domingo, 31 de outubro de 2010

Eleição de Dilma é a maior vitória do lulismo no Brasil

Paulo Cezar da Rosa by CartaCapital

Dilma venceu. Lula venceu. Depois do primeiro trabalhador, temos a primeira mulher na presidência do Brasil. Não foi uma vitória fácil

Fazer um balanço de uma campanha eleitoral ainda no calor dos acontecimentos é tarefa arriscada. Mas vamos ao desafio proposto por nosso editor.

Nova hegemonia – Estamos vivendo os primeiros dias de uma nova hegemonia no Brasil. Como dizia aquela música do Roberto e do Erasmo, “daqui pra frente, tudo vai ser diferente”. Agora, o Brasil tem um novo projeto de nação, capaz de ofertar oportunidades a todos os brasileiros.

Daqui pra frente, crescimento econômico e justiça social não serão mais antagônicos, assim como sustentabilidade e desenvolvimento. O Brasil se lança no mundo moderno como um país capaz de enfrentar os desafios do mundo globalizado. Não é pouca coisa!

Tenho lido e ouvido muitas críticas ao nível dos debates nesta eleição. Posso concordar com algumas, mas em geral estou em desacordo. Penso que esta eleição teve o melhor e mais transparente debate político de todos. Acompanho eleições desde 1982. Esta foi a primeira em que os projetos foram explicitados. O argumento de que os debates não trataram das questões importantes, em geral é daqueles que não conseguiram pautar os rumos da campanha. Agora tentam desqualificar a decisão do eleitor, dizer que o voto foi no marketing e não na política.

Penso que ocorreu justamente o contrário. Pode não ter sido um debate muito aprofundado, mas foi o mais elevado possível dentro da nossa realidade. O eleitor, em 2010, votou consciente.
A direita no Brasil, em campanha eleitoral, sempre apresentou um discurso de centro-esquerda. Quando isso é possível, os debates eleitorais sempre são “muito bons”. Atendem, formalmente, os anseios do eleitor, que deseja uma política séria, comprometida com a justiça social, com o desenvolvimento e a democracia.

O último debate na rede Globo é o maior exemplo disso. As diferenças entre Dilma e Serra se diluíram. Os dois apareceram como políticos esforçados, candidatos a fazer o melhor pelo Brasil e pelos brasileiros.

Entretanto, a marca desta campanha não foi esta. Tivemos um franco combate entre o lulismo e a direita brasileira. Uma guerra. Pela primeira vez, desde 1989, a direita apresentou-se aos eleitores brasileiros com sua própria cara, com seus preconceitos e propostas obscurantistas. E o lulismo, ao inverso, pôde se apresentar como realizador, como um sujeito político capaz de “seguir mudando”.

A guerra eleitoral – Uma campanha eleitoral é sempre uma guerra. O campo de batalha é a mente do eleitor. Até estas eleições, o discurso de “centro-esquerda” da direita obedecia à máxima do conservadorismo brasileiro: o poder se toma com a mão esquerda (frágil), e se exerce com a mão direita (forte).

Em campanha, a direita sempre se apresentou com preocupação social, ao lado dos mais pobres, defensora de suas demandas mais importantes. Em 2010, Serra bem que tentou, fazendo propostas mirabolantes para o salário mínimo, a previdência, o Bolsa Família. Tentou, mas não conseguiu.

Nesta eleição, ao bancar a lógica plebiscitária, Lula conseguiu inverter a mão. O discurso de centro esquerda, que sempre foi ferramenta da direita em campanha, tornou-se instrumento do lulismo. Temendo ser invadida em seus espaços de atuação e apoio eleitoral (o que já vinha ocorrendo com os mais de 80% de aprovação de Lula), a direita se viu obrigada a, pela primeira vez, defender-se em seu próprio terreno. O terreno do preconceito. Do conservadorismo. Da “ética”. Da religiosidade e da hipocrisia na questão do aborto.

O posicionamento multipolar de Serra tem origem nesta mudança estrutural na correlação de forças no Brasil. Serra amanhecia Opus Dei e dormia apoiando o que o “Lula tem de bom”.

Iniciava o dia com um discurso do DEM e terminava a noite com “Serra é do bem”. Ao longo do dia apresentava “mil caras” entre a extrema-direita e a centro-esquerda.

A campanha Dilma – Não tenho ideia de quem foi a condução da campanha no dia a dia. Gerenciar uma campanha presidencial é sempre uma tarefa muito complexa. Mas se foi João Santana o condutor do marketing, parabéns!

Na passagem para o segundo turno tecemos algumas considerações sobre a necessidade de introduzir mudanças na campanha. Grosso modo, todas as medidas que conseguimos vislumbrar naquele momento foram implementadas. E o ataque reacionário usando a Igreja -até o Papa foi mobilizado- foi contornado com maestria pelo marketing de Dilma.

Foi uma campanha conduzida com firmeza e tranquilidade. O eleitor votou sabendo o que pode esperar de Dilma. E isso, numa eleição, é sempre o mais importante. Quando o candidato estabelece uma conexão sólida com o eleitor, baseada na verdade, não há desconstrução de imagem que funcione. Dilma, há cerca de dois anos, não era ninguém do ponto de vista eleitoral. Hoje, é tudo.

O papel da velha mídia – Tratando das eleições gaúchas há cerca de um ano, afirmei que estas seriam as eleições mais livres que já tivemos porque a mídia estava perdendo o controle da opinião pública e, principalmente, já não controla os setores emergentes na sociedade brasileira.

De fato, foi isso o que ocorreu. O episódio da bolinha de papel, que a campanha Serra tentou utilizar para inverter a tendência de derrota que já se apresentava, foi exemplar nesse sentido. Fossem outros os tempos, a versão apresentada pela rede Globo se afirmaria como verdadeira. E os rumos do processo poderiam ter sido alterados.

A mídia velha acabou por fazer um triste papel nestas eleições, o de dar guarida para o terrorismo midiático-ideológico que a campanha Serra desencadeou ao ver suas cidadelas ameaçadas. Mas seu papel acabou por ser menor. A tal ponto que agora, passadas as eleições, chega a ser ridículo assistir os comentaristas políticos da Globo News acusando Lula de ter feito campanha.

Quando ficou evidente a ineficácia da velha mídia, a direita foi obrigada a apelar para outras ferramentas. Foi por não conseguir reverter as tendências com o “simples” apoio dos jornalões e da Globo que a campanha Serra apelou para o telemarketing, a panfletaria apócrifa, os vídeos terroristas na internet.

A internet e o futuro – Sou de uma geração que apostou na luta política e na disputa do poder através do voto. A geração anterior a minha pensava a luta com outros métodos, adequados (ou não) para seu momento histórico. Herdeiros desta experiência, apostamos no convencimento, no argumento, na solidariedade, no voto, na democracia.

No início desta eleição, o efeito que a vitória de Obama trouxe sobre o potencial eleitoral da internet criou muitas ilusões a respeito deste meio de comunicação. Embalados pelo exemplo americano, feito “happy monkeys”, os candidatos gastaram muito dinheiro para, no final das contas, produzir spam.

A internet cumpriu um grande papel, mas não da forma que se pensava. Tudo por um motivo muito simples. Uma mensagem, para ser aceita, precisa ter credibilidade. Foram as publicações, os blogs e as pessoas com credibilidade, através do twitter e das redes sociais, que tiveram importância e influíram no curso dos acontecimentos.

Iniciativas como a do professor que gravou as imagens da Globo e as analisou, mostrando a manipulação, de um lado, e desta publicação, posicionando-se abertamente em favor de Dilma, desde o início do processo, fizeram a diferença nestas eleições.

A vitória deste domingo é a primeira grande vitória política do lulismo no Brasil. É pedra fundamental de uma nova hegemonia. Assim como o jornal e o rádio foram as ferramentas de comunicação da política de substituição das importações em meados do século passado e a televisão foi o instrumento de modernização autoritária da Ditadura Militar no final do século, hoje, a comunicação digital, a comunicação em rede, pode ajudar a construir o novo Brasil e consolidar essa nova hegemonia que está nascendo.

Paulo Cezar da Rosa
jornalista e publicitário. Publicou o livro O Marketing e a Comunicação da Esquerda.
É diretor da Veraz Comunicação e da Red Marketing, ambas sediadas em Porto Alegre. paulocezar@veraz.com.br

Brasil elege Dilma para ser “a mulher mais poderosa do mundo”




A foto ao lado não ilustrou a reportagem do jornal britânico Independent, que reproduzo abaixo, publicado antes do primeiro turno e traduzido pela Katarina Peixoto para a Carta Maior:
Hugh O’Shaughnessy – The Independent - fonte: http://www.viomundo.com.br/
A mulher mais poderosa do mundo começará a andar com as próprias pernas no próximo fim de semana. Forte e vigorosa aos 63 anos, essa ex-líder da resistência a uma ditadura militar (que a torturou) se prepara para conquistar o seu lugar como Presidente do Brasil.
Como chefe de estado, a Presidente Dilma Rousseff seria mais poderosa que a Chanceler da Alemanha, Angela Merkel e que a Secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton: seu país enorme de 200 milhões de pessoas está comemorando seu novo tesouro petrolífero. A taxa de crescimento do Brasil, rivalizando com a China, é algo que a Europa e Washington podem apenas invejar.
Sua ampla vitória prevista para a próxima eleição presidencial será comemorada com encantamento por milhões. Marca a demolição final do “estado de segurança nacional”, um arranjo que os governos conservadores, nos EUA e na Europa já tomaram como seu melhor artifício para limitar a democracia e a reforma. Ele sustenta um status quo corrompido que mantém a imensa maioria na pobreza na América Latina, enquanto favorece seus amigos ricos.
A senhora Rousseff, filha de um imigrante búlgaro no Brasil e de sua esposa, professora primária, foi beneficiada por ser, de fato, a primeira ministra do imensamente popular Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ex-líder sindical. Mas com uma história de determinação e sucesso (que inclui ter se curado de um câncer linfático), essa companheira, mãe e avó será mulher por si mesma. As pesquisas mostram que ela construiu uma posição inexpugnável – de mais de 50%, comparado com menos de 30% – sobre o seu rival mais próximo, homem enfadonho de centro, chamado José Serra. Há pouca dúvida de que ela estará instalada no Palácio Presidencial Alvorada de Brasília, em janeiro.
Assim como o Presidente Jose Mujica do Uruguai, vizinho do Brasil, a senhora Rousseff não se constrange com um passado numa guerrilha urbana, que incluiu o combate a generais e um tempo na cadeia como prisioneira política.
Quando menina, na provinciana cidade de Belo Horizonte, ela diz que sonhava respectivamente em se tornar bailarina, bombeira e uma artista de trapézio. As freiras de sua escola levavam suas turmas para as áreas pobres para mostrá-las a grande desigualdade entre a minoria de classe média e a vasta maioria de pobres. Ela lembra que quando um menino pobre de olhos tristes chegou à porta da casa de sua família ela rasgou uma nota de dinheiro pela metade e dividiu com ele, sem saber que metade de uma nota não tinha valor.
Seu pai, Pedro, morreu quando ela tinha 14 anos, mas a essas alturas ele já tinha apresentado a Dilma os romances de Zola e Dostoiévski. Depois disso, ela e seus irmãos tiveram de batalhar duro com sua mãe para alcançar seus objetivos. Aos 16 anos ela estava na POLOP (Política Operária), um grupo organizado por fora do tradicional Partido Comunista Brasileiro que buscava trazer o socialismo para quem pouco sabia a seu respeito.
Os generais tomaram o poder em 1964 e instauraram um reino de terror para defender o que chamavam “segurança nacional”. Ela se juntou aos grupos radicais secretos que não viam nada de errado em pegar em armas para combater um regime militar ilegítimo. Além de agradarem aos ricos e esmagar sindicatos e classes baixas, os generais censuraram a imprensa, proibindo editores de deixarem espaços vazios nos jornais para mostrar onde as notícias tinham sido suprimidas.
A senhora Rousseff terminou na clandestina VAR-Palmares (Vanguarda Armada Revolucionária Palmares). Nos anos 60 e 70, os membros dessas organizações sequestravam diplomatas estrangeiros para resgatar prisioneiros: um embaixador dos EUA foi trocado por uma dúzia de prisioneiros políticos; um embaixador alemão foi trocado por 40 militantes; um representante suíço, trocado por 70.

