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quinta-feira, 21 de abril de 2011

Literatura de cordel


Cultura Popular que se transforma para continuar ao lado do povo  
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Maria José a caminho da forca. Ilustração de cordel lisboeta de 1848.

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Feira da ladra, um dos locais de comercialização da literatura de cordel em Lisboa

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A literatura de Cordel, a exemplo do samba que agoniza mas não morre, por ser uma cultura popular e resistente, o cordel não só não morre, como se dissemina em mais de 70 modalidades; é alvo de discussões em relação ao repente; tem papel importante na alfabetização e ainda vira teatro nas mãos do ator e cordelista Edmilson Santini que se auto-define assim:

"Sou Edmilson Santini/
Ator, Autor, Cordelista/
Nascido em Pernambuco/
 Tive um vô bom artista/
que guardava de memória/
uma carrada de história/
do tempo do terra à vista.
Tempo em que o português/
cá chegou com sua bagagem/
repleta de folhas soltas/
que já durante a viagem
passam a se chamar cordel/
Literatura fiel/
ao bom humor da mensagem.
Sendo criado, enfim/
dentro deste cenário/
povoado pela voz/
do mais extraordinário/
Repentista menestrel
/Previ: Vou ter um papel/
dentro deste imaginário (...)".

Com a palavra, Edmilson Santini.

Joana D'arc: Qual a origem da literatura de cordel?

Edmilson Santini: Se origina exatamente das folhas soltas portuguesas, manuscritos vendidos em praça pública. Cantados e contados, geralmente em trovas (estrofes de quatro versos). Pelo fato dessas folhas soltas ao vento serem vendidas penduradas em cordões - cordas finas - ganhou o nome de cordel. Foram os portugueses que trouxeram o cordel, em forma de cantigas de bemdizer e maldizer. Foi aqui no Brasil com a nossa criatividade, que ele se legitimou como cultura brasileira. E se formaram mais de 70 modalidades.

JD: Há cordel apenas no Nordeste ou no Brasil todo? Você acabou de dizer que há mais de 70 modalidades, então me conta.

ES: As modalidades são a sextilha, septilha e a oito pés a quadrão, ou oitavão, a décima com seis, sete, oito e dez versos, respectivamente. O Brasil é muito interessante e modifica a historia ao longo do tempo, e sempre vai se refazendo. E assim foi com o cordel, que nasceu na praça e teve papel jornalístico antes da propagação da televisão e dos impressos, era chamado o "jornal do sertão" e hoje é um instrumento importante na alfabetização. A literatura de cordel está disseminada em várias regiões do País com sutis diferenças, mas é claro que o Nordeste é o grande celeiro.

JD: Há alguma ligação entre o cordel e o repente?

ES: A métrica, as regras são as mesmas: métrica, com frases de sete sílabas; rima, em relação ao esquema de rimas e a oração, na forma de contar/cantar. O repente, como o próprio nome diz, é feito de repente, a partir de um tema, mote dado ao cantador de viola ou conquista, embolador de coco, os principais personagens desse fazer poético. Já o cordelista, é um "poeta de bancada", escreve a poesia e depois canta ou conta. Essa é a diferença. Sendo que alguns entendidos dizem que o cordel seria o repente escrito e ele o cordel improvisado, mas na prática isso não é bem assim e essa questão rende uma discussão de uma tarde toda.

JD: É cordel em teatro, teatro em cordel ou as duas coisas? Como isso funciona?

ES: No meu caso, é o teatro em cordel, porque não deixo de fazer cordel e estou fazendo teatro. É a utilização dessa linguagem na narrativa do teatro, obviamente sem esquecer das regras básicas do cordel. É a dramaturgia da história - através de bonecos, instrumentos, percussão - contada e cantada com o cordel, como forma de contar a história e desencadear o assunto.

