quinta-feira, 26 de maio de 2011

meta metáfora no poema meta


como alcançá-la plena
no impulso onde universo pulsa
no poema onde estico plumo
onde o nervo da palavra cresce
onde a linha que separa a pele
é o tecido que o teu corpo veste

como alcançá-la pluma
nessa teia que aranha tece
entre um beijo outro no mamilo
onde aquilo que a pele em plumo
rompe a linha do sentido e cresce
onde o nervo da palavra sobe
o tecido do teu corpo desce
onde a teia que o alcançar descobre
no sentitdo que o poema é prece



artur gomes
http://pelegrafia.blogspot.com

Dilma direta e firme: governo descontente sobre a votação desastrosa do novo código florestal



O tom direto e firme da presidenta após derrota no Câmara Federal na polêmica emenda 164, que anistia desmatadores, veio em tempo para dar o recado a base política do governo: o governo é um só, logo suas defesas devem ser únicas.

Por outro lado passou para a opinião pública o que considera correto sobre o tema, avisando que no Senado a base terá que corrigir o que foi feito, no varejão, na Câmara.

O "pito" da presidenta na base governista na Câmara Federal foi para todos distinguirem, claramente, que o que foi aprovado lá não teve o apoio e a sintonia que as políticas de governo pretendem para o meio ambiente.

Dilma acertou em cheio também ao dizer que não é mais possível o lobby de interesses econômicos fazer pressão no Congresso para conseguir anistias sobre infrações e dívidas cometidas por determinados grupos, no meio ambiente a situação é ainda pior, pois pode não restar, em um futuro próximo, o que preservar.

Segundo a presidenta, “o desmatamento não pode ser anistiado, não por nenhuma vingança, mas porque as pessoas têm que perceber que o meio ambiente é algo muito valioso que nós temos que preservar. E que é extremamente possível preservar o meio ambiente produzindo os nosso alimentos, sendo (…) uma das maiores produtores de alimento do mundo”.
Quem não sabe do lobby dos ruralistas para postergar ou serem anistiados de dívidas com o governo contraídas para produzir e modernizar?
Quem não se lembra da invasão de tratores na Esplanada dos Ministérios para demonstrar força e pressionar deputados e senadores para suas "pouco nobres causas"?
A presidenta está correta: este tempo tem que ser sepultado.
O cidadão comum não costuma ser beneficiado, por pressões políticas de parlamentares, para ser anistiado de suas dívidas com instituições públicas de financiamento.

A disputa continua política e será travada nos bastidores até votação desta pauta no Senado, caberá a articulação política da base governista realizar o discurso da presidenta em votação favorável aos interesses do governo e da sociedade.

O recado foi bem dado, deverá repercutir, entre os infiéis da base e na oposição, renderá alguns comentários ácidos na imprensa conservadora, inevitavelmente, alguns dirão que Dilma agiu tarde ou outros alarmes pessimistas de sempre.
Mas a comunicação com a sociedade foi feita, a despeito de toda possível manipulação ou desvio de suas palavras que possam ocorrer na transmissão editada do noticiário convencional.

fonte: http://palavras-diversas.blogspot.com/

Leia também:
Aprovação do novo Código Florestal: um mato sem cachorro para a coalizão governista no Congresso

Dilma defende Palocci e critica politização que interessa ao governo

Depois de um mês sem dar entrevistas e de treze dias do início do 'caso Palocci', presidenta confirma nova postura, sai em defesa do chefe da Casa Civil e condena 'politização'. Mas governo conta com 'politização' para unir aliados e enfrentar inimigos. Sem citar imprensa e oposição, ministro diz que vida fiscal de Palocci recebe tratamento diferente do dispensado à família de José Serra.

BRASÍLIA – Treze dias depois da primeira reportagem sobre o enriquecimento do chefe da Casa Civil, Antonio Palocci, a presidenta Dilma Rousseff rompeu o silêncio. Nesta quinta-feira (26/05), em mais uma demonstração de que o caso já produziu mudanças em sua postura, Dilma aproveitou o fim de um evento para falar com a imprensa depois de um mês, defender o ministro e condenar a politização do assunto.

“Quero assegurar a vocês que o ministro Palocci está dando todas as explicações para os órgãos de controle, as explicações necessárias”, disse a presidenta. “Espero que esta seja uma questão que não seja politizada, como foi o caso que aconteceu ontem, o caso lastimável, que é aquela questão da devolução dos impostos da empresa WTorre."
A última entrevista da presidenta tinha sido dia 25 de abril. De lá para cá, Dilma, que já é uma pessoa discreta, teve de enfrentar uma pneumonia que encurtara sua jornada de trabalho e suas aparições públicas. Nos últimos dias, porém, ela decidiu se expor mais e liberar de governo para produzir mais notícias, com a intenção de reduzir o espaço do noticiário sobre Palocci.
O episódio classificado por Dilma como “politização” foi uma entrevista convocada pela liderança no PSDB na Câmara dos Deputados nesta quarta-feira (25/05), na qual o parlamentar Fernando Francischini (PR), que é policial federal, apresentou papéis que supostamente provariam que Palocci teria feito lobby na Receita Federal – e sido bem sucedido – para que uma empresa conseguisse receber restituição de impostos.

Segundo o deputado, teria havido uma velocidade incomum entre o pedido de restituição e a devolução do dinheiro. Ele fez ainda ilações sobre a empresa em questão, WTorre, ter retribuído o suposto lobby bem sucedido de Palocci com doações para a campanha presidencial de Dilma Rousseff.
A WTorre, do ramo da construção civil, foi cliente da firma de consultoria de Palocci, a Projeto. Segundo o ministro, a Projeto é que lhe proporcionou renda para comprar um apartamento de R$ 6,6 milhões em São Paulo, notícia que deu origem aos problemas políticos do Planalto. A versão tucana de que teria havido lobby de Palocci na Receita Federal foi rebatida pelo ministério da Fazenda com o argumento de que o pagamento da restituição obedecera a uma ordem judicial.

Uma medida, dois pesos
Mas a politização do caso condenada pela presidenta é algo que interessa ao governo federal. Ter os adversários de Dilma como inimigos no caso Palocci ajuda a defender o ministro, pois une a base governista, amplamente majoritária dentro do Congresso. Ao mesmo tempo, abafa a hipótese de a crise ter nascido de “fogo amigo” de aliados do governo insatisfeitos com o “jogo duro” imposto pelo Palácio do Planalto, impedindo, com isso, que mais “fogo amigo” seja disparado.

