domingo, 23 de janeiro de 2011

A FARSA DO CANAL





Flagrante da obra, no ano de 1844


O canal artificial Campos Macaé é o segundo em extensão no mundo, com 106 km. Só fica atrás do canal de Suez, que liga os mares Mediterrâneo e Vermelho, com, aproximadamente, 163 km.

O início de sua obra data de 1837, início do Segundo Império e para a empreitada foi utilizada em larga escala o braço escravo. O canal navegável, com 15 metros de largura, era, na verdade, uma hidrovia e servia para escoamento da produção regional, sobretudo, o açúcar.

Pois bem, uma minúscula fração desse canal, equivalente a três quarteirões, mais precisamente entre a rua Formosa e avenida 28 de Março, está cercado por tapumes, onde a Prefeitura de Campos promove uma obra de maquiagem, puro paisagismo, ao preço inicial de 18 milhões de reais, já aditivado em pelo menos, mais 2 milhões e 600 mil reais.

A intervenção do Poder Público não provocará qualquer alteração no curso d’água, vazadouro de esgoto in natura, em pleno centro urbano. O cheiro fétido característico do canal permanecerá depois da obra concluída, sabe-se lá quando. É mais ou menos como comprar sapatos novos para pés sujos.

O mais curioso não é a atitude do governo municipal em realizar uma obra dessa. Cada um é o que é. Esse governo é isso mesmo. É a sua natureza, o seu signo: ponte feia, casas frágeis, cabrestos sociais e maquiagem para impressionar.

O que inquieta é a passividade da sociedade e seus aparatos de controle que assistem silentes essa farsa burlesca.

fonte: http://blogfernandoleite.blogspot.com/


Emir Sader: Prostíbulos do capitalismo

Blog do Emir Sader

Nesses territórios se praticam todos os tipos de atividade econômica que seriam ilegais em outros países, captando e limpando somas milionárias de negócios como o comércio de armamentos, do narcotráfico e de outras atividades similares.

Os paraísos fiscais, que devem somar um total entre 60 e 90 no mundo, são micro-territórios ou Estados com legislações fiscais frouxas ou mesmo inexistentes. Uma das suas características comuns é a prática do recebimento ilimitado e anônimo de capitais. São países que comercializam sua soberania oferecendo um regime legislativo e fiscal favorável aos detentores de capitais, qualquer que seja sua origem. Seu funcionamento é simples: vários bancos recebem dinheiro do mundo inteiro e de qualquer pessoa que, com custos bancários baixos, comparados com as médias praticadas por outros bancos em outros lugares.

Eles têm um papel central no universo das finanças negras, isto é, dos capitais originados de atividades ilícitas e criminosas. Máfias e políticos corruptos são frequentadores assíduos desses territórios. Segundo o FMI, a limpeza de dinheiro representa entre 2 e 5% foi PIB mundial e a metade dos fluxos de capitais internacionais transita ou reside nesses Estados, entre 600 bilhões e 1 trilhão e 500 bilhões de dólares sujos circulam por aí.

O numero de paraísos fiscais explodiu com a desregulamentação financeira promovida pelo neoliberalismo. As inovações tecnológicas e a constante invenção de novos produtos financeiros que escapam a qualquer regulamentação aceleraram esse fenômeno.

Tráfico de armas, empresas de mercenários, droga, prostituição, corrupção, assaltos, sequestros, contrabando, etc., são as fontes que alimentam esses Estados e a mecanismo de limpeza de dinheiro.

Um ministro da economia da Suíça – dos maiores e mais conhecidos paraísos – declarou em uma visita a Paris, defendendo o segredo bancário, chave para esses fenômenos: “Para nós, este reflete uma concepção filosófica da relação entre o Estado e o indivíduo.” E acrescentou que as contas secretas representam 11% do valor agregado bruto criado na Suíça.

