítico paulista, a última década foi marcada por uma poemática concisa elíptica, fragmentária e metafórica, que por vezes sobrepõe o som ao sentido, ou antes cria novos sentidos para as palavras da tribo.” Acrescenta que “essa ars poética, que já foi chamada de pós-concreta, parte da ‘crise do verso’ de Mallarmé, mas busca soluções construtivas de Noigandres; no lugar da visualidade, da aplicação de recursos tipográficos e de layout que nortearam as técnicas de composição do grupo concreto, o olho-da-forma da geração 90 privilegia a desarticulação sintática e a renovação do léxico.”

Ainda que – ou felizmente – houvesse “diferenças de timbre, dicção e de repertório” entre os poetas daquela década, envolvidos por uma “sincronidade”, são apontados como representativos “Ângela Campos, Kleber Mantovani, Sérgio Cohn, Antonio Moura, Cláudia Roquette-Pinto, Jussara Salazar, Cláudio de Morais, Ricardo Aleixo, Rodrigo Lopes e Maurício Mendonça.” Entre as revistas, tópica merecedora de uma leitura específica, são citadas Inimigo Rumor, Monturo e Azougue.

Coincidentemente, na mesma edição da Dimensão, Anelito de OIiveira lê a poesia belorizontina contemporânea e assinala que, possivelmente, e extensivo à produção nacional, “não há poetas ‘fechados’ com apenas uma proposta formal. Acabou o sonho vanguardista, a ortodoxia estética, a ânsia de conceber um trabalho profundamente estranho”, notando-se certo arrefecimento do espírito criativo. Reconhece o poeta e crítico tornar-se “praticamente impossível escolher (nomes de uma dada representatividade) se a proposta for realçar singularidade, não meros nomes destacados por critérios extra-estéticos”, uma vez que “as raras exceções, de tão raras, quase não se deixam ver.” Para o ex-editor do Suplemento Literário do Minas Gerais, a “relativa magreza” desta seleção, que inclui Sebastião Nunes, Júlio Castañon Guimarães, Guilherme Mansur, Ronald Polito, Edimilson de Almeida Pereira e Wagner Rocha – é um reflexo deste instante de semi-impotência, de precariedade criativa, deste clima de ‘ressaca’, considerando o século XX como uma noite pesada, um longo tormento, um excesso de vida.

”A poética brasileira vigente é também composta pelos que Vera Casa Nova (5), da UFMG, chama de “bêbados de fim-de-século”: poetas que trabalham com fragmentos, que rompem e têm sucessivas rupturas com tradição, com a história, cujas imagens devoram-se umas às outras em livros que já não são livros, mas ‘fendas de criação’, que seguem “rastros de sentidos” pendulares, deixando no espaço do seu estranhamento “ressonâncias e ecos da embriaguez”, vestígios sem fundamento, abismo e ruínas.”

Tempo de tradições, transcrições, intraduções, pós-tudo, extudo, do drama do desespero, das teatralidades da língua e das formas do cogito.

Inclusão dos excluídos

A leitura pós-moderna da poesia há que incluir os “poetas do caos”, simuladores, dissimuladores, esquizos, psicógrafos, as máscaras, os desejos, pois são eles, diz Vera, interlocutores/recriadores de “subjetivações e interagindo com o outro na suíte infinita do jogo de dados, nesse contexto tantas vezes significante [que] faz o poema.”

E esse contexto, por seu turno, há que incluir a voz dos (supostamente) sem voz, pressupondo, até mesmo por questão de coerência crítica, valores, cristalizados ou não, que demandam a coralidade anônima. A menos que os gourmets teóricos sejam vegetarianos, ainda assim é pertinente um olhar sem viseira capaz de identificar, na produção dos sem-lugar, que “debaixo do angu tem carne.” E, nesse caso, o menu do self-service poético pode oferecer uma variedade de receitas para o leitor e a crítica, que tornem um pouco mais palatável a poesia num país onde a mesma pouco se presta até à intelligentsia cultural.

Destarte, é digno e justo, razoável e salutar, como diria o bispo de Diamantina, apor ao corpus polifônico: o artigo-ensaio “Transpassando a poesia”, de Wagner Moreira, publicado na Ato, nº 2, em 2005, pela pertinência analítica sintética do cenário da poesia contemporânea. Nele, o professor/pesquisador, um dos mais lúcidos pensadores da literatura na atualidade, faz uma leitura oportuníssima para concluir que “a poesia não pára de acontecer sobre nós.” Moreira parte da constatação pós-benjaminiana do “deslocamento da aura para um espaço outro”, seqüenciando os fatos demarcadores na poética de hoje: “as revoluções tecnológicas [que] sempre desempenham um papel fundamental na atualização e na realização dos atos humanos, coexistindo na atualidade”; a necessidade de o poeta “saber transitar por entre esse emaranhado de informações, sistemas e procedimentos, para criar uma obra, que ao mesmo tempo seja um espaço de reflexão sobre este agora inundado de novidades e, principalmente, um lugar de experimentação com essas linguagens que nos cercam”; “a incapacidade de [a poesia] atingir diretamente todos os humanos”, “o renascer do interesse dos escritores pelas formas fixas da poesia”; “uma ótima novidade dessa época – a liberdade dos suportes, associada à liberdade de entendimento do próprio fazer poético.” É de extrema pertinência a leitura de Moreira também no que tange às três “linhas de força da poesia contemporânea”: “uma que se quer um discurso hegemônico, centro de irradiação do fazer artístico e que, na maioria das vezes, chama para si uma tradição que deve ser atualizada em sua expressão; outra que se quer um discurso desconstrutor, descentralizador do fazer artístico e que, principalmente, adota uma face iconoclasta. Irônica e inovadora como forma de realização de seu exprimir poético; e a terceira, aquela que se estabelece em um espaço de trânsito, enfatizando o movimento de seus componentes artísticos e que, até mesmo, pode se realizar através dos princípios das duas manifestações poéticas anteriores, sem perder a sua energia de atuação artística.”

Como poucos fazem hoje – mesmo porque poucos têm a devida consciência crítica da poética contemporânea – Moreira questiona, com saborosa ironia, como é preciso, o status do poeta ante sua própria produção e referencialidade cultural: “Como farei para ser o maior poeta do meu quarto, da minha língua , da minha casa, da minha rua, do meu bairro, do meu distrito, da minha cidade, do meu Estado, do meu país, da minha língua, do meu tempo? Devo ser verossímil como os clássicos? Devo ser inovador como os modernos? Devo ser o que pode ser e o que não, neste instante que me cabe, como os contemporâneos”?