Na última terça-feira (24/05), o chefe da Secretaria Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, deu o melhor exemplo de politização. Ele acusou a secretaria de Finanças da cidade de São Paulo de ter entregue à imprensa informações fiscais da empresa de Palocci. No mesmo dia, o líder do PT na Câmara dos Vereadores do município, José Américo, apresentou pedido de informações à prefeitura para saber quem, dentro da secretaria de Finanças, tem acesso a dados fiscais da Projeto.

O secretário de Finanças de São Paulo é Mauro Ricardo, que foi secretário de Fazenda de José Serra nos quatro anos em que o tucano governou o estado de São Paulo.

Para Gilberto Carvalho, a imprensa e os adversários do governo estão tendo, diante da circulação de dados fiscais da empresa de Palocci, uma atitude diferente da dispensada no ano passado, durante a campanha eleitoral, à suposta violação do sigilo fiscal da filha de José Serra, Verônica Serra. A análise dos dados fiscais de Verônica permitia que se tivesse dúvidas sobre a idoneidade dos negócios da família Serra.
“O governo sabe de onde veio essa história [envolvendo Palocci]. Quando, no ano passado, se denunciaram questões do senhor José Serra, não se focou no conteúdo, se focou no vazamento. E houve vazamento agora na prefeitura de São Paulo. Foi a demonstração, via notas fiscais de ISS [Imposto Sobre Serviços], que permitiram a verificação desses recursos que ele [Palocci] auferiu pelo seu trabalho”, disse Carvalho.
Para o cientista político Fabio Wanderley Reis, professor emérito da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), o caso Palocci é bom demais para que os adversários de Dilma deixem de aproveitá-lo. “Obviamente, a oposição, que estava sem rumo e sem discurso, não vai entregar facilmente esse presente”, afirmou.

Os inimigos da presidenta estão empenhados, nos últimos dias, em coletar assinaturas para criar uma CPI no Senado contra Palocci. Em reunião na última terça-feira (24/05), traçaram uma estratégia, e a contaram abertamente à imprensa, de buscar apoio entre aliados do Planalto. “Vejo muitos insatisfeitos na base do governo, por vários motivos”, disse o líder do DEM na Câmara, Antonio Carlos Magalhães Neto (BA), que participou da reunião.

Aliado do governo e líder da maior bancada no Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL) não vê futuro na tentativa oposicionista. “Há uma correlação [de forças] diferente hoje no Congresso. Como abrir uma CPI se a oposição não passa de vinte senadores?”, disse. São necessárias pelo menos 27 assinaturas para abrir uma CPI no Senado.

Leia Mais:
Caso Palocci muda postura de Dilma e prenuncia novos rumos

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Leandro Fortes: A balada de José e Maria

A balada de José e Mdoverlândia.

Posted by Leandro Fortes under Ruralismo, no Brasília Eu Vi via VioMUndo


José Roque dos Santos, 59 anos, (foto acima) e Maria do Socorro Diniz, 58 anos,  não têm escolaridade, nem terra, nem futuro algum. São dois lavradores de Doverlândia, um município perdido de Goiás, de pouco mais de 7 mil habitantes. À meia noite de segunda-feira, 23 de maio, o casal foi colocado dentro de um ônibus com outras 30 pessoas e, em troca de lanche e uma camiseta, foram enviados pelo sindicato rural local para Brasília, a seis horas de viagem de lá. José e Maria se juntaram, então, a outras centenas de infelizes enviados à capital federal pela Confederação Nacional de Agricultura (CNA) para, exatamente como gado tocado no pasto, pressionar os deputados federais a votar a favor do projeto de Código Florestal do deputado Aldo Rebelo, do Partido Comunista do Brasil.

Conversei com o casal enquanto ambos, José e Maria, eram obrigados a segurar cartazes pela votação do texto de Rebelo, defendido por figuras humanas do calibre da senadora Kátia Abreu, do DEM de Tocantins, presidente da CNA, e do deputado Ronaldo Caiado, do DEM de Goiás, ex-presidente da União Democrática Ruralista (UDR), velha agremiação de latifundiários de inspiração fascista.

José e Maria não sabem ler e nem têm a menor idéia do que é o Código Florestal. Quando lhes perguntei a razão do apoio ao projeto, assim me falaram:
José – Acho que vai ser bom pra nós e pros nossos netos, foi o que disseram.
Maria – É pra cuidar das terras, do futuro do Brasil.

Afora isso, não sabem nada. Nem uma pálida idéia do que é o projeto de Aldo Rebelo, muito menos o que é reserva ambiental e mata ciliar. Nada.

Os cartazes, me contaram, foram entregues por um certo “Luís, do sindicato dos fazendeiros” de Doverlândia, também responsável pela distribuição das camisetas da CNA. Eles foram embarcados em direção a Brasília sem chance de contestação. Os dois não têm um único centímetro de terra, mas trabalham na terra de quem manda, no caso, um fazendeiro da região. Enfrentaram um frio de 9 graus na viagem até Brasília, tomaram café com leite e pão em barraquinhas armadas em frente ao Congresso e, quando os encontrei, tomavam conta da fila de doces, frutas e confeitos que a CNA havia preparado na entrada da Câmara dos Deputados para impressionar a mídia. Tinham esperança de conseguir um almoço de graça e se mandar de volta para Doverlândia, às 17 horas de terça-feira, dia 24, a tempo de dormir em casa. Triste ilusão.

As gentes usadas como gado pela CNA para garantir a aprovação do projeto de um comunista ficaram enfurnadas no Congresso até tarde da noite, famintas e exaustas, obrigadas a se espremer nas galerias e a servir de claque contra os opositores do Código Florestal. E, é claro, a aplaudir Ronaldo Caiado.

Que essa perversão social ainda exista no Brasil, não me surpreende. Há anos tenho denunciado, como repórter, esse estado de coisas. O que me surpreendeu mesmo é que os deputados do PCdoB não tenham se retirado do plenário, senão por respeito a
 
José e Maria e à história do partido, mas ao menos por vergonha de serem cúmplices da miserável escravidão a que o casal de Doverlândia e seus companheiros da terra foram submetidos em troca de lanches e camiseta.

PS do Blog: não me cuasa nenhumasurpresa a atuação dois Deputados do PCdoB, muito menos o projeto do Sr Aldo Rebelo, basta ver as alianças políticas que o partido vem fazendo nestes últimos 30 anos. Como li num comnetário no blog da Maria Flô: já não se fazem comunistas como antigamente, numa referência a Deputada gaúcha Manoela, a mais vota do partido para a Câmara dos Deputados.