Eles também balearam torturadores especialistas estrangeiros enviados para treinar os esquadrões da morte dos generais. Embora diga que nunca usou armas, ela chegou a ser capturada e torturada pela polícia secreta na equivalente brasileira de Abu Ghraib, o presídio Tiradentes, em São Paulo. Ela recebeu uma sentença de 25 meses por “subversão” e foi libertada depois de três anos. Hoje ela confessa abertamente ter “querido mudar o mundo”.
Em 1973 ela se mudou para o próspero estado do sul, o Rio Grande do Sul, onde seu segundo marido, um advogado, estava terminando de cumprir sua pena como prisioneiro político (seu primeiro casamento com um jovem militante de esquerda, Claudio Galeno, não sobreviveu às tensões de duas pessoas na correria, em cidades diferentes). Ela voltou à universidade, começou a trabalhar para o governo do estado em 1975, e teve uma filha, Paula.
Em 1986 ela foi nomeada secretária de finanças da cidade de Porto Alegre, a capital do estado, onde seus talentos políticos começaram a florescer. Os anos 1990 foram anos de bons ventos para ela. Em 1993 ela foi nomeada secretária de minas e energia do estado, e impulsionou amplamente o aumento da produção de energia, assegurando que o estado enfrentasse o racionamento de energia de que o resto do país padeceu.
Ela fez mil quilômetros de novas linhas de energia elétrica, novas barragens e estações de energia térmica construídas, enquanto persuadia os cidadãos a desligarem as luzes sempre que pudessem. Sua estrela política começou a brilhar muito. Mas em 1994, depois de 24 anos juntos, ela se separou do Senhor Araújo, aparentemente de maneira amigável. Ao mesmo tempo ela se voltou à vida acadêmica e política, mas sua tentativa de concluir o doutorado em ciências sociais fracassou em 1998.
Em 2000 ela adquiriu seu espaço com Lula e seu Partido dos Trabalhadores, que se volta sucessivamente para a combinação de crescimento econômico com o ataque à pobreza. Os dois se deram bem imediatamente e ela se tornou sua primeira ministra de energia em 2003. Dois anos depois ele a tornou chefe da casa civil e desde então passou a apostar nela para a sua sucessão.

Ela estava ao lado de Lula quando o Brasil encontrou uma vasta camada de petróleo, ajudando o líder que muitos da mídia européia e estadunidense denunciaram uma década atrás como um militante da extrema esquerda a retirar 24 milhões de brasileiros da pobreza. Lula estava com ela em abril do ano passado quando foi diagnosticada com um câncer linfático, uma condição declarada sob controle há um ano. Denúncias recentes de irregularidades financeiras entre membros de sua equipe quando estava no governo não parecem ter abalado a popularidade da candidata.
A Senhora Rousseff provavelmente convidará o Presidente Mujica do Uruguai para sua posse no Ano Novo. O Presidente Evo Morales, da Bolívia, o Presidente Hugo Chávez, da Venezuela e o Presidente Lugo, do Paraguai – outros líderes bem sucedidos da América do Sul que, como ela, têm sofrido ataques de campanhas impiedosas de degradação na mídia ocidental – certamente também estarão lá. Será uma celebração da decência política – e do feminismo.
Tradução: Katarina Peixoto

Dilma é eleita a 1ª mulher presidente do Brasil





Por: Anselmo Massad, Rede Brasil Atual

A presidente eleita Dilma Rousseff (Foto: Almeida Rocha/ Folhapress)


São Paulo - Dilma Rousseff (PT) está eleita presidente do Brasil. A informação foi confirmada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), às 20h14. Após 39 homens, ela será a primeira mulher a ocupar o cargo em toda a história brasileira.

Com 99,6% das urnas apuradas, ela alcança 55,5 milhões de votos, ou 56% do total. José Serra (PSDB), candidato da oposição, soma 43,6 milhões milhões de votos (44%). Faltam ser apurados 573,6 mil sufrágios.
Apesar de alcançar um percentual menor do que o de seu principal cabo eleitoral, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Dilma é eleita com um número de votos superior ao alcançado em 2002.

O crescimento do eleitorado explica o fato. Ela também supera em números absolutos e em percentuais as duas eleições de Fernando Henrique Cardoso (PSDB), em 1994 e 1998.
Como faltam ainda votos a serem apurados, ela pode superar Lula em 2006 como presidente eleita com mais apoiado da história (o atual mandatário do país teve 58 milhões de votos ao se reeleger).

A finalização da apuração no TSE está prevista ainda para este domingo. Abstiveram-se 21,3% do total – 3,2 pontos percentuais a mais do que no primeiro turno, quando 18,1% deixaram de comparecer às urnas. Votaram em branco 2,3% e nulo 4,4%.
Leia também:»
Com a confirmação, Dilma Rousseff torna-se a primeira mulher eleita para ocupar a Presidência do Brasil. Ela deve assumir o cargo em 1º de janeiro. A campanha foi marcada por fortes ataques entre os candidatos, com pronunciado papel para os veículos da velha mídia – jornais e revistas de maior tiragem e as principais redes privadas de televisão. Houve ainda um volume intenso de boatos circulando.
O deputado Henrique Fontana (PT-RS) declarou à Rede Brasil Atual em Brasília que prevê relação mais fácil de Dilma com Congresso Nacional, comparado com o que ocorreu nos dois mandatos de Lula. Ex-líder do governo Lula na Câmara, Fontana acredita que no começo do mandato será possível aprovar reformas política e tributária.
Para enfrentar os desafios da gestão, ela deve ter maioria no Congresso Nacional, já que partidos aliados conquistaram maioria simples das cadeiras. Isso não significa, porém, que partidos como o PMDB permitirão uma vida tranquila para a futura presidente, já que se trata de uma legenda heterogênea.




Dilma representa luta que “vem de longe”

por Rodrigo Vianna em O Escrivinhador

Café da manhã no dia histórico

Serra não deu as caras pela manhã nesse dia decisivo. Ele prefere a noite e as sombras. Dilma começou a jornada com um café-da-manhã simbólico em Porto Alegre: ao lado de Alceu Collares (PDT), Olívio Dutra e Tarso Genro (PT). Já escrevi aqui que Dilma é o reencontro do PT com o trabalhismo de origem varguista.

Depois de lutar contra a ditadura em organizaçções de esquerda marxista, Dilma optou pelo PDT quando a democracia voltou, nos aos 80. Esteve ao lado de Brizola, foi secretária de Alceu Collares no governo gaúcho. E não renega essa história, assim como não renega o passado de resistência à ditadura.

Brizola, esse grande brasileiro, costumava dizer: “venho de longe, de muito longe”. A frase tinha um sentido duplo: ele queria dizer que vinha de uma cidadezinha lá do interior gaúcho, e ao mesmo tempo que representava uma corrente de lutas enraizada no imaginário popular. Era um contraponto ao PT – que na época imaginava que as lutas populares no Brasil tinham começadao em 79, com as greves do ABC.

Dilma vem de longe, sim!

Dilma representa as lutas sociais do Brasil, e poderíamos ir buscar esse fio da história lá nas lutas anti-coloniais e anti-escravistas – de Tiradentes e Zumbi. Mas fiquemos no passado mais recente. Dilma é o tenentismo que lutou contra a República Velha. Dilma é o trabalhismo de esquerda. Dilma é o nacionalismo de Vargas – com Petrobrás, BNDES e o fortalecimento do Estado. Não é à toa que o ódio da elite anti-nacional contra Vargas tenha reaparecido agora com o ódio contra Lula e Dilma.

A candidata petista vem de muito longe.

Dilma é a Campanha da Legalidade em 61 – movimento em que Brizola resistiu contra o golpe, entricheirando-se no Palácio do Piratini e convocando a Rede da Legalidade.

Dilma é Luiz Carlos Prestes. Dilma é Arraes. Dilma é Francisco Julião e suas Ligas Camponesas.

Dilma é a resistência ao Golpe de 64, a resistência à ditadura e ao AI-5. Dilma é Lamarca, é Marighella e a esquerda de armas na mão contra a ditadura. Mas Dilma é também o MDB de Ulysses e da luta pela democracia formal. Nos anos 70, parecia que essa duas vertentes não iriam se encontrar nunca. Mas elas se encontraram!

Dilma é a greve de 79. Dilma é Vila Euclides. Dilma é a Campanha das Diretas e a Constituição cidadã de 88.

Dilma é Brizola. Dilma é Lula.

Dilma vem de longe. Concentra em sua candidatura lutas históricas do povo brasileiro. Dilma é a defesa de um legado de 8 anos. Defesa de um governo que teve, sim, muitos erros. Mas significou um avanço tremendo nesse país de tradição oligárquica e conservadora.

