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sexta-feira, 15 de julho de 2011

Base ampla ajuda Dilma contra PR, mas receio de CPIs impõe limites

 Obra do lulismo, o mais governista dos Congressos desde o fim da ditadura militar ajuda Dilma Rousseff a fazer jogo duro com o PR na sucessão no ministério dos Transportes. Peso dos deputados do partido na base aliada do Planalto caiu de 15% para 10% desde a primeira vitória de Lula. Mas o poder da bancada do PR no Senado de criar CPIs em aliança com adversários de Dilma impõe limites ao endurecimento presidencial.

BRASÍLIA – O Congresso Nacional deixado pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mais governista do que nunca desde a redemocratização, em 1985, ajudou a presidenta Dilma Rousseff a fazer jogo duro com o Partido da República (PR) na crise do ministério dos Transportes, na mira de denúncia de corrupção que custou a cabeça de quase toda a cúpula do órgão. Mas o receio de perder o aliado e abrir caminho para CPIs contra o governo no Senado obrigou Dilma a não esticar demais a corda e a ser flexível.

Os partidos que apoiam a presidenta somam hoje cerca de 400 deputados, mais de 75% da Câmara, proporção digna dos tempos do bipartidarismo da ditadura militar. Com 40 cadeiras, o PR responde por 10% da bancada oficial. Quando Lula tomou posse pela primeira vez, em 2003, o peso do PR, então Partido Liberal (PL), era maior (33 deputados, cerca de 15% dos governistas).

A aprovação recorde do ex-presidente no fim do segundo mandato, na casa dos 90%, empurrou a classe política em peso para palanques lulistas/dilmistas na última eleição, fez a oposição encolher e deixou Dilma com mais respaldo e conforto no Legislativo, do que Lula tivera em dois mandatos. Nesse processo, o PR cresceu, mas perdeu importância relativa porque outras legendas governistas também avançaram.

No Senado, o PR também ficou maior na passagem da era Lula para a gestão Dilma. E, diferentemente do que acontece na Câmara, pode ser decisivo numa situação que sempre preocupa inquilinos do Palácio do Planalto, a abertura de Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs). E isso impôs limites ao jogo duro de Dilma.

Os partidos adversários da presidenta – PSDB, DEM e PSOL - contam com 17 senadores, dez a menos do que o mínimo necessário para instalar uma CPI. Nem a adesão de dois ou três senadores do PMDB – sigla do vice-presidente da República, Michel Temer - que são contra Dilma ou tentam agir com independência, cria-se uma CPI.

O desalento dos oposicionistas ficou evidenciado na crise do ex-ministro Antonio Palocci. Nenhuma CPI saiu, mesmo com setores do PT e do PMDB torcendo em segredo pelo defenestramento de Palocci.

Um eventual rompimento do PR com Dilma, no entanto, colocaria o governo em perigo. Os potenciais signatários de CPIs seriam 26 senadores. Bastaria um único desconte na base aliada, por qualquer motivo, para uma comissão de inquérito parlamentar ser instalada. Essa assinatura valeria ouro – e custaria caríssimo para o Palácio do Planalto segurá-la. Na Câmara, não há esse risco. Mesmo com o PR, PSDB, DEM e PSOL ainda precisariam de cerca de 30 assinaturas para atingir as 177 necessárias.

Afago e sondagem
Segundo Carta Maior apurou, foi para evitar jogar o PR no colo da oposição e expor-se a CPIs no Senado, que Dilma procurou manter a bancada do partido na Casa amarrada ao governo, quando teve de pensar concretamente na troca de Alfredo Nascimento, senador pelo PR, no cargo de ministro dos Transportes.

O cálculo político impôs como primeira opção justamente um senador do PR, Blairo Maggi (MT), procurado pelo ministro-chefe da Secretaria Geral da Presidência, Gilberto Carvalho. A sondagem ocorreu mesmo sendo Maggi responsável pela indicação do diretor-geral do Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Transportes (DNIT), Luiz Antonio Pagot, um dos alvos da suspeita de corrupção.

Feito o afago na bancada de senadores do PR, Dilma sentiu-se livre para tomar uma decisão mais autônoma, quando Maggi preferiu continuar congressista. Sem qualquer gesto semelhante dirigido aos deputados do partido, a presidenta inclinou-se para sua primeira opção técnica, o secretário-executivo Paulo Sérgio Passos, que acabaria efetivado como ministro. Passos é servidor público de carreira e só se filiou ao PR quando o partido assumiu o ministério, para melhorar a relação com os correligionários.

A decisão de Dilma incomodou o PR da Câmara. Deputados do partido mandaram recados de sua insatisfação, usando a imprensa e a proteção do anonimato. Diziam, por exemplo, que boicotariam um coquetel de confraternização da presidenta com os líderes partidários marcado para a última quarta-feira (13/07) para celebrar o fim dos trabalhos legislativos no primeiro semestre.

Segundo Carta Maior apurou, a ministra-chefe da Secretaria de Relações Institucionais, Ideli Salvatti, telefonou para caciques do PR para tentar acalmar os ânimos e convencer o líder do partido na Câmara, Lincoln Portela (MG), a comparecer ao convescote.

Naquela mesma quarta-feira, depois de reunir-se com a bancada, Portela disse que não ir ao coquetel seria um real “gesto de descontentamento”, mas que isso não ocorreria. “A tendência é que a relação [com o governo] melhore daqui para frente”, afirmara. E lá foi ele para o Palácio da Alvorada, posar para fotos ao lado da presidenta, colocando-se com um dos mais próximos dela.

Sem condições de encurralar Dilma com uma CPI na Câmara. Sem uma candidatura de oposição com chances concretas, hoje, de bater a presidenta em 2014 e em torno da qual poderiam se juntar desde já. E com eleições municipais no ano que vem, na qual vários vão concorrer a prefeito, o que é mais fácil sendo aliado do governo, não há muita opção aos deputados do PR, além de melhorar a relação com Dilma e sorrir em fotos com ela.

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