segunda-feira, 19 de setembro de 2011

III Festival Aberto de Poesia Falada de São Fidélis - Resultado

O III Festival Aberto de Poesia Falada de São Fidélis, realizado pela Secretraria de Cultura e Turismo, tendo a frente Ronaldo Barcellos, realizado  em suas fases semi-final e final nas noites da últimas sexta 16 e sábado 17 superlotou a quadra de esportes com um público ávido poesia, fazendo jus mais uma vez ao título de  cidade poema.

Das 20 poesias apresentas na sexta 16, 10 foram selecionadas para finalíssima de sábado no sábado 17. Além de outros nome que integraram a comissão julgadora desta noite, destacamos a presença da pesquisadora cultural  e professora de prosódia do núcleo de teledramaturgia da Rede Globo, Íris Gomes da Costa. Atuaram também na Comissão Julgadora da fase semi-final, as professoras de literatura, Kátia Valéria da Silva,  Clarissa Meneses e Maria Lúcia Fernandes. 

Além das  20 poesias concorrentes as noites foram  estreladas pelas performances do poeta, ator, produtor cultura e vídeo maker Artur Gomes que fez o público delirar com o seu repertório que além da sua própria poesia, conta ainda com a poesia de Torquato Neto, Paulo Leminski e Mano Melo.

Na Comissão Julgadora da finalísima no sábado dia 17, destacamos a presença da doutora Arlete Sendra, do Professor e poeta Joel Melo, ambos da Academia Campista de Letras, da Secretarária Municipal de Educação, Professora Ligia Sueth Asumpção, o poeta Antonio Manoel Sandenberg, Clarissa Meneses, Fátima Panisset  e Artur Gomes.
Vencedores:

Primeiro Lugar – Eterno Como Se Fosse
Autor – Éder Rodrigres – Pouso Alegre – MG
Prêmio: R$ 5.000,00

Segundo Lugar – Natal Fonte Seca de Madeira
Autor – Carlos Rodrigues – São Fidélis-RJ
Prêmio: R$ 4.000,00


Terceiro Lugar – Poema do Caminho
Autor – Elias Araújo – Américo Brasiliense-SP
Prêmio: R$ 3.000,00

Menção Honrosa – Horizonte NU
Autor Sérgio Bernardo – Nova Friburgo-RJ
Prêmio: R$ 1.000,00

Melhor Intérprete – Celso Maia – São Fidélis-RJ
Prêmio: R$ 2.000,00

Eterno Como Se Fosse

Meus rastros eram anjos da guarda
que fincaram pelo chão o caminho dessa volta.
Pelo morro, algodão explodia a casca e caia manso,
cobrindo quase toda a terra de branco.

No meu peito, colostro manchando a roupa
Apesar do abraço já estar vazio
e do sangue ser coisa que já não vem.
Para dor tamanha, não há choro que vingue.
Só um silêncio que concorda,
para morrer depois.

Meus passos. Vontades que não sei se tenho.
Teu quarto: imensidão que não sei se arrumo.
Ninho sem muitos ciscos
que vai perdendo o enlace dos ramos.
Ausência: vontade de ainda poder ninar suas insônias,
curar  suas febres e envelhecer nas noite em claro.
Guardei teus dentes de leite. Teus gessos do braço.
Tuas roupas que foram ficando. As sujeiras da tua infância.

Depois de jogar flores em cima do teu sorriso
E esperar que o tempo sopre
as velas que ainda insistem nos eu quarto
sinto que minhas palavras
também adormeceram naquele dia.
Haverá chuva maior que faça
com que elas escorram morro abaixo?
Ou nenhum além devo esperar desse corpo
que ainda cicatriza o rasgo que lhe trouxe à luz.

Na tábua ao lado, a tua foto, os teus números.
Nenhuma lápide para o que fomos.
Nenhuma data para o que vivemos.
Saudade é voltar sozinha do alto do morro,
e saber que no resto dessas minhas forças,
jogaram terra sobre teu corpo,
e tive que te deixar por lá.

