sexta-feira, 8 de abril de 2011

Assassinatos em Realengo: desinformação preconceituosa veiculada contra muçulmanos

por Claudio Ribeiro em Palavras Diversas

Após o triste acontecimento que tomou conta do noticiário mundial, as primeiras informações foram truncadas e desencontradas, nada mais natural para um evento de tamanhas proporções.
A ávidez por repassar informação e alcançar a audiência explica tais incidentes no ofício de informar.
Mas, paralelo a isso, percebe-se também desinformações preconceituosas, lançadas irresponsavelmente a milhões de pessoas.

As primeiras notícias davam conta que o atirador seria muçulmano, segundo constava de uma carta escrita por ele antes de morrer, logo, subentendendo-se, que isto, por si só, já seria o suficiente para explicar os assassinatos em série.

A carta, depois divulgada, não fazia menção a qualquer referência muçulmana. 
Nem tal afirmação poderia ser levada a cabo como indício da motivação de tão bárbaro crime.  Muçulmano seria sinônimo de barbaridades como esta?   Claro que não.  Mas a imprensa correu para apontar, de forma irresponsável, a partir do desconhecimento dos princípios religiosos daquilo que não compreende, para fornecer uma informação levianamente estereotipada, como as veiculadas massivamente, diariamente, mundo afora, inclusive no Brasil, que vinculam a religião muçulmana a violência e a barbárie gratuitas.

Tais ilações provocaram uma imediata reação da comunidade islâmica brasileira, que através de uma nota foi instada a negar que o atirador fosse um praticante da fé muçulmana e que o islamismo condena tais atos de violência, conforme a nota abaixo, extraída do portal Terra:

O presidente da União Nacional das Entidades Islâmicas do Brasil, Jamel El Bacha, negou nesta quinta-feira que o atirador Wellington Menezes de Oliveira, 23 anos, que atacou estudantes e funcionários de uma escola municipal no Rio de Janeiro, tenha vínculos com a representação e a religião muçulmana. Em nota, a entidade condenou o crime e chamou o ato de "insano e inexplicável".

"(Em relação às informações sobre) uma possível vinculação desse cidadão com a religião islâmica, depois desmentidas (por pessoas próximas a Oliveira), reafirmamos que ele não é muçulmano e não tem qualquer vínculo com as mesquitas e sociedades beneficentes mantidas pela comunidade em todo o Brasil", disse o comunicado.

Ao citar o livro sagrado do islamismo, o Corão, o presidente afirmou que os "princípios do Islã" pregam a conduta pacífica de seus adeptos e exigem dos seguidores uma "postura absolutamente diversa à que algumas pessoas querem de forma precipitada atribuir à religião e a seus adeptos".


"Quem tirar a vida de uma pessoa inocente é como se tivesse assassinado toda a humanidade, diz o Alcorão Sagrado", afirmou a nota. "Estamos direcionando todas as nossas orações para as vítimas desse brutal ato de violência contra inocentes crianças e para os seus familiares".

Já não bastasse tamanha violência e choque das mortes de mais de uma dezena de crianças na escola de Realengo, que sensibilizou todo um país, a irresponsabilidade de alguns órgãos de imprensa apenas contribui, negativamente, para reforçar imagens deformadas sobre uma manifestação religiosa pouco compreendida e, muitas vezes, estigmatizada pela violência.  Servem, trsitemente, para sedimentar preconceitos e desinformar, adicionando ingredientes ainda mais nocivos ao fato relevante, já por mais demais doloroso.

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