A reflexão atual da/sobre a poesia há que incluir, ainda, como rastros de boa cepa: o Maurício Salles Vasconcelos, sobretudo de Ocidentes dum sentimental; Marcelo Dolabela de Cacograma, Poeminhas e outros poemas e do Inferno; Lindsley Daybert, pelos “Ambigramas”; Otávio Ramos, por Obras Completas; a coleção Poesia Orbital, reunindo grupos editoriais como Cemflores, Dazibao, Fahrenheit 451, Nau Frágil, Razão de Dois; a coleção “Dazibao”; Leonardo Fróes a partir de “Sibilitz”; Artur Gomes de Couro cru & carne viva e Brazilírica Pereira: a traição das metáforas; Eustáquio Gorgone culminante em Pouso alto; Dailor Varela do Delírico; Joaquim Branco, de Caça-palavras, Laser para lazer, Concreções da fala, Recr(e/i)ações; João Evangelista Rodrigues, sobretudo por Transversias; Maynard Sobral em No olho; Floriano Martins, inclusive a produção crítica e tradutora; Almandrade, de Arquitetura de algodão; Álvaro de Sá, mediante um revival do poema-processo incluinte da anti-obra de Wlademir Dias-Pino; Carlos Ávila, pelo minimalismo pós-concreto; Flávio Boaventura, que na coralidade atual assume que “todo gemido é açude”; Adriana Versiani, desde “Dazibao” e “Inferno”; Hugo Pontes, pela contribuição desde “VIX” e da resistência com a poesia visual, vetorizando em sua página “ComunicArte” há quinze anos as tendências mundiais da visualidade poética e também por Poemas visuais e poesias; Fernando Fábio Fiorese Furtado por Corpo portátil, Wilmar Silva, sobretudo por “Estilhaços no lago de púrpura” e por suas performances de alto rigor estético, João Bosco Ribeiro, pelo resgate do soneto de dicção barroca; Adão Ventura, pela obra referenciada na atenção à diferença étnica; Edimilson de Almeida, Eloésio Paulo dos Reis, Aricy Curvello, Hugo Mund Júnior, Fabrício Marques, P. J. Ribeiro, Camilo Lara, Juvenal Bernardes, Tanussi Cardoso, Falves Silva, Ana Aly, Avelino de Araújo, Marcelo Tápia, Marcelo Mota, Paulo Bruscky, Ricardo Alfaya, Pio Symhas, Rita Varlersi, Roberto Kepler, Sérgio Monteiro de Almeida, e tantos que, ao serem lembrados, tornar-se-ão referências e parâmetros pós-modernos.Vler: ouvir com os olhos para não olvidarOutra proposta de leitura da poética brasileira pós-moderna incluirá a sua interface com outros códigos (inter)semióticos dialogando com as linguagens remanescentes das (ainda) vanguardas históricas e utilizando novas tecnologias, com ou sem uma dominante oralizante.Carlos Adriano fez na revista Cult, fevereiro de 2000, resenha em que sintetiza a tendência: “em Pauta e em tela, poemas conectados com vasta rede de infovias, que navegam pela animação e sonorização computadorizadas; disposição de pesquisa afinada à voz do diapasão da síntese digital.” O corpus inclui: exposição de poesia composta em computador (Clip-poemas, de Augusto de Campos), Ensaio sobre o texto poético em contexto digital, de Antonio Risério; Roteiro e leitura: poesia concreta e visual, de Philadelpho Menezes; Poesia visual – vídeo poesia, de Ricardo Araújo; poemas informáticos (Algorrítmicos, de E. M. de Melo Castro); antologia poética + CD (Crisantempo, de Haroldo de Campos); além de poesia digital, visual e sonora, disponíveis na internet, a exemplo de Poesia sonora hoje, coordenada por Philadelpho Menezes; Cacograma, coordenada por Marcelo Dolabela; Brasilírica, de Maynard Sobral; a oralização perfomática internacional de Régis Bonvicino; happenings e performances; Environumentais, de Wally Salomão; experimentações de Arnaldo Antunes; gravações e mixagens de poesia oralizada produzidas por Cid Campos; o garimpo palatal da palavra no trabalho de Lenora de Barros; a poesia quirográfica e videográfica de Walter Silveira; as releituras sonoras como as coordenadas por Décio Pignatari em Poesia paulista: 12 canções e Música de manivela; Poesia eletrônica: negociações com os processos digitais, de Jorge Luiz Antonio; Élson Fróes, pela produção em semiótica visual e webdesign.

NOTAS
ALMEIDA, Márcio. Rastros de leitura da poesia contemporânea.
Jornal Corrente. Pirapora: Jornal Corrente, 01 nov. 2002. p. 16.
SUSSEKIND, Flora. “Escalas e ventríloquos”. São Paulo: Folha de S. Paulo, Mais!, 5-11, 23 jul. 2000.
MORICONI, Ítalo. Belo Horizonte: Suplemento Literário do Minas Gerais, nº 50, 32-35, ago 1999.
CASA NOVA, Vera. Belo Horizonte: In: VASCONCELOS, Maurício S. et al. 100 rastros rápidos. Belo Horizonte: Editora UFMG, 1999. p. 15-26.

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Centro acadêmico condena publicação que incita alunos da USP a jogar fezes em gays

O Centro Acadêmico de Farmácia e Bioquímica da USP (Universidade de São paulo), que representa os alunos da Faculdade de Ciências Farmacêuticas, publicou nota em seu site condenando o texto de um informativo atribuído aos alunos da faculdade.

Preconceito atinge 87% da comunidade escolar, diz pesquisa

Uma edição do periódico "O Parasita" causou polêmica ao incitar a homofobia. Assinado com um pseudônimo, um texto da publicação desafia: "jogue merda em um viado".

"Não apoiamos atitudes homofóbicas, machistas, racistas ou que expressem qualquer outro tipo de preconceito, uma vez que vivemos em uma sociedade livre e diversificada. Não possuímos nenhum vínculo com quaisquer publicações contrárias ao posicionamento do centro acadêmico. Somos contrários a iniciativas discriminatórias, uma vez que incentivamos a conscientização social de nossos alunos", afirma a nota, publicada nesta sexta-feira (23).

Prêmio
De acordo com "O Parasita", a faculdade "vem sendo palco de cenas totalmente inadmissíveis". Após citar episódios de beijos e troca de carícias entre alunos homossexuais, os autores afirmam que "se as coisas continuarem assim, nossa faculdade vai virar uma ECA [Escola de Comunicação e Artes da USP]".

O prêmio para quem cumprir o desafio é "um convite de luxo para a Festa Brega 2010". Em nota, a direção da faculdade diz que "não tem conhecimento nem apoia essa publicação, inclusive desconhece os seus autores". A direção afirma ainda que "tomará as medidas jurídicas cabíveis para reprimir este tipo de publicação".

Santo André e Santos apostam em
ataques 'infalíveis' em busca do título

O futebol ofensivo foi premiado no Campeonato Paulista. Santos e Santo André têm os melhores ataques, e são as duas únicas equipes que marcaram gols em toda a temporada. Como não poderia ser diferente, é apostando no “poder de fogo” que essas equipes buscam finalizar a competição com o título.

Com base nos números, a expectativa criada para a decisão é de um duelo recheado de gols. O poderoso ataque do Santos marcou 67 gols, em 21 jogos no estadual. Uma incrível média de 3,19 por jogo. Já o time do ABC assinalou 48 na mesma quantidade de partidas. O que resulta em média de 2,28 por jogo.

A quantidade de finalizações por partida das duas equipes impressiona. Segundo pesquisa Datafolha, o alvinegro é a equipe com a maior quantidade de arremates da competição, com 19,7 de média. O Ramalhão não está muito distante, com média de 16,1.

O alvinegro tem no rodízio de gols de seus jogadores a receita do sucesso. Os atacantes Neymar e André marcaram 12 gols cada. O meia Paulo Henrique Ganso colaborou com outos 11. Enquanto isso, os gols do adversário saem na grande maioria pelos pés de Rodriguinho, artilheiro disparado do elenco, com 14 gols. Na sequência, aparece Bruno César, com sete.

APOSTA NOS ARTILHEIROS

Com 14 gols, Rodriguinho é o vice-artilheiro do estadual. Ele é disparado o goleador do Ramalhão
“São duas equipes com estilo de jogo muito parecido. Sempre destaquei durante o ano que achava o time do Santo André o que mais se aproximou do Santos. Santo André é o time que mais se aproximou do Santos ao longo da competição. Pela transição, chegada dos alas, para mim não é surpresa e não será caso venha acontecer qualquer coisa. A tendência é que seja um espetáculo de muitos gols”, disse Dorival Júnior.

“Nada vai mudar só porque estamos em uma final. A gente busca o gol a todo momento, independentemente da quantidade, continuamos jogando para frente. Nosso time cria muito, por isso a média é alta. Assim como o Santo André vai respeitar o Santos, mas seguir com o estilo de jogo característico ”, comentou Robinho.

