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segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Carta à comunidade do IFF: o dia em que o império tremeu

Ilustres cidadãos brasileiros que de alguma forma participam do dia-a-dia do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Fluminense, venho por meio deste texto expressar aquilo que minha voz, agora rouca de tanto gritar essa semana por democracia, já fraqueja em falar.

O nosso IFF passou essa semana por uma eleição complicada, fruto de alguns anos de uma rixa política e um discurso vazio por parte da reitoria pró-tempori (ou tempore, perdoem meu latim inexistente) que tanto pregava o diálogo, mas em vários momentos tentou silenciar os estudantes de nosso Instituto.

COnsiderando que muitos dos leitores já saibam do que discorri anteriormente, adiantarei aos fatos mais recentes e polêmicos da ocupação dos estudantes no espaço físico da Reitoria.

Ocorrida na última quinta-feira (15/12/2011), a ocupação se deu como uma atitude radical dos estudantes do campus Campos-Centro que se encontravam sob a ameaça de ter anulado seu direito legal ao voto, pela candidata e futura ex-reitora Cibele Daher, que usou uma das várias falhas da comissão eleitoral em seu favor e resolveu por benefício próprio a impugnação das urnas de discentes deste campus.

A falha se deu por alguns erros de contagem, cansados os apuradores recontaram várias vezes até o ponto de descobrir e resolver o erro, isso na frente dos fiscais de ambas as candidaturas, que concordaram com as recontagens e a recontagem final. Porém, era evidente à candidatura anterior a possibilidade de derrota naquelas urnas, afirmada pela anterior derrota da candidata Guiomar ao cargo da Direção Geral, e diante dos acontecimentos, alguns apoiadores da candidata Cibele (a a própria) invadiram o local de apuração dos votos para pressionar a comissão a anular a votação de nosso campus.

Horas se passaram desde então, eis que lá pelas oito da manhã, um professor que desconheço o nome, acompanhado do Procurador da República aparecem colocando mais pressão ainda pela anulação dos nossos votos. Am comissão eleitoral cedeu à pressão e decidiu em favor da candidata.

Porém nós estudantes do campus Campos-Centro não estávamos de acordo com a decisão ditatorial. Entendemos que já que o erro havia sido encontrado e que a discrepância de menos de dez votos não seria suficiente para justificar a anulação de 2012 outros votos, sejam em qual candidato fosse, queríamos que nossos votos fossem apurados e validados, porém nossos gritos não foram ouvidos, o diálogo não existiu ali por parte da candidata, seu grupo e da comissão eleitoral.

Surgiu a necessidade da ocupação, começamos com o aviso em alto e bom tom pra todos ouvirem "se nosso voto não apurar, a reitoria eu vou ocupar". Bradamos esse grito várias vezes e como se não fosse nada, fomos ignorados. Então como avisado, encaminhamo-nos à Reitoria, gritando com toda a força de nossos pulmões o que estávamos prestes a fazer. Encontramos as portas trancadas, exceto a dos fundos, que os funcionários de lá achavam que só porque não temos muito acesso àquele ambiente não saberíamos onde encontrar.

Com a porta dos fundos aberta, alguns de nós pacíficamente adentraram ao espaço, encontraram a chave da porta principal e abriu (sem a necessidade de arrombamento, como a futura ex-reitora e seus apoiadores insistem em acusar) a passagem para que todos estudantes pudessem então ocupar o espaço.

Ao contrário do que a reitora em carta ao conselho superior acusou, nenhum documento fora roubado, nem patrimônio depredado, e isso quem disse foi o professor apoiador de Cibele (perdoe-me, não lembro o nome dele) aos agentes da Polícia Federal, quando estes estavam presentes lá dentro.

Reitora, por que raios diante dos policiais vocês afirmaram que nada havia sido danificado ou subtraído e agora a senhora nos acusa de sermos ladrões e vândalos?