Dilma é a retomada do fio da história do Brasil. Um fio interrompido em 64. Dilma é o MST e as centrais sindicais. Dilma é o Brasil dos movimentos sociais, da luta contra concentração de terra e renda, contra a concentração da informação na mão de meia dúzia de famílias.

É importante eleger uma mulher – sim! Importantíssimo, e nos próximos dias poderemos avaliar isso melhor. Mas Dilma não é simplesmente “mulher”. É uma brasileira que ousou lutar contra a ditadura, em organizações clandestinas. Isso a velha elite não perdoa. É uma marca tão forte quanto os quatro dedos do operário que nunca será aceito na velha turma.

Dilma vem de longe. Dilma não é uma “invenção do Lula”. Dilma concentra a esperança de um Brasil mais justo.

Nesse dia histórico, depois de uma campanha exaustiva e lamentável por parte da direita, é preciso ainda estar atento. Porque do outro lado há gente que também vem de longe.

Serra representa o golpismo de Lacerda, Olympio Mourão, das marchas com Deus e a família. Serra é a concentração de renda dos militares, Serra é a ditadura. Infelizmente, jogou no lixo sua história somando-se ao que há de pior na história brasileira.

Serra vem de longe também. Serra é o liberalismo de FHC, Serra é o desmonte do Estado, Serra é Brasil dos anos 90 que se ajoelhava diante dos EUA, e que desprezava a unidade latino-americana.

Serra é um Brasil que vem de longe nos grandes e pequenos golpes contra a democracia. Por isso, é preciso estar atento nessa dia decisivo. Atento às urnas, aos boletins de urna, à fiscalização das urnas.

Votar em Dilma é votar num país que vem de longe. E que pode chegar muito mais longe nas próximas décadas.


Lula diz que Serra 'sai menor' da campanha

O Presidente Lula afirmou neste domingo, após votar em São Bernardo do Campo (SP), que o candidato do PSDB à Presidência, José Serra, "sai menor" da campanha eleitoral.
Lula afirmou: "Essa campanha foi muito violenta de uma parte para outra, acho que o candidato Serra sai menor dessa campanha, porque a agressividade deles tucanos à companheira Dilma é uma coisa que eu imaginava que já tivesse terminado na política brasileira".

"Fui candidato cinco vezes, perdi três e vocês nunca me viram com a agressividade que teve nessa campanha", reiterou.

Lula ainda criticou a politização da religião e a "disseminação do ódio e do preconceito contra Dilma".

Ele não quis cantar vitória de sua candidata, mas afirmou que, pelas pesquisas, é mais provável que ela ganhe. No entanto, ponderou que "em eleição e mineração" só se sabe o resultado no final.

Lula descartou participar diretamente de um eventual governo Dilma. "Não existe nenhuma possibilidade de um ex-presidente participar de um governo do futuro presidente. Dilma precisa construir um governo que seja a cara dela, com jeito dela, com pessoas em que ela confie."


Paulo Preto e os negócios em família

Empresa de transportes criada pelo genro e pela mãe do ex-diretor do Dersa alugou guindastes às empreiteiras que construíram o rodoanel paulista

À medida que são esmiuçados os passos de Paulo Vieira de Souza, o Paulo Preto, nos subterrâneos do governo tucano, vão ficando cada vez mais claras as relações comprometedoras do ex-diretor do Dersa com as empreiteiras responsáveis pelas principais obras de São Paulo.

Em agosto, quando trouxe a denúncia formulada por dirigentes do PSDB do sumiço de pelo menos R$ 4 milhões dos cofres da campanha de José Serra à Presidência, ISTOÉ revelou que a maior parte da dinheirama fora arrecadada junto a grandes empreiteiras responsáveis pela construção do rodoanel. Agora é descoberto um elo ainda mais forte entre o engenheiro e as construtoras da obra, considerada uma das vitrines do governo tucano em São Paulo.

A empresa Peso Positivo Transportes Comércio e Locações Ltda., de propriedade da mãe e do genro do ex-diretor do Dersa, prestou serviços para as obras do lote 1 do trecho sul do rodoanel por um período de, pelo menos, três meses no ano de 2009.

A informação foi confirmada à ISTOÉ pela Andrade Gutierrez/Galvão, do consórcio de empreiteiras contratado pela obra. Os serviços consistiram no fornecimento de guindastes para o transporte e a elevação de cargas. “A empresa Peso Positivo, assim como outros fornecedores prestadores de serviços do consórcio, é contratada sempre de acordo com a legislação em vigor. A decisão de contratar prestadores de serviços é exclusivamente técnica”, alega a Andrade Gutierrez.
Leia a matéria completa na IstoÉ

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Bloco da Dilma 13 -



Milton Temer declara voto a Dilma


Bloco da Dilma 13 fragmento 2

Grupos homoafetivos em confronto na campanha eleitoral

Bruno Huberman in Carta Capital

Núcleo de diversidade sexual tucano rechaça posicionamento público de presidente da ABGLT a favor de Dilma. Publicamos aqui, carta aberta de resposta do presidente do associação.

O presidente da Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABGLT) Toni Reis publicou, alguns dias atrás, uma carta aberta a toda comunidade LGBT declarando voto a candidata Dilma Rousseff (PT).

“Dilma já sentiu na vida e nessa campanha a crueldade do machismo, raiz da homofobia, que nós LGBT sentimos diariamente. Dilma fará ainda mais para a comunidade LGBT. Dilma fará ainda mais para o Brasil. Voto na Dilma 13, e peço voto a todas as pessoas LGBT, defensoras dos direitos humanos, familiares e amigos”, diz a carta.

Um grupo denominado Diversidade Tucana – Núcleo de Diversidade Sexual do PSDB, divulgou uma nota pública, na qual considera “inconveniente, para dizer o mínimo, o posicionamento público do presidente da ABGLT em favor da candidatura de Dilma Rousseff à Presidência da República”.

Reis, então, tornou pública nesta quarta-feira 27, uma carta aberta endereçada a Diversidade Tucana, na qual justifica seu posicionamento. “Para esclarecimento, não sou filiado ao Partido dos Trabalhadores.

Sempre me pautei pelos interesses maiores dos avanços da cidadania da população LGBT, dialogando com governos de todos os matizes políticos. Continuarei assim, seja com Dilma ou com Serra.

Neste momento o que está em jogo é a continuidade dos avanços, sociais, políticos e econômicos. Sou gay e ativista dos direitos humanos, mas sou também um cidadão que quer ver um país mais igual, com distribuição de renda, sem machismo, sem racismo. Com Lula eu tive, e com Dilma continuarei tendo.”

Leia abaixo as três cartas e opine sobre a questão.
Leia também: Homofobia: movimentos LGBT denunciam oportunismo eleitoral

I – Carta Aberta ao Diversidade Tucana – Núcleo de Diversidade Sexual do PSDB
Recebi a nota pública do Diversidade Tucana – Núcleo de Diversidade Sexual do PSDB, que considerou “inconveniente meu posicionamento público enquanto presidente da ABGLT – Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais” em favor da candidatura de Dilma Rousseff à Presidência da República.

Primeiro, quero dizer que assinei a carta como qualquer outro cidadão brasileiro que tem o direito à livre expressão, e também assinei com todas as representações que tenho, inclusive a presidência da ABGLT.

Para esclarecimento, não sou filiado ao Partido dos Trabalhadores, e tenho a admiração por partidos social-democratas.

Sempre me pautei pelos interesses maiores dos avanços da cidadania da população LGBT, dialogando com governos de todos os matizes políticos. Continuarei assim, seja com Dilma ou com Serra.

Neste momento o que está em jogo é a continuidade dos avanços, sociais, políticos e econômicos. Sou gay e ativista dos direitos humanos, mas sou também um cidadão que quer ver um país mais igual, com distribuição de renda, sem machismo, sem racismo. Com Lula eu tive, e com Dilma continuarei tendo. Não posso pensar num país somente pelo viés LGBT, seria muito estreito e forçado.

Não voto em Dilma simplesmente por ser gay. Além disso sou trabalhador, professor, e comparando os índices de todas as áreas no atual governo, com o que eram na época do governo anterior, é evidente que as coisas melhoraram muito.

Sou arco-íris, defendo a cidadania. Voto Dilma.

Defendo os direitos LGBT de forma plural. Sempre dialoguei com todas as posições políticas. Isso não quer dizer que não tenha posição como cidadão e como militante. Legitimamente, expressei esta opinião, sem usar de termos desrespeitosos ou agressivos.

Nunca gostei de armário em minha vida. Sempre assumo minhas posturas. Por exemplo, aos 14 anos falei para minha mãe que era (sou) gay… desde então nunca mais voltei para o armário.

Numa eleição presidencial, não poderia ficar alienado e ficar mofando num armário. Sou Dilma, sim.

Não desmereço nem um pouco José Serra, por quem tenho admiração. Mas no contexto geral e das alianças estabelecidas pelo Serra… eu li, vi e escutei e ponderei entre os dois projetos políticos, e optei por Dilma.

Afinal, não se pode negar o direito de ninguém de manifestar suas posições políticas. O próprio candidato do PSBD, José Serra, têm afirmado isso em seus pronunciamentos.

Gostaria de citar vários(as) reitores(as) de universidades federais, que defendem Dilma; as centrais sindicais, que estão com Dilma (à exceção da UGT, que apóia o Serra). Também tem a União Brasileira de Mulheres e a Confederação Nacional de Associações de Moradores, apoiando Dilma. Segundo alguns analistas, o Estadão e a Veja estariam apoiando Serra, e Carta Capital e Isto É estariam apoiando Dilma. Esses posicionamentos são todos legítimos, ou não.

Fiquei muito feliz quando o Serra falou no Jornal Nacional que é era favorável à união estável. Porém fiquei muitíssimo triste em ouvir claramente que “José Serra, aumentou ontem a polêmica sobre o projeto de lei que criminaliza a homofobia. Durante a 50ª Convenção Anual das Igrejas Assembleias de Deus do Paraná, em Foz do Iguaçu, o tucano prometeu vetar o texto caso seja aprovado no Senado, se for eleito. Para ele, o projeto, como foi aprovado na Câmara, pode tornar a pregação de pastores evangélicos contra a prática homossexual um crime ‘semelhante ao racismo’.”

