sexta-feira, 29 de julho de 2011

CURTA CRIATIVO 2011


Estão abertas as inscrições para a quarta edição do Curta Criativo.
O concurso de curtas-metragens, que é promovido pelo Sistema FIRJAN, por intermédio do SESI Cultural, tem identificado novos talentos da indústria cinematográfica  e fomentado a produção audiovisual do estado do Rio.

A iniciativa é aberta à participação de alunos e ex-alunos de graduação e pós-graduação em Cinema, Comunicação, Design, Mídias Digitais, Artes Visuais, Novas Mídias, Belas Artes e Produção Cultural, além de estudantes de cursos técnicos e livres de Cinema, de instituições do estado do Rio.

Não é permitida a inscrição de funcionários e estagiários do Sistema FIRJAN, conforme informação divulgada no regulamento do concurso.

Os interessados podem se inscrever nas categorias animação, ficção ou documentário até o dia 20/09 e obter informações no site do Sistema FIRJAN (www.firjan.org.br/sesicultural).

As premiações para os curtas vencedores, que serão avaliados por um júri presidido pela produtora Lucy Barreto, incluem o pagamento de R$ 10 mil (1º colocado) e R$ 8 mil (2º colocado) em cada categoria, além de estágios, exibição do filme em festivais e auxílio para aluguel de equipamentos.

Para saber mais, ligue para o telefone 0800 0231 231 ou acesse o site do Sistema FIRJAN, o Facebook (www.facebook.com/sesiculturalrio) e o Twitter (@sesiculturalrio).

Alinhado ao Mapa do Desenvolvimento, que indicou as indústrias criativas como segmento-âncora para o desenvolvimento do estado do Rio, o Curta Criativo tem sido considerado uma importante iniciativa para o reconhecimento da criatividade e da inovação, características empresariais indispensáveis para o Sistema FIRJAN.

BC confirma nova tática anti-inflação; alta de juros pode ter acabado

Na ata da reunião que aumentou taxa de juros pela quinta vez no ano, Banco Central (BC) não diz mais que trabalha por meta de inflação de 4,5% em 2012, nem que busca do objetivo exigiria aperto monetário por tempo 'suficientemente prolongado'. Nova estratégia, que havia sido sugerida no fim do último encontro do Comitê de Política Monetária (Copom), tenta combater única variável inflacionária que, segundo economista, está descontrolada, as expecativas do 'mercado'.

BRASÍLIA – O Banco Central (BC) confirmou nesta quinta-feira (28/07) a suspeita de que resolveu adotar nova estratégia na disputa com o “mercado” sobre os rumos da inflação e da taxa de juros. Na ata da reunião da diretoria que, na semana passada, subiu o juro pela quinta vez seguida no ano, o BC não diz mais, como havia feito antes, que trabalha para que a meta de inflação fixada pelo governo, de 4,5%, seja cumprida em 2012.

O documento também reforça a desconfiança, manifestada por analistas do “mercado” logo depois da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), de que o ciclo de aumento dos juros pode ter acabado. O BC abandonou a expressão de que atingir a meta de inflação no ano que vem exigiria “a implementação de ajustes das condições monetárias por um período suficientemente prolongado”.

As duas suspeitas haviam sido alimentadas pelo próprio BC no fim do encontro do Copom de 20 de julho. Ao comunicar o resultado da reunião – a maior taxa do planeta ficaria 0,25 ponto percentual maior e valeria 12,50% pelo menos até 31 de agosto -, o banco havia sido lacônico. Não disse que tomara a decisão de olho em 2012, nem que esse objetivo poderia requerer juro alto por tempo “suficientemente prolongado”.

A reunião anterior do Copom, em junho, havia terminado com estas duas mensagens na curta nota em que o BC sempre informa a decisão. Ambas seriam confirmadas uma semana depois na ata do Copom. Agora, foi diferente.

A provável explicação para a nova postura do BC pode ser encontrada em um boletim trimestral de análise da conjuntura divulgado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) justamente no dia da última reunião do Copom (20 de julho).

Para o economista que coordena a elaboração do boletim, Roberto Messenberg, todas as variáveis que impactam a inflação estão controladas: atividade econômica, mercado de trabalho e de crédito em ritmo moderado, preço dos alimentos e dos combustiveis, estabilizado.

O único fator que ainda estaria descontrolado, segundo Messenberg, seriam as expectativas do “mercado”. Desde que o BC avisara, no início do ano, que não trabalharia para a inflação atingir a meta de 4,5% em 2011 - o governo acha que isso sacrificaria o crescimento com mais prejuízos do ganhos para o país -, mas só em 2012, o “mercado” aposta que a inflação ficará acima da meta no ano que vem.

As expectativas do “mercado” também são um fator inflacionário na medida em que têm poder para influenciar a realidade. Trabalhadores e empresários levam em conta estas previsões, por exemplo, na hora de negociar salários e fixar preços.

É por isso que a Central Única dos Trabalhadores (CUT) e a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) uniram-se contra a pesquisa que o BC faz sobre as expecativas do “mercado”. O levantamento semanal ouve 100 instituições, a grande maioria ligada ao sistema financeiro.

O presidente do BC, Alexandre Tombini, concorda que seria melhor mudar um pouco o perfil da pesquisa, para incorporar instituições vinculadas a outros setores, mas diz que preciso que os interessados em participar atendem exigências mínimas.

Leia Mais:

BC não resiste às expectativas do 'mercado' e sobe juro pela quinta vez
Variáveis inflacionárias controlaram-se, menos previsão do 'mercado'

quinta-feira, 28 de julho de 2011

a força cultrural que vem da baixada fluminense



Companheiras e Companheiros

O legado de Solano Trindade é um dos maiores Bens Culturais do Brasil. No evento de estréia do documentário que conta parte de sua vida, além da história, conhecemos seus parentes e alguns detalhes que só o povo mais chegado conhece.

Poetas, escritores, artistas plásticos, músicos, compositores e amantes do cinema lotaram o Teatro Raul Cortez, mostrando a força cultural da Baixada Fluminense.

Estava no ar o orgulho de uma produção independente, realizada com artistas e produtores locais .  Um exemplo de garra e superação sem igual.

Como já expliquei, minha alegria se torna maior, pois, conheci o projeto ainda em sua fase inicial, lá na Biblioteca Comunitária, em Cangulo, há anos atrás.

Álvaro Maciel - 28/07/2011.

O vento forte do Levante vem de Duque de Caxias!
“Vento forte do Levante – Solano Trindade”


Quando pensamos na Biblioteca Comunitária no Cangulo, não havia outro nome homenagear do que Solano Trindade. Uma varanda, centenas de livros, um nome e a Esperança de que a partir dali faríamos ecoar em Duque de Caxias a importância que Solano tinha não somente para nossa cidade, mas para todo o Brasil.

E quando pensamos num documentário sobre Solano Trindade, não hesitamos em convidar Rodrigo Dutra, não somente por sua petulância política, ou pela veemência de suas atitudes e posições, mas pela ligação mais que ideológica com Solano, é a aspiração do sonho de uma sociedade justa e solidária que Solano também tanto acreditou e lutou.
         
 “Vento forte do Levante” vem coroar uma nova geração que mais do que nunca se inspira em Solano, não somente porque ele foi e continua sendo o Poeta do Povo, mas essencialmente é o que mais representa o novo pulsar cultural de Duque de Caxias. Resistimos com nossas próprias forças, mas a abnegação e compromisso com suas raízes nos inspira a continuar lutando, não somente por Solano Trindade se fazer vivo em nossas mentes, mas por todos aqueles que ainda acreditam num Vento forte do Levante ainda é possível!


