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quinta-feira, 26 de maio de 2011

Dilma defende Palocci e critica politização que interessa ao governo

Depois de um mês sem dar entrevistas e de treze dias do início do 'caso Palocci', presidenta confirma nova postura, sai em defesa do chefe da Casa Civil e condena 'politização'. Mas governo conta com 'politização' para unir aliados e enfrentar inimigos. Sem citar imprensa e oposição, ministro diz que vida fiscal de Palocci recebe tratamento diferente do dispensado à família de José Serra.

BRASÍLIA – Treze dias depois da primeira reportagem sobre o enriquecimento do chefe da Casa Civil, Antonio Palocci, a presidenta Dilma Rousseff rompeu o silêncio. Nesta quinta-feira (26/05), em mais uma demonstração de que o caso já produziu mudanças em sua postura, Dilma aproveitou o fim de um evento para falar com a imprensa depois de um mês, defender o ministro e condenar a politização do assunto.

“Quero assegurar a vocês que o ministro Palocci está dando todas as explicações para os órgãos de controle, as explicações necessárias”, disse a presidenta. “Espero que esta seja uma questão que não seja politizada, como foi o caso que aconteceu ontem, o caso lastimável, que é aquela questão da devolução dos impostos da empresa WTorre."
A última entrevista da presidenta tinha sido dia 25 de abril. De lá para cá, Dilma, que já é uma pessoa discreta, teve de enfrentar uma pneumonia que encurtara sua jornada de trabalho e suas aparições públicas. Nos últimos dias, porém, ela decidiu se expor mais e liberar de governo para produzir mais notícias, com a intenção de reduzir o espaço do noticiário sobre Palocci.
O episódio classificado por Dilma como “politização” foi uma entrevista convocada pela liderança no PSDB na Câmara dos Deputados nesta quarta-feira (25/05), na qual o parlamentar Fernando Francischini (PR), que é policial federal, apresentou papéis que supostamente provariam que Palocci teria feito lobby na Receita Federal – e sido bem sucedido – para que uma empresa conseguisse receber restituição de impostos.

Segundo o deputado, teria havido uma velocidade incomum entre o pedido de restituição e a devolução do dinheiro. Ele fez ainda ilações sobre a empresa em questão, WTorre, ter retribuído o suposto lobby bem sucedido de Palocci com doações para a campanha presidencial de Dilma Rousseff.
A WTorre, do ramo da construção civil, foi cliente da firma de consultoria de Palocci, a Projeto. Segundo o ministro, a Projeto é que lhe proporcionou renda para comprar um apartamento de R$ 6,6 milhões em São Paulo, notícia que deu origem aos problemas políticos do Planalto. A versão tucana de que teria havido lobby de Palocci na Receita Federal foi rebatida pelo ministério da Fazenda com o argumento de que o pagamento da restituição obedecera a uma ordem judicial.

Uma medida, dois pesos
Mas a politização do caso condenada pela presidenta é algo que interessa ao governo federal. Ter os adversários de Dilma como inimigos no caso Palocci ajuda a defender o ministro, pois une a base governista, amplamente majoritária dentro do Congresso. Ao mesmo tempo, abafa a hipótese de a crise ter nascido de “fogo amigo” de aliados do governo insatisfeitos com o “jogo duro” imposto pelo Palácio do Planalto, impedindo, com isso, que mais “fogo amigo” seja disparado.

Na última terça-feira (24/05), o chefe da Secretaria Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, deu o melhor exemplo de politização. Ele acusou a secretaria de Finanças da cidade de São Paulo de ter entregue à imprensa informações fiscais da empresa de Palocci. No mesmo dia, o líder do PT na Câmara dos Vereadores do município, José Américo, apresentou pedido de informações à prefeitura para saber quem, dentro da secretaria de Finanças, tem acesso a dados fiscais da Projeto.

O secretário de Finanças de São Paulo é Mauro Ricardo, que foi secretário de Fazenda de José Serra nos quatro anos em que o tucano governou o estado de São Paulo.

Para Gilberto Carvalho, a imprensa e os adversários do governo estão tendo, diante da circulação de dados fiscais da empresa de Palocci, uma atitude diferente da dispensada no ano passado, durante a campanha eleitoral, à suposta violação do sigilo fiscal da filha de José Serra, Verônica Serra. A análise dos dados fiscais de Verônica permitia que se tivesse dúvidas sobre a idoneidade dos negócios da família Serra.
“O governo sabe de onde veio essa história [envolvendo Palocci]. Quando, no ano passado, se denunciaram questões do senhor José Serra, não se focou no conteúdo, se focou no vazamento. E houve vazamento agora na prefeitura de São Paulo. Foi a demonstração, via notas fiscais de ISS [Imposto Sobre Serviços], que permitiram a verificação desses recursos que ele [Palocci] auferiu pelo seu trabalho”, disse Carvalho.
Para o cientista político Fabio Wanderley Reis, professor emérito da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), o caso Palocci é bom demais para que os adversários de Dilma deixem de aproveitá-lo. “Obviamente, a oposição, que estava sem rumo e sem discurso, não vai entregar facilmente esse presente”, afirmou.

Os inimigos da presidenta estão empenhados, nos últimos dias, em coletar assinaturas para criar uma CPI no Senado contra Palocci. Em reunião na última terça-feira (24/05), traçaram uma estratégia, e a contaram abertamente à imprensa, de buscar apoio entre aliados do Planalto. “Vejo muitos insatisfeitos na base do governo, por vários motivos”, disse o líder do DEM na Câmara, Antonio Carlos Magalhães Neto (BA), que participou da reunião.

Aliado do governo e líder da maior bancada no Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL) não vê futuro na tentativa oposicionista. “Há uma correlação [de forças] diferente hoje no Congresso. Como abrir uma CPI se a oposição não passa de vinte senadores?”, disse. São necessárias pelo menos 27 assinaturas para abrir uma CPI no Senado.

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