Meus rastros são anjos sem asas que marcam o solo,
o insuportável desses seios faros de solidão.
E pelo morro, o mesmo caminho:
Casca que prende o miolo firme no útero
E resiste em devolver à terra, as sementes de algodão.

Éder Rodrigues – Pouso Alegre - MG


Natal Fonte Seca de Madeira

Foi assim,em um simples pouso da caçarola.
Tempos de lembranças, vontades e muita, muita saudade.
Neste pouso de memória, neste encontro de estórias,
Distâncias viraram pó, ausências se extinguiram,
E como  os exilados retornando do degredo,
Em um abraço encontrei o fim de um longo, longo segredo.

Foi assim, tempo de perdas, consertos.
Olhar para trás, enxergar lá na frente.
Revelar pensamentos, enxugar lágrimas silenciar soluços.
Cicatrizar o que se foi, e preparar o que será!

Foi assim, nas asas de uma borboleta, nas horas que se somavam,
Todos os equívocos se esvaziavam,
e aquele sentimento, por mais abstrato que seja, diante de nós
junto a nós, se concretizava.

Mas então, o que é isso agora?! Que palavras representam?
Códigos, Anagrama, criptografia, enigma?

Esqueça as palavras. Sinta. Sinta a grama sob os pés.
Palavras confundem. Olhe pelas lentes do sentimento.
Foi um tempo profundo, um alento,
Palavras confundem e o sentimento revela
Atrás dessas palavras, um declaração se eleva.

Carlos Rodrigues – São Fidélis-RJ


Poema do Caminho

Os meus  pés não conhecem o caminho:
é preciso ensiná-los,
como se ensina o vento
a namorar os galhos!

Os meus pés não conhecem o caminho:
É preciso pedir que os empurrem
como se empurra o céu azul
a metamorfose das nuvens!

Ah! Se meus pés fossem vento entre as nuvens
Escolheriam o caminho mais longo
como um cometa errante
que caminha sem chegar a espaço algum:
porque eu não quero chegar,
eu só almejo o caminho
assim como vejo
as eternas ondas do mar.

Os meus pés não conhecem o caminho:
Entretanto
Entre estes e outros tantos
                                     versos
o portão se abre inteiro –
como uma amante ao seu amor –
e pega o mundo e seus caminhos
e está a me oferecê-los.

Os meus pé não conhecem o destino
mas eu não quero chegar:
eu só almejo o caminho...

Elias Araújo – Américo Brasiliense-SP

Horizonte NU

Aqui o litoral seduz o corpo,
a água esconde um mar de sêmen
e a espuma lambe os pés com língua de sal.

Soubesse antes do horizonte nu,
teria me inaugurado na linha do oceano,
jamais entre as paredes de uma casa.

Casas degolam liberdades.
Mas ao vento marítimo todos os rumos são possíveis:
as algas ensinam caminhos múltiplos
aos passos indecisos do pensamento.

Soubesse antes da solidão atlântica,
o mofo dos dias submergia nela
e a inquietude urbana viria para um banho de sol,
deixando vazias as ruas e as pessoas.
Ruas têm sempre esquinas
e pessoas sempre se impõem limites:
ambas não conhecem o dialeto infinito da distância.

Aqui, junto às ondas, se decifra o idioma dos náufragos.
Porque apenas vozes afundadas no desconhecido
narram como claridade a vida.

Lá atrás fica o fim do horizonte,
existe um cardume perdido com roupas sobre a pele.
Lá está a resposta que o sangue vomita.
Há mais casas que céu, mais poeira que gotas
E um chão sem areia morna nem cheiro de maresia.

Nesse lugar, o futuro é um peixe nascido sem nadadeiras.

Sérgio Bernardo – Nova Friburgo - RJ

Um comentário:

TUDOVIRACENA disse...

Acho louvável um festival acontecer, só fiquei meio triste pois inscrevi três trabalhos com tudo que me exigiram e, não soube se chegou ou qualquer outra informação sobre minhas postagens ou a seleção; só agora me informam do resultado, acredito em eventos que vão alem de uma premiação, a poesia e arte merecem outros caminhos também. Parabéns e sucesso

CAMPOS DOS GOYTACAZES

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