fulinaíma

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Jura secreta 2

não fosse esse punhal de prata
mesmo se fosse e eu não quisesse
o sangue sob o teu vestido
o sal no fluxo sagrado
sem qualquer segredo
esse rio das ostras entre tuas pernas
o beijo no instante trágico
a língua sem que ninguém soubesse
no silêncio como susto mágico
e esse relógio sádico
como um Marquês de Sade
quando é primavera

arturgomes
http://juras-secretas.blogspot.com/

Tulio Vianna: a reforma da Lei de Direitos Autorais

Você já baixou músicas ou filmes pela internet? Já comprou um CD ou DVD pirata? Já xerocou um livro inteiro que estava esgotado nas livrarias e na editora? Já colocou um CD original para tocar em uma festa de aniversário realizada em um salão de festas? Já converteu um CD original de que é proprietário para formato digital, para poder ouví-lo em seu MP3 player? Já gravou um programa de TV e o disponibilizou na internet?

Se você respondeu sim a qualquer destas perguntas, então saiba que, pela atual Lei de Direitos Autorais brasileira, você é um criminoso e pode, teoricamente, até mesmo ser preso.

“É um absurdo que condutas como esta sejam consideradas crimes!”, você deve estar pensando. E é justamente para rever nossa Lei de Direitos Autorais que estipula estas e outras restrições que o Ministério da Cultura abriu uma consulta pública na internet para ouvir as propostas de todo e qualquer cidadão para a elaboração de uma nova lei mais sintonizada com a realidade sociocultural do Brasil de hoje.

Como não podia deixar de ser, as editoras e gravadoras não gostaram nada da ideia e já se organizam para tentar manter as restrições. O argumento central destas empresas é que os direitos autorais protegem os interesses dos autores, e que a perda de alguns destes direitos os desestimularia de criar novas obras. Mas será que este argumento procede?

fonte: http://www.baraodeitarare.org.br/


Livro sobre Dantas, Preciado, Ricardo Sérgio e filha do Serra vem aí

O livro “Os Porões da Privataria” de Amauri Ribeiro Jr está pronto.É o resultado de dez anos de trabalho de Amauri.

Vai lá atrás, à privatização do Fernando Henrique. Conta como o Ministro da Saúde José Serra contratou um serviço de inteligência sob a responsabilidade de Marcelo Lunus Itagiba para pegar adversários políticos (inclusive do partido dele).

Conta como se mandava para o exterior dinheiro recebido com a privatização.A segunda parte do livro será para contar como o livro de Amauri entrou para o centro de um suposto dossiê que o PT armava contra o Serra.

Amauri conta quem montou a trampa, e contra quem era a trampa.

Na origem dessa discussão sobre o sigilo fiscal do Eduardo Jorge (por que ele telefonava tanto para ao Juiz Lalau ?) está nesse livro.

O livro está na origem do “aplopramento do Serra”, como demonstrou este ordinário blog.Como demonstra o Azenha, no Viomundo, nenhuma fonte do Amauri é sigilosa.Ele não usou nenhuma informação que tenha sido obtido na agencia da Receita em Mauá, São Paulo.Todas as informações são públicas.Amaury tinha prometido publicar o livro antes da eleição.

Ele foi contatado pela Rede Record e assumiu o compromisso de publicar livro – já pronto – depois da eleição, para que a contratação não pudesse ser associada a qualquer interpretação política.Lá estão, de corpo inteiro, Serra, a filha e sua associação com a irmã de Dantas clique aqui para ver os documentos em Miami (em Miami !) -, o Preciado e o Ricardo Sergio.
O livro vem aí.

Paulo Henrique Amorim
http://www.conversaafiada.com.br/


Aloysio Biondi: ausência lembrada, obra revisitada

Direto da Agência Carta Maior www.cartamaior.com.br

Textos publicados em julho e agosto rendem homenagem a Aloysio Biondi e lembram os dez anos de ausência do jornalista revisitando sua obra. Em "O Brasil Privatizado", Biondi mostrou o processo de desmonte de empresas públicas no país durante os governos de FHC e suas consequências para a população: "Os prejuízos que o achatamento de tarifas e preços trouxe para as estatais teve efeitos que o consumidor conhece bem: nesses períodos, elas ficaram sem dinheiro para investir e ampliar serviços. Ou, dito de outra forma: não é verdade que os serviços das estatais tenham se deteriorado por incompetência".
Pedro Biondi

Saiba mais sobre a vida e a obra de Aloysio Biondi

“Embrutecemos. A sociedade brasileira embruteceu. Os meios de comunicação embruteceram. Nós, jornalistas, embrutecemos. (...) Os governantes atuais não se importam mais com o povo, o ser humano. Mas todos também somos culpados. Por silenciar. Por ficar de braços cruzados. Embrutecemos, sim.”

O trecho, de artigo publicado em 2000 no Diário Popular, é o mote de abertura de matéria da Revista do Brasil.Com o título “Há dez anos, um vazio”, é assim introduzida: “Ícone do jornalismo crítico e analítico, Aloysio Biondi se foi sem deixar substitutos”.

Ali, o jornalista Vitor Nuzzi avalia: “Passados dez anos, as análises e comentários de Biondi, sempre baseados em dados e números, não em palpites, ainda fazem falta. Especialmente quando se lembra de que, aliado ao rigor técnico, eram textos acessíveis, sem a praga do economês, escritos por alguém que não ficou de braços cruzados.”

Nuzzi lembra a doação do acervo do jornalista ao Centro de Documentação Alexandre Eulálio (Cedae), da Universidade de Campinas (Unicamp).No artigo "O sorriso de Biondi", na Carta Maior, o cientista político Antonio Lassance retoma a contribuição do jornalista ao debate em torno da Telebrás. Comentando a reativação da estatal e a reação de seus opositores, ele aponta nos questionamentos uma “falta de contextualização primária”.

“Até hoje, a melhor forma de contar essa história e travar a batalha da memória contra o esquecimento é revisitar o livro de Aloysio Biondi, O Brasil Privatizado: Um Balanço do Desmonte do Estado”, anota o pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

Para ele, Aloysio Biondi foi “um monstro sagrado do jornalismo brasileiro, grande mestre do jornalismo econômico”. Continua Lassance: “O Brasil Privatizado abria seu capítulo - ‘As estatais: sacos sem fundo?’ justamente falando da Telebrás. Biondi relembrava que, entre 1996 e 1997, a empresa teve um salto de 250% em seu lucro, desmentindo categoricamente a mensagem fabricada de que as estatais só davam prejuízo.

No livro que tornou-se um clássico para a compreensão sobre o que fizeram com o Brasil nos anos 90, Biondi contextualizava que tanto os prejuízos quanto os lucros das estatais tinham sido fabricados para atender a interesses muito bem identificados.

”O pesquisador cita trecho da página 30 de O Brasil Privatizado: “Os prejuízos que o achatamento de tarifas e preços trouxe para as estatais teve efeitos que o consumidor conhece bem: nesses períodos, elas ficaram sem dinheiro para investir e ampliar serviços. Explicam-se, assim, as filas de espera para os telefones, ou as constantes ameaças de ‘apagões’ no sistema de eletricidade. Ou, dito de outra forma: não é verdade que os serviços das estatais tenham se deteriorado por ‘incompetência’.

Como também é mentira que ‘o Estado perdeu sua capacidade de investir’, como diz a campanha dos privatizantes. O que houve foi uma política econômica absurda, que sacrificou as estatais.” O livro pode ser lido e baixado aqui.

Além disso, o Blog da Fundação Perseu Abramo reuniu conteúdos produzidos por Aloysio Biondi ou referentes a ele. Foi a editora da entidade que publicou o livro do jornalista, que superou a marca de 140 mil exemplares vendidos.Por fim, a revista Reflexos da Privatização, editada pelo Sindicato dos Engenheiros no Paraná, traz reportagem de capa sobre o processo de venda das estatais, classificando-o como “um jogo de cartas marcadas”.

O material usa dados do levantamento feito por Biondi, e reproduz um parágrafo do livro referente às ferrovias: “Desde o final dos anos 60, o governo frequentemente usou as estatais para ‘segurar’ a inflação ou beneficiar certos setores da economia, geralmente por serem considerados ‘estratégicos’ para o país. Como assim? Houve períodos em que o governo evitou reajustes de preços e tarifas de produtos (como o aço) e serviços fornecidos pelas estatais, na tentativa de reduzir as pressões e controlar as taxas de inflação. Esses ‘achatamentos’ e ‘congelamentos’ foram os principais responsáveis por prejuízos ou baixos lucros apresentados por algumas estatais, que passavam a acumular dívidas ao longo dos anos – sofrendo então nova ‘sangria’, representada pelos juros que tinham de pagar sobre essas dívidas. Certo ou errado, as estatais foram usadas como arma contra a inflação por governos que achavam que o combate à carestia era a principal prioridade do país.”

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Blogueiros Progressistas do Rio de Janeiro - o embrião da organização

Blogueiros fluminenses em São Paulo ("emprestada" de "Vi O Mundo")
Após o grande sucesso do 1º Encontro Nacional de Blogueiros Progressistas ocorrido em São Paulo, final de semana passado, surge no Rio de Janeiroumgrupo articulado, contando com a criação de um grupo de discussão na rede o grupo #Rioblogprog, para organizar o encontro de blogueiros do Rio deJaneiro.

Os blogueiros fluminenses que estiveram presentes reproduzem ainiciativa emambito regional e trazem alento para a luta hercúlea de oferecerinformaçãona rede, sem estar marcada pelos rótulos das grandes corporações demídia brasileiros.

Oferecer espaços ou criar espaços para debater e disseminar opiniões,pontosde vistas diversos, é essencial para o enriquecimento e aperfeiçoamentodademocracia.

