fulinaíma

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

confissões de uma fêmea



Meus dedos se movem apressados
Com ânsia de romper as divisas
Rabiscar os gritos da noite
Enclausurados nos meus ossos
Borrados de vinho e tinta
Transpirados pelos vãos
Deste tempo que me derrete
Em mel da goma de chiclete
Mascada sem anestesias
Pelos dentes amolados
Da dama da noite fria.
Meus dedos fazem lambança
Com meus desejos e vontades
Quebram minha castidade
Arrombam meus pensamentos
Bailam com meus pincéis
Entre minhas telas cruas
Emaranham novos traços
Reinventam novas formas
Disformes da realidade
Sem pesos e medidas
Que meçam meu deboche.
Meus dedos ascendem a vela
Dão cor a polpa grotesca
Escondida por etiquetas
De expressões Made in China
Das casas mal assombradas
Camuflando as janelas dos morcegos
Rasgando as teias das aranhas
Para tomarem um porre dum novo olhar.
Meus dedos rabiscam atalhos
Dentro da velha caverna
Para sentir o toque das cascatas
O canto de suas vacas
Entre um beijo de elefante
Nas minhas vontades e formigas
De faíscas fortes e rasantes
Indicando o trem fantasma
A direção da estrela guia
Do céu gramado entre o concreto
De homens plantados entre objetos
Misturados no pó de arroz
Da terra que me come sem perdão
Reza ou oração.
Meus dedos têm pressa....

Alcinéia Marcucci

Um comentário:

Alcinéia Marcucci disse...

Obrigada por compartilhar meus devaneios tortos em teu blog!!!
Abraço

CAMPOS DOS GOYTACAZES

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