Senhora reitora do IFF, esse parágrafo é dirigido à sua pessoa, que durante a campanha se postou como uma mãe amorosa, mas ao ver sua derrota se prestou a tentar calar e rejeitar seus "filhos", acusando-os de cometerem crimes enquanto tudo o que eles queriam era que fossem ouvidos. Cibele, tenho que lembrá-la que calúnia é crime previsto no código penal. A senhora não pode nos acusar de algo que seu apoiador, na frente dos agentes da Polícia Federal afirmou com todas as palavras que não aconteceu.

Aos apoiadores da candidatura derrotada, aqueles que reverberam as acusações, seguindo a máxima de que uma mentira contada diversas vezes torna-se verdade, digo-lhes no mais profundo respeito que tenho a vocês como cidadãos brasileiros, que calcem as famosas "sandálhas da humildade". Acusam-nos de sermos truculentos em nosso ato, mas não esqueço do relato de uma amiga minha que durante a ocupação foi abordada por uma estudante apoiadora da candidata derrotada que tomou-lhe um cartaz que seria afixado nas vidraças, rasgou-o e riu em deboche. Ou do outro estudante também apoiador do grupo derrotado nas urnas, que na minha presença foi bem recebido ao espaço ocupado, porém ao sair de lá, já não mais sob as vistas dos policiais, proferiu as palavras "seus vagabundos de merda, vão pagar por isso lá fora".

Aproveito o espaço para afirmar que nenhum documento fora roubado, nem mesmo os materiais de campanha ali encontrados, que eram indícios que aquele espaço se tornara um comitê eleitoral e não mais um espaço administrativo PÚBLICO. Houve sim que muitos funcionários que precisavam de documentos ali depositados foram lá pra buscar, nenhum desses teve seu acesso impedido, pois nossa intenção não era de atrapalhar os trabalhos de servidores honestos, mas de fazer valer nossa cidadania.

Relatarei também minha surpresa ao ver que aquele espaço tornou-se como um ponto turístico para os vários estudantes dos mais diversos cursos que adentravam à Reitoria e ficavam impressionados com todo o luxo daquele ambiente que sempre lhes foi uma zona proíbida. Tantos discursos sobre diálogo e "integração" da Reitoria ao nosso cotidiano, mas a Reitoria sempre nos foi um ambiente distante e inacessível, mesmo estando 'parasíticamente' dentro do nosso campus.

Quero lembrar aos que se achavam imbatíveis que a história do movimento estudantil nessa instituição, desde os tempos da ETFC, não nos permite calar diante do cerceamento dos nossos direitos. Foi assim em 1994, quando estudantes da Federal conseguiram o passe-livre, em 2004 quando o Grêmio do CEFET, na gestão denominada "Una-se" (da qual me orgulho de ter feito parte), garantiu que esse passe-livre não fosse surrupiado, 2009 quando o Grêmio novamentente se organizou, agora contra o primeiro sinal da gestão nada democrática da reitora pró-tempore, protestávamos pelo direito de eleger nosso diretor, que não mais fosse a caneta da reitora o maior influenciador de nossos destinos. Esses fatos servem de exemplo pros atuais e futuros gestores. Não calem os estudantes, eles são o maior patrimômio de uma escola.

E assim, finalizo esse breve texto que resume todo aquele cansativo dia em que testemunhei coisas que não esperava jamais ver em nosso Instituto. Sinceramente, não esperava ver a mesma coisa que vi nas eleições fraudadas do DCE que ocorreram mais cedo nesse ano de 2011, na qual foi usado o mesmo artifício da impugnação das urnas onde havia a possibilidade do grupo apoiado pela Reitora perder. Quero enfatizar que ao contrário da reitora, que em sua carta afirmou portar a verdade dos fatos, não quero me colocar como dono da verdade, coloco aqui a minha visão daquilo que presenciei naquela noite que não dormi, relato aqui o que minha garganta doída já não consegue mais expressar pela voz. 

"Não quero ser o dono da verdade, porque a verdade não tem dono não"
Raul Seixas, compositor que também foi perseguido pela ditadura em outros tempos.

Cordialmente,

Eric Carvalho (aka: "Sagaz")
Estudante do curso superior de tecnologia em Design Gráfico, que já foi expulso do gabinete da reitoria algumas vezes enquanto buscava o tão pregado "diálogo".

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