Isto infelizmente é falta de informação.
Ao passo que Dilma disse que sancionará o projeto nos artigos que não ferirem o direito de livre expressão religiosa, que, pelo que entendo, não existem no projeto.

As eleições terminam para mim no dia 31 de outubro. Depois é arregaçar as mangas e fazer o trabalho de reivindicação através de uma ação de advocacy, com quem foi eleito. Estamos num país democrático e republicano.

Enquanto dirigente da ABGLT, no Paraná já estamos estabelecendo diálogo com Beto Richa (PSDB), em Santa Catarina com Colombo (DEM), no Rio Grande do Sul com Tarso (PT). Em São Paulo seguiremos o trabalho com Alckmin (PSDB), com Anastasia (PSDB) em MG, no Rio com Sérgio Cabral (PMDB) e assim por diante, para citar exemplos. Diálogo e negociação em política é tudo.

Quero pedir ao Diversidade Tucano para nos ajudar e colaborar com a Frente Parlamentar pela Cidadania LGBT.

Reafirmo meu voto e meu apoio a Dilma presidenta. E peço a todos/as os/as ativistas do movimento LGBT, das paradas LGBT, parentes e amigos de LGBT, que também votem e mobilizem apoio à Dilma.

Vou de Dilma. Com um avalista como o Lula, quem não vai dar crédito para a Dilma?
Toni Reis, presidente da ABGLT – Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (gestão 2010-2012)

II – Diversidade Tucana
NOTA PÚBLICA
Posicionamento Eleitoral do presidente da ABGLT
O Diversidade Tucana – Núcleo de Diversidade Sexual do PSDB considera inconveniente, para dizer o mínimo, o posicionamento público do presidente da ABGLT – Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais em favor da candidatura de Dilma Rousseff à Presidência da República.

A livre manifestação política é um direito constitucional de cada cidadão e de forma alguma pretenderíamos atentar contra ela. Porém, como presidente da maior associação de entidades de promoção da cidadania LGBT, que representa organizações e cidadãos das mais diferentes cores partidárias e posicionamentos políticos, é bastante inoportuna a declaração do senhor Toni Reis sendo levada a público em meio a um delicado momento para os temas caros à população LGBT na campanha eleitoral, e poucos dias após o mesmo ser signatário de uma carta aberta aos dois candidatos à Presidência da República em nome da ABGLT.

Cabe dizer, também, que esta não é uma eleição que traz de algum dos lados um projeto de país retrógrado e homofóbico – situação em que um posicionamento público como esse seria justificável e importante. Pelo contrário, o oponente da candidata apoiada por Toni Reis é José Serra, sem dúvidas o homem público com mais ações em favor da população LGBT no Brasil, autor de políticas públicas pioneiras no reconhecimento, visibilidade e promoção de cidadania da nossa população.

Após Toni Reis dizer, em nome de todas as entidades que formam a ABGLT, que o governo do qual Dilma Rousseff fez parte foi “o que mais fez pelos LGBTs do Brasil” e, poucos dias depois, declarar seu voto na candidata petista, cabem os seguintes questionamentos:

1- com qual credibilidade o senhor Toni Reis poderá atuar caso a ABGLT precise se manifestar novamente durante o processo eleitoral?

2- com qual independência e posicionamento crítico o senhor Toni Reis poderá se posicionar em nome da ABGLT na audiência pública agendada pela Câmara dos Deputados para discutir os assassinatos homofóbicos no Brasil, que tiveram um aumento vertiginoso exatamente nos anos desse governo que ele tanto elogia?

3- qual a garantia que poderá dar o senhor Toni Reis de que, ao atuar em nome de mais de quatrocentas entidades do movimento LGBT, colocará os interesses de nossa população acima de quaisquer outros no trato com o próximo presidente eleito, seja a sua candidata ou seja o candidato adversário, José Serra?

O Diversidade Tucana, ao defender publicamente em diversas ocasiões um movimento LGBT independente e apartidário, apresentando sua agenda aos partidos políticos e não o contrário, repudia tal manifestação pública, principalmente porque a ABGLT faz parte de uma série infindável de Grupos de Trabalho e Grupos Técnicos, além de ter uma série de projetos aprovados junto ao Governo Federal, como por exemplo o projeto Aliadas. Assim, tal posicionamento soa pouco transparente e meramente político, uma vez que os números apontados nos últimos levantamentos demonstram que o Brasil assistiu à escalada de assassinatos homofóbicos e a paralisação dos direitos civis de LGBTs nos últimos oito anos. Nós que, anos atrás, comemorávamos uma posição de vanguarda nesta questão, hoje estamos ultrapassados até mesmo frente a alguns Estados ditatoriais.

Em nossa opinião, os movimentos sociais só representam de fato os interesses de sua população quando se mantém independentes e a colocam acima de filiações partidárias, simpatias pessoais, transferências de verbas e bajulações inócuas.
Diversidade Tucana

III – Por que Voto Dilma 13 ?
por Toni Reis

Passamos por um momento muito especial. Está em jogo o futuro do Brasil. Em 31 de outubro, todas/os brasileiras e brasileiros decidiremos se continuaremos ou não a trilhar um caminho de inclusão e respeito à diversidade.

Para garantir e aprofundar as conquistas que o país teve, em todas as áreas nesses dois mandatos do governo Lula, é preciso eleger Dilma Rousseff nossa primeira presidenta.
Abaixo, listo 13 razões que me levam, enquanto ativista dos direitos humanos da população LGBT, a votar em Dilma e também a pedir que todas/os lésbicas, gays, travestis, transexuais, bissexuais e pessoas que apoiam a luta pela nossa cidadania também o façam.

1) O governo Lula e Dilma criaram o Programa Brasil Sem Homofobia, com ações em 10 ministérios.

2) O governo Lula e Dilma convocaram a 1ª Conferência Nacional LGBT, a primeira no mundo, com a participação das 27 unidades da federação. 12.322 pessoas participaram, de todo o Brasil.

3) O governo Lula e Dilma implantaram o Plano Nacional de Promoção da Cidadania e Direitos Humanos de LGBT, com 166 ações, 51 diretrizes, envolvendo 18 Ministérios.

4) O governo Lula e Dilma criaram a Coordenação-Geral de Promoção dos Direitos de LGBT.

5) O governo Lula e Dilma receberam representantes da comunidade LGBT 3 vezes, e na semana de 17 de maio de 2010, 14 Ministros receberam a ABGLT. Apoiaram no âmbito das Nações Unidas, sendo a ABGLT a primeira ONG LGBT de um país em desenvolvimento do hemisfério sul a receber o status consultivo junto ao Conselho Econômico e Social das Nações Unidas.

6) O governo Lula e Dilma apoiaram o projeto Escola Sem Homofobia (pesquisa, materiais didáticos e capacitação), a fim de minimizar a dor e o sofrimento que milhões de LGBT vivenciam nas escolas, muitos evadindo do ambiente escolar em razão disso.

7) O governo Lula e Dilma reconheceram o nome social de servidores travestis e transexuais em todo o serviço público federal, no Sistema Único de Saúde e criaram o programa do Ministério da Saúde para transexuais.

O governo Lula e Dilma reconheceram os direitos de casais do mesmo sexo no Itamaraty, e em diversas empresas estatais, como Banco do Brasil, Furnas e Caixa Econômica Federal; o Ministério da Previdência reconheceu os direitos de casais do mesmo sexo para fins de INSS; o Ministério da Fazendo reconheceu os direitos de casais do mesmo sexo para fins de declaração conjunta do imposto de renda; o Conselho Nacional de Imigração reconheceu os direitos de casais binacionais do mesmo sexo.

9) O governo Lula e Dilma decretaram o Dia Nacional de Combate à Homofobia.

10) O governo Lula e Dilma determinaram que o Censo 2010 perguntasse sobre casais homoafetivos, apoiaram mais de 116 Paradas LGBT em 2009, criaram Centros de Referência e Núcleos de Referência LGBT e apoiaram projetos de cultura e educação LGBT.

11) Lula e Dilma e seu governo têm hoje Grupos de Trabalho LGBT nos Ministérios da Cultura, Saúde, Educação, Direitos Humanos, Trabalho e Emprego, Justiça, Mulheres, Igualdade Racial, trabalhando para a inclusão da população LGBT nas políticas públicas.

12) O governo Lula e Dilma sempre ouviram a população e promoveram 72 Conferências Nacionais com a ampla participação popular nas mais diversas áreas. A ABGLT participou de 15 delas.

13) O governo Lula e Dilma criaram planos contra a discriminação a pessoas LGBT e pessoas vivendo com HIV/Aids: fizeram o Plano Nacional de Políticas para as Mulheres; a Política Nacional de Saúde Integral de LGBT; o Plano Integrado de Enfrentamento da Feminização da Epidemia de Aids e outras DST; o Plano Nacional de Enfrentamento da Epidemia de Aids e das DST entre Gays, HSH e Travestis; e apoiaram 22 ações pró LGBT no Programa Nacional de Direitos Humanos III.

Pensei, comparei – Voto Dilma 13, por Lula e para o Brasil continuar mudando para melhor.
Dilma vai respeitar a diversidade cultural, regional, étnica, religiosa e sexual. Eu confio.
Dilma é mulher.

Dilma já sentiu na vida e nessa campanha a crueldade do machismo, raiz da homofobia, que nós LGBT sentimos diariamente.
Dilma fará ainda mais para a comunidade LGBT.
Dilma fará ainda mais para o Brasil.
Voto na Dilma 13, e peço voto a todas as pessoas LGBT, defensoras dos direitos humanos, familiares e amigos.

Toni Reis, presidente da ABGLT – Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (gestão 2010-2012)

*O factóide que ajudou a mudar o rumo da história do país em 1989*?

por Claudio Ribeiro


Oposição e mídia conservadora: são capazes de tudo, menos de inovar nos
golpes sujos


http://2.bp.blogspot.com/_WTst0ORWY1o/TMdrM5w-lVI/AAAAAAAAAuw/R6ykSQE1F8M/s1600/sequestro_abilio.jpg


O factóide que ajudou a mudar o rumo da história do país em 1989


Apesar de qualquer incredulidade que um leitor possa ter ao ler a narrativa dos
acontecimentos forjados para impedir a vitória de Lula e entregar a presidência da República à Collor em 1989, como no texto abaixo, tudo isso se deu da maneira mais sórdida, como um golpe muito bem tramado e executado, em consórcio entre setores políticos e da imprensa, ambos conservadores, capitaneados pela Rede Globo, à época sinônimo de televisão no Brasil, tamanha era sua supremacia e audiência espetaculares. Não existia internet, nem qualquer emissora que rivalisasse na disputa pelo público.