Já a defesa de ambas as equipes deixa a desejar. O Santo André só não sofreu gols em duas partidas (contra a Portuguesa e Monte Azul). O Santos não foi vazado em cinco oportunidades (diante do Rio Branco, Grêmio Prudente, Oeste, Monte Azul e São Paulo).

Com a vantagem de atuar por dois resultados iguais após a somatória dos placares, o alvinegro conquistará o título caso não sofra gols. Fato é que na decisão, ambas as equipes vão em busca de pela primeira vez na temporada impedir o ataque adversário de marcar gols.

“As duas equipes jogam de maneira ofensiva, mas eu não me preocupo tanto com o ataque. Se a defesa não tomar gol, o título já estará decidido”, frisou Dorival.

“O Santos é uma sensação. Uma equipe que está apresentando um grande futebol e eles são favoritos mesmo. Mas provamos que o Santo André não chegou na final à toa", destacou o treinador do Ramalhão, Sérgio Soares.

Após mudanças, Patrícia Amorim evita
fortalecer meia Petkovic no Flamengo

Nesses quatro primeiros meses de 2010, o Flamengo já enfrentou inúmeras polêmicas fora de campo, o que acabou obrigando a presidente Patrícia Amorim a anunciar, na última sexta-feira, as demissões do técnico Andrade e do vice de futebol Marcos Braz. No entanto, quem pensa que as atitudes tomadas de certa forma fortalecem o meia Petkovic daqui para frente se engana.
Em janeiro, o sérvio bateu de frente com Marcos Braz após abandonar o Maracanã no intervalo do Fla-Flu em que foi substituído. Por pouco não teve seu contrato rescindido. Desde então, Pet e o dirigente não se falavam e se tornaram desafetos declarados.

Com Andrade, o jogador não chegou a ter problemas tão explícitos, mas já cutucou o antigo comandante em algumas entrevistas, se mostrando irritado por substituições feitas e por estar tendo poucas oportunidades no ano, além de não ser mais consultado pelo treinador. Por sua vez, o técnico rebatia, afirmando que Petkovic estava mais fechado e não dava espaço para conversas em 2010.

Com esses atritos públicos, muitos diziam que Andrade estava perdendo o controle do elenco por não afastar o sérvio em definitivo do time. Existia até pressão por parte de alguns dirigentes para que isso ocorresse.

Entretanto, na entrevista coletiva concedida nesta última sexta-feira, Patrícia Amorim deixou claro que nunca fez qualquer tipo de sugestão para Andrade escalar ou deixar de escalar alguém. Mesmo assim, não considerou Pet vítima dos problemas com o antigo departamento de futebol.

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“Nunca cheguei a esse estágio de tanta intimidade para pedir para não escalar alguém. O Pet é um jogador muito querido pelos torcedores e a gente sabe disso”, minimizou a presidente.

O contrato do sérvio termina no dia 15 de junho e as renovações estão complicadas. Muitos consideravam que Marcos Braz é quem estava atrapalhando e não queria mais o sérvio no clube, mas, mesmo com a saída do cartola, será difícil a permanência do jogador.

Outros membros da diretoria não gostam da forma como Petkovic tem se comportado esse ano e julgam que o clube não deve estender o vínculo do meia. O jogador, por sinal, nunca conversou com Patrícia Amorim, que já declarou mais de uma vez não ter sentido abertura para dialogar com o meia.

Por conta disso, os dirigentes ainda não responderam a contraproposta feita pelo procurador do atleta, Josias Cardoso, que aguarda um retorno. Caso o treinador que assumir a equipe não convença a diretoria de que o meia é importante, a tendência é que Petkovic realmente não renove seu vínculo.

PSB decide que Ciro não vai disputar Presidência

O PSB deve anunciar na próxima terça-feira que o deputado Ciro Gomes não será candidato a presidente da República, informa reportagem de Vera Magalhães, Fernando Rodrigues e Maria Clara Cabral (íntegra disponível para assinantes do jornal e do UOL).

Ciro diz que jamais desistirá de candidatura, mas admite respeitar decisão do PSBPSB diz a Ciro que pré-candidatura é difícil e caminha para apoiar DilmaDilma critica PSDB e diz que estará ao lado de Ciro em qualquer situaçãoPré-candidato do PSB ao governo de SP, Paulo Skaf defende candidatura de Ciro

Até lá, o partido cumprirá um ritual para dar uma saída honrosa a Ciro: consultará os diretórios sobre uma aliança com o PT.

Como a maioria dos diretórios opinará por uma aliança com o PT, caberá ao governador de Pernambuco e presidente da sigla, Eduardo Campos, anunciar a retirada de Ciro.

Ciro foi avisado ontem, em reunião com a cúpula partidária, de que as conversas com a campanha de Dilma Rousseff avançaram e que o PSB entregou ao PT uma lista de cinco Estados em que espera alguma contrapartida dos aliados.

Foram relatados vários casos regionais em que caciques que antes manifestavam apoio à candidatura própria já estão se acertando com o PT.

Em queda nas pesquisas, o deputado se comprometeu a aceitar a decisão. No cenário sem Ciro do mais recente levantamento do Datafolha, a diferença entre José Serra e Dilma Rousseff se amplia de 10 para 12 pontos. O tucano passa de 38% a 42%, enquanto a petista oscila de 28% a 30%. Marina Silva (PV) também sobe dois pontos e chega a 12%.
Ciro decidirá em quais campanhas estaduais do PSB pretende ajudar.

Isolamento
Em reunião realizada ontem, a cúpula do PSB informou a Ciro que o partido está isolado politicamente e que isso dificultará sua candidatura ao Palácio do Planalto.

O vice-presidente do PSB, Roberto Amaral, disse que a prioridade hoje é a de eleger uma bancada parlamentar maior e dar apoio aos candidatos ao governo. Durante o encontro, Ciro viu uma exposição sobre o cenário em todos os Estados, do cenário nacional e das pesquisas de intenções de votos.

"Hoje o partido tem condições de ter candidato próprio e de não ter. A questão é que vamos avaliar todos os fatores e chegar a uma decisão consensual. Não tem nenhuma chance de adiarmos nada, a decisão sai na terça-feira", disse Amaral.

Outro lado
Em nota, o deputado Ciro Gomes (PSB-CE) diz que nunca desistirá de disputar a Presidência.
"Ciro afirma que continua candidato, que considera sua postulação importante para o PSB e para o País e que jamais desistirá de concorrer à Presidência. Se o seu partido decidir por não apresentar candidatura própria que assuma o ônus da decisão, a qual ele aceitará e respeitará como filiado", diz nota divulgada por sua assessoria.

Ciro diz que Lula "navega na maionese"
e que presidente se acha o "todo-poderoso"

Ciro Gomes, deputado federal pelo PSB e até ontem (22) à noite possível candidato à Presidência, disparou ao ver o partido retirar apoio à sua candidatura: "Lula está navegando na maionese". Em entrevista ao portal iG, o pessebista fez referência ao "apoio desmedido" do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a sua pré-candidata, a ex-ministra petista Dilma Rousseff.

"Ele está se sentindo o todo-poderoso e acha que vai batizar Dilma presidente da República. Pior: ninguém chega para ele e diz 'Presidente, tenha calma'. No primeiro mandato eu cumpria esse papel de conselheiro, a Dilma, que é uma pessoa valorosa, fazia isso, o Márcio Thomaz Bastos fazia isso. Agora ninguém faz", disse.

