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sábado, 22 de janeiro de 2011

viva são sebastião!

fonte: http://zemaribeiro.blogspot.com

O jornalista Cesar Teixeira integrou a equipe que, em 2002, há quase 10 anos portanto, fundou o Suplemento Cultural e Literário JP Guesa Errante, capitaneado pelo professor e escritor Alberico Carneiro e Josilda Bogea Anchieta, recém-falecida. Confesso que, ao saber de sua subida, temi pelo único suplemento literário ora em circulação no Maranhão. Restaria apenas sua boa lembrança, como dela?

Hoje, 20 de janeiro dia de São Sebastião, como bem lembrou Rielda Alves no tuiter, lembrei de um texto de Cesar Teixeira sobre o santo, publicado na edição 48 (18.jan.2003) do citado suplemento, que republicaremos abaixo. Qual não foi minha surpresa, a página do Guesa Errante na internet está fora do ar. Já teria ido se juntar a São Sebastião e Josilda? (Acabei recuperando o texto, cuja edição impressa tenho em casa, no “em cache” do Google).

Hoje empenhado na consolidação do Vias de Fato (alô, turma!, edição de janeiro/2011 já nas bancas!), projeto alternativo de comunicação, o autor de Bandeira de aço tem o raro dom do que poderíamos chamar de “eternidade do texto”. Ou se eu não tivesse contado vocês diriam que a matéria abaixo já conta oito anos?

ARCO E FLECHA PARA SÃO SEBASTIÃO!
CESAR TEIXEIRA

Amarrado num tronco e crivado de flechas, São Sebastião é festejado em todo o Maranhão, onde é identificado com Oxóssi nos terreiros iorubas. Ele, porém, não foi morto a flechadas, e sim a pauladas, por ordem de Diocleciano, em 20 de janeiro de 288 d.C., aos 38 anos. Na Casa das Minas, porém, o dia do santo é 19, consagrado a Azonce, a quem está ligado.

Recende ainda o cheiro das pa-lhinhas de Reis, mas a cidade já vive os festejos de São Sebas-tião, que também vira Oxóssi no Maranhão. Nas igrejas, terreiros, sítios e casas que devem promessa são feitas homenagens ao santo martirizado durante o Império Romano, que perseguia cristãos tal como se caçam, hoje, cães portadores de cólera nas ruas.

Mas a sociedade moderna continua politeísta, e seus deuses integram o panteão capitalista: o FMI, a Microsoft, a OPEP, a Internet, Walt Street etc. Os justos ainda são torturados e mortos, antes de serem adorados, como se deu no séc. III com São Sebastião, defensor nas guerras, fome e epidemias.

Cenas de martírio - São Sebastião teria nascido em Milão, na Itália, conforme relatos de Santo Ambrósio e Santo Agostinho, mas há a versão de que nasceu em Narbone, na Gália, em 250 d.C., tendo ingressado na carreira militar aos 19 anos. Impressionado com a bravura do jovem soldado, o imperador Diocleciano o nomeou chefe da primeira corte pretoriana.

O tirano, porém, sente-se traído quando descobre que São Sebastião propagava a fé cristã em Roma e o condena à morte. Diante da guarda, o santo foi despido, amarrado a um tronco e atingido por flechas, sendo abandonado para morrer. Por milagre, resiste aos ferimentos.

Irene, viúva de Castulo, também martirizado, vai ao local para remover e sepultar o corpo de São Sebastião. Encontra-o ainda vivo e o esconde em sua casa. Restabelecido, o santo retoma sua luta e apresenta-se ao imperador, censurando-o pelas injustiças contra os cristãos e pedindo que deixe de persegui-los.

Alheio ao discurso, Diocleciano ordena a sua execução por bastonamento e golpes de bolas de chumbo em 20 de janeiro de 288 d.C., aos 38 anos. Para evitar que fosse venerado pelos cristãos, o cadáver é jogado na Cloaca Máxima, esgoto público de Roma.

O corpo de São Sebastião é encontrado por Santa Luciana, para quem apareceu em sonho pedindo-lhe que o sepultasse junto às catacumbas da Via Appia.

