fulinaíma

sábado, 24 de setembro de 2011

ReVirando a Tropicália



Trilhos urbanos

Fui internado ontem na cabine 103

Bode eu não quero este bode

Eu sou aquele que disse

Tropicália

Caetano Veloso


Sobre a cabeça os aviões
Sob os meus pés os caminhões
Aponta contra os chapadões
Meu nariz
Eu organizo o movimento
Eu oriento o carnaval
Eu inauguro o monumento
No planalto central do país
Viva a Bossa, sa, sa
Viva a Palhoça, ça, ça, ça, ça
Viva a Bossa, sa, sa
Viva a Palhoça, ça, ça, ça, ça
O monumento
É de papel crepom e prata
Os olhos verdes da mulata
A cabeleira esconde
Atrás da verde mata
O luar do sertão
O monumento não tem porta
A entrada é uma rua antiga
Estreita e torta
E no joelho uma criança
Sorridente, feia e morta
Estende a mão
Viva a mata, ta, ta
Viva a mulata, ta, ta, ta, ta
Viva a mata, ta, ta
Viva a mulata, ta, ta, ta, ta
No pátio interno há uma piscina
Com água azul de Amaralina
Coqueiro, brisa e fala nordestina
E faróis
Na mão direita tem uma roseira
Autenticando eterna primavera
E no jardim os urubus passeiam
A tarde inteira entre os girassóis
Viva Maria, ia, ia
Viva a Bahia, ia, ia, ia, ia
Viva Maria, ia, ia
Viva a Bahia, ia, ia, ia, ia
No pulso esquerdo o bang-bang
Em suas veias corre
Muito pouco sangue
Mas seu coração
Balança um samba de tamborim
Emite acordes dissonantes
Pelos cinco mil alto-falantes
Senhoras e senhores
Ele põe os olhos grandes
Sobre mim
Viva Iracema, ma, ma
Viva Ipanema, ma, ma, ma, ma
Viva Iracema, ma, ma
Viva Ipanema, ma, ma, ma, ma
Domingo é o fino-da-bossa
Segunda-feira está na fossa
Terça-feira vai à roça
Porém...
O monumento é bem moderno
Não disse nada do modelo
Do meu terno
Que tudo mais vá pro inferno
Meu bem
Que tudo mais vá pro inferno
Meu bem
Viva a banda, da, da
Carmem Miranda, da, da, da, da
Viva a banda, da, da
Carmem Miranda, da, da, da, da

Começo aqui uma investigação sobre a Tropicália, que vai culminar com uma performance poética dias 26 e 27 de outubro a partir das 19 horas no Espaço Plural do Sesc Campos com a participação especialíssima de Dizzy Ragga. A investigação além de ter o objetivo de reVirar a Tropicália pelo avesso, tentando mostrar o seu Lado B, aqui que não se viu, leu ou ouviu mas que também foi parte integral dela, tem também a intenção de verificar de alguma forma se Hayan Rubia realmente nasceu de dentro Dela. 

Federico Baudelaire me afirma que, tendo Hayan Rubia nascida em BH em 1972 naturalmente seria fruto D. como Torquato Neto descreveu no poema: Todo dia é Dia Dela pode ser pode não ser abro a porta ou a janela todo dia é Dia D. Há urubus no telhado a carne seca é servida um escorpião encravado na sua própria ferida não escapa só escapo pela porta de saída. Todo dia mais um dia de amar-te a morte morrer todo dia mais um dia menos dia dia D.

Além de ter a intenção de reVirar a Tropicália pelo avesso sempre tive grande admiração por Sérgio Sampaio, compositor capixaba de Cachoeiro do Itapemirim, que deixou pelo menos uma dezena de pérolas musicais, mas que poucos conhecem, e ouviram, e é ele autor de uma música emblemática da décad de 70: Eu quero Botar Meu Bloco na Rua. Então, de uma certe forma ReVirando a Tropicália, ale, de re-Ver a poesia do Torquato Neto de Leminski, é também, uma espécie de tributo a Sérgio Sampaio.

Verdura

Paulo Leminski
Musicado e gravado por Caetano Veloso



De repente me lembro do verde
Da cor verde a mais verde que existe
A cor mais alegre, a cor mais triste
Verde que veste, verde que vestiste

No dia em que te vi
No dia em que me viste

De repente vendi meus filhos
Pra uma família americana
Eles tem carro, eles tem grana
Eles tem casa e a grama é bacana
Só assim eles podem voltar
E pegar um sol em copacabana
Pegar um sol em copacabana


ArturGomes

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