Câmara aprova 'refis do desmatamento', e Dilma sinaliza veto pontual

 

Fragilizado com 'caso Palocci', governo desiste de 'jogo duro' e apoia transformação em lei de programa de regularização de produtor rural que desmatou acima do permitido. Criada por decreto de 2009, legalização permite que agropecuária recupere, sem pagar multa, destruição praticada até 2008. Derrotada em ponto específico, Dilma promete vetar 'anistia geral'.

BRASÍLIA – Com o governo num momento político delicado perante o Congresso e partidos aliados, por causa da situação de seu principal articulador, ministro Antonio Palocci, a Câmara dos Deputados aprovou, nesta terça-feira (24/05), um novo Código Florestal que dá status de lei a uma espécie de “Refis do desmatamento” criado por decreto em dezembro de 2009.

O texto, votado com apoio do governo, permite que produtor rural que desmatou de forma indevida até 2008 entre na legalidade e não seja multado, se ele aderir a um programa de regularização em que se compromete a recuperar a vegetação de sua propriedade nos próximos anos.

É o mesmo espírito do Refis, programa instituído em 2000 para empresários devedores de impostos que poderiam voltar à legalidade se assumissem os débitos e os pagassem, ainda que de forma parcelada. Para o relator do novo Código na Câmara, deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP), é melhor que haja algum reflorestamento, do que cobrar multas, pois a legislação tenta proteger o meio ambiente, e não arrecadar dinheiro.

De acordo com números citados durante a votação, no plenário da Câmara, por deputados contrários ao projeto, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama) já teria engatilhadas 13 mil multas contra desmatadores que, juntas, somariam R$ 2,4 bilhões. Pela legislação em vigor, que a votação na Câmara modifica mas ainda falta o Senado fazê-lo, as multas podem ser cobradas a partir de 11 de junho.

Elas foram fixadas em um decreto de julho de 2008, assinado pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva a pedido do então ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, que havia assumido no lugar de Marina Silva apenas dois meses antes. Presssionado pelo então ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, Lula assinaria mais dois decretos adiando a vigência das multas, e o segundo criaria o Refis, o Programa Mais Ambiente.

O problema é que a chamada bancada ruralista nunca ficou satisfeita de ver o Refis só em decreto, instrumento jurídico mais fácil de ser modificado, pois depende apenas da vontade do governo. Desde 2009, trabalhava para transformar o programa em lei, o que conseguiu nesta terça-feira depois de semanas de negociações duras com o governo. Foi uma vitória incontestável: 410 votos a 63. "Agora teremos segurança jurídica", disse o ruralista Luiz Carlos Heinze (PP-RS).

Fator Palocci
A vitória foi facilitada pelo recente noticiário sobre o ministro Antonio Palocci, que havia sido escalado pela presidenta Dilma Rousseff para negociar o novo Código com os parlamentares.

Acertado com Dilma, Palocci
vinha esticando ao máximo as negociações, para evitar que o Brasil tivesse a imagem ambiental chamuscada às vésperas da Rio+20, encontro planetário sobre desenvolvimento sustentável que acontecerá no Rio em 2012. Para enfraquecer os ruralistas e fazer menos concessões, estava usando como arma a iminência das multas em junho.

“O governo enraiveceu sua base. Agora, está mais fácil. A Dilma chamou a discussão para si e flexibilizou um pouco”, dizia pouco antes da votação o coordenador da Frente Parlamentar da Agropecuária, deputado Moreira Mendes (PPS-RO).

“A entrada da Dilma na negociação ajudou, ela conhece o assunto, participou de inúmeras reuniões sobre isso com o Lula”, também afirmava antes da votação o hoje deputado Reinhold Stephanes (PMDB-PR). “Além disso, o governo sabe que não vota mais nada aqui antes do Código, e tem várias medidas provisórias para vencer nos próximos dias”, completava o ex-ministro.

A ameaça de não votar nada antes do Código tinha partido do líder do PMDB na Câmara, Henrique Alves (RN). Não era uma postura que podia ser ignorada pelo governo. O PMDB é o maior partido aliado de Dilma, ao lado do PT. Tem hoje o ministério da Agricultura e, mais do que isso, o vice-presidente da República, Michel Temer.
Dilma entra em campo
Foi com Temer e alguns ministros, um dia antes da votação do novo Código, que a presidenta decidira que não dava mais para manter a paralisia na Câmara. O texto deveria ser votado mesmo que o governo tivesse alguma derrota pontual para tentar reverter no Senado ou mesmo com veto presidencial.

Horas antes da votação, a presidenta recebera no Planalto um grupo de oito de dez ex-ministros do Meio Ambiente ainda vivos, liderados por Marina Silva e Carlos Minc. “Eu estava na reunião e a presidenta foi muito firme na posição de que vai vetar qualquer tipo de anistia para os desmatamentos e que, se precisar, veta a lei inteira”, contou o coordenador da Frente Parlamentar Ambientalista, deputado Sarney Filho (PV-MA).
Durante a votação no plenário, o líder do governo na Câmara, Candido Vaccarezza (PT-SP), foi bem claro quanto às intenções presidenciais: “Nós vamos votar, mas este texto está em discussão. Não vamos permitir nenhuma anistia.”
O que Sarney Filho e Vaccarezza chamam de anistia foi exatamente o objeto de uma derrota pontual do governo. A bancada ruralista propôs alterar o relatório de Aldo Rebelo para incluir o perdão - sem a exigência de recuperação futura - ao produtor rural que destruiu áreas protegidas. A ideia foi aprovada por 273 votos a 182. Para o líder do PT na Câmara, Paulo Teixeira (SP), foi uma “boa derrota”, pois os opositores da anistia estão em sintonia com a opinião pública.

A aprovação do novo Código foi comemorada por ruralistas com grito de “redenção” e “noite de glória” do setor. Já os dois únicos partidos contrários, PV e PSOL, usavam palavras como “desastre” para classificar o que aconteceu. O texto será discutido agora no Senado.