Mais informações em: www.teatroemcordel.com.br





Edmilson Santini


Edmilson Santini nasceu em 1 de agosto de 1955, em Belas Águas, Pernambuco. Herdou do avô Antonio Santini, famoso contador de histórias da região, o gosto pela rima e pelos versos. No início dos anos 1970, migrou para o Sudeste. Em São José dos Campos iniciou sua carreira de ator, que lhe rendeu, em 1980, prêmio no festival de teatro de Guaratinguetá, SP. Em 1988, foi para o Rio de Janeiro, onde ingressou de vez no universo do cordel. Atualmente se dedica ao Teatro em Cordel (www.teatroemcordel.com.br), projeto de cunho educativo que idealizou com o objetivo de transmitir informações sobre a cultura brasileira de forma dinâmica, “sem esquecer o lado da diversão e do lazer”, através do teatro. No âmbito do projeto, a equipe realiza oficinas de contação, encenação e recriação de histórias em cordel. O grupo também prepara textos por encomenda, em verso ou em prosa, que podem ser encenados e cantados.

Obras deste autor:
Não adianta chorar o mercúrio derramado

Não adianta chorar o mercúrio derramado


Edmilson Santini, neste folheto, aponta os perigos – para o meio ambiente e para a saúde humana – da contaminação de lençóis d'água pelo mercúrio usado no garimpo. Veja um trecho do poema:



Um dia na boca,
bem na boca da...
da noite, hora pouca
pro dia acabar,
vermelhidão louca
tomara de conta
do rio, ponta a ponta.
Um mar de derrame,
De sangue, esparrame...
É o que se conta.

(…)

A Fauna toda presente,
Fareja, vai perguntando:
– O que há de tão urgente?
Que bicho é que tá pegando?
Diz a Verde: Mortandade!
No ouro reina a maldade.
Os peixes estão se danando!

(…)

O mercúrio prejudica
Bebê antes de nascer,
Portanto, a mãe quendo fica
Grávida, não pode comer
Desse peixe, porque então,
Filho de má formação,
É arriscado ela ter.



Teatro de Rua e da Floresta

O grupo experimental de teatro de rua Vivarte é agora de “teatro de rua e da floresta”, enfatizando a sua trajetória, seus trabalhos, roteiros e objetivos. “Encantoria”, o atual trabalho de construção do grupo, brinca com lendas, mitologias e personagens da floresta. O texto é do dramaturgo e cordelista pernambucano Edmilson Santini. Ele conheceu o grupo a partir de encontros da Rede Brasileira de Teatro de Rua, em 2009. Ainda no final do ano passado, Santini esteve em Rio Branco e teve a oportunidade de interagir melhor com o Vivarte. Foi quando resolveram retrabalhar o texto “O Casamento da Filha de Mapinguari”, uma produção feita à distância, por email. Já em 2010, Edmilson voltou ao Acre para participar do Arraial Cultural do Estado. Na ocasião, fortaleceu o trabalho com os artistas e voltou para casa com a tarefa de pensar e elaborar um novo texto.


Dramaturgo e cordelista Edmilson Santini escreveu texto de acordo com as experiências, dele e do Vivarte, com a cultura popular
Em dezembro deste ano, por meio de projeto financiado pelo Fundo Municipal de Cultura, o cordelista esteve novamente na capital acreana e, durante os 15 dias que passou na casa do grupo Vivarte, investiu na criação musical, leitura e discussão do roteiro de “Encantoria”. “Realizamos um encontro de entendimentos”, afirma. De acordo com a diretora Maria Rita, construir esta interpretação em parceria foi uma experiência única. “Estar com o autor do texto presente, acompanhando os ensaios, é um exercício completamente diferente”, conta a também atriz.

A sala que também é cozinha vira então o espaço para ensaios. No chão, cada integrante arranja o seu espaço, segura seu instrumento e o texto. Santini coordena os trabalhos e lembra Nelson Rodrigues e Gonzaguinha para inspirar a criação do grupo. Segundo ele, a experiência em Rio Branco foi inédita em sua carreira. “Foi a primeira vez que vivi esse acompanhamento e construção em parceria com um grupo, num lugar que é, na verdade, uma casa-oficina”, diz. “É importante que isso aconteça e que seja em cordel, porque o Brasil deve muito a esta literatura”, completa.
fonte: Vivarte








A Fundação Casa de Rui Barbosa, no Rio de Janeiro possui um dos maiores acervos de Literatura de Cordel no Brasil, com mais de 9.000 folhetos de Cordel e uma imensa lista de poetas e cantadores das regiões mais distintas do país.