Ciro tem maior rejeição entre eleitores, diz pesquisa IbopePresidente Lula não decidirá sobre candidatura de Ciro, diz CamposLula, agora, diz que é a favor da reeleição e planeja conversa com CiroPT e PSB pedem que presidente faça Ciro desistirSite pede para PSB deixar Ciro Gomes concorrer à Presidência

Embora afirme que ele merece a alta aprovação de seu governo, Ciro diz que "Lula não é Deus". Sua mágoa é com a influência do presidente nas resoluções internas de seu partido. "Estou como a Tereza Batista cansada de guerra. Acompanho o partido. Não vou confrontar o Lula. Não vou confrontar a Dilma."

Para ele, a candidatura de Dilma pode sofrer revezes devido à atuação indevida de radicais no PT. "Sabe os aloprados do PT que tentaram comprar um dossiê contra os tucanos em 2006? Veremos algo assim de novo."

Ciro também criticou aquilo que ele classifica como subserviência ao PT por parte do governador de Pernambuco Eduardo e o vice-presidente da legenda, Roberto Amaral. "[Eles] não estão no nível que a História impõe a eles", disse.

Na entrevista, o deputado afirmou que pode deixar a política para viajar ou "virar intelectual" a partir da confirmação, no próximo dia 27, da retirada de sua candidatura.

Ciro ainda reforçou a ideia de que sua candidatura "trata-se de uma missão estratégica, que não será desempenhada por mais ninguém". Ele diz acreditar que sua presença entre os presidenciáveis ajudaria a colocar em pauta durante os debates questões a serem enfrentadas nos primeiros anos de mandato do novo presidente.

"Em 2011 ou 2012, o Brasil vai enfrentar uma crise fiscal, uma crise cambial. Como estamos numa fase economica e aparentemente boa, a discussão fica escondida. Mas precisa ser feita."
Segundo ele, Serra teria mais condições de enfrentar essa crise negociando uma coalizão com o PMDB.

Petrobras sobe 7 posições em ranking global de maiores empresas; veja lista

A Petrobras subiu da 25ª para a 18ª posição no ranking da revista "Forbes" de maiores empresas do mundo, mantendo-se como a companhia brasileira mais bem colocada na lista. A classificação contabiliza vendas anuais em dólar, lucro, ativos e valor de mercado.Bradesco (51ª), Banco do Brasil (52ª), Vale (80ª) e Itausa (82ª) são as outras brasileiras que aparecem na lista com 100 empresas.

O banco privado melhorou o desempenho registrado no ano passado, quando aparecia em 78º lugar. Já a Vale caiu nesse comparativo, pois antes estava na 74ª posição. As demais empresas não haviam sido listadas.

O banco JPMorgan lidera o ranking atual, desbancando a General Electric, que agora passou para o segundo lugar. Companhias dos Estados Unidos, aliás, ocupam as quatro primeiras posições, com o Bank of America e a gigante do petróleo ExxonMobil completando o quarteto.

A China surge em quinto, com o ICBC (Banco Industrial e Comercial da China, na sigla em inglês), o maior do país em valor de mercado.

Confira algumas empresas na lista da Forbes (na íntegra aqui)

1º - JPMorgan Chase
2º - General Electric
3º - Bank of America
4º - ExxonMobil
5º - ICBC
6º - Santander
7º - Wells Fargo
8º - HSBC
9º - Royal Dutch Shell
10º - BP (British Petroleum)

18º Petrobras
51º Bradesco
52º Banco do Brasil
80º Vale
82º Itausa


"Ciro não está fora do páreo ainda",
diz presidente do PSB

O governador de Pernambuco e presidente nacional do PSB, Eduardo Campos, negou nesta sexta-feira (23), após conversa com o presidente Lula em Brasília, que o deputado federal Ciro Gomes esteja fora das eleições. "Ele não está fora do páreo ainda. Vai depender de a maioria do partido entender se ele deve ser candidato", disse.

Reportagem publicada pelo jornal "Folha de S.Paulo" nesta sexta-feira aponta que o PSB já decidiu pela saída de Ciro da corrida presidencial, mas que o partido prepara um série de ritos para uma saída honrosa. Até a próxima terça-feira, o PSB deve consultar os diretórios estaduais sobre uma aliança com o PT.

Campos não quis comentar as declarações de Ciro em entrevista ao portal iG dizendo que o pré-candidato do PSDB à Presidência, José Serra, "é mais preparado, mais legítimo, mais capaz" do que Dilma Rousseff, pré-candidata do PT.

O presidente do PSB disse ainda que não seria árbitro da decisão de Ciro e que acompanhou durante um ano e seis meses os debates e viagens que compuseram o trabalho de pré-candidatura dele à presidência. "Quem disser que está decidido está mentindo. [..] Está chutando, está sendo mal informado", afirmou.

O pessebista se negou a comentar um plano B caso Ciro Gomes não saia candidato a presidente e falou que a influência de Lula funcionaria como a de um "coordenador de campanha, mas quem decide são os militantes do PSB".

Lula evita responder às
críticas de Ciro; PT vê mágoa

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva evitou responder às críticas de seu ex-ministro, o deputado federal Ciro Gomes (PSB-CE). Em entrevista ao portal iG, Ciro fez duras críticas a Lula e ao PT.

Questionado sobre Ciro quando chegava ao STF (Supremo Tribunal Federal), Lula se limitou responder: "Estou mudo".

Em entrevista ao portal iG, Ciro deixou evidente seu descontentamento e mágoa com a atuação do PT e do presidente Lula no enterro de sua possível pré-candidatura. "Ele está se sentindo o todo-poderoso e acha que vai batizar Dilma presidente da República. Pior: ninguém chega para ele e diz 'Presidente, tenha calma'. No primeiro mandato eu cumpria esse papel de conselheiro, a Dilma, que é uma pessoa valorosa, fazia isso, o Márcio Thomaz Bastos fazia isso. Agora ninguém faz", disse Ciro na entrevista.

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Presidente do PT usa música de Chico Buarque para explicar críticas de Ciro

As declarações ocorrem logo depois do PSB se preparar para oficializar na terça-feira que apoiará a pré-candidatura de Dilma Rousseff à Presidência.

Questionado sobre as declarações do deputado Ciro Gomes (PSB-CE) de que o presidente Lula "navega na maionese" o presidente nacional do PT, José Eduardo Dutra, limitou-se a cantarolar a música "gota d'água", de Chico Buarque.

A canção trata de mágoa e diz, em seu refrão:

"Deixe em paz meu coração,
Que ele é um pote até aqui de mágoa,
E qualquer desatenção, faça não,
Pode ser a gota d'água".

Dutra se refere à provável mágoa que Ciro teria de seu partido, o PSB, que praticamente sepultou as chances de o deputado sair como candidato à Presidência da República.

Patrícia Amorim explica mudanças
e fala em mais profissionalismo no Fla

Vida nova no Flamengo. Nesta sexta-feira, no CT Ninho do Urubu, em Vargem Grande, na Zona Oeste da cidade, a presidente do clube, Patrícia Amorim, explicou as demissões de Andrade (treinador), Marcos Braz (vice de futebol) e Eduardo Manhaes (diretor de futebol) e avisou que o Rubro-Negro, a partir de agora, terá uma nova filosofia de trabalho.

“A questão agora não é ser linha dura, mas resgatar o trabalho sério, coeso e com pessoas comprometidas. Não consegui implantar a filosofia que eu queria, mas agora vou implantar. Tive coragem para mudar”, disse Patrícia Amorim, acrescentando.

“Não tinha tranquilidade no futebol. Eu precisava de uma resposta política e procurei a hora certa. Espero ter mais abertura para cobrar. Não vai ser eu venci, mas nós vencemos”, emendou a presidente.

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Apesar de Andrade ter sido demitido, Patrícia Amorim ainda quer uma nova conversa com o treinador. Existe a possibilidade de ele retornar ao Flamengo numa nova função dentro da comissão técnica.