Antonio Carlos de Oliveira
Caminhante Sonhador
Estréia do Documentário "VENTO FORTE DO LEVANTE - SOLANO TRINDADE"
 

 Antonio Carlos:
O Documentário "VENTO FORTE DO LEVANTE - SOLANO TRINDADE", tem como um dos produtores o Prof. Antonio Carlos de Oliveira - Coordenador da Biblioteca Comunitária Solano Trindade, e morador do Cangulo.
A poética e a vida de Solano Trindade, o “Poeta do povo”, invadiu a grande tela no próximo dia 27/07. 

O filme conta com a participação especial do bisneto de Solano, Zinho Trindade, que brinda o telespectador com intervenções poéticas. “Solano deixou plantada belas sementes. Na família Trindade todo mundo é artista. Em especial, me encantei por Raquel Trindade (filha do poeta), que me cedeu muitas fotografias e um local para ficar durante a produção. Os demais familiares também me ajudaram muito nessa busca de tentar entender o universo boemio-político-poético do ‘Poeta do povo’”, conta Dutra Dutra.

FICHA TÉCNICA
Direção, edição e pesquisa: Rodrigo Dutra
Cinegrafismo: Guilherme Zani, Márcio Bertoni, Pablo Pablo
Produção: Rodrigo Dutra, Antonio Carlos (Cangulo), AnguTV!
Trilha original: Michael Sexauer
Música Tema: Luciana Savina
Voz Over: Godot Quincas
Intervenção poética: Zinho Trindade
Ator: Amenduim Duim
Co-Produção: CRPH-BF, Nibrach, Biblioteca Comunitária Solano Trindade (Cangulo)

 


 Álvaro Maciel  Secretário de Cultura do PT/RJ
cel. 9956-1351 / 9948-2770
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Riverdies dia 7 de agosto no Café Aurora em São Paulo:
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As relações de Jaqueline Serávia e Hayan Rúbia nos tempos da Faculdade
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quarta-feira, 27 de julho de 2011

A face do cinema argentino

Ricardo Darín comenta sobre sua carreira, sua visão sobre o cinema latinoamericano e revela projeto com Walter Salles



Maria do Rosário Caetano no Brasil de Fato
de São Paulo (SP)

Ricardo Darín, o mais famoso dos atores argentinos contemporâneos, chega às locadoras brasileiras com Abutres, sólido drama social dirigido por Pablo Trapero, e aguarda a hora de atuar em novo filme de Walter Salles. “Nunca me empenhei em fazer carreira internacional”, diz ele. “Não sou dos que sonham protagonizar um filme de Woody Allen ou Pedro Almodóvar”. Mas “trabalhar com Walter Salles é projeto que estamos amadurecemos juntos, há um par de anos”.

O astro latino-americano, uma espécie de “Humphrey Bogart portenho”, vem construindo carreira das mais sólidas. Aos 54 anos, soma quase 30 longas-metragens, muitos dos quais alcançaram enorme sucesso na Argentina e Espanha. E até no Brasil, cujo mercado exibidor é arredio a filmes hispano-americanos, ele vem alcançando boa projeção. Filmes protagonizados por ele, como Nove Rainhas, Kamchatka, O Filho da Noiva e O Segredo dos Seus Olhos, Oscar de melhor filme estrangeiro em 2010, tiveram carreiras significativas em cinemas e locadoras nacionais. O Segredo dos Seus Olhos, dirigido por Juan Jose Campanella, que vendeu mais de 2 milhões de ingressos na Argentina, se aproximou dos 500 mil bilhetes no Brasil. Feito extraordinário, registre-se, para um filme hispano-americano.

Abutres, lançado nos cinemas e locadoras brasileiros pela Paris Filmes, alcançou o que poucos filmes conseguem: motivar (e pautar) o parlamento argentino, em moldes semelhantes ao que antes fi zera o belga Rosetta, dos irmãos Dardenne. Depois de ver o filme e acompanhar a polêmica que ele provocou, o parlamento argentino discutiu mecanismos para coibir e disciplinar a ação dos Abutres. E quem são os caranchos (abutres) no filme? São advogados que atraem vítimas de acidentes automobilísticos nas periferias de Buenos Aires, com intenção de obter altas indenizações. A parte substantiva do dinheiro fica em poder de verdadeira “máfi a”, enquanto parentes dos mortos no trânsito fi cam com parcela ínfi ma.

O filme de Pablo Trapero soma drama social e história de amor. É neste tipo de “híbrido” que Darín gosta de trabalhar. Sem nenhum preconceito contra o melodrama, ele cultiva o prazer de protagonizar narrativas amorosas enriquecidas com ingredientes da vida social ou política de seu país.

Em entrevista ao Brasil de Fato, Darín fala de Abutres, de sua imagem junto ao público, de sua relação com a TV e da recorrência temática, em filmes latinoamericanos, das ditaduras implantadas em muitos de nossos países nos anos de 1970 e 1980.

Brasil de Fato – Você ama o cinema noir e é dono de uma beleza rude. Há quem o veja como uma espécie de “Humphrey Bogart portenho”. Você se identifica com Bogart (1899-1957)?

Ricardo Darín – Primeiro, é preciso dizer que não sou possuidor de beleza, mesmo que rústica. Com este nariz e esses dentes, sou obrigado a definir-me como um afortunado. Só um ator favorecido pela sorte teria conseguido protagonizar filmes como os que me coube protagonizar. Alguns deles, creiam, são típicas comédias românticas (risos) e conseguiram sensibilizar algumas espectadoras, levando-as a ver beleza em mim. Mesmo que rústica. Será que são meus olhos que me salvam? Não creio. O que me salva é meu senso de humor. Quanto a Bogart, não sei. Ele não abria a boca para falar [um acidente cortou nervo de seu lábio superior]. Falava assim: ... [Darín enuncia algumas frases com os lábios cerrados, sussurrantes, à moda Bogart].

Abutres é fruto de seu primeiro trabalho com Trapero, nome dos mais festejados da nova geração argentina. Ele gosta de investigar temas sociais fortes. Agora, são os “abutres” que exploram vítimas do trânsito.

Foi um privilégio receber o convite de Trapero. Aceitei trabalhar com ele porque gostei muito do roteiro. Gosto de filmes que enfrentam temas difíceis e não fogem das fragilidades humanas. Foi bom para mim trabalhar com um tema praticamente desconhecido em nossa cinematografia. Trapero é, realmente, muito interessado por ofícios quase imperceptíveis, por ambientes que não são comuns na maioria de nossos filmes. E ao abordar um tema, ele o pesquisa muito, faz questão de pisar o terreno que ambientará a história, obriga-se a conhecer todos os caminhos e desvios possíveis. Literalmente, ele mete os pés na lama. Não conta suas histórias a partir de seu escritório. Eu me envolvi no processo de trabalho proposto por ele com a mesma gana. Me dispus a segui-lo no que fosse necessário. Abutres ambienta-se na periferia de Buenos Aires. Toda periferia de uma grande metrópole é problemática, tem seus próprios códigos, seus desafios. Como Trapero é um “bonaerense”, ele tocou em Abutres uma música que conhecia.

Você poderia explicar o que significa ser um “bonaerense”? Por que Trapero deu este nome a seu filme sobre policiais subalternos de Buenos Aires?

Bonaerense, depois do filme do Trapero, virou quase um sinônimo daquele tipo de policial mostrado em El Bonaerense [que foi veiculado no Brasil como O Outro Lado da Lei]. Mas o sentido geral da palavra designa os habitantes da província de Buenos Aires, os que não são os portenhos (estes são os “capitalinos”, os que habitam a região histórica da cidade de Buenos Aires, desenvolvida em torno do porto). Quando digo que Trapero é bonaerense, digo que ele nasceu e cresceu na grande Buenos Aires, na província. E conhece bem a periferia que ambienta nosso filme. Dito isto, quero lembrar que Abutres é, no fundo, uma grande história de amor, um grande romance. Um romance que se desenvolve em território áspero.