Leia Mais:
Código Florestal: De olho no exterior, governo faz guerra de nervos
Marcha anual de agricultures familiares cobra novo Código Florestal


Fotos: Plenário da Câmara dos Deputados durante sessão extraordinária destinada a votação do projeto de lei do novo Código Florestal (Foto: Rodrigues Pozzebom/ABr)

Dr. Rosinha: Se o Senado não corrigir texto do Código Florestal, veto de Dilma tem de ser total

do site do dr. Rosinha via VioMUndo

O deputado federal Dr. Rosinha (PT-PR) defendeu nesta quarta-feira (25) que a presidente Dilma Rousseff (PT) decida pelo veto integral ao texto que revoga o atual Código Florestal, aprovado ontem à noite pelo plenário da Câmara dos Deputados.

“Não há meio-termo. Se o Senado não corrigir o texto do Aldo Rebelo, o veto de Dilma ao novo Código Florestal tem que ser total”, afirma Dr. Rosinha.  “A maioria dos artigos do projeto está interligada, não há como vetar apenas alguns deles de forma isolada.”

O texto-base do relator Aldo Rebelo (PCdoB-SP) foi aprovado por 410 votos a 63. Dos votos contra o novo código, 35 (55,6%) foram de deputados do PT, entre eles o de Dr. Rosinha. A bancada petista votou em bloco contra a emenda 164, que permite a governos estaduais anistiar desmatadores. Ela foi aprovada por 273 votos a 183. “A anistia a desmatadores não é uma vergonha nacional, é uma vergonha mundial”, declarou Dr. Rosinha ainda durante a votação, em sua conta no twitter.

Para Dr. Rosinha, a maioria dos parlamentares demonstrou irresponsabilidade ao aprovar a matéria. “Não tiveram a responsabilidade de olhar para o futuro, para as próximas gerações. Só olharam para os interesses dos grandes fazendeiros, do agronegócio.”

O deputado do PT também observa que a própria produção de alimentos é ameaçada com as mudanças. “O texto permite uma devastação maior, o que afeta a biodiversidade e, por consequência, a própria produção agropecuária, que depende do ciclo de chuvas, da proteção do solo, da polinização, do controle natural de pragas, enfim, de uma série de fatores ambientais”, observa Dr. Rosinha.

Ex-presidente do Parlamento do Mercosul, Dr. Rosinha vê inclusive um impacto negativo na imagem do Brasil perante a comunidade internacional. “Há algumas semanas estive no Parlamento Europeu, e em todas as audiências o tema produção de alimentos e da proteção ao meio ambiente sempre esteve em pauta”, revela. “Esse novo código depõe contra a imagem da política ambiental do Brasil no mundo, e pode vir a ser uma nova barreira para as negociações agrícolas internacionais.”

Da guerra fiscal à guerra ambiental

As principais mudanças provocadas pelo texto aprovado pela Câmara estão relacionadas às áreas em que será permitido o desmate, ao reflorestamento obrigatório e à punição para quem já desmatou. “O projeto simplesmente flexibiliza a atual legislação”, diz Dr. Rosinha.

O texto final aprovado concede aos governos estaduais o poder de justificar a regularização de áreas desmatadas e de avaliar a obrigatoriedade ou não de recuperação de margens de rios e encostas. “Depois da fatídica guerra fiscal, corremos o risco, agora, de assistir a uma guerra ambiental entre os Estados, que podem vir a flexibilizar suas leis para atrair mais investimentos”, avalia Dr. Rosinha. “Apoiador dos ruralistas nessa disputa do Código Florestal, Beto Richa, por exemplo, já é um candidato a repetir no Paraná o que fez Jaime Lerner, que concedeu benefícios e favoreceu empresas multinacionais como a Renault.”

O projeto também oferece ao proprietário rural a alternativa de compensar áreas de Reserva Legal desmatadas em outro bioma fora do seu Estado. Dr. Rosinha lembra que os biomas não respeitam as fronteiras geográficas das diferentes unidades da federação. “Um único conjunto de ecossistemas, numa mesma região do país, pode sofrer o impacto de diferentes legislações estaduais.”

A matéria permite a plantação até de cana-de-açúcar em encostas e topos de morro, consideradas Áreas de Preservação Permanente (APPs). O fim da Reserva Legal para áreas de até quatro módulos fiscais (que varia de 20 a 400 hectares) possibilita que grandes latifundiários dividam suas fazendas em partes de até quatro módulos para derrubar tudo.
O texto prevê ainda anistia de multas e crimes relativos a ações de desmatamento ilegal. Dados do Ibama indicam a existência hoje de cerca de 13 mil multas com valor total de R$ 2,4 bilhões,  a  maior parte em grandes propriedades da Amazônia Legal, nos Estados de MT, PA, RO e AM.

Dr. Rosinha é deputado federal pelo PT (PR).

Elaine Tavares: Progresso de quem, cara pálida?

Aprovada a destruição. Que fazer?


por Elaine Tavares, do  Iela Via VioMUndo

Vivemos um eterno retorno quando se trata da proteção aos latifundiários e grandes empresas internacionais. No Brasil contemporâneo, pós-ditadura, nunca houve um governo sequer que buscasse, de verdade, uma outra práxis no campo. Todos os dias, nas correntes ideológicas do poder, disseminadas pela mídia comercial – capaz de atingir quase todo o país via televisão  – podemos ver, fragmentadas, as notícias sobre a feroz e desigual queda de braço entre os destruidores capitalistas e as gentes que querem garantir vida boa e plena aos que hoje estão oprimidos e explorados.

Nestes dias de debate sobre o novo Código Florestal, então, foi um festival. As bocas alugadas falavam da votação e dos que são contra o código como se fossem pessoas completamente desequilibradas, que buscam impedir o progresso e o desenvolvimento do país. Não contentes com todo o apoio que recebem da usina ideológica midiática, os latifundiários e os capatazes das grandes transnacionais que já dominam boa parte das terras brasileiras, ainda se dão ao luxo de usar velhos expedientes, como o frio assassinato, para fazer valer aquilo que consideram como seu direito: destruir tudo para auferir lucros privados.

Assim, nos exatos dias de votação do novo código, jagunços fuzilam Zé Claudio, conhecido defensor da floresta amazônica. Matam ele e a mulher, porque os dois incomodavam demais com esse papo verde de preservar as árvores. Discursos tolo, dizem, de quem emperra a distribuição da riqueza, deles próprios, é claro. E o assassinato acontece, sem pejo, no mesmo dia em que os deputados discutem como fazer valer – para eles – os seus 30 dinheiros sujos de sangue.

