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sexta-feira, 22 de julho de 2011

Peso do juro do BC na dívida é o menor mas influencia alta histórica

 Nunca a dívida do governo em títulos públicos esteve menos atrelada ao juro do Banco Central quanto no fim de junho: 30%. Mesmo assim, aumentos consecutivos da taxa somados à capitalização do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social produziram o maior aumento semestral da dívida. Foram R$ 126 bilhões a mais entre janeiro e junho. Só em 2010 e 2007, crescimento havia superado R$ 100 bilhões. Dívida total chega a R$ 1,7 trilhão, informou o Tesouro Nacional nesta quinta-feira (21/07).

BRASÍLIA – Os aumentos da taxa de juros pelo Banco Central (BC) e mais uma capitalização do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) fizeram a dívida do governo com o “mercado” ter o maior crescimento já registrado em um primeiro semestre, desde que a Secretaria do Tesouro Nacional passou a divulgar estatísticas regularmente.

Foram R$ 126 bilhões em dívida nova na forma de títulos públicos negociados dentro do país. Até agora, ela tinha subido acima de R$ 100 bilhões apenas nos semestres iniciais de 2010 e de 2007. No fim de junho, totalizava R$ 1,729 trilhão, informou o Tesouro nesta quinta-feira (21/07).

O impacto da capitalização do BNDES na dívida pode ser medido com exatidão: R$ 30 bilhões. Desde 2008, quando explodiu a crise financeira mundial, o governo tem pego dinheiro emprestado com o “mercado”, ao vender títulos públicos, para injetar no BNDES e ajudar o banco a oferecer mais crédito às empresas, especialmente quando as instituições financeiras privadas se retraem.

Já o efeito do juro do Banco Central sobre a dívida não pode ser apontado em valores com precisão. Mas um dado das estatísticas do Tesouro dá uma idéia. Em dezembro do ano passado, antes de o BC começar o ciclo de cinco aumentos consecutivos da chamada taxa Selic, o custo médio da dívida, ou seja, o juro médio pago pelo conjunto dos títulos públicos, era de 11,8%. Em junho, estava em 12,3%.

As instituições financeiras (bancos, em sua maioria) ficaram 42% da dívida nova (R$ 54 bilhões). O Tesouro vem tentando diminuir a fatia delas na dívida, mas em junho a ação foi influenciada pela venda de R$ 30 bilhões em títulos para capitalizar o BNDES – os bancos participaram em peso da operação. Entidades de previdência (fundos de pensão de estatais, na maioria), em quem o Tesouro aposta para depender menos dos bancos, ficaram com 29% (R$ 37 bilhões).

Segundo o coordenador-geral da dívida, Fernando Garrido, o aumento de R$ 126 bilhões da dívida no semestre já era esperado. Em fevereiro, ao divulgar um documento no qual expõe seus planos para a gestão da dívida ao longo do ano, o Tesouro dizia que trabalharia para ela chegar a dezembro em, no máximo, R$ 1,930 trilhão.

De acordo com Garrido, o ponto positivo na evolução da dívida no semestre foi a redução, para o menor nível já observado (30%), daquela parcela atrelada ao juro do BC. E, ao mesmo tempo, o avanço, para o maior patamar já verificado (38%), daquela fatia vinculada a juros definidos no ato da negociação do título público. “Isso mostra melhoria na composição da dívida”, disse Garrido.

O Tesouro prefere administrar títulos com juros pré-fixados porque eles dão mais previsibilidade ao comportamento da dívida, por terem valores já conhecidos. Os títulos ligados ao juro do BC podem ficar mais caros a qualquer momento, dependendo do que o banco faz contra a inflação. E isso tira previsibilidade.

No documento divulgado em fevereiro, o Tesouro dizia que trabalharia para a parcela pré-fixada da dívida ficar entre 36% e 40% e a ligada ao juro do BC, de 28% a 33%.

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