Okê, meu santo! - Dizem os cronistas que, durante a batalha triunfal contra os franceses que invadiram o Rio de Janeiro, São Sebastião foi visto lutando ao lado dos portugueses, índios e mamelucos. Coincidentemente, era o dia 20 de janeiro de 1567.

Essa aura guerreira, no sincretismo religioso, o identificaria com o deus ioruba da caça e das florestas, Oxóssi, como ocorre no Rio, no Maranhão e na cidade de Porto Alegre. “Okê!” é a sua saudação, e o grito que o anuncia parece o latido de um cachorro.

O mesmo orixá, no entanto, é São Jorge em Recife e na Bahia, onde Nina Rodrigues, em estudo pioneiro, o encontra assentado no terreiro de Menininha do Gantois. Em Cuba, alguns santeros têm Oshó-Oshi ou Oshosé como São Alberto.

No Maranhão, os festejos de São Sebastião destacam-se nos municípios de maior incidência afro-brasileira: São Luís, Codó, Pedreiras, Caxias, Bacabal, Viana, São Bento, Cururupu, entre outros. A liturgia concentra-se, sobretudo, no tambor de mina e na umbanda.

É grande o legado daomeano e ioruba para a religiosidade local, destacando-se a Casa das Minas e a Casa de Nagô. Na crença jeje-nagô em São Luís foi ainda inserido o ritual do candomblé, adotado pela Casa Fanti-Ashanti a partir de 1976, onde se festeja Oxóssi, também conhecido por Odé.

Assim, São Sebastião sai da Igreja e vai aos terreiros, embora o inverso não seja praxe em relação ao orixá, tão discriminado quanto a sua etnia. Em São Luís, até 1988 os rituais eram controlados pela Polícia, que cobrava taxas de funcionamento dessas casas, prática que fere a igualdade constitucional.

Na Roma antiga, o deus Janus, que dá origem à palavra Janeiro, tinha duas faces: uma que olhava para o futuro e outra para trás. As duas “faces” de São Sebastião miram para o alto.

Porém hoje, a propósito de Diocleciano, ainda há cruzadas contra a “feitiçaria” que utilizam jornais, rádios e canais de TV. Para resistir, o santo vira a pele do avesso, pega o erukerê, o arco e a flecha (ofá), a espingarda e demais apetrechos de caça, incorporando Oxóssi.

O jantar dos cães - São Sebastião fora do dia 20 é uma rara exceção que se dá na Casa das Minas, terreiro jeje-fon, onde surpreendemos o santo camuflado entre voduns. Ali, no mês de janeiro, festeja-se um ciclo em torno de Acossi Sakpatá (não se trata de Oxóssi) e seus irmãos – que não descem no querebentã há décadas.

O dia 19 pertence a Azonce, ligado a São Sebastião; no dia 20 festeja-se Acossi, vodun das doenças e remédios, associado a São Lázaro, e, no dia 21, Azili, que é venerado como São Roque. Azonce, ou Agonço, também é rei e não é doente como ou outros, que dançam com as mãos em garra como se tivessem lepra.

Mas a festa de São Sebastião é para Acossi, chefe da família Dambirá, e no seu dia é oferecido um jantar para os cachorros sobre esteiras cobertas por alvas toalhas bordadas. Sete, nove ou treze cães (depende do modo de contar os parentes de Acossi), acompanhados por igual número de crianças.

A saborosa comida, preparada em fogão de lenha e caldeirões, é feita pelas filhas da casa e servidas em pratos de louça: galinha, arroz, torta, macarrão e farofa, além da sobremesa de goiabada. Durante o jantar os voduns entoam cânticos, até que os pratos sejam recolhidos por pagadores de promessa.

Confesso ao leitor, que, pelo fato de ter nascido ao lado da Casa das Minas, ali na rua São Pantaleão, inúmeras vezes levei um pequeno vira-lata chamado Lord para repastar-se no banquete de Acossi. Sendo inevitáveis as brigas caninas durante o jantar, o que causava grande alvoroço, os pratos eram levados para casa.

Enfim, pouco sobrava para o magérrimo cão. Até hoje, no dia de São Sebastião, lembro do fato e me penitencio. Okê, Caboclo!