Sobre o novo treinador, ele deverá ser anunciado somente neste sábado. Segundo Patrícia Amorim, quatro nomes estão na pauta, mas ela não deu qualquer dica. Já o vice-presidente do clube, Hélio Ferraz, por enquanto, acumula as funções de vice de futebol e diretor de futebol.
“Talvez tenha faltado comando. As coisas ficaram insustentáveis. Causava desconforto desta maneira. Ainda não tem treinador e nem vice. Estava preocupada com quem estava saindo. As pessoas entraram pela porta da frente e foram embora da mesma maneira e com o Flamengo classificado”, encerrou a presidente, referindo-se ao duelo com o Corinthians, pelas oitavas de final da Libertadores.

Neocandidato ao governo, Mercadante
sofre para encontrar vice em São Paulo
Pré-candidato ao governo de São Paulo, senador tem apoio de Lula

Até março, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva acreditou que o deputado Ciro Gomes (PSB-CE) seria seu candidato ao governo de São Paulo. Não deu certo. O PT cogitou a ex-prefeita Marta Suplicy. Ela quis o Senado. Até que, há poucas semanas, o partido escalou Aloizio Mercadante, batido na votação de 2006, para dar palanque à presidenciável Dilma Rousseff. A demora da definição, no entanto, faz o parlamentar iniciar a campanha neste sábado (24) sem vice nem leque de aliados garantidos.

Mercadante começa oficialmente sua segunda tentativa de chegar ao Palácio dos Bandeirantes em um evento no Sindicato dos Bancários, na capital paulista. Ali estarão Lula, com 76% de apoio popular, Dilma, segunda colocada nas pesquisas de intenção de voto para o Palácio do Planalto, e Marta, líder nas sondagens por uma das duas vagas paulistas em disputa no Senado. Se no plano nacional o PT agregou aliados centristas, em São Paulo está limitado ao que sempre teve.

O palanque do senador, que enfrentará o tucano e ex-governador Geraldo Alckmin, líder em todas as pesquisas, deve abrigar dirigentes de centrais sindicais, líderes de movimentos sociais e petistas proeminentes, mas poucos aliados que dariam ao parlamentar mais votado da história do Brasil mais tempo de propaganda gratuita na TV. Muitos desses, em especial o PMDB paulista, já fecharam questão em torno dos tucanos, estimulados pelo presidenciável e ex-governador José Serra (PSDB).

As pesquisas mais recentes indicam 53% de intenção de voto para Alckmin e apenas 13% para Mercadante. Antes de desistir de sua pré-candidatura, o senador Eduardo Suplicy tinha resultado melhor contra o tucano: chegou a 19% contra 49% do ex-secretário do Desenvolvimento do governo Serra.

Por conta disso, um candidato a vice para o senador é artigo raro entre os principais quadros políticos de São Paulo. O vice dos sonhos dos petistas é do PDT: o prefeito de Campinas, Dr. Hélio. Às vésperas do prazo de desincompatibilização, no início de abril, o senador reuniu-se com o prefeito para convidá-lo a integrar sua chapa como vice. O pedetista disse que não trocaria dois anos na prefeitura por uma candidatura incerta, em uma eleição que hoje seria vencida pelos tucanos já no primeiro turno.

Dentro do PDT, o nome mais forte para a vice de Mercadante é o do presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva, que em seu mandato como deputado federal sofreu com denúncias de corrupção. Por conta disso, membros de outros partidos se interessam pela possibilidade de emplacar um nome na chapa estadual, mas o PT sinalizou que prefere se integrar com a sigla que tem mais peso no tempo de TV.

Os outros potenciais aliados do PT não têm representação na Assembleia Legislativa – critério para concessão de tempo de propaganda gratuita – ou contam somente com um ou dois parlamentares, o que viabiliza poucos segundos a mais de tempo. Alckmin se aliará a partidos com considerável número de assentos na Casa, como Democratas, PMDB e PTB.

Médios e nanicos
“Já consolidamos o apoio, além do PDT, de PR, PRB e PTL. Avançamos nas sondagens com PC do B e com PTN, PT do B, PSL. Estamos conversando com PHS, PSC, PSDC, PRTB”, disse ao UOL Notícias o presidente do PT paulista, Edinho Silva. No início de fevereiro, ele disse que Ciro teria em torno de si uma aliança composta por nove partidos, incluindo o PTB, que se afastou de Mercadante, e o PSB.

O partido de Ciro, que rifou a candidatura do deputado à Presidência da República para apoiar Dilma, também pode ficar fora da aliança em torno do senador petista. A sigla cogita lançar a candidatura do presidente da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), Paulo Skaf. “Não fechamos vaga de vice nem de suplentes ao Senado porque as negociações ainda estão abertas”, disse Edinho.

Nas últimas semanas, ganharam força o nome de dois pré-candidatos ao Senado como companheiros de chapa de Mercadante: o cantor e apresentador Netinho de Paula (PC do B) e o vereador Gabriel Chalita (PSB), que, se indicado, teria o constrangimento de subir no palanque adversário de Alckmin, seu mentor político e ex-chefe no período em que foi secretário da Educação de São Paulo.

“Só vamos decidir vice e vagas de suplente no Senado em maio. Todos esses são bons nomes, mas isso são os candidatos [Mercadante e Marta] que vão definir. Com o PSB só vamos conversar quando eles definirem 100% se terão candidato ao governo ou não”, afirmou o presidente do PT paulista. “Esse tempo não vai atrapalhar porque a composição vai se acertando com o tempo e com a perspectiva da campanha nacional melhorando, como está acontecendo.”

Joel aparece no Botafogo, mas não dá
treino e destino deverá ser mesmo o Fla

Ao que parece Joel Santana está mesmo trocando o Botafogo pelo Flamengo. Na manhã deste sábado, em General Severiano, o treinador apareceu no clube, mas não comandou o treinamento.

Ele teve apenas uma conversa com os jogadores e dirigentes dentro do vestiário, praticamente dando um adeus.

A reunião foi antes de começar o treino. Depois, por apenas cerca de 25 minutos, os jogadores realizaram o tradicional rachão (sempre nas vésperas dos jogos) e foram comandados pelo auxiliar técnico Jair Ventura.

A assessoria de imprensa do Botafogo informou que não haverá qualquer coletiva para confirmar a provável saída de Joel Santana. Tudo será divulgado no site oficial do clube.
Porém, o presidente do Botafogo, Maurício Assumpção, perguntado sobre a permanência do treinador, deu a seguinte resposta, já praticamente confirmando a sua ida para o Flamengo. “Pergunta para ele (Joel Santana)”, limitou-se.

Para Fahel, que atuando como zagueiro cresceu desde a chegada de Joel Santana, a saída do treinador, neste momento, seria muito ruim para os jogadores.

“Nós (atletas) conversamos exatamente sobre isso. A saída de um técnic o nunca é boa, mesmo nos momentos de dificuldade. O Joel sabe que queremos a sua permanência. A diretoria está fazendo o possível para ele ficar”, comentou o volante.