Para nós, Abutres revela um mundo novo. Pouco ou nada sabemos destes advogados que exploram familiares humildes de acidentados de trânsito.

Nós também sabíamos pouquíssimo do assunto. Daí o impacto que o filme causou na sociedade argentina. Foi tal a magnitude do impacto, que nossos parlamentares, reunidos no Congresso Nacional, colocaram o tema em debate e estão buscando soluções para estabelecer limites às instituições privadas. Até a estreia de Abutres, estas instituições privadas cuidavam, da forma que lhes convinha, da busca de solução para as indenizações dos acidentados. O contato se dava entre os advogados e os familiares das vítimas dos acidentes automobilísticos, sem nenhuma intermediação. Verdadeiras máfias foram solidificando-se no setor. Alguns profissionais da área de saúde se tornavam cúmplices destes “abutres” e os maiores prejudicados eram sempre os familiares das vítimas. Agora, novas posturas estão sendo debatidas e haverá intermediação do Judiciário e de um fiscal para ajudar a parte fraca no caso.

Por que as ditaduras militares foram, e ainda são, tema recorrente na maioria das cinematografias da América Latina?

Porque era necessário falar destes períodos terríveis que nossos países viveram em décadas recentes. Mas, e isto é consenso hoje, o tema parece em fase agônica. Chegaram novos cineastas, integrantes de uma geração que não viveu a ditadura. Se viveu, foi como criança ou adolescente. Então estes realizadores buscam novas narrativas, novas soluções, novos ângulos para arejar o tema. Tive a alegria de atuar num destes filmes que buscaram um novo olhar sobre o período ditatorial argentino: Kamchatka (Marcelo Piñeyro/2002). O realizador mostrou a ditadura pelo olhar das crianças. Ao invés de lamentar um tempo de muitas dificuldades, de sinalizar culpas, ele propôs uma bela refl exão sobre o período.

Você vê algo que identifique as cinematografias latinoamericanas? Algo que as particularize?

Este tema é muito complexo. Mas creio que é o humor que nos singulariza. Não me refiro à comicidade, ao histrionismo, mas sim à ironia, ao não nos levarmos muito a sério. Tenho para mim que o triunfo de O Segredo dos Seus Olhos, no Oscar, se deve ao humor. Havia quatro concorrentes muito fortes. A Teta Assustada, do Peru, tinha fotografia e direção de arte maravilhosos, A Fita Branca é um filme de fatura impecável. Todos os concorrentes eram muito sólidos. Mas creio que o detalhe que fez O Segredo de Seus Olhos se destacar no conjunto e ganhar o Oscar foi o humor. O filme se nutre no social, conta uma história de amor ao longo de 25 anos, discute a Justiça. Mas faz isto com a utilização de um tom adequado e contido de humor.

Os norte-americanos estão interessados em fazer um remake de Abutres. O que você acha desta possibilidade?

Creio que há uma crise de ideias no cinema norte-americano. Ou eles têm dinheiro demais e não sabem o que fazer com ele. Você compraria Taxi Driver para refazê-lo? Compraria uma tela de Picasso para refazê-la? Sei que foram interesses comerciais que moveram os que compraram Nove Rainhas e o refilmaram nos EUA. Lamento o resultado. Parece que eles não leram o roteiro original direito. Há erros imperdoáveis na trama recriada. Resta o consolo para quem detém os direitos, pois coloca dinheiro no bolso.

Você é hoje o rosto mais conhecido do cinema argentino. E faz enorme sucesso na Espanha...

Há uma razão para meu sucesso na Espanha (risos). Eu fi z uma série de filmes na Argentina, ao longo de cinco ou seis anos. Eles estrearam na Espanha, tempos depois, numa periodicidade semestral. A cada seis meses, um novo filme. Os espanhóis passaram a achar que eu não descansava, só filmava, fi lmava, fi lmava (risos). Que era um louco, que não fazia uma pausa entre um trabalho e outro. Foi assim com Nove Rainhas, O Filho da Noiva, Kamtchaka, Clube da Lua, etc.

Participando de tantos filmes, lhe sobra tempo para fazer TV? Como você vê a televisão na Argentina contemporânea?

Trabalhei muito em televisão. Como sou fi lho de profissionais de TV, praticamente nasci em um estúdio. Sinto que não tenho nenhuma dívida com este veículo. Por conhecê-lo por dentro, posso dizer que a TV, hoje, é manejada por empresas. Os profissionais pioneiros, aqueles que conheciam profundamente seu ofício e lutavam por uma TV de qualidade, foram alijados. Na Argentina e em dezenas de países, são empresários, excessivamente preocupados com o lucro que definem a programação. Minha intenção, frente a este quadro, é não regressar à TV. Prefiro manter-me, enquanto for possível, no cinema e no teatro, áreas que me permitem trabalho mais calmo e sereno.

Com que diretores internacionais você gostaria de trabalhar?

Hoje, muitos atores de língua espanhola querem trabalhar com Pedro Almodóvar. Eu o respeito muito como cineasta, mas tenho minhas prevenções com ele. Sou “discutidor” e ele também. Tenho projeto, em fase de desenvolvimento, de trabalhar com Walter Salles. Já um amigo que trabalhou com Woody Allen me disse que ele não é amável com os atores, que não os dirige, embora confie muito neles. Allen acredita que 50% do trabalho dele se resolve quando escolhe este ou aquele ator. Se o ator escolhido é bom, e ele escolhe sempre os que considera os melhores, não precisa dirigir. Mesmo assim, me dá certo medo pensar em trabalhar com ele, pois gosto de ser dirigido. Lembro que não sou um ator que fica atrás de grandes nomes. Gosto muito de trabalhar com diretores de operas primas...

Você sabe que, em português, opera prima corresponde ao que, vocês, de fala espanhola, chamam de opera maestra? Nós usamos o sentido quantitativo (primeira obra) e vocês o sentido qualificativo (a melhor obra)...

É mesmo? Então, me desculpem se passei impressão errada. Que fi que claro que me refiro aos diretores estreantes, de primeira obra. Quem entender “obra prima” como “obra mestra” pensará que estou insinuando que trabalhei com Bergman, Kurosawa... (risos)

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Projeto Multi Mídia: Cine Vídeo

Pontal Atafona – filme de Artur Gomes com trilha sonora da Banda Riverdies
O IFF Instituto Federal Fluminense Campi-Centro, Campos dos Goytacazes, (Rua Dr. Siqueira, 273), lança na próxima segunda 1 de agosto, o projeto Cine Vídeo, com o objetivo de desenvolver com Oficinas, Mostras e Festivais de Curtas, a criatividade dos estudantes da instituição na área do áudio visual.

A  idealização e coordenação do projeto é do poeta, ator e vídeo maker Artur Gomes.

Leia mais aqui

SagaraNAgens Fulinaímicas
guima
meu mestre guima
em mil perdões
eu vos peço
por esta obra encarnada
nacarne cabra da peste
da hygia ferreira bem casta
aqui nas bandas do leste
a fome de carne é madrasta

ave palavra profana
cabala que vos fazia
veredas em mais sagaranas
a morte em vidas severinas
tal qual antropofagia
teu grande serTão vou cumer

nem joão cabral severino
nem virgulino de matraca
nem meu padrinho de pia
me ensinou usar faca
ou da palavra o fazer

a ferramenta que afino
roubei do meste drummundo
que o diabo giramundo
é o Narciso do meu Ser


artur gomes
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sexta-feira, 22 de julho de 2011

Peso do juro do BC na dívida é o menor mas influencia alta histórica

 Nunca a dívida do governo em títulos públicos esteve menos atrelada ao juro do Banco Central quanto no fim de junho: 30%. Mesmo assim, aumentos consecutivos da taxa somados à capitalização do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social produziram o maior aumento semestral da dívida. Foram R$ 126 bilhões a mais entre janeiro e junho. Só em 2010 e 2007, crescimento havia superado R$ 100 bilhões. Dívida total chega a R$ 1,7 trilhão, informou o Tesouro Nacional nesta quinta-feira (21/07).