Leia mais
aqui: http://www.redebrasilatual.com.br/multimidia/blogs/blog-na-rede/em-1989-sequestro-de-abilio-diniz-foi-relacionado-ao-pt-e-desmentido-logo-apos-eleicoes-mostra-pesquisa>


Os mesmos personagens que lograram êxito no golpe eleitoral de 1989 estão aí, às vésperas do 2º turno, movimentando-se para fabricar um novo factóide, tão contundente que possa ser capaz de interferir na vontade popular. Hoje existe a internet, existem os blogs, existem os blogs
progressistas.

O caminho é mais difícil para os conservadores desfecharem seus golpes com total êxito, mas não se pode, nem tampouco se deve, menosprezar a capacidade que possuem de tentarem, apesar da incrível incapacidade de criarem o novo e se repetirem, exaustivamente, até nos golpes sujos.

O ótimo texto de Sônia Montenegro relembra e refresca a memória de uma página negra da recente democracia brasileira e apresenta as similaridades da sujeira praticada na campanha de 2010. Que sirva de antídoto contra a desinformação e o esquecimento de fatos tão nefastos
protagonizados pelos mesmos personagens que hoje disputam as eleições ao lado de Serra e do PSDB.

Leia a íntegra de "*O caso Abílio Diniz em 1989" de Sonia Montenegro


aqui: http://palavras-diversas.blogspot.com/2010/10/o-caso-abilio-diniz-o-factoide-que.html>



Licitação bilionária comandada por Serra e Goldman tinha cartas marcadas


Licitação aberta dois anos atrás por ordem do governador paulista, José Serra (PSDB), cancelada e retomada há seis meses pelo sucessor dele, o também tucano Alberto Goldman, foi suspensa ontem. O motivo agora foi a denúncia, do jornal Folha de São Paulo, de que conhecia desde abril o resultado oficialmente anunciado quinta-feira para a licitação de seis lotes de uma nova linha do metrô paulistano, no valor total de R$ 4,04 bilhões.


Em reportagem publicada na edição de ontem, a Folha http://www1.folha.uol.com.br/poder/820054-resultado-de-licitacao-do-metro-de-sao-paulo-ja-era-conhecido-seis-meses-antes.shtml, revelou que havia registrado em cartório e publicado na internet, em abril, quais empresas e consórcios venceriam o processo licitatório. O registro, segundo o jornal, foi feito três dias antes de que Goldman suspendesse a licitação pela primeira vez e mandasse as empresas refazerem suas propostas.


”O governador Alberto Goldman solicitou ao Ministério Público Estadual que realize uma investigação quanto à denúncia de que os vencedores da licitação dos lotes 3 a 8 para implantação da extensão da Linha 5-Lilás do Metrô já eram conhecidos antecipadamente”, diz nota divulgada pelo governo estadual. Goldman também teria ordenado ao Metrô e à Corregedoria Geral da Administração que apurem o caso.


Responsável pela abertura do processo de licitação, em outubro de 2008, o então governador e atual presidenciável José Serra tratou de defender-se e de defender a companhia do metrô. Em sua própria defesa, alegou que os problemas ocorreram quando ele já havia renunciado ao cargo para concorrer à Presidência. A alegação é falsa. Já em defesa da companhia do metrô, Serra disse que não acreditava em direcionamento na licitação, mas que pode ter acontecido um acordo entre as construtoras.


De: http://www.brasiliaconfidencial.inf.br/?p=22994



Não usem meu nome para o vale-tudo eleitoral, repreende Marina

Postado em 27/10/2010 por Equipe Marina

A senadora Marina Silva (PV-AC) criticou, hoje, duramente os setores do
PSDB que promoveram iniciativas fraudulentas de envolvê-la em ações de
apoio à candidatura de José Serra.

Não usem meu nome para o vale-tudo eleitoral?, advertiu Marina ao tomar
conhecimento de um endereço de e-mail falso (marina@pv.gov.br) e de um
post do blog Eu Vou de Serra 45 que manipula declarações dadas por ela
durante a campanha do primeiro turno.

Infelizmente, muitos não aprenderam nada com os resultados das urnas e
continuam a promover a política de mais baixo nível ao usar estratagemas
banais para buscar votos, declarou a ex-presidenciável do PV.

O e-mail com o remetente marina@pv.gov.br é direcionado aos
simpatizantes de Marina e contém mensagem em nome da senadora e do PV
com pedido para que se unam em torno da candidatura de Serra.

Por sua vez, o blog da militância tucana lança mão de declaração da
então candidata verde à Presidência de forma descontextualizada para
fazer seu proselitismo eleitoral. Marina se posiciona: Brasil não pode
ser entregue a quem conhece, afirma inadvertidamente a divulgação dos
defensores do ex-governador de São Paulo.

Estamos no final do segundo turno, e os brasileiros já tiveram acesso a
muitas informações sobre os candidatos à Presidência. Não há mais
desconhecidos. O eleitor vai às urnas consciente da sua escolha e não
sujeitará a formação de sua opinião àqueles que usam artifícios ingênuos
para distorcer a realidade?, afirmou Marina.

A senadora voltou a manifestar o posicionamento que ela e o Partido
Verde tornaram público desde o último dia 17 de outubro sobre a fase
final da disputa presidencial: independência em relação a Dilma e Serra.

Os quase 20 milhões de brasileiros que endossaram meu projeto e o de
Guilherme Leal no primeiro turno sabem que o respeito ao eleitor é um
princípio inquestionável na nossa prática política, o que nos diferencia
daqueles que querem o poder pelo poder, concluiu Marina Silva.
http://www.minhamarina.org.br/blog/2010/10/nao-usem-meu-nome-para-o-vale-tudo-eleitoral-repreende-marina/
-


Rodrigo Brandão - jornalista
brasileducom.blogspot.com
*

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Carta entrege por amaury Jr. aos jornalistas







jfabelha@terra.com.br

FONTE:
Redação Terra

Confira a carta entregue por Amaury Ribeiro Jr. aos jornalistas26 de outubro de 2010 . 19h20 . atualizado às 19h25

O jornalista Amaury Ribeiro Junior entregou nesta terça-feira (26) uma carta aos jornalistas contendo parte do material entregue por ele à Polícia Federal em relação a investigações que fez no período de 1998 e 2002 sobre as privatizações de empresas estatais no governo Fernando Henrique Cardoso. A nota contém informações sobre a CPMI do Banestado, conseguidas, segundo o jornalista, "de forma legal sem quebra de sigilo fiscal".

Ele reitera também não ter sido movido por nenhuma militância partidária, mas sim pelo "jornalismo". Amaury foi indiciado, nesta segunda-feira (25), por quatro crimes no caso que investiga a violação do sigilo fiscal de lideranças tucanas e familiares do candidato à presidência José Serra (PSDB). De acordo com o parecer da PF, o jornalista cometeu os crimes de violação de sigilo fiscal, corrupção ativa, uso de documento falso e oferecimento de vantagem a testemunha.
Confira na íntegra a carta de Amaury Ribeiro Jr.:

Nota à imprensa

Aos colegas jornalistas: Estou passando às mãos de todos cópia de uma pequena parte do material que entreguei hoje à Polícia Federal. Todos os papéis foram obtidos de forma legal sem quebra de sigilo fiscal. Vale lembrar que a documentação refere-se aos anos de 1998 até 2002.

O que foi entregue não é resultado de militância partidária, que nunca tive, e sim da única militância que reconheço e pratico, a do jornalismo. Prova disse é que, em junho de 2005, fui o autor de "Aparece o dinheiro", reportagem de IstoÉ (edição 1863), em que foi exposto o Mensalão do PT. Desejo que a liberdade de imprensa em vigor no país possa servir, agora, ao esclarecimento da população.

São informações oficiais a que tive acesso nos longos anos em que estou trabalhando no tema das privatizações. Pela primeira vez estão sendo trazidas ao conhecimento público. São, portanto, absolutamente inéditas. Foram obtidas judicialmente através de uma ação de exceção de verdade. São documentos da CPMI do Banestado, cujo acesso estava, até então, proibido aos brasileiros. Agora, vieram à luz. Espero que possam, enfim, ajudar a esclarecer um período sombrio do país. Vocês são parte importante e decisiva neste processo.

Chamo a atenção para dois pontos especialmente, ambos alicerçados em informações oficiais obtidas pela dita CPMI na base de dados da conta Beacon Hill do banco JP Morgan Chase e no MTB Bank, ambos de Nova York. A Beacon Hill Service Corporation (BHSC) onde eram administradas muitas subcontas com titulares ocultos. Nos EUA, a BHSC foi condenada em 2004 por operar contra a lei. No Brasil, inspirada pela designação Beacon Hill, a Polícia Federal deflagrou a Operação Farol da Colina, apurando, entre outras personalidades envolvidas, nomes como os do ex-governador paulista Paulo Maluf e do banqueiro Daniel Dantas. Os pontos em questão são os seguintes:

1 . Os depósitos comprovados (pag. 4/11) do empresário GREGÓRIO MARIN PRECIADO, casado com uma prima de JOSÉ SERRA e ex-sócio do ex-governador de São Paulo (o mesmo SERRA), na conta da empresa Franton Interprises (pag. 3/11), vinculada ao ex-caixa de campanha do próprio SERRA e de FERNANDO HENRIQUE CARDOSO, RICARDO SÉRGIO OLIVEIRA. A soma de tais valores ultrapassa os US$ 1,2 milhão e cresce sobretudo no ano eleitoral de 2002, quando SERRA foi candidato à Presidência. Mais de 80% dos recursos recebidos pela Franton na Beacon Hill tem origem em PRECIADO. RICARDO SÉRGIO, como se sabe, foi diretor do Banco do Brasil e o grande articulador de consórcios de privatização no período FHC.

2. Os depósitos realizados pela empresa Infinity Trading, pertence ao empresário CARLOS JEREISSATI, (pag 9/11) igualmente na Franton Interprises e RICARDO SÉRGIO. JEREISSATI liderou um dos consórcios que participou dos leilões de privatização e comprou parte da Telebrás. É de conhecimento geral que a formatação de consórcios e as privatizações da Telebrás também tiveram a intervenção de RICARDO SÉRGIO. Em muitas ocasiões se falou de propina na venda de estatais, mas esta é a primeira vez que aparece uma evidência disso lastreada por documentos bancários oficiais.

