segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Olhos abertos para o encantamento






Maria Júlia Lledó

matéria publicada originalmente no http://www.correiobraziliense.com.br/


Danyella Proeça soube traduzir Nicolas Behr em imagens e sons
Quando a cineasta Danyella Proença, 26 anos, caminha pelas ruas da cidade ou estaciona o carro, ela coleciona buzinas, pássaros, cores e outras informações visuais e auditivas. No inconsciente, aquilo vira um banco de inspirações poéticas do qual ela só foi se dar conta na adolescência. Aos 17, quando assistiu ao filme Lavoura arcaica, de Luiz Fernando Carvalho, no Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, ela percebeu que um filme poderia contar uma história com metáforas, silêncios, fotografia… poesia.

Para investigar a relação entre poesia e imagem, Danyella fez um mestrado em comunicação na Universidade de Brasília. “Estudei sobre uma nova disposição do olhar, até porque queria fugir da poesia como uma mancha gráfica na página”, explica a cineasta. Tanto a graduação quanto a dissertação Arqueologia do invisível – Reflexões sobre o poético na obra de Luiz Fernando Carvalho deram-lhe suporte para que realizasse um curta-metragem sobre o poeta Nicolas Behr.
Desde 2004, o roteiro já estava na cabeça da cineasta, mas ele só foi parar num set de filmagem em 2009. A estreia do filme foi no mesmo palco onde a descoberta da relação entre poesia e cinema havia se dado: o Cine Brasília. Na edição passada do festival, como concorrente na mostra competitiva, Braxília foi agraciado com três Candangos: roteiro, prêmio especial do júri e melhor curta pelo júri popular.

O trunfo do filme é nunca cair no ilustrativo quando fala sobre a visão de Nicolas sobre Brasília. Danyella buscou imagens e sons que amplificassem a poesia. Por exemplo, quando no curta-metragem o poeta diz: “A cidade é isso que você está vendo, mesmo que você não esteja vendo nada”, Danyella focou o escritor andando num dos espaços vazios da capital. “Nunca pensei no filme só como um relato do Nicolas, mas um diálogo com a poesia dele e com o espaço da cidade. Procurei trazer a poesia para a tela”, explica.
“Fiquei satisfeito. Um curta sobre poesia não é fácil, pois ele trabalha a palavra no papel e a palavra no audiovisual. E ela não foi óbvia nas imagens, criou uma surpresa no espectador. Muitas vezes, as coisas são excessivamente previsíveis. É na surpresa que nasce o novo”, diz Nicolas Behr. “O filme é poético, mas não no sentido que muitas pessoas ainda associam, como meloso, dramático. O curta-metragem é poético porque é sensível.”

Feliz com a produção, Danyella acredita que tudo é matéria de poesia e fonte de inspiração, basta prestar mais atenção. “O Nicolas uma vez falou: ‘O poeta, mesmo quando não está escrevendo, está escrevendo’. Ou seja, tudo aquilo que você vê, vive e registra pode ser poético. No meu caso, todos esses pequenos poemas de coisas que olhei na cidade durante toda a minha vida apareceram no filme, de uma forma ou de outra. Você está sempre criando, escrevendo. Não precisa de bloquinhos.”

Lentes sensíveis
Longas-metragens que flertaram com a poesia, indicados pela cineasta Danyella Proença

Lavoura arcaica, de Luiz Fernando Carvalho (2001/Brasil)
André (Selton Mello) é um filho desgarrado, que saiu de casa devido à severa lei paterna e ao sufocamento da ternura materna. Pedro, seu irmão mais velho, recebe de sua mãe a missão de trazê-lo de volta ao lar. Cedendo aos apelos da mãe e de Pedro, André resolve voltar para a casa dos seus pais, mas irá quebrar definitivamente os alicerces da família ao se apaixonar por sua bela irmã Ana.
Inadequado para menores de 14 anos.

Terra estrangeira, de Walter Salles e Daniela Thomas (1995/Brasil)
Década de 1990.
Sem perspectiva de vida num Brasil tomado pelo caos em plena era Collor, Paco (Fernando Alves Pinto) decide viajar para Portugal após a morte da mãe, levando uma misteriosa encomenda. Em Lisboa, ele conhece Alex (Fernanda Torres), brasileira namorada de Miguel (Alexandre Borges), todos envolvidos num esquema de contrabando, que vai tornar suas vidas em um pesadelo.
Inadequado para menores de 16 anos.

Amor à flor da pele, de Wong Kar-Wai (2000/China)
Chow (Tony Leung Chiu Wai) e sua mulher acabaram de se mudar. Logo ele conhece Li-Zhen (Maggie Cheung), uma jovem que também acabou de se mudar com o marido. Ele trabalha para uma companhia japonesa, o que significa que está frequentemente viajando. Como sua mulher também fica, muitas vezes, longe de casa, Chow passa muito tempo com Li-zhen. Eles se tornam amigos e, um dia, são forçados a encarar os fatos: seus respectivos parceiros estão tendo um caso.
Inadequado para menores de 14 anos.

(Fonte: http://www.adorocinema.com.br/)
federico baudelaire - viagens insanas

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