BRASÍLIA – Os aumentos da taxa de juros pelo Banco Central (BC) e mais uma capitalização do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) fizeram a dívida do governo com o “mercado” ter o maior crescimento já registrado em um primeiro semestre, desde que a Secretaria do Tesouro Nacional passou a divulgar estatísticas regularmente.

Foram R$ 126 bilhões em dívida nova na forma de títulos públicos negociados dentro do país. Até agora, ela tinha subido acima de R$ 100 bilhões apenas nos semestres iniciais de 2010 e de 2007. No fim de junho, totalizava R$ 1,729 trilhão, informou o Tesouro nesta quinta-feira (21/07).

O impacto da capitalização do BNDES na dívida pode ser medido com exatidão: R$ 30 bilhões. Desde 2008, quando explodiu a crise financeira mundial, o governo tem pego dinheiro emprestado com o “mercado”, ao vender títulos públicos, para injetar no BNDES e ajudar o banco a oferecer mais crédito às empresas, especialmente quando as instituições financeiras privadas se retraem.

Já o efeito do juro do Banco Central sobre a dívida não pode ser apontado em valores com precisão. Mas um dado das estatísticas do Tesouro dá uma idéia. Em dezembro do ano passado, antes de o BC começar o ciclo de cinco aumentos consecutivos da chamada taxa Selic, o custo médio da dívida, ou seja, o juro médio pago pelo conjunto dos títulos públicos, era de 11,8%. Em junho, estava em 12,3%.

As instituições financeiras (bancos, em sua maioria) ficaram 42% da dívida nova (R$ 54 bilhões). O Tesouro vem tentando diminuir a fatia delas na dívida, mas em junho a ação foi influenciada pela venda de R$ 30 bilhões em títulos para capitalizar o BNDES – os bancos participaram em peso da operação. Entidades de previdência (fundos de pensão de estatais, na maioria), em quem o Tesouro aposta para depender menos dos bancos, ficaram com 29% (R$ 37 bilhões).

Segundo o coordenador-geral da dívida, Fernando Garrido, o aumento de R$ 126 bilhões da dívida no semestre já era esperado. Em fevereiro, ao divulgar um documento no qual expõe seus planos para a gestão da dívida ao longo do ano, o Tesouro dizia que trabalharia para ela chegar a dezembro em, no máximo, R$ 1,930 trilhão.

De acordo com Garrido, o ponto positivo na evolução da dívida no semestre foi a redução, para o menor nível já observado (30%), daquela parcela atrelada ao juro do BC. E, ao mesmo tempo, o avanço, para o maior patamar já verificado (38%), daquela fatia vinculada a juros definidos no ato da negociação do título público. “Isso mostra melhoria na composição da dívida”, disse Garrido.

O Tesouro prefere administrar títulos com juros pré-fixados porque eles dão mais previsibilidade ao comportamento da dívida, por terem valores já conhecidos. Os títulos ligados ao juro do BC podem ficar mais caros a qualquer momento, dependendo do que o banco faz contra a inflação. E isso tira previsibilidade.

No documento divulgado em fevereiro, o Tesouro dizia que trabalharia para a parcela pré-fixada da dívida ficar entre 36% e 40% e a ligada ao juro do BC, de 28% a 33%.

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Argentina mostra o caminho para a Grécia

 Especialistas da Argentina, que em 2001 se declarou em “default” (insolvência) e agora desfruta de uma longa bonança, afirmam que já passou para a Grécia o tempo do ajuste fiscal e das reduções de gastos e que é urgente uma reestruturação da sua elevada dívida. “Quando uma dívida é impagável já não há plano de austeridade que dê jeito”, diz o economista Fausto Spotorno. No caso da Grécia, o economista vê que a reestruturação da dívida é um recurso “irremediável” e, para que seja menos traumático e mais eficiente do que foi na Argentina, recomendou fazê-lo sem demora e com apoio dos credores.

Os economistas argentinos ouvidos pela IPS garantem que os gregos não têm problema de liquidez, que pode ser resolvido com mais empréstimos, mas de solvência e, por isso, é necessário agir rápido e com apoio internacional para refinanciar seu passivo.

“Quando uma dívida é impagável já não há plano de austeridade que dê jeito”, disse à IPS o economista-chefe da consultoria Orlando Ferreres e Associados, Fausto Spotorno. “O ajuste serviria para a Espanha, que está em uma etapa prévia”, dando como exemplo outro dos 27 países-membros da União Europeia (UE), que também tem o euro como moeda comum. No caso da Grécia, o economista vê que a reestruturação da dívida já é um recurso “irremediável” e, para que seja menos traumático e mais eficiente do que foi na Argentina, recomendou fazê-lo sem demora e com apoio dos credores.

Explicação igual foi dada à IPS pelo economista Ramiro Castiñeira, da consultoria Econométrica. “A Grécia está em quebra, não é que tenha problemas de liquidez. Tentar corrigir agora desequilíbrios fiscais não serve para nada além de ganhar tempo em benefício dos credores”, afirmou. Tanto Castiñeira quanto Spotorno reconheceram que, com as dilações da UE, o que se tenta “é salvar os bancos, não os gregos”. Os resgates não objetivam reativar a economia, mas financiar a saída de capitais, alertaram.

Também o economista Roberto Lavagna afirmou que “a perda de competitividade sistêmica de uma economia não se acerta com mais empréstimos”. A Grécia deve avançar em uma reestruturação de seus compromissos financeiros, “sem quitação e com métodos menos custosos e mais eficientes” do que os improvisados pela Argentina em seu momento, aconselha Lavagna, responsável pela primeira reestruturação de dívida de seu país como ministro da Economia do governo de Néstor Kirchner (2003-2007), falecido em outubro do ano passado.

Ao comparar os dois casos, Lavagna disse que o que se assemelha são as receitas propostas para sair da encruzilhada. “O FMI, a Alemanha e o Banco Central Europeu confundem crise de solvência com crise de liquidez”, alertou em uma coluna jornalística intitulada “Argentina 2001. Grécia 2011”. O governo argentino declarou suspensão de pagamentos da dívida em dezembro de 2001, após três anos de recessão, aumento constante do desemprego e da consequente pobreza, e com um déficit fiscal cada vez maior, que procurou amortizar com a tomada de mais obrigações financeiras.

Os resgates do FMI, por meio de créditos stand by e desembolsos diretos cada vez maiores, não solucionaram nada. Nesse contexto, o governo do então presidente Fernando de la Rúa proibiu a saída de depósitos dos bancos, que ocorria por causa da desconfiança generalizada e crescente dos clientes. A crise econômico-financeira derivou em revolta social e De la Rúa renunciou e abandonou a sede de governo em um helicóptero, quando havia cumprido apenas metade de seu mandato, após ordenar uma feroz repressão policial que deixou 38 mortos.

Nesse mesmo mês, seu sucessor institucional Alberto Rodríguez Saá, declarou em seu mandato de uma semana a suspensão de pagamento da dívida e poucos dias depois ordenou a desvalorização do peso, que por dez anos esteve regido por uma lei de conversão que fixava um peso em um dólar. Com a suspensão de pagamentos e a depreciação do peso, que melhorou a competitividade de seus produtos de exportação, a Argentina iniciou um processo que a faria sair rapidamente do fundo do poço.