Tenho certeza da relevância do material e espero que façam bom uso dele. Um abraço a todos e bom trabalho.

Amaury Ribeiro Junior
Repórter

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Imprensa e igrejas, os grandes derrotados na eleição

http://colunistas.ig.com.br/ricardokotscho/2010/10/20/imprensa-e-igrejas-grandes-derrotados

Imprensa e igrejas, os grandes derrotados na eleição 2010
Ricardo Kotscho

Caros leitores,
por motivos de força menor, hoje não estou disposto a atualizar o Balaio, mas queria falar apenas de dois fatos da quinta-feira que merecem registro:*

Confirmado: a terceira onda que favorecia Serra no começo do segundo turno virou marolinha.

O novo ibope divulgado pelo Jornal Nacional apenas confirma o que o Vox Populi já havia mostrado na véspera e que tanta indignação causou ao Sergio Guerra, o comandante da campanha tucana. Segundo os números apresentados por Fátima Bernardes, a vantagem de Dilma Rousseff sobre José Serra aumentou de 6 para 11 pontos (51 a 40, nos votos totais) e de 6 para 12 (56 a 44, nos votos válidos).

Até o momento, Guerra ainda não se manifestou sobre o Ibope.*

A "agressão" a Serra foi uma farsa.

Imagens mostradas pelo SBT e linkadas pelos leitores aqui no Balaio provam que a tal da "agressão de petistas ao candidato Serra", que até o levou ao hospital, quarta-feira, no Rio, não passou de uma pantomina muito mal ensaiada. Parece que foi só uma bola de papel enrolada em fita durex. Teve colunista da velha mídia que viu até uma bandeirada de petistas na cabeça de Serra. Se fosse isso, convenhamos, sobraria certamente ao menos uma foto, com tantos jornalistas seguindo o candidato. Foi apenas mais um factóide que não vingou, mas certamente será utilizado no programa de TV. Vai ficar conhecido como o "novo caso Rojas" (lembram-se do goleiro chileno que se "feriu" no Maracanã?).

Ganhe quem ganhar a Presidência da República no próximo dia 31, já dá para saber quais foram os grandes derrotados desta inacreditável campanha eleitoral de 2010: a imprensa da velha mídia, mais engajada e sem pudor do que nunca, e as igrejas em geral, com amplos setores medievais de evangélicos e católicos transformando templos em palanques e colocando a religião a soldo da política.

Por acaso, são as mesmas instituições que se uniram em 1964 para derrubar o governo de João Goulart e jogar o Brasil nas profundezas da ditadura militar por mais de duas décadas. Como naquela época, os celerados e ensandecidos combatentes das redações e dos púlpitos acenam com novas ameaças às liberdades democráticas, outra vez o perigo vermelho, de novo a degradação dos costumes. Só falta uma nova "Marcha da Família, com Deus pela Liberdade".

Nem parece que se passou quase meio século, que o Brasil lutou e reconquistou a democracia e vivemos em pleno Estado de Direito um dos mais longos períodos de amplas liberdades públicas de nossa história, com crescimento econômico, distribuição de renda e desenvolvimento social.Faço esta constatação com muita tristeza, com dor na alma, pois a imprensa e a religião católica são importantes na minha vida desde menino, foram duas instituições fundamentais na minha formação.

Sempre tive muito orgulho de ser jornalista e de professar a fé católica. Agora, confesso, que muitas vezes sinto vergonha. Explica-se: sou do tempo de Cláudio Abramo e D. Paulo Evaristo Arns.

Cursei o ginásio num colégio de padres e, no meu teste vocacional, fui informado de que deveria seguir o sacerdócio. Só não o fiz por causa desta bobagem de que padre não pode ter mulher, ou seja, tinha que ser celibatário. É que já na época gostava muito do chamado sexo oposto e detestava a hipocrisia.

Acabei optando muito cedo por outro tipo de sacerdócio, o jornalismo, profissão na qual comecei com 16 anos, trabalhando em jornais de bairro de São Paulo. Nunca me arrependi. Nestes 46 anos de ofício, passei pelas mais diferentes funções, de repórter a diretor, nas redações de praticamente todas as principais empresas de comunicação do país, com exceção da revista Veja e da TV Record.

Agora, ancorado aqui na internet com o meu Balaio e na Brasileiros, uma revista mensal de reportagens que ajudei a criar, acompanho de longe esta guerra santa em que se transformou a campanha presidencial, com igrejas, jornalistas, padres e pastores tomando partido fanaticamente a favor de uma candidatura e contra a outra.

Jamais tinha visto nada parecido na cobertura de uma eleição _ tamanhas baixarias, tantos preconceitos, discursos tão vis e cínicos, textos inacreditavelmente sórdidos publicados em blogs e colunas _ desde os tempos em que não podíamos votar para prefeito, governador nem presidente da República.

No melhor momento social e econômico da história recente do país, chegamos ao fundo do poço na política. O Brasil não merecia isso. O problema é que, qualquer que seja o resultado da eleição, no dia seguinte a vida continua, e um terá que olhar na cara do outro, seja de que partido ou igreja for, leitor, ouvinte ou telespectador. Como sobreviverão estas duas instituições? Com que cara?

Na véspera do golpe dentro do golpe que foi o Ato Institucional Nº 5 decretado pelos militares, em dezembro de 1968, o Estadão publicou o editorial "Instituições em Frangalhos", e a edição foi apreendida. Agora, pode publicar o que quiser e apoiar o candidato que melhor lhe convier sem correr este risco.Orgãos de imprensa e igrejas, jornalistas e religiosos, têm todo o direito de escolher seus candidatos, fazer campanhas por eles, detonar os adversários. Só não podem fingir que são santos e pensar que nós todos somos bobos.

Em tempo: sempre achei que este espaço não deve ser utilizado para fazer campanha eleitoral, mas vou abrir uma exceção hoje para pedir aos meus caros leitores que votem no programa "Papo de Mãe", na categoria Comunicação, do Premio Top Blog de 2010. Transcrevo abaixo a mensagem que recebi de Mariana Kotscho, a minha filha jornalista, que dirige e apresenta o programa junto com Roberta Manreza, no comando de uma equipe da melhor qualidade:

"Oi!!! Você já votou no Papo de Mãe para o prêmio Topblog??? Se não votou, ainda dá tempo!!! Já estamos entre os 30 mais votados na categoria Comunicação e as votações se encerram no dia 10/11/2010.

Para votar é só ir até o http://www.papodemae.com.br/ e clicar no selo do concurso. Ou, então, acessar direto pelo link: http://www.topblog.com.br/2010/index.php?pg=busca&c_b=2799553. Depois, você receberá uma mensagem em seu e-mail pedindo que confirme o voto. É fácil. Peça para seus amigos votarem também!Esta é uma campanha absolutamente "ficha limpa" em que o que conta é o resultado do nosso trabalho.

Em nosso site você confere informações, opiniões, participação de telespectadores e especialistas, dicas, entrevistas exclusivas e muito mais. Tudo isto com a credibilidade da Equipe Papo de Mãe - uma equipe de peso! Não é à toa que um de nossos repórteres chama-se Pedrinho Tonelada (rsrs).Contamos com seu voto. Obrigada!

Mariana Kotscho
Equipe Papo de Mãe"

MUDANÇA DE COMANDO NA Globo

Laerte Braga

Os estragos causados pelo episódio da bolinha de papel atirada contra o candidato José FHC Serra são de grande monta na REDE GLOBO. A reação indignada de alguns jornalistas, em São Paulo principalmente, a preocupação com o bombardeio e desafios de outras redes em torno do noticiário do JORNAL NACIONAL sobre o episódio, tudo isso e muitos fatos outros, estão levando a direção geral do grupo a avaliar se promovem Ali Kamel para cima e afastam o todo poderoso do departamento de jornalismo, ou se simplesmente entram num acordo e Kamel vai cantar noutra freguesia.

A bolinha de papel não se desmanchou na água e acabou sendo a gota que faz transbordar. A decisão será tomada após as eleições. Carlos Augusto Montenegro, diretor presidente do IBOPE, aumentou as preocupações do comando do grupo ao levar a informação que a bolinha de papel terá custado alguns pontos preciosos a José FHC Serra nas intenções de votos e Dilma teria hoje algo em torno de 16% de vantagem sobre o tucano.

O temor da GLOBO não está no fato do JORNAL NACIONAL ter apresentado um parecer forjado em torno do incidente envolvendo José FHC Serra. A mentira é intrínseca ao grupo. Mas no risco de crescimento das redes concorrentes. A RECORD a mais próxima nos números de audiência e no que isso pode representar a curto, médio ou longo prazo para o “esquema”.

O império de Roberto Marinho, pela primeira vez, parece estar sentindo o golpe, se vendo nas cordas e apostando fichas numa improvável eleição de José FHC Serra, mesmo assim, a um preço alto demais. Para alguns setores do comando do grupo a empresa não é como VEJA. Tem preocupações com o parecer ser e não pode entrar numa zona de turbulência sem perspectiva de uma saída tranqüila. Ou pelo menos tenta fazer crer que é diferenciada.

Banditismo de estilo mais nobre. Sangue azul.

A sorte de Ali Kamel está ligada à eleição de José FHC Serra e a própria GLOBO sabe que, a essa altura do campeonato, essa chance é mínima. Nem coelho da cartola, nem uma legião de coelhos. E há quem entenda que o diretor de jornalismo comprometeu a credibilidade da rede e é preciso recuperá-la o mais rápido possível. O nível a que a grande mídia, GLOBO à frente, levou a campanha, o mais baixo da história das campanhas presidenciais no Brasil, pode afetar para além do JORNAL NACIONAL, do departamento de jornalismo, todo grupo.

Um episódio mais ou menos semelhante aconteceu em 1982 quando Armando Nogueira deixou o departamento de jornalismo da rede por conta do escândalo da PROCONSULT. Àquela época o fato revestiu-se de tal gravidade que algo inimaginável aconteceu. Brizola foi aos estúdios da GLOBO numa tentativa da empresa de atenuar os prejuízos causados com outra tentativa, a de fraude na totalização dos votos para o governo do estado do Rio. Foi o primeiro momento na história de impunidade da GLOBO que a turma se viu acuada.

Kamel não age sozinho e nem monta todo esse sórdido esquema de mentira à revelia dos donos do império. Faz o que faz com aprovação dos senhores do “negócio”. A diferença é que os senhores do “negócio” se preservam nos castelos do baronato Marinho e têm, sempre, um bode expiatório à mão. Sem falar nos interesses que acoplam a GLOBO a um todo que ultrapassa o setor de comunicações. Os braços são longos a toda a atividade econômica no País em se tratando de interesses escusos. Ou seja, há necessidade de prestar conta aos que pagam e ditam os caminhos do grupo.

