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domingo, 22 de maio de 2011

Para José de Abreu, substituto de Ana de Hollanda precisa ser nome que não produza mais atritos

Defensor da troca de comando no Ministério da Cultura, o ator critica falta de flexibilidade na gestão e política que parece "de um governo de oposição"

Por: Anselmo Massad, Rede Brasil Atual


Para José de Abreu, substituto de Ana de Hollanda precisa ser nome que não produza mais atritos

Abreu lembra que política do ministério foi aprovada pelo voto, por isso deveria ser mantida pelo ministério (Foto: Encontro de Blogueiros Progressistas)

São Paulo – O ator e ativista da cultura José de Abreu defende a substituição da ministra da Cultura Ana de Hollanda. Ele critica a gestão mantida há quatro meses na pasta, desde o início do governo Dilma Rousseff, por considerar que a condução dos debates rompe com a "continuidade aprovada nas urnas" com a gestão anterior, de Juca Ferreira, durante o governo de Luiz Inácio Lula da Silva.

"A política do ministério foi aprovada pelo voto; o eleitor aprovou o governo Lula e o Ministério da Cultura, que precisaria ser continuado", sustenta Abreu. "Defendo que se busque um nome que não leve a mais atritos ao ministério", avalia. Ele acredita que o governo como um todo está indo bem, com exceção do MinC. "Essa troca precisaria ser feita da maneira menos traumática possível", completa. Há rumores de que a presidenta Dilma Rousseff já estaria estudando a possibilidade de substituir Ana de Hollanda.

Em março, Abreu havia defendido, em entrevista à Rede Brasil Atual, que se desse mais tempo e se tratasse o ministério com mais calma. Ele explica que a retirada de seu apoio à Ana de Hollanda foi uma decisão tomada após muita discussão e agravada pelas denúncias de proximidade entre ela e o Escritório Central de Arrecadação e Distribuição (Ecad), publicada por jornais na terça-feira (3).

"Fiquei muito chateado com o que li no jornal (sobre a ligação com o Ecad), porque a defesa do MinC era de que não havia nenhuma relação, que era loucura", afirma Abreu. "Mas ninguém é idiota, faço política há 40 anos. O cargo de ministro é político, feito de conversas. Ainda mais em um começo de governo, que tem base aliada e é formado por uma coalizão. Mas ela botou uma linha na cabeça e parece não ter flexibilidade nenhuma", critica.

Entre os motivos que o levaram a mudar de opinião estão reiteradas demonstrações de falta de flexibilidade da ministra. Ele enumera a retirada do selo Creative Commons do site do ministério – mesmo permanecendo o uso e a menção da plataforma de Wordpress e de contas em redes sociais como Flickr –, a defesa intransigente do Ecad, a desautorização de posições defendidas em São Paulo pelo secretário-executivo do MinC, Vitor Ortiz, entre outras. "Fui me dando conta de que não tinha mais como apoiá-la", reconhece Abreu.

Brincadeira

O nome de José de Abreu foi lançado pelo Futepoca para suceder Ana de Hollanda. Com a proposta de um "Ministério da Cultura dionisíaco", eles defendem as posições bem-humoradas do ator e o compromisso dele com a cultura digital, além de toda a trajetória nas artes cênicas. A campanha foi logo encampada nas em redes sociais.

No Twitter, Abreu entrou no clima da brincadeira: "Assim, com esse programa de governo eu topo! Vou avisar a galera! #ZedeAbreunoMinc", escreveu.
Durante a entrevista à Rede Brasil Atual, ele não quis sequer comentar a movimentação. "Ah, é só uma brincadeira", divertiu-se.

"Eu estava achando estranho a gente ter lutado por um governo de continuidade e, justamente na área em que trabalho, isso não estava sendo cumprido. Em alguns pontos, a impressão era de que se tratava de um governo de oposição", lembra o ator. Antes do rompimento, ele chegou a almoçar com a ministra, em abril, em Brasília, além de dialogar com ativistas da cultura digital e colegas artistas. "Pensei bastante e escrevi um e-mail para ela para apresentar minhas razões e dizer que, a partir daquele momento, eu deixava de apoiá-la", detalha.

Desmonte

Abreu defende a substituição de Ana de Hollanda, mas alerta que há grupos favoráveis a trocas também nos cargos ocupados por Ortiz e por Antônio Grassi, presidente da Fundação Nacional de Artes (Funarte). É o caso dos articuladores do manifesto endereçado a Dilma Rousseff publicado no Mobiliza Cultura, que atribuem a Grassi parte da responsabilidade pelo que consideram ser o desmonte das políticas promovidas por Gilberto Gil e Juca Ferreira na pasta, nos oito anos anteriores, já que o atual presidente da Funarte foi demitido por Juca Ferreira em 2008, em um processo conturbado. A dispensa teria sido comunicada por e-mail. A falta de zelo foi um dos motivos por que Grassi fez, à época, duras críticas ao MinC. Além disso, o ator tornou-se, então, assessor do governo de Minas Gerais, ainda na gestão do hoje senador Aécio Neves (PSDB-MG).

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