I Festival de Teatro Aberto de Campos




CICLOMÁTICOS NO LICEU

Minha Alma é nada depois desta história é uma esquete baseada em conto de Gero Camilo e que utiliza como elementos processuais e cênicos a dança flamenca e a técnica de Pina Baush.
A proposta é levar a encenação para a praça, e unir a atmosfera de sensualidade proposta pela estética flamenca com o romantismo pueril da Praça do Liceu, criando um clima lírico, sensual e romântico ao mesmo tempo. Algo que possa nos remeter a pintura de um quadro, que nos envolve antes de tudo pelos sentidos.
Elenco:
Julio César Ferreira
Carla Meirelles
Fabíola Rodrigues
Juliana Santos
Nívea Nascimento
Ficha Técnica:
Direção: Ribamar Ribeiro
Assistente de Direção: Renato Neves
Figurinos e Visagismo: André Vital
Sonoplastia: Ribamar Ribeiro
Iluminação: Mauro Carvalho
Operação de som: Getulio Nascimento
Assistente de Figurino: Nívea Nascimento
Preparação corporal e dança: Evelyn Lima
Para saber mais sobre Os Cilcomáticos: http://osciclomaticos.blogspot.com/
por Daniela Passos
PROGRAMAÇÃO NA ÍNTEGRA
ESPETÁCULOS

29/04 – QUINTA-FEIRA
10h – Abertura do evento
11h – “Helena pede perdão e é esbofeteada” – Tablado de Arruar (SP)
Estréia nacional
Local: Praça São Salvador
18h – “Fulinaíma Blues Poesia” – Fulinaíma Trio (Campos)
Artur Gomes - poesia e voz
Luiz Ribeiro - violão, guitarra e voz
Fil Buc - guitarra
Local: Praça São Salvador
19h – “Tukutuka no Brasil” – Cia. Língua de Trapo (Petrópolis)
Estréia nacional
Local: Praça São Salvador

30/04 - SEXTA-FEIRA
16h - “Helena pede perdão e é esbofeteada” – Tablado de Arruar (SP)
Local: Praça São Salvador
17h - Intervenção teatral – Lucia Talabí (Campos)
18h – Manifesto Hip Hop - Cia Black Fire e Conluio (Campos)
Local: Praça São Salvador

01/05 – SÁBADO

16:30h – “Minha Alma é nada depois desta história – Os Ciclomáticos (RJ)
Local: Praça do Liceu
17h – “Sociedade Ambulante S/A” - Jardel Maia e coral FDC (Campos)
Local: Villa Maria
18:30h – “A História de Édipo Rei” – Teatro Andante (BH)
Local: Praça do Liceu
21h – “Pontal” – O Pessoal do Oráculo (Campos)
Local: Cais da Lapa

02/05 - DOMINGO

10h - Manifestação Circense – Circo São Pedro (Campos)
Local: Jardim São Benedito
13h – Instalação da oficina cenografia urbana
Local: Villa Maria
14h – “Fulinaíma Blues Poesia” – Fulinaíma Trio (Campos)
Artur Gomes - poesia e voz
Luiz Ribeiro - violão, guitarra e voz
Fil Buc - guitarra
Local: Praça do Liceu
15h – “A História de Édipo Rei” – Teatro Andante (BH)
Local: Praça do Liceu

FESTA IN FESTIVAL – sexta-feira a partir das 22h
Apresentação: Daniela Passos
Participação Especial: Os Ciclomáticos, Noite do Vinil, Mas Sarau Benedito e DJ Samurai
Local: Bar Liverpool – Rua Formosa, 985

OFICINAS
29/04 – QUINTA-FEIRA
10h - CENOGRAFIA ABERTA
Com Rafael Sanchez
Local: Villa Maria
Obs: oficina continuada de quinta a domingo

19h – CORPO CÊNICO
Com Josué Soares
Local: SESC Campos
30/04 – SEXTA-FEIRA

14h – DRAMATURGIA DE RUA
Com Alexandre Dal Farra (Tablado de Arruar)
Local: SESC Campos
01/05 - SÁBADO

10h – INTERPRETAÇÃO PARA RUA
Com Paulo Marcos (Língua de Trapo)
Local: Villa Maria

10h – VOZ
Com Jardel Maia
Local: SESC Campos
Obs: inscrições no Sesc Campos

MESAS REDONDAS
30/04 – SEXTA-FEIRA

17:30h – tema: o fazer teatral na rua

Participantes:
integrantes dos grupos Tablado de Arruar, Língua de Trapo e Andante.
Mediador: Paulo Marcos
Local: Villa Maria

19h – tema: investimentos no setor cultural – a democratização ao acesso as artes

Participantes:
MINC – Ana Lúcia Pardo (chefe divisão políticas públicas)
SESC – Tatyana de Paiva
Sindicato Dança – Lurdes Braga (presidente)
SATED – Paulo Marcos Carvalho (diretor)
Sindicato Música – Débora Cheyne (presidente)
SEC RJ – Marilda Samico (coordenção de artes cênicas)
Mediador: Caíque Botkay
Local: SESC Campos

narciso acha feio o que não é espelho


o amor tem caminhos estranhos -


palvrARte até a morte – artur gomes e igor fagundes filmados por jiddu saldanha


may interpreta artur gomes – um filme de jiddu saldanha


juninho gênio
overdose sonora em santa Teresa


sorocaba blues


cairo trindade e deniziz trindade - a dupla do prazer


rio em pele feminina


quarta-feira, 21 de abril de 2010

Noite do Vinil embalada pelas marchinhas de Carnaval



Neste Carnaval fora de época em Campos, a Noite do Vinil se rende às saudosas marchinhas de carnaval que há tempos atrás tinham espaços nos bailes carnavalescos espalhados pelo Brasil.
Muita gente demonstra até hoje saudades dos carnavais de outrora, principalmente pelos bailes com seus conjuntos musicais embalando a animação ao ritmo das marchas. Sambas clássicos completarão a animada noite carnavalesca.
A discografia em vinil proporciona uma viagem a esse rico período de carnaval e é para essa viagem que convidamos para esta edição especial da Noite do Vinil que será realizada na Sexta-feira, dia 23 de abril a partir das 22h no Relicário Bistrô, na Avenida 28 de Março, nº 48 (em frente ao ISEPAM).
Será a terceira edição do projeto, que voltou a todo vapor no novo ambiente. Vale ressaltar que nesta nova fase está sendo cobrado um couvert simbólico de R$ 2,00 para a manutenção do projeto. O acervo será mesclado com discos dos colecionadores Márcio Aquino e Wellington Cordeiro.

Marcha de Carnaval
Marcha de Carnaval, também conhecida como "marchinha", é um gênero de música popular que esteve no carnaval dos brasileiros dos anos 20 aos anos 60 do século XX, altura em que começou a ser substituída, na preferência do público, pelo samba enredo. A primeira marcha, segundo alguns pesquisadores, foi a composição de 1899 de Chiquinha Gonzaga, intitulada Ó Abre Alas, feita para o cordão carnavalesco Rosa de Ouro.
Na origem foi, no entanto, um estilo musical importado para o Brasil. Descende diretamente das marchas populares portuguesas, partilhando com elas o compasso binário das marchas militares, embora mais acelerado, melodias simples e vivas, e letras picantes, cheias de duplo sentido. Marchas portuguesas faziam grande sucesso no Brasil até 1920, destacando-se Vassourinha, em 1912, e A Baratinha, em 1917.
A verdadeira marchinha de carnaval brasileira começou a surgir no Rio de Janeiro com as composições de Eduardo Souto, Freire Júnior e Sinhô e atingiu o apogeu com intérpretes como Carmen Miranda, Almirante, Mário Reis, Dalva de Oliveira, Silvio Caldas, Jorge Veiga e Blecaute, que interpretavam, ao longo dos meados do século XX, as composições de João de Barro, o Braguinha e Alberto Ribeiro, Noel Rosa, Ary Barroso e Lamartine Babo.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

A fome de Marina

ACHO IMPORTANTE REPASSAR ESTA MENSAGEM, POIS É PRECISO COMBATER O CONSERVADORISMO EM TODAS AS SUAS MANIFESTAÇÕES.
Por José Ribamar Bessa Freire*

Há pouco, Caetano Veloso descartou do seu horizonte eleitoral o presidente Lula da Silva, justificando: “Lula é analfabeto”. Por isso, o cantor baiano aderiu à candidatura da senadora Marina da Silva, que tem diploma universitário. Agora, vem a roqueira Rita Lee dizendo que nem assim vota em Marina para presidente, “porque ela tem cara de quem está com fome”.