O Acervo de Literatura Popular em Versos da Fundação Casa de Rui Barbosa, o maior da América Latina, atualmente com mais de 9.000 folhetos de cordel foi formado a partir da década de 1960 e, dessa iniciativa resultou uma extensa bibliografia, composta de catálogos, antologias e estudos especializados.

No Brasil, o cordel surgiu na segunda metade do século XIX e expandiu-se da Bahia ao Pará, antes de alcançar outros Estados. Os folhetos, vendidos nas feiras, tornaram-se a principal fonte de divertimento e informação para a população, que via neles o jornal e a enciclopédia, de maneira quase simultânea.

Os temas eram os mais variados: as aventuras de cavalaria, as narrativas de amor e sofrimento, as histórias de animais, as peripécias e diabruras de heróis, os contos maravilhosos e uma infinidade de outros, que nos chegaram pela Literatura oral da Península Ibérica e que a memória popular encarregou-se de preservar e transmitir.

Além disso, o poeta nordestino foi incorporando a esse romanceiro, fatos mais próximos do público, ocorridos em seu ambiente social: façanhas de cangaceiros, acontecimentos políticos, catástrofes, milagres e até mesmo a propaganda, com fins religiosos e comerciais.
As xilogravuras e desenhos que ilustram as capas dos folhetos são uma manifestação da criatividade do artista popular, com suas soluções plásticas sintéticas, em que se destaca o traço forte, de rude e bela expressividade.

O cordel é valorizado como expressão poética de alta significação por escritores do porte de Ariano Suassuna, Carlos Drummond de Andrade, Jorge Amado, Guimarães Rosa, Mario de Andrade, João Cabral de Melo Neto, motivando (e continua a motivar) estudos e pesquisas nas áreas de Antropologia, Folclore, Lingüística, Literatura, História, entre outras.

PROJETO
O objetivo geral do Projeto Literatura Popular em Versos na Casa de Rui Barbosa é a preservação, conservação e disponibilização dessa coleção única no mundo. Dadas suas características de raridade, originalidade e antiguidade, faz-se necessário garantir sua preservação contra o desgaste do tempo e do manuseio, submetendo-se a coleção a tratamentos técnicos e tecnológicos específicos, assegurando-se a restauração dos folhetos, a confecção de invólucros adequados para a guarda e sua digitalização.

A revisão e inserção dos registros catalográficos na base de dados a Fundação, possibilita a consulta on-line de todo o acervo, a realização de estudos e trabalhos de pesquisas sobre essa manifestação da cultura popular brasileira.

A versão digital dos folhetos é disponibilizada no portal da FCRB por meio deste site, desenvolvido em dois momentos. Ele foi inicialmente concebido para disponibilizar a coleção de Leandro Gomes de Barros, pesquisado em profundidade pela profa. Ivone Maia com o apoio da FAPERJ, num projeto em parceria com a Casa de Rui Barbosa, que foi mantido inédito e serviu de modelo para o projeto com a Petrobrás.  Esse trabalho sobre Leandro Gomes de Barros foi mantido na íntegra, assim como também a estrutura do site e seu projeto gráfico.


No segundo momento, com o patrocínio Petrobrás, expandiu-se o escopo do site e foram acrescentados 9.000 folhetos digitalizados e biografias de 20 outros poetas, e bibliografia sobre cordel disponível no acervo da Fundação, com 400 referências, dentre artigos, livros, recortes, teses e dissertações.

Para se conhecer mais sobre Cordel clic aqui: http://www.ablc.com.br/cordeis/cordeis.htm

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