O colapso, por exemplo, fez com que em 2002 o Produto Interno Bruto, já em queda nos três anos anteriores, caísse 11% e a pobreza afetasse mais de 50% dos 38 milhões de argentinos na época. Contudo, 2002 foi o último ano crítico. Depois, as exportações começaram a aumentar e o crescimento econômico foi de 8% ao ano, em média, até 2009, quando a crise global, nascida um ano antes nos Estados Unidos, afetou esse indicador até marcar um aumento do PIB esse ano abaixo de 1%.

A partir de 2010 voltou a bonança, para seguir no caminho de alta, e para este ano se projeta crescimento de 8,3%, o segundo maior da região depois do Panamá, segundo o último informe divulgado pela Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal). Para reestruturar sua dívida, a Argentina demorou quatro anos. A primeira reprogramação foi encarada pelo governo Kirchner em 2005, quando se propôs a trocar US$ 81,8 bilhões dos US$ 181 bilhões em títulos do Tesouro que possuía nesse momento.

Os portadores desses bônus não cobravam desde 2001. Havia 178 séries emitidas em 14 moedas diferentes que estavam em mãos de instituições e pessoas espalhadas por todo o mundo, muitas delas poupadores de pequena escala atraídos pelas altas taxas de juros que a crise havia gerado. Foi proposto substituir esses títulos não pagos por outros três tipos de papéis de maior prazo, em alguns de até 42 anos, e em outros com pagamento de 66% do valor nominal. A aceitação dessa iniciativa foi de 76% do total, isto é, foram trocados US$ 62,2 bilhões

Nesse mesmo ano de 2005, Kirchner pagou tudo o que seu país devia ao FMI utilizando reservas de divisas que já estavam em franca recuperação, devido a uma política expressa nesse sentido, favorecida pelo ciclo de alta dos preços internacionais de grãos, carnes e alimentos. A viúva e sua sucessora, a atual presidente Cristina Fernández, reabriu em 2010 a troca para os portadores de bônus no total de US$ 20 bilhões que não tinham concordado em entrar na primeira rodada. Nessa operação entraram US$ 12,6 bilhões.

Agora, resta apenas o refinanciamento do passivo com o Clube de Paris, grupo de países industrializados que empresta ao mundo em desenvolvimento, que está em processo de discussão sobre o valor dos juros da dívida e os prazos. “A Argentina demorou muito entre a declaração de “default” e a reestruturação, e também o fez a “trombadas”, sem apoio do FMI”, disse Spotorno. De fato, dez anos depois ainda não conseguiu voltar aos mercados voluntários de dívida soberana.

Nesse sentido, os economistas consideram que foi menos traumática a experiência do Uruguai, cuja economia também entrou em colapso por efeito da crise argentina e por culpas próprias. O pequeno país vizinho reestruturou seu passivo de US$ 11 bilhões em 2003, sem quitação nominal, com refinanciamento de prazos e apoio do FMI.

Entretanto, também admitem que o problema é de escala. O volume da dívida da Grécia como porcentagem de seu produto e o nível de seu déficit fiscal são indicadores que tornam a situação desse país muito mais difícil de manejar em comparação com Argentina e Uruguai. Para ilustrar, basta uma só comparação. A dívida argentina representava, no momento do colapso, 60% de seu PIB, enquanto para a Grécia o valor dos passivos já passa de 150% do PIB.

Os especialistas também analisaram a saída argentina do regime de conversibilidade e de desvalorização. Esse abandono serviu para uma reativação econômica mais rápida mediante um aumento de exportações e entrada de divisas. “Na Grécia não se pode desvalorizar (por pertencer à zona do euro). Sair dessa moeda para voltar ao drama poderia ter custos enormes, ou seja, é preciso ser muito mais eficiente na reestruturação da dívida”, aconselhou Spotorno.

quarta-feira, 20 de julho de 2011

artur gomes entrevista romério rômulo

romério rômulo e manuelzão miguilim

"Romério Rômulo é poeta, editor, professor de Economia Política da Universidade Federal de Ouro Pretoe um dos fundadores do Instituto Carlos Scliar, com sede no Rio de Janeiro.Com vários livros publicados, seus títulos mais recentes, em poesia, são "Matéria Bruta" e "Per Augusto & Machina",da Editora Altana, SP.

Seus poemas são postados na http://romerioromulo.wordpress.com/  

Uma das mais bela experiências com arte que tive na vida, aconteceu em 1995 em Ouro Preto, durante o Festival de Inverno da Universidade Federal de Minas Gerais. Estive lá com os Retalhos Imortais do SerAfim – Oswald de Andrade Nada Sabia de Mim – exposição de poemas.gráfico visuais e performance com Clarice Terra e Rey de Souza, tudo inspirado no livro Serafim Ponte Grande, do Oswald.

Aproveitando a estadia por lá, freqüentava uma Oficina de Criação Literária dirigida por Sebastião Nunes, e foi ele quem me fez ter o primeiro contato pessoal com Romério Rômulo, porque antes disso eu já andava bebendo da sua poesia, por conta da Mostra Visual de Poesia Brasileira.

veja entrevista aqui: http://arturgumes.blogspot.com

profanalha nu rio



Num domingo desses de sol de primavera, fui com minha amiga Helô Landim rever o Pontal em Atafona. Há algum tempo ir ao Pontal era ir beber uma gelada no Palafita do Espanhol ou no Bar do Ronaldo, ou comer uma muqueca no restaurante do Ricardinho. Hoje ir ao Pontal e não ir lá onde o rio Paraíba do Sul beija o oceano atlântico saboreando uma  loura gelada no Bar do Neivaldo não tem a mínima graça.

No vídeo acima imagens captadas no Pontal por Helô e Federico Baudelaire, num instante em que Neivaldo preparava o seu café da manhã e um passeio com poesia ao vivo no Largo do Machado com imagens de Jiddu Saldanha ao som do meu brother de Brasília Engels Espíritos com o seu sopro selvagem.

Este poema foi publicado pela primeira vez na Antologia Transgressões Literárias, organizada por Deneval Siqueira Filho, provocando a ira de Arlete Sendra, para quem ele pode ser tudo menos poesia. E agora?

Profanalha NU Rio

a flecha de São Sebastião
como Ogum de pênis fala
perfura o corpo da Glória
das entranhas ao coração

do Catete ao Largo do Machado
onde aqui afora me ardo
como bardo do caos urbano
na velha aldeia carioca
sem nenhuma palavra bíblica
ou muito menos avaria

orgasmo é falo no centro
lá dentro da candelária

arturgomes

terça-feira, 19 de julho de 2011

Meio ambiente: Lei evitou o consumo de 600 milhões de sacolas plásticas em um ano no RJ


Lei que desestimula uso de sacolas plásticas faz um ano e tem bom resultado no Rio

Em um ano de vigência da Lei 5.502/09, que desestimula o uso de sacolas plásticas no estado, a população fluminense deixou de consumir 600 milhões de sacolas. O número representa redução de cerca de 25% das 2,4 bilhões de sacolas que eram distribuídas anualmente no estado.

Os dados foram levantados pela Associação dos Supermercados do Estado do Rio de Janeiro (Asserj) e divulgados hoje (15) pelo secretário estadual do Ambiente, Carlos Minc, que ficou satisfeito com o resultado. No entanto, Minc disse que é preciso intensificar a campanha e criar novas ações para estimular o consumo consciente da população fluminense.

“É um resultado expressivo. São menos 600 milhões de sacolas nos rios, lagoas e canais. É menos gasto para o Poder Público em dragagem e menos gente que perde tudo e morre por causa das inundações. Mas nosso objetivo é dobrar essa meta no ano que vem e passar para 50% de redução em relação ao número inicial de 2,4 bilhões de sacolas”, acrescentou.

