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sexta-feira, 29 de julho de 2011

BC confirma nova tática anti-inflação; alta de juros pode ter acabado

Na ata da reunião que aumentou taxa de juros pela quinta vez no ano, Banco Central (BC) não diz mais que trabalha por meta de inflação de 4,5% em 2012, nem que busca do objetivo exigiria aperto monetário por tempo 'suficientemente prolongado'. Nova estratégia, que havia sido sugerida no fim do último encontro do Comitê de Política Monetária (Copom), tenta combater única variável inflacionária que, segundo economista, está descontrolada, as expecativas do 'mercado'.

BRASÍLIA – O Banco Central (BC) confirmou nesta quinta-feira (28/07) a suspeita de que resolveu adotar nova estratégia na disputa com o “mercado” sobre os rumos da inflação e da taxa de juros. Na ata da reunião da diretoria que, na semana passada, subiu o juro pela quinta vez seguida no ano, o BC não diz mais, como havia feito antes, que trabalha para que a meta de inflação fixada pelo governo, de 4,5%, seja cumprida em 2012.

O documento também reforça a desconfiança, manifestada por analistas do “mercado” logo depois da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), de que o ciclo de aumento dos juros pode ter acabado. O BC abandonou a expressão de que atingir a meta de inflação no ano que vem exigiria “a implementação de ajustes das condições monetárias por um período suficientemente prolongado”.

As duas suspeitas haviam sido alimentadas pelo próprio BC no fim do encontro do Copom de 20 de julho. Ao comunicar o resultado da reunião – a maior taxa do planeta ficaria 0,25 ponto percentual maior e valeria 12,50% pelo menos até 31 de agosto -, o banco havia sido lacônico. Não disse que tomara a decisão de olho em 2012, nem que esse objetivo poderia requerer juro alto por tempo “suficientemente prolongado”.

A reunião anterior do Copom, em junho, havia terminado com estas duas mensagens na curta nota em que o BC sempre informa a decisão. Ambas seriam confirmadas uma semana depois na ata do Copom. Agora, foi diferente.

A provável explicação para a nova postura do BC pode ser encontrada em um boletim trimestral de análise da conjuntura divulgado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) justamente no dia da última reunião do Copom (20 de julho).

Para o economista que coordena a elaboração do boletim, Roberto Messenberg, todas as variáveis que impactam a inflação estão controladas: atividade econômica, mercado de trabalho e de crédito em ritmo moderado, preço dos alimentos e dos combustiveis, estabilizado.

O único fator que ainda estaria descontrolado, segundo Messenberg, seriam as expectativas do “mercado”. Desde que o BC avisara, no início do ano, que não trabalharia para a inflação atingir a meta de 4,5% em 2011 - o governo acha que isso sacrificaria o crescimento com mais prejuízos do ganhos para o país -, mas só em 2012, o “mercado” aposta que a inflação ficará acima da meta no ano que vem.

As expectativas do “mercado” também são um fator inflacionário na medida em que têm poder para influenciar a realidade. Trabalhadores e empresários levam em conta estas previsões, por exemplo, na hora de negociar salários e fixar preços.

É por isso que a Central Única dos Trabalhadores (CUT) e a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) uniram-se contra a pesquisa que o BC faz sobre as expecativas do “mercado”. O levantamento semanal ouve 100 instituições, a grande maioria ligada ao sistema financeiro.

O presidente do BC, Alexandre Tombini, concorda que seria melhor mudar um pouco o perfil da pesquisa, para incorporar instituições vinculadas a outros setores, mas diz que preciso que os interessados em participar atendem exigências mínimas.

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