Os Silva não têm saída: se correr o Caetano pega, se ficar a Rita come.Tais declarações são espantosas, porque foram feitas não por pistoleiros truculentos, mas por dois artistas refinados, sensíveis e contestadores, cujas músicas nos embalam e nos ajudam a compreender a aventura da existência humana.

Num país dominado durante cinco séculos por bacharéis cevados, roliços e enxudiosos, eles naturalizaram o canudo de papel e a banha como requisitos indispensáveis ao exercício de governar, para o qual os Silva, por serem iletrados e subnutridos, estariam despreparados.

Caetano Veloso e Rita Lee foram levianos, deselegantes e preconceituosos. Ofenderam o povo brasileiro, que abriga, afinal, uma multidão de silvas famélicos e desescolarizados. De um lado, reforçam a ideia burra e cartorial de que o saber só existe se for sacramentado pela escola e que tal saber é condição sine qua non para o exercício do poder. De outro, pecam querendo nos fazer acreditar que quem está com fome carece de qualidades para o exercício da representação política.

A rainha do rock, debochada, irreverente e crítica, a quem todos admiramos, dessa vez pisou na bola. Feio. “Venenosa! Êh êh êh êh êh!/ Erva venenosa, êh êh êh êh êh!/ É pior do que cobra cascavel/ O seu veneno é cruel…/ Deus do céu!/ Como ela é maldosa!”.
Nenhum dos dois - nem Caetano, nem Rita - têm tutano para entender esse Brasil profundo que os silvas representam.

A senadora Marina da Silva tem mesmo cara de quem está com fome? Ou se trata de um preconceito da roqueira, que só vê desnutrição ali onde nós vemos uma beleza frágil e sofrida de Frida Kahlo, com seu cabelo amarrado em um coque, seus vestidos longos e seu inevitável xale? Talvez Rita Lee tenha razão em ver fome na cara de Marina, mas se trata de uma fome plural, cuja geografia precisa ser delineada. Se for fome, é fome de quê?

O mapa da fome
A primeira fome de Marina é, efetivamente, fome de comida, fome que roeu sua infância de menina seringueira, quando comeu a macaxeira que o capiroto ralou. Traz em seu rosto as marcas da pobreza, de uma fome crônica que nasceu com ela na colocação de Breu Velho, dentro do Seringal Bagaço, no Acre.

Órfã da mãe ainda menina, acordava de madrugada, andava quilômetros para cortar seringa, fazia roça, remava, carregava água, pescava e até caçava. Três de seus irmãos não aguentaram e acabaram aumentando o alto índice de mortalidade infantil.

Com seus 53 quilos atuais, a segunda fome de Marina é dos alimentos que, mesmo agora, com salário de senadora, não pode usufruir: carne vermelha, frutos do mar, lactose, condimentos e uma longa lista de uma rigorosa dieta prescrita pelos médicos, em razão de doenças contraídas quando cortava seringa no meio da floresta.

Aos seis anos, ela teve o sangue contaminado por mercúrio. Contraiu cinco malárias, três hepatites e uma leishmaniose.

A fome de conhecimentos é a terceira fome de Marina. Não havia escolas no seringal. Ela adquiriu os saberes da floresta através da experiência e do mundo mágico da oralidade. Quando contraiu hepatite, aos 16 anos, foi para a cidade em busca de tratamento médico e aí mitigou o apetite por novos saberes nas aulas do Mobral e no curso de Educação Integrada, onde aprendeu a ler e escrever.

Fez os supletivos de 1º e 2º graus e depois o vestibular para o Curso de História da Universidade Federal do Acre, trabalhando como empregada doméstica, lavando roupa, cozinhando, faxinando.

Fome e sede de justiça: essa é sua quarta fome. Para saciá-la, militou nas Comunidades Eclesiais de Base, na associação de moradores de seu bairro, no movimento estudantil e sindical. Junto com Chico Mendes, fundou a CUT no Acre e depois ajudou a construir o PT.

Exerceu dois mandatos de vereadora em Rio Branco, quando devolveu o dinheiro das mordomias legais, mas escandalosas, forçando os demais vereadores a fazerem o mesmo. Elegeu-se deputada estadual e depois senadora, também por dois mandatos, defendendo os índios, os trabalhadores rurais e os povos da floresta.

Quem viveu da floresta, não quer que a floresta morra. A cidadania ambiental faz parte da sua quinta fome. Ministra do Meio Ambiente, ela criou o Serviço Florestal Brasileiro e o Fundo de Desenvolvimento para gerir as florestas e estimular o manejo florestal.

Combateu, através do Ibama, as atividades predatórias. Reduziu, em três anos, o desmatamento da Amazônia de 57%, com a apreensão de um milhão de metros cúbicos de madeira, prisão de mais 700 criminosos ambientais, desmonte de mais de 1,5 mil empresas ilegais e inibição de 37 mil propriedades de grilagem.

Tudo vira bosta
Esse é o retrato das fomes de Marina da Silva que - na voz de Rita Lee - a descredencia para o exercício da presidência da República porque, no frigir dos ovos,

“o ovo frito, o caviar e o cozido
a buchada e o cabrito
o cinzento e o colorido
a ditadura e o oprimido
o prometido e não cumprido
e o programa do partido:
tudo vira bosta”.
Lendo a declaração da roqueira, é o caso de devolver-lhe a letra de outra música - ‘Se Manca’ - dizendo a ela: “Nem sou Lacan/ pra te botar no divã/ e ouvir sua merda/ Se manca, neném!/ Gente mala a gente trata com desdém/ Se manca, neném/ Não vem se achando bacana/ você é babaca”.

Rita Lee é babaca? Claro que não, mas certamente cometeu uma babaquice. Numa de suas músicas - ‘Você vem’ - ela faz autocrítica antecipada, confessando: “Não entendo de política/ Juro que o Brasil não é mais chanchada/ Você vem… e faz piada”. Como ela é mutante, esperamos que faça um gesto grandioso, um pedido de desculpas dirigido ao povo brasileiro, cantando: “Desculpe o auê/ Eu não queria magoar você”.

A mesma bala do preconceito disparada contra Marina atingiu também a ministra Dilma Rousseff, em quem Rita Lee também não vota porque, “ela tem cara de professora de matemática e mete medo”.

Ah, Rita Lee conseguiu o milagre de tornar a ministra Dilma menos antipática! Não usaria essa imagem, se tivesse aprendido elevar uma fração a uma potência, em Manaus, com a professora Mercedes Ponce de Leão, tão fofinha, ou com a nega Nathércia Menezes, tão altaneira.

Deixa ver se eu entendi direito: Marina não serve porque tem cara de fome. Dilma, porque mete mais medo que um exército de logaritmos, catetos, hipotenusas, senos e co-senos. Serra, todos nós sabemos, tem cara de vampiro. Sobra quem?

Se for para votar em quem tem cara de quem comeu (e gostou), vamos ressuscitar, então, Paulo Salim Maluf ou Collor de Mello, que exalam saúde por todos os dentes. Ou o Sarney, untuoso, com sua cara de ratazana bigoduda. Por que não chamar o José Roberto Arruda, dono de um apetite voraz e de cuecões multi-bolsos? Como diriam os franceses, “il péte de santé”.

O banqueiro Daniel Dantas, bem escanhoado e já desalgemado, tem cara de quem se alimenta bem. Essa é a elite bem nutrida do Brasil… Rita Lee não se enganou: Marina tem a cara de fome do Brasil, mas isso não é motivo para deixar de votar nela, porque essa é também a cara da resistência, da luta da inteligência contra a brutalidade, do milagre da sobrevivência, o que lhe dá autoridade e a credencia para o exercício de liderança em nosso país.