Entre as propostas para incentivar o consumidor a aderir à campanha para reduzir o consumo de sacolas plásticas, Minc citou a redução do preço das embalagens reutilizáveis, o aumento do desconto dado ao cliente que não usa sacolas plásticas e a veiculação de peças publicitárias sobre o assunto.

Nesta manhã, o secretário visitou alguns supermercados na capital, para ver se os estabelecimentos estão cumprindo a lei e dando o desconto de 3 centavos por sacola não utilizada, viabilizando alternativas e informando com cartazes sobre o desconto e os males ao meio ambiente que esse tipo de embalagem traz. Durante a operação foram entregues também folhetos para incentivar a sociedade a mudar de comportamento.

Para o presidente da Asserj, Aylton M. Fornari, a lei vingou. “A população aceitou bem a iniciativa, e nós, da associação, vemos os resultados com bons olhos. Não vai resolver o problema, mas, enquanto não houver ações mais severas ou um produto menos danoso para substituir de vez as sacolas plásticas, a lei pelo menos minimiza o problema”, disse Fornari.

Adepta das sacolas retornáveis antes de a lei entrar em vigor, a publicitária Sibele Aquino reclama da falta de informação sobre os descontos nos supermercados e da pouca consciência das classes média e alta que, segundo ela, ainda usam as sacolas plásticas por preguiça. “Estive em Portugal recentemente e lá os mercados cobram cerca de 10 centavos de euro por cada sacola plástica. Acho que deveria ser assim aqui também”, sugeriu.

Flávia Villela / Agência Brasil  fonte: Palavras-Diversas


sexta-feira, 15 de julho de 2011

agenda cultural


NESTA SEGUNDA (18/7), às 20h, Aloísio Teixeira, reitor da UFRJ no Teatro Oi Casa Grande falando sobre “A Universidade no Brasil”.Esse evento faz parte das comemorações dos 45 anos do histórico Teatro Casa Grande que terá, a cada mês, palestras sobre temas do Brasil e de nossa inserção no mundo.
As próximas já estão marcados, sempre às 20h (anotem!):


Dia 25/7, segunda-feira seguinte, lançamento do último documentário de Silvio Tendler, “O veneno está na mesa”, sobre o perigo a que estamos expostos por conta do emprego excessivo de agrotóxicos na agricultura. Depois da exibição do filme haverá debate com o autor, com a agrônoma Nívia Regina, do MST-Via Campesina, e com Letícia Rodrigues da Silva, da Anvisa.

veja programação completa no Portal Fulinaima


Álvaro Maciel 
Secretário de Cultura do PT/RJ
cel. 9956-1351 / 9948-2770
visite o Blog da Cultura
http://culturaptrj.blogspot.com

fulinaimcamente

o                                                       
o                                                       
o                                                        meta metáfora no poema meta
como alcançá-la plena
no impulso onde universo pulsa
no poema onde estico plumo
onde o nervo da palavra cresce
onde a linha que separa a pele
é o tecido que o teu corpo veste

como alcançá-la pluma
nessa teia que aranha tece
entre um beijo outro no mamilo
onde aquilo que a pele em plumo
rompe a linha do sentido e cresce
onde o nervo da palavra sobe
o tecido do teu corpo desce
onde a teia que o alcançar descobre
no sentido que o poema é prece

arturgomes
aqui vídeo e poesia
http://fulinaimaportal.blogspot.com/

Mr. Teixeiraaaa!


Por Jaime Sautchuk 

No livro Os Descaminhos do Futebol, publicado há dez anos, eu já contava a história dessa dinastia. Mostrava, inclusive, como o então falido empresário Ricardo Teixeira entrou no mundo do futebol, pelas mãos de seu então sogro, mas eterno aliado, João Havelange, com ajuda de Edson Arantes do Nascimento, o Pelé.

Vale aqui, desde logo, um parêntese, para refrescar a memória. Havelange foi atleta de polo aquático, e até representou o Brasil em competições internacionais, como as Olimpíadas de Melbourne, em 1956.

Mas, desde 1937, mesclava sua atividade esportiva com as de dirigente de entidades esportivas e de empresário. Era dono de loja de armas no Rio de Janeiro, e, também, da empresa de ônibus interestadual Cometa.

Ele se elegeu presidente da antiga Confederação Brasileira de Desportos (CBD) em 1956. A parte de futebol, porém, ficava com o empresário paulista Paulo Machado de Carvalho, que levou o Brasil à vitória na Copa de 1958, foi chamado pela mídia de "Marechal da Vitória" e homenageado pelo presidente Juscelino Kubitschek em monstruosa festa no Pacaembu, em São Paulo. E repetiu o feito no Chile, na Copa de 1962.

Havelange sequer foi às duas copas. Mas, vendo que o futebol era o filé dos cifrões nos desportos, expulsou Paulo Machado e assumiu o setor. No processo da Copa de 66, aprontou mil e umas. Montou um time com 45 jogadores para rodar o mundo e, na competição mesmo, obteve o retumbante fracasso que todos conhecemos e amargamos.

Pelé foi peça-chave para eleger Havelange presidente da FIFA, em 1974. Ele ajudou a realizar, aqui, o "mundialito" de 72, uma minicopa, sem a participação dos europeus.
E rodou o mundo criando entidades esportivas nacionais (as CBFs de países africanos e asiáticos). Assim, granjeou votos para Havelange se eleger, no plano global.

No "mundialito", a CBD gastou perto de US$ 25 milhões, vindos dos cofres públicos, o que chegou a irritar até o então presidente, general Ernesto Geisel. Mas ali começou o processo de separação do futebol dos esportes olímpicos, com a criação da CBF e do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), dividindo a CBD.

Mas Havelange não desistiu. Refez relações com Pelé, que estavam abaladas, para colocar seu genro na CBF. A história já estava no livro:
"Ainda em 93, nas eliminatórias da Copa dos EUA, quando o Brasil ia aos trancos e barrancos, a imprensa assediou Teixeira, antes do jogo contra o Uruguai, no Maracanã. Um repórter perguntou:

- E se o Brasil for desclassificado?

Teixeira foi curto e grosso:

- Pra mim, nada. Vocês é que vão ter problemas, porque não vão ter o que fazer. Eu sou um homem rico.

Diante do dito, o jornalista Armando Nogueira recheou seu texto, sempre brilhante, com uma frase que resumia tudo, e entrou pra história: 'Sou um homem rico, não. Fiquei rico'.
Ficou rico, rapidinho, na CBF. Foi vapt-vupt.

Pelé contou inúmeras vezes que, quando Havelange lhe procurou para propor o nome de Teixeira para a CBF, seu argumento tinha dois pilares básicos. Um: embora sendo de outro ramo, seu genro tinha boas ideias para o futebol brasileiro. Dois: além disso, enfrentava dificuldades como empresário.

Digamos que Teixeira precisava ganhar a vida num novo território, já que como empresário não estava dando certo. E justo na CBF, onde, por lei, dirigentes não poderiam ser remunerados.

Quatro anos depois, ele mesmo já se dizia um homem rico, que não estava nem aí para os resultados da Seleção.

É bom se antenar para o conceito de "rico" que essa gente tem, que não é pouca brincadeira. Fortuna igual à que Ricardo Teixeira granjeou em menos de uma década, muita gente da elite brasileira só conseguiu depois de quatro ou cinco gerações. É dinheiro fácil, rápido, sem assepsia.

Mas aí entra a sorte – ou um traço da cultura brasileira. Como na política há a máxima "rouba, mas faz", notabilizada por Adhemar de Barros, quando governador de São Paulo, no futebol os resultados também sublimam os atos de dirigentes corruptos.