Nesta campanha eleitoral os interesses bilionários em jogo e a aposta de todas as fichas na campanha de José FHC Serra parecem ter deixado cegos os moradores do castelo e do PROJAC, uma espécie de centro de mentiras, boatos e cositas más. A turbulência chegou ao auge no laudo falso do perito Ricardo Molina, prontamente desmentido pelas redes concorrentes e por um fenômeno que a GLOBO ainda não absorveu inteiramente. A blogsfera. Ou seja, o conjunto de blogs independentes de grandes e anônimos jornalistas ou não, a derrubar em cima de cada mentira, a versão global. Hoje o número de internautas no País é significativo, a repercussão dos comentários em blogs, sites, portais, redes de comunicação acaba por criar uma força quase tão poderosa quanto a GLOBO.

Quase tão poderosa? É a avaliação de alguns especialistas pelo simples fato que, nesta eleição a candidata do PT vence por larga margem entre os eleitores de renda mais baixa (políticas sociais de Lula) e o prejuízo à GLOBO acontece nas chamadas classes médias, divididas entre os dois candidatos e ponderável parcela escapando do fascínio do plim plim. O poder aquisitivo dos brasileiros aumentou nesses últimos oito anos, há um orgulho nacional com o papel do Brasil no mundo e o que esse novo perfil provoca no mundo da comunicação não foi ainda tratado corretamente pela GLOBO, a mídia privada como um todo, não foi absorvido o que quer dizer que nessa nova realidade ainda tateiam apesar de todos os esforços para diminuir o impacto da transformação.

Foi visível na campanha de Obama, é visível na campanha de Dilma. Tornou-se mais difícil mentir, enganar, características do grupo e da mídia privada. O que não quer dizer que até domingo, 31 de outubro, dia da votação, todo o grupo não vá se empenhar na campanha de José FHC Serra e na onda de mentiras e boatos que possam prejudicar Dilma Roussef. Nem tem como. Equivaleria a um pouso de barriga e os riscos de um incêndio são altos demais numa eventual mudança de posição (fora de propósito), ou correção de rota para uma área neutra.

A gênese da GLOBO é a mentira e o DNA preserva suas principais características até o último suspiro. O que assusta os donos do “negócio” para além da derrota eleitoral? Um monte de fatores. Surge uma discussão no Brasil impensável há meses atrás, falo de proporções. Até que ponto é possível a uma empresa/famílias manter o monopólio das comunicações e associada a empresas outras (menores), mas fechando o cerco em torno de quem ainda lê jornal impresso, revistas e que tais?

O que é de fato liberdade de expressão? A mentira? O engajamento em interesses de grupos econômicos nacionais e estrangeiros (associados)? A tentativa de manipulação de fatos, dados, a sociedade do espetáculo, alienada e conduzida como gado a um matadouro que representa inércia, passividade, medo? Como vai ficar a televisão e como vai ficar o rádio num futuro próximo diante da internet? Kamel vai ser a bola da vez como outros. É prática comum nas máfias. Num determinado momento de um determinado “negócio” que deu errado, a saída é aposentar alguém, garantir-lhe um futuro “risonho” e tentar a volta por cima. Todo esse processo respinga em Wiliam Bonner (“nada que possa prejudicar nossos amigos americanos”). Sobrevive.

A decisão, consumada a derrota de José FHC Serra, é recuar, mas não tão devagar, nem tão depressa. Não pode parecer fuga, muito menos provocação. Que seja só um reajuste de comando para tempos novos. Tempos de dividir a exclusividade das transmissões de jogos de futebol e no bye bye Olimpíadas. E agora, recuperar a credibilidade mínima, abalada pela insensata e irresponsável, de qualquer ângulo que se veja, adesão ao jornalismo marrom que permeia essa campanha eleitoral.

Registre-se que jornalismo marrom é característica da GLOBO, surgida nos primórdios do golpe de 1964, na preparação da ditadura militar. Não sei se chega a ser um nocaute, mas a GLOBO está nas cordas e um tanto tonta. Quem sabe as mesmas náuseas que “abalaram” José FHC Serra após a bolinha de papel? Vão fazer uma tomografia e buscar os tratamentos e medicamentos adequados para sobreviver.

sábado, 23 de outubro de 2010

Serra e os santinhos da guerra suja

reportagem de Alan Rodrigues e Bruna Cavalcanti, publicada na revista IstoÉ:
Direto do blog do Miro

A ordem para encomendar o material à gráfica ligada aos tucanos partiu de dom Luiz Gonzaga Bergonzini, bispo da Diocese de Guarulhos, na Grande São Paulo. Ele é antigo conhecido do PSDB, amigo declarado de seu conterrâneo Sidney Beraldo, deputado estadual pelo partido e um dos coordenadores da campanha de Serra em São Paulo. Nas conversas de sacristia, dom Luiz tem fama de ser um homem "maquiavélico" e "implacável". Padres o descreveram à ISTOÉ como alguém que não aceita opiniões divergentes e já criou situações embaraçosas para constranger e afastar subordinados que questionam seu radicalismo.

Para fazer os contatos com a gráfica dos Kobayashi, dom Luiz contou com a ajuda do ex-seminarista Kelmon Luís da Silva Souza. Frequentador da Catedral Metropolitana Ortodoxa, na zona sul de São Paulo, Souza também é presidente da Associação Theotokos, um grupo católico ultratradicionalista, e membro do autodenominado Partido Monarquista Brasileiro. Em 2006, um dos parceiros do ex-seminarista que atua numa organização integralista doou R$ 3,5 mil para a campanha do deputado federal Índio da Costa, candidato a vice-presidente na chapa de Serra. Quando a atuação de Souza e dom Luiz tornou-se pública, os dois se enclausuraram. Nos próximos dias, no entanto, terão de prestar depoimento à Polícia Federal, investigados por crime eleitoral, calúnia e difamação.

A distribuição de panfletos caluniosos em paróquias que estão sob a jurisdição de outros bispos provocou um racha na Conferência Nacional dos Bispos do Brasil. "O embate ideológico que existiu nos primeiros anos da CNBB, mas estava ausente nas últimas décadas, ameaça voltar após as eleições", avalia dom Pedro Luiz Stringhini, bispo de Franca. Fiéis não param de telefonar e mandar e-mails para a Cúria Diocesana de Guarulhos condenando o comportamento de dom Luiz.

Eles questionam: se os cofres da igreja estão quase vazios, com que dinheiro o bispo vai pagar a encomenda dos panfletos que beneficiam Serra? "Na segunda-feira, recebi uma ligação de dom Luiz pedindo desculpas pelos transtornos", contou à ISTOÉ Paulo Ogawa, administrador da gráfica que trabalha para o PSDB. "O Kelmon também telefonou", disse ele. "Garantiu que eu não ficaria no prejuízo e que a fatura do material apreendido pela PF, no valor de R$ 30 mil, poderia ser enviada porque a igreja iria pagar".

As acusações contra Dilma que aparecem nestes panfletos são idênticas às divulgadas pela central de boatos dos tucanos na internet. No bureau de difamação instalado no QG tucano trabalham 30 "troleiros", como são chamados os militantes que rastreiam e espalham pelas redes de computadores propagandas negativas e calúnias sobre a candidata do PT. O comitê da campanha de Serra ocupa quatro andares do antigo Edifício Joelma, no centro de São Paulo. No térreo fica o chamado baixo clero, que recebe informações de militantes que estão nas ruas e busca cooptar lideranças de diversos segmentos, como o dos religiosos.

É ali que trabalham operadores como o pastor Alcides Cantóia Jr. Ele coordena com afinco o grupo dos evangélicos que, entre seus trunfos, se orgulha de ter conseguido a adesão do pastor Silas Malafaia, do Rio de Janeiro, estrela de um dos vídeos mais ferinos contra Dilma. Na última semana, o grupo foi encarregado de oferecer benefícios financeiros às igrejas e seus projetos sociais, uma forma de compra de votos que deverá ser investigada pelo Ministério Público Eleitoral.

O cérebro do bureau fica no 20º andar do Joelma, ninho dos tucanos mais poderosos. A avalanche de baixarias que eles produzem é tão intensa que o PT já recebeu mais de cinco mil denúncias sobre mensagens e vídeos ofensivos à candidata petista. Apesar de toda essa estrutura, o presidenciável Serra procura se apresentar como vítima e cinicamente afirma que foi o PT que colocou o debate sobre o aborto na pauta eleitoral. Não foi.

Para combater a disseminação de calúnias, a coordenação da campanha de Dilma criou, na semana passada, uma espécie de disque-denúncia em 59 cidades brasileiras. "Há indícios veementes de que os panfletos apreendidos pela PF foram produzidos pela campanha de nosso adversário", disse o deputado José Eduardo Martins Cardozo (PT-SP). "A despesa é por conta da diocese de Guarulhos, que tem pleno direito a manifestar-se sobre questões que considera relevantes", retrucou Serra. A alegação do tucano não é verdadeira, como explica o advogado Eduardo Nobre, especialista em direito eleitoral: "Entidade religiosa não pode fazer doações para candidatos ou partidos políticos. Os bispos que assinaram o manifesto podem ser processados por calúnia e difamação e ser obrigados a pagar multa".

A campanha eleitoral rasteira deste ano é um marco na história do País. A onda de mensagens preconceituosas pulverizada na internet pelos grupos ultraconservadores agora aliados dos tucanos debocha do poder de dicernimento do eleitorado. Recorrendo a artimanhas subterrâneas, foge ao debate de questões vitais para o avanço do Brasil. O volume e a rapidez de propagação de falsidades são inéditos. E não há dúvida de onde partem: após o primeiro turno, numa reunião da cúpula tucana em Brasília, foi distribuído um panfleto com instruções de como propagar uma campanha anti-Dilma na internet. Num dos trechos, há recomendação para que militantes visitem o site do Instituto Plinio Corrêa de Oliveira, um dos fundadores da TFP (Sociedade Brasileira de Defesa da Tradição, Família e Propriedade), um dos grupos mais arraigados ao conservadorismo no País.

Apostando no peso do voto religioso, a central de boatos de Serra parece usar métodos da inquisição e fazer campanha para a sucessão de Bento XVI - e não de Lula. Uma das providências desses militantes tucanos foi distribuir "santinhos" com a foto e a assinatura de Serra, junto à inscrição "Jesus é a verdade e a justiça".