Sobe o número de desaparecidos na Região Serrana

RIO - O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro informa que já chega a 430 o número de desaparecidos em consequência das chuvas na Região Serrana. De acordo com o levantamento que está sendo feito por meio do trabalho realizado pelo Programa de Identificação de Vítimas (PIV), em Teresópolis são 211 desaparecidos, 124 em Friburgo, 48 em Petrópolis, 4 em Sumidouro, 1 em Bom Jardim, 1 em Cordeiro, 1 em São José do Vale do Rio Preto e 40 de localidades não informadas.

Coordenado pelo Procurador de Justiça Rogério Scantamburlo e pelo Promotor de Justiça Pedro Borges Mourão, o levantamento é feito com dados de hospitais e do Instituto Médico Legal (IML) que são constantemente atualizados a partir de informações registradas por parentes e amigos.

O PIV em Petrópolis está funcionando na Coordenação do Centro Regional, na Rua Marechal Deodoro 88, no Centro da cidade. O MPRJ também montou um posto de atendimento avançado na Sala do MP no Fórum do Distrito de Itaipava, na Estrada União Indústria s/nº, ao lado do Corpo de Bombeiros. Os postos funcionam de segunda a sexta-feira, das 9h às 18h. Em Teresópolis, o posto do PIV funciona na Praça Luís de Camões s/nº, Centro, e o de Friburgo, na Praça Demerval Barbosa s/nº, Centro.

O registro de desaparecimento de parentes ou conhecidos também pode ser feito por meio de formulário (https://piv.mp.rj.gov.br/piv/index.htm), disponível no site do MPRJ, ou pelos telefones (21) 2283-6466, 2283-6460, 2283-5674, 2283-6489 e 2283-6498.

Já passa de 794 o número de mortos na tragédia das chuvas na Região Serrana. Segundo a Defesa Civil, mais de 20 mil pessoas estão desalojadas e desabrigadas em sete municípios da região. Em Petrópolis são 3.600 desabrigados, e 2.800 desalojados. Em Teresópolis, 960 desalojados, e 1.280 desabrigados, em Nova Friburgo 3.220 desalojados, e 1.970 desabrigados, em Bom jardim 632 desalojados, e 142 desabrigados, em São José do Vale do Rio Preto 3.020 desabrigados e desalojados, e em Areal 1.480 desabrigados e 130 desalojados. Em Sumidouro são 200 desabrigados. Ao todo, 72.355 pessoas foram afetadas pelas chuvas, segundo o órgão.

Desastre climático no Rio já é o maior do País

A tragédia da região serrana do Rio se igualou ontem ao maior desastre climático da história do País. Até as 22 horas de ontem, as autoridades contabilizavam 785 mortos, o mesmo número de vítimas da enchente do Rio em 1967, segundo ranking da Organização das Nações Unidas (ONU). O número tende a aumentar, pois o Ministério Público fluminense estima que ainda existam 400 desaparecidos nos seis municípios devastados pelas chuvas do dia 12.

O desastre também entra para os registros da ONU como o oitavo pior deslizamento da história mundial. O maior evento dessa natureza, segundo o Centro para a Pesquisa da Epidemiologia de Desastres, ocorreu em 1949, na antiga União Soviética, com 12 mil mortes. O segundo maior foi no Peru, em dezembro de 1941, e deixou 5 mil vítimas.

O deslizamento da região serrana já havia superado o número de vítimas registrado em 1967, em Caraguatatuba, quando 436 pessoas morreram. Por suas características devastadoras, o evento ocorrido há mais de quatro décadas na Serra do Mar paulista era considerado emblemático pelos geólogos.

Apesar da grande quantidade de água que desceu dos morros fluminenses e de vários rios terem transbordado, especialistas brasileiros e da própria ONU classificam o evento como deslizamento de terra. Na avaliação dos estudiosos, grande parte da destruição e das mortes foi causada pelas avalanches de terra e detritos - tecnicamente chamadas de corrida de lama. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Pai quebrou perna do filho para salvá-lo em Teresópolis

RIO - Ao saber que a perna do filho estava presa sob os escombros da casa que fora soterrada no Morro do Espanhol, em Teresópolis, Magno Jesus de Andrade não teve escolha. Para salvar Pedro de Andrade, de 15 anos, ele quebrou a perna esquerda do adolescente e conseguiu retirá-lo do lugar em segurança. A medida extrema foi tomada apesar de Magno saber que o sonho do adolescente sempre foi se tornar jogador de futebol.