Pois foi assim que se safou, à época, Ricardo Teixeira. Pouco tempo depois das denúncias de Pelé, o Brasil ganhou a Copa de 94, e virou tetracampeão. Ninguém mais queria saber de propinas que rolavam soltas na CBF.

Pra quem já nadava de braçadas, a correnteza ficou ainda mais favorável – e a CBF se emporcalhou de vez. Tudo o que se pode imaginar de ruim virou o cotidiano da entidade máxima do futebol brasileiro. Um mal que contaminou federações estaduais e metropolitanas, e clubes.

Um indicativo de que o resultado da Copa de 94 havia aberto de vez as porteiras da prepotência ocorreu logo em seguida. O avião que trouxe a Seleção de volta para o Brasil virou uma nau contrabandista, algo de fazer inveja aos piratas de séculos atrás.

O vôo da direção da CBF e seus convidados, que incluía os jogadores da Seleção, trazia 17 toneladas de carga. No entender dos dirigentes, diante de tanta alegria da conquista, não haveria razão para os fiscais da alfândega empombarem com tão sutil contrabandozinho.

Mas não deu certo. O caso virou escândalo internacional, já que era um prato feito para a imprensa de países que amargavam a derrota na Copa. As conversas ríspidas de Teixeira com funcionários da Receita foram registradas pela TV e indignaram o Brasil inteiro.

Primeiro, ele ameaçou voltar para os EUA com toda a comitiva. Depois, conseguiu que a carga fosse levada a um hotel do Rio de Janeiro. Ali, integrantes da comitiva declararam algumas compras que traziam. Teixeira declarou uma sela de montaria e eletrodomésticos.

Pelo acordo feito com a Receita, a própria CBF fez um inventário dos bens que vinham na carga – e pagou o imposto de tudo, independente de quem fosse. Só que o peso total dos produtos declarados era de pouco mais de mil quilos. As outras 16 toneladas, ninguém sabe, ninguém viu.

Em verdade, porém, pelo menos parte da enorme carga apareceria poucos meses depois, quando foi inaugurada a luxuosa e bem equipada boate-restaurante El Turf, no Rio. Seu proprietário: Ricardo Teixeira."
O patrimônio de Teixeira, hoje mostrado em algumas redes de TV, é de fazer inveja a qualquer milionário do mundo. Ele faz da CBF uma entidade mais que privada. É particular. Se, há dez anos, estava do jeito aí relatado, hoje é muito pior, mas não há punição, não há nada.

Se a Seleção for bem ou mal na Copa América ou em 2014, na Copa do Mundo, no Brasil, tanto faz.

Mas é possível moralizar os esportes no Brasil. E isso começa por ações enérgicas contra os mais descarados bandidos do setor, e o primeiro deles é Ricardo Teixeira. Havelange, pelo avançado da idade, pode até morrer em paz.
 
fonte: http://maureliomello.blogspot.com/

Até quando vão esconder a ditadura?

Comissão tentará detalhar fatos do período ditatorial no Brasil


 Eduardo Sales de Lima
da Reportagem no Brasil de Fato

“Não quero que meus netos achem que o meu pai foi o equivalente ao [Osama] Bin Laden. Honrar a luta dele é fazer com que a verdade sobre o modo como ele foi morto seja restaurada”.

A dona dessa preocupação é a professora de psicologia da USP, Vera Silvia Facciola Paiva, filha de Rubens Paiva, deputado federal que teve seu mandato caçado e em seguida foi desaparecido e morto pela ditadura civil-militar brasileira .

Vera e inúmeros outros familiares de mortos e desaparecidos políticos estão ávidos pela criação de uma Comissão da Verdade acerca de um dos períodos mais vergonhosos de nossa história. “Isso será importante para nós em termos de apaziguamento de nossa família, mas será muito mais importante em função de fazer a luta pela qual meu pai morreu continuar; ele morreu porque militava por justiça, pela verdade e pela não-discriminação dos direitos”, destaca Vera.

Há cerca de um ano está em poder do Congresso Nacional o Projeto de Lei nº 7.376, de 20 de maio de 2010, que “cria a Comissão Nacional da Verdade, no âmbito da Casa Civil da Presidência da República”. Sob um ponto de vista panorâmico, o objetivo será “examinar e esclarecer as graves violações de direitos humanos”, “a fim de efetivar o direito à memória e à verdade histórica e promover a reconciliação nacional”. O projeto de lei que cria a Comissão da Verdade tramita no Congresso em regime de urgência urgentíssima, e já no início do segundo semestre ela poderá sair do papel.

A Comissão não terá o caráter punitivo, mas poderá servir como material para ações na Justiça a serem levadas a cabo por outras instituições como o Ministério Público Federal, por exemplo. Na prática, sua função principal, de acordo com o Núcleo da Preservação da Memória Política, será a de revelar as causas, as consequências, o modus operandi e as motivações do regime que cometeu os atos de violência e repressão, identificando aqueles que foram os perpetradores dos abusos cometidos. “Conhecendo isso, podemos criar leis que impeçam que liberdades sejam afetadas novamente”, aponta Paulo Abraão, titular da Secretaria Nacional de Justiça, presente no debate sobre a Comissão da Verdade no Memorial da Resistência, em São Paulo, no dia 4 de junho.

Segundo ele, o diálogo com o passado que permitirá que fatos particulares sobre as circunstâncias da tortura possam se transformar em verdades compartilhadas. Isso é necessário porque, ainda de acordo com Abraão, existe na sociedade brasileira um movimento “negacionista”, que expõe para a sociedade a falácia de que houve uma suposta guerra, uma coibição ao autoritarismo de esquerda. “A verdade é direito das vítimas, mas também da sociedade”, conclui.

Como reforçou recentemente a ministra da Secretaria de Direitos Humanos, Maria do Rosário, “não havia uma guerra no Brasil”, e na perseguição a estudantes e sindicalistas e militantes em geral “o aparelho de repressão mandava prender, matar e jogar no mar.”

A Comissão da Verdade, entretanto, não deve ser considerada como a última etapa da de nossa transição política. De acordo com Paulo Abraão, “temos que limitar nossas expectativas em relação a ela”, porque “não trará à tona todos os crimes e todas as suas vítimas”, e sim “apenas diminuirá a margem de mentira em relação ao passado”.

E será a partir do relatório final dessa Comissão que Belisário dos Santos Júnior acredita que novas verdades oficiais terão de ser repetidas pedagogicamente, “e fazer com que se perpetuem no ensino e, consequentemente, na memória do país”, salienta o membro da Comissão de Direitos Humanos do Conselho Federal da OAB e Presidente da Associação de Advogados Latino-Americanos pela Defesa dos Direitos Humanos.

Névoa?
Nem todos os indivíduos e as forças progressistas são tão otimistas quanto Paulo Abraão. O jurista Fábio Konder Comparato, por exemplo, indica que a Comissão da Verdade funcionará como mais um engôdo à sociedade. Isso porque a criação da Comissão teria sido como uma resposta do Estado à condenação da Corte de Direitos Humanos da OEA.

Mesmo dentro do Projeto de Lei que versa sobre o caráter da Comissão, há questionamentos que precisam ser esclarecidos. O PL também não contempla nenhum tipo de consulta à sociedade na seleção dos integrantes da Comissão.

Mais um problema. Segundo o jurista Fábio Konder Comparato, a Comissão não terá poderes para impor, a quem quer que seja, o dever de testemunhar. Além disso, existe a previsão de que haja confi dencialidade de depoimentos, o que poderia a proteger militares ligados a mortes ou torturas.