Imagens diferentes, mas igualmente desoladoras. De um lado, a floresta devastada e as vidas ceifadas à bala, do outro a tal da “casa do povo”, repleta de gente que representa, no mais das vezes, os interesses escusos de quem lhes enche o bolso. Pátria? País? Desenvolvimento? Progresso? Bobagem! A máxima que impera é do conhecido personagem de Chico Anísio, o deputado Justo Veríssimo: eu quero é me arrumar!

No projeto construído pelo agronegócio só o que se contempla é o lucro dos donos das terras, dos grileiros, dos latifundiários. Menos mata preservada, legalização da destruição, perdão de todas as dívidas e multas dos grandes fazendeiros. Assim é bom falar de progresso. Progresso de quem, cara pálida? Ao mesmo tempo, os “empresários” do campo, incapazes de mostrar a cara, lotam as galerias com a massa de manobra. Pequenos produtores que acreditam estar defendendo o seu progresso. De que lhes valerá alguns metros a mais de terra na beira de um rio se na primeira grande chuva, o rio, sem a proteção da mata ciliar, transborda e destrói tudo? Que lógica tacanha é essa que impede de ver que o homem não está descolado da natureza, que o homem é natureza.

Que tamanha descarga de ideologia os graúdos conseguem produzir que leva os pequenos produtores a pensar que é possível dominar a natureza, como se ao fazer isso não estivessem colocando grilhões em si mesmo? Desde há muito tempo – e gente como Chico Mendes, irmã Doroty e Zé Claudio já sabiam -  que o ser humano só consegue seguir em frente nesta terra se fizer pactos com as outras forças da natureza. E que nestes pactos há que se respeitar o que estas forças precisam sob pena de ele mesmo (o humano) sucumbir.

O novo código florestal foi negociado dentro das formas mais rasteiras da política. Por ali, na grande casa de Brasília, muito pouca gente estava interessa em meio ambiente, floresta, árvore, rio, pátria, desenvolvimento. O negócio era conseguir cargo, verba, poder. Que se danem no inferno pessoas como Zé Cláudio, que ficam por aí a atrapalhar as negociatas.  Para os que ali estavam no plenário da Câmara gente como o e sua esposa Maria não existem. São absolutamente invisíveis e desnecessárias. Haverão de descobrir seus assassinos, talvez prendê-los por algum tempo, mas, nas internas comemorarão: menos um, menos um.

Assim, por 410 x 63, venceram os destruidores. Poderão desmatar a vontade num tempo em que o planeta inteiro clama por cuidado. Furacões, tsunamis, alagamentos, mortes. Quem se importa? Eles estarão protegidos nas mansões. Não moram em beiras de rio. Dos 16 deputados federais de Santa Catarina apenas Pedro Uczai votou não. Até a deputada Luci Choinacki, de origem camponesa votou sim, contrariando tudo o que sempre defendeu.
Então, na mesma hora em que a floresta chorava por dois de seus filhos abatidos a tiros, os deputados celebravam aos gritos uma “vitória” sobre o governo e sobre os ecologistas. Daqui a alguns dias se verá o tipo de vitória que foi. Mas, estes, não se importarão. Não até que lhes toque uma desgraça qualquer. O cacique Seatlle, da etnia Suquamish, já compreendera, em 1855,  o quanto o capitalismo nascente era incapaz de viver sem matar: “Sabemos que o homem branco não compreende o nosso modo de viver.

Para ele um torrão de terra é igual ao outro. Porque ele é um estranho, que vem de noite e rouba da terra tudo quanto necessita. A terra não é sua irmã, nem sua amiga, e depois de exaurí-la, ele vai embora. Deixa para trás o túmulo de seu pai sem remorsos. Rouba a terra de seus fil hos, nada respeita. Esquece os antepassados e os direitos dos filhos. Sua ganância empobrece a terra e deixa atrás de si os desertos. Suas cidades são um tormento para os olhos do homem vermelho, mas talvez seja assim por ser o homem vermelho um selvagem que nada compreende”.

Zé Claudio e Maria eram assim, vistos como “selvagens que nada compreendem”. Mas, bem cedo se verá que não. Eles eram os profetas. Os que conseguiam ver para além da ganância. Os que conseguiam estabelecer uma relação amorosa com a terra e com as forças da natureza. Eles caíram à bala. E os deputados vende-pátria, quando cairão?

Já os que gritam e clamam por justiça, não precisam esmorecer. Perdeu-se uma batalha. A luta vai continuar. Pois, se sabe: quem luta também faz a lei. Mas a luta não pode ser apenas o grito impotente.

Tem de haver ação, organização, informação, rebelião. Não só na proteção do verde, mas na destruição definitiva deste sistema capitalista dependente, que superexplora o trabalho e a terra. É chegada a hora de uma nova forma de organizar a vida. Mas ela só virá se as gentes voltarem a trabalhar em cada vereda deste país, denunciando o que nos mata e anunciando a boa nova.

Elaine Tavares é jornalista. Texto publicado originalmente no Boletim do Instituto de Estudos Latinos (Iela), da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC)
 

homenagem ao Luizz Ribeiro


Hoje a partir das 19h no Sesc Campos a banda Ex-Avyadores 401(Sérgio Máximo, Álvaro Manhães etc.), prestam uma grande homenagem ao eterno parceiro Luizz Ribeiro, com vários músicos convidados.
No vídeo abaixo  filosofia de futebol, você pode ver Luizz em ação, numa de suas últimas apresentações ao vivo, gravado no Espaço da Bola, em maio de 2010.


filosofia de futebol


Ind/Gesta

uma caneta pelo amor de deus
uma máquina de escrever
uma câmera por favor
um computador
nem que seja pós moderno

vamos fazer um filme
vamos criar um filho
deixa eu amar a lídia
que a mediocridade
desta idade mídia
não coca cola mais
nem aqui nem no inferno

quero muito mais a carnavalha




me encanta mais teus olhos
que o plano piloto de brasília
o palácio do planalto o alvorada
me encanta mais as mãos da namorada
que a bandeira do brasil
o céu de anil a tropicalha
quero muito mais a carnavalha
do que a palavra açucarada
quero a palavra sal do suor da carne bruta
a flor de lótus do cio da fruta
mesmo quando for somente espinhos
me encanta os pés que a lata chuta
por entender que a vida é luta
e abrir novos caminhos

me encanta mais na lama o lírio
a flor do láscio
os olhos da minha filha
que o ouro dessas quadrilhas
que habitam esses palácios