Panfletos como este, porém, acabaram irritando muitos católicos. Menos de uma semana depois do vexame de Canindé, o evidente uso e abuso tucano de armações com radicais de ultradireita já dava sinais de fadiga. As feitiçarias e os supostos pecados começavam a recair sobre quem se esmerou em propagá-los. "A Igreja não tem a tutela nem a missão de dominar a consciência política do povo", disse padre Júlio Lancellotti, na terça-feira 19, durante um ato de apoio de juristas e intelectuais à candidata petista. O religioso e escritor Frei Betto fez coro: "Bispos panfletários não falam em nome da Igreja nem da CNBB. É opinião pessoal, só que injuriosa, mentirosa e difamatória".


A hipocrisia do aborto

Nesta campanha, o casal Mônica e José Serra rompeu a fronteira entre o público e o privado ao dar conotação eleitoreira ao tema do aborto. Quando retirou o procedimento da categoria de saúde pública ou de foro íntimo, o casal abriu um flanco na própria privacidade. Serra vinha condenando de forma sistemática a descriminalização ao aborto. Mônica, por sua vez, havia sido ainda mais incisiva, intrometendo-se no assunto durante uma carreata com o marido em Duque de Caxias (RJ): "Ela (Dilma) é a favor de matar as criancinhas", disse a um ambulante que apoiava a candidata do PT.

Não demorou para que o relato de um aborto feito por Mônica quando Serra vivia exilado no Chile virasse assunto público. O caso foi trazido à tona pela bailarina e coreógrafa Sheila Canevacci Ribeiro, 38 anos, ex-aluna de Mônica no curso de dança da Universidade de Campinas. Ao lado do marido, o antropólogo italiano Massimo Canevacci, Sheila assistia em sua casa a um debate entre os presidenciáveis quando Dilma Rousseff questionou Serra sobre ataques feito por Mônica. Surpreendida, Sheila se lembrou em detalhes de uma aula de psicologia ministrada em 1992 por Mônica para a sua turma na Unicamp.

Ao discorrer sobre como os traumas da vida alteram os movimentos do corpo e se refletem no cotidiano, Mônica contara ao pequeno grupo de alunas do curso de dança que ficara marcada por um aborto que precisou fazer na época da ditadura, devido às condições políticas adversas em que vivia. "Fiquei assustada com o duplo discurso de minha professora", afirma Sheila, que na manhã seguinte colocou uma reflexão sobre o assunto em sua página na rede social Facebook.

A coreógrafa acreditava estar compartilhando a experiência com um grupo de amigos, mas o texto se espalhou, ganhou as páginas dos jornais e até uma nota oficial da campanha de Serra negando o aborto. Já Mônica e Serra não fizeram qualquer desmentido sobre o caso. Na sequência, Sheila recebeu milhares de apoios, mas também críticas, incluindo a de ter traído sua antiga professora. "Foi ela quem traiu minha confiança como aluna e mulher", diz a coreógrafa. "Ela não é a mulher do padeiro, do dentista. Ela é a mulher de um candidato a presidente da República. O que ela fala e faz conta".

As atitudes das personalidades públicas contam tanto que chegam a provocar temor. Colega de classe de Sheila, a professora de dança C.N.X., 36 anos, também se lembra do depoimento de Mônica na universidade, mas pede para não ser identificada. Recém-aprovada em concurso de uma instituição federal, ela acredita que, se eleito presidente, Serra pode prejudicar sua carreira. Quanto à aula de 1992, C.N.X. conta que o grupo de alunas não chegava a dez e estava sentado em círculo quando Mônica comentou que um dos fatores que tinham alterado sua "corporalidade" foi a vivência na ditadura e a necessidade de fazer o aborto. "Ela queria ter o filho, não queria ter tirado", diz a professora de dança. "E eu fiquei muito chocada com o depoimento, pois na época era muito bobinha", completa C.N.X., que passara no vestibular com apenas 16 anos e pela primeira vez vivia longe da família.

Na opinião da professora de dança, nada impede que, de 1992 para cá, Mônica tenha mudado de ideia: "Mas ela não pode ser hipócrita. Sabe que o aborto é uma experiência traumática". Trata-se também de um tabu no País, embora 5,3 milhões de brasileiras entre 18 e 39 anos tenham feito pelo menos um aborto, de acordo com o Ministério da Saúde. Mais da metade das brasileiras que se submete ao procedimento acaba internada devido a complicações da intervenção. Como se não bastasse, pode ser condenada a pena de um a três anos de detenção, como prevê o Código Penal de 1940, exceto para os casos de estupro ou de risco de morte da mãe.

NOTA PÚBLICA SOBRE AS ELEIÇÕES




A União Nacional por Moradia Popular, entidade que reúne movimentos de sem-tetos, favelados, encortiçados, mutirões e ocupações urbanas em 21 Estados brasileiros, membro da Central de Movimentos Populares e do Fórum Nacional da Reforma Urbana, integrante do Conselho Nacional das Cidades, vem a público manifestar seu apoio à candidata DILMA ROUSSEF à presidência da República.

Durante os quase 8 anos do governo do Presidente Lula, tivemos conquistas históricas na política de desenvolvimento urbano e de habitação desde a criação do Ministério das Cidades, do Conselho e das Conferências das Cidades. Vimos a criação do Sistema e do Fundo Nacional de Habitação de Interesse Social, após 13 anos de luta dos movimentos e entidades que apresentaram o projeto de lei de iniciativa popular, em 1991. Urbanizar e Regularizar as favelas e levar saneamento às comunidades mais pobres deixou de ser gasto, para ser considerado fator de crescimento do país, através do PAC.

Participamos da criação de programas habitacionais em parceria com associações e cooperativas, como o Crédito Solidário, Produção Social da Moradia e Minha Casa Minha Vida Entidades, valorizando a iniciativa do povo organizado, garantindo a autogestão e construindo moradia com cidadania. Tanto assim, que estamos hoje construindo e/ou em contratação de projetos em 60 municípios brasileiros, para a construção de milhares de habitações para famílias que ganham até 3 salários mínimos e que nunca tiveram acesso a recursos públicos que garantissem o seu DIREITO DE MORAR.

Em contrapartida, fomos testemunha do desmonte dos programas habitacionais autogestionários realizados quando o candidato Serra foi prefeito da cidade de São Paulo, em 2005, e governador do Estado, em 2007. Diversos projetos foram paralisados e centenas de famílias, até hoje, aguardam a liberação de recursos para a conclusão de suas casas. Não queremos que isso se repita em todo o país.

Temos muito ainda o que avançar para construir o direito à cidade e à moradia para todas e todos em nosso país. Não podemos retroceder. Acreditamos na força do povo que luta e queremos um governo que caminha com os movimentos populares.
Por isso, e por muito mais, votamos em DILMA e convidamos a todos e todas que lutam e sonham com cidades mais justas e solidárias para participar deste grande mutirão.Brasil, outubro de 2010

Divulgue! Participe!

Porque Hoje é Sábado

Vale a pena ler o http://www.viomundo.com.br/ e compreender melhor porque a Globo enfureceu. Além de perder o monopólio do Campeonato Brasileiro a empresa dos Marinhos, não pode engolir o depoimento do Amaury /Ribeiro Jr., que declara ter começado as investigações das Privatizações de FHC quando ainda trabalhavano Jornal O Globo, sucural São Paulo, e que, não conseguindo publicar a matéria no referido jornal, foi para o JB. Detalhando tudo em seu depoimento o jornalista liga Mônica Serra a Ricardo Sérgio. Como diz o Azenha. Vem Bomba!

Primavera do Livro no Museu da República hoje a partir das 20:horas Festival Carioca de Poesia, com Chacal, Mano Melo, Tavinho Paes e Henrique Alves com curadoria de Suzana Vargas. Vamos lá.

Rio em pele feminina


alguma poesia

I

não. não bastaria a poesia deste bonde
que despenca lua nos meus cílios
num trapézio de pingentes onde a lapa
carregada de pivetes nos seus arcos
ferindo a fria noite como um tapa
vai fazendo amor por entre os trilhos

II

não. não bastaria a poesia cristalina
se rasgando o corpo estão muitas meninas
tentando a sorte em cada porta de metrô
e nós poetas desvendando palavrinhas
vamos dançando uma vertigem no tal circo voador

III

não. não bastaria todo riso pelas praças
nem o amor que os pombos tecem pelos milhos
com os pardais despedaçando nas vidraças
e as mulheres cuidando dos seus filhos

IV

não bastaria delirar Copacabana
e esta coisa de sal que não me engana
a lua na carne navalhando um charme gay
e um cheiro de fêmea no ar devorador
aparentando realismo hiper-moderno
num corpo de anjo que não foi meu deus quem fez
esse gosto de coisa do inferno
como provar do amor no posto seis
numa cósmica e profana poesia
entre as pedras e o mar do Arpoador
mistura de feitiço e fantasia
em altas ondas de mistérios que são vossos

V

não. não bastaria toda poesia
que eu trago em minha alma um tanto porca
este postal com uma imagem meio Lorca:
um bondinho aterrizando lá na Urca
e esta cidade deitando água em meus destroços
pois se o cristo redentor deixasse a pedra
na certa nunca mais rezaria padre-nossos
e na certa só faria poesia com os meus ossos

arturgomes
http://artur-gomes.blogspot.com/

Bloco da Dilma 13

Nesse Domingo dia 24/10 na Praia de Copacabana
Concentração às 13h no Posto 6
Venha engrossar o bloco, com muita animação e irreverência, em defesa das conquistas do governo Lula e pela sua continuidade com a eleição da Dilma.
Vista a camiseta do seu bloco de rua ou da sua escola de samba e traga o seu instrumento de percussão para integrar a bateria Nota 13.

Antes do bloco, haverá uma roda de samba em homenagem aos 70 anos de João Nogueira, com Wilson Moreira, Monarco, Nelson Sargento, Tantinho, Didu e Gilsa Nogueira, Délcio Carvalho, entre outros, na Av. Atlântica, no restaurante Atlântico, 3880, esquina com Rua Francisco Sá, a partir das 11 horas.

CAMPOS DOS GOYTACAZES

Quem sou eu

Minha foto
meu coração marçal tupã sangra tupi e rock and roll meu sangue tupiniquim em corpo tupinambá samba jongo maculelê maracatu boi bumbá a veia de curumim é coca cola e guaraná