Segundo conta Marcie Mersky, diretora do Centro Internacional para a Justiça de Transição – ICTJ, as audiências públicas foram muito importantes na África do Sul e no Peru. “Há certos aspectos que necessitam de confidencialidade, para proteger testemunhas. Mas as audiências devem ser públicas. O projeto atual não garante isso. É muito difícil acreditar que o resultado, a partir disso, traga mudanças nas instituições”, afirma Marcie, que foi coordenadora do relatório final da Comissão da Verdade na Guatemala e esteve presente no Memorial da Resistência, em São Paulo.

Outra lacuna no Projeto de Lei: nada consta acerca das ligações entre membros da máquina repressora brasileira com as de outros países latino-americanos, também governados por ditadores. “E essa relação entre as ditaduras? E a Operação Condor?”, questiona Belisário dos Santos Júnior.

Mas podem surgir elementos positivos também. De acordo com o governo federal, a comissão será independente, sem que nenhum de seus sete membros tenha ligação com militares ou militantes contra a ditadura. “A qualidade do trabalho da comissão dependerá, de fato, de quem for compô-la, do grau de proteção (para não ser perseguido) e da autonomia de seus integrantes. Isso para que os militares, desconfortáveis com a sua memória e que queiram oferecer informações, por exemplo, se sintam à vontade para fazê-lo, e o mesmo com os militantes de esquerda”, defende a filha de Rubens Paiva, Vera Paiva.

 Apesar de todas as reticências que envolvem a comissão, Paulo Abraão reforça seu otimismo. “No discurso político existe, do lado oponente [ex-militares torturadores], uma esperança de que ela funcione como uma forma de dissipação do dever da Justiça. Mas não existe Justiça sem a verdade e vice-versa. Talvez o resultado promova a mudança de postura do STJ - Superior Tribunal de Justiça, no que refere à Lei de Anistia”, ponderou.

Base ampla ajuda Dilma contra PR, mas receio de CPIs impõe limites

 Obra do lulismo, o mais governista dos Congressos desde o fim da ditadura militar ajuda Dilma Rousseff a fazer jogo duro com o PR na sucessão no ministério dos Transportes. Peso dos deputados do partido na base aliada do Planalto caiu de 15% para 10% desde a primeira vitória de Lula. Mas o poder da bancada do PR no Senado de criar CPIs em aliança com adversários de Dilma impõe limites ao endurecimento presidencial.

BRASÍLIA – O Congresso Nacional deixado pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mais governista do que nunca desde a redemocratização, em 1985, ajudou a presidenta Dilma Rousseff a fazer jogo duro com o Partido da República (PR) na crise do ministério dos Transportes, na mira de denúncia de corrupção que custou a cabeça de quase toda a cúpula do órgão. Mas o receio de perder o aliado e abrir caminho para CPIs contra o governo no Senado obrigou Dilma a não esticar demais a corda e a ser flexível.

Os partidos que apoiam a presidenta somam hoje cerca de 400 deputados, mais de 75% da Câmara, proporção digna dos tempos do bipartidarismo da ditadura militar. Com 40 cadeiras, o PR responde por 10% da bancada oficial. Quando Lula tomou posse pela primeira vez, em 2003, o peso do PR, então Partido Liberal (PL), era maior (33 deputados, cerca de 15% dos governistas).

A aprovação recorde do ex-presidente no fim do segundo mandato, na casa dos 90%, empurrou a classe política em peso para palanques lulistas/dilmistas na última eleição, fez a oposição encolher e deixou Dilma com mais respaldo e conforto no Legislativo, do que Lula tivera em dois mandatos. Nesse processo, o PR cresceu, mas perdeu importância relativa porque outras legendas governistas também avançaram.

No Senado, o PR também ficou maior na passagem da era Lula para a gestão Dilma. E, diferentemente do que acontece na Câmara, pode ser decisivo numa situação que sempre preocupa inquilinos do Palácio do Planalto, a abertura de Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs). E isso impôs limites ao jogo duro de Dilma.

Os partidos adversários da presidenta – PSDB, DEM e PSOL - contam com 17 senadores, dez a menos do que o mínimo necessário para instalar uma CPI. Nem a adesão de dois ou três senadores do PMDB – sigla do vice-presidente da República, Michel Temer - que são contra Dilma ou tentam agir com independência, cria-se uma CPI.

O desalento dos oposicionistas ficou evidenciado na crise do ex-ministro Antonio Palocci. Nenhuma CPI saiu, mesmo com setores do PT e do PMDB torcendo em segredo pelo defenestramento de Palocci.

Um eventual rompimento do PR com Dilma, no entanto, colocaria o governo em perigo. Os potenciais signatários de CPIs seriam 26 senadores. Bastaria um único desconte na base aliada, por qualquer motivo, para uma comissão de inquérito parlamentar ser instalada. Essa assinatura valeria ouro – e custaria caríssimo para o Palácio do Planalto segurá-la. Na Câmara, não há esse risco. Mesmo com o PR, PSDB, DEM e PSOL ainda precisariam de cerca de 30 assinaturas para atingir as 177 necessárias.

Afago e sondagem
Segundo Carta Maior apurou, foi para evitar jogar o PR no colo da oposição e expor-se a CPIs no Senado, que Dilma procurou manter a bancada do partido na Casa amarrada ao governo, quando teve de pensar concretamente na troca de Alfredo Nascimento, senador pelo PR, no cargo de ministro dos Transportes.

O cálculo político impôs como primeira opção justamente um senador do PR, Blairo Maggi (MT), procurado pelo ministro-chefe da Secretaria Geral da Presidência, Gilberto Carvalho. A sondagem ocorreu mesmo sendo Maggi responsável pela indicação do diretor-geral do Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Transportes (DNIT), Luiz Antonio Pagot, um dos alvos da suspeita de corrupção.

Feito o afago na bancada de senadores do PR, Dilma sentiu-se livre para tomar uma decisão mais autônoma, quando Maggi preferiu continuar congressista. Sem qualquer gesto semelhante dirigido aos deputados do partido, a presidenta inclinou-se para sua primeira opção técnica, o secretário-executivo Paulo Sérgio Passos, que acabaria efetivado como ministro. Passos é servidor público de carreira e só se filiou ao PR quando o partido assumiu o ministério, para melhorar a relação com os correligionários.

A decisão de Dilma incomodou o PR da Câmara. Deputados do partido mandaram recados de sua insatisfação, usando a imprensa e a proteção do anonimato. Diziam, por exemplo, que boicotariam um coquetel de confraternização da presidenta com os líderes partidários marcado para a última quarta-feira (13/07) para celebrar o fim dos trabalhos legislativos no primeiro semestre.

Segundo Carta Maior apurou, a ministra-chefe da Secretaria de Relações Institucionais, Ideli Salvatti, telefonou para caciques do PR para tentar acalmar os ânimos e convencer o líder do partido na Câmara, Lincoln Portela (MG), a comparecer ao convescote.

Naquela mesma quarta-feira, depois de reunir-se com a bancada, Portela disse que não ir ao coquetel seria um real “gesto de descontentamento”, mas que isso não ocorreria. “A tendência é que a relação [com o governo] melhore daqui para frente”, afirmara. E lá foi ele para o Palácio da Alvorada, posar para fotos ao lado da presidenta, colocando-se com um dos mais próximos dela.

Sem condições de encurralar Dilma com uma CPI na Câmara. Sem uma candidatura de oposição com chances concretas, hoje, de bater a presidenta em 2014 e em torno da qual poderiam se juntar desde já. E com eleições municipais no ano que vem, na qual vários vão concorrer a prefeito, o que é mais fácil sendo aliado do governo, não há muita opção aos deputados do PR, além de melhorar a relação com Dilma e sorrir em fotos com ela.

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