segunda-feira, 23 de maio de 2011

para ir a áfrica não é preciso sair do brasil


essa Africa nos meus olhos
e navegar é minha sina
em toda febre todo fogo
que incendeia o continente
nos teus olhos de menina
e eu sou um poeta
e nunca fui a china
mas vermelho é o meu sangue
desde que nasci



domingo, 22 de maio de 2011

nas entranhas do poder



desde ribeirão preto
a caixa preta me fala
há água estranha na fonte 
há algo estranho na mala

os urubus são testemunhas:
o cheiro agora resvala
“quem cala consente
quem sente fala”  (eliakin rufino)


a Nação quer conhecer
o que o palocci
tem na mala

http://blogdabocadoinferno.blogspot.com/


Veja só por aqui, interior de SP, os interesses são ao redor do próprio umbigo, isca fácil para os políticos conquistarem votos com promessas fajutas, e depois as custas do voto do povo, desfilarem em cima do luxo, das marcas e da pança. Enquanto isso, Minha cidade que chegou a ter 10.000 habitantes hoje regrediu para 4.000, dizem que aqui não precisa de emprego, muito menos fábricas,dizem que temos que preservar a reservas naturais, mas também não investem no turismo, para aumentar a renda da população, houve apenas um fogo de palha, e a juventude vai partindo para outras bandas. E isto é geral, claro, se a família não tiver renda, não investe numa educação de qualidade, compra apenas a comida e não compra livros, não investe em informação alguma, não abre a mente de seus filhos... Prato cheio para os políticos .
Estou curiosa para conhecer os cordéis do seu amigo Edmilson Santini, é sempre revigorante poder abrir a mente para novos pensamentos, e idéias artísticas! No momento é o único consolo que vejo para suportar a realidade crua que provo!Grande abraço
Fique com Deus!


Alcinéia Marcucci - corumbataí-SP
http://artedafemea.blogspot.com/

O ministro consultor


Palocci e as escolhas de Dilma



por Rodrigo Vianna Escrivinhador

A denúncia contra Palocci parece consistente. Ah, mas a “Folha” quer desgastar a Dilma… E daí? O fato ocorreu ou não?

Ah, mas a denúncia foi vazada por “ruralistas” interessados em enfraquecer o ministro. E daí, de novo? É só quando os poderosos divergem que essas coisas vêm à tona…
Sim, Palocci (contradição do mundo real?!) cumpria nesse caso um papel positivo: negociava duramente com os ruralistas da base governista, para que aceitassem um Código Florestal menos retrógrado do que o proposto por Aldo Rebelo.

Por isso, criticar Palocci agora – dizem alguns apoiadores de Dilma – é fazer “o jogo da direita”. Será?

Aliás, se o caso surgiu como “fogo amigo” de dentro da base governista, por conta da votação do Código Florestal, a essa altura parece ter ganho dinâmica própria. Os jornais já relacionam o enriquecimento de Palocci à campanha de Dilma. Vale a pena manter um ministro que traz esse grau de instabilidade ao governo?

Quem acompanhou os bastidores da campanha eleitoral de 2010 sabe qual foi a opção de Dilma e do núcleo dirigente do PT no primeiro turno: tentaram ganhar a eleição só com o programa de TV e a popularidade do Lula. A idéia era ganhar sem fazer política. No primeiro turno, foi assim: campanha controlada pelo marqueteiro e pelos 3 porquinhos (Palocci, Dutra e Zé Eduardo).

Quem fez política foi o Serra. Politizou pela direita: trouxe aborto e religião para a campanha. Com isso, empurrou milhões de votos pra Marina, e levou a eleição pro segundo turno. Aí, a ficha no PT caiu. Dilma e o núcleo da campanha finalmente compreenderam o que já estávamos vendo na internet há semanas: o terrorismo conservador. Dilma deixou os conselhos do marqueteiro de lado, teve coragem de ir pra cima no debate da “Band” (primeiro domingo do segundo turno): pendurou no pescoço do Serra a história do aborto (a mulher de Serra tinha dito que Dilma gostava de “matar crancinhas”), falou em Paulo Preto, reanimou a militância.

Se Dilma tivesse insistido no figurino do primeiro turno, poderia ter perdido a eleição. Pesquisas internas, pouco antes do debate da Band, davam apenas 4 pontos de diferença sobre Serra no início do segundo turno. Foi a realidade que levou Dilma a mudar de figurino.
Pois bem. Passada a eleição, Dilma montou o ministério e começou a governar. Como? Com o figurino idêntico ao usado no primeiro turno da eleição:  sem política, longe dos movimentos sociais, procurando agradar o “mercado” e a “velha mídia”. Foi uma escolha.
Palocci tem a ver com isso. Coordenou a campanha. Ele quer um governo moderadíssimo, que não assuste a turma a quem dá “consultoria”.

Logo no início do governo, estava claro que Dilma procurava ocupar um espaço mais ao centro. Lula tinha (e tem) apoio da esquerda tradicional, dos movimentos sociais, do povão que saiu da miséria. Dilma foi em direção à classe média que lê a “Veja”. Com Palocci à frente. Palocci é amigo da “Veja” e da “Globo”. Palocci é blindado na “Globo”. Perguntem ao Azenha o que aconteceu na Globo quando ele tentou fazer uma reportagem sobre o irmão do Palocci, 5 anos atrás…

Renato Rovai publicou em seu blog um texto que mostra a repercussão desastrosa – para o governo – do caso Palocci nas redes sociais. Como aconteceu na eleição, com o aborto e a onda consevadora: primeiro os temas batem na internet, depois chegam às ruas.

Assim como ocorreu na eleição, Dilma talvez perceba que o figurino palocciano não garantirá estabilidade ao governo. Com quem ela vai contar quando enfrentar crise séria? Com a família Marinho? Com os banqueiros?

Dilma segue com popularidade alta. Mas o caso Palocci mostra os limites do governo. E os riscos que ela corre diante da primeira crise mais grave. Pode faltar base social…

Mas, seja qual for a escolha de Dilma (ela a essa altura parece mais próxima de optar por um acerto “por cima”, com os que mandam nas finanças e nas comunicações do Brasil), é inaceitável que o governo vote o novo Código Florestal sob chantagem dos ruralistas.

O governo está sob pressão dos ruralistas, que dizem nos bastidores: “a oposição pode maneirar com o Palocci, desde que passe o Código Florestal que nós queremos!”

O texto vai a votação na terça.