Logo após o deslizamento, Magno, com a ajuda da sogra, puxou o filho, mas não conseguiu soltá-lo dos escombros. Aflito, o jovem chegou a pedir que o pai o abandonasse. Magno, no entanto, disse que o filho podia ficar sem a perna, mas não seria abandonado.

- Pensei que ia morrer e disse ao meu pai para ir embora. A dor de quebrar a perna foi o de menos - disse Pedro.

Magno morava no local há mais de 20 anos, com a mulher e três filhos. A fratura na tíbia e o trauma têm tirado o sono de Pedro. Ele só volta a sorrir ao falar de futebol. Recuperando-se na casa da avó, o jovem recebeu, no ano passado, um convite de um olheiro para treinar numa escolinha de futebol. Ele diz que será melhor que Ronaldinho Gaúcho.

Magno contou que foi sua mulher quem alertou toda a família para o perigo que todos corriam, após começarem os deslizamentos.

- Ela começou a fazer um escarcéu depois que caiu uma barreira do lado. E todo mundo começou a correr. Ninguém sabia para onde ir, porque estava tudo escuro, um breu. Mas mesmo assim saímos correndo - lembrou Magno.

fonte http://www.yahoo.com.br/



Governo pode rever padrões para transmissões de rádios comunitárias

Por: Débora Zampier, da Agência Brasil

Brasília - O secretário executivo do Ministério das Comunicações, Cézar Alvarez, se reuniu neste sábado (22) com representantes da Associação Brasileira de Radiodifusão Comunitária (Abraço) para discutir reivindicações do setor. Alvarez tomou conhecimento das principais questões levantadas no dia de encerramento do 7º Congresso Nacional da Abraço, realizado durante esta semana em Brasília.

Foi a primeira vez em 14 anos que o governo federal estabeleceu um canal de diálogo com a associação e o tom foi de conciliação. "Há uma determinação expressa da presidente Dilma Rousseff ao ministro [do Planejamento] Paulo Bernardo no sentido de trabalhar a relação com rádios comunitárias - com a Abraço em particular como uma das maiores [entidades representativas] do setor - dentro de uma qualificação da radiodifusão como um todo", disse Alvarez.

O secretário garantiu que as rádios comunitárias terão espaço no Ministério das Comunicações, mas não definiu nada sobre a criação de uma subsecretaria para atender o setor. A proposta de criação de uma subsecretaria foi aprovada na 1ª Conferência Nacional de Comunicação (Confecom), em dezembro de 2009.

Apesar da indefinição quanto à subsecretaria, Alvarez garantiu que os radiodifusores comunitários terão espaço na elaboração do marco regulatório da comunicação. "Ele ainda está em fase de estudo no Executivo e ainda tem muitas etapas de debate com a sociedade e com o Legislativo antes de ser implementado".

Uma das principais reivindicações que surgiram durante a reunião é o tratamento diferenciado da potência e da altura das antenas das rádios comunitárias, atendendo a variações urbanísticas e de relevo das cidades. Segundo a Lei da Radiodifusão Comunitária, a potência das rádios é limitada em 25 watts e a antena não pode superar 30 metros de altura.

A Abraço pede uma potência dez vezes maior. Alvarez admitiu que a questão pode ser discutida. "Temos que trabalhar com essa questão da diversidade social e regional do Brasil", afirmou. Os representantes da Abraço também cobraram medidas para que a verba de publicidade do governo também seja distribuída às rádios. O representante do ministério disse não ter uma posição sobre o assunto, mas prometeu estudá-lo.

Entre as reivindicações estão ainda a descriminalização das rádios comunitárias, o fim das ações de agentes de fiscalização e policiais nas emissoras e anistia de multas e também, para quem foi condenado por instalar uma rádio sem amparo legal. "No Rio de Janeiro, é preciso deixar de tratar as rádios comunitárias em favelas como se estivessem a serviço dos traficantes", disse o congressista fluminense Adel Moura.

O secretário executivo do ministério pediu que as denúncias sejam relatadas com documentação completa para averiguação de responsabilidades. Uma nova reunião com os radiodifusores comunitários deve acontecer em 30 dias.

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