Em um país como Liechtenstein, a taxa máxima de imposto sobre a renda é de 18% e o sobre a fortuna inferior a 0,1%. Ele se especializa em abrigar sociedades holdings e as transferências financeiras ou depósitos bancários.

Uma sociedade sem segredo bancário, em que todos soubessem o que cada um ganha – poderia ser chamado de paraíso. Mas é o contrário, porque se trata de paraísos para os capitais ilegais, originários do narcotráfico, do comercio de armamento, da corrupção.

Existem, são conhecidos, quase ninguém tem coragem de defendê-los, mas eles sobrevivem e se expandem, porque são como os prostíbulos – ilegais, mas indispensáveis para a sobrevivência de instituições falidas, que tem nesses espaços os complementos indispensáveis à sua existência.

Blog do Emir Sader, sociólogo e cientista, mestre em filosofia política e doutor em ciência política pela USP – Universidade de São Paulo


Neymar lembra Neymar

Por Mauro Beting, colunista do Yahoo! Esportes

A alegria que Neymar transborda em campo é a que este que vos tecla tinha em 1997 quando via em campo o Ronaldinho Gaúcho que agora aterrissa - antes da hora - na Gávea e nos prados brasileiros. É ótimo se animar e rejuvenescer 14 anos depois de ter visto um fruto dessa sequoia de craques que não seca chamada Brasil. Encanta a alma, clareia os olhos, limpa as artérias.

Mas o peso-pesado dos anos obriga a refletir sem os arroubos da juventude que nos é roubada pelo relógio. Até onde vai esse menino maravilhosamente moleque - embora por vezes desgraçadamente traquinas? Na estreia do ótimo Sub-20 brasileiro, fez quatro gols no respeitável Paraguai. Dois de Neymar (isto é, dois golaços); mais um de peito-de-aço como o centroavante rompedor - que não é; outro de pênalti do craque e do líder precoce - que é.

Como se fosse preciso, além dos quatro gols que compensaram a ausência de dois companheiros expulsos, o santista ainda apresentou repertório de dribles, fintas, passes, provocações e pancadas digno de gente com 18 anos de bola, não de vida. Na segunda partida, boa vitória construída no segundo tempo contra uma das favoritas - a Colômbia -, Neymar jogou menos. E ainda assim fez outro belo gol.

Ele segura demais o jogo? Sim. Mas quem consegue segurá-lo? É natural que se encante com a própria bola como ela se insinua para ele. É algo que Neymar vai aprender com as porradas da vida e dos rivais que desejam a morte. Mas o que esse menino sabe do brinquedo é de espantar e encantar. E com uma virtude que não tiveram Ronaldinho Gaúcho, Djalminha, Alex, Robinho, Denilson e outros mais ou menos dotados e votados: o gosto pelo gol.

Neymar é agressivo e objetivo na área. Faz aquilo que desde as primeiras manchetes se falava; mistura fina dos Ronaldos brasileiros. Hábil como Gaúcho, goleador como o Fenômeno. Não sei - e nem a bola sabe - se será mais ou menos que esses monstros. Só sei que já tem sido mais que o Gaúcho pela idade. E com o Ronaldo não se compara, porque as funções são distintas.

Está aos pés abençoados de Neymar a resposta para as saudáveis dúvidas: até onde ele vai? O ótimo é que ele ainda não foi. Para o bem do Santos e do Brasil, por mérito do clube, parceiros, empresário e dele mesmo, ótimo que Neymar ainda pague IPTU. E, por paradoxal que seja, que mau que Ronaldinho Gaúcho já esteja entre nós.

Não que não queira ver o talento gaudério em resposta à Restartização no país do BBB. Não que eu não queira ver mais um sinal da economia de um Brasil de futuro presente. Não é isso. Mas, pela idade, talento e potencial do Ronaldinho, ainda não era hora de estar de volta. Tinha bola para a Europa. Era só jogar o que sabe. Porque ele ainda sabe. Só não soube jogar.

Mauro Beting

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