Hoje, o governo Dilma corre o seguinte risco: aceitar a chantagem dos ruralistas pra salvar Palocci e… não conseguir salvar Palocci. Seria um desastre.
Dilma precisa fazer uma escolha agora. Semelhante à que ela fez naquele debate na “Band”, no início do segundo turno. A quem ela pretende agradar? À turma do Palocci, ou à turma que foi à rua e garantiu a vitória dela enfrentando a onda conservadora que Serra trouxe para o debate?

A oposição está enfraquecida. O lulismo é forte e dominante no país. Mas o governo Dilma parece frágil. Equação estranha. É preciso aproximar o governo Dilma do lulismo. Dilma ganhou por causa disso. Vai governar, de verdade, se estiver alinhada ao lulismo.


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Para José de Abreu, substituto de Ana de Hollanda precisa ser nome que não produza mais atritos

Defensor da troca de comando no Ministério da Cultura, o ator critica falta de flexibilidade na gestão e política que parece "de um governo de oposição"

Por: Anselmo Massad, Rede Brasil Atual


Para José de Abreu, substituto de Ana de Hollanda precisa ser nome que não produza mais atritos

Abreu lembra que política do ministério foi aprovada pelo voto, por isso deveria ser mantida pelo ministério (Foto: Encontro de Blogueiros Progressistas)

São Paulo – O ator e ativista da cultura José de Abreu defende a substituição da ministra da Cultura Ana de Hollanda. Ele critica a gestão mantida há quatro meses na pasta, desde o início do governo Dilma Rousseff, por considerar que a condução dos debates rompe com a "continuidade aprovada nas urnas" com a gestão anterior, de Juca Ferreira, durante o governo de Luiz Inácio Lula da Silva.

"A política do ministério foi aprovada pelo voto; o eleitor aprovou o governo Lula e o Ministério da Cultura, que precisaria ser continuado", sustenta Abreu. "Defendo que se busque um nome que não leve a mais atritos ao ministério", avalia. Ele acredita que o governo como um todo está indo bem, com exceção do MinC. "Essa troca precisaria ser feita da maneira menos traumática possível", completa. Há rumores de que a presidenta Dilma Rousseff já estaria estudando a possibilidade de substituir Ana de Hollanda.

Em março, Abreu havia defendido, em entrevista à Rede Brasil Atual, que se desse mais tempo e se tratasse o ministério com mais calma. Ele explica que a retirada de seu apoio à Ana de Hollanda foi uma decisão tomada após muita discussão e agravada pelas denúncias de proximidade entre ela e o Escritório Central de Arrecadação e Distribuição (Ecad), publicada por jornais na terça-feira (3).

"Fiquei muito chateado com o que li no jornal (sobre a ligação com o Ecad), porque a defesa do MinC era de que não havia nenhuma relação, que era loucura", afirma Abreu. "Mas ninguém é idiota, faço política há 40 anos. O cargo de ministro é político, feito de conversas. Ainda mais em um começo de governo, que tem base aliada e é formado por uma coalizão. Mas ela botou uma linha na cabeça e parece não ter flexibilidade nenhuma", critica.

Entre os motivos que o levaram a mudar de opinião estão reiteradas demonstrações de falta de flexibilidade da ministra. Ele enumera a retirada do selo Creative Commons do site do ministério – mesmo permanecendo o uso e a menção da plataforma de Wordpress e de contas em redes sociais como Flickr –, a defesa intransigente do Ecad, a desautorização de posições defendidas em São Paulo pelo secretário-executivo do MinC, Vitor Ortiz, entre outras. "Fui me dando conta de que não tinha mais como apoiá-la", reconhece Abreu.

Brincadeira

O nome de José de Abreu foi lançado pelo Futepoca para suceder Ana de Hollanda. Com a proposta de um "Ministério da Cultura dionisíaco", eles defendem as posições bem-humoradas do ator e o compromisso dele com a cultura digital, além de toda a trajetória nas artes cênicas. A campanha foi logo encampada nas em redes sociais.

No Twitter, Abreu entrou no clima da brincadeira: "Assim, com esse programa de governo eu topo! Vou avisar a galera! #ZedeAbreunoMinc", escreveu.
Durante a entrevista à Rede Brasil Atual, ele não quis sequer comentar a movimentação. "Ah, é só uma brincadeira", divertiu-se.

"Eu estava achando estranho a gente ter lutado por um governo de continuidade e, justamente na área em que trabalho, isso não estava sendo cumprido. Em alguns pontos, a impressão era de que se tratava de um governo de oposição", lembra o ator. Antes do rompimento, ele chegou a almoçar com a ministra, em abril, em Brasília, além de dialogar com ativistas da cultura digital e colegas artistas. "Pensei bastante e escrevi um e-mail para ela para apresentar minhas razões e dizer que, a partir daquele momento, eu deixava de apoiá-la", detalha.

Desmonte

Abreu defende a substituição de Ana de Hollanda, mas alerta que há grupos favoráveis a trocas também nos cargos ocupados por Ortiz e por Antônio Grassi, presidente da Fundação Nacional de Artes (Funarte). É o caso dos articuladores do manifesto endereçado a Dilma Rousseff publicado no Mobiliza Cultura, que atribuem a Grassi parte da responsabilidade pelo que consideram ser o desmonte das políticas promovidas por Gilberto Gil e Juca Ferreira na pasta, nos oito anos anteriores, já que o atual presidente da Funarte foi demitido por Juca Ferreira em 2008, em um processo conturbado. A dispensa teria sido comunicada por e-mail. A falta de zelo foi um dos motivos por que Grassi fez, à época, duras críticas ao MinC. Além disso, o ator tornou-se, então, assessor do governo de Minas Gerais, ainda na gestão do hoje senador Aécio Neves (PSDB-MG).

Alcinéia Macucci e a Literatura de Cordel

 
Olá Artur! Velho paizão coruja!(risos)... Parabéns pela pele grafia e pela Doçura que é Alice!!!Chegando do serviço e lendo seu blog dei uma leve relaxada, uma tradicional viagem por entre as palavras...
Bem que a realidade escolar poderia ter um pouco de poesia na atitude e nos modos de ações e reações ao ser humano em geral. O doce anda azedando, assim como os professores dando a cara a tapa como o governo tanto sonhou para 70% de alunos anestésicos....
Bem que os alunos poderiam ter a poesia no sangue, a sensibilidade aflorada como têm os hormônios e as indisciplinas...
Trabalhando literatura de cordel com as 7ª séries, li O Cordel do Amor Cego de Orlando Paiva e para minha surpresa até mesmo os alunos mais resistentes se entregaram a história e acabei tendo que ler mais uns três outros temas. Eles possuem certa queda emocional pela vida que é emoldurada pela arte mas sinto que preferem o silêncio do comodismo do que o barulho da construção das idéias.Querem as fórmulas prontas, poucas palavras, possuem o medo do novo e até deles mesmos eu acho.... Está sendo uma loucura dar uma rasteira nesta realidade para eles abrirem as portas para a expressão, apenas a expressão, sentimentos e valores....