Marina Silva, a cara da fome?
Esse é um argumento convincente para votar nela. Se eu tinha alguma dúvida, Rita Lee me convenceu definitivamente.

(*) Professor, coordena o Programa de Estudos dos Povos Indígenas (UERJ)e pesquisa no Programa de Pós-Graduação em Memória Social (UNIRIO)

sexta-feira, 16 de abril de 2010

I Festival de Teatro aberto de Campos




De 29 Abril a 2 de Maio
Breve toda programação aqui
Poemas ao Mar: Convocação: saiba o que é aqui:
http://barkaca.blogspot.com/
Márcio Almeida Prestreia em Germina confira:
http://www.germinaliteratura.com.br/2010/prestreia_mar10.htm

se for poema fogo do desejo: May Pasquetti e Artur Gomes
filmados por Jiddu Saldanha no Parque das Ruínas




a lavra da palavra quero
quando for pluma mesmo sendo espora
felicidade uma palavra
onde a lavra explora
se é saudade dói mas não demora
e sendo fauna linda como a flora
lua Luanda vem não vá embora
se for poema fogo do desejo
quando for beijo
que seja como agora

a lavra da palavra quero
onde Mayara bruma já me diz espero
saliva na palavra espuma
onde tua lavra é uma
elétrica pulsação de Eros
a dança do teu corpo vero
onde tua alma luna
e o meu corpo impluma
valsa por laguna
em beijos e boleros.


arturgomes
http://pelegrafia.blogspot.com/

Riverdies na Pista



Amigos, essa será uma apresentação especial do River, num grande palco =)fazendo tributo a duas bandas que foram muito importantes na nossa história/formação, que já tá completando 10 anos.
Fora o Soundgarden e Pearl Jam, tocaremos também nossas músicas de trabalho do EP.
Todas as informações vocês encontram nos flyers em anexo, e no site http://www.megaflorenca.com.br/ Obrigado a todos que estiveram presente nos últimos shows do River esse ano, estaremos focados agora em terminar o trabalho nos materiais novos que lançaremos nos próximos meses. Temos vídeo clipe oficial terminando a edição, myspace novo chegando, e estamos finalizando uma prévia do álbum completo que nosso produtor levará em mãos para a Europa em Maio.
My best regards,
Fil Buc
Guitarist & Music Producer

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Tropicália no Vinil

Na próxima sexta-feira, dia 16 vai a acontecer a primeira Noite do Vinil “pra valer” do ano. Na sexta anterior, apenas apresentamos a nova casa que vai abrigar esse projeto, que já entra em seu terceiro ano. Como não havia um tema específico, e ainda estávamos arrumando a casa e pesando os prós e contras que qualquer mudança traz, aquela noite nos serviu de teste para avaliarmos fatores como qualidade e distribuição do som, adequação do espaço físico do bar para o evento, atendimento, etc. Logicamente surgiram algumas falhas, que poderão ser corrigidas, e talvez outras venham a acontecer, mas nosso principal objetivo com essa mudança é oferecer um melhor atendimento aos frequentadores em potencial das noites de boa música que temos a oferecer. Muita gente estava insatisfeita com o atendimento do bar anterior, e deixou de prestigiar o evento, e estava havendo um esvaziamento, que acabava se refletindo na disposição de nós, organizadores, para continuarmos com o projeto.

Agora, de casa nova, o Relicário Bistrô, na Avenida 28 de Março, 48 - em frente ao Isepam, esperamos recuperar aquele entusiasmo dos primeiros tempos. O primeiro tema a ser apresentado vai ser o Tropicalismo. O tema foi bem escolhido, pois está acontecendo no Sesc Campos uma mostra relativa a esse movimento musical, em que a audição de discos de vinil também faz parte da programação, porém o formato em que se encaixa é totalmente desfavorável. O tempo de audição é muito curto, na prática, não chega a 40 minutos, pois por ser antes dos shows das quintas, e no mesmo ambiente, os músicos têm que passar o som, testar o palco, etc. Assim, o tempo de uma hora, que já era reduzido, fica ainda menor. Mal dá pra rolar um único disco. Por isso foi acertada a decisão de levarmos para a Noite do Vinil o que seria impraticável apresentarmos no Sesc. Levarei algumas pérolas tropicalistas, como o álbum Tropicália – o disco coletivo, que serviu como manifesto do movimento, além de discos de Caetano, Gil, Gal e Tom Zé e Mutantes. Sexta, dia 16, a partir das 22h. --

Postado por márcio de aquino no Tarati Taraguá
"Tudo já foi dito uma vez, mas como ninguém escuta é preciso dizer de novo. " - André Gide

Edital do Min Causa Protesto
O Estado de S. Paulo - SP, Caderno 2, por Jotabê Medeiros, em 18/03/2010

Um edital de apoio do Ministério da Cultura (MinC) está causando protestos no meio intelectual. Trata-se do Edital de Periódicos de Conteúdo Mais Cultura, lançado em 30 de setembro, e que teve 26 publicações habilitadas no último dia 19 de fevereiro. Dessas, apenas 4 serão escolhidas.

O edital destina-se a abastecer bibliotecas públicas, Pontos de Cultura e de Leitura com publicações de natureza cultural (literária, musical, de artes plásticas). Para tanto, vai destinar-lhes R$ 2,1 milhões. Acontece que, entre os selecionados, estão a Rolling Stone, Caros Amigos, Brasileiros, a Piauí, Le Monde Diplomatique e a revista de inglês Speak Up, o que levou concorrentes não habilitados a protestar contra os critérios do edital. Publicações de grandes grupos editoriais, como a Bravo!, também tentaram a seleção (sem sucesso).

Diversas revistas alternativas importantes, a maior parte de literatura, e que penam horrores para chegar a parcos leitores, não foram habilitadas. A falta de apoio tem vitimado várias, caso da Ontem Choveu no Futuro, de Campo Grande, que só teve um número; a Entretanto, do Recife; a Babel, de Santos; a Etcetera e a Oroborus, de Curitiba, e a Pulsar, do Maranhão. Outras, como a Polichinelo do Pará e a Azougue e a Inimigo Rumor, do eixo Rio-São Paulo, resistem a duras penas.

Uma das que saem aos trancos e barrancos (é apoiada por programa da cidade de Londrina, no Paraná) é a Coyote, publicada há 8 anos (sai esta semana a número 20). Ela foi desabilitada pelo edital por não possuir assinaturas individuais. Um dos seus editores, Rodrigo Garcia Lopes, está frustrado com o resultado.

“O edital privilegia revistas comerciais, que estão no mercado, e acaba inviabilizando revistas de conteúdo realmente cultural, de criação. Será que a Rolling Stone, a Speak Up e uma revista como a Piauí, que têm uma infraestrutura por trás, um instituto, realmente precisam de incentivo fiscal? É como se fizesse uma política agrária para o latifúndio e deixasse o pequeno agricultor morrer à míngua. Isso é um erro terrível, num governo popular e democrático como este.”

Marcio Seidenberg, do grupo que edita a Ocas, diz que só soube que a publicação não tinha sido habilitada um dia antes de poder entrar com recurso. A revista é vendida nas ruas e bares. “Não sei exatamente qual é a função do edital, se é levar publicações alternativas às bibliotecas ou revistas consagradas”, ponderou.

O MinC informou que pretende reavaliar o edital numa próxima edição, mas manteve a decisão da comissão julgadora. Também estuda ampliar o volume de recursos para o edital.

CAMPOS DOS GOYTACAZES

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meu coração marçal tupã sangra tupi e rock and roll meu sangue tupiniquim em corpo tupinambá samba jongo maculelê maracatu boi bumbá a veia de curumim é coca cola e guaraná