Neste domingo o embrião dessa idéia começa a se desenhar. É preciso saudar e reconhecer a grandeza de algo que começa a tomar formas bem delineadas, alcances promissores. É o Rio de Janeiro honrando suas tradições de vanguarda e causas progressistas, estes cidadãos começam a construir o novo. Que outros eventos como este se espalhem país a fora e a organização se torne capilar,alcançando íncontáveis agentes de disseminação de informação.

A democracia se faz com participação e diversidade de opiniõesconvivendojuntas, mas respeitando as diferenças, é o que se espera da mídia, não um elemento formador de um pensamento único, como o que ainda presenciamos, em vias de regra, nos dias de hoje...

*Confira no Blog PalavrasDiversas http://palavras-diversas.blogspot.com

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Jura secreta 1

a língua escava entre os dentes
a palavra nova
fulinaimânica/sagarínica
algumas vezes muito prosa
outras vezes muito cínica

tudo o que quero conhecer:
a pele do teu nome
a segunda pele
o sobrenome

no que posso no que quero
a pele em flor a flor da pele
a palavra dândi em corpo nua
a língua em fogo a língua crua
a língua nova a língua lua

fulinaímica/sagaranagem
palavra texto palavra imagem
quando no céu da tua boca
a língua viva se transmuta na viagem

arturgomes
http://juras-secretas.blogspot.com

“Dossiê do sigilo” nasceu com filha do Serra e irmã de Dantas

Dantas e a irmã deixam o PF Hilton

Direto do Conversa Afiada

Convém não comer gato por lebre.

O “dossiê do sigilo” é a mais recente tentativa de colar na Dilma uma das baixarias do Serra – a Catanhêde, na Folha (*), pág. 2, chama de “banditismo”.

No tempo em que os bichos falavam e não havia blogosfera, o Serra e o PiG (**) conseguiram, em 2006, transformar a compra de ambulâncias superfaturadas pelo Ministério da Saúde, na gestão SerraBarjas Negri – Marcelo Itagiba na fotografia da pilha de dinheiro dos aloprados.

Com a notável colaboração do delegado Bruno (onde anda o delegado Bruno ?), uma repórter da Folha (*) e um repórter da Rede Globo.

Isso colou, na época. Com a providencial colaboração do Ali Kamel, a Globo, na véspera da eleição no primeiro turno, ignorou a queda do avião da Gol para mostrar por 54 minutos a foto do dinheiro.

E o Ali Kamel levou a eleição presidencial para o segundo turno.
Clique aqui para ler “O primeiro golpe já houve. Falta o segundo”.

A baixaria corrente consiste em atribuir à Dilma a tentativa de abrir os dados do Imposto de Renda do Preciado.

O PT vai entrar à Justiça para flagrar Serra nesse ato de baixaria explícita. Clique aqui para ler sobre o “tiro no pé” e sobre a inutilidade de se conhecer mais ainda sobre as atividades do senhor Preciado.

Mas, não convém chamar papagaio de meu louro.

O dossiê começou lá atrás, quando se soube que vem aí um livro bomba que descreverá os porões da privataria do Governo Serra/FHC.

E quando reacendeu a discussão sobre a sociedade da filha do Serra com a irmã do Daniel Dantas.

Clique aqui para ver os documentos que unem a filha do Serra à irmã do Dantas, numa empresa em Miami (em Miami !).

Quando soube disso, o Serra entrou em parafuso. Correu um frio nas costas gordurosas do PiG (**) e foi esse Deus nos acuda.

Então, vamos dar os nomes aos bois.

Vamos ver onde começa essa “crise do dossiê”: Livro desnuda a relação de Serra com Dantas. É por isso que Serra se aloprou

Publicado pelo Conversa Afiada em 04/06/2010 A bomba explodiu no colo do Serra

O Conversa Afiada recebeu de amigo navegante mineiro o texto que serve de introdução ao livro “Os porões da privataria” de Amaury Ribeiro Jr. É um trabalho de dez anos de Amaury Ribeiro Jr, que começou quando ele era do Globo e se aprofundou com uma reportagem na IstoÉ sobre a CPI do Banestado.

Não são documentos obtidos com espionagem – como quer fazer crer o PiG (**), na feroz defesa de Serra.

É o resultado de um trabalho minucioso, em cima de documentos oficiais e de fé pública. Um dos documentos Amaury Ribeiro obteve depois de a Justiça lhe conceder “exceção da verdade”, num processo que Ricardo Sergio de Oliveira move contra ele. E perdeu. O processo onde se encontram muitos documentos foi encaminhado à Justiça pelo notável tucano Antero Paes e Barros e pelo relator da CPI do Banestado, o petista José Mentor.

Amaury mostra, pela primeira vez, a prova concreta de como, quanto e onde Ricardo Sergio recebeu pela privatização. Num outro documento, aparece o ex-sócio de Serra e primo de Serra, Gregório Marin Preciado no ato de pagar mais de US$ 10 milhões a uma empresa de Ricardo Sergio.

As relações entre o genro de Serra e o banqueiro Daniel Dantas estão esmiuçadas de forma exaustiva nos documentos a que Amaury teve acesso. O escritório de lavagem de dinheiro Citco Building, nas Ilhas Virgens britânicas, um paraíso fiscal, abrigava a conta de todo o alto tucanato que participou da privataria.

Não foi a Dilma quem falou da empresa da filha do Serra com a irmã do Dantas. Foi o Conversa Afiada. Que dedica a essa assunto – Serra com Dantas – uma especial atenção.

Leia a introdução ao livro que aloprou o Serra:

Os porões da privataria

Quem recebeu e quem pagou propina. Quem enriqueceu na função pública. Quem usou o poder para jogar dinheiro público na ciranda da privataria. Quem obteve perdões escandalosos de bancos públicos. Quem assistiu os parentes movimentarem milhões em paraísos fiscais. Um livro do jornalista Amaury Ribeiro Jr., que trabalhou nas mais importantes redações do país, tornando-se um especialista na investigação de crimes de lavagem do dinheiro, vai descrever os porões da privatização da era FHC.

Seus personagens pensaram ou pilotaram o processo de venda das empresas estatais. Ou se aproveitaram do processo. Ribeiro Jr. promete mostrar, além disso, como ter parentes ou amigos no alto tucanato ajudou a construir fortunas. Entre as figuras de destaque da narrativa estão o ex-tesoureiro de campanhas de José Serra e Fernando Henrique Cardoso, Ricardo Sérgio de Oliveira, o próprio Serra e três dos seus parentes: a filha Verônica Serra, o genro Alexandre Bourgeois e o primo Gregório Marin Preciado. Todos eles, afirma, tem o que explicar ao Brasil.

Ribeiro Jr. vai detalhar, por exemplo, as ligações perigosas de José Serra com seu clã. A começar por seu primo Gregório Marín Preciado, casado com a prima do ex-governador Vicência Talan Marín. Além de primos, os dois foram sócios. O “Espanhol”, como (Marin) é conhecido, precisa explicar onde obteve US$ 3,2 milhões para depositar em contas de uma empresa vinculada a Ricardo Sérgio de Oliveira, homem-forte do Banco do Brasil durante as privatizações dos anos 1990. E continuará relatando como funcionam as empresas offshores semeadas em paraísos fiscais do Caribe pela filha – e sócia — do ex-governador, Verônica Serra e por seu genro, Alexandre Bourgeois. Como os dois tiram vantagem das suas operações, como seu dinheiro ingressa no Brasil …

Atrás da máxima “Siga o dinheiro!”, Ribeiro Jr perseguiu o caminho de ida e volta dos valores movimentados por políticos e empresários entre o Brasil e os paraísos fiscais do Caribe, mais especificamente as Ilhas Virgens Britânicas, descoberta por Cristóvão Colombo em 1493 e por muitos brasileiros espertos depois disso. Nestas ilhas, uma empresa equivale a uma caixa postal, as contas bancárias ocultam o nome do titular e a população de pessoas jurídicas é maior do que a de pessoas de carne e osso. Não é por acaso que todo dinheiro de origem suspeita busca refúgio nos paraísos fiscais, onde também são purificados os recursos do narcotráfico, do contrabando, do tráfico de mulheres, do terrorismo e da corrupção.

A trajetória do empresário Gregório Marin Preciado, ex-sócio, doador de campanha e primo do candidato do PSDB à Presidência da República mescla uma atuação no Brasil e no exterior. Ex-integrante do conselho de administração do Banco do Estado de São Paulo (Banespa), então o banco público paulista – nomeado quando Serra era secretário de planejamento do governo estadual, Preciado obteve uma redução de sua dívida no Banco do Brasil de R$ 448 milhões (1) para irrisórios R$ 4,1 milhões. Na época, Ricardo Sérgio de Oliveira era diretor da área internacional do BB e o todo-poderoso articulador das privatizações sob FHC.

(Ricardo Sergio é aquele do “estamos no limite da irresponsabilidade. Se der m… “, o momento Péricles de Atenas do Governo do Farol – PHA)

Ricardo Sérgio também ajudaria o primo de Serra, representante da Iberdrola, da Espanha, a montar o consórcio Guaraniana. Sob influência do ex-tesoureiro de Serra e de FHC, mesmo sendo Preciado devedor milionário e relapso do BB, o banco também se juntaria ao Guaraniana para disputar e ganhar o leilão de três estatais do setor elétrico (2).

O que é mais inexplicável, segundo o autor, é que o primo de Serra, imerso em dívidas, tenha depositado US$ 3,2 milhões no exterior através da chamada conta Beacon Hill, no banco JP Morgan Chase, em Nova York. É o que revelam documentos inéditos obtidos dos registros da própria Beacon Hill em poder de Ribeiro Jr. E mais importante ainda é que a bolada tenha beneficiado a Franton Interprises. Coincidentemente, a mesma empresa que recebeu depósitos do ex-tesoureiro de Serra e de FHC, Ricardo Sérgio de Oliveira, de seu sócio Ronaldo de Souza e da empresa de ambos, a Consultatun. A Franton, segundo Ribeiro, pertence a Ricardo Sérgio.

A documentação da Beacon Hill levantada pelo repórter investigativo radiografa uma notável movimentação bancária nos Estados Unidos realizada pelo primo supostamente arruinado do ex-governador. Os comprovantes detalham que a dinheirama depositada pelo parente do candidato tucano à Presidência na Franton oscila de US$ 17 mil (3 de outubro de 2001) até US$ 375 mil (10 de outubro de 2002). Os lançamentos presentes na base de dados da Beacon Hill se referem a três anos. E indicam que Preciado lidou com enormes somas em dois anos eleitorais – 1998 e 2002 – e em outro pré-eleitoral – 2001. Seu período mais prolífico foi 2002, quando o primo disputou a presidência contra Lula. A soma depositada bateu em US$ 1,5 milhão.

O maior depósito do endividado primo de Serra na Beacon Hill, porém, ocorreu em 25 de setembro de 2001. Foi quando destinou à offshore Rigler o montante de US$ 404 mil. A Rigler, aberta no Uruguai, outro paraíso fiscal, pertenceria ao doleiro carioca Dario Messer, figurinha fácil desse universo de transações subterrâneas. Na operação Sexta-Feira 13, da Polícia Federal, desfechada no ano passado, o Ministério Público Federal apontou Messer como um dos autores do ilusionismo financeiro que movimentou, através de contas no exterior, US$ 20 milhões derivados de fraudes praticadas por três empresários em licitações do Ministério da Saúde.
O esquema Beacon Hill enredou vários famosos, entre eles o banqueiro Daniel Dantas.Investigada no Brasil e nos Estados Unidos, a Beacon Hill foi condenada pela justiça norte-americana, em 2004, por operar contra a lei.

Percorrendo os caminhos e descaminhos dos milhões extraídos do país para passear nos paraísos fiscais, Ribeiro Jr. constatou a prodigalidade com que o círculo mais íntimo dos cardeais tucanos abre empresas nestes édens financeiros sob as palmeiras e o sol do Caribe. Foi assim com Verônica Serra. Sócia do pai na ACP Análise da Conjuntura, firma que funcionava em São Paulo em imóvel de Gregório Preciado, Verônica começou instalando, na Flórida, a empresa Decidir.com.br, em sociedade com Verônica Dantas, irmã e sócia do banqueiro Daniel Dantas, que arrematou várias empresas nos leilões de privatização realizados na era FHC.

Financiada pelo banco Opportunity, de Dantas, a empresa possui capital de US$ 5 milhões. Logo se transfere com o nome Decidir International Limited para o escritório do Ctco Building, em Road Town, ilha de Tortola, nas Ilhas Virgens Britânicas. A Decidir do Caribe consegue trazer todo o ervanário para o Brasil ao comprar R$ 10 milhões em ações da Decidir do Brasil.com.br, que funciona no escritório da própria Verônica Serra, vice-presidente da empresa. Como se percebe, todas as empresas tem o mesmo nome. É o que Ribeiro Jr. apelida de “empresas-camaleão”. No jogo de gato e rato com quem estiver interessado em saber, de fato, o que as empresas representam e praticam é preciso apagar as pegadas. É uma das dissimulações mais corriqueiras detectada na investigação.

Não é outro o estratagema seguido pelo marido de Verônica, o empresário Alexandre Bourgeois. O genro de Serra abre a Iconexa Inc no mesmo escritório do Ctco Building, nas Ilhas Virgens Britânicas, que interna dinheiro no Brasil ao investir R$ 7,5 milhões em ações da Superbird. com.br que depois muda de nome para Iconexa S.A…Cria também a Vex capital no Ctco Building, enquanto Verônica passa a movimentar a Oltec Management no mesmo paraíso fiscal. “São empresas-ônibus”, na expressão de Ribeiro Jr., ou seja, levam dinheiro de um lado para o outro.

De modo geral, as offshores cumprem o papel de justificar perante o Banco Central e à Receita Federal a entrada de capital estrangeiro por meio da aquisição de cotas de outras empresas, geralmente de capital fechado, abertas no país. Muitas vezes, as offshores compram ações de empresas brasileiras em operações casadas na Bolsa de Valores. São frequentemente operações simuladas tendo como finalidade única internar dinheiro nas quais os procuradores dessas offshores acabam comprando ações de suas próprias empresas… Em outras ocasiões, a entrada de capital acontecia através de sucessivos aumentos de capital da empresa brasileira pela sócia cotista no Caribe, maneira de obter do BC a autorização de aporte do capital no Brasil. Um emprego alternativo das offshores é usá-las para adquirir imóveis no país.

Depois de manusear centenas de documentos, Ribeiro Jr. observa que Ricardo Sérgio, o pivô das privatizações — que articulou os consórcios usando o dinheiro do BB e do fundo de previdência dos funcionários do banco, a Previ, “no limite da irresponsabilidade” conforme foi gravado no famoso “Grampo do BNDES” — foi o pioneiro nas aventuras caribenhas entre o alto tucanato. Abriu a trilha rumo às offshores e as contas sigilosas da América Central ainda nos anos 1980. Fundou a offshore Andover, que depositaria dinheiro na Westchester, em São Paulo, que também lhe pertenceria…

Ribeiro Jr. promete outras revelações. Uma delas diz respeito a um dos maiores empresários brasileiros, suspeito de pagar propina durante o leilão das estatais, o que sempre desmentiu. Agora, porém, existe evidência, também obtida na conta Beacon Hill, do pagamento da US$ 410 mil por parte da empresa offshore Infinity Trading, pertencente ao empresário, à Franton Interprises, ligada a Ricardo Sérgio.

(1)A dívida de Preciado com o Banco do Brasil foi estimada em US$ 140 milhões, segundo declarou o próprio devedor. Esta quantia foi convertida em reais tendo-se como base a cotação cambial do período de aproximadamente R$ 3,2 por um dólar.

(2)As empresas arrematadas foram a Coelba, da Bahia, a Cosern, do Rio Grande do Norte, e a Celpe, de Pernambuco.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Jura Secreta

não fosse essa jura secreta
mesmo se fosse e eu não falasse
com esse punhal de prata
o sal sob o teu vestido
o sangue no fluxo sagrado
sem nenhum segredo
esse relógio apontado pra lua
não fosse essa jura secreta
mesmo se fosse eu não dissesse
essa ostra no mar das tuas pernas
como um conto do Marquês de Sade
no silêncio logo depois do susto

arturgomes
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hoje na blogosfera

Datafolha: Dilma na frente em São Paulo e entre os mais ricos
Dilma abre 20 pontos e já ultrapassa Serra em SP e no RS
FERNANDO RODRIGUES, no UOL
DE BRASÍLIA

A candidata do PT a presidente, Dilma Rousseff, manteve sua tendência de alta e foi a 49% das intenções de voto. Abriu 20 pontos de vantagem sobre seu principal adversário, José Serra, do PSDB, que está com 29%, segundo pesquisa Datafolha. Os contratantes do levantamento são a Folha e a Rede Globo.

Realizada nos dias 23 e 24 com 10.948 entrevistas em todo o país, o levantamento também indica que Dilma lidera agora em segmentos antes redutos de Serra. A petista passou o tucano em São Paulo, no Rio Grande do Sul e no Paraná e entre os eleitores com maior faixa de renda.

Em São Paulo, Estado governado por Serra até abril e por tucanos há 16 anos, Dilma saiu de 34% na semana passada e está com 41% agora. O ex-governador caiu de 41% para 36%.

Na capital paulista, governada por Gilberto Kassab (DEM), aliado de Serra, ela tem 41% e ele, 35%.

No Rio Grande do Sul, a petista saiu de 35% e foi a 43%. Já Serra caiu de 43% para 39% entre os gaúchos.

A margem de erro máxima da pesquisa é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos. Todas as oscilações nacionais se deram dentro do limite.

Dilma tinha 47% na sondagem do dia 20 e foi a 49%. Serra estava com 30% e agora tem 29% Marina Silva (PV) manteve-se em 9%. Há 4% que dizem votar em branco, nulo ou em nenhum. E 8% estão indecisos. Os demais candidatos não pontuaram.

Se a eleição fosse hoje, Dilma teria 55% dos votos válidos (os que são dados apenas aos candidatos) e venceria no primeiro turno.

Serra se mantém ainda à frente em alguns poucos estratos do eleitorado. Por exemplo, entre os eleitores de Curitiba, capital do Paraná, onde registra 40% contra 31% de sua adversária direta.

‘BOLSÕES’

Mas o avanço da petista ocorre também nesses bolsões serristas. No levantamento de 9 a 12 deste mês, Serra liderava entre os curitibanos com 43% contra 24% de Dilma, uma vantagem de 19 pontos. Agora, a diferença caiu para nove pontos.

Quando se observam regiões do país, a candidata do PT lidera em todas, inclusive no Sul. Na semana passada, ela estava tecnicamente empatada com Serra, mas numericamente atrás: tinha 38% contra 40% do tucano.

Agora, a situação se inverteu, com Dilma indo a 43% e o tucano deslizando para 36% entre eleitores sulistas.

SEGUNDO TURNO

Como reflexo de seu desempenho geral, Dilma também ampliou a vantagem num eventual segundo turno. Saiu de 53% na semana passada e está com 55%. Serra oscilou de 39% para 36%. Ampliou-se a distância, que era de 14, para 19 pontos.

Outro dado relevante e que indica um mau sinal para o tucano é a taxa de rejeição. Dilma é rejeitada por 19% dos eleitores, taxa que se mantém estável desde maio.

Serra está agora com 29% (eram 27% semana passada) e chega a seu maior percentual neste ano.

Na pesquisa espontânea, quando os eleitores não escolhem os nomes de uma lista de candidatos, Dilma foi a 35% contra 18% de Serra.

No levantamento anterior, os percentuais eram 31% e 17%, respectivamente.

A pesquisa está registrada no TSE sob o número 25.473/2010.

PS do Viomundo: A pergunta que não cala, agora, é: Mercadante vai surfar esta onda?

Carta de Lúcio Flávio Pinto aos Blogueiros

Durante o 1º Encontro Nacional de Blogueiros Progressistas, Angelim Pinto, filho de Lúcio Flávio Pinto, leu a carta enviada por seu pai aos blogueiros reunidos contando um pouco da história da perseguição que vem sofrendo por parte do grupo Liberal, a maior corporação de comunicação do norte do país. Abandonado pela justiça e pela grande mídia, cabe à blogosfera apoiá-lo de todas as formas possíveis e garantir visibilidade de seu drama e de sua luta.

O jornalista dedica sua vida a denunciar os abusos e crimes dos grupos de mídia do Pará, do grupo Liberal e da família Maiorana, típico grupo mafioso que pode ser encontrado por todo o país.

Abaixo, a carta enviada ao Encontro, que foi efusivamente aplaudida e será reproduzida por todos os blogueiros que concordaram em reproduzi-la:

Caros amigos blogueiros
Sinto-me muito honrado pelo convite, que devo ao Azenha e à Conceição Lemes, para participar deste encontro. É uma iniciativa generosa e gentil para com um analfabeto digital, como eu. Garanto que sou capaz de ligar e desligar um computador, de enviar e receber mensagens. Não garanto nada a partir daí.

Como, então, estou aqui? Sou – digamos assim – um blogueiro avant la léttre. Não podendo ser um tigre, posto que sou Pinto, fui precursor na condição de blogueiro de papel – e no papel. Às vezes, por necessidade, também um tigre in fólios – e nada mais do que isso.

Em 1987, eu tinha 38 anos de idade e 22 de profissão e me vi diante de um dilema.
Numa vertente, a carreira profissional bem assentada em O Estado de S. Paulo, então com 16 anos de “casa”, e também no grupo Liberal, a maior corporação de comunicação do norte do país, no qual tinha 14 anos, com um rompimento pelo meio, quando tentaram me censurar, logo superado pelo restabelecimento da minha liberdade de expressão.

Na outra vertente, uma matéria pronta, importante, mas que não encontrava quem a quisesse publicar. Era o desvendamento do assassinato do ex-deputado estadual Paulo Fonteles, por morte de encomenda, executada na área metropolitana de Belém, o primeiro crime político em muitos anos na capital do Pará. O Estadão publicara todas as matérias que eu escrevera até então sobre o tema. Mas aquela, que arrematava três meses de dedicação quase exclusiva ao assunto, era, segundo o editor, longa demais.

O Liberal a considerava impublicável porque ela apontava como envolvidos ou coniventes com a organização criminosa alguns dos homens mais poderosos da terra, dois deles listados entre os mais ricos. Eram importantes anunciantes. Ao invés de me submeter, decidi ir em frente.

Aí, há 23 anos nascia o Jornal Pessoal, sem anunciantes, feito unicamente por mim, assemelhando-se aos blogs de hoje. Um blog impresso no papel, que exerceu na plenitude o direito de proclamar a verdade, sobretudo as mais incômodas aos poderosos.

Em janeiro de 2005, depois de muitas ameaças por conta desse compromisso, fui espancado por Ronaldo Maiorana, um dos donos do grupo do grupo Liberal, que na época era simplesmente o presidente da comissão em defesa da liberdade de imprensa da OAB do Pará. Eu estava almoçando ao lado de amigos em restaurante situado num parque público de Belém, quando o agressor me atacou pelas costas, contando com a cobertura de dois policiais militares, que usava – e continua a usar – como seus seguranças particulares.

Qual a causa da brutalidade? Um artigo que publiquei dias antes sobre o império de comunicação do agressor. O texto não continha inverdades, não era ofensivo, nem invadia a privacidade dos personagens. Mas desagradava aos senhores da comunicação. Embora tendo a emissora de televisão de maior audiência do Estado, afiliada à Rede Globo, o jornal que ainda era o líder do segmento (já não é mais) e estações de rádio, não usaram seus veículos para me contraditar ou mesmo atacar com o produto que constitui seu negócio, a informação.

O que resultou dessa agressão? Da minha parte, a comunicação do fato à polícia, que enquadrou o criminoso na forma da lei. Mas o agressor fez acordo com o Ministério Público do Estado, entregou cestas básicas a instituições de caridade (uma delas ligada à família Maiorana) e permaneceu solto, com sua primariedade criminal intacta. Já o agressor, com a cumplicidade do irmão mais velho e mais poderoso, ajuizou contra mim 14 ações na justiça, nove delas penais, com base na Lei de Imprensa da ditadura militar, e cinco de indenização.

O objetivo era óbvio: inverter os pólos, fazendo-me passar da condição de vítima para a de réu. Em quatro das ações eu era acusado de ofender os irmãos e sua empresa por ter dito que fui espancado, quando, segundo eles, eu fui “apenas” agredido. Mais um dentre vários absurdos aviltantes, aos quais a justiça paraense se tem prestado – e não apenas aos Maiorana, já que me condenou por ter chamado de pirata fundiário o maior grileiro de terras do Pará e do universo, condição provada pela própria justiça, que demitiu por justa causa todos os funcionários do cartório imobiliário de Altamira, onde a fraude foi consumada, colocando ao alcance do grileiro pretensão sobre “apenas” cinco milhões de hectares.

Os poderosos, que tanto se incomodam com o que publico no Jornal Pessoal, descobriram a maneira de me atingir com eficiência. Já tentaram me desqualificar, já me ameaçaram de morte, já saíram para o debate público e não me abateram nem interromperam a trajetória do meu jornal. Porque em todos os momentos provei a verdade do que escrevi. Todos sabem que só publico o que posso provar. Com documentos, de preferência oficiais ou corporativos. Nunca fui desmentido sobre fatos, o essencial dos temas, inclusive quando os abordo pioneiramente, ou como o único a registrá-los. Não temo a divergência e a contradita. Desde então, os Maiorana já me processaram 19 vezes.

Nenhuma das sentenças que me foram impostas transitou em julgado porque tenho recorrido de todas elas e respondido a todas as movimentações processuais, sem perder prazo, sem deixar passar o recurso cabível, reagindo com peças substanciais. O que significa um trabalho enorme, profundamente desgastante.

Desde 1992, quando a família Maiorana propôs a primeira ação, procurei oito escritórios de advocacia de Belém. Nenhum aceitou. Os motivos apresentados foram vários, mas a razão verdadeira uma só: eles tinham medo de desagradar os poderosos Maiorana. Não queriam entrar no seu índex. Pretendiam continuar a brilhar em suas colunas sociais, merecer seus afagos e ficar à distância da sua eventual vendetta. Contei apenas com dois amigos, que se sucederam na minha defesa até o limite de suas resistências, de um tio, que morreu no exercício do meu patrocínio, e, agora, com uma prima, filha dele.

Apesar de tantas decisões contrárias, ainda sustento minha primariedade. Logo, não posso ser colocado atrás das grades, objeto maior do emprenho dos meus perseguidores. Eles recorrem ao seu cinto de mil utilidades para me isolar e me enfraquecer.

Não posso contar nem mesmo com o compromisso da Ordem dos Advogados do Brasil. Seu atual presidente nacional, o paraense Ophir Cavalcante Júnior, quando presidente estadual da entidade, firmou o entendimento de que sou perseguido e agredido não por exercer a liberdade de imprensa, o direito de dizer o que sei e o que penso, mas por “rixa familiar”.

No entanto, dos sete filhos de Romulo Maiorana, criador do império de comunicações, só três me atacam, com palavras e punhos. Dos meus sete irmãos, só eu estou na arena. Nunca falei da vida privada dos Maiorana. Só me refiro aos que, na família, têm atuação pública. E o que me interessa é o que fazem para a sociedade, inclusive no usufruto de concessão pública de canal de televisão e rádio. E fazem muito mal a ela, como tenho mostrado – e eles nunca contraditam.

Crêem que, me matando em vida, proibindo qualquer referência a mim e meus parentes, e silenciando sobre tudo que fazem contra mim na permissiva e conivente justiça local, a história dessa iniqüidade jamais será escrita porque o que não está nos seus veículos de comunicação não está no mundo. Não chegaria ao mundo porque o controlam, a ponto tal que tem sido vão meu esforço de fazer a Unesco, que tem parceria com a Associação Nacional de Jornais, incluir meu caso na relação nacional de violação da liberdade de imprensa.

O argumento? Não se trata de liberdade de imprensa e sim de “rixa familiar”. O grupo Liberal, por mera coincidência, é um dos seis financiadores do portal Unesco/ANJ.

Após os Maiorana, o dilúvio. A maior glória do Jornal Pessoal é nunca ter sido derrotado no terreno que importa à história: o da verdade. Enquanto for possível, as páginas do Jornal Pessoal continuarão a ser preenchidas com o que o jornalismo é capaz de apurar e divulgar, mesmo que, como um Prometeu de papel, o seu ventre seja todo extirpado pelos abutres.

Eles são fortes, mas, olhando em torno, vejo que há mais gente do outro lado, gente que escreve o que pensa, apura sobre o que vai escrever e não depende de ninguém para se expressar, mesmo em condição de solidão, de individualidade, como os blogueiros, que hoje, generosamente, me acolhem nesta cidade que fiz minha e que tanto amo, como se estivesse na minha querida Amazônia.


Pelo Pescoço

O que ficou claro, desde o fim de 2006, é que os blogs progressistas, apelidados recentemente de "blogs sujos", pendurariam a grande imprensa no pescoço do candidato da oposição. Com uma diferença importantíssima em relação às outras disputas político-eleitorais. Desta vez, a turma que se alinhou do lado de cá conhecia a fundo os métodos de trabalho dos tubarões, a turma do aquário das redações.

Emaranhados à rede virtual, quatro peixes dos grandes: Luiz Nassif, Luiz Carlos Azenha, Rodrigo Vianna e Paulo Henrique Amorim. Não que eles sejam mais importantes que os outros, não é isso. É que por gozarem de visibilidade junto ao grande público, conseguiram emprestar credibilidade e engrossar o caldo, dar peso às denúncias e à contra-informação. Há momentos que ficarão na história do jornalismo do país: O caso do vazamento das fotos pelo delegado Bruno à TV Globo (aliás, onde foi parar Bruno, o delegado?), outro momento foi a carta de despedida do Rodrigo Vianna aos colegas também da Globo, O Dossiê Veja, a cobertura alternativa da Operação Satiagraha e o slogam que marcou o público: Bye bye Serra 2010.

A vantagem de ter passado pelas redações mais influentes do país, permitiu a eles fazer um mapeamento dos profissionais dispostos a praticar o jornalismo de esgoto, os assassinatos de reputação, a manipulação grosseira e o jogo covarde dos patrões. Isolados, os colegas habituados a comandar as redações sem critérios éticos foram desmascarados, desmoralizados e começaram a perder poder de comando entre seus pares.

Conforme a onda foi aumentando, os "300 de Esparta" enfrentaram sem medo o temido "exército Persa". Perfilados, blogueiros-guerreiros foram derrubando um a um aqueles que ousavam mentir, distorcer e manipular a opinião pública. Foram várias e quase diárias as derrotas impostas aos adversários... E o que se vê hoje, depois de intensas reuniões entre tubarões de aquário e patrões, na semana passada, é um discreto toque de recolher. Muitos largando no chão armaduras, lanças, espadas e escudos. Os mais covardes correndo na frente e os mais corajosos sendo alcançados por trás.

É, José, a festa acabou. Para você e para os seus. O que não quer dizer que o adversário esteja morto, apenas fez uma pausa.

direto do DoLdoDElá


Gastos Públicos II
Enviado por luisnassif, qui, 26/08/2010 - 13:00
Do Brasilianas.org
Compras públicas: mais acesso às MPEs
Por Bruno de Pierro

Em decorrência dos comentários gerados após a publicação da matéria Estudo discute processo de compras do Estado, a reportagem de Brasilianas.org procurou alguns estados do país, com o intuito de conhecer melhor os modelos de compras públicas adotados por eles, possibilitando conhecer diferentes propostas de gestão e controle dos processos licitatórios.

Apesar das disparidades com relação a métodos e políticas específicas para a gestão de suas compras, Sergipe, Minas Gerais e Bahia possuem um ponto em comum, que vem se destacando e influenciando demais estados, como São Paulo, Espírito Santo e Amazonas. Trata-se dos dispositivos legais que os três estados adotaram para dar incentivos às Micro e Pequenas Empresas (MPEs) no processo de compras governamentais.

Desde 2007, o menor estado do país conta com a Lei Estadual 6.206, que dá maior ênfase às MPEs nas compras realizadas pelo governo estadual. Sergipe foi o primeiro estado a usar esse modelo que, na verdade, tem fundamento na Lei Federal nº 123, conhecida como a Lei Geral das Micro e Pequenas Empresas, publicada em 2006.

De acordo com o secretário da Administração de Sergipe, Jorge Alberto Teles Prado, em 2007, a participação das MPEs nas compras públicas era de apenas 6,86%. Em 2009, esse percentual subiu para 65%, um crescimento de quase 1000%. Este ano, a participação é de 61%, até agora.

Com relação aos valores, o Estado comprou R$ 22 milhões das MPEs sergipanas. No ano seguinte, esse número pulou para R$ 41,5 milhões. Este ano, o governo do Estado comprou, de janeiro a junho, R$ 13 milhões. “Com o tratamento diferenciado e com a isenção do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), também observamos que houve um crescimento do número de MPEs criadas no estado”, afirma.

Esses resultados despertaram o interesse de outros estados, tais como Minas Gerais, que recentemente encaminhou representantes do governo a Sergipe. A partir de 2007, as compras mineiras também passaram a privilegiar MPEs, porém, diferente de Sergipe, Minas é regida não por uma lei, mas pelo Decreto Estadual nº 44.630, também decorrência da Lei Federal nº 123. “A Lei não traria inovação além da que já temos só com o decreto”, explica a superintendente da Central de Recursos Logísticos e Patrimônio de Minas Gerais, Ana Luiza Hirle.

Segundo ela, a participação das MPEs é privilegiada nas compras eletrônicas, por meio do Pregão Eletrônico, por ser um procedimento mais simples. “Nas compras eletrônicas, em julho de 2010, a participação de MPEs foi de 72%. Em 2009, no mesmo período, o valor foi de 70% e, em 2008, 54%”, o que evidencia evolução, avalia Hirle.

No caso da Bahia, que também possui lei estadual especifica para o tratamento das MPEs desde o ano passado (Lei Estadual nº 11.619), o gasto em 2009, com bens e serviços, foi de aproximadamente R$ 2,9 bilhões. Conforme explica o chefe de gabinete da Secretaria da Administração da Bahia, Edelvino Góes, 25%, ou seja, cerca de R$ 500 milhões, destinaram-se exclusivamente às MPEs, em licitações cujos valores não tenham ultrapassado R$ 80 mil. Isso foi potencializado, segundo Góes, graças à ação de desenvolvimento local, por meio da regionalização das licitações às MPEs, principal política de compras do estado.

A regionalização consiste numa política pública para favorecer o mercado local. “O objetivo é ampliar a realização das licitações no interior, efetivando a exclusividade às micro e pequenas empresas em todo o estado”, explica Góes. Para isso, o estado foi dividido em dez áreas, para as quais foram subdivididos os primeiros lotes licitatórios em 48 certames.

Por exemplo: tem-se um órgão do governo localizado em uma determinada região e demandando algum tipo de bem, por exemplo material de limpeza; antes que se abra o processo de licitação, é feito um esforço para identificar se aquele objeto solicitado tem condições de ser fornecido por pelo mercado local. Segundo o chefe de gabinete, trata-se de uma “política de combate às desigualdades regionais”.

Para a superintendente de Minas Gerais, os incentivos às MPEs são ainda muito recentes, pois a lei federal, que influenciou tanto o decreto mineiro, quanto as leis sergipana e baiana, é de 2006. Até esta data, os sistemas de compras utilizados pelos governos estaduais não tinham informações sobre o porte das empresas com as quais negociava. “Não era importante saber qual era o porte da empresa, qualquer uma tinha o mesmo tratamento nas compras”, aponta Hirle.

Corrupção, capacitação e outras políticas
Diante das afirmações de que o sistema de compras públicas do Brasil é ineficiente, e que uma das razões é a concentração de esforços na questão do combate à corrupção, Jorge Teles explica que, em Sergipe, para se fazer uma compra, é discutido primeiro qual o consumo histórico nos últimos anos. Depois, verifica-se qual o saldo que o órgão demandante tem em almoxarifado próprio. “Só assim, é que é dada, ou não, a autorização para a compra”. Além disso, Teles enfatiza a preocupação com o controle da qualidade do produto ou do serviço adquirido. “Estamos exigindo, a partir de agora, a apresentação prévia do produto, para passar pelo crivo do controle de qualidade”, diz.

Hirle, de Minas, concorda que existem, na Lei de Licitações, procedimentos bastante burocráticos, mas classifica a adoção do Pregão Eletrônico, a partir de 2002, como fator determinante para o aprimoramento das compras públicas no país. “Em Minas Gerais estamos trabalhando tanto com as questões econômicas da compra, no sentido de evitar gastos, quanto com a estratégia da compra e a qualidade do item conquistado”, afirma.

A superintendente cita o projeto Gestão Estratégica de Suprimentos, que estuda as melhores práticas externas, além de toda a cadeia de suprimentos, para poder estabelecer qual o critério que será adotado para as compras em Minas Gerais. Segundo ela, “são estudadas algumas famílias de gastos mais relevantes, para tentar qualidade no processo de nossa compra”.

Goes, da Bahia, ainda identifica falhas no processo geral de compras públicas brasileiro. “As práticas de aquisição devem avançar, para que se consiga desenvolver a qualidade do gasto público e os demais elementos do sistema de compra, inclusive o fator de combate à corrupção”, acredita. Cita, como exemplo, o programa de Qualidade do Gasto Público, do governo baiano, que trabalha em várias direções, não só na de controle para evitar desvios, mas também na de qualidade do custo e do serviço.

Conectada à variável eficiência está outra, a formação de servidores compradores. De acordo com Teles, a melhora da capacitação dos compradores públicos está atrelada à conscientização, por parte dos governantes, de que a gestão pública é fator de produtividade. Em Sergipe, o governo oferece uma série de cursos na área financeira e tributária. Em Minas, são realizados workshops de transferência de conhecimento, além de seminários. Uma Escola de Governo, vinculada à Fundação João Pinheiro, também disponibiliza cursos para o servidor nas áreas de licitação, contrato e pregão.

Na Bahia, contudo, as atenções estão voltadas para outro tipo de profissional, o fiscal de contrato. “O que acontece é que se tem um êxito na licitação, mas, às vezes, um mau fornecedor pode acabar ganhando mais, devido á falta de fiscalização dos contratos”, argumenta Góes. Por conta disso, a Secretaria da Administração do estado capacitou, até agora, cerca de mil servidores, que ficam responsáveis pelo gerenciamento dos contratos. Quanto à formação de compradores, a preocupação é menor, pois, como explica Góes, “as compras já seguem os editais padrões e os objetivos da lei”.

Por alexandre.motta2

Caros Amigos,
Fico contente que o Bruno tenha se empolgado com o tema das compras públicas. Isso já é um passo enorme, dado que a questão não desperta grandes paixões no grande público e tende a ser valorizada menos ainda pelos jornalistas. A matéria em si está muito boa, mas é necessário fazer uma distinção entre as questões apresentadas no texto "Estudo discute processo de compras do Estado" (com link no artigo acima) e as que são discutidas aqui.

A presente matéria trata do chamado poder de compra do Estado, enquanto ferramenta de promoção do desenvolvimento econômico. Pessoalmente, tenho grande afinidade conceitual com tais ações, mas é bom lembrar que isso não é uma novidade. O "Buy American Act" é de 33 (1933). Mas 70 e poucos anos de atraso, não é lá uma coisa tão surpreendente em se tratando do setor público brasileiro. E como eu sou um otimista, antes tarde do que nunca!

Por outro lado, no texto anterior, meu foco é o da qualidade do gasto público, ou seja, como evitar desperdícios e custos desnecessários para a administração pública federal, nos seus processo de aquisição. Nesse sentido o comentário do Israel é muito interessante, pois apresenta uma situação concreta onde as interpretações da lei de licitações, pelos órgãos de controle, nos conduz a esdrúxula situação em que o cumprimento da lei traz um prejuízo para a administração pública.

Mas retomando a questão estadual, apresentada pelo Bruno em sua ótima matéria, para os amigos que se interessam pelos avanços estaduais no campo da qualidade do gasto público, recomendo vivamente o texto "Gestão Pública, Eficiência Privada", publicado na Revista Tecnologística de fevereiro de 2008 (http://www.tecnologistica.com.br/site/5,1,2,20389.asp - é necessário se cadastrar, gratuitamente, para baixar o arquivo em pdf).

Ainda no campo público, mas municipal, também há um interessante estudo chamado "Um olhar da Engenharia de Produção sobre a Administração Pública Municipal: Compras e Contratações na Prefeitura de Florianópolis" (é só procurar no google este título e vocês visualizarão o link para baixar o arquivo em pdf).
Abraços,
Alexandre Motta.











quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Cristina Kirchner: O acerto de contas com o passado



Cristina Kirchner: O acerto de contas com o passado nebuloso dos barões da imprensa argentina
A presidenta da Argentina, Cristina Kirchner e seu governo deram um exemplo de altivez, coragem política e senso de justiça e acerto de contas com o passado.

Kirchner resolveu enfrentar o maior grupo de comunicação do país, Grupo Clarín, algo como enfrentar a Organziações Globo no Brasil. Isso não é pouco, após bem sucedida ação parlamentar que criou a Ley de Medios, que possibilita a regulação para o setor em bases claras e equilibradas, democratização, amplitude de alcance e permissão para publicidade para as rádios comunitárias, entre outras ações.
Pois bem, o governo argentino partiu para o ataque e, munido de um dossiê de cerca de 20 mil páginas acusa a apropriação indébita da empresa fornecedora de celulose, Papel Prensa, por parte do Clarín e do La Nación durante o período de ditadura, além da participação desses grupos de comunicação em crimes durante o regime militar, quando também agiram em sociedade com o regime autoritário no controle social da população argentina, através de seus editoriais partidários da pró-ditadura.

Leia a íntegra: http://palavras-diversas.blogspot.com/

Para Financial Times, Dilma deve ter vitória "retumbante" nas eleições

Fernando Taquari
Do Valor Em São Paulo

O site do jornal inglês Financial Times publicou na noite de ontem um pequeno artigo em que diz ser difícil imaginar um resultado diferente nestas eleições presidenciais do que uma vitória "retumbante" de Dilma Rousseff (PT).

Apesar da observação, o artigo se dedica mais a analisar as estratégias de campanha adotadas pelo candidato do PSDB, José Serra. O texto ressaltou que o tucano liderou as pesquisas até o mês passado, quando foi ultrapassado pela petista.

Para o Financial Times, a campanha tucana está caótica e praticamente baseada apenas nos avanços na área de saúde, promovidos por Serra enquanto ele ocupou os cargos de ministro, prefeito da capital paulista e governador de São Paulo. Conforme o artigo, o candidato do PSDB também teria garantido grande espaço na mídia ao acusar o presidente da Bolívia, Evo Morales, de facilitar a entrada de drogas no Brasil, além de relacionar o PT com as Forças Revolucionárias da Colômbia (Farc).

Ao relembrar as críticas de Serra, o Financial Times observa que elas não tem nada a ver com o programa de governo tucano. "Ele deveria continuar a reforma do estado iniciada na década de 90 por Fernando Henrique Cardoso. Ao invés disso, Serra permitiu que Dilma se posicionasse como a campeão da ortodoxia e da responsabilidade fiscal", disse o texto.


CPI da Corrupção do DF indicia Arruda, Roriz e mais 20 por desvio de dinheiro público

FILIPE COUTINHO DE BRASÍLIA direto do http://www.uol.com.br/

A CPI da Corrupção do DF aprovou nesta quarta-feira relatório final que pede os indiciamentos de 22 pessoas, incluindo o ex-governador José Roberto Arruda (sem partido) e o candidato ao governo Joaquim Roriz (PSC), pelo esquema de cobrança de propina e compra de deputados conhecido como mensalão do DEM.

CPI da Corrupção diz que campanha de Roriz foi financiada com dinheiro público

No total, a CPI aponta a prática de 17 crimes, como corrupção ativa e passiva, formação de quadrilha e lavagem de dinheiro.

"Nos governos de Joaquim Roriz e Arruda as regras foram invertidas e dispensava-se a licitação para facilitar a atuação dos grupos criminosos", diz o relatório do deputado Paulo Tadeu (PT).
"Embora Arruda seja o símbolo, Roriz foi muito mais pródigo nos contratos sem licitação. A podridão do governo Arruda saiu das entranhas do governo Roriz", afirma o relatório.

Numa votação rápida, o texto foi aprovado por unanimidade pelos quatro deputados distritais que participaram da sessão na Câmara Legislativa do DF. Três eram aliados do ex-governador José Roberto Arruda (sem partido), apontado pelo relatório como "gestor de esquema nefasto de corrupção".

Entre os que votaram a favor dos indiciamentos, está o deputado distrital Raimundo Ribeiro (PSDB), que apoia Roriz.

A CPI estava parada há dois meses e o relatório final será encaminhado para Polícia Federal, Ministério Público e Superior Tribunal de Justiça. O relatório pede ainda que se aprofundem as investigações contra as 22 pessoas indiciadas e 36 empresas.

O relatório diz que o esquema começou no governo de Joaquim Roriz (PSC), antecessor de Arruda e agora candidato a governador. Foram dez anos de desvio, iniciando-se em 1999 e durando até a operação Caixa de Pandora, segundo o documento.

De acordo com o documento, o "orçamento da Caixa de Pandora", ou seja, quanto o governo gastou em contratos suspeitos, soma R$ 4,2 bilhões desde o governo Roriz.

A CPI sugere ainda o desdobramento das investigações em outras três frentes, sobre o pagamento de propinas em contratos de limpeza urbana, programas de isenção fiscal e na aprovação do Plano Diretor que impulsionou o mercado imobiliário brasiliense.

Os seis deputados distritais investigados pela Polícia Federal foram poupados pela CPI. "Não foram encontrados indícios de que qualquer deputado desta Casa recebeu propina", disse Paulo Tadeu.

Segundo o coordenador da campanha de Roriz, Paulo Fona, o relatório é uma "jogada política". "Isso vem de um deputado do PT. A CPI ficou parada meses e agora aparece o relatório às vésperas da eleição. Como é que ele se esquece de dizer que os contratos do Instituto de Candango de Solidariedade começou no governo do PT?", disse.

De acordo com o assessor de Roriz, as contas da campanha de 2002 já foram investigadas. "Isso é uma mentira [que houve dinheiro público]. Isso já foi investigado e não houve nenhuma comprovação. isso é requentado", afirmou.



tecidos sobre a terra






jura secreta in saquarema

antes
que alguém morra
escrevo
prevendo a morte
arriscando a vida
antes
que seja tarde
e
que a língua da minha boca
não cubra mais
tua ferida

amada
de muitos sonhos
e pouco sexo
deposito a minha boca
no teu cio
e uma semente fértil
nos teus seios
como um rio

o que me dói
é ter-te
devorada
por estranhos olhos
e
deter impulsos
por fidelidade

ó terra
incestuosa
de prazer e gestos
não me prendo ao laço
dos teus comandantes
só me enterro
a fundo
nos teus vagabundos
com um prazer de fera
e um punhal
de amante

artur gomes
in Suor & Cio – 1985
http://artur-gomes.blogspot.com/

Otavinho, para Lula: “Como é que o senhor vai governar o Brasil se não fala inglês?”

Em comício no MS, Lula ataca diretor da ‘Folha de S. Paulo’
24 de agosto de 2010 • 23h33 • atualizado em 25 de agosto de 2010 às 02h30
Claudio Leal Direto de Campo Grande (MS)
no Terra

No comício em Campo Grande (MS), na noite desta terça-feira (24), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva atacou o publisher da Folha de S. Paulo, Otávio Frias Filho, por um episódio ocorrido em 2002, quando foi cobrado, em almoço no jornal paulista, por não falar inglês. Em elevados decibéis, ao lado dos candidatos Dilma Rousseff e Zeca do PT, Lula criticou os que o viam como “cidadão de segunda classe ou verdadeiro vira-lata”.

“Me lembro como se fosse hoje, quando eu estava almoçando com a Folha de São Paulo. O diretor da Folha de São Paulo perguntou pra mim: “O senhor fala em inglês? Como é que o senhor vai governar o Brasil se o senhor não fala inglês?”… E eu falei pra ele: alguém já perguntou se Bill Clinton fala português? Eles achavam que o Bill Clinton não tinha obrigação de falar português!”, alvejou. A plateia o interrompeu, com gritos e aplausos. “Era eu, o subalterno, o colonizado, que tinha que falar inglês, e não Bill Clinton o português!”.

“Houve uma hora em que eu fiquei chateado e me levantei da mesa e falei: eu não vim aqui pra dar entrevista, eu vim aqui pra almoçar… Levantei, parei o almoço… E fui embora”, prosseguiu. “Quando terminou o meu mandato, Zeca… terminei sem precisar ter almoçado com nenhum jornal! Nunca faltei com o respeito com a imprensa… E vocês sabem o que já fizeram comigo…”, encerrou o presidente.

Altercom repudia declarações levianas de Serra

Em nota oficial, a Associação Brasileira de Empresas e Empreendedores de Comunicação critica as declarações do candidato do PSDB, que afirmou haver censura no país e denunciou a existência de "blogs sujos" que seriam patrocinados com dinheiro público. As afirmações foram feitas em evento promovido pela Associação Nacional dos Jornais, cuja presidente já admitiu que as grandes empresas de comunicação fazem o papel da oposição no Brasil. Esse fato, diz a nota, é a maior prova de que não existe censura no país. > LEIA MAIS Política 21/08/2010

Franklin Martins: Serra falta com a verdade

O Ministro-Chefe da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, Franklin Martins, divulgou nota oficial repudiando as acusações feitas ontem por José Serra, candidato do PSDB à presidência da República. Como se sabe, Serra acusou o governo de “censurar” a imprensa e de financiar “blogs sujos”. O tucano não apontou nenhum exemplo de censura que teria ocorrido nem identificou quais seriam os “blogs sujos”.

Segue a resposta de Franklin Martins:

O candidato do PSDB a presidente da República, José Serra, acusou hoje (19) o governo federal de cercear, constranger e censurar a imprensa. Trata-se de uma acusação grave e descabida, sem qualquer apoio nos fatos.

A imprensa no Brasil é livre. Ela apura – e deixa de apurar – o que quer. Publica – e deixa de publicar – o que deseja. Opina – e deixa de opinar – sobre o que bem entende. Todos os brasileiros sabem disso. Diariamente lêem jornais, ouvem noticiários de rádio e assistem a telejornais que divulgam críticas, procedentes ou não, ao governo. Jornalistas e veículos de imprensa jamais foram incomodados por qualquer tipo de pressão ou represália.

Para nós, a liberdade de imprensa é sagrada. O Estado Democrático só existe, consolida-se e se fortalece com uma imprensa livre. E, ao garantir a liberdade de imprensa no país, o governo federal sabe que está em perfeita sintonia com toda a sociedade. Ela é uma conquista do povo brasileiro.

Compreendemos que as paixões da campanha eleitoral podem, em determinadas circunstâncias, toldar julgamentos serenos, mesmo naqueles que dizem ter nervos de aço. Mas seria prudente que certos excessos fossem evitados. Ao dizer que o governo federal censura e persegue a imprensa, o candidato Serra não apenas falta com a verdade. Contribui também para arranhar a imagem internacional do Brasil, dando a entender que nossas instituições são frágeis e os valores democráticos, pouco consolidados.

Direto do blog de Emir Sader

terça-feira, 24 de agosto de 2010

O próximo passo da blogosfera: incentivar a militância digital

por Luiz Carlos Azenha http://www.viomundo.com.br/

A Conceição Oliveira, do Maria Frô, definiu bem: os blogueiros mais velhos devem ensinar aos mais novos como fazer política; e os mais novos devem ensinar tecnologia aos mais velhos. Foi a respeito de um momento que considero simbólico no debate final do Encontro Nacional de Blogueiros, quando aqueles que queriam incluir a palavra “mídia colaborativa” na carta foram derrotados pela grande maioria. Perderam duas vezes, por não terem conseguido explicar o que queriam dizer com isso. Talvez não tenham tido tempo de fazê-lo. Vou tentar explicar esse distanciamento entre as gerações, que ficou evidente.

Quando leio os portais da grande mídia e mesmo quando leio a Carta Maior, a Caros Amigos e a CartaCapital na internet (as três com conteúdo editorial excelente), percebo que todos estão ainda na internet do século 20. Na internet 1.0. Na internet verticalizada , em que os editores decidem e os leitores lêem. Sim, há caixas de comentários. E há espaço para os leitores se manifestarem, enviando fotos e informações, em alguns portais. Mas esses espaços ainda refletem, acima de tudo, a transposição da lógica da velha mídia para o espaço virtual. O leitor está ali, mas ainda é tratado como se fosse hierarquicamente inferior aos jornalistas, aos editores e aos especialistas.

Para não cometer uma injustiça, noto o excelente blog do Emir, do professor Emir Sader, que foi ao encontro dos blogueiros; e as mudanças que Celso Marcondes fez, melhorando muito o site da Carta Capital.

Noto, também, que a lógica da velha mídia é reproduzida por muitos blogueiros. Aliás, ela fazia sentido quando a internet começou a se transformar em um espaço para furar o bloqueio dos barões da mídia. Muitos blogueiros se tornaram, eles próprios, micro-barões da mídia, com poder de veto sobre os comentários e a condução da linha editorial do espaço. Fazia sentido, quando não existiam ainda as ferramentas da internet 2.0, da chamada mídia colaborativa ou horizontalizada.

Quais são essas ferramentas? O twitter e o formspring, os microblogs que permitem a você trocar informações com outros internautas; as redes sociais como o facebook e o orkut, em que você se integra a uma comunidade de internautas; e ferramentas como o twitpic, a twitcam e o ustream, que permitem a você enviar e receber imagens de internautas e transmitir vídeo ao vivo enquanto interage com os leitores. Há dezenas de outras, essas são apenas as mais conhecidas.

O que significam essas ferramentas? Basicamente, interação.

Qual a consequência do uso delas por um blogueiro, seja jornalista ou não? Fica implícito que ele desce do pedestal, se iguala aos leitores, passa a ser apenas o coordenador do espaço, que na verdade é tocado pelos interesses dos leitores e comentaristas.

A longo prazo, seria o fim do jornalismo industrial. Seria, não, será. Talvez eu não viva para testemunhar isso, mas o papel tradicional da mídia, assim chamada por pretender fazer a mediação entre os diversos atores sociais, receberá um estaca no coração cravada pela “mídia colaborativa”.

As razões para isso residem no fato de que há uma infinidade de leitores muito mais qualificados do que eu ou qualquer blogueiro para escrever sobre engenharia, medicina e informática. Para fazer humor ou opinar sobre política. Para tratar de questões éticas ou legais. E essas pessoas começam a participar da blogosfera, criando seus próprios espaços ou comentando nos já existentes.

Como demonstrei no Encontro Nacional de Blogueiros, onde apresentei a minha “mala de ferramentas” (câmeras, gravadores, cabos de conexão etc.), quando quero carrego comigo uma emissora de rádio, de TV e um jornal. Quanto Assis Chateaubriand gastou para formar seu império? E o Roberto Marinho? Guardadas as devidas proporções, as novas tecnologias de informação permitem a um blogueiro ter seu mini-império informativo com um investimento total de menos de 5 mil reais.

Qual é a diferença essencial entre ele, blogueiro, e o jornalista que trabalha em uma corporação?

A liberdade para falar e escrever o que quiser, desde que se submeta de maneira elegante à chuva de críticas de seus próprios leitores, quando for o caso. Sim, porque os leitores deixam de ser apenas receptores de informação. Eles opinam, criticam, acrescentam e anunciam na caixa de comentários. Funcionam como abelhas em um processo de polinização. Trazem sugestões de textos, insights e informações que muitas vezes se transformam em posts, ou seja, os leitores se tornam co-responsáveis pelo espaço.

É justamente por isso que, como notou o Rodrigo Vianna, do Escrevinhador, talvez o foco do Segundo Encontro Nacional de Blogueiros deva ser na troca de informações entre os blogueiros sobre essas novas tecnologias. Fizemos alguns painéis que tiraram o fôlego do público, tantas eram as novidades sobre as quais falamos.

Já antevejo o passo seguinte: esses blogueiros, futuramente, poderão ser os professores dessas tecnologias em seus bairros, em escolas técnicas ou junto aos movimentos sociais.
Essas tecnologias, obviamente, são politicamente neutras, mas devem ser apropriadas para que um número cada vez maior de brasileiros possa produzir conteúdo informativo e participar direta e ativamente do trabalho de aprofundamento de nossa nascente democracia.

PS: Registro, com satisfação, que muitos leitores do Viomundo participaram do Encontro. O Gerson Carneiro me escapou, mas o Glécio Tavares e o Francisco Latorre foram obrigados a me ouvir pessoalmente. Aliás, com as novas ferramentas do Intense Debate (usado por este espaço), o leitor pode transformar os comentários que deixa em diversos blogs em seu próprio blog! Aqui, o espaço do Glécio. Aqui, o espaço do Latorre. Aqui, o espaço do Gerson.

Se você fizer comentários depois de se inscrever no Intense Debate, poderá acompanhar o que dizem os comentaristas da blogosfera neste e em outros blogs. Clique na imagem do Urariano Mota, por exemplo, que aparece no comentário que ele deixou neste texto.

SAIBA AQUI QUEM PATROCINOU O ENCONTRO


Destacamos abaixo a postagem de Douglas da Mata do blog Planície Lamacenta:

Carnaval & eleições fora de época: entre micaretas e picaretas!

Mas é irresistível associar as duas "paixões" dos habitantes dessa planície lamacenta, e que apresentam pontos em comum: improviso, desvios de conduta, enfim, um "desfile" de precaridades e abusos, que deslocaram suas temporaneidades.

Nosso carnaval e nossas eleições são eventos de péssimo gosto, e de resultado sempre duvidoso!
Embora a "indústria cultural carnavalesca" seja tratada como deve na maioria dos lugares desse país, e gere lucro, riquezas, e também problemas como toda atividade, aqui na planície lamacenta, nosso carnaval é um circo de horrores, e pior, fora de época.

Como nas eleições, nosso carnaval é um monstro devorador de verbas públicas!
Como no carnaval, nossas eleições se fazem com alegorias emprestadas!
Como no carnaval, em nossas eleições os mandatos são tão estáveis e sérios como o reinado de Momo!

Temos desfiles e eleições todo ano, e nos dois o resultado é um só: desastre! Tudo aqui é fora de época!

Nos dois fenômenos, a intervenção externa só piora: No carnaval, a interferência do poder municipal só piora o "espétáculo" a cada ano, assim como nas eleições, quando seguidas intervenções jurídico-policiais degradam o ambiente político!

Aqui, eleição não é só manifestação de vontade popular, nem carnaval é manifestação de cultura! Viraram antes, meios de vida! Fins em si mesmos, que deslocam e distorcem a realidade na qual estão inseridos.

Ambos geram os picaretas, arremedos de artistas, mascarados de mandato!


Progressão continuada alastra analfabetismo funcional em SP, afirmam professores

O avanço sucessivo e sem interrupções dos alunos da rede pública no estado de São Paulo preocupa docentes. Jovens chegam ao Ensino Médio e à universidade com dificuldades para ler e escrever
Por: Suzana Vier, Rede Brasil Atual

Progressão continuada - política educacional responsável pela aprovação automática dos alunos - é o principal problema educacional do estado de São Paulo, segundo professores ouvidos pela Rede Brasil Atual

São Paulo - Na sala de reuniões de uma escola da rede pública estadual de São Paulo, a professora de Língua Portuguesa Paula* comemora a evolução de um aluno da sexta série do ensino fundamental. "Ele escreveu o nome na capa do trabalho", mostra a docente a três colegas e à reportagem da Rede Brasil Atual. Ele começou a ler e escrever apenas neste ano. Até o início de 2010, o garoto de 12 anos sequer abria o caderno, afirma Cristina*, responsável pela disciplina de Biologia. A professora conta que não é difícil detectar os alunos considerados "analfabetos funcionais". "Ou ele avisa ou, na primeira leitura, eu vou perceber", indica a docente.

O principal motivo para esse tipo de deficiência de aprendizado está, na visão dos docentes ouvidos pela reportagem, no sistema de progressão continuada, em que o aluno precisa apenas se fazer presente em sala de aula para ser aprovado automaticamente. No máximo, os alunos podem ser retidos na quarta série, por um ano, depois eles vão seguir, mesmo sem o conhecimento necessário. Os entrevistados ainda apontam problemas de infraestrutura, de salário e distanciamento das famílias.

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"É comum 30% dos alunos da sexta série não saberem ler e escrever", detecta Paula*, professora de Língua Portuguesa há 21 anos no magistério. A aprovação ano após ano, sem avaliação do conteúdo dominado pelo aluno permite que muitos estudantes terminem o ensino médio sem terem o conhecimento mínimo necessário, alerta Tomé Ferraz, professor de física e matemática das redes municipal e estadual de São Paulo.

"É a aprovação a qualquer custo", identifica. "Em São Paulo, a educação são dados estatísticos, é porcentagem para lá, porcentagem para cá, mas não se analisa como o aluno está terminando o ensino médio. Depois ele vai ser só mais um diploma", analisa o professor.

Paula conta que utiliza, nos primeiros dias de aula nas sextas séries em que leciona, ditado e produção de textos como ferramentas. A percepção do problema não demora. "Geralmente tem criança que entrega em branco, não sabe fazer nada do ditado", aponta. "Se eles vão escrever, por exemplo, 'bala', eles colocam qualquer letra", descreve.

Apesar de lecionar Biologia, Cristina faz um esforço pessoal para trabalhar a alfabetização com os alunos cuja atuação esteja comprometida. "Se eu alfabetizei meu filho de quatro anos, eu vou conseguir com um garoto de 12", afirma. Ela cita que os alunos têm enorme dificuldade com sílabas complexas como "tra" e "pla". "Eles conhecem formações silábicas básicas somente", acentua.

Na hora de avaliar alunos de sexta série, sem condições de ler e escrever com fluência, Cristina utiliza métodos diferenciados do restante da classe. "Faço avaliação com prova oral e análise comportamental, afinal se ele não compreende o teor da prova não consegue responder. Uma avaliação escrita envolve habilidade de leitura e escrita", explica.

Analfabetismo funcional
Segundo a Organização das Nações Unidas para a Educação a Ciência e a Cultura (Unesco), analfabeto funcional é a pessoa que sabe escrever seu próprio nome, assim como ler e escrever frases simples, efetua cálculos básicos, mas é incapaz de interpretar o que lê e de usar a leitura e a escrita em atividades cotidianas, dificultando seu desenvolvimento pessoal e profissional. Ou seja, o analfabeto funcional não consegue extrair o sentido das palavras, colocar ideias no papel por meio da escrita, nem fazer operações matemáticas mais elaboradas.

Sem compreender bem o conteúdo das disciplinas, o aluno de Cristina e Paula, que iniciou o ano sem estar alfabetizado, também se mostra desmotivado. Em uma única aula de biologia de 50 minutos, Cristina pediu atenção ao garoto pelo menos cinco vezes.

Sem coerência
Rosana Almeida, professora de sociologia da rede pública estadual, enfrenta problema semelhante com alunos do 1º ano do Ensino Médio. "Eles conseguem construir a palavra, mas não a frase", diz. "Nós professores temos de aceitar que se a ideia dele foi certa, ele vai ser aprovado", critica. "O jovem entendeu o que você explicou, mas não sabe escrever".

O motivo para haver uma parcela significativa de alunos que chegam ao ensino médio sem estar devidamente alfabetizados envolve, de um lado, alunos com problemas de deficiência intelectual e, de outro, o "abandono" do sistema educacional, na visão da professora. "Você tem uma sala superlotada, a professora trabalha com quem sabe ler e escrever e quem não sabe vai ficando para trás", expõe Paula.

Entre os principais problemas dos alunos que chegam ao ensino médio, Rosana cita que "não existe mais gramática, nem conjugação de verbo". Quando a professora pede para os alunos produzirem um texto, surge resistência. "Chega na quinta (série) não sabe escrever e não consegue acompanhar, passa para a sexta, sétima e oitava. Na oitava, tem um índice de indisciplina altíssimo porque ele, de novo, não consegue acompanhar", sustenta.

Paula confirma que os alunos que têm essa dificuldade acabam fazendo mais bagunça. "São os mais indisciplinados. Por não saberem nem ler, nem escrever eles não entendem nada, não participam da aula; o que resta é ficar bagunçando", desabafa. "No ensino médio, os estudantes produzem jogos de palavras sem sentido, sem coerência e coesão. Isso tem bastante, até na universidade", completa.

Estudantes chegam ao Ensino Médio com dificuldade de expressar ideias

De 30 alunos da rede municipal da capital paulista, Tomé calcula que só dois teriam condição de estar no Ensino Médio, levando em conta o conhecimento em matemática. "Em física então, os professores vão ter muito problema, no ensino médio", relata. Para o docente os alunos da rede pública de São Paulo que se formarem serão "alguns no turbilhão".

Progressão continuada ou aprovação automática?

A progressão continuada, adotada a partir de 1998 em São Paulo, é um procedimento utilizado pela escola que permite ao aluno avanços sucessivos e sem interrupções, nas séries, ciclos ou fases, de acordo com a Agência EducaBrasil.

Para especialistas, é uma metodologia pedagógica avançada por propor uma avaliação constante, contínua e cumulativa, além de basear-se na ideia de que reprovar o aluno sucessivamente não contribui para melhorar seu aprendizado.

Sua aplicação, porém, transformou-se em sinônimo de "aprovação automática" dos alunos, segundo muitos professores e analistas.

Essa ideia leva em conta que a progressão foi adotada, no Brasil, sem se mudar as condições estruturais, pedagógicas, salariais e de formação dos professores.

Eduardo*, professor universitário, mestrando e pesquisador da geração Y – jovens nascidos a partir de 1980 –, analisa que os estudantes são vítimas de um círculo vicioso fatal para a vida profissional futura. A dificuldade inicial em ler e escrever, transforma-se em dificuldade de compreensão, de reunir informações e de se expressar diante do mundo, conceitua.
"Se o aluno não compreende frases inteiras, como ele vai resolver questões de matemática?" questiona. "Eles até sabem que 3 x 5 é 15, mas se você colocar na prova quanto é o triplo de 5 mais o dobro de 20, ele não vai saber", exemplifica.

"Se questões básicas não estão resolvidas, a estrutura fica afetada e o conhecimento que vem depois não se concretiza", alerta Eduardo.

* Os nomes de alguns professores foram trocados a pedido dos entrevistados

CAMPOS DOS GOYTACAZES

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