Acredito que a Literatura de Cordel trouxe sim um alvoroço na mente da garotada, até o garoto "pânico" da sala disse que iria me trazer o vídeo que circula na internet e que seria a base da história que li para eles. O duro são estes benditos vídeo- games, programas de TV populares que massacram e ridicularizam a figura humana, sites pornográficos em seus celulares sofisticados vencendo a essência da cultura e a produção da sensibilidade. Criando Zumbis máquinas que nós professores temos que moldar destruindo as engrenagens fabricadas numa velocidade aterrorizante pelo mundo digital, para sentir a vida a pulsar além das teclas e botões juntamente com a pressa como que se tudo se criasse ou se resolvesse num clique

Realmente a vida oferece vários caminhos, vai da garotada ter suficiente sabedoria adquirida por suas vivências para escolher o caminho para seguir em frente, abrir a mente, e construir a história dentro desta vida breve de instantes e escolhas que fazem a diferença. Sinto às vezes uma certa revolta interna de ver que muitos não se preocupam em desvendar suas próprias interrogações descobrindo suas potencialidades.

Alcinéia Macucci -
http://artedafemea.blogspot.com/
Grande abraço e continue a sacudir as palavras!


sábado, 21 de maio de 2011

Plano federal de combate à miséria não vai 'zerar' número de pobres

Coordenador do programa, ministério do Desenvolvimento Social diz que fez 'pacto' com a sociedade ao anunciar público alvo de 16,2 milhões de pessoas. Número ajuda a elaborar plano e servirá para governo avaliar andamento e opinião pública cobrar resultados. Para pesquisador, restrições orçamentárias e oscilações da renda dos pobres tornam 'impossível' zerar miséria, mas redução dela poderá ser comemorada como 'erradicação' do mesmo jeito que taxa baixa de desemprego é 'pleno emprego'.

BRASÍLIA – A meta do governo de tirar mais de 16 milhões de brasileiros da pobreza extrema, com plano que deve ser lançado em junho, é difícil de cumprir e não quer dizer que não haverá nenhum miserável no país em 2014. Ela deve ser encarada como bússola na construção das políticas anti-pobreza e como referência para medir a eficiência delas, segundo o ministério do Desenvolvimento Social, que coordena a elaboração do plano.

“É importante ter um ponto de partida e que ele seja definido de forma racional, para sabermos qual o foco e como medir os resultados”, disse o secretário-executivo da pasta, Rômulo Paes de Souza. “O que nós fizemos foi uma pactuação com a sociedade: 'o governo quer ser cobrado dessa maneira'”, completou ele, explicando que haverá relatórios anuais para avaliar o andamento do programa.

O público alvo do plano foi definido a partir do censo demográfico que o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) fez no ano passado. O governo decidiu que pobreza extrema no Brasil significa ter no máximo R$ 70 reais mensais. Pelo censo, há 16,2 milhões de pessoas nesta situação. “Com uma linha de corte muito baixa, é mais difícil ter resultados. Se fossem 22 milhões, por exemplo, seria melhor para mostrar resultados”, afirmou Souza.
Diretor de Estudos e Políticas Sociais do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Jorge Abrahão de Castro concorda que “focar nos que precisam mais é extremamente complicado”. Para ele, o grande desafio será fazer com que as ações oficiais cheguem de fato até àa 16,2 milhões de pessoas.

O IBGE ajudou a identificar o contingente de miseráveis, mas não relevou – nem poderia, por razões legais – nome, sobrenome e endereço deles. O governo espera encontrá-los no cadastro de 20 milhões de famílias do ministério do Desenvolvimento Social que serve, por exemplo, para pagar os benefícios do bolsa família, que vai compor o tripé do programa em elaboração.

O plano pretende combinar o pagamento da bolsa com ações que levem bens e serviços (sobretudo de infra-estrutura) aos pobres e de “inclusão produtiva”, que ajudem a pessoa a ter condições de viver por si só.

Segundo Rômulo de Souza, o governo ainda discute o orçamento do plano. Pode ou não haver acréscimo de dinheiro tanto no bolsa família, que recebe cerca de R$ 16 bilhões anuais, quanto em outras oito áreas que farão parte do programa. “Como já temos uma proteção social considerável, a pedra de toque do plano é a articulação de políticas”, afirmou o secretário-executivo, minimizando a importância das cifras.

Para Jorge Abrahão, sem dinheiro sobrando e tendo de focar o trabalho num determinado grupo, é “impossível” erradicar a pobreza extrema. “Nunca vamos ter 'zero pobres'. A renda das pessoas é volátil, as pessoas ficam circulando entre pobreza e pobreza extrema, e a pesquisa [do IBGE] foi feita num determinado momento”, disse o especialista. Os resultados do futuro plano, afirmou, deveriam ser vistos como o desemprego no mercado de trabalho, em que taxa de 3% é considerada “pleno emprego”.
“Não vai zerar mesmo, porque nenhum fenômeno social zera, só zera com a extinção física das pessoas”, disse Rômulo de Souza, que, junto com Jorge Abrahão, participou nesta sexta-feira (20/05) de seminário sobre pobreza extrema promovido em Brasília pelo Ipea.

poema de 7 foices

 


como preservar a Amazônia
como exterminar a miséria
se as 7 patas de Vênus
cavalgam a besta do planalto
poema de 7 foices
atrás da face anticristo
e nos palácios os crápulas
com suas caras de vidro
defendem os pastos de soja
devastam florestas pra búfalos
cada qual atrás dos mantos
esfarrapados dos partidos
nunca vi tanto canalha
no mesmo espaço reunidos

federico baudelaire – viagens insanas

 

CAMPOS DOS GOYTACAZES

Quem sou eu

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meu coração marçal tupã sangra tupi e rock and roll meu sangue tupiniquim em corpo tupinambá samba jongo maculelê maracatu boi bumbá a